domingo, dezembro 09, 2012

Luiz Gonzaga, pé na estrada


Senado homenageia o Rei do Baião
Foto- Waldemir Barreto/Agência Senado


Carlos Pompe*
No dia 3, o Senado realizou sessão comemorativa do centenário do cantor, compositor e músico Luiz Gonzaga, por proposta do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE). Participaram da homenagem o sanfoneiro Chambinho do Acordeon, que faz o papel de Luiz Gonzaga no filme a ele dedicado; cantor João Cláudio Moreno, do Piauí, e o cantor cearense Fagner (na foto, com os senadores Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), Cristovam Buarque (PDT-DF) e Inácio Arruda, que fez o pronunciamento sobre a vida e obra de Gonzagão, que reproduzo a seguir:
Estamos aqui, neste Senado da República, hoje, para homenagear um rei. Rei de primeira grandeza da arte que a nossa nação produz, Luiz Gonzaga do Nascimento, o Rei do Baião, esse que é o principal gênero da música popular brasileira, depois do samba.
Setembro passou, com oitubro e novembro
Já tamo em dezembro.
Meu Deus, que é de nós?
Assim fala o pobre do seco Nordeste,
Com medo da peste,
Da fome feroz.
Assim cantou Luiz Gonzaga a música do cearense Patativa do Assaré, contando a todo o Brasil a saga dos nordestinos fugindo da seca que tantos sacrifícios nos impõe – seca que vivemos agora também, neste dezembro do centenário do Gonzagão, a maior seca dos últimos quarenta anos! A seca terrível, que tudo devora.  A voz forte de Gonzaga ainda ecoa, dirigindo-se para as autoridades, para denunciar o descaso, a burocracia que seguram e impedem a velocidade na ajuda ao povo do Nordeste. O centenário ocorre diante de mais uma tragédia, fruto da ação da natureza para a qual o homem, com toda a ciência, ainda não achou uma solução. Estamos buscando criar, neste início do século XXI, possibilidades maiores de enfrentar a seca, em especial com a interligação das nossas bacias fluviais, mas muito ainda padece a nossa região. Muitos são os nordestinos que saem de sua terra,
E assim vão dexando, com choro e gemido,
Do berço querido
O céu lindo e azu.
Os pai, pesaroso, nos fio pensando,
E o carro rodando
Na estrada do Su.
Procuram um futuro melhor, buscando trabalho e êxito, como fez Gonzaga na primeira metade do século passado.
Um brasileiro de origem humilde. Sua mãe trabalhava na roça e era feirante; seu pai, agricultor e sanfoneiro de 8 baixos. Foi o segundo filho de Januário dos Santos e de Ana Batista de Jesus. Veio ao mundo na fazenda da Caiçara, em 13 de dezembro de 1912. Mas não teve “Januário dos Santos” como sobrenome, como seus oito irmãos e irmãs. Por sugestão do padre, foi batizado Luiz, porque nasceu no dia de Santa Luzia; Gonzaga, por causa do nome de são Luiz Gonzaga; Nascimento, porque dezembro é o mês do nascimento de Jesus. Ainda menino, começou a acompanhar o pai nos bailes. Com 14 anos comprou sua primeira sanfona de 8 baixos e passou a tocar sozinho.
Em 1930, com 17 anos, fugiu de casa, após uma surra que levou da mãe porque tomou umas cachaças para ter coragem de enfrentar o pai da namorada, que não queria o relacionamento de um sanfoneiro com a filha. Exu, sua cidade, é pernambucana, mas os exuenses são tradicionalmente muito mais vinculados ao Ceará, que fica bem mais próximo. Foi para o Crato, vendeu a sanfona e embarcou num cargueiro para Fortaleza, onde pretendia sentar praça. Mesmo menor de idade, ingressou no Exército e serviu no 23º Batalhão de Caçadores. Eis como contou essa passagem de sua vida à autora de Vida do viajante: a saga de Luiz Gonzaga, Dominique Dreyfus:
Quando eu me apresentei ao sargento, ele perguntou quantos anos eu tinha, e eu respondi 21 anos, que era a idade aceitável. Com isso, o Exército se ajeitava, e dava até certidão. Eu era taludinho, trabalhava na enxada, então ele acreditou... Eu menti porque se desse minha idade, não ingressava. (...) Eu me alistei em julho. Início de agosto, já estava no mundo, na Paraíba, defendendo uma fronteira. Eu, recruta analfabeto, sem jeito para nada, no meio dessa revolução!
O país vivia a chamada Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas.
No Exército, onde permaneceu por nove anos, melhorou sua alfabetização precária e viajou em missões para o Piauí, Rio de Janeiro, Minas, Mato Grosso e, durante a guerra do Chaco, conheceu a polca paraguaia. Passou no concurso de corneteiro do Exército, em 1933, e foi elevado a tambor-corneteiro de 1ª classe em janeiro de 1933, ganhando o apelido de Bico de Aço. Foi quando aprendeu algumas noções de harmonia. Era disciplinado e dedicado, porém também cometeu seus deslizes. Por exemplo, cumpriu pena de quatro dias de detenção por ter estragado duas baquetas de tambor da banda.
Aprendeu, durante o serviço militar, a tocar violão. Depois, aprendeu a tocar sanfona de 48 baixos. Comprou uma sanfona de 80 baixos pagando prestações adiantadas a uma loja em São Paulo e quando foi buscá-la descobriu que era um logro – havia sido roubado. Mas conseguiu, com o dinheiro que carregava, comprar uma outra, abaixo do custo. Ao retornar a Minas, cumpriu mais quatro dias de prisão por ter se ausentado do quartel, em Ouro Fino, sem autorização.
