quinta-feira, novembro 08, 2012

GOVERNO PAULISTA NA MÃO DA DIREITA ENFRENTA BANDIDOS ATINGINDO O POVO!!!





Breve dossiê revela: onda de assassinatos que apavora Estado foi iniciada e radicalizada pela PM. Governo Alckmin omite-se. Mídia silencia
I.
Ao descrever, num ensaio recente (breve em português, em Outras Palavras), a situação tormentosa vivida pela Grécia, o jornalista Paul Mason, da BBC, recorre à história da Alemanha, às portas do nazismo. Só uma sucessão de erros crassos, mostra ele, pôde permitir que Hitler chegasse ao poder. Mas havia algo sórdido por trás destes enganos. Embora não fosse conscientemente partidária do terror, a maior parte das elites alemãs desejava o autoritarismo, pois já não conseguia tolerar o ambiente democrático da república de Weimar.
As circunstâncias são distintas: não há risco de fascismo no cenário brasileiro atual. Mas é inevitável lembrar de Mason, e de sua observação sobre a aristocracia alemã, quando se analisa a espiral de violência que atormenta São Paulo há cinco meses. Em guerra com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), parte da Polícia Militar está envolvida numa onda de assassinatos que já fez dezenas de vítimas, elevou em quase 100% o índice de homicídios no Estado e aterroriza as periferias.
Pior: a escalada foi iniciada (e é mantida e aprofundada) por integrantes da própria PM, a força que deveria garantir a segurança e o cumprimento da lei no Estado. Mas apesar de inúmeras evidências, o governo do Estado não age para refrear tal atitude. E a mídia omite, ao tratar da onda de mortes, a participação e responsabilidade evidentes da polícia. É como se tivessem interesse em manter, em São Paulo, um corpo armado, imune à lei e ao olhar da opinião pública, capaz de se impor à sociedade e diretamente subordinado a um governador cujos laços com a direita conservadora são nítidos.
Para ocultar o papel de parte da PM na avalanche de brutalidade, a mídia criou um padrão de cobertura. As mortes de autoria do PCC são noticiadas, corretamente, como assassinatos de PMs. Informa-se que o número de crimes deste tipo cresce de modo acelerado — já são 90 vítimas, este ano. Mas se associa a insegurança que passou a dominar o Estado apenas a estes atos. Também informa-se sobre parte das mortes praticadas pela PM — seria impossível escondê-las por completo. No entanto, aceita-se, sempre sem investigação jornalística alguma, a versão da polícia: morreram “em confronto”, depois de terem reagido.
Este estratagema permite silenciar sobre três fatos essenciais e gravíssimos: a) parte da PM abandonou seu compromisso com a lei e a ordem pública e passou a agir à moda de um grupo criminoso, colocando em risco a população e a grande maioria dos próprios policiais, honestos e interessados em cumprir seu papel; b) diante desta subversão do papel da PM, o comando da corporação e o governo do Estado estão, ao menos, omissos; c) procura-se preservar este estado, evitando, recorrentemente, caracterizar a atitude do setor criminoso da polícia e, muito menos, puni-lo.
II.
Algumas iniciativas permitiram, nos últimos dias, começar a quebrar a cortina de silêncios e omissões. O jornalista Bob Fernandes, editor-chefe do Terra Magazine, sustentou, numcomentário corajoso, em noticiário da TV Gazeta, que havia algo além do crime organizado, por trás da onda de assassinatos. “Rompeu-se um pacto entre polícia militar e PCC”, frisou Fernandes — e atribuiu a esta ruptura tanto a “guerra” entre os dois grupos como a espiral de morte que se seguiu. “Criminosos matam de um lado? Vem a resposta: alguns, quase sempre em motos, com munição de uso exclusivo de forças policiais, dão o troco e também matam.”
A fala do editor do Terra Magazine teve o mérito de romper o consenso que a mídia fabricava, até então, em torno de uma explicação inconsistente. Mas a que se referiria ele, ao mencionar, em linguagem quase enigmática, a ruptura de um pacto?
Uma das pistas, para encontrar a resposta, é seguir o fio da meada da onda criminosa. Quando ela teria começado? Por quais motivos? Entre o final de maio e o presente, os jornais estão fartos de notícias sobre os assassinatos, sempre no padrão descrito acima. Mas não é difícil encontrar um ponto de inflexão, o momento a partir do qual o cenário se transforma.
Ele situa-se precisamente em 29 de maio. Nesta data, quando ainda não adotava a confirmação sem checagem das versões da Polícia Militar, O Estado de S. Paulo registra um massacre. Seis pessoas foram mortas pela ROTA, uma unidade da PM conhecida pela truculência. Estavam num estacionamento, próximo à favela da Taquatira, Zona Leste da capital. Foram vítimas de um comando constituído por 26 policiais. A própria PM afirmou, na ocasião, que eram integrantes do PCC. Alegou-se que estariam reunidas (num estacionamento?) para “traçar um plano de resgate de um preso”. Segundo as primeiras versões, teriam “atirado contra os policiais”. Apesar de numerosas (segundo a PM, 14 pessoas, das quais três foram capturadas e cinco fugiram), e “fortemente armadas”, nenhum soldado sequer se feriu.
Esta versão fantasiosa foi desmentida logo em seguida. Pouco depois da ação policial, um dos mortos “em confronto” seria executado a sangue frio, por parte dos PMs que haviam participado da operação. Os assassinos agiram em pleno acostamento da rodovia Ayrton Senna, e em área habitada. Uma testemunha presenciou o crime e o denunciou, enquanto acontecia, pelo telefone 190. A sensação de impunidade dos assassinos levou-os a ser fotografados pela próprias câmeras de vigilância da estrada. Nove dos 26 policiais foram presos, horas depois. Destes, seis foram soltos em dois dias. Três — apenas os que teriam praticado diretamente a execução — permaneceram detidos. Não é possível encontrar, nos jornais, informações sobre sua situação atual.
Atingido, o PCC reagiu recorrendo, embora em escala limitada, ao método que marcou sua atuação em 2006. Na região de Cidade Tiradentes, uma das mais pobres da cidade e local de moradia de um dos mortos, o grupo obrigou a população a um toque de recolher no dia do enterro do comparsa, 31 de maio. Tiveram de fechar as portas, entre outras, as escolas municipais Adoniran Barbosa e Wladimir Herzog… Mas, também repetindo o que fizera em 2006, a facção não se limitou a isso. Começaria, logo em seguida, a longa série de assassinatos de policiais militares.
No ano passado, 47 PMs paulistas foram mortos, em serviço ou suas folgas. Não é um número excepcional, para uma corporação que reúne quase 100 mil soldados, exerce atividade de risco e vive sob tensão permanente (o índice anual de suicídios é muito próximo ao das vítimas de homicídio). Em 2012, tudo mudou. Até o incidente fatídico de 29/5, haviam sido contabilizadas 29 mortes de PMs — pouco acima da média registrada no ano anterior. Entre 29/5 e 4/11, os ataques disparam. São 61 novos assassinatos, em apenas cinco meses. Há casos dramáticos: uma policial morta diante de sua filha; um garoto assassinado apenas por ser filho de policial, ocasiões em que as próprias bases da PM são atacadas. Inúmeros relatos narram a situação de pânico vivida por milhares de soldados honestos, cuja vida foi subitamente colocada em risco numa “guerra” provocada por uma minoria.
Mas aos poucos — e aqui começa um dos pontos mais obscuros de todo o episódio –, a PM parece inclinar-se em favor de sua banda violenta. Além de ter provocado o PCC à luta no final de maio, num ataque cujo caráter criminoso está demonstrado, a polícia paulista empenhou-se, nos meses seguintes, em tornar a disputa cada vez mais sangrenta e mais letal para a população civil.
Alguns episódios são emblemáticos desta tendência e da barbárie produzida por ela. Em 10 de outubro, por exemplo, um soldado de 36 anos foi executado em Taboão da Serra, oeste da Grande São Paulo. Dois homens dispararam seis tiros em seu corpo. Nas horas seguintes, no mesmo município, nove pessoas foram assassinadas. Duas delas foram vítimas da ROTA —execuções, segundo testemunhas. As sete outras, em circunstâncias nunca esclarecidas, mas muito assemelhadas às descritas por Bob Fernandes, em seu comentário recente. Poucos dias antes, na Baixada Santista, um outro episódio, em condições muito semelhantes, deixou, em cinco dias, um rastro de quinze mortos. Em nenhum destes casos houve investigações sobre o comportamento dos policiais — nem por parte de seus pares, nem da mídia…
A esta altura é perturbador, porém inevitável, traçar um paralelo. Radicalizar ao máximo a guerra contra o PCC; afogar o “inimigo” em sangue, sem se importar com o risco de atingir a população como um todo, foi a estratégia que prevaleceu na PM em 2006, quando a força enfrentou pela primeira vez o grupo criminoso. Entre 12 e 20 de maio daquele ano, mais de 500 pessoas foram assassinadas em chacinas e execuções na capital, região metropolitana, interior e litoral de São Paulo. A grande maioria não tinha relação alguma com o PCC, como denunciam, desde então, as Mães de Maio. Adotou-se aparentemente a ideia de que deflagrar terror indiscriminado contra a população forçaria o grupo criminoso a recuar, temeroso de perder apoio de suas bases sociais.

III.
Um personagem destacado é comum aos episódios de 2006 e aos de hoje: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Não estava diretamente à frente do Palácio dos Bandeirantes, durante a primeira rebelião do PCC (deixara o posto um mês antes, para concorrer à presidência da República). Mas havia governado o Estado nos seis anos anteriores e executara uma política de segurança considerada ao mesmo tempo brutal e ineficiente. Sua ligação com os acontecimentos ficou patente ao abandonar, de modo abrupto, uma entrevista em que jornalistas britânicos (ao contrário da grande mídia brasileira) questionaram-no sobre o ocorrido.

Apontado como membro da organização ultra-direitista Opus Dei, até mesmo por integrantes de seu partido (o PSDB), Alckmin é visto, por parte da elite brasileira, como uma liderança importante a preservar. As declarações que tem dado, desde maio, em favor das posições mais belicosas e agressivas, no interior da PM, são eloquentes.
Falta muito a apurar, na trilha tenebrosa e caótica para a qual descambou a segurança (?) pública em São Paulo, desde maio. Por que, após uma tentativa fugaz de investigar ações ilegais e criminosas de parte de seus integrantes, a PM desistiu do esforço? Que levou a imprensa — que também denunciou a truculência, num primeiro momento — a silenciar e a repetir, desde junho, uma versão insustentável? Um setor de policiais especialmente violento terá conseguido impor sua postura? De que forma estarão envolvidos o governador e a imprensa?
O certo é que, para interromper a escalada sangrenta, a sociedade precisa agir — o quanto antes.

quarta-feira, novembro 07, 2012

O futebol arte, o esporte, a serviço da TV e dos "cartolas"!!


TV no Futebol

JAIME SAUTCHUK*

Antes que a gangue de Ricardo Teixeira e José Maria Marin, na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), resolva avançar na ideia do uso de imagens da TV na arbitragem de jogos, é bom atentarmos para uns aspectos dessa mudança. Começa por saber quem iria produzir as imagens, a CBF ou alguma emissora de TV?
No plano internacional, a Fifa já autorizou experiência com dois sistemas de confirmação de gols a partir do Mundial de Clubes no Japão, no mês que vem. Nesses casos, porém, não haverá interferência humana nos equipamentos.
Um dos artefatos é o de um chip dentro da bola e outro na trave, que anuncia quando a bola ultrapassa a linha de gol. O outro são seis câmeras, afixadas nas traves e fundo de gol, que apenas avisam quando a bola passa da linha. Em ambos os casos, o aviso é dado com um sinal no relógio do juiz da partida.
O que se discute no Brasil, contudo, é o uso de imagens produzidas para a transmissão de jogos. As maiores pressões para que esse árbitro eletrônico seja adotado vêm das emissoras, interessadas em abocanhar mais algum quinhão nas já lucrativas (para elas) transmissões. E já é histórica a troca de benesses entre a direção da CBF e a Rede Globo, por exemplo.
A mais dramática interferência da TV no futebol tupiniquim é a dos horários de partidas em dias de semana. A CBF de Ricardo Teixeira adotou os jogos às 22h para que ocorram depois da principal novela da Globo. Não levou em conta o torcedor, que fica sujeito a maratonas para chegar em casa já na madrugada do dia seguinte.    
Seja qual for o gerador de imagens, há a interferência de pelo menos uma pessoa, que é o operador da mesa de corte. Sua função é selecionar as imagens que vêm de oito ou mais câmeras e colocá-las no ar, no caso de transmissões ao vivo, ou editá-las para posterior uso, o que é feito por critério pessoal, ainda que hajam regras gerais.
E até aí é só um pedaço do imbróglio. No modelo atual, caso a TV possa ser usada, será um novo elemento para alargar o tempo de jogo. Cada parada para checar imagens de um lance significa tempo correndo, ou seja, a duração dos jogos será ainda maior, já que no futebol o cronômetro não para, como no tênis e futsal, por exemplo.
O uso de câmaras iria, também, afrouxar a arbitragem. O juiz e o bandeirinha poderão marcar o que bem entenderem, pois haverá câmeras de TV com apito na boca. Se já são frequentes os descuidos – ou olhares de cabra-cega – de árbitros, é de se imaginar o que iria ocorrer com a adoção da nova técnica.
E o pior: seguindo este caminho, daqui a alguns anos teremos só um árbitro em campo. Dois outros ficarão em uma sala de TV, com cerveja e uísque, em São Paulo, Rio ou Brasília, avisando ao que estiver lá nos cafundós do Judas, em campo, que apite isso ou aquilo.  Vai ser uma gracinha.
Isto significaria, é claro, o fim do futebol. O mais correto, no entanto, seria profissionalização da atividade de arbitragem e a CBF treinar mais seus árbitros. E, ao mesmo tempo, o Ministério Público, a Justiça e a polícia devem cair em cima das quadrilhas que agem nesse meio, para controlar resultados.
Isso tudo, com a ressalva de que a maioria dos árbitros brasileiros é de gente séria e honesta. E que nada tem a ver com a direção da CBF.
*Jaime Sautchuck é jornalista, presidente do Cebrapaz/DF e defensor do meio ambiente e das causas nobres. 

domingo, novembro 04, 2012

APARECIDO TA COM TUDO E NÃO TA PROSA!!!




Só mesmo Assis Soares para me proporcionar uma tarde de sábado para ninguém botar defeito! Feijoada  e roda de Samba na ARUC, na companhia de quatro belas mulheres que enfeitam e enfeitiçam esta Brasilia: Luene e sua Clarinha(UMA GRAÇA DE CRIANÇA), Andréia e Soninha. Muito samba e bom bocado como diria “Riachão”. Só faltou o Moa por lá! Isto tem que se repetir com mais frequência!!

quinta-feira, novembro 01, 2012

Solidariedade ao povo cubano atingido pelo furacão "Sandy"!!




Os jornalões do PIG, a TV Globo e outras emissoras, a imprensa capitalista e venal, enfim, só falam dos problemas causados pelo “Furacão Sandy” nos Estados Unidos, Nova Yorque principalmente. Mas ignora o que ele causou no Norte do México e vários países pobres do Caribe. Aqui falamos de Cuba e os estragos que a ventania, os raios e as chuvas torrenciais causaram por lá. O povo cubano precisa agora da solidariedade dos brasileiros e outros povos para se recuperar deste fenômeno da natureza.
Vamos lá minha gente, vamos formar uma corrente de solidariedade  ao povo cubano e outros povos caribenhos atingidos pela tragédia!!!
Em Cuba
O furacão Sandy destruiu mais de 100 mil hectares de terras agrícolas em Cuba ao passar pelo país na semana passada, de acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU).
 A entidade alerta que há risco de desabastecimento na região nos próximos meses. Cuba vive sob embargo econômico imposto pelos Estados Unidos há cerca de 50 anos. No leste de Cuba, a passagem de Sandy matou 11 pessoas. Também causou danos significativos em Santiago, a segunda maior cidade do país, e vilarejos próximos.
 Pelo menos, 180 mil casas foram destruídas ou danificadas pela tempestade, estimou a ONU. O relatório das Nações Unidas informa que "o cultivo de cana foi o mais atingido, seguido pelo da banana, vegetais e outros alimentos básicos". De acordo com o jornal oficial "Granma", o vice-presidente do país, José Ramón Machado, depois de visitar a área, reconheceu que "um dos maiores desafios será o de garantir alimento para as pessoas nos próximos meses".

 

DISCUTINDO OUTROS TEMPOS E OUTRAS SOCIEDADES POSSIVEIS!


“Primaveras” reúne mais de cem pessoas em São Paulo

Com participação de Ricardo Abramovay e Ladislau Dowbor, debate focou crises civilizatórias. Próximos encontros tratarão de ativismo e conhecimento livre

Por Letícia Freire

Do Blog coletivo “Outras Palavras”
Como lidar com um mundo que vive crises múltiplas? Para além da discussão, há algo para ser feito, urgentemente? Mais de cem pessoas compareceram nesta última quarta-feira, 24/10, à Matilha Cultural, na região central de São Paulo, para um bate papo informal sobre esses questionamentos com os professores Ricardo Abramovay (professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP) e Ladislau Dowbor (professor titular da pós-graduação em Economia e Administração da PUC-SP). Apesar do nome poético do encontro – “Primaveras – diálogos sobre ativismo, democracia e sustentabilidade” – havia urgência na pauta do evento mediado pela secretária executiva do IDS, Alexandra Reschke.
O mote do primeiro encontro era “Crise e Oportunidade: a dimensão política das crises civilizatórias”. E, como bem ressaltou a editora da revista Página22, Amalia Safatle, uma mudança de consciência, necessária para dar conta dessas múltiplas crises, “leva tempo”. E de tempo não dispomos. Ladislau Dowbor acredita que a reunião de pessoas sintonizadas em torno das mesmas causas acontecem no mundo todo e devem capitanear a transformação da consciência geral. Ricardo Abramovay pensa parecido – e vai além. Cita o ano de 2020 como “cabeça contra rochedo” para todos nós, em especial as corporações. As empresas não podem, e não devem, diz o economista, pensar em planos para depois dessa data.
Com o modelo de desenvolvimento em xeque, até as palavras são desafiadas. Dizer que um empresário brasileiro é “bem-sucedido” pois arranca minérios da terra? “O cara que arranca o pedaço maior tem sucesso? Isso é sucesso?”, questiona Dowbor. O desafio talvez seja acabar com as desigualdades sem pisar no acelerador, reflete Abramovay. Ele explica que a luta contra a pobreza sempre significou para os governos o tal “pisar no acelerador”: implantar mais linhas de ônibus, construir mais estações de metrô, emitir mais CO2. O fazer mais, pontua Abramovay, deve ser contrabalanceado com o menos: menos consumo de comida que causa a obesidade, menos carros poluidores transitando pelas ruas…
Na plateia, muitos se manifestam. As empresas estão fazendo pouco ou muito pela sustentabilidade? Se o agronegócio não é representativo no PIB, por que tem tanta força entre nossos representantes no Legislativo? Será que não podemos esquecer os 2 milhões para a lei de iniciativa popular e tentar vias mais rápidas, por meio de pequenos abaixo-assinados online que peçam, por exemplo, a limitação de mandatos dos políticos? Estamos cansados dos partidos, como podemos criar uma alternativa a eles?
Tanto a ser resolvido e em um tempo curto. Talvez a sintonia entre as pessoas comece a dar conta de parte das questões, concluem Dowbor e Abramovay. “A mudança cultural é lenta”, diz Dowbor. Mas o conhecimento, diferentemente dos bens materiais, circula e não é escasso. Transmitir em rede tudo o que acontece é um ativo importante e alimentar o poder local pode ser uma ferramenta poderosa. A mediadora Alexandra Reschke lembra do ato “Existe Amor em São Paulo”, realizado na praça Roosevelt no último domingo, 21/10. Pessoas de várias gerações, a maioria jovens, ocuparam um território para dizer o que desejam na cidade em que vivem -  e o que não querem. “Elas estavam ali para dividir arte, dividir ideias e se posicionar”, afirma Alexandra.
O evento, uma parceria entre Matilha Cultural, Página22, IDS, Escola de Ativismo e o site Outras Palavras foi transmitido ao vivo pela Casa Fora do Eixo (www.postv.org). Confira a programação abaixo e participe dos próximos!
2º ENCONTRO
Ativismo e Política: Distraídos Venceremos?
Convidado: Pablo Ortellado
13/11 – 3ª feira – 19h
3º ENCONTRO
Alternativas ao Direito Autoral: como garantir o conhecimento livre e a remuneração dos criadores?
Convidado: Sérgio Amadeu
13/12 – 3ª feira – 19h

terça-feira, outubro 30, 2012

O Blog com alma brasiliense!!!



Rubens Gatto é um paulista de Lins que virou brasiliense há 40 anos. Edita um Blog que é diferente de tudo que os blogueiros federais fazem. Trata dos problemas e da alma dos moradores desta cidade/região, sonhada por Dom Bosco e tornada realidade pelo presidente perseguido pela Ditadura Juscelino Kubitscheck, os geniais Lucio Costa e Oscar Niemayer. Morando em Planaltina, de lá avista e aponta os que destroem, vendem e revendem e exploram nossa cidade. Leitura obrigatória para quem ama Brasilia e seus arredores em www.rugatto.zip.net. Não deixem de ler e prestigiar!!!!

UM DIAGNÓSTICO DO BRASIL E SUAS INSTITUIÇÕES!!


RELATÓRIO MÉDICO. PACIENTE: BRASIL


Victor Neiva Mendonça*
Paciente hidratado com fartura por uma infinidade de rios e pelo enorme contato com o oceano, sempre corado porque tropical e muito bem nutrido de tudo que a natureza pode oferecer. Apesar disso, definitivamente, não se apresenta nem lúcido e muito menos orientado. Demonstra sinais de um profundo conflito interno, com sinais de confusão mental e até de automutilação. A parte de sua vestimenta verde possui clarões com manchas de sangue demonstrando que o paciente possivelmente se corta, bem como há discrepâncias notórias entre a apresentação de joias caríssimas e sinais de desnutrição, manifestada no desgaste muscular, além de apresentar pés descalços e mãos calejadas.
Quanto ao histórico clínico, o paciente apresenta sintomas de esquizofrenia, possivelmente originada já em sua concepção, caracterizada por rompantes de duas personalidades bem distintas. Inicialmente relacionada a problemas nutricionais, quando se notabilizou a expressão Belíndia, com uma parte bem alimentada como a Bélgica, e outra faminta como a Índia, o fato é que atribuir à falta de alimentos ou de recursos esta característica é uma estupidez, eis que absolutamente incompatível com a fartura que a Providência lhe proporcionou.
Assim é evidente que a existência de carestia é decorrência de um problema psíquico, e não o problema psíquico derivado da carestia. Há duas personalidades no paciente em claro conflito. A primeira, considerada Dona do Poder por Raimundo Faoro, aristocrática, derivada da corte que aqui chegou, tem sinais inequívocos de psicopatia e alienação mental e só vê as potencialidades brasileiras como matéria prima para reprodução de modelos estrangeiros, inicialmente português e após inglês, francês e hoje norte-americano. A psicopatia se verifica em surtos de agressividade, o que é possivelmente a causa da automutilação.
 A segunda, tolhida dos recursos pela primeira e, portanto pobre, é de doçura, determinação e inteligência raras. Acostumada a tirar leite de pedra, fez no sertão, nos cortiços e na favela uma das mais belas e genuínas culturas do mundo. Como exemplo, temos o samba, o xote, o frevo, por exemplo.
A esquizofrenia passou por dois tratamentos significativos em seu passado. O primeiro bastante duro e agressivo, com revoltas e ditadura, chamada de Estado Novo, possibilitou alguma destinação de recursos para os órgãos mantidos pela segunda personalidade, bem como alguma reconstrução de auto-estima, trazendo um quê de nacionalismo para quem se sentia sempre aquém dos modelos espelho. Apesar disso, teve como efeitos colaterais a restrição ao desenvolvimento cultural, a legitimação de parte da opressão e a radicalização de parte dos órgãos mantidos pela primeira personalidade.
A segunda fase do tratamento foi democrática, com o aprofundamento do desenvolvimento oferecido pela primeira, a constituição de instituições e partidos, além da abertura cultura e de liberdade de expressão que viabilização a sua melhor manutenção a convivência de algum diálogo entre as duas personalidades. O tratamento, em suas duas fases reduziu os sintomas de esquizofrenia e viabilizou o melhor aproveitamento de suas maravilhosas potencialidades.
De fato, iniciado o trabalho dos órgãos da primeira personalidade de maneira mais rústica, até mesmo pela carestia que lhes era inerente, com a melhor distribuição dos recursos, se viu melhor nutrido, e, com o diálogo e a convivência, puderam trocar experiências. Daí surgem os chamados anos dourados e algumas das mais belas e até rebuscadas manifestações culturais que ele pôde produzir, como a Bossa Nova, a arquitetura modernista de Niemeyer e Lúcio Costa dentre outros.
Além disso, do ponto de vista intelectual e político, passou-se à elaboração de projetos de vanguarda de educação, desenvolvimento, erradicação da fome e democratização, bem como à ocupação do sertão em um país que vivia apenas com parte de seus recursos materiais utilizados.
Ocorre que o não tratamento adequado dos efeitos colaterais da primeira fase do tratamento e das inatas características psicopáticas da primeira personalidade, mantendo-os no controle de a maior fonte dos recursos, que é a terra, parte do sistema nervoso (a comunicação), as reservas de gordura e, pior de tudo, o sistema imunológico (os milicos) ocasionou o surto. Se sentiram no Direito de assumir de novo todo o controle do paciente e o levaram a um profundo trauma.
O trauma foi caracterizado por um grave movimento de rotação que, embora não se possa confirmar pela impossibilidade de se proceder à ressonância magnética, indica a existência de lesão axional difusa, principalmente no hemisfério direito do cérebro, responsável pelos movimentos do lado esquerdo e pela rima, ritmo, música, pintura, imaginação, imagens, modelos e harmonias.
Para que os leigos entendam, Lesão Axional Difusa (LAS) é o rompimento da comunicação dos neurônios no cérebro causado por um movimento rotacional abrupto do crânio. É como um mal contato ou a desconexão dos cabos. Em casos muito graves, transforma o paciente em um vegetal, mas em casos menores pode justificar demência, perda de equilíbro (ataxia). É como se a rede fosse desfeita.
A consequência no paciente foi o hiperdimensionamento da outra área para compensar a perda momentânea da outra, o agravamento da agressividade, com a quase paralisação das manifestações culturais e o domínio de todo o corpo pelo viés psicopático.
Como o paciente é muito forte e, parte dele, acostumada a progredir em condições inóspitas, já superou em parte o pior desta característica, mas parece que o lado afetado pela (LAS) também passou a incorporar parte de agressividade, não abandonada pela outra, o que incrementou a disputa pelo corpo entre as duas personalidades, talvez daí as manchas de sangue.
A se manter esta dinâmica a tendência é uma certa paralização do paciente, podendo, de fato, se tornar catatônico perante os fatos do mundo e da realidade, gastando toda a energia que lhe resta nesta batalha interna pelo seu domínio.
O problema é que a instituições e o sistema nervoso, após o trauma, responsáveis pela viabilização do diálogo e da possível superação da esquizofrenia, após o trauma, passaram a sofrer de carência dos componentes de república e democracia para o seu funcionamento. O executivo foi fracionado e tem como alternativa o aparelhamento para se manter. O Legislativo tornou-se fundamentalmente fisiológico e é incapaz de discutir um projeto de nação, eis que os os partidos hoje existentes sequer se propõe a este desafio.
E o pior e o Judiciário, sequer percebeu que o trauma passou e que é hora de mediar conflitos e promover os valores da democracia e dos direitos humanos. Está formado por uma infinidade de corporações que vivem a lógica do “farinha pouca, meu pirão primeiro” e perdem mais a caça de recursos, sem perceber que o seu volume de colesterol já está a entupir suas veias. O paciente como um todo, já está fazendo de tudo para contorna-lo. Cria procedimentos extrajudiciais de resolução e conflitos e descrê que o apelo àquele que deveria ser o seu árbitro levará seus argumentos em consideração, o que agrava a agressividade e a virulência do paciente.
Assim, tem-se como hipótese diagnóstica a esquizofrenia agravada por Lesão Axional Difusa e carência de Justiçol, que tem como componentes os princípios republicano de democrático, além de justiça social. Os originais, não os genéricos ou similares.
Como tratamento, recomenda-se ao paciente o controle do conflito por respeito mútuo, mesmo que às custas de eventual dopagem, bem como o tratamento com Justiçol pelas vias venosa, oral e até em supositório.
Prognóstico: caso seguido à risca o tratamento, o prognóstico é extremamente favorável, tornando o paciente uma grande nação. Caso contrário, pode leva-lo ao suicídio

                                                                       *Victor Neiva Mendonça, advogado militante em Brasilia e cidadão preocupado com os brasileiros e o  futuro da humanidade
(sem registro e em inequívoco exercício irregular da profissão)

domingo, outubro 28, 2012

COMO UM PEQUENO PAÍS ENFRENTOU O NEOLIBERALISMO E RESISTIU AO FRACASSO!!

O referendum islandês e os silêncios da mídia


Por 
Mauro Santayana, na Carta Maior

Os cidadãos da Islândia referendaram, no último dia 20 de outubro, com cerca de 70% dos votos, o texto básico de sua nova Constituição, redigido por 25 delegados, quase todos homens comuns, escolhidos pelo voto direto da população, incluindo a estatização de seus recursos naturais.

 A Islândia é um desses enigmas da História. Situada em uma área aquecida pela Corrente do Golfo, que serpenteia no Atlântico Norte, a ilha, de 103.000 km2, só é ocupada em seu litoral. O interior, de montes elevados, com 200 vulcões em atividade, é inteiramente hostil – mas se trata de uma das mais antigas democracias do mundo, com seu parlamento (Althingi) funcionando há mais de mil anos. Mesmo sob a soberania da Noruega e da Dinamarca, até o fim do século 19, os islandeses sempre mantiveram confortável autonomia em seus assuntos internos.

Em 2003, sob a pressão neoliberal, a Islândia privatizou o seu sistema bancário, até então estatal. Como lhes conviesse, os grandes bancos norte-americanos e ingleses, que já operavam no mercado derivativo, na espiral das subprimes, transformaram Reykjavik em um grande centro financeiro internacional e uma das maiores vítimas do neoliberalismo. Com apenas 320.000 habitantes, a ilha se tornou um cômodo paraíso fiscal para os grandes bancos.

Instituições como o Lehman Brothers usavam o crédito internacional do país a fim de atrair investimentos europeus, sobretudo britânicos. Esse dinheiro era aplicado na ciranda financeira, comandada pelos bancos norte-americanos. A quebra do Lehman Brothers expôs a Islândia que assumiu, assim, dívida superior a dez vezes o seu produto interno bruto. O governo foi obrigado a reestatizar os seus três bancos, cujos executivos foram processados e alguns condenados à prisão.

A fim de fazer frente ao imenso débito, o governo decidiu que cada um dos islandeses – de todas as idades – pagaria 130 euros mensais durante 15 anos. O povo exigiu um referendum e, com 93% dos votos, decidiu não pagar dívida que era responsabilidade do sistema financeiro internacional, a partir de Wall Street e da City de Londres.

A dívida externa do país, construída pela irresponsabilidade dos bancos associados às maiores instituições financeiras mundiais, levou a nação à insolvência e os islandeses ao desespero. A crise se tornou política, com a decisão de seu povo de mudar tudo.

Uma assembléia popular, reunida espontaneamente, decidiu eleger corpo constituinte de 25 cidadãos, que não tivessem qualquer atividade partidária, a fim de redigir a Carta Constitucional do país. Para candidatar-se ao corpo legislativo bastava a indicação de 30 pessoas. Houve 500 candidatos. Os escolhidos ouviram a população adulta, que se manifestou via internet, com sugestões para o texto. O governo encampou a iniciativa e oficializou a comissão, ao submeter o documento ao referendum realizado dia 20.

Ao ser aprovado ontem, por mais de dois terços da população, o texto constitucional deverá ser ratificado pelo Parlamento.

Embora a Islândia seja uma nação pequena, distante da Europa e da América, e com a economia dependente dos mercados externos (exporta peixes, principalmente o bacalhau), seu exemplo pode servir aos outros povos, sufocados pela irracionalidade da ditadura financeira.

Durante estes poucos anos, nos quais os islandeses resistiram contra o acosso dos grandes bancos internacionais, os meios de comunicação internacional fizeram conveniente silêncio sobre o que vem ocorrendo em Reykjavik. É eloqüente sinal de que os islandeses podem estar abrindo caminho a uma pacífica revolução mundial dos povos.

Veja aqui onde e como acessar seus livros prediletos e essenciais!!



Biblioteca digital ao alcance de todos


Carlos Pompe*

Especialistas no assunto afirmam que há seis propósitos fundamentais que levam uma pessoa a ler: compreender uma determinada mensagem, encontrar detalhes importantes, responder a uma pergunta específica, avaliar o que está lendo, aplicar o que está lendo, simplesmente divertir-se. Ron Fry, em Como estudar, cita três tipos de leitura: de referência rápida, para buscar informações específicas; crítica, para discernir ideias e conceitos que requerem uma análise aprofundada; estética ou de lazer, por puro entretenimento ou apreciação do estilo e habilidade de um autor.
Gabriel Zaid lembra, em Livros demais! Sobre ler, escrever e publicar, que os livros copiados à mão em pergaminhos eram um luxo só acessível à aristocracia. A partir do surgimento do livro impresso em papel, os custos reduziram e foi possível a produção de muitos exemplares de um mesmo título. Depois, vieram os livros de bolso, baixando ainda mais o preço. Agora, com a reprodução e a distribuição eletrônicas de textos, mesmo com todas as suas limitações, “diminuem ainda mais o custo da diversidade, que continua a florescer".
Atualmente, é difícil que uma pessoa que goste de ler livros, no Brasil, não tenha acesso à internet, em casa, no trabalho, na escola ou espaços públicos. Porém, ainda pouca gente utiliza-a para formar uma biblioteca. Milhões de livros estão disponibilizados, muitos gratuitamente, à espera de leitores.
O scribd.com, por exemplo, tem mais de 1 milhão de livros, revistas, fotos e imagens para baixar. Só precisa se inscrever (de graça) no alto da página, podendo ser usado um apelido. Quem tem facebook está automaticamente inscrito. Quando o visitante for baixar algo pela primeira vez, o site vai pedir um upload (carregar, pôr algo no site, um artigo, ou livro, ou uma foto qualquer –  neste endereço, http://www.senado.gov.br/publicacoes/revistaSENATUS/asp/Apresentacao.asp, pode ser baixado um exemplar da revista Senatus, que é de domínio público, e ser doada ao scribid.com). Tem um botão azul acima, à direita da página - PUBLICAR. Quando terminar, o site dá a opção de baixar qualquer quantidade de arquivos por 24 horas. Quando o usuário tiver postado mais material (uns 6 ou 10 arquivos), o site deixa de pedir novo upload e fica liberado para baixar qualquer material.
O site mostra as imagens do material a ser baixado, como se o usuário folheasse o livro no seu computador ou Ipad. Clicando no botão laranja escrito download, abrir-se-á uma janelinha com um botão azul escrito Descarregar, que deverá ser clicado. Ao clicar no nome de quem postou determinada obra, sai uma lista de tudo que ele disponibilizou. Existem pastas que tem mais de 500 livros.
Aguns exemplos:
Marxismo e Economia: http://pt.scribd.com/esnuevaeconomia, 69 livros de economia, inclusive Tratado de Economia Marxista (2 tomos, em espanhol) e a edição uruguaia do La Ideologia Alemana, de Marx e Engels.
http://pt.scribd.com/NovaEsquerda/documents?page=1, aqui há obras de referência (dicionários e enciclopédias).
Lenin, Gramsci, Fidel, Che, Trotsky, Lukács e outros estão nos links abaixo:
Livros da área de serviço social:
Há também pastas com livros sobre as mais diversas artes, inclusive partituras e songbooks editados por Almir Chediak.
Como diz o professor Miguel Trujillo Filho, “só sendo mais cultos que os exploradores, poderemos vencê-los. Conhecimento é para ser compartilhado com todos”.
Faça a sua biblioteca digital, boa leitura e compartilhe.
*Carlos Pompe, jornalista, comunista revolucionário, editor do Vermelho/DF e curioso do munndo

sexta-feira, outubro 26, 2012

Waimiri-Atroari, a "nação" indigena que a Ditadura Militar/Civil tentou exterminar!!!




Natasha Pitts
Jornalista da Adital
Publicado  em “Outras  Midias”

Na última quarta-feira, o Comitê da Verdade, Memória e Justiça do Amazonas fez chegar às mãos do Ministério Público Federal (MPF) deste estado brasileiro e à Comissão Nacional da Verdade um relatório que conta detalhadamente as violações de direitos e o massacre sofrido pelo povo indígena Waimiri-Atroari durante a construção da BR-174 (Manaus - Boa Vista) no período da Ditadura Militar.
Egydio Schwade, indigenista e membro do Comitê da Verdade estadual, explica que sua motivação para começar a investigar o que aconteceu com os Waimiri-Atroari se deu porque nunca se falava em desaparecidos políticos indígenas.
"Eu fiquei intrigado porque só se falava dos desaparecidos políticos não indígenas. E os povos indígenas que sofreram genocídio neste período? Então quando a Dilma [Rousseff – presidenta] lançou a Comissão da Verdade Nacional comecei a levantar a questão dos Waimiri-Atroari e fui postando artigos no blog. No 4º artigo fui processado pelo Programa Waimiri-Atroari. Em março, quando a Comissão da Câmara começou a forçar a criação da Comissão da Verdade eles começaram a investigar a questão indígena e me chamaram”, explicou a criação do Comitê, ressaltando que não apenas os Waimiri-Atroari foram dizimados neste período.
O relatório, o primeiro do Comitê da Verdade, Memória e Justiça do Amazonas, conta com mais de 100 documentos anexados e 200 documentos referenciados. A primeira parte faz um levantamento de dados demográficos e mostra como os indígenas foram desaparecendo rapidamente após a penetração do Exército nas terras indígenas Waimiri-Atroari. "Em 1968 eles eram três mil e em 1973 menos de mil. Já em 1983 detectou-se que eles somavam-se apenas 332 pessoas”, contou.
Alguns capítulos são reservados para constatações demográficas e outros para relatos detalhados dos próprios indígenas. Egydio explica que na oportunidade de contar sua história, os indígenas denunciaram bombardeios, uso de metralhadoras, granadas e assassinatos de outros indígenas, sobretudo homens, por eletrocussão.
Também é relatada a verdadeira motivação para a construção da rodovia BR 174, que liga Manaus a Boa Vista e atravessa o território Waimiri-Atroari. O indigenista relata que a intenção era chegar a minas e fontes de energia. Como os indígenas foram contrários à obra, se converteram em empecilho e consequentemente foram sendo rapidamente eliminados. O documento também analisa o método de pacificação da Fundação Nacional do Índio (Funai) à época, considerado repressivo.
"Nós queremos apenas que se mude a história de relacionamento da sociedade com este povo. Hoje, segue a mesma política de ocultamento dos povos indígenas e de sua história de luta e resistência. Queremos que este povo seja ouvido e que seja protegida e garantida a posse de suas terras e territórios daqui para o futuro. Queremos que eles possam sentir que a sociedade não é contra eles”, manifestou Egydio Schwade.
Esta denúncia foi apenas a primeira. O Comitê da Verdade do Amazonas já está trabalhando na investigação de dois casos de não indígenas amazonenses mortos no período da ditadura militar, e no genocídio de outros povos indígenas como os Cinta Larga e os Piriutiti.