sexta-feira, novembro 18, 2011

Juventude se levanta em todo Mundo contra barbarie e capitalismo!!


Revoltas lembram os 60 do Século Passado.Vale ler e refletir esta entrevista!!!!

O TRANSBORDO DO COPO DE CÓLERA 

Entrevista com Michael Löwy
 
Quando era um jovem de 18 anos, estudante de ciências sociais na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), ainda nos tempos da Rua Maria Antônia, ele assistia às conferências de Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, José Arthur Giannotti, Otávio Ianni e Paul Singer, mentores que o convidaram a participar do prestigiado núcleo de estudos de O Capital. Aos 26, pupilo de Lucien Goldmann e laureado sociólogo pela Sorbonne, em Paris, foi estudar hebraico num kibutz e lecionar história na Universidade de Tel-Aviv, em Israel. Aos 30, com o Maio de 68 sacudindo a França, recebeu (e aceitou) um convite para lecionar na Universidade de Manchester, na Inglaterra. Em 1970, ainda longe dos 40, descobriu-se persona non grata no Brasil do general Médici, tornou-se um judeu paulistano sem passaporte brasileiro e se estabeleceu definitivamente em Paris para estudar Marx, Lukács e Guevara.

Agora, rejuvenescido aos 73, o sociólogo Michael Löwy anda entusiasmado com a volta dos estudantes às ruas brandindo livros de Marx e Walter Benjamin. "Não pode haver um movimento que não se refira às lutas, às vítimas, aos mártires e aos pensadores do passado porque nós nunca partimos do zero", diz. Objeto de estudo em As Utopias de Michael Löwy: Reflexões sobre um Marxista Insubordinado, de Ivana Jinkings e João Alexandre Peschanski (Boitempo, 2007), organizador de Revoluções (da mesma editora) e atualmente pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) de Paris, nas últimas semanas Löwy acompanhou o noticiário da ocupação (e a posterior desocupação) da reitoria da USP.

Interpretou como "faíscas" o clamor dos estudantes contra a presença policial e os berros por liberdade para se fumar maconha no câmpus. "O que se passa é muito maior que isso. Há uma indignação com a ordem das coisas no mundo. Um sentimento de cólera. E, diante dessa percepção de injustiça, os estudantes têm um papel essencial, começando movimentos de protesto. Não podemos subestimá-los."


Estudantes ocupando praças em Nova York, Madri, ruas em Santiago, a reitoria na USP. Estamos diante de um arrastão de rebeldia ou são episódios isolados?

MICHAEL LÖWY  Não são episódios isolados. São parte de um processo internacional que lembra os anos 1960. Quando há um sentimento de injustiça e insatisfação na sociedade, os estudantes são os primeiros a se organizar e a protestar. Agora, na maioria dos casos, seja na Europa, no Chile ou nos Estados Unidos, não são apenas estudantes. É a juventude em geral. Os estudantes naturalmente têm um papel importante, mas é um movimento bem mais amplo, ao qual vão se agregando outros grupos - desempregados, trabalhadores, sindicalistas. Torna-se algo muito plural. O que há de comum é a indignação. Essa palavra está servindo como um sinal de identidade dos protestos. Há uma indignação muito grande que pode estourar por com um pretexto mínimo. No caso de São Paulo foi uma intervenção policial na USP. Mas poderia ter sido outra faísca.

Indignação com o quê? No caso da USP, pode-se ter a impressão de que é com a impossibilidade de fumar maconha no câmpus.

MICHAEL LÖWY  É muito maior que isso. Há uma indignação com a ordem das coisas no mundo. Um sentimento de cólera - e cólera com alta qualidade ética e política. O começo de qualquer movimento ou mudança social sempre se dá com um estado de espírito indignado, a começar na juventude. E fácil de entender o porquê de tanta indignação. Estamos numa situação em que a ordem social parece cada vez mais irracional, promovendo desigualdades gritantes, promovendo os excessos do mercado financeiro, a destruição do meio ambiente. As razões para a indignação são evidentes. Têm a ver com o sistema. Por mais que comece com uma história de maconha e confronto com a polícia, acaba se transformando em um protesto antissistêmico. Em última análise, o objeto de indignação é o poder exorbitante do capital mostrando a sua irracionalidade e desumanidade. Muitas vezes, isso é formulado explicitamente nesses termos. Outras, não. Mas a questão está subjacente em todos os protestos recentes. Nós, sociólogos, precisamos tentar entender por que isso não começou mais cedo. Porque as razões para a indignação já existiam. Pelo jeito, foi necessário uma acumulação de descontentamento e um sentimento de que não é mais possível tolerar tal situação. E de que é preciso se revoltar, sabendo ou não se se conseguirá impor alguma mudança. Há um imperativo categórico de revolta, no sentido kantiano. Há coisas que você precisa fazer, mesmo sem ter certeza de em que vai dar. E quanto maior a participação ativa dos jovens, dos estudantes e de outros setores, cria-se uma relação de forças que pode pelo menos impor limites ao sistema e, sobretudo, criar uma tomada de consciência. Isso talvez seja o mais importante: a tomada de consciência. OOcupe Wall Street não conseguiu arranhar o capital financeiro, mas despertou consciência crítica em grandes setores. Eis um evento importante. Histórico até.

Ocupações, greves e passeatas ainda são formas eficazes de protesto?


MICHAEL LÖWY  São as formas clássicas de protesto, que reaparecem sempre. Mas também há formas novas surgindo. Por exemplo, a comunicação através dos meios eletrônicos, como o Facebook e oTwitter, que permitem uma mobilização muito rápida. E as mobilizações de agora têm um caráter festivo, lúdico, com música, dança, festa, o que é próprio da expressão da juventude. O Facebook e o Twitter têm lugar importante, mas não é o caso de mitificá-los. Eles não bastam. Para que alguma coisa aconteça, você tem que sair de sua casa, descer à rua, reunir-se com outras pessoas, ir lá, brigar, protestar, talvez enfrentar a polícia. Então, o Facebook é um suporte, não vai substituir a ação direta das pessoas.