 Em 1939 deixou o Exército e rumou para o Rio de Janeiro, de onde embarcaria de volta para Pernambuco. Enquanto esperava o navio, começou a tocar nas ruas do Mangue, área dos prostíbulos do Rio de então, a troco de moedas numa latinha. O dinheiro foi bom, ele desistiu de voltar. Logo foi chamado para tocar dentro dos bares, onde a gorjeta era segura, a cerveja grátis e estava protegido da chuva. Gonzaga tentou adaptar-se aos costumes, músicas e sotaques do Rio, mas um dia um grupo de estudantes cearenses, de quem ficou amigo, pediu-lhe para cantar músicas do Sertão nordestino. Atendeu ao pedido e tocou, pela primeira vez para o público de um bar no Rio, as músicas que tocava em sua terra natal:
“Parecia que o bar ia pegar fogo. O bar tinha lotado, gente na porta, na rua, tentando ver o que estava acontecendo no bar. Aí peguei o pires. Na terceira mesa estava cheio. Aí eu gritei: ‘Me dá um prato!’ Daqui há pouco o prato estava cheio. Aí pedi uma bandeja. E pensei: agora a coisa vai”, relembrou.
Foi assim que, no programa Calouros em Desfile, de Ary Barroso, na Rádio Cruzeiro do Sul, onde se apresentava com frequência, ele saiu da nota 3, que sempre recebia ao cantar valsas e tangos, e alcançou a nota 5 – a máxima! –, ganhou 150 mil réis de prêmio e a admiração do Ary e do radialista, cantor e compositor Almirante, que assistiu sua apresentação. Pouco depois, conheceu Zé do Norte (Alfredo Ricardo do Nascimento, autor de Mulher Rendeira), que o contratou para o programa A Hora Sertaneja, da rádio Transmissora, atual rádio Globo.
Sua primeira gravação foi como sanfoneiro de Genésio Arruda e Januário França na canção A viagem de Genésio, em 5 de março de 1941. Sua participação impressionou os diretores da gravadora. Nove dias depois, gravou seus primeiros discos: Véspera de São João e Numa Serenata; e Vira e Mexe e Saudades de São João Del-Rei.
“Quando eu comecei a cantar minhas músicas nos cabarés, nos dancings, o povo achou graça. E quem vende graça, ganha dinheiro”.
Em 1945 venceu a resistência da gravadora e pode, finalmente, cantar num disco. Gravou a mazurca Dança Mariquinha, dele com seu primeiro parceiro, Miguel Lima. Era seu vigésimo quinto disco. Nesse ano, em 22 de setembro, nasceu Gonzaguinha, filho de sua companheira de então, Odaléia Guedes. Nesse período, Luiz Gonzaga, querendo um parceiro nordestino, procurou o músico cearense Lauro Maia, que lhe apresentou o primo, também cearense, de Iguatu, Humberto Teixeira:
“Eu queria cantar o Nordeste. Eu tinha a música, tinha o tema. O que eu não sabia era continuar. Eu precisava de um poeta que saberia escrever aquilo que eu tinha na cabeça, de um homem culto pra me ensinar as coisas que eu não sabia. Eu sempre fui um bom ouvidor. Cheguei até a enganar que era culto! (...) No primeiro encontro com Humberto, em dez minutos já havíamos escrito a letra de No meu pé de serra. (...) Essa letra dizia a saudade que eu sentia do Nordeste. E tanto eu quanto Humberto ficamos emocionados quando terminamos a peça. Sentimos que tinha começado um caminho. E eu senti que estava nas mãos do autor que eu sempre sonhara”.
A segunda parceria dos dois fez história: Baião, lançado em outubro de 1946. A terceira foi Asa Branca, lançada em 1947.
Segundo Dominique Dreyfus, “O termo ‘baião’, sinônimo de rojão, já existia, designando na linguagem dos repentistas nordestinos o pequeno trecho musical tocado pela viola, que permite ao violeiro testar a afinação do instrumento e esperar a inspiração, assim como introduz o verso do cantador ou pontua o final de cada estrofe. No repente ou no desafio, cuja forma de cantar é recitativa e monocórdia, o ‘baião’ é a única sequência rítmica e melódica.
“O grande estalo de Luiz Gonzaga foi de perceber a riqueza desse trechinho musical, de sentir que ele carregava em si a alma nordestina, e foi saber, através da sanfona cromática, engrandecer, enriquecer, dar volume a esse rojão melodicamente tão rudimentar.”
Em 1946, a toada Olá seu generá, de Gonzaga com Jeová Portella, foi censurada. Ela dizia:
Ai seu generá, Feijão cum cove que talento pode dar? Cadê a banha pra panela refogá? Cadê açúcar por café açucará? Cadê o lombo, cadê carne de jabá? Que quarqué dia as coisas tem que melhorá. Que sem comida ninguém pode trabaiá. Seu generá Feijão cum cove que talento pode dar?
Na época, presidia o Brasil o general Eurico Gaspar Dutra, e a música só foi liberada depois que os autores mudaram o nome para Feijão cum Cove e o refrão para Aí o que será?...
Nesse período, voltou a Araripe, com saudade da família, após quase 17 anos de ausência. Foi recebido com alegria e orgulho pelo povo, como contou Marisa Alencar, sua colega de infância: “Ele não tinha esquecido nada daqui. Continuava usando o vocabulário daqui, valorizando as coisas daqui, que antigamente ninguém dava valor. Porque quem saía daqui para adquirir condição melhor tinha até vergonha de dizer que era nordestino. Gonzaga não, ele fala das coisas daqui, da rede onde se dorme, da comida que se come, e com o linguajar daqui!”.  
