quinta-feira, maio 19, 2011

EU E MINHA FILHA ANDRÉIA NOS ACHAMOS!!!




Andréia a filha reencontrada!!!!

Depois de quase 25 anos sem nos ver e muitos sem qualquer contato, em função das vicissitudes da vida, minha filha Andréia Aparecida da Paz e Silva, me encontrou. Desde que em 1979 fui de São Paulo para o Espirito Santo, onde ela chegou a ficar um tempo comigo, perdi contato pois ela foi morar com a mãe natural dela e perdemo-nos um do outro.

Ela foi criada por mim desde pequenininha porque seus pais naturais, Natalia a Tai, tinham sérios problemas de relacionamento e ele era irmão de minha primeira mulher, dona Lena. Dai resolvemos cria-la como filha. Hoje com 40 anos , ainda bela como podem ver pela foto, esta casada com Agnei, uma grande figura que assumiu todo o “pacote”, a Andréia que eu carinhosamente chamava de “Jojo” e seus cinco filhos, oriundos de outros casamentos dela.

Felicidade geral

Ela ficou tão feliz de me reencontrar que postou até na sua página do Orkut: ”encontrei meu pai, estou feliz”. Mal imagina ela como eu também fiquei feliz em encontra-la , já adulta, com uma cabeça ótima, uma família feliz, trabalhando com artesanato e pensando em voltar a estudar.

Ela me achou através deste blog e me escreveu e ai tudo aconteceu. Meu amor por ela, ibernado todo este tempo, floresceu de novo. E até a Polyana, minha mulher, ficou feliz, até porque agora tem 7 netos, dois do meu falecido filho Paulo Stuart e agora os cinco da Andréia.

Agora nos preparamos para nos encontrar ao vivo e em cores. Ou eu vou a Sampa como estou tentando ir, ou ela vem a Brasilia me ver. Mas ter nos achado já foi um grande passo feliz em nossas vidas. Ela vem juntar-se a meus filhos Elza Maria de 5 anos, Paulo Roberto, de 12 , Yuri de 13 e Joyce de 14. To com a família completa.

Logo logo vamos reunir todo mundo aqui em casa e comemorar este renascimento da família toda e a felicidade e o amor que nos une. Salve Andréia, seja bem vinda de novo. Seu pai esta feliz e contente como há muito tempo não se sentia.

domingo, maio 15, 2011

Libelo de um jornalista contra anistia a torturadores!!!!



Redação Conversa Afiada

Professor de notório saber
exige o fim da Anistia


Cunha: só as feridas lavadas cicatrizam. Ou restarão o ódio e o nojo ?
OConversa Afiada tem o prazer de oferecer ao amigo navegante trechos do discurso proferido por Luiz Claudio Cunha, na cerimonia de diplomação de Notório Saber em Jornalismo, na Universidade de Brasilia, no dia 9 de maio:

O jornalismo é a atividade humana que depende essencialmente da pergunta, não da resposta. O bom jornalismo se faz e se constrói com boas perguntas. O jornalismo de excelência se faz com excelentes perguntas.


Eu era uma criança de 12 anos quando irrompeu o golpe de março de 1964. Mas, como as crianças da escola de Realengo, já tinha a idade suficiente para reconhecer a violência, para sofrer o trauma, para sentir o medo. Os efeitos do longo pesadelo de 21 anos se projetaram no calendário. Meu primeiro voto para presidente da República só aconteceu quando tinha 38 anos. Cassaram nossa cidadania, limitaram nossa liberdade, calaram nossos amigos, exilaram nossos líderes, machucaram nosso povo.


Atacaram com violência maior o que mais assusta os tiranos: a universidade, o santuário do conhecimento, a trincheira do livre-pensamento, a sede da consciência crítica. Profanaram o espaço desta universidade, a Universidade de Brasília, a academia que estava no coração da nova ordem sem coração, o regime que combatia a força das ideias pela ideia da força armada, desalmada, desatinada.


Um regime que expurgou da UnB seus dois primeiros reitores, nomes primeiros da educação e do compromisso ético com a escola e com a liberdade do pensamento: Darcy Ribeiro, criador e fundador da UnB, e Anísio Teixeira, lançador do movimento da ‘Escola Nova’ – uma escola que enfatizava o desenvolvimento do intelecto e a capacidade de julgamento. Juntos, Darcy e Anísio assentaram os pilares desta universidade. Anísio inventou na Liberdade, o bairro mais populoso e pobre de Salvador nos anos 1940, a ‘Escola Parque’, que tinha padaria, um jornal diário e uma rádio comunitária por alto-falante, com médico e dentista e turno integral para as crianças. O modelo revolucionário inspirou Darcy a criar os CIEPs anos depois, no Rio de Janeiro. Anísio também ajudou a fundar a SBPC e a CAPES e dirigiu o INEP, Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, onde defendia o fim do ensino religioso obrigatório nas escolas.


A nova ordem que trazia a desordem institucional afastou ambos, Darcy e Anísio, da UnB, de Brasília, das escolas, dos jovens, do país. Em 12 de março de 1971, auge da violência do mandato do notório general Médici, Anísio desapareceu no Rio, depois de visitar o amigo Aurélio Buarque de Holanda. Os militares disseram que ele estava detido, mas não informaram o seu paradeiro. Dois dias depois, seu corpo foi encontrado, sem sinais de queda nem hematomas, no fundo do poço do elevador do prédio de Aurélio, na praia de Botafogo. Causa da morte: ‘acidente’.


Aqueles eram tempos estranhos, muito estranhos, quando nem os acidentes deixavam rastro.


Pensadores e mestres como Darcy e Anísio resumem bem a história do país e da UnB. E nenhum estudante simboliza melhor esta universidade do que o primeiro lugar em Geologia do ano de 1965, um jovem goiano de 18 anos chamado Honestino Guimarães. É um dos 144 desaparecidos políticos do país. Presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília, foi preso pelo Exército e expulso da universidade por reagir à invasão do campus da UnB em 1968. Caiu na clandestinidade com o AI-5, chegou à presidência nacional da UNE e foi preso em outubro de 1973.


A jornalista brasiliense Taís Morais fez as perguntas certas e, no seu livro Sem Vestígios (Prêmio Jabuti de 2006), descobriu o macabro trajeto final de Honestino, percorrendo todo o alfabeto de siglas letais da repressão brasileira: detido no Rio de Janeiro pelo CENIMAR (Centro de Informações da Marinha), trazido a Brasília pelo CIE (Centro de Informações do Exército), torturado durante cinco meses no PIC (Pelotão de Investigações Criminais, no subsolo do prédio do Comando do Exército, na Esplanada dos Ministérios) e levado em fevereiro de 1974 a Marabá num jatinho fretado da Líder Táxi Aéreo por quatro agentes do CIE liderados por um certo major-aviador Jonas, do CISA (Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica).


Lá, no sul do Pará, Honestino foi executado e enterrado na selva pelas tropas que combatiam a guerrilha do Araguaia. Honestino desapareceu aos 26 anos, mas o hoje coronel-aviador da reserva (R-1), com nome, sobrenome e endereço conhecido, circula sem chamar a atenção por Brasília, sem que nenhum jornalista se aproxime dele para fazer uma simples e básica pergunta: − Coronel Jonas, o que aconteceu com Honestino?


A prepotência não permitia perguntas para números sem resposta: 500 mil cidadãos investigados pelos órgãos de segurança; 200 mil detidos por suspeita de subversão; 50 mil presos só entre março e agosto de 1964; 11 mil acusados nos inquéritos das Auditorias Militares, 5 mil deles condenados, 1.792 dos quais por ‘crimes políticos’ catalogados na Lei de Segurança Nacional; 10 mil torturados apenas na sede paulista do DOI-CODI; 6 mil apelações ao Superior Tribunal Militar (STM), que manteve as condenações em 2 mil casos; 10 mil brasileiros exilados ; 4.862 mandatos cassados, com suspensão dos direitos políticos, de presidentes a governadores, de senadores a deputados federais e estaduais, de prefeitos a vereadores; 1.148 funcionários públicos aposentados ou demitidos; 1.312 militares reformados; 1.202 sindicatos sob intervenção; 245 estudantes expulsos das universidades pelo Decreto 477 que proíbe associação e manifestação; 128 brasileiros e 2 estrangeiros banidos; 4 condenados à morte (sentenças depois comutadas para prisão perpétua); 707 processos políticos instaurados na Justiça Militar; 49 juízes expurgados; 3 ministros do Supremo afastados, o Congresso Nacional fechado por três vezes; 7 Assembleias estaduais postas em recesso; censura prévia à imprensa e às artes; 400 mortos pela repressão; 144 deles desaparecidos até hoje.


No início de 1962 oficiais das Forças Armadas foram a São Paulo para um encontro com o jornalista Júlio de Mesquita Filho, a quem entregaram um documento sobre as normas que iriam comandar o governo militar após a queda de Jango. O grupo, integrado pelos generais Cordeiro de Farias e Orlando Geisel, foi mais explícito com o dono de O Estado de S.Paulo: o novo regime queria ficar no poder por pelo menos cinco anos, o que viria a ser a primeira mentira do golpe. O regime militar perdurou quatro vezes mais.


Animado com a conversa, Mesquita chegou ao ponto de sugerir oito nomes para o futuro ministério golpista. O jornalista, acreditem, chegou a fazer o rascunho de um Ato Institucional para fechar Senado, Câmara e Assembleias e para cassar mandatos. Ironia da história: o instrumento de força esboçado por Júlio Mesquita era o mesmo a que a ditadura submeteria seu jornal em 1968 com o AI-5. Os ex-amigos do golpe confabulado pelo dono do Estadão forçariam o jornal a cobrir os espaços censurados nas páginas com versos de Camões e receitas de bolo.


Precisamos lembrar, devemos contar.


Guerrilha não se confunde com terrorismo, definido sim pelo deliberado objetivo de infundir terror entre a população civil, sob o risco assumido de vítimas inocentes – como no caso do terror consumado do 11 de Setembro em Nova York, como no caso do terror frustrado da bomba do Riocentro no Rio de Janeiro. É por isso que ninguém, nem mesmo um cínico, se atreve a escrever “terroristas de Sierra Maestra” ou “terroristas do Araguaia”.


Eram guerrilheiros, não terroristas. Terrorista era o Estado, que usou da força e abusou da violência para alcançar e machucar dissidentes presos, indefesos, algemados, pendurados, desprotegidos diante de um aparato impiedoso que agia à margem da lei, na clandestinidade, nos porões, torturando e matando sob o remorso de um codinome, encoberto na treva de um capuz. Terroristas eram os assassinos de Honestino Guimarães, Vladimir Herzog, David Capistrano da Costa, Manoel Raimundo Soares, Stuart Angel Jones, Manoel Fiel Filho, Paulo Wright, Zuzu Angel, entre tantos outros.


“A sociedade foi Rubens Paiva, não os facínoras que o mataram”, ensinou Ulysses Guimarães, no dia da promulgação da Constituição de 1988. “Quando, após tantos anos de lutas e sacrifícios, promulgamos o estatuto do homem, da liberdade e da democracia, bradamos por imposição de sua honra: temos ódio à ditadura. Ódio e nojo”, reforçou Ulysses.


A hipocrisia nacional diz que a mera lembrança desses nomes e fatos não passa de revanchismo, de mera volta ao passado.

Uma médica chilena, torturada em 1975 e eleita presidente em 2006, desmente isso: “Só as feridas lavadas cicatrizam”, ensina Michelle Bachelet.


O Supremo Tribunal Federal teve, no ano passado, a chance de lavar esta ferida. E, vergonhosamente, abdicou desse dever.


Apenas dois dos nove ministros do STF – Ricardo Lewandowski e Carlos Ayres Brito – concordaram com a ação da OAB, que contestava a anistia aos agentes da repressão. “Um torturador não comete crime político”, justificou Ayres Brito. “Um torturador é um monstro. Um torturador é aquele que experimenta o mais intenso dos prazeres diante do mais intenso sofrimento alheio perpetrado por ele. Não se pode ter condescendência com o torturador. A humanidade tem o dever de odiar seus ofensores porque o perdão coletivo é falta de memória e de vergonha”.


Apesar da veemência de Ayres Brito, o relator da ação contra a anistia, ministro Eros Grau, ele mesmo um ex-comunista preso e torturado no DOI-CODI paulista, manteve sua posição contrária: “A ação proposta pela OAB fere acordo histórico que permeou a luta por uma anistia ampla, geral e irrestrita”, disse Eros Grau, certamente esquecido ou desinformado, algo imperdoável para quem é juiz da mais alta Corte e também sobrevivente da tortura. A anistia de 1979 não é produto de um consenso nacional. É uma lei gestada pelo regime militar vigente, blindada para proteger seus acólitos e desenhada de cima para baixo para ser aprovada, sem contestações ou ameaças, pela confortável maioria parlamentar que o governo do general Figueiredo tinha no Congresso: 221 votos da ARENA, a legenda da ditadura, contra 186 do MDB, o partido da oposição.


Nada podia dar errado, muito menos a anistia controlada.


Amplo e irrestrito, como devia saber o ministro Grau, era o perdão indulgente que o regime autoconcedeu aos agentes dos seus órgãos de segurança. Durante semanas, o núcleo duro do Planalto de Figueiredo lapidou as 18 palavras do parágrafo 1° do Art. 1° da lei que abençoava todos os que cometeram “crimes políticos ou conexos com estes” e que não foram condenados. Assim, espertamente, decidiu-se que abusos de repressão eram “conexos” e, se um carcereiro do DOI-CODI fosse acusado de torturar um preso, ele poderia replicar que cometera um ato conexo a um crime político. Assim, numa única e cínica penada, anistiava-se o torturado e o torturador.


Em 22 de agosto de 1979, após nove horas de tenso debate, o Governo aprovou sua anistia, a 48ª da história brasileira. Com a pressão da ditadura, aprovou-se uma lei que não era ampla (não beneficiava os chamados ‘terroristas’ presos), nem geral (fazia distinção entre os crimes perdoados) e nem irrestrita (não devolvia aos punidos os cargos e patentes perdidos).


Mesmo assim, o regime suou frio: ganhou na Câmara dos Deputados por apenas 206 votos contra 201, graças à deserção de 15 arenistas que se juntaram à oposição para tentar uma anistia mais ampliada. Um dos mentores do ‘crime conexo’ era o chefe do Serviço Nacional de Informações, o SNI, general Octávio Aguiar de Medeiros, signatário da anistia de agosto de 1979.


Menos de dois anos depois, em abril de 1981, um Puma explodiu antes da hora no Riocentro, no Rio de Janeiro. Tinha a bordo dois agentes terroristas do Exército: o sargento Guilherme do Rosário, que morreu com a bomba no colo, e o capitão do DOI-CODI Wilson Machado, que sobreviveu impune e, apesar das feias cicatrizes no peito, virou professor do Colégio Militar em Brasília.


Em 24 de abril passado, em trabalho admirável, os repórteres Chico Otávio e Alessandra Duarte, de O Globo, revelaram ao país a agenda pessoal do sargento morto, a agenda que o Exército considerou desimportante para seu arremedo de investigação. Pois lá estão anotados os nomes reais (sem codinome) e os telefones de 107 pessoas, de oficiais graduados a soldados, de delegados a detetives, passando pelo Estado-Maior da PM e o comando da Secretaria de Segurança. Nessa ‘Rede do Terror’ que conspirava para endurecer o regime não consta o nome de um único guerrilheiro. Todos os terroristas, ali, integravam o aparelho de Estado, patrono da complacente autoanistia que não satisfazia nem seus radicais.


O nome mais ilustre da agenda é Freddie Perdigão, membro de um certo ‘Grupo Secreto’ organização paramilitar de direita que jogava no fechamento político. Perdigão era coronel da Agência Rio do SNI do general Medeiros. Nada mais cínico e nada mais conexo do que isso.


O ‘Grupo Secreto’ é responsável por algumas das 100 bombas que explodiram no Rio e São Paulo entre a anistia de agosto de 1979 e o atentado do Riocentro de abril de 1981, endereçadas a bancas de jornal, publicações alternativas da oposição, Assembleia Legislativa e às sedes da OAB e da ABI.


Apesar da equivocada decisão do Supremo, o Brasil acaba de ser condenado na Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA por se eximir da investigação e punição aos agentes do Estado responsáveis pelo desaparecimento forçado de 70 guerrilheiros do Araguaia. “A Lei da Anistia do Brasil é incompatível com a Convenção americana, carece de efeito jurídico…”, criticou a Corte da OEA.


Em novembro passado, o Ministério Público Federal em São Paulo ajuizou ação civil pública pedindo a responsabilização civil de três oficiais das Forças Armadas e um da PM paulista sobre morte ou desaparecimento de seis pessoas e a tortura de outras 20 detidas em 1970 pela Operação Bandeirante (Oban), o berço de dor e sangue do DOI-CODI, a sigla maldita que marcou o regime e assombrou os brasileiros. O capitão reformado do Exército Maurício Lopes Lima é frontalmente acusado pelos 22 dias de suplício a uma das presas, líder da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Nome da presa torturada: Dilma Rousseff.


Agora presidente, Dilma Rousseff encara este desafio que intimidou os cinco homens que a antecederam no Palácio do Planalto a partir de 1985, quando acabou a ditadura: a punição aos torturadores do golpe de 1964. Não será por revanchismo, mas pelo dever ético de todo país que respeita a verdade, a memória e sua história. Como fazem com altivez a Argentina, o Uruguai, o Chile ao lavar suas feridas, feias como as nossas.


Quando fui chamado para trabalhar na revista Veja em Porto Alegre, em 1971, o chefe da sucursal era Paulo Totti. Aos 32 anos, era o mais talentoso jornalista do Rio Grande do Sul, a melhor escola que um repórter poderia ter. Em dezembro de 2007, cinco meses antes de completar 70 anos, Totti conquistou o Prêmio Esso de Economia com uma reportagem sobre a China, publicada no diário Valor Econômico. O melhor jornalista gaúcho há 40 anos é ainda hoje um dos grandes repórteres brasileiros. É dele esta frase consoladora:

– A função do repórter é a única que vai sobreviver no jornalismo do futuro. Sempre vamos precisar, no futuro, de alguém que pergunte.


Totti disse e eu completo: o importante – ontem, hoje e sempre – é duvidar e perguntar.


Espero que o título honroso que a UnB hoje me confere seja o reconhecimento não às respostas que obtive, mas às perguntas que fiz ao longo destas últimas quatro décadas.

sexta-feira, maio 13, 2011

Artigo imperdivivel de Sylvio Costa, do "Congresso em Foco" sobre o papel da midia nos dias de hoje!!!



Quem dá as cartas no jornalismo atual
“Não dá pra perder as maravilhosas chances que o século 21 oferece para refletir sobre velhos procedimentos e testar novas possibilidades”


Sylvio Costa*

Vivemos uma época em que jornalistas precisam dar a cara a tapa. O jornalismo e os meios de comunicação se tornaram, nas sociedades contemporâneas, importantes demais na construção da agenda pública, na difusão de práticas de consumo e na formação de opiniões para se recusarem a tomar parte em um debate aberto sobre si próprios.

Numa sociedade democrática, todos nós que atuamos no campo jornalístico devemos encarar com naturalidade questionamentos sobre nossos critérios de produção e edição, a forma como empacotamos e distribuímos os conteúdos noticiosos ou mesmo os vínculos econômicos, políticos e ideológicos que nos movem ou movem as organizações nas quais trabalhamos.

Claro. Ninguém é obrigado a aceitar grosseria ou atos de má-fé. Civilidade e respeito são o mínimo que podemos exigir de quem nos cobra explicações, coerência ou o que for. Respeitado esse pré-requisito, entendo, qualquer discussão deve ser bem-vinda. Aceitar críticas e nos submeter ao democrático escrutínio da sociedade pode ser às vezes algo sofrido, mas sempre propicia nosso aprimoramento, como cidadãos ou profissionais da informação.

Tudo isso para dizer que o tema “mídia” me soa meio que obrigatório num veículo como o Congresso em Foco. Como fazer jornalismo inovador e participativo, que é o que perseguimos, sem discutir de público o que fazemos? E, em matéria de jornalismo, não dá pra perder as maravilhosas chances que o século 21 oferece para refletir sobre velhos procedimentos e testar novas possibilidades.

Escrevo este texto sob o impacto de uma experiência recente, dividida em duas etapas.

A primeira, realizando um sonho quase tão antigo quanto este site (no ar, lembre-se, desde fevereiro de 2004). Ela consistiu, sobretudo, em um périplo, em Washington, por algumas empresas e instituições que estão na vanguarda da produção de informações sobre o Congresso e a política nos Estados Unidos. Mas houve uma esticada até o Vale do Silício, na Califórnia, pra respirar um pouco da atmosfera do principal centro de geração de conhecimento tecnológico do mundo. E, de passagem por Nova Iorque, me vi encarando um mito ao visitar a redação do jornal The New York Times e conhecer os responsáveis pela área de mídia interativa.

Mal retornei ao Brasil, voltei a Washington, agora a convite da Fundação Sunlight. O nome da entidade, luz do sol, é uma referência a uma célebre afirmação do ex-juiz da Suprema Corte americana Luiz Brandeis, ao defender a transparência de assuntos governamentais: “A luz do sol é o melhor desinfetante”. A fundação convidou um grupo de duas dezenas de profissionais estrangeiros para participar de dois dias de encontros com o seu qualificadíssimo corpo técnico e do Transparency Camp, evento que reuniu mais de 200 pessoas, todas elas de alguma maneira envolvidas com ações destinadas a trazer à tona fatos, números e problemas que poderosos dos quatro cantos do planeta gostariam de manter escondidos sob o tapete.

Publicarei algumas matérias sobre coisas que vi e ouvi por lá. Destaco aqui algo que carrego como a lição mais viva das três semanas que passei ao Norte deste vasto continente americano. Talvez ela lhe pareça pequena, óbvia. E acho que é mesmo. Em mim, admito, ela confirmou uma sensação que vinha de longe. Mas, num momento em que tudo é dúvida no mundo das comunicações, eu a guardo como finíssima joia. Porque é preciso entender o cenário.

Financiamento é um problema para quase todo mundo. Gigantes da comunicação amargam o explosivo desequilíbrio entre custos altos e receitas publicitárias em queda. Organizações sem fins lucrativos com atuação no terreno jornalístico – fato raro no Brasil, mas comum nos EUA – têm sido alertadas por doadores tradicionais para a necessidade de buscarem a autossustentabilidade. E, pelo mundo afora, muitos veículos novos da internet ainda têm dificuldades para transformar audiência e prestígio em operações lucrativas.

Há ainda incertezas imensas em relação a um sem-número de questões relativas às novas ferramentas tecnológicas e o seu impacto no fazer jornalístico. Smart phones, tablets, redes sociais, iPads, recursos multimídia... a indústria de comunicação foi e continua sendo bombardeada por inovações. É coisa demais para conhecer, aprender a usar, e num ambiente em que a tecnologia tirou do jornalista o monopólio de produzir e distribuir informação. Como provam blogueiros, tuiteiros, membros de comunidades virtuais etc.

Sei, mais que nunca, quem é o cara que dá as cartas nesse universo, e esta é a lição a que antes me referi. É você aí do outro lado. Mulher ou homem, seja em que cidade estiver ou que ocupação – ou idade – tiver, você tem a capacidade de determinar os rumos que as coisas tomarão.

Graças à web e às novas tecnologias de comunicação, leitores, telespectadores, ouvintes, usuários experimentam um poder inédito. Não apenas porque há mais opções disponíveis: novos veículos ou novos serviços e plataformas criados pelos veículos tradicionais. Mas, especialmente, porque reúnem maiores condições para influenciarem, e não apenas serem influenciados, pelo jornalismo que consomem.

Quanto ao Congresso em Foco, tenham certeza: estamos doidinhos para sermos influenciados. Críticas, sugestões, reclamações, pitis? Fico à disposição, no sylvio@congressoemfoco.com.br ou no (61) 3322-4568.

quinta-feira, maio 05, 2011

Fim da miséria e das injustiças no Brasil e no Mundo!!



Transcrevo aqui artigo do amigo e companheiro Celso Lungaretti!!! Tá no seu Blog "Naufrago da Utopia!!


NOSSO VERDADEIRO PROBLEMA É A DESIGUALDADE EXTREMA
COMO DE HÁBITO, QUE VIVAM OS BANCOS E MORRAM OS CIDADÃOS!
DIREITO INTERNACIONAL x PIRATAS ASSASSINOS
"ESSA FOTO VAI FICANDO A CADA DIA MAIS FEIA"
NOSSO VERDADEIRO PROBLEMA É A DESIGUALDADE EXTREMA


Segundo dados do IBGE, há 16,3 milhões de brasileiros que não ganham sequer 70 reais por mês; são 8,5% da nossa população vegetando em condições subumanas.

A renda mensal de todos eles juntos não chega nem a R$ 1,2 bilhão.

Enquanto isto, o ranking da revista Forbes, divulgado no último mês de março, revela que as fortunas dos 30 brasileiros mais ricos totaliza US$ 131,3 bilhões, ou seja, mais de R$ 210 bilhões.

São todos bilionários. Ou seja, cada um deles possui bens e valores equivalentes à renda mensal de 16,3 milhões de nossos concidadãos.


Ao invés de discutirmos se 70 reais/mês constitui um bom divisor de águas entre os pobres e os extremamente pobres, deveríamos é estar encarando, de uma vez por todas, nosso verdadeiro problema: como acabarmos com esta desigualdade extrema, inconcebível, inaceitável.

Isto vocês nunca lerão nas seções de Economia da grande imprensa.


COMO DE HÁBITO, QUE VIVAM OS BANCOS E MORRAM OS CIDADÃOS!


O Fundo Monetário Internacional deu a resposta de hábito: só socorrerá Portugal se o país cortar investimentos em educação e saúde, congelar salários e pensões, etc., conforme manda a cartilha neoliberal.

As autoridades portuguesas terão de decidir se sacrificarão a saúde do seu povo para garantir a saúde financeira dos bancos.

Deveriam reler Brecht:

"Não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural,
nada deve parecer impossível de mudar"


DIREITO INTERNACIONAL x PIRATAS ASSASSINOS


"As Nações Unidas enfatizam que todos os atos contra o terrorismo devem respeitar o direito internacional." (Navi Pillay, Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos)

"A legítima defesa, conforme estipulado pelo artigo 51 da Carta das Nações Unidas, é concebida como possibilidade de um Estado reagir a uma agressão armada para defender sua população e sua soberania territorial.

A legítima defesa tem que ocorrer logo após a agressão. Atacar um ano ou dez anos depois não é legítima defesa." (Alberto do Amaral Jr., professor de Direito Internacional da USP)

"O critério para Bin Laden deveria ser o mesmo de todo o mundo: se havia chance de capturá-lo, é o que deveria ter sido feito." (Claudio Cordone -- foto ao lado --, diretor-sênior da Anistia Internacional)


"ESSA FOTO VAI FICANDO A CADA DIA MAIS FEIA"


"Mais cedo ou mais tarde... [as fotos de Bin Laden morto] serão expostas, aprofundando as diferenças de percepção entre a opinião pública nos Estados Unidos e nos demais países. Os americanos exaltam, cidadãos do mundo condenam.

A Otan aprovou a ação no Paquistão para matar Bin Laden, democratas e republicanos estão em êxtase cívico nos EUA, e os índices de popularidade de Barack Obama já indicam a sua reeleição no ano que vem. Mas o desenrolar da história já não é tão consensual assim no resto do mundo.

Bin Laden não estava armado, não usou mulher nenhuma como escudo, e o 'mensageiro' foi identificado por meio de tortura de um preso político, método execrável sob qualquer prisma.

Cresce, enfim, o questionamento sobre a legalidade da própria operação: o comando Seal entrou no país sem consultar ou informar o governo paquistanês, matou o terrorista com dois tiros e jogou o corpo no mar, quando as leis internacionais preveem prisão, processo, direito a defesa e, finalmente, pena. Nada disso foi respeitado.


Com ou sem Bin Laden, essa foto vai ficando a cada dia mais feia." (Eliane Cantanhêde, em sua coluna desta 5ª feira (05/05), expressando posição coincidente com a que este blogue adotou desde o momento em que foi anunciada a execução de Bin Laden e a as circunstâncias nas quais ocorreu: uma ação pirata)

domingo, maio 01, 2011

JUSTIÇA IMEDIATA AOS CAMPONESES DO ARAGUAYA!!!



Camponeses do Araguaia sem anistia e ainda sofrem ameaças

Milton Alves *

Em audiência solicitada pela Associação dos Camponeses Torturados durante a Guerrilha do Araguaia ocorrida ontem (26)na sede da OAB-RJ, que contou também com a presença de representantes da direção nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), foi debatida a situação dos camponeses do Araguaia, vítimas da repressão da ditadura no período dos combates no sul do Pará. Pela OAB participaram da audiência o presidente nacional da OAB Ophir Cavalcante, o presidente da OAB-RJ Wadih Damous e o ex-presidente nacional da OAB Cezar Britto.

Na ocasião, o representante da Associação dos Camponeses do Araguaia Sezostrys Alves da Costa relatou a situação atual dos 45 camponeses que tiveram as suas anistias suspensas. O representante da Associação dos Camponeses do Araguaia informou que “a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça anistiou 45 camponeses dos quais cinco já morreram. Só 12 receberam os recursos da anistia. Quatro chegaram a ter o dinheiro depositado em banco, mas estornado após a liminar que suspendeu estas anistias”.

Sezostrys informou ainda as condições e as dificuldades dos camponeses, revelando em depoimentos gravados as seqüelas e os imensos sofrimentos dos mesmos. Relatou que “o camponês Adão Rodrigues Lima tem quase 90 anos, está paralítico e que o camponês, Manoel da Água Branca, ficou louco. Que José Nazário morreu vomitando sangue, após as torturas. Sua esposa, D. Marcolina do Nascimento foi anistiada, mas nada recebeu. Há vários outros casos semelhantes”, disse.

A exposição sensibilizou os dirigentes da OAB. Para o presidente nacional da OAB Ophir Cavalcante trata-se de uma grave violação dos direitos humanos. “São pessoas humildes que foram torturadas e perseguidas por agentes do estado. Vamos denunciar a situação e exigir imediatas providências”.

Já o presidente da Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro Wadih Damous informou que a entidade acompanha com maior atenção a situação dos camponeses do Araguaia. Segundo ele “todo o processo de anistia está paralisado a partir dessa ação”. Para Cezar Britto, ex presidente nacional da OAB, que o caso requer além do tratamento jurídico, a mobilização da opinão pública para a defesa dos camponeses e de suas famílias, “que já sofrem tanto com as seqüelas daquele período. É necessário assegurar o cumprimento da anistia para os camponeses”

Ação judicial movida por viúvas da ditadura

A suspensão da anistia aos camponeses foi resultado de uma ação judicial movida por setores ligados aos órgãos de repressão da ditadura através do advogado João Henrique Nascimento de Freitas, assessor do Deputado Estadual Flavio Bolsonaro, filho do fascista Deputado Federal Jair Bolsonaro. Em 3 de junho de 2009 ele deu entrada numa Ação Popular solicitando a suspensão da anistia aos camponeses.

Por decisão do Juiz José Carlos Zebulum, da 27ª. Vara Federal do Rio de Janeiro foi concedida liminar em 18 de setembro do mesmo ano. Por outro lado a Advocacia Geral da União (AGU) entrou com um recurso que tem como relator o Juiz Luiz Paulo Araújo Filho, do Tribunal Federal do Rio de Janeiro. Os advogados que estão auxiliando a Associação dos Camponeses do Araguaia informaram a situação atual do processo e as ações pertinentes para reverter a ação judicial dos remanescentes da ditadura.

Ameaças e tentativas de intimidação

O membro do Grupo do Trabalho Tocantins (Ministério da Defesa), formado com o objetivo de realizar a busca dos corpos dos desaparecidos da guerrilha do Araguaia, Paulo Fonteles Filho denunciou as ameaças e as intimidações que vem sendo realizadas nos últimos dias por pessoas ligadas a Abin e a outros órgãos. Segundo Paulo Fonteles, “as tentativas de intimidação cresceram nestes últimos dias e visam obstruir o trabalho da Associação junto aos camponeses”. Fonteles pediu proteção da Polícia Federal.

O membro da direção nacional do PCdoB e do GTT-MD Aldo Arantes abordou a questão das diversas operações limpeza ocorridas na área da guerrilha, o que de fato impede o trabalho de busca dos corpos de guerrilheiros e camponeses desaparecidos na região.

* É jornalista, presidente do PCdoB no Paraná e membro do Comitê Central do PCdoB.

terça-feira, abril 26, 2011

PCdoB ganha filiado excepcional e de peso!!!!



Geraldo Dantas Poderoso, jovem lutador pela liberdade e o socialismo, escritor, autor do livro “Nos porões da Ditadura, uma Flôr”, blogueiro e ativista politico, encontrou seu caminho e ontem, filiou-se ao PCdoB. Sergipano da cepa, agora morando em Jacarei, São Paulo, passa a militar no partido no Estado de São Paulo.

Foi uma excepcional aquisição para o partido dos comunistas, que agora conta na região de Jacarei e em São Paulo e no Brasil, de um militante altivo e corajoso que com certeza engrandecera o partido e seus quadros. Ele foi o criador também do blog “Revolucionarios Eternamente”, que infelizmente foi desativado, mas inspirou outros sites do mesmo naipe que hoje pululam na Internet. Bem vindo Geraldo!!!

sábado, abril 23, 2011

"Amor e revolução", a novela do SBT precisa melhorar!!!!



A Novela "Amor e Revolução", do SBT que passa as 22,30hs tem vários problemas apesar do conteudo ser ótimo e cumprir sua tarefa de mostrar como foi que se instalou e desenvolveu a Ditadura no Brasil. Mas tem muitas falhas de produção, cenografia e direção e o horário que é muito tardio e restringe a audiencia. Temos que cobrar do SBT mais investimento artistico na novela e mais divulgação.

Os chamados Anos de Chumbo" do periodo de mais de 20 anos de Ditadura Militar no Brasil.que reasgou uma Constituição democratica, depôs um presidente legitimamente eleito e suspendeu as garantias individuais, está sendo mostrado pela novela. Mas ainda esta com sua narrativa centrada nos primiros meses do Golpe militar. Vamos ver se vão mostrar todas as mazelas produzidas na época, a edição do AI5, que endureceu ainda mais a Ditadura, a perseguição e morte de centenas de pessoas, as cassações de parlamentares e outros absurdos.

Mobilizar para novela continuar no ar!!

As viuvas da Ditadura já tentaram impedir a exibição da novela, os milicos de pijamas e os poucos direitistas que ainda sobraram nos quartéis, estão protestando e chiando por causa da trama, que até agora só mostrou a verdade.Vamos ver até onde o SBT vai suportar as pressões da direita e se vai mostrar o envolvimento de empresarios e figuras proeminentes da época com os milicos e até apoiaram e participaram de torturas, mortes e desaparecimento de quem lutou contra a Ditadura.

Mas "Amor e Revolução", cumpre um papel importante na dramaturgia televisiva e só poderia ser produzida e exibida num canal como o SBT. A Globo que cresceu e apoiou tenasmente a Ditadura jamais faria uma novela assim. Vamos ficar atentos e mobilizados para que a novela continue e mostre toda a verdade dos "Anos de chumbo". Vai ajudar na instituição da "Comissão da Verdade", que o governo pretende instalar para revelar tudo que aconteceu nos porões da Ditadura, a morte e o desaparecimento de centenas de revolucionarios e democratas que lutavam contra o arbitrio.

quarta-feira, abril 20, 2011

Cuba realiza Congresso para modernizar e continuar Socialista!!!


Raul Castro dirige as mudanças em Cuba!

Congresso de comunistas cubanos dá lição ao mundo, diz jornalista

O 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba ofereceu ao mundo incríveis lições de criatividade, força e valentia. A frase é da escritora e jornalista Stella Calloni.

"A reunião dos comunistas cubanos ratificou a decisão da população de revitalizar o socialismo e foi considerada uma resposta extraordinariamente sólida às pretensões colonialistas e hegemônicas dos Estados Unidos", declarou a jornalista.

Calloni discursou na última terça-feira (19) em um painel realizado no Centro de Cooperação Cultural para debater sobre "A direita mundial: o caso de Mount Pelerin e suas implicações na América Latina".

O Clube Argentino de Jornalistas Amigos de Cuba (CAPAC) divulgou uma declaração na qual caracteriza o recém-encerrado Congresso do PCC como “um dos passos mais criativos da Revolução”.

O documento enfatiza que sete milhões de cubanos participaram das assembleias prévias e enriqueceram as discussões sobre a atualização do modelo econômico para garantir a continuidade e irreversibilidade do socialismo.

Além disso, o documento ressalta que na política econômica de Cuba está presente o conceito de que o socialismo significa igualdade de direitos e de oportunidades para todos, não igualitarismo, e ratifica o princípio de que na sociedade cubana ninguém estará desamparado.

O CAPAC afirmou ainda que “se sente orgulhoso de estar junto a um governo, um povo e um partido capazes de dar exemplos extraordinários de uma verdadeira democracia popular ao mundo, apesar da adversidade a que o país está submetido".

Fonte: Prensa Latina

domingo, abril 17, 2011

Prenuncio de uma discussão sobre a Revolução. Vale a pena ler , divulgar e discutir. Sem preconceitos.



Velho companheiro,

eu comecei a escrever umas 20 linhas sobre a coluna do Clóvis Rossi e acabou saindo um artigo em que coloquei praticamente toda a minha visão revolucionária atual.

Poderia até guardar para um livro, mas acho mais importante colocar as idéias para circularem imediatamente.

E, se o que o CR prevê acontecer, a esquerda terá de repensar muitas coisas -- além de ser obrigada a responder à inevitável ofensiva propagandística da direita.

Eu propus um passo adiante. Não creio que muitos aceitem de imediato, mas a semente está lançada. O que mais eu poderia fazer?

Agradeço a força. Às vezes eu me sinto como se estivesse correndo atrás do tempo perdido. Só hoje estou podendo fazer o que gostaria de ter feito 30 anos atrás.

Um forte abraço e ótimo resto de domingo!

Celso

Meu amigo e camarada Lunga!!

Seu artigo é instigante e realmente importante. È algo para se estudar e pensar. Vou até repassar para nosso Comite Central.,Advirão criticas severas ou não. Mas voce colocou o dedo na ferida e isto é que é importante.
Vamos repassar, colocar nos blogs. Amanhã coloco no meu! e ESPERARMOS O QUE VEM AI.
VOCE ESTA SE TORNANDO UM DOS MAIS DESTACADOS E IMPORTANTES PENSADORES REVOLUCIONARIOS DE NOSSO TEMPO. Aguarde.

Um abraço e abra sua Mente e coração tambem para as criticas e uma visão diferente de Stalin e do processo revolucionario.Viu no que deu o fim das idéias e prenuncios de Stalin. Krushsov, depois Brejnev, Gorbachov , Ieltsin e o caos.
Vamos prensar. Mas dou força ao debate e te respeito pela a coraGEM e a dedicação a revolução.
Abração
lUIZaPARECIODO

EIS AI ABAIXO, O ARTIGO DO LUNGARETTI PARA DISCUTIR E PENSAR SEM PRECONCEITOS E VISANDO A UNIDADE NA DIVERSIDADE!!!!

UM IDEÁRIO PARA A REVOLUÇÃO DO SÉCULO 21

Celso Lungaretti (*)


Em sua coluna dominical -- Adeus, Fidel; adeus, silêncio? --, o veterano jornalista Clóvis Rossi aborda as "reformas econômicas que transformarão a ilha caribenha", a serem aprovadas hoje (17), no 6º Congresso do Partido Comunista Cubano.
Segundo ele, o corte de um quinto dos postos de trabalho no setor público e o estímulo à criação de um setor privado capaz de absorver tais trabalhadores implicarão a abertura do regime cubano: "às reformas econômicas que serão lançadas hoje seguir-se-á a prazo relativamente curto a reforma política".

Ele especula que a construção do porto de Mariel, financiada pelo Brasil, "só tem sentido se for para exportar para os Estados Unidos".

E, como queria demonstrar, conclui: "Se é assim, implica o restabelecimento de relações, com todo o cortejo de consequências".

Se os palpites de Clóvis Rossi estiverem certos, preparemo-nos para a grita ensurdecedora da imprensa burguesa, festejando a capitulação da pequenina ilha asfixiada pelo embargo comercial estadunidense.

E vamos, sim, dar nossa resposta a esta zombaria do jornalista:
"Na hora em que a esquerda continua sob os escombros do Muro de Berlim, começa a cair mais um muro. Talvez seja a hora de construir algo com tantos tijolos".

BECO SEM SAÍDA

Já faz quase um século que os movimentos revolucionários desviaram por atalho que acabou conduzindo a um beco sem saída.

O desvio foi decidido às vésperas da revolução soviética, quando o Partido Bolchevique discutiu dramaticamente se valia a pena tomar-se o poder num país atrasado, contrariando duas premissas marxistas: a da revolução internacional e a da construção do socialismo a partir das nações economicamente mais pujantes (e não o contrário!).

Prevaleceu o argumento de que, embora a Rússia não estivesse pronta para o socialismo, serviria como um estopim da revolução mundial, começando pela revolução alemã, prevista para questão de meses. Então, o atraso econômico russo seria contrabalançado pela prosperidade alemã; juntas, efetuariam uma transição mais suave para o socialismo.

"...finalmente, um tirano
substitui o Comitê Central..."

Deu tudo errado. A reação venceu na Alemanha, a nova república soviética ficou isolada e, após rechaçar bravamente as tropas estrangeiras que tentaram restabelecer o regime antigo, viu-se obrigada a erguer uma economia moderna a partir do nada.
Quando o ardor revolucionário das massas arrefeceu -- não dura indefinidamente, em meio à penúria --, a mobilização de esforços para superação do atraso econômico acabou se dando por meio da ditadura e do culto à personalidade.

A Alemanha nazista era o espantalho que impunha urgência: mais dia, menos dia haveria o grande confronto e a URSS precisava estar preparada. O stalinismo foi engendrado em circunstâncias dramáticas.

A república soviética acabou salvando o mundo do nazismo -- foi ela que quebrou as pernas de Hitler, sem dúvida! --, mas perdeu sua alma: já não eram os trabalhadores que estavam no poder, mas sim uma odiosa nomenklatura.

Concretizara-se a profecia sinistra de Trotski: primeiro, o partido substitui o proletariado; depois, o Comitê Central substitui o partido; finalmente, um tirano substitui o Comitê Central.

Com uma ou outra nuance, foi este o destino das revoluções que tentaram edificar o socialismo num só país: ficaram isoladas, tornaram-se autoritárias e não tiveram pujança econômica para competir com o mundo capitalista, acabando por sucumbir ou por se tornarem modelos híbridos (como o chinês, que mescla capitalismo na economia com stalinismo na política).

E AGORA, JOSÉ?

Agora, só nos resta voltarmos ao princípio de tudo: Marx.
Reassumirmos a tarefa de engendrar uma onda revolucionária que varrerá o mundo.
Esquecermos a heresia de solapar o capitalismo a partir dos seus elos mais fracos, pois o velho barbudo estava certíssimo: as nações economicamente mais poderosas é que determinam a direção para a qual as demais seguirão, e não o contrário.

Isto, claro, se tivermos como meta a condução da humanidade a um estágio superior de civilização. Pois o cerco das nações prósperas pelos rústicos e atrasados já vingou uma vez, quando Roma sucumbiu aos bárbaros... e o resultado foi um milênio de trevas.

Se, pelo contrário, quisermos cumprir as promessas originais do marxismo, as condições hoje são bem propícias do que um século atrás:

"...só unidos e solidários os
homens conseguirão sobreviver..."

• o capitalismo já cumpriu seu papel histórico no desenvolvimento das forças produtivas e está tendo sobrevida cada vez mais parasitária, perniciosa e destrutiva -- tanto que mantém a parcela pobre da humanidade sob o jugo da necessidade quando já estão criadas todas as premissas para o reino da liberdade, e o 1º mundo sob o jugo da competitividade obsessiva, estressante e neurótica, quando já estão criadas todas as premissas para uma existência fraternal, harmoniosa e criativa;

• os meios de comunicação que ele desenvolveu, como a internet, facilitam a disseminação e coordenação dos movimentos revolucionários em escala mundial, de forma que um novo 1968, p. ex., hoje seria muito mais abrangente (está longe de ser utópica, agora, a possibilidade de uma onda revolucionária varrer o mundo);

• a necessidade de adotarmos como prioridade máxima a colaboração dos homens para promover o bem comum, em lugar da ganância e da busca de diferenciação e privilégio, será dramatizada pelas consequências das alterações climáticas e da má gestão dos recursos imprescindíveis à vida humana, gerando crises tão agudas que só unidos e solidários eles conseguirão sobreviver.

Nem preciso dizer que a forte componente libertária original do marxismo tem de ser reassumida, pois os melhores seres humanos, aqueles dos quais precisamos, jamais nos acompanharão de outra forma (esta é uma das conclusões mais óbvias a serem tiradas dos acontecimentos das últimas décadas).

A bandeira da liberdade deve ser empunhada de novo pelos que realmente a podem concretizar, não pelos que só têm a oferecer um cativeiro com as grades introjetadas, pois a indústria cultural as martela dia e noite na cabeça dos videotas.

É este o edifício sólido que podemos começar a construir com os tijolos dos muros tombados.
* jornalista e escrito. htpp://naufrago-da-utopia.blogspot.com

sábado, abril 16, 2011

Link para ver o filme "O Dia que durou 21 anos"! Acessem!!!!

Amigos,
Envio abaixo o link do estupendo documentário 'O dia que durou 21 anos', de Camilo Tavares (filho de Flavio Tavares). Foi exibido há duas semanas pela TVBrasil. Nessas horas, o papel de uma TV pública mostra-se essencial.
Até assistir o filme, eu julgava que tudo o que pudesse ser revelado sobre o golpe de 1964 já havia se tornado público.
Ledo engano.
Camilo Tavares escarafunchou arquivos nos EUA e trouxe à luz os áudios das conversas de Lincoln Gordon, Kennedy e Lyndon Johnson entre 1962 e 1964. Na pauta, o envio de dinheiro para os golpistas (em especial para o IBAD) e para a Operação Brother Sam.
Vejam os três episódios que logo mais estarão nos cinemas.
Magistral!
http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2011/04/video-completo-do-documentario-o-dia.html
abraços,
Gilberto Maringoni
__._,_.___

quarta-feira, abril 13, 2011

Osvaldão, uma lenda, um herói, um homem,um revolucionario!!



Sandra conheceu Osvaldão em Praga!!

Osvaldão, o guerrilheiro!

do Portal "Vermelho". Neste mes se relembra a deflagração da "Guerrilha do Araguaya em 1972.
Artigo de Sandra que o conheceu na Tchecoslovaquia onde ambos estudaram!


A propósito do Araguaia

SANDRA NEGRAES BRISOLLA

Osvaldo Orlando da Costa era um homem grande e simples, como seu nome. Tinha mais de dois metros de altura, era negro e bonito. Eu o conheci quando ele terminava o curso de Engenharia na Universidade de Praga, na Checoslováquia, no início dos anos 60. Eu estava chegando para estudar e ele já estava quase de saída.

Osvaldão, como era mais conhecido, era um líder inato. Aliava o bom humor contagiante com uma bondade infinita. Sempre disponível para estudar com os colegas checos e latino-americanos, andava permanentemente rodeado de estudantes, falando alegremente e chamando a atenção dos circunstantes. Sua capacidade de liderança era inconteste: chegou a participar da organização de um dos primeiros centros acadêmicos da Universidade de Praga. Alguns anos mais tarde esse tipo de atividades desembocaria na Primavera de Praga, um movimento que se iniciou a partir da mobilização de intelectuais e de estudantes.
Figura exótica no contexto europeu dos anos 60, Osvaldão era foco de curiosidade por onde quer que andasse:

- “Quando cheguei, os meninos passavam saliva no dedo e esfregavam meu braço, para ver se a cor saía! As pessoas passavam a mão no meu cabelo! Nunca tinham visto um negro antes.” - ele me contava.

Chegou até a figurar em vários filmes na Checoslováquia. Sua estampa era cobiçada pelos cineastas também no Brasil, onde queriam que ele interpretasse Zumbi
dos Palmares.

Uma vez foi um grupo de brasileiros a uma festa de comemoração do aniversário da independência do Quênia. Osvaldão fez o maior sucesso! Um dos integrantes do grupo de repente virou-se para os demais e disse:

- “Vou-me embora, gente! As checas que estão nessa festa estão a fim de preto, não a fim de branco! Aqui o preconceito existe, sim. É francamente favorável aos negros!” - completou. E saiu.


Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão: “desaparecido” em Xambioá, em 1974

Em outra ocasião estávamos percorrendo o Campus da Escola de Engenharia da Universidade de Praga e Osvaldão cruzou com alguns amigos africanos, que conversaram com ele em francês por alguns minutos. Quando se afastaram, pôs-se pensativo e comentou:

- “É, Sandrinha. Preciso mesmo voltar pro Brasil! Onde já se viu preto falando francês? Tô ficando besta, sô!” - e soltou aquela gargalhada.

Já estava preparando sua volta. Tinha uma namorada loiríssima, quase da sua altura. Quando chegou a época de voltar pro Brasil, a checa queria acompanhá-lo. Mas ele ponderava, decidido:

- “Você acha que eu vou poder passear com uma lourona dessas na calçada de Copacabana? Vou ser linchado !!!”

Pouco tempo depois regressou à terra natal, deixando a loira em Praga, inconsolável.
Nunca mais o vi. Um dia eu também voltei ao Brasil. Alguns anos mais tarde fiquei sabendo que Osvaldão era um dos líderes mais destacados da guerrilha do Araguaia. Levou consigo para Ximbioá Gilberto Olímpio, com quem havia estudado em Praga.
Gilberto não chegou a terminar o curso de Engenharia, preferindo seguir as pegadas de seu amigo. Osvaldão foi um dos últimos a “desaparecer” no Araguaia, em 1974.
Hoje, 21 anos depois, procuro ansiosa seu nome entre os desaparecidos.
Percorrendo a lista por ordem alfabética, passo primeiro pelo nome de Gilberto Olímpio Maria, estudante, PC do B - Araguaia, 1973. E mais adiante, para meu espanto, leio: Osvaldo Orlando da Costa, lutador de boxe, PC do B - Araguaia, 1974.
Meu susto foi por não ver “engenheiro”, no lugar da profissão, ao lado de seu nome.

Sandra Negraes Brisolla, professora aposentada e voluntária do Depto. de Política Científica e Tecnológica da Unicamp, morou dois anos na Checoslováquia, entre 1962 e 1964

Mas não sei por quê me espantei! Afinal, “lutador de boxe” combina melhor com seu porte e sua cor! E foi então que concordei com ele! Pois é, Osvaldão! Você estava coberto de razão! Não dava pra trazer uma loira de quase dois metros de altura com você em 1963! Você teria sido linchado! Onze anos antes de ser desaparecido!

Dizia-se na época que perto de Xambioá havia uma reserva de mineral radioativo, que era alvo de contrabando por helicópteros norte-americanos que pousavam no campo, seus tripulantes desciam com roupas especiais e abriam a porta para que os moradores locais carregassem o minério, sem proteção nenhuma, a troco de algum dinheiro. Não sei se era lenda!

Hoje estão revirando o terreno de Xambioá em busca dos restos de Osvaldão e seus companheiros, 30 anos depois do massacre de que foram vítima.
Homens como Osvaldão, sacrificados na luta contra a ditadura, teriam feito muita diferença na construção de um Brasil melhor, depois da democratização! Osvaldão não era o ser insensível que se acredita encarnar nos guerrilheiros por força das condições adversas. Transpirava solidariedade e o que o movia não era nenhum complexo ou frustração, a não ser com as condições inumanas em que vivem seus concidadãos. Foi por isso que se transformou em lenda! Osvaldão antes disso já era um caso de sucesso!

Encontrar neste momento seus restos mortais, assim como o de seus companheiros, e prestar-lhe uma homenagem, não vai reparar o mal causado por seu assassinato, mas vai manter viva sua memória, para que outros se mirem em seu exemplo, tirando dele a lição de que mais importante que ter sucesso na vida é dar a ela algum sentido! Um sentido que resgate a dignidade do homem brasileiro!

segunda-feira, abril 11, 2011

Mobilizar a opinião publica a favor da exibição da novela do SBT que retrata os horrores da Ditadura!!!

Militares fascistas e os de pijamas que foram torturadores e golpistas ou acobertaram e deram ordens infames durante a Ditadura, se mobilizam contra exibição da Novela "Amor e Revolução" do SBT. Temos que reagir a esta gente e pedir que Silvio Santos não se curve a estas pressões e continue com esta saga que mostra um Brasil que muita gente, principalmente os jovens desconhecem.
Este Ministro da Defesa se transformou no porta-vóz dos fascistas que ainda restaram nas Forças Armadas. Ta na hora da Presidente Dilma se livrar dele.

domingo, abril 03, 2011

Lungaretti relembra participação dos médicos na repressão dos tempos da Ditadura!!!

JURAMENTO DE HIPÓCRATES OU DE HIPÓCRITAS?



Celso Lungaretti (*)





Deveriam ser todos como Hipócrates...

"Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higéia e Panacéia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue...


...Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda...


...Conservarei imaculada minha vida e minha arte..."


Declaração solene que os médicos tradicionalmente fazem ao se formarem, o Juramento de Hipócrates era miseravelmente atraiçoado por médicos que serviam à ditadura de 1964/85.


O caso do atitista Olavo Hanssen -- assassinado pelos torturadores em 1970 e apresentado no laudo médico como suicida -- que relatei brevemente no artigo Olavo, Eremias, Juarez e os outros mártires nos legaram uma missão, motivou o companheiro Luiz Aparecido, militante histórico do PCdoB e preso político que foi muito torturado pelos militares, a escrever-me o seguinte:



...mas havia muitos como Shibata...

"...tambem fui levado para o Hospital Militar do Cambuci depois de 17 dias de torturas intermitentes para, segundo meus algozes, me operar dos rins, pois estava ha dias urinando puro sangue e urrando de dor. Fiquei lá uns 10 dias, quando abriram minha barriga, cujo corte esta comigo até hoje e me disseram que tinham retirado um dos meus rins que estava esmagado de tanta porrada. Voltei para a Oban/DOI-Codi costurado e ainda todo arrebentado.


Não é que só agora depois de minha doença na medula que me deixou quase paralitico descobri a verdade. No Hospital Sarah em Brasilia, fizeram uma xecagem geral em mim e descobriram que eu tinha os dois rins. Só que um ficou necrosado dentro de mim desde 1973.


Resultado que conclui depois deste exame do Sarah. Meus algozes, me abriram, não encontraram nada nos rins a não ser lesões e costuraram de novo e ficaram c om uma desculpa na ponta da lingua. Se eu morresse nas torturas, que continuaram, poderiam dizer que foi por complicações na 'operação' desnecessaria que fizeram".

A cumplicidade dos médicos com os torturadores é conhecida por todos que passamos pelos porões.


...cúmplices das práticas hediondas.

Quando estive próximo de enfartar aos 19 anos de idade, no Doi-Codi/RJ, houve um que me fez rápido exame, entupiu-me de calmantes e deve ter aconselhado os militares a não abrirem a mala de ferramentas comigo durante alguns dias (pois fui despachado logo em seguida para São Paulo e mandaram junto a recomendação de não me torturarem tão cedo).


Outros companheiros denunciaram a cumplicidade de médicos inclusive na aferição da intensidade das torturas que eles poderiam suportar.


E houve a produção em série de atestados de óbito fraudulentos, como o de Hanssen. O mais célebre foi o do chefe do Instituto Médico Legal de SP, Harry Shibata, dando Vladimir Herzog como suicida.


Shibata foi também acusado de instruir os Torquemadas sobre como poderiam torturar suas vítimas sem deixar marcas.


E ajudou, ainda, a acobertar a queima de arquivo no caso do delegado Sérgio Fleury, testemunha perigosa (sabia demais) e descontrolada (seria viciado em cocaína e estaria chantageando empresários que haviam sido cúmplices da repressão e até atuado como torturadores voluntários): recebeu e cumpriu a ordem de Celso Telles, delegado-geral da Polícia Civil, de produzir um atestado de óbito evasivo sem nem mesmo tocar no cadáver de Fleury,


Para encerrar, eis um caso emblemático extraído da ótima reportagem Assistência médica à tortura (que relaciona vários outros na mesma linha e cuja íntegra está disponível no site Direitos Humanos na Internet):

"O estudante Ottoni Guimarães Fernandes Júnior, de 24 anos, preso no Rio em 1970, também declarou na 1ª Auditoria da Aeronáutica:


...que, dentre os policiais, figura um médico, cuja função era de reanimar os torturados para que o processo de tortura não sofresse solução de continuidade; que durante os dois dias e meio o interrogado permaneceu no pau-de-arara desmaiando várias vezes e, nessas ocasiões, lhe eram aplica­das injeções na veia pelo médico a que já se referiu; que o médico aplicou no interrogado uma injeção que produzia uma contração violenta no intestino, após o que era usado o processo de torniquete..."

* jornalista, escritor e ex-preso político. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com

sábado, abril 02, 2011

Vejam o filme. Guardem a data. Nunca podemos esquecer!!!


O Dia que durou 21 anos' estreia na TV Brasil Série de 3 episódios revela imagens e de poimentos históricos sobre o Golpe de 64 - dias 4, 5 e 6 de abril , às 22,00 horas.




'O Dia que durou 21 anos' estreia na TV Brasil Série de 3 episódios revela imagens e de poimentos históricos sobre o Golpe de 64


Outras informações sobre a série estão em www.tvbrasil.org.br/odiaquedurou21anos


*Os que viveram a ditadura militar brasileira, os que passaram por ela em brancas nuvens e os que nasceram depois que ela acabou. Todos podem conhecer melhor e refletir sobre esse período, a partir* *da nova série* *"O Dia que durou 21 anos",** *que a TV Brasil
exibe nos dias 4, 5 e 6 de abril, às 22 h.


Em clima de suspense e ação, o documentário apresenta, em três episódios de 26 minutos cada, os bastidores da participação do governo dos Estados
Unidos no golpe militar de 1964 que durou até 1985 e instaurou a ditadura no Brasil. Pela primeira vez na televisão, documentos do arquivo norte-americano, classificados durante 46 anos como *Top Secret,* serão expostos ao público. Textos de telegramas, áudio de conversas telefônicas, depoimentos contundentes e imagens inéditas fazem parte dessa série iconográfica, narrada pelo jornalista Flávio Tavares.

O mundo vivia a Guerra Fria quando os Estados Unidos começaram a arquitetar o golpe para derrubar o governo de João Goulart. As primeiras ações surgem em 1962, pelo então presidente John Kennedy. Os fatos vão se descortinando, através de relatos de políticos, militares, historiadores, diplomatas e estudiosos dos dois
países. Depois do assassinato de Kennedy, em novembro de 1963, o texano Lyndon Johnson assume o governo e mantém a estratégia d e remover Jango, apelido de Goulart. O temor de que o país se alinharia ao comunismo e influenciaria outros países da América Latina, contrariando assim os interesses dos Estados Unidos, reforçaram os movimentos pró-golpe.

A série mostra como os Estados Unidos agiram para planejar e criar as condições para o golpe da madrugada de 31 de março. E, depois, para sustentar e reconhecer o regime militar do governo do marechal Humberto Castelo Branco. Envergando uma roupa civil, ele assume o poder em 15 de abril. Castelo era chefe do Estado Maior do Exército de Jango. O governo norte-americano estava preparado para intervir militarmente, mas não foi necessário, como ressaltam historiadores e militares. O general Ivan Cavalcanti Proença, oficial da guarda presidencial, resume: "Lamento que foi um golpe fácil demais. Ninguém assumiu o comando revolucionário".

Do Brasil, duas autoridades americanas foram peças-chaves para bloquear as ações de Goulart e apoiar Castelo Branco: o embaixador dos Estados Unidos, Lincoln Gordon; e o general Vernon Walters, adido militar e que já conhecia Castelo Branco. As cartas e o áudio dos diálogos de Gordon com o primeiro escalão do governo americano são expostas. Entre os interlocutores, o presidente Lyndon Johnson, Dean Rusk (secretário de Estado), Robert McNamara (Defesa). Além de
conversas telefônicas de Johnson com George Reedy Dean Rusk; Thomas Mann (Subsecretário de Estado para Assuntos Interamericanos) e George Bundy,
assessor de segurança nacional da Casa Branca, entre outros.

Foi uma das mais longas ditaduras da América Latina. O general Newton Cruz, que foi chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações (SNI) e
ex-comandante militar do Planalto, conclui: "A revolução era para arrumar a casa. Ninguém passa 20 anos para arrumar uma Casa".

Em 1967, quem assume o Planalto é o general Costa e Silva, então ministro da Guerra de Castelo. Da linha dura, seu governo consolida a repressão. As
conseqüências deste período da ditadura, seus meandros políticos e ideológicos estarão na tela. Mortes, torturas, assassinatos, violação de direitos democráticos e prisões arbitrárias fazem parte desse período dramático da história.

O jornalista Flávio Tavares, participou da luta armada, foi preso, torturado e exilado político. Através da série, dirigida por seu filho Camilo Tavares, ele explora suas vivências e lembranças. E mais: abre uma nova oportunidade de reflexão sobre o passado .

*O Dia que durou 21 anos é uma coprodução da TV Brasil com a Pequi Filmes, com direção de Camilo Tavares. Roteiro e entrevistas de Flávio e Camilo.*

Esta o Assis Soares me mandou, até com som!!!

VALEU ASSIS. Memórias de todos nós!!

“Tudo isso junto, e mais, foram anos de liberdade, anos que tudo era mais bonito, as musicas, ir à escola. Lembro de tudo como se fosse hoje. Tudo era mais mágico, os bailes, as festas. Difícil comparar com os dias de hoje, que a televisão domina tudo. Não existem mais bailes de debutantes, não existe mais os caras rebeldes, não existe mais serenatas para as namoradas, não existe mais ir ao cinema aos domingos, não existe os centro acadêmicos nas escolas, os uniformes, os carrões com pára-choques cromados, as meninas de rabo de cavalo, blusões de couro, cinemas ao ar livre, não existe mais disco de vinil, cuba libre, crusch, mirinda.”

quarta-feira, março 23, 2011

Os "heróis" de Benghazi e as omissões e mentiras da grande midia!!


Bombardeio americano na Libia atinge civis!!

Por CHICO VILLELA
da redação da "Novae"


Thomas C. Mountain é ativista pela paz e editor. Em 1987 foi membro da I Delegação de Paz enviada pelos EUA à Líbia. Boa parte de sua vida foi passada na região, em missões na Eritréia, Somália etc. Há cerca de 25 anos acompanha os acontecimentos líbios e da região. Assim, Mountain coloca na mesa questões que aclaram muito além da falsificação da mídia grande que, agora, clama ser Gaddafi um ditador sanguinário e os resistentes, heróis no combate pela liberdade. Nem Gaddafi sempre foi execrável, nem os resistentes são anjos do bem.

Um ano antes, em abril de 1986, os EUA haviam bombardeado o complexo residencial de Gaddafi em Tripoli, ferido familiares e matado sua filha adotiva de 15 anos. Haviam bombardeado também um complexo residencial civil afastado de qualquer base militar, matando muitos moradores, a maioria crianças. Mountain cita que domingo dia 20 de março passado assistiu na TV a uma família líbia enterrando sua filha de três anos, morta pelos ataques dos EUA iniciados no sábado.

O coronel Muammar al-Gaddafi subiu ao poder na liderança partilhada com outros de um golpe que depôs o rei Idris, único da história líbia, que reinou de 1951 a 1969. Idris pouco antes havia passado o poder ao filho, por razão de doença. Aliado do Ocidente na Segunda Guerra, colocou os poços de petróleo à disposição do Reino Unido e dos EUA, país que também mantinha uma base aérea próximo a Trípoli, sem compensações vantajosas ao país, o que acirrava os ânimos dos nacionalistas. Sua capital era Benghazi, maior cidade da Cirenaica, região em que reinava; a Líbia atual abrange mais duas regiões.

O golpe de Gaddafi expulsou as petroleiras britânicas e outras do país e nacionalizou o petróleo. De família tradicional, Gaddafi à época posava como um entre os vários nacionalistas que haviam se espelhado no coronel egípcio Gamal Abdel Nasser, criador e inspirador do pan-arabismo. Apoiou movimentos e grupos contrários a monarquias e à presença ocidental. Radical islâmico, implantou medidas como fechamento de bordéis e proibição de jogos e bebidas alcoólicas.

Gaddafi, a par de seu apoio a grupos extremistas nacionais e do exterior, como os Black Panthers dos EUA, e de seu ódio a Israel, foi responsável por muitos avanços sociais no país. Em nome do ‘socialismo árabe’, posteriormente transformado em doutrina própria, colocou as rendas do petróleo a serviço da população, promoveu as mulheres, expandiu o sistema educacional e implantou sistema de saúde considerado dos melhores entre os países árabes. Isso explica o grande apoio que ainda tem no país.

Hoje a Líbia é um dos países em desenvolvimento mais bem classificados. No ranking do IDH, situa-se na posição 53, o que a coloca na primeira posição entre os países africanos e acima de Rússia (65), Brasil (73) e Tunísia (81). A expectativa de vida cresceu incríveis 20 anos durante o longo regime de Gaddafi.

Por ocasião da invasão do Iraque, Gaddafi guinou para o lado do Ocidente e reaproximou-se dos EUA, e abandonou seu apoio a terroristas e suas pretensões nucleares. Passou, assim, a ser tolerado, mas nunca foi considerado verdadeiro aliado dos EUA e seus parceiros, embora tenha aberto as portas do país para dezenas de corporações estrangeiras. E, como é natural em quem exerce o poder por longo tempo, aos poucos aprofundou suas arbitrariedades de ditador e exerceu forte repressão contra seus próprios dissidentes, tendo sofrido golpes e sido ferido numa tentativa de assassinato.

Mas, para Mountain, apenas isso não é suficiente para explicar a resistência dos atuais dissidentes, principalmente os mais celebrados, de Benghazi, onde se iniciou a revolta. Mountain anota que nenhuma mídia grande do mundo toca num espinhoso assunto: Benghazi , por ser um ponto do continente africano próximo da Europa, tornou-se de uns quinze anos para cá o “epicentro da migração africana para a Europa”, da ordem de cerca de 1 mil por dia.

Mountain: “A indústria de tráfico humano, um dos mais selvagens e desumanos negócios do planeta, cresceu para cerca de 1 bilhão de dólares anuais em Benghazi. Uma grande, viscosa máfia do submundo deitou fundas raízes em Benghazi, emprega milhares em várias atividades e corrompe a polícia e líbia e funcionários do governo. Foi apenas no ano passado que o governo líbio, com apoio da Itália [destino de boa parte dos migrantes], finalmente adquiriu controle desse câncer.

“Com seu meio de vida destruído e muitos dos seus líderes na prisão, a máfia do tráfico humano tem estado à frente em financiar e apoiar a rebelião líbia. Muitas das gangues de tráfico e outros elementos lumpen de Benghazi são conhecidos por pogroms racistas contra trabalhadores africanos de fora, enquanto na década passada eles regularmente roubavam e assassinavam africanos em Benghazi e seus arredores. Desde que a rebelião estourou em Benghazi, algumas centenas de trabalhadores sudaneses, somalis, etíopes e eritreus têm sido roubados e assassinados pelas milícias racistas rebeldes, fato bem omitido pela mídia internacional.

“Benghazi tem sido também um bem conhecido centro de extremismo religioso. Fanáticos líbios que passaram algum tempo no Afeganistão concentram-se lá e um certo número de células terroristas tem realizado bombardeios e assassinatos de funcionários governamentais nas últimas duas décadas. Uma célula, auto-intitulada Grupo Islâmico Guerreiro, declarou-se afiliado à Al Qaeda em 2007. Essas células foram as primeiras a empunhar armas contra o governo líbio”.

Outro problema apontado por Mountain é que os jovens educados nas escolas líbias recusam trabalhos considerados ‘sujos’, exatamente como os cidadãos dos EUA, que empregam nesses gêneros de trabalho os ‘chicanos’ latino-americanos. Assim, o desemprego é mais grave ainda entre a juventude líbia, e os trabalhadores desqualificados de outros países africanos enfrentam oposição. Exatamente como os imigrantes latino-americanos são vistos por grupos de direita dos EUA como o Tea Party. O ócio forçado leva muitos jovens líbios para álcool e drogas.

A primeira medida dos rebeldes de Benghazi foi invadir as prisões de segurança máxima e libertar seus chefes, e assim passou-se a atacar contingentes e órgãos do governo. À parte Mountain, deve-se ter em mente que no Kosovo os EUA e a OTAN colocaram no poder os chefes da máfia e do tráfico regional, e que Thacim, o homem no poder, é hoje acusado por corte da União Européia até mesmo de assassinar prisioneiros e adversários para traficar órgãos humanos.

O apoio de grande parte da população líbia ao ditador Gaddafi levou os EUA e alguns membros sempre fiéis da OTAN a atacar Gaddafi para evitar a derrota dos opositores baseados em Benghazi. À mídia grande coube o eterno papel de justificar as ações do império e ridicularizar o governante líbio de todas as formas. Inda mais que Gaddafi manda em boa parte do petróleo consumido pela Europa, o que o torna insuportável, pela sua independência, aos olhos dos governantes e das corporações de negócios.

As alegações são sempre as mesmas falsidades. Na hora líbia, o pretexto é “evitar a morte de civis nas mãos de Gaddafi”. Para tanto, acionam-se mísseis e aviões com bombas superpoderosas, que matam civis sem conta, omitidos convenientemente pela mídia grande. Assim, a única intervenção armada das forças ocidentais dá-se contra um governo que, entre as mais de dez odiosas ditaduras árabes, sempre foi o único que se opôs aos desígnios do império. Com o coro subserviente da mídia grande. É de dar asco, por mais repelente que seja Muammar al-Gaddafi.

Mountain, como muitos outros analistas, perguntam-se sobre os desdobramentos da questão. As revoltas legítimas que ocorrem nas ditaduras apoiadas pelos EUA e aliados ainda estão em seu início. O massacre da Líbia pode incendiar ainda mais os ânimos dos revoltosos em todos os países, que se opõem às elites que, como no Egito e na Tunísia, tentam perpetuar-se com outros agentes, inclusive militares. É uma aposta arriscada, esta do malabarista BHObama. Pode ir contra as intenções do império.

Lembrar Marighella para renovar forças e aprender com sua luta!





Marighella - Uma vida revolucionária

Por que ser Marighellista?, por Ricardo Gebrim* para "Reviata Sem Terra Nº 54"


Carlos Marighella combinou os diversos talentos como quadro organizador, propagandista e agitador. Foi um dirigente partidário, um comandante guerrilheiro, um teórico e dono de uma coerência capaz de assumir todas as consequências de seus atos. Como bom militante, seus textos foram elaborados para enfrentar problemas e desafios concretos que se colocavam para a luta popular. Como revolucionário dedicou-se em cada tarefa que a revolução apresentou: tribuno parlamentar na Assembleia Constituinte; agitador em comícios e assembleias, redator de panfletos e artigos, editor, organizador sindical, formador de quadros, guerrilheiro e teórico militar.

Enfrentou a tortura, supremo tormento que aflige todo o militante, e escreveu “Se fores preso camarada!”, orientando como se deve comportar ante o inimigo. Baleado pela ditadura, soube converter a tragédia numa ação de agitação e propaganda desmascarando o regime. Colocado ante o desafio das armas escreveu um texto que até hoje é estudado por academias militarespelo mundo. Caçado como “inimigo público número um da ditadura militar”, com a foto estampada em cartazes e revistas por todo o país, vivenciou todas as técnicas da clandestinidade, a privação do convívio com o filho e a família até a emboscada dos que se
iludiram que podiam eliminá-lo.

Herói revolucionário

Como se vê, são muitos os resgatespossíveis de Marighella para os atuais lutadores populares e para os do futuro. Quase impossível não se perder ante tantas possibilidades. Comecemos pelo resgate mais forte. Carlos Marighella é um herói. A força do herói é à força da coerência.

Assumir as consequências, por maiores que surjam, para defender o direito à verdade. O mito do herói tem um poder de sedução dramática flagrante e, apesar de menos aparente, uma importância psicológica profunda para qualquer grupo humano.

Em cada circunstancia histórica a imagem reconstruída do herói toma formas particulares que correspondem às necessidades do individuo ou grupo humano enfrentadas num dado momento.

Este resgate tem sido um elemento fundamental na estratégia revolucionária dos povos.
Marx diria de outra forma, com seu estilo inigualável: “Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade, em circunstâncias escolhidas por eles próprios, mas nas circunstâncias imediatamente encontradas, dadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas pesa sobre os cérebros dos vivos como um pesadelo. E mesmo quando estes parecem ocupados a revolucionar-se, a si e às coisas, mesmo a criar algo de ainda não existente, é precisamente nessas épocas de crises revolucionárias que esconjuram temerosamente em seu auxílio os espíritos do passado, tomam emprestados os seus nomes, as suas palavras de ordem de combate, a sua roupagem, para, com esse disfarce da velhice venerável e essa linguagem emprestada, representar a nova cena da história universal” .

Essa "ideia-força" tem suscitado muitas reflexões. Martí, o autor intelectual da Revolução Cubana, Sandino, o General dos Homens Livres renascido na Revolução Sandinista, Zapata empunhado como bandeira no levante das selvas mexicanas que estragou a festa comemorativa do início do Nafta, Bolívar cuja espada foi ousadamente resgatada numa ação guerrilheira e depois devolvida, renascendo no processo revolucionário venezuelano e na construção da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba).

Em cada um destes processos, quando parecíamos ocupados em revolucionar-se, a si e às coisas, mesmo a criar algo de ainda não existente, tomamos emprestados as roupagens, nomes e palavras de ordem de combate dos espíritos do passado. Nestes casos, os novos revolucionários apenas tomaram emprestado as “roupagens, nomes e palavras de ordem”?

Não é tão simples quanto pode aparentar uma primeira reflexão. José Marti foi mesmo o autor intelectual da Revolução Cubana como revela Fidel Castro em seu Relatório ao 1º Congresso do Partido Comunista de Cuba e a construção da luta guerrilheira de Augusto César Sandino foi muito mais que uma inspiração para os jovens construtores da Frente Sandinista de Libertação Nacional como explicou Carlos Fonseca. Zapata confere uma necessária unidade na luta do povo mexicano enquanto projeto revolucionário. Tampouco é casual que o processo revolucionário venezuelano tenha como principal dirigente um militar que passou anos ministrando aulas aos cadetes sobre o pensamento de Bolívar.

Em nenhum destes casos os novos revolucionários tiveram que falsificar uma história. Muito menos a utilizaram como simples máscara encobrindo o que já pretendiam fazer. Em todos,recolheram ensinamentos que lhes permitiram enfrentar os problemas do presente e conferir um sentido como a continuidade do passado. Estes ensinamentos existiam e contribuíram deforma decisiva para o enfrentamento de desafios políticos e militares surgidos em circunstancias bem distintas da época em que foram formulados.

O elemento comum nestes casos é que o resgate dos ensinamentos não se limitou a buscar obter respostas diretas para perguntas que jamais poderiam ter se colocado no passado, mas tiveram a inventividade de obter respostas indiretas nos elementos essenciais que caracterizavam as idéias. Os novos sandinistas estudaram o pensamento de Sandino, suas táticas, organização e erros. Apropriaram-se dos valores éticos e dos conceitos políticos.

Extraíram inúmeros ensinamentos que permitiram enfrentar problemas do presente, mas, simultaneamente, a luta revolucionária os obrigou a reinventar o sandinismo, muito vezes conferindo-lhe novos significados.

Inspiração na luta

Importa é que sem mesmo entender os motivos, intuímos que necessitamos do exemplo de nossos heróis. Invocálos em nossa mística para que possamos nos sentir sua continuidade,tomar emprestados os seus nomes, as suas palavras de ordem de combate, a sua roupagem.

Uma resposta simples é que talvez nos ajudem a enfrentar o fantasma da inevitabilidade da morte e este seja o verdadeiro sentido de perceber-se um elo de sua continuidade. Seria tão somente nossa maneira simbólica de sermos eternos. Contudo, vimos que não são apenas roupagens e nomes. Em cada episódio revolucionário os heróis resgatados contribuíram com a força de suas idéias, quase sempre traduzindo o caminho para o problema central a ser enfrentado pelos novos revolucionários. Não pela mera repetição de seus atos e propostas, mas pela reinvenção que possibilitaram.

Cada geração copia e reproduz sua predecessora até onde seja possível. Mas suas construções, ainda que se defrontando com novos desafios, mesmo implicando na transformação fundamental do próprio passado, continuam necessitando reproduzi-lo, mesmo quando o intuito central é transformá-lo. Aqui é preciso estabelecer o vínculo com o atual momento e os desafios colocados para os lutadores do povo. Enunciemos a questão: mais do que antes precisamos nos fortificar. Enfrentar os anos da ofensiva neoliberal nos debilitaram profundamente. Enfrentamos o desafio de reconstruir o horizonte e a força social da revolução a partir das poucas e valiosas energias que sobreviveram e suportaram a maior crise ideológica da história da luta pelo socialismo.

A década de 90, marcada pela resistência, consumiu muitas energias para sobreviver ideologicamente. Neste momento, olhamos para o futuro e apontamos um novo período histórico se abrindo. Nossa construção, pacientemente edificada nos últimos anos, precisa reconhecer-se, reencontrar sua identidade e, principalmente a energia resultante deste encontro. Eis porque é fundamental resgatar a contribuição teórica, a coerência e o exemplo persistente de Carlos Marighella.

No debate sobre o caráter da revolução, das alianças estratégicas, da definição do centro da tática, dos conceitos organizativos de um instrumento político revolucionário, encontraremos contribuições teóricas extremamente atuais. O legado de Marighella a ser resgatado e reinventado hoje é a capacidade de concentrar-se na conquista do poder, enfrentando as impossibilidades, por maiores que se coloquem, sem desviar um milímetro deste objetivo.

Os que persistem no objetivo da construção do Projeto Popular, enfrentando uma conjuntura prolongadamente adversa, apostando na construção organizativa por meio do exemplo pedagógico, já são marighellistas, ainda que não tenham esta consciência. Resgatar Carlos Marighella é parte da paciente e complexa construção da revolução brasileira. Percorrendo esse caminho encontraremos conceitos e exemplos que tem muito a nos ensinar.

*Advogado e militante da Consulta Popular

fonte : http://www.mst.org.br

domingo, março 13, 2011

Encontros e desencontros nas noites paulistanas. E nos dias também!!!






MEMÓRIAS PAULISTANAS 2

Naqueles agitados , tensos e criativos anos chamados de 60, mas que foram até meados de 70 em pleno “Anos de Chumbo”, de fúrias e carnificinas da Ditadura Militar, nós jovens(na época) inquietos e inimigos jurados do Fascismo, também vivíamos intensamente. Liamos muito, de filosofia a romances, fazíamos musica e cantávamos a sede de liberdade, as agruras do povo. Faziamos também filmes e peças de Teatro expressando nosso amor ao povo e as pessoas queridas.

E a gente namorava muito também. Desde as colegas de Faculdade, de trabalho e até gente de Teatro e havia as amigas e simpatizantes de nossa causa maior, como a Kathe Hansen, Sonia Piccinin, Beth Mendes(que chegou a ser presa e torturada por pertencer a base de apoio da ALN), o pessoal do Arena e do Teatro Oficina do José Celso e outras que até entraram na luta por amor ou ideologia.

De Penápolis a Sampa

Para mim as coisas começaram em Penápolis, onde fizemos teatro, cineclubes, discutíamos musica ,cinema e literatura e filosofia, principalmente na casa de “seu” Manoel Lacava e nossa musa e protetora Dona Amélia, que tinha sido também a professora da maioria de nós no grupo escolar e era mãe de dois de nossos companheiros de toda hora, o Celso-Capim que já virou borboleta e Cilô que ainda esta em Sampa repartindo sua vida e cultura e dando aulas.

Por ali também começamos na politica de resistência. Depois nossa turma original debandou para fazer a vida. Alguns para Brasilia e a maioria para São Paulo, onde a efervescência politica e cultural era maior.

Eu e meus queridos amigos e camaradas de luta e vivencia, transitávamos naquela São Paulo desvairada e que ainda garoava em vez de inundar, pelo velho centro. Pelo quadrilátero que ia da Avenida São João, até a Paulista. Da Brigadeiro até a Consolação. Mas também na velha “Boca do Lixo” onde ficavam as produtoras de Cinema “sérios” e pornochanchadas e o velho restaurante “Soberano”.Fora o "Bar Riviera",em frente ao Cine Belas Artes, onde tomavamos umas também, as vezes cercados de agentes da Ditadura disfarçados.

Ali discutíamos o Mundo e filmávamos o que era possível. Carlão Riechenbah, Oszualdo Candeias, Rogerio Sganzerla, Luiz Rozemberg Filho que vivia no Rio, mas sempre ia a Sampa discutir idéias e as vezes buscar financiamento para seus filmes, Walter Hugo Khoury, talvez o mais profissional dos cineastas paulistas, Silvio de Abreu, Jairo Ferreira, Andrea Tonaci, Afonso Brazza(que depois veio para Brasilia fazer filmes e ser Bombeiro. José Mojica Marins, o famoso “Zé do Caixão” . Dos escritorios e “sets” de filmagens íamos pro Soberano almoçar filé a parmegiana e de noite íamos pro “Ponto 4”, “Bar das Putas” na Consolação e até o Gigetto ver os atores famosos da época.

Uisque sem guaraná

Saia eu dos Diários Associados onde era repórter e depois editor já tarde da noite e com o Zézão, José Eduardo Faro Freire, Rubens Gatto, Lia Ribeiro Dias, Maria Luiza Araujo, Beth Lorenzote, João "da Baiana" Teixeira,Clóves Geraldo e outros companheiros íamos articular politica e conversar sobre cultura brasileira no “Pari Bar” da Praça Dom José Gaspar. Depois debandávamos para tomar as ultimas da noite lá pras bandas de Pinheiros, Lapa e Paulista, onde outras turmas se encontravam para tomar umas no fim de noite. A ultima refeição era quase sempre no “Tabu” da boca do lixo, que tinha um filé de primeira e baratinho, a altura de nossos bolsos.

E ainda tínhamos os nossos saraus de poesia e literatura no velho apartamento do Doutor Mozart Menezes, fundador da “Cacimba”, na rua Timbiras, em plena “boca do lixo” onde ia de Celso Lungaretti a Rubens Alvesl ,o poetaço Souza Lopes e sua doce Marcia, Francisco Ugarte e outros viciados em “letras”, politica e boa musica.

Musicas e fim de noite

Ai saimos para ver os músicos da noite que agitavam boates e barzinhos da noite paulistana. João da Baiana Teixeira, Jésus Carlos, o fotografo, o meu querido Alemão-Antonio Eduardo Molina Mandel quando não estava preso. Até o Moa-Moacyr de Oliveira Filho que adorava um samba e outros amigos queridos pintavam sempre na área. Para quem gostava de samba e dançar, tinha o “Som de Cristal, alí pertinho na Rego Freitas e o “Avenida Dançing”, na Rio Branco, quase esquina da São Joao, onde ao lado jogavamos sinuca de vez em quando, depois que os “cobras” do snooker iam descansar.

No bar “Redondo” em frente ao Arena e a Igreja da Consolação encontrávamos TomZé, Gilberto Gil que era executivo de uma multinacional durante o dia e musico de noite, Gracinha Costa, depois Gal, Caetano, Piti e outros baianos que tinham vindo de Salvador para montar o “Arena Canta Bahia”, no Teatro de Arena, hoje Eugenio Kusnet. Desta baianada, só ficou e adotou e foi adotado por São Paulo, TomZé, os outros foram para o Rio de Janeiro e por lá ficaram.

Curtiamos até Benito de Paula que cantava numa boate da Praça Roosevelt. Luiz Carlos Paraná e a boate "Jogral" ao lado do “Terceiro Uisque” na rua Avanhandava, sempre com cantores bons na parada, de Sergio Ricardo, Johnny Alf a Noite Ilustrada! Mas tinha o Chico Buarque que ia no “sujinho” em frente o Sesc e na rua DR. Vila Nova, a turma que não saia do “Redondo”, como Carlão da Vila. Era muita gente!!!

E nós que estudávamos na Filosofia da USP, íamos tomar cerveja no Bar do Zé na esquina da Maria Antonia com Dr. Vila Nova. Dali saiu muitas articulações e recrutamentos de estudantes para a luta armada contra a Ditadura.

E a vida continuava...

E isto depois de durante o dia trabalhar e “cobrir pontos” com os camaradas da luta contra a Ditadura, a turma da ALN, depois da APML e do PCdoB. Discutiamos muito os documentos das organizações e partidos e ainda por cima encontrávamos tempo de participar de ações e de propaganda armada. E sempre tensos, esperando a hora, que sempre chegava para muitos de nós, de ver a chegada dos “home” nas veraneios, com metralhadoras para levar a gente para o DOPS e OBAN e os cárceres sombrios da Ditadura.

Mas a gente saia e continuava na luta e no fervor das idéias e das criações que marcaram a cultura e a história brasileira até hoje.