A juventude tem voz além do Facebook? Ela se sente representada politicamente?

MICHAEL LÖWY  Pouco, porque a representação política está nas mãos de setores sociais mais acomodados e de "mais idade". Os jovens não se sentem representados. Há uma grande desconfiança em relação aos partidos e às instituições políticas existentes. Há certo rechaço a isso, muitas vezes com razão. Uma atitude cética diante da política institucional. Mas isso não quer dizer que haja desinteresse por eventos políticos. No meu tempo de aluno da FFLCH, nos anos 50, poucos estudantes achavam necessário ou sentiam vontade de se engajar em organizações políticas. Havia politização, mobilização em torno de determinadas causas, mas atividade política organizada era para uma minoria. Tenho a impressão de que atualmente a politização e a militância política são maiores do que nos anos 50, mas menores do que nos 60 e 70, durante a ditadura militar.

E podemos interpretar os protestos como um grito por participação política?


MICHAEL LÖWY  Analisemos o caso do Chile, que teve o movimento mais amplo até agora. Não é só um grito, é um protesto em cima de uma questão concreta: a privatização do ensino público desenvolvida no governoPinochet, que não foi mudada pelos governos de centro-direita ou centro-esquerda que o sucederam. Trata-se de uma questão que concerne a todos os estudantes: o quase desaparecimento do ensino público gratuito, os preços exorbitantes da educação. E isso se coloca também no Brasil, na Inglaterra. Por toda a parte há essa tendência de transformar a educação em mercadoria, em indústria que deve dar lucro. E assim vai desaparecendo a educação pública gratuita, que era uma conquista de muitos anos de luta. O protesto dos estudantes chilenos começou criticando a privatização do ensino e depois tomou um caráter mais amplo, porque eles perceberam que os problemas na educação são parte de uma orientação geral de um sistema neoliberal. Notaram que esse modelo de educação é inseparável de questões maiores e, assim, o movimento ganha apoio de outros setores da sociedade.

A ideia de autonomia universitária está sendo colocada em xeque?


MICHAEL LÖWY  Autonomia universitária significa que o papel da universidade é transmitir conhecimento, cultura, ciência - e não mercadorias. Quando o papel do ensino se resume a permitir que estudantes adquiram um diploma, ou a prepará-los para encontrar um posto a serviço do management, do marketing, perde-se a qualidade humana, cultural e pedagógica da universidade. As universidades estão se tornando meras empresas voltadas para a produtividade, a racionalidade instrumental mercantil. E, obviamente, boa parte dos estudantes e professores resiste a isso, defende o estatuto da universidade como lugar de produção de cultura e conhecimento, com autonomia em relação ao mercado, à economia e às empresas.

No caso da USP, os estudantes se tornaram massa de manobra de partidos e sindicatos?

MICHAEL LÖWY  Não, pelo contrário. Há uma relação de desconfiança dos estudantes em relação aos sindicatos e sobretudo aos partidos. Uma parte do movimento sindical, geralmente a parte mais radical, se aproxima do movimento estudantil em busca de aliança. Mesmo que haja certo interesse dos jovens nessa aliança, ela não se dá com facilidade, porque os objetivos dos sindicatos são mais limitados. Os ritmos não são os mesmos, a cultura política não é a mesma. Então, há uma diferença que dificulta essa aliança. Mas, para os estudantes, é importante conseguir criar uma situação em que os sindicatos resolvam participar da mobilização. Isso tem acontecido no Chile, na Espanha, na Grécia, nos EUA. Longe de serem manipulados pelos sindicatos, esses movimentos de protesto têm grande autonomia. Eles buscam estabelecer a aliança, mas não no sentido de se tornarem apêndice dos sindicatos. Com os partidos políticos é mais complicado, porque a desconfiança é maior. Não há um único partido que controle ou manipule esses movimentos mundo afora.

Ao serem presos, estudantes da USP brandiam livros de Marx, Foucault e Walter Benjamin, imagens de Mao e Che Guevara. Essas referências continuam atuais?

MICHAEL LÖWY  É normal que cada vez que apareça um movimento de crítica antissistêmica as pessoas se refiram a personagens e pensadores que já exprimiram essa crítica. Então, Marxaparece como referência importante, porque ele foi o primeiro a elaborar uma crítica radical do sistema capitalista. Em muitos pontos, essa crítica é até mais atual hoje do que na época em que ele a escreveu. Fico feliz de saber que há estudantes que se referem ao pensamento desses autores.Benjamin tem uma reflexão profunda sobre o que é a modernidade capitalista, a ideologia do progresso. Ele dá elementos que Marx não dava.Guevara também é importante, sobretudo, como homem de ação e símbolo do compromisso ético com os ideais de libertação e emancipação. Tudo isso é necessário. Não pode haver um movimento, qualquer que seja, que não se refira às lutas, às vítimas, aos mártires e aos pensadores do passado, porque nós nunca partimos do zero. Mas, evidentemente, isso não basta. Precisamos também pensar com novos instrumentos teóricos para dar conta das questões que estão aparecendo neste começo do século XXI. Por exemplo, a catástrofe ecológica que está se perfilando. Ela precisa de uma reflexão atual, utilizando elementos teóricos mais atualizados.

O sr. é um estudioso das revoluções dos séculos 19 e 20. Qual foi o papel dos jovens e estudantes nelas?


MICHAEL LÖWY  Depende, porque as revoluções são diferentes entre si. Em geral se pode dizer que a juventude sempre jogou um papel importante em qualquer movimento revolucionário. É uma constante. Movimentos revolucionários são levados por jovens, muitas vezes. Agora, se são estudantes ou não, isso depende da época, do país. Na Revolução Russa os estudantes não tiveram muito espaço. Na Revolução Cubana, sim. O Maio de 1968 em Paris foi um movimento totalmente estudantil. E um dos gatilhos foi a invasão da Sorbonne pela polícia. Na França, ainda hoje, a polícia entra raramente na universidade. Justamente porque se sabe que há o estatuto de autonomia das universidades e intervenções policiais provocam a reação dos estudantes. A polícia simboliza o autoritarismo do Estado contra a juventude, contra os estudantes. Esse choque com a polícia é frequente e, em certas circunstâncias, se transforma na faísca que mencionei antes, a que faz um protesto eclodir. Não podemos subestimar o papel dos estudantes nas revoluções.

Os da USP foram chamados de bichos grilos de grife, filhinhos de papai, rebeldes sem causa, maconheiros mimados... Como o sr. avalia esse tipo de tratamento?

MICHAEL LÖWY  Qualquer questionamento da ordem sempre é ridicularizado. Agora, sobre os estudantes serem meninos ricos... É uma mitificação, porque a maioria deles é de origem popular. Não são filhos de latifundiários, como eram os estudantes de antes da 2ª Guerra Mundial. Hoje em dia, a educação se tornou mais popular. Sobre a maconha: na minha opinião, não há razão para transformar o consumo de maconha em assunto de polícia. A maconha não é nem melhor nem pior do que o tabaco e a cerveja e tem um caráter bem diferente das drogas mais perigosas, como cocaína e crack. Então, essa reivindicação de descriminalizar o consumo da maconha me parece bastante razoável. Mas isso foi só um pretexto, porque em cima do tema se armou uma briga e, quando se manifestou o autoritarismo da polícia e do governo, aí assim o protesto cresceu. Muitos estudantes que aderiram à manifestação não o fizeram devido à questão da maconha e sim devido à repressão indiscriminada e arbitrária sobre alunos.

A sociedade brasileira clama por ordem?

MICHAEL LÖWY  Não é a sociedade em seu conjunto que se volta contra os estudantes com esse discurso de ordem e repressão. É a imprensa e os representantes da ordem e do governo. Eu me pergunto se parte da população não simpatiza com esses protestos da USP. Pelo menos foi o caso em outros países onde protestos dos jovens e estudantes se tornaram a expressão de um grande movimento popular. Não estou dizendo que isso vá acontecer já no Brasil, mas não há essa dicotomia entre jovens e estudantes de um lado e o restante da sociedade do outro. Essa separação é do interesse da classe dominante, dos governantes mais reacionários, como tentativa de mobilizar a população contra os estudantes.

O governador Geraldo Alckmin disse que os estudantes da USP precisavam de uma aula de democracia...


MICHAEL LÖWY  Nós sabemos que no Brasil não há nada mais democrático do que a Polícia Militar (risos). Ela tem uma tradição de várias dezenas de anos de democracia, não é? Democracia do cassetete - que não acho que deva ser a forma mais avançada de democracia. Não deve ser muito sério o argumento do sr. Alckmin. Uma intervenção policial brutal não tem nada de democrático.

Alguns autores contemporâneos, como o irlandês John Holloway, valorizam a articulação dos novos movimentos. Ao contrário do que dizia Marx, agora é possível mudar o mundo sem tomar o poder?

MICHAEL LÖWY  - Holloway me deu o livro dele e pediu para que eu fizesse uma resenha, sabendo que eu iria criticá-lo. O livro Mudar o Mundo sem Tomar o Poder tem muitas ideias interessantes e toda a crítica que ele faz ao sistema me parece muito profunda. Mas acho que a proposta dele não faz sentido, porque qualquer ação social e política inevitavelmente implica uma forma de poder ou de contrapoder. O que se coloca é garantir que esse poder seja efetivamente democrático. O movimento, ele mesmo, tem formas de poder, de organização e de gestão democrática. Protesto, revolta e revolução, tudo isso não pode existir se não houver uma organização de uma forma de poder. Não podemos contornar a questão do poder, porque na política não existe vazio. A necessidade é que esse poder seja democrático. Essa é a resposta.

No livro Revoluções, o sr. destaca como os revolucionários muitas vezes são vencidos pela história. Os estudantes de hoje serão vencidos?


MICHAEL LÖWY  Não posso dizer. Mas podemos já constatar, nos países árabes concretamente, que esses movimentos de protestos da juventude não foram vencidos. Eles derrubaram duas ditaduras sinistras, na Tunísia e no Egito, com uma mobilização desarmada. Não estou dizendo que isso será uma regra, mas mostra que não há nenhuma fatalidade. As revoluções são sempre imprevisíveis, acontecem onde ninguém espera.

Juliana Sayuri, O Estado de S. Paulo, 15/11/2011

quinta-feira, novembro 17, 2011

Velho comunista comenta as mudanças que estão ocorrendo em Cuba!!!


Esta é a sempre bela e acolhedora Havana, onde as coisas vão mudando pra melhor!!!


[leiamos com as devidas ressalvas de edição jornalística/(ideológica). Não devemos nos surpreender se o entrevistado, ao ler o resultado da entrevista, disser: ‘disse isso, mas a afirmação está atrofiada, visto que falta as devidas ressalvas e constextualização de minha resposta’ etc. etc.]

'Aqui há um capitalismo de Estado'  
Na casa em que vive com a mulher, na Rua Animas, centro de Havana, o filósofo e economista Félix Sautié Mederos recebe com desconfiança inicial quem quer saber "o que está ocorrendo em Cuba". Fundador do Partido Comunista Cubano, conhece a engrenagem e a mentalidade do partido. Ele é um militante incômodo e um intelectual respeitado o suficiente para dar sua opinião entre os camaradas. Nesta entrevista, ele credita a nova leva repressiva à falta de liberdade de expressão "que tem de acabar".

As reformas econômicas de Raúl Castro estão produzindo mudanças na prática?

Félix Sautié Mederos - Antes de mais nada, é preciso ver essa questão com uma grande dose de realismo político e pés no chão. Uma coisa é a realidade que desejamos e outras, bem diferentes, são os planos que nos querem impor e a realidade de fato. Tudo caminha em ritmo muito lento e as reformas idealizadas nas "diretrizes" aprovadas pelo 6.º Congresso do Partido Comunista de Cuba não são suficientes para enfrentar a situação econômica, política e social que atravessamos. Faltam muitos aspectos que não foram abordados; como a necessidade de estabelecer um controle dos trabalhadores nas empresas e entidades estatais. Tampouco foram apresentadas medidas para garantir uma participação da população no desenvolvimento econômico. Mas é possível observar algumas mudanças. É preciso apostar nelas, porque o mais importante é romper o imobilismo e derrotar as forças burocráticas, que inibem o avanço.

Que sistema econômico existe hoje em Cuba?

Félix Sautié Mederos - A centralização excessiva em Cuba há muitos anos e o estabelecimento de um pensamento único derivaram das tentativas de estabelecer um sistema socialista num verdadeiro capitalismo de Estado. Enquanto se puser em prática a concepção do trabalhador assalariado que não decide sobre as projeções econômicas e não participa da distribuição dos resultados econômicos, o que existirá será um capitalismo de Estado. Para que haja o socialismo, é imprescindível implementar os conceitos mais amplos de democratização e socialização, estabelecendo o conceito de trabalhador associado imaginado por Karl Marx e não o de um assalariado que deve apenas cumprir as orientações de cima, conceito próprio do stalinismo. E aqui está a diferença essencial, que determinou o nascimento de uma corrente de pensamento segundo a qual Cuba precisa de um socialismo participativo e democrático, mais humano. É por isso que muitos revolucionários estão lutando neste momento, e me incluo entre eles.

Por que o sr. acha que não houve renovação de líderes do PC?


Félix Sautié Mederos - Isso tem a ver com as concepções esquemáticas de um continuísmo político caracterizado por um conceito messiânico, determinado pelo ego que personificava uma geração histórica que negou durante anos a participação das novas gerações na direção da sociedade. Trata-se de uma contradição com a própria essência do movimento revolucionário dos jovens dos anos 50, que derrubou a tirania deFulgencio Batista, do qual, modestamente, sou um dos participantes. Por isso, não estou livre desse problema. Escrevi e afirmei que fui ao mesmo tempo algoz e vítima. No entanto, desde o fim dos anos 60, quando fui diretor da Juventud Rebelde, defendi a necessidade de canalizar a crítica popular e propiciar o diálogo sobre os problemas sociopolíticos cubanos. Em 1967, publiquei dois artigos intitulados "No bando dos inconformistas" e "Resposta aos que nos criticam", nos quais defendi a renovação no processo revolucionário. Pouco depois, encontraram motivos para substituir-me e punir-me. Hoje, percebi como muitos companheiros de minha geração foram sendo substituídos e até apagados da memória histórica. Isso foi se repetindo com as gerações que foram surgindo até chegarmos à situação atual, em que não há substitutos para os que se mantêm em seus cargos dobrando a curva dos 75 e 80 anos de idade, o que é preocupante.

Qual é a saída para a corrupção geral que se vê hoje em Cuba?

Félix Sautié Mederos - Esse é um problema básico de um sistema errôneo no qual a pessoa não é um sujeito econômico que pode se sustentar por si mesmo, mas um objeto que participa e determina muito pouco. A solução é um rearmamento moral da sociedade cubana em seu conjunto porque foram jogados por terra muitos dos valores estabelecidos desde tempos imemoriais em Cuba, tendo havido um enfraquecimento do papel da família, que se pretendeu substituir pela educação fornecida pelo Estado. Além da centralização de um pensamento único capaz de decidir tudo, criaram uma situação caótica na qual se desenvolveram desvios próprios de uma economia subterrânea de subsistência propiciadora. Para solucioná-lo, são necessárias reformas e mudanças econômicas, as liberdades de expressão, crítica, associação e o mais estrito respeito a todos os direitos humanos.

Como o sr. vê o fato de terem libertado "os 75" e já não se falar dos demais presos políticos? A Igreja Católica deveria intermediar a libertação deles também?

Félix Sautié Mederos - Isso dependerá de se conseguir uma mudança total de concepções de governabilidade com o mais pleno respeito às opiniões diferentes, aos direitos inalienáveis das pessoas, e de que se faça o mais amplo processo de reencontro, reconciliação e perdão com justiça entre todos os cubanos. A Igreja Católica é a casa de todos. Dos que estão a favor e dos que estão contra. Portanto, ela tem um papel de mediadora por excelência.

Rodrigo Cavalheiro, O Estado de S. Paulo, 13/11/2011

Reflexão de Karl Max, "o cara" sobre consciencia de classe! Tá no livro "Ideologia Alemã!

Ronaldo da Luta que me mandou. Tem que ler com atenção!


Karl Marx,em Ideologia Alemã;


Os pensamentos da classe dominante são também, em todas as épocas, os pensamentos dominantes, ou seja, a classe que tem o poder material dominante numa dada sociedade é também a potência dominante espiritual. A classe que dispõe dos meios de produção material dispõe igualmente dos meios de produção intelectual, de tal modo que o pensamento daqueles a quem são recusados os meios de produção intelectual está submetido igualmente à classe dominante. Os pensamentos dominantes são apenas a expressão ideal das relações materiais dominantes concebidas sob a forma de idéias e, portanto, a expressão das relações que fazem de uma classe a classe dominante; dizendo de outro modo, são as idéias do seu domínio.

 Os indivíduos que constituem a classe dominante possuem entre outras coisas uma consciência, e é em conseqüência disso que pensam; na medida em que dominam enquanto classe e determinam uma época histórica em toda a sua extensão, é lógico que esses indivíduos dominem em todos os sentidos, que tenham, entre outras, uma posição dominante como seres pensantes, como produtores de idéias, que regulamentem a produção e a distribuição dos pensamentos da sua época; as suas idéias são, portanto, as idéias dominantes da sua época. Consideremos por exemplo um país e um tempo em que o poder real, a aristocracia e a burguesia disputam o poder e onde este é portanto partilhado; vemos que o pensamento dominante é aí a doutrina da divisão dos poderes, por isso enunciada como “lei eterna”.

MANIFESTA-SE IGUALMENTE NO SEIO DA CLASSE DOMINANTE !!


quarta-feira, novembro 16, 2011

Guerrilha colombiana tem novo Comandante! Cai um, levantam-se milhares.A Luta Continua!!!!


Comandante Timoleón Jiménez já foi eleito novo chefe do Secretariado das FARC-EP
Reproduzimos o comunicado em que as FARC-EP informam da eleição de Timoleón Jiménez como novo chefe do Secretariado e garantem a continuidade da luta guerrilheira até a vitória.
   

Aos guerrilheiros das FARC-EP

Às milícias bolivarianas

Camaradas: 

A 4 de novembro, caiu em combate o comandante das FARC Alfonso Cano nas montanhas do Cauca do município de Suárez. Desde fazia dois anos era perseguido por uma matilha de mais de 7.000 homens guiados por tecnologia militar de ponta e uma flotilha de aviões e helicópteros, sob as ordens de assessores militares estadunidenses, mercenários israelenses e o alto comando militar.

Os guerrilheiros das FARC sentimo-nos orgulhosos de que o comandante caia lutando no campo de combate e morto como morrem os verdadeiros chefes militares, os heróis do povo, os valentes. Mostrando com seu grito de guerra e com o chumbo, com seu exemplo, que assim morrem os homens e as mulheres cabais, consequentes com o que pensam, e que juraram pela justiça e a dignidade do povo, lutar até as últimas consequências. Este é o exemplo que levarão galvanizado sempre na consciência os guerrilheiros das FARC que juraram vencer, e vencerão.

Não há morte mais formosa que a que surge lutando pela liberdade, por uma causa altruísta, coletiva, enxergando em seu sonho, como Alfonso, a Nova Colômbia, a da dignidade humana, a do emprego, a da educação e a saúde gratuitas, a da soberania do povo, da terra para os camponeses, da morada para os que carecem dela, uma pátria nova, socialista, justiceira, bolivariana, propulsora da concreção no continente de uma Grande Nação de Repúblicas fraternas.

Esses pobres analistas e políticos medíocres, bajuladores do poder, que hoje falam do derrubamento das FARC ante a morte do comandante, são tão ignorantes que nem sequer merecem o gesto de nosso desprezo. Não foi esquartejado o mito de Alfonso Cano, como afirmam perdidos na bebedeira de seu triunfalismo. Não conseguiram advertir que a imagem de Alfonso caído em combate na vereda Chirriaderos cresce como arquétipo e é motivo do mais alto orgulho fariano e de um povo que foi capaz de produzir comandantes luminosos. Estão tão perdidos, que ainda celebram a morte do mais fervente partidário da solução política e da paz.

A moral do guerrilheiro fariano sempre cresce na adversidade, porque é de estirpe bolivariana e marulandiana. Aqui há consciência, anseio incandescente de combate e de vitória. Tudo pela dignidade de um povo, por sua liberdade. Perdem seu tempo, alucinam, os que sonham com a claudicação e desmobilização da guerrilha.

Crescerá a torrente sonora do protesto e da mobilização popular que hoje assusta a oligarquia neoliberal que lacera a soberania com sua política de "segurança", que contra a Colômbia e sua gente, favorece o investimento e os interesses das transnacionais. Que comecem a tremer os usurpadores do poder que até hoje se negaram a pagar a imensa dívida social contraída com o povo. A indignação está percorrendo o mundo no meio da crise sistémica do capital. Podem estar certos que não poderão deter o fogo insurgente contra a tirania, pela paz, e que a guerrilha aumentará a sua marcha para a vitória com as bandeiras do Movimento Bolivariano despregadas ao vento, com o povo.

Queremos informar-los de que o camarada Timoleón Jiménez, com o voto unânime de seus camaradas do Secretariado, foi designado, a 5 de novembro, novo comandante das FARC-EP. Garante-se assim a continuidade do Plano Estratégico para a tomada do poder para o povo. A coesão de seus comandos e combatentes, como dizia Manuel Marulanda Vélez, continua sendo um dos mais importantes valores das FARC.

Comandante Alfonso Cano: seus princípios no campo militar e político serão seguidos à risca.

VIVA A MEMÓRIA DO COMANDANTE ALFONSO CANO!

JURAMOS VENCER, E VENCEREMOS.

Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP

Montanhas da Colômbia, novembro de 2011


Fonte: Blog O Marxista-Leninista

terça-feira, novembro 15, 2011

Curtindo a Chapada dos Guimarães!


Nesta segundona , véspera de feriado, passei o dia com meu irmão Fenando na Chapada  dos Guimarães. Vimos lá o grande e belo vale formado pelas cadeias de montanhas, o “Portão do Inferno”, a “Cachoeira Véu de Noiva”. Muito lugar bonito. Só que abandonados pela politica suicida de Turismo do Estado de Mato Grosso.

Tá na hora do governo Federal, Ministério do Turismo/Embratur intervir aqui e aplicar uma verdadeira politica de incentivo ao turismo. Isto aqui são belezas que o Brasil e o Mundo devem desfrutar!!
Mais Chapada dos Guimarães!!! Ministério do Turismo/Embratur tem que intervir no local para fazer de lá um verdadeiro centro de Turismo. Proprietarios das terras lá fazem o que querem e inibem os turistas e fecham locais que deviam ser abertos a visitação publica!!

quinta-feira, novembro 10, 2011

Midia e Direita articulam golpe contra Democracia!!



Há algo no ar além dos aviões de carreira.

 Quem assiste TV e lê jornais e revistas semanas da grande imprensa, mesmo nos Estados, não deve ter percebido, mas há um plano bem traçado e cronogramado para passar um quadro do Brasil que os poderosos querem, e que pretende ao seu final, tentar outro golpe de Estado no País. Só que o Brasil não é Hondruras e nem a presidente  Dilma, um Zelaya!!

As noticias veiculadas pela imprensa, criminaliza os movimentos sociais, querem imputar a idéia de que o governo é corrupto, por isto desejam ir derrubando um ministro por mês, através de acusações falsas ou frágeis. Chamam os jovens estudantes que protestam contra o Estado Policialesco na USP em São Paulo, de arruaceiros, filhinhos de papai, maconheiros e por ai vai. Toda ação governamental positiva é desconsiderada ou falseada.

Líderes políticos são chamados de “caciques” ou achincalhados, menos os pertencentes ao trio de ouro da direita nacional, o PSDB,PPS e DEM. A violência que eclode nas periferias pobres das grandes cidades, ´para esta mídia golpista deve ser combatida com Tropas de Choque e não com programas sociais ou de inclusão. Jovens morrem aos montes  nestes “cantões” das grandes e médias cidades,  atingidos por balas da Policia ou pela ação devastadora das drogas.

São Paulo, governado há duas décadas quase, pelos homens do PSDB,DEM,PPS e abençoados pela “Opus Dei”, virou um Estado policialesco, corrupto e que vai minando todo a educação, cada vez pior e a saúde. Quem faz greve ou grita contra o descalabro administrativo é tachado de “radical”, arruaceiro e marginal. Na imprensa, nenhuma linha sobre as constantes denuncias contra os governantes paulistas. E olha que elas não param de aparecer e se multiplicar.

Por fim, eles querem desmoralizar o governo Dilma, os partidos de esquerda e nacionalistas, colocar quem luta por um Brasil melhor contra a parede. E depois, se possível e  tudo der certo para eles, fuzilar!

Mas não passarão!! Os Brasileiros devem ficar atentos e fortes e como dizia a canção de Caetano, “não temos tempo de temer a morte”!!!

quarta-feira, novembro 09, 2011

Esta eu tinha que postar: Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB agradece meu apoio. Nem precisava, sou comunista e sempre solidario a meu partido!


agradecimento pela solidariedade emprestada ao PCdoB
Entrada
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presidencia@pcdob.org.br


Ilmo.Sr.(a)
Sirvo-me da presente para expressar nosso profundo agradecimento
pela solidariedade emprestada a nosso partido, em meio aos torpes ataques movidos
pelo campo político reacionário e por veículos dos monopólios dos meios de
comunicação. Tenha você a certeza de que seu apoio – por meio de subscrição em
abaixo-assinado organizado pela intelectualidade progressista – foi de enorme
valia à defesa da democracia, do avanço civilizatório e das aspirações do povo
brasileiro, que, ao longo dos últimos 90 anos, tem encontrado no Partido
Comunista um instrumento de luta contra o autoritarismo e por nação mais justa
e soberana.
Sem mais, despedimo-nos reiterando nossos protestos de elevada gratidão.

Renato Rabelo
Presidente Nacional do PCdoB

Protesto estudantil na USP em São Paulo

Manifestação estudantil em Londres contra o capitalismo

O rapto da democracia - por Saul Leblon, da Carta Maior

A Europa assiste nesse momento, com anuência catatônica dos partidos e da mídia, à ação desmedida e auto-atribuída dos mercados financeiros de nomear e demitir governos, impondo-lhes metas e políticas que reduzem o Estado, a economia e a sociedade a meros dentes da engrenagem reprodutora do capital a juro.

No Brasil, como demonstra a editora de Política de Carta Maior, Maria Inês Nassif, em análise nesta pág., é a mídia que se arroga, de forma mais ostensiva, o papel desse poder paralelo, avocando-se a prerrogativa de inocentar e condenar ministros de Estado, a ponto de tornar o governo Dilma, perigosamente, refém de seus interesses e interditos.

Na Europa, de forma desconcertante, as causas da crise são omitidas na dissecação de um colapso cuja origem e manutenção remete ao poder desmedido das finanças desreguladas. Sua supremacia monopolizou a tal ponto a agenda política que hoje encara-se como inevitável responder ao colapso neoliberal com doses adicionais de seu veneno.

A mesma lógica auto-propelida alimenta a eterna pauta da corrupção política no Brasil. A ausência de uma presença estatal forte no financiamento das campanhas eleitorais torna partidos, eleitores e eleitos reféns do dinheiro privado. A mesma mídia que usurpa espaços e prerrogativas das instituições democráticas, permite-se, porém, rebaixar a discussão das alternativas a essa distorção para reiterar seu papel auto-atribuído de juiz e jurado das escolhas da sociedade.

Nos dois casos um poder coercitivo ilegítimo submete a cidadania a desígnios sedimentados à margem do discernimento social. Em nome da eficiência, na Europa, e da transparência, no Brasil, comete-se o rapto da democracia para instituir uma chantagem permanente e ardilosa contra a sociedade. A lição européia é clara: todos os governantes que cederam a essa lógica foram engolidos por ela
Postado por Saul Leblon
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segunda-feira, novembro 07, 2011

Fique calmo, voce esta mesmo sendo vigiado!! Não tem como escapar, tem é que enfrentar!!!!


Deu no "Vermelho"-

CIA admite monitorar redes sociais em todo mundo


Agência de Inteligência dos Estados Unidos emprega centenas de analistas atrás de pistas sobre o 'humor' da população local e reações ao país. Eles atuam no monitoramento de redes sociais em todo mundo na busca de ameaças à segurança do país. Os relacionamentos também são checados para sondar opinião local. A revelação foi feita em reportagem da agência AP, na sexta-feira (4).



Instalada em um galpão industrial em local secreto, a equipe da agência, apelidada de "bibliotecários vingativos", acompanha 5 milhões de tuítes por dia, além de Facebook, jornais, canais de notícias de TV, estações de rádio no mundo todo, salas de chat na internet etc.

Segundo apurou a agência de notícias, do árabe ao mandarim, a partir de um tweet irado a um blog reflexivo, os analistas colhem informações e as cruzam com jornais locais ou até conversas telefônicas interceptadas clandestinamente. Com esses dados, desenham um cenário sobre a quantas anda a percepção sobre os EUA em determinado país ou o grau de satisfação da população.

A reportagem afirma que a equipe conseguiu, inclusive, prever os acontecimentos da chamada "Primavera Árabe" no Egito. "Vimos que as redes sociais em lugares como o Egito poderiam tornar-se uma ameaça ao regime", disse Doug Naqim, diretor do chamado Centro Open Source da CIA.

A atuação da equipe começou a partir de uma recomendação do Congresso americano, após os ataques de 11/09. Hoje, já são centenas de analistas que estudam do acesso à web na China ao vai e vem dos grupos sociais nas ruas do Paquistão. O número exato de quantas pessoas trabalham para os Estados Unidos nessa função não é revelado.

De acordo com a reportagem, embora a maioria dos analistas esteja na Virgínia, há "fuçadores virtuais" em embaixadas americanas no mundo todo. Os dados colhidos nas redes sociais são cruzados com pesquisas de opinião para gerar resultados mais precisos.

O centro começou a focar-se em mídias sociais, depois de ver a reação dos usuários do Twitter contra o regime iraniano após o contestado resultado das eleições de 2009 naquele país, com a reeleição Mahmoud Ahmadinejad.

Outro episódio que o grupo atuou foi na morte de Bin Laden. Depois de sua morte no Paquistão, em maio, a CIA seguiu o Twitter para orientar a Casa Branca sobre a opinião pública mundial. O presidente Barack Obama recebe relatórios do grupo quase que diariamente. Com isso, contatou-se que a maioria dos tweets em urdu, a língua do Paquistão, e em chinês, foram negativos aos EUA naquela ocasião. Autoridades paquistanesas protestaram contra o ataque como uma afronta à soberania do país.

Sites como Facebook e Twitter também se tornaram um recurso fundamental para seguir uma crise, como os motins que se alastraram em Bangkok (Tailândia) em abril e maio do ano passado.

Fonte: IDG Now!

sexta-feira, novembro 04, 2011



A ditadura da felicidade
A psicanalista Maria Rita Kehl lança coletânea de crônicas jornalísticas; enquanto analisa os principais acontecimentos globais, ela alerta: a sociedade não criou espaços para se viver o sofrimento. Foto: Kim Doria
A carreira de Maria Rita Kehl fica numa fronteira entre o jornalismo e a psicanálise.Teve início nas redações e, depois, migrou para o consultório. Por fim, ela soube unir as duas pontas de seu trabalho nos muitos artigos escritos para jornais e revistas do país – como Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, Época, Brasil de Fato, etc. Entrevistou Mano Brown no programa Roda Viva e já foi entrevistada outras tantas vezes, mesmo que enxergue com muita cautela a “embalagem elegante do pacote psi”, – como definiu o modo que a mídia utiliza a psicologia para explicar acontecimentos às vezes sem explicação.
“18 crônicas e mais algumas” reuniu estes artigos, que, escritos ao longo dessa última década, circundam os acontecimentos marcantes do país com a ótica única de Kehl. Lançado em São Paulo na quarta-feira 26, o livro será apresentado também, no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira 3, na Rua Visconde de Pirajá, 572, às 19h.
Kehl reserva a introdução da obra para revelar sua dupla trajetória. A escritora lembra de sua saída do jornal O Estado de S. Paulo, onde tinha uma coluna no Caderno 2, de cultura, e foi demitida depois de escrever e publicar o texto “Dois Pesos”, sobre o eleitorado de Dilma e a crítica da classe média aos programas sociais do governo petista. “Todo texto autoral publicado na imprensa tem por vocação ser opinativo e analítico”, diz. “O jornal não protege o freelancer das bobagens que ele escreve em nome próprio, embora – como fui perceber em 2010, como episódio do cancelamento da minha coluna no Estado de S. Paulo – nem tudo o que leve a assinatura do autor seja aceito pela diretoria ou pelo corpo de acionistas, ainda quando o tema seja atual e encontre um bom número de leitores”.

Enquanto Kehl distribuía autógrafos na Livraria da Vila em São Paulo, CartaCapital tentou questioná-la, nos pequenos intervalos entre um fã e outro, sobre a psicanálise e o futuro do país. Uma pergunta aberta, que encontrou um “não” categórico como resposta. Ou talvez, um “não aqui”. No dia seguinte, a reportagem foi encontrar a psicanalista em seu consultório, no bairro de Perdizes em São Paulo.

Mesmo lá, na tranquilidade de seu “habitat”, Kehl advertiu sobre sua impossibilidade de projetar o futuro. “Nós, psicanalistas, temos muito pouca prática em projetar o futuro. A prática do pscanalista é ir pesquisar no passado as origens dos problemas presentes”, justifica. Com prática ou não, a intelectual soube desfilar pelos pontos nevrálgicos dos episódios recentes que abalaram o mundo. Das revoluções árabes e manifestações urbanas, à nova classe média brasileira, a faxina de Dilma, e a (im) possível reforma política. Confira (para ler o texto inteiro é preciso clicar no título em negrito):

“A obrigação da felicidade  é um subproduto dos movimentos progressistas dos anos 60: do direito a felicidade, passou para a obrigação. Talvez esses movimentos contestem um pouco que o sentido de estar no mundo é ser feliz

A Primavera Árabe e os Indignados

“As pessoas percebem que ficaram inutilizadas como sujeitos de ação política. Tenho um receio, porém, de que esses movimentos sejam capitalizads por partidos de extrema direita. Ao mesmo tempo, minha formação materialista me diz que não é a partir daí que o capitalismo vai cair”
“A condição da juventude é muito boa para questionar qualquer status-quo, porque ela não está completamente comprometida. Por outro lado, o jovem que aos 40 é eleito para um cargo político ou que aos 35 vira economista em um banco, perdeu aquela condição de jovem”
 ”O Brasil em termos de diminuição de desigualdade deu um passo enorme. Esse contentamento generalizado com a economia esvaziou o aspecto político. O movimento anti-corrupção tornou-se um movimento moral”
Nova Classe Média

 ”A nova classe média, assim que pode pagar um plano de saúde privado picareta, para não ter que usar o SUS, pagar um guarda de rua, por o filho em escola particular, ela faz e sai da luta de classes, do seu lugar na luta de classes”


quinta-feira, novembro 03, 2011

João Gilberto!!! È vamos ter que esperar!!!!!



João Gilberto adia turnê comemorativa por motivos de saúde
Shows comemorando os 80 anos do músico começariam neste sábado (5).
Brasília e Porto Alegre agora só terão apresentações no ano que vem.
Do G1, em São Paulo

A assessoria de imprensa da turnê em comemoração aos 80 anos de João Gilberto anunciou nesta quinta (3) que a série de apresentações do músico será adiada por motivos de saúde. O primeiro show de João Gilberto aconteceria neste sábado (5), em São Paulo.

Segundo o comunicado oficial, a temporada de shows agora terá início em 9 de dezembro, em Salvador "e, posteriormente, seguirá para Rio de Janeiro e São Paulo. Por conta do final do ano, Brasília e Porto Alegre não terão disponibilidade de receber as apresentações ainda em 2011"..

João Gilberto, de acordo com a assessoria, "está com uma forte gripe", impedido de cantar e precisando de cuidados especiais. "Segundo o dr. Jorge Jamile, médico do artista, não há motivo para alarde, mas será necessário o repouso neste momento", diz o comunicado oficial.

Projeto
O projeto "80 anos - Uma vida bossa nova" inclui, além das apresentações que estavam previstas, a gravação de pelo menos um DVD. Os preços dos ingressos dos shows vão de R$ 500 a R$ 1,4 mil o que, em alguns casos, afugentou o público - em São Paulo, por exemplo, onde a expectativa era de que os ingressos se esgotassem rapidamente, ainda há lugares em quase todos os setores.

Avesso aos holofotes e à mídia, João Gilberto se apresentou no país pela última vez em 2008, durante outra comemoração: a dos 50 anos de bossa nova. Na ocasião, os ingressos foram vendidos em poucas horas.

Batida inconfundível
Sua principal característica é a forma de tocar violão, que até hoje influencia inúmeros artistas nacionais e internacionais. Reza a lenda que foram meses ensaiando exaustivamente até encontrar esta batida ideal e o jeito singular de cantar, que eliminava os vibratos, a impostação, a potência e tudo o mais considerava excesso. Adaptou a essa nova forma de cantar e tocar as melodias de Tom Jobim e as letras de Vinicius de Moraes. Estava criada a bossa nova.

O "laboratório" de João seria o álbum “Canção do amor demais”, lançado por Elizeth Cardoso em 1958, só com composições de Tom e Vinicius. Não à toa, o disco, que já trazia o violão sincopado do músico baiano nas faixas "Chega de saudade" e "Outra vez", é considerado o marco inicial da bossa nova.

Entretanto, a voz do cantor só apareceria em agosto de 1958, num compacto simples com os clássicos instantâneos “Chega de saudade” e “Bimbom” — meses depois, lançara outro petardo bossanovístico, o também compacto "Desafinado" e "Oba-la-lá". Somados, a voz e o violão de João Gilberto acabaram por consolidar o estilo, que veio a ser um dos principais expoentes da música brasileira. A partir de então, a bossa nova revelaria e consagraria toda uma geração de músicos brasileiros, como Nara Leão, Carlos Lyra, Luizinho Eça, João Donato, Roberto Menescal, Baden Powell e Johnny Alf, entre outros.

'O mito'
Se as aparições públicas, shows e entrevistas de João Gilberto tornaram-se raridade, o mesmo também pode-se dizer sobre sua discografia em CD. Apenas seus discos mas recentes, caso de "João Gilberto Prado Pereira de Oliveira" (1999) e "João voz e violão" (2000), podem ser encontrados com alguma facilidade no mercado brasileiro. Uma outra parte está disponível na internet para importação, como "Brasil" (1981), que gravou com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia. Mas os trabalhos essenciais do músico, que ajudam a entender sua importância e a reverência de tantas gerações, praticamente desapareceu.

Tudo começou depois do lançamento de "O mito", em 1992. Compilado pela gravadora EMI, que detém os direitos sobre o catálogo do cantor, o álbum reúne os três primeiros LPs de João, “Chega de saudade” (1959), “O amor, o sorriso e a flor” (1960) e “João Gilberto” (1961), mais o EP “Orfeu da Conceição”. O projeto despertou a ira do artista, que reclamou da remasterização e do fim da sequência original das faixas. Começava então uma briga judicial entre as partes, que não tem previsão para acabar.


terça-feira, novembro 01, 2011

Leitura imprescindivel!!!!

Para quem puder e tiver interesse na luta fatricida dos revisionistas soviéticos contra Stálin e seus seguidores, sugiro a leitura das Memórias de Kaganovich, que esta postado hoje no Blog da Comunidade Stalin, no endereçowww.comunidadestalin.blogspot.com. Uma leitura importante para dirigentes, quadros e militantes do Partido Comunista e revolucionarios em geral. Importante para os momentos que vivemos!!!