Aproveitou a visita para dar seu primeiro show na região onde nasceu e o destinou para arrecadar dinheiro para recuperar o Hospital São Francisco, do Crato, que estava em ruínas. Uma característica que permaneceria até o fim de sua vida: a ajuda aos necessitados, a solidariedade com o povo sofrido.
Em 1947, adotou o chapéu de couro, inspirado no acordeonista do Rio Grande do Sul, Pedro Raimundo, que usava bombacha, botas, chapéu gaúcho, guaiaca e chicote. Mas seu chapéu foi proibido na rádio Nacional, onde ele e Pedro Raimundo tinham contrato. A rádio, no entanto, aceitara a indumentária do artista gaúcho, sem problemas... mas suas apresentações fora da rádio sempre eram com o chapéu nordestino. Em 1953, adotou o gibão de couro, a cartucheira, a sandália e um chapéu maior, mais parecido com o de Lampião.
Embora sem militância partidária, Gonzaga participava das campanhas dos políticos com que simpatizava, fazendo apresentações gratuitas nos comícios e também jingles.
“Eu sempre tive uma vocação para estar ao lado dos governos eleitos”, afirmou, explicando seu ponto de vista: “Quem chega com ambulância, remédio, quem dá emprego, ajuda, quem faz barragem? São os governos, nunca foi a oposição”. Com Humberto Teixeira, compôs a música para a campanha a governador de José Américo: Paraíba – o escritor não ganhou, mas a música se eternizou, com o célebre refrão: “Paraíba masculina Mulher macho sim senhor”.
Em 1950, começou a parceria com Zé Dantas – de quem havia gravado Vem Morena um ano antes. Esta música, só do Zé, ele colocou como parceria a pedido do autor, que não queria que o pai soubesse que andava compondo e lhe suspendesse a mesada. Foi seu segundo maior parceiro, que trouxe para suas canções sentimento ainda mais nordestino.
A partir dos anos 50, formou banda própria, com instrumentos usados no Nordeste: sanfona, zabumba, triângulo. Antes era acompanhado por pandeiro, bandolim, cavaquinho, violão – a formação de acompanhamento do choro e do samba. O trio instrumental de sua banda passou a ser adotado por todos os grupos do gênero nordestino.
Luiz Gonzaga mudou o curso da história da música do Brasil. Segundo José Lins do Rego, ele trouxe “o sentimento melódico das extensões sertanejas, das léguas tiranas, das asas brancas, do gemer dos aboios. As tristezas dos violeiros se passaram para sua sanfona. (...) O que nos prende ao cantar de Gonzaga é o que nos arrebata em Noel, é a simplicidade da melodia, é a doce música que ele introduz nas palavras, a magia dos instrumentos, a candura de alma tranquila que se derrama nas canções”.
Ele foi também o precursor das canções de protesto que surgiram nos anos 1960, com Vozes da Seca, parceria feita com Zé Dantas em 1953 – “Mas doutor uma esmola para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão”. Mas esta não é a característica principal de suas músicas. Elas abordam, principalmente, crônicas sobre o Nordeste, sua cultura, sua sociedade, seus modos de vida, sua fala:
 “Eu ia contando as coisas tristes do meu povo, que demanda do Nordeste pro Sul e pro Centro-Sul em busca de melhores dias, de trabalho. Porque lá chove no período exato, lá se sabe o que são as estações. No Nordeste, as intempéries do tempo são todas erradas. Quando é pra chover não chove, então o povo vai procurar trabalho no Sul e o Nordeste vai se despovoando... Então, minha música representa a luta, o sofrimento, o sacrifício de meu povo. Eu denuncio, critico os governos, mas com certo cuidado, para não me envolver com aqueles que gostam de incentivar a violência”.
A partir do final dos anos 50, Gonzaga deixou de frequentar os noticiários e programas das rádios, jornais e revistas das capitais, mas continuou juntando de 5 mil a 10 mil pessoas nas praças do interior. Percorreu o país todo. Ia de carro, caminhonete, avião, barco. Cantava nas praças, coretos, circos, quartéis, auditórios das rádios, nos cinemas, na carroceria de caminhão. Para garantir essas apresentações, promovia cachaça, café, fumo, vinho, sabonetes, lojas locais. Com isso, não cobrava ingresso quando a cidade era muito pobre. “Eu chegava na cidade do interior com meus discos, cantava na praça pública, vendia meu peixe. Foi sempre no Nordeste que eu me arrumei”, disse.
No início dos anos 1960, Gonzaga “saiu de moda”, com a ascensão da Bossa Nova e, depois, da Jovem Guarda. Mas sempre pontuava no repertório de vários artistas que então surgiam. Talentos que despontaram nos anos 1960 e eram meninos ou adolescentes nos anos 1950, cresceram ouvindo, gostando e aprendendo a tocar sanfona por causa do filho de Januário, como Gilberto Gil, na Bahia, ou Milton Nascimento, em Minas. Em 1965, Geraldo Vandré gravou Asa Branca no seu disco Hora de lutar; em retribuição, Gonzaga gravou, em 1968, Caminhando, de Vandré. Neste mesmo ano, Gilberto Gil afirmou que “O primeiro fenômeno musical que deixou lastro muito grande em mim foi Luiz Gonzaga ... a primeira grande coisa significativa do ponto de vista da cultura de massa no Brasil”.
Ocorreu, então, algo inusitado. O jornalista e radialista Carlos Imperial espalhou o boato de que os Beatles iriam gravar Asa Branca.
“Todo mundo correu em cima. Chama pra programa, paga cachê e não sei o quê, gravei programa, ganhei dinheiro e Carlos Imperial na maior gozação do mundo”, divertiu-se o rei do baião. Os Beatles não gravaram, mas o grego Demis Roussos gravou White Wings, a versão inglesa da canção sertaneja, nos anos 1970.
A relação de Gonzaga com o Ceará e do Ceará com Gonzaga vai além, muito além das parcerias ou gravações com artistas da terra. Aliás, Luiz Gonzaga é cearense: recebeu o título de cidadão de meu Estado em 1975. Assim como tantos de nós, o Fagner ficou encantado com sua música. O primeiro show que ele viu, quando criança, foi Luiz Gonzaga numa praça em Fortaleza:  “Isso me marcou profundamente. A vida toda, ele foi e continua sendo um incentivo, um exemplo, um espelho pra minha geração”. No seu segundo LP, Fagner fez grande sucesso com a regravação de Riacho do Navio.
Em 1971, no exílio, Caetano fez sua versão de A Volta da Asa Branca, que Luiz Gonzaga ouviu no Ceará:
“Um dia, em Fortaleza, estou passando em frente a uma loja de discos e o vendedor me chamou:
- Oh! Seu Luiz, o senhor já ouviu a Asa Branca cantada por Caetano Veloso?
- Não ouvi ainda não.
- Quer ouvir?
- Agorinha! – e entrei na loja. Ele me deu a capa enquanto colocava o disco na vitrola. Essa capa, com uma fotografia dele com aquele casaco de inverno, expressava tanta tristeza, mas tanta tristeza, que meus olhos se encheram de lágrimas. Quando tocou o disco, aí eu chorei por dentro de mim. Mas quando ele fez aquela gemedeira do cantador sertanejo, aí eu não aguentei, chorei feio! Foi uma das maiores emoções que eu tive na vida.”
Gonzaga nunca teve parada. Em 1977 se tornou verbete da Enciclopédia Universal Britânica, com foto em cores. Em 1980, apresentou-se para o papa, durante a primeira visita de João Paulo II ao Brasil. Em 1982, fez seu primeiro show em Paris e para lá voltaria em 1986. Em 1984 recebeu seu primeiro Disco de Ouro (100 mil cópias vendidas) pelo LP Eterno Cantador e depois recebeu outro, pelo LP Danado de Bom. Em 1984, recebeu o Prêmio Shell, que antes havia sido concedido apenas a Pixinguinha, Dorival Caymmi e Tom Jobim. Em 1985 recebeu uma homenagem internacional de sua gravadora, a RCA, o Nipper de Ouro, e dois Discos de Ouro por Sanfoneiro Macho. Seu próximo LP, Forró de Cabo a Rabo, de 1986, recebeu dois Discos de Ouro e seu primeiro de Platina (250 mil cópias vendidas).
O Rei do Baião ajudou e promoveu inúmeros músicos, como Dominguinhos, que conheceu em 1954 em Garanhuns. Dominguinhos se apresentava com os irmãos numa feira para ganhar uns trocados. O garoto, com seus 14, 15 anos, tocava uma 8 baixos. Gonzaga prometeu-lhe uma sanfona melhor. Apoiou Jackson do Pandeiro, coroou Carmélia Costa a rainha do baião e Marinês a rainha do xaxado. “Quem tem talento não tem medo de perder. Eu botei um mundo de artistas cantando na minha linha e que é que deu? Reforcei as minhas criações e saí lucrando até hoje”, afirmou.
Generoso e solidário com os humildes, como maçom favoreceu Exu e outras cidades com seu trabalho. Com o lucro do livro O Sanfoneiro do Riacho da Brígida, Vida e Andanças de Luiz Gonzaga, que ditou a Sinval Sá, publicado em 1966, construiu uma escolinha no Araripe e pagou o salário da professora durante quatro anos. Com o padre João Câncio, organizou, a Missa do Vaqueiro, em 1970, o que serviu para organizar esses trabalhadores em defesa de seus interesses. Arregimentou Fagner, Gilberto Gil, João do Vale, João Bosco, Sivuca, Chico Buarque para fazer show para socorrer as vítimas da seca que arrasou o Nordeste de 1979 a 1984 e criou a Fundação Vovô Januário com o mesmo objetivo. Participou do show do Primeiro de Maio de 1984, promovido pelo Centro Brasil Democrático, em favor dos sindicatos de trabalhadores.
Como escreve Dominique Dreyfus, “Luiz Gonzaga fazia parte da categoria  ‘gênio’’ e, portanto, tinha todas as características que cabem aos gênios: era sensível, sonhador, encantador, sedutor, inteligente, engraçadíssimo, generoso, mas também violento, autoritário, instável, imprevisível, impaciente, cheio de contradições. E também terrivelmente só, sofrido, ‘incompreendido’”.
Luiz Gonzaga casou com Helena das Neves Cavalcanti em 1948. Em 1987, assumiu publicamente o relacionamento que tinha há 12 anos com Edelzuita Rabelo. Morreu em 2 de agosto de 1989, de parada cardiorrespiratória, quando estava hospitalizado devido a um câncer na próstata e metástase nos ossos. O cordelista José João dos Santos, Azulão, registrou:
Foi Luiz Lua Gonzaga
Que o Brasil todo se ufana
Dele nascer no Nordeste
Na gleba pernambucana
O filho de Januário
E dona Maria Santana.
...
Adeus a Luiz Gonzaga
Zeloso, amigo e irmão
Uma estrelha que brilho
Levou depois seu clarão
Agora descança em paz
O grande Rei do Baião

 *Carlos Pompe é jornalista, comunista, editor do Vermelho/DF e da direção regional do PCdoB/DF e curioso  do Mundo

domingo, dezembro 02, 2012

Homenagem e reverencia a "Sergião". Homem e comunista por completo!!!


Sérgio Miranda: viva lenda e realidade

Dor muito forte é aquela que chega ou permanece depois, às vezes no dia seguinte ou dias depois da pancada — alguns costumam dizer. Zó, o Sérgio Miranda de Matos Brito, nos deixou na madrugada de um dia que as pessoas costumam enfrentar meio desanimadas, às vezes detestando até o crepúsculo do domingo — a fatídica véspera.
Foi uma noticia e uma sequencia de cenas inimagináveis que marcaram nossa segunda-feira, 26 de novembro de 2012, eu me vendo num avião rumo ao encontro da dor.
Uma noticia que o distanciamento do tempo, depois de tudo, ao invés de atenuar, somente reproduz e multiplica a inconformidade e impacto. É quando “cai a ficha”: não encontraremos mais o Zó, nem “marcando o ponto” ou ao sabor do acaso. Aquele sorriso maroto, largo, aberto, divertido, nas piores e nas melhores situações, e o mesmo começo de conversa: “E aí?” As perguntas mais curiosas para se situar e o jeito desprendido de enfrentar as tensões, os braços largados ao longo do torso.
Não vai dar mais para vê-lo descortinar seus amplos e exaustivos exames da conjuntura, da estratégia e da tática, da necessidade de seguir sempre além dos limites, de lançar o olhar mais largo ao horizonte, de ampliar radicalizando e radicalizar ampliando, da linha ampla e flexível a serviço do povo, dos trabalhadores, da classe operária, da necessidade de assimilar a unidade na diversidade, de oferecer o bom combate ao reformismo e à acomodação, de nunca aceitar a injustiça, de praticar a indomável rebeldia com aquela insofismável naturalidade dos justos.
Nem vai dar mais para ouvi-lo a contar prosaicas histórias da vida e da luta para todas as idades e gerações, de brincar com as crianças como se fosse seu próprio mundo, ou encantar os adultos com a “Lenda do boi do Maranhão”, aos mais castos ou formais; ou as poesias fesceninas do proscênio barroco “boca do inferno”, Gregório de Mattos Guerra, somente aos mais afeitos à arte ou afoitos nas estripulias da vida, as gozações sempre prontas para aproximar as pessoas e o permanente cuidado em não ferir, os porres homéricos nos quais versejando a gente pegava o sol com a mão em inocentes farras, em diversos momentos a bordo de um bugre, no pós-ditadura...
Mesmo quem não conhecia sua intimidade, podia perceber sua dimensão nas atitudes. Assisti, noutra longa madrugada, “cobrindo” como repórter do jornal Movimento, ao seu julgamento, à revelia, em 1977, numa auditoria militar. Foi condenado pelos fascistas a três anos de prisão mas (sonoras gargalhadas) nunca conseguiram colocar as mãos nele. Na clandestinidade, familiares nossos o acoitavam da perseguição política impressionados com seu faro para sentir a proximidade da repressão.
Tudo isso vivi depois que o Zé Auri, chegando de Paris, nos rearticulou, naqueles novos capítulos da luta, na segunda metade dos anos 1970. Pois em tudo isso somente agora, cada vez mais embargado, posso escrever algumas primeiras linhas e somente quando Zó, muito vivo na memória, segura a mão do amigo fiel. Como se guiasse o batuque dos dedos no teclado, tão marcante sua presença, sua amizade, sua ressonância no conteúdo da vivência e da política, de sua capacidade teórica e política, de sua firmeza ideológica, do dirigente responsável e estimulante da ação inteligente, criativa e revolucionária.
Nas lembranças e nas incontidas lágrimas que pranteiam um amigo e um camarada com destacado lugar no panteão dos inigualáveis.
Zó, de decênios de militância e de uma década de clandestinidade, também na condição de parlamentar, honrou e orgulhou o Brasil sem perder a marcante simplicidade e o afeto dos que o conheceram e reconheceram. Um grande brasileiro de atitude única, sincero e adversário antagônico da hipocrisia.    
Agora Zó estava irreconhecível, ali estirado, muito magro e sem aquele astral do gigante de feições generosas e rosto vivaz. E quem via, sentenciava: “não é ele!”, “ele nunca foi assim”. E foi sua presença viva que mais uma vez entrou em choque aberto pela existência, a favor da vida.
Naquela noite da tão reprovada, por vezes detestada segunda-feira, naquele trânsito incessante de muitas gerações, nos diálogos funestos, mas também nas conversas animadas sobre um roteiro marcante de incontáveis e inesquecíveis episódios, uma longa e dolorida madrugada movimentou o Salão Nobre da Câmara dos Deputados. Mais uma vez estava ali Sérgio Miranda de Matos Brito, agregando muitos que há muito não se viam, alguns há décadas, outros que não esperavam mais se ver ou que nem se imaginavam, entre si, subsistir.
Ali deitado, Zó contagiou mais uma vez a inquietude que parecia agitar até o espelho d’água com suas inesgotáveis histórias. Reunidas, todas fariam uma enciclopédia de muitos contos, poemas, livros, mas sobretudo um uníssono e apreciado exemplo da mais elevada saga humana.
Muitos de nós talvez, tantos quantos foram seus amigos e camaradas, escreveremos como se guiasse o batuque dos nossos dedos sobre o teclado, tão marcante foi sua presença, sua afeição, sua ressonância no conteúdo e na essência deste épico pranto. De um modo e não de outro Zó permanece nessas vidas, em nossas vidas, na perseguição à utopia dos comuns que leva adiante os seus e os sonhos de todos que animam e reanimam a capacidade de sonhar e agir.
Sérgio Miranda, presente!

Luiz Carlos Antero

Por um mundo no qual sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres (Rosa Luxemburgo)
Pergunta sempre a cada ideia: a quem serves? (Bertolt Brecht)
Apenas quando somos instruídos pela realidade é que podemos mudá-la (idem)
A luz do sol é o melhor dos desinfetantes (atribuída ao juiz norte-americano Louis Brandeis [1856 - 1841]) 



quinta-feira, novembro 29, 2012





Hildegard Angel em seu Blog, www.hildegardangel.com.br

Publicado em 28 de novembro de 2012


O poder pode derivar de muitas forças. Jânio Quadros, ao abrir mão do poder maior da República ou supostamente o maior poder, referiu-se às “forças ocultas”. Até hoje não sabemos quais foram elas.
Hoje, porém, sabemos quais forças estiveram por trás do golpe militar de 1964. E a quem quiser se aprofundar recomendo o vídeo O dia que durou 21 anos que explica tudo em detalhes, sem deixar dúvida sobre dúvida.
A República repousa sobre três poderes: Executivo, Legislativo, Judiciário. Há também o quarto poder, que muitos julgam até ser o primeiro de fato, que é o da Mídia. Por todos os seus méritos, nada define melhor a grande mídia no país do que as Organizações Globo, concentradora de vários segmentos das comunicações, abrangendo as mídias impressa, televisionada, internet, radiofonia etc. É um poder excepcional.
No universo das comunicaçoes, aí compreendendo imprensa, música, cinema, televisão, teatro, internet, literatura, podemos mesmo dizer que há dois brasis. Aquele que está na Globo e o que não está na Globo. Este último é o Brasil dos profissionais de segunda classe, os de menor cotação no mercado.
Recentemente, um articulista do sistema “global” comparou quem não escreve na mídia impressa a sambista de segundo grupo. O poder lhe permite isso.
O quarto poder permite tudo. Permite toda a forma de arrogância. Uma prepotência embriagadora, etílica. Atitudes soberbas. Como a que levou, não faz muito tempo, um conhecido autor de novela a, num concorrido evento literário, destratar aos gritos um estimado crítico de cinema por discordar de apenas uma frase de um artigo a seu respeito.
Nesse porre de poder, as pessoas perdem completamente o senso da realidade, do ridículo, da humanidade, da ética, da compostura.
Também em outras atividades, esse desvario sobe à testa. Está muito em pauta na atualidade discutir-se as transmissões do canal da TV Justiça. Não são atores que as protagonizam. Não são personagens de ficção. São pessoas reais. Um Poder que deveria me trazer conforto e confiança, porém, me perturba, aflige. Me assusta.
E eu que pensei que não viveria novamente, neste país, cenários de silêncio amedrontado…
O último medo emblemático que guardo na memória foi o da atriz Dina Sfat, ao participar, em 1981, como entrevistadora do programa Canal Livre tendo o general Dilermando Monteiro na berlinda. Ela se manteve muda todo o tempo. Quando lhe pediram ao final que fizesse uma pergunta ao general,Dina disse apenas: “Eu tenho medo dos militares”. A frase de Dina virouHistória.
Caros leitores, tenho, agora, como jornalista, reportadora de fatos, observadora dos momentos brasileiros e vítima de alguns deles, a triste missão de lhes informar que o meu medo voltou. E desta vez o medo que sinto não é dos militares…
Dina Sfat tinha medo. E eu tenho uma má notícia para lhes dar: o medo de que falava Dina Sfat voltou!


quarta-feira, novembro 28, 2012

Só Revolução resolve crises do capitalismo!!



Por: Manuel Castells -

Culturas econômicas alternativas teriam sido reforçadas pela crise. Mas sociólogo adverte: sistema não entrará em colapso por si mesmo
Entrevista a Paul Mason | Tradução: Gabriela Leite | Imagem: Binho Ribeiro

O professor Manuel Castells é um dos sociólogos mais citados no mundo. Em 1990, quando os mais tecnologicamente integrados de nós ainda lutavam para conseguir conectar seus modens, o acadêmico espanhol já documentava o surgimento da Sociedade em Rede e estudava a interação entre o uso da internet, a contracultura, movimentos de protesto urbanos e a identidade pessoal.
Paul Mason, editor de notícias econômicas da rádio BBC, entrevistou o professor Castells na London School of Economics (Escola de Economia de Londres) sobre seu último livro, “Aftermath: The Cultures of Economic Crisis” (“Resultado: as Culturas da Crise Econômica”), ainda sem tradução para português.
Castells sugere que talvez estejamos prestes a ver o surgimento de um novo tipo de economia. Os novos estilos de viver dão sentido à existência, mas a mudança tem também um segundo motor: consumidores que não têm dinheiro para consumir.
São práticas econômicas não motivadas pelo lucro, tais como o escambo, as moedas sociais, as cooperativas, as redes de agricultura e de ajuda mútua, com serviços gratuitos – tudo isso já existe e está se expandindo ao redor do mundo, diz ele. Se as instituições políticas vão se abrir para as mudanças que acontecem na sociedade – é cedo para saber. Seguem trechos da conversa.

O que é surgimento de novas culturas econômicas?

Quando menciono essa Cultura Econômica Alternativa, é uma combinação de duas coisas. Várias pessoas têm feito isso já há algum tempo, porque não concordam com a falta de sentido em suas vidas. Agora, há algo mais — é a legião de consumidores que não podem consumir. Como não consomem — por não terem dinheiro, nem crédito, nem nada — tentam dar sentido a suas vidas fazendo alguma coisa diferente. Portanto, é por causa das necessidades e valores — as duas coisas juntas — que isso está se expandindo.

Você escreveu que as economias são culturais. Pode falar mais sobre isso?
Se queremos trabalhar para ganhar dinheiro, para consumir, é porque acreditamos que comprando um carro novo ou uma nova televisão, ou um apartamento melhor, seremos mais felizes. Isso é uma forma de cultura. As pessoas estão revertendo essa noção. Pelo contrário: o que é importante em suas vidas não pode ser comprado, na maioria dos casos. Mas elas não têm mais escolha porque já foram capturadas pelo sistema. O que acontece quando a máquina não funciona mais? As pessoas dizem “bem, eu sou mesmo burro. Estou o tempo todo correndo atrás de coisa nenhuma”.
Qual a importância dessa mudança cultural?
É fundamental, porque desencadeia uma crise de confiança nos dois maiores poderes do mundo: o sistema político e o financeiro. As pessoas não confiam mais no lugar onde depositam seu dinheiro, e não acreditam mais naqueles a quem delegam seu voto. É uma crise dramática de confiança – e se não há confiança, não há sociedade. O que nós não vamos ver é o colapso econômico 
per se, porque as sociedades não conseguem existir em um vácuo social. Se as instituições econômicas e financeiras não funcionam, as relações de poder produzem transformações favoráveis ao sistema financeiro, de forma que ele não entre em colapso. As pessoas é que entram em colapso em seu lugar.

A ideia é que os bancos vão ficar bem, nós não. Aí está a mudança cultural. E grande: uma completa descrença nas instituições políticas e financeiras. Algumas pessoas já começam a viver de modo diferente, conforme conseguem – ou porque desejam outras formas de vida, ou porque não têm escolha. Estou me referindo ao que observei em um dos meus últimos estudos sobre pessoas que decidiram não esperar pela revolução para começar a viver de outra maneira – o que resulta na expansão do que eu chamo de “práticas não-capitalistas”.

São práticas econômicas, mas que não são motivadas pelo lucro – redes de escambo, moedas sociais, cooperativas, autogestão, redes de agricultura, ajuda mútua, simplesmente pela vontade de estar junto, redes de serviços gratuitos para os outros, na expectativa de que outros também proverão você. Tudo isso existe e está se expandindo ao redor do mundo.

Na Catalunha, 97% das pessoas que você pesquisou estavam engajadas em atividades econômicas não-capitalistas.
Bem, estão entre 30-40 mil os que são engajados quase completamente em modos alternativos de vida. Eu distinguo pessoas que organizam a vida conscientemente através de valores alternativos de pessoas que têm vida normal, mas que têm costumes que podem ser vistos como diferentes, em muitos aspectos. Por exemplo, durante a crise, um terço das famílias de Barcelona emprestaram dinheiro, sem juros, para pessoas que não são de sua família.
O que é a Sociedade em Rede?
É uma sociedade em que as atividades principais nas quais as pessoas estão engajadas são organizadas fundamentalmente em rede, ao invés de em estruturas verticais. O que faz a diferença são as tecnologias de rede. Uma coisa é estar constantemente interagindo com pessoas na velocidade da luz, outra é simplesmente ter uma rede de amigos e pessoas. Existe todo tipo de rede, mas a conexão entre todas elas – sejam os mercados financeiros, a política, a cultura, a mídia, as comunicações etc –, é nova por causa das tecnologias digitais.

Então, nós vivemos numa Sociedade em Rede. Podemos deixar de viver nela?
Podemos regredir a uma sociedade pré-eletricidade? Seria a mesma coisa. Não, não podemos. Apesar de agora muitas pessoas estarem dizendo “por que não começamos de novo?” É um grande movimento, conhecido como “decrescimento”. Algumas pessoas querem tentar novas formas de organização comunitária etc.

No entanto, o interessante é que, para as pessoas se organizarem e debaterem e se mobilizarem pelo decrescimento e o comunitarismo, elas têm que usar a internet. Não vivemos numa cultura de realidade virtual, mas de real virtualidade, porque nossa virtualidade – significando as redes da internet – é parte fundamental da nossa realidade. Todos os estudos mostram que as pessoas que são mais sociáveis na internet são também mais sociáveis pessoalmente.

Existem diversos grupos que hoje protestam sobre o assunto A, amanhã sobre o assunto B, e à noite jogam World of Warcraft (jogo RPG online de aventura). Mas será que eles vão conseguir o que Castro e Guevara conquistaram?
O impacto nas instituições políticas é quase insignificante, porque elas são hoje impermeáveis a mudanças. Mas, se você olhar para o que está acontecendo em termos de consciência… há coisas que não existiam três anos, como o grande debate sobre a desigualdade social.

Em termos práticos, o sistema é muito mais forte do que os movimentos nascentes… você atinge a mente das pessoas por um processo de comunicação, e esse processo, hoje, acontece fundamentalmente pela internet e pelo debate. É um processo longo, que vai das mentes das pessoas às instituições da sociedade. Vamos usar um exemplo histórico: a partir do fim do século XIX, na Europa, existiam basicamente os Conservadores e os Liberais, direita e esquerda. Mas então alguma coisa aconteceu – a industrialização, os movimentos da classe trabalhadora, novas ideologias. Nada disso estava no sistema político. Depois de vinte ou trinta anos, vieram os socialistas e depois a divisão dos socialistas… e os liberais basicamente desapareceram. Isso mudará a política, mas não por meio de ações políticas organizadas da mesma maneira. Por quê? Porque as redes não necessitam de organizações hierárquicas.

Onde isso vai dar?
Tudo isso não vai virar uma grande coalizão eleitoral, não vai virar nenhum novo partido, nenhum novo coisa nenhuma. É simplesmente a sociedade contra o Estado e as instituições financeiras – mas não contra o capitalismo, aliás, contra instituições financeiras, o que é diferente.

Com esse clima, acontece que nossas sociedades se tornarão cada vez mais ingovernáveis e, em consequência, poderá ocorrer todo tipo de fenômeno – alguns muito perigosos. Veremos muitas expressões de formas alternativas de política, que escaparão das correntes principais de instituições políticas tradicionais. E algumas, é claro, voltando ao passado e tentando construir uma comunidade primitiva e nacionalista para atacar todos os outros movimentos e, finalmente, conseguir ter uma sociedade excluída do mundo, que oprime seu próprio povo.

Mas acontece que, em qualquer processo de mudança social desorganizada e caótica, todos esses fenômenos coexistem. E o modo como atuam uns contra os outros vai depender, em última análise, de as instituições políticas abrirem suficientemente seus canais de participação para a energia de mudança que existe na sociedade. Então talvez elas possam superar a resistência das forças reacionárias que também estão presentes em todas as sociedades.


sexta-feira, novembro 23, 2012

Artigo de Carlos Pompe relaciona "julgamento do mensalão" com Luiz Fernando Verissimo, Shakespeare e Julio Cesar!!


Verissimo, Shakespeare e o STF
Marlon Brando interpreta o discurso de Marco Antonio diante do cadáver de Julio Cesar!!!  Uma das mais belas cenas do  cinema!


A inovação jurídica do “domínio funcional do fato” usada à revelia de provas factuais no mais badalado processo jurídico em curso no Superior Tribunal Federal (STF) vem causando espanto a quantos acompanham a vida nacional desejando democratização crescente. Luis Fernando Verissimo recorreu a Shakespeare para tentar entender o que se passa no excelso tribunal.
No início de novembro, quando perguntado se sentia desencanto com a política, inclusive com os escândalos atribuídos ao governo Lula, Verissimo respondeu: “Acho que há muito o que criticar no governo Lula, mas a oposição ao PT no poder tem sido tão preconceituosa e desonesta que é preciso cuidar para não ser cúmplice da reação. Quanto às condenações pelo escândalo do mensalão, acho que só se pode dizer dos juízes do Supremo o que disse o Marco Antonio sobre os assassinos de Cesar, na peça do Shakespeare, sem sua ironia: que são todos homens honrados. Acreditar que foram condicionados pelo clima político ou pela imprensa é desacreditar em tudo o mais e cair num vácuo moral. Prefiro a condenação do PT ao vácuo. Mas não deixa de ser estranha a indiferença às origens da prática do mensalão, para favorecer o PSDB em Minas e na compra de votos para reeleger o Fernando Henrique”.
A referência do grande escritor brasileiro ao grande escritor inglês foi mais do que adequada – inclusive sua ressalva sobre a ironia do bardo (estaria sendo irônico?). Na peça Júlio César, um grupo de conspiradores convence Bruto de que César está para tornar-se ditador e que matá-lo é a única forma de impedir esse intento que lhe é atribuído. São apresentados muitos argumentos, mas nenhum fato concreto. Num solilóquio, Bruto chega a admitir que não há provas de que César, renegando toda a sua história, “tornar-se-á um tirano irracional e opressor”, como escreveu Harold Bloom (Shakespeare: a invenção do humano). Eis um trecho da fala de Bruto:
“Para ser franco com relação a César, nunca soube que as paixões ou a razão nele tivessem qualquer preponderância. Mas é coisa sabida em demasia que a humildade para a ambição nascente é boa escada. Quem ascende por ela, olha-a de frente; mas, uma vez chegado bem no cimo, volta-lhe o dorso, e as nuvens, só, contempla, desprezando os degraus por que subira. César assim fará. Antes que o faça, será bom prevenir. E, como a luta não poderá alegar o que ele é agora, argumentemos que se a sua essência vier a ser aumentada, é bem possível que incorra em tais e tais extremidades. Consideremo-lo ovo de serpente que, chocado, por sua natureza, se tornará nocivo. Assim, matemo-lo, enquanto está na casca.”
Como destaca Bloom, “‘argumentemos’ quer dizer inventar uma ficção e, em seguida, considerá-la viável”. E assim, a partir do que hoje poderia ser chamado de “teoria do domínio do fato”, Bruto e seus sequazes julgaram e apunhalam César, não pelo que fez, mas por ser “possível que incorra em tais e tais extremidades”...
Realmente, Verissimo, que no momento em que escrevo se encontra hospitalizado em estado grave, foi feliz (mais uma vez), ao lembrar, com ou sem ironia, os juízes e assassinos de César ao referir-se aos julgadores da ação penal 470 (mensalão).  Assim encerra o pronunciamento de Marco Antônio aludido por Verissimo: “Bons amigos, queridos amigos, não quero estimular a revolta de vocês. Aqueles que praticaram este ato são honrados. Quais queixas e interesses particulares os levaram a fazer o que fizeram, não sei. Mas são sábios e honrados e tenho certeza que apresentarão a vocês as suas razões. Eu não vim para roubar seus corações. Eu não sou um bom orador como Bruto. Sou um homem simples e direto, que amo os meus amigos”.
Desejemos que o novo presidente do STF não volte o dorso para a sua humildade de origem e que não contemple apenas as nuvens, desprezando os degraus que subira. Que não caiamos num vácuo moral, amém.
A íntegra da fala de Marco Antônio sobre a morte de César na peça de Shakespeare, considerado por Umberto Eco, com as catilinárias de Cícero, um dos discursos mais marcantes da história, pode ser lida aqui:
Se preferir o prazer de ler a íntegra de Júlio César, a peça está em domínio público, cedida pelo tradutor Nélson Jahr Garcia, em arquivo .PDF, aqui:


Sinopse do filme roteirizado e dirigido pelo grande cineasta Joseph L. Mankiewicz
Em Roma, (exatamente nos idos de março de 44 A.C., como tinha sido previsto) César (Louis Calhern) é assassinado, pois os senadores alegam que sua ambição o transformaria em um tirano. Mas Marco Antonio (Marlon Brando) consegue, em um inflamado discurso, reverter a situação e os conspiradores são obrigados a fugir. A partir de então dois exércitos são formados, um comandado por Marco Antonio e Otávio (Douglass Watson) e o outro por Cássio (John Gielgud) e Brutus (James Mason), sendo que este segundo exército é numericamente inferior, mas os conspiradores preferem cometer suicídio a serem capturados.

quinta-feira, novembro 22, 2012

A justificação bíblica do racismo


Noé amaldiçoa Canaã, filho de Cam
O doutor em genética humana Sérgio Pena, no artigo Desinventando as raças, contido no livro Charles Darwin em um futuro não tão distante (Instituto Sangari) considera que a “cristalização do conceito de raças e a emergência do racismo coincidiram historicamente com dois fenômenos: o início do tráfico de escravos da África para a América e o abandono da então tradicional interpretação religiosa da natureza em favor de interpretações científicas”.
No caso do cristianismo, seita dominante nos países que traficavam escravos, foi mudada a ênfase na origem da humanidade a partir de Adão e Eva e enfatizada a descendência dos humanos a partir de três filhos de Noé: Cam, Sem e Jafé. Cam, que flagrou o pai bêbado e nu, foi condenado por Noé a ter toda a sua descendência tornada escrava – e os descendentes de Cam, a partir de Canaã, seriam os negros africanos. Já os judeus se consideram descendentes de Sem e com esse pressuposto os sionistas justificam a matança de palestinos por Israel, como tristemente assistimos nestes dias. Mas voltemos ao “mundo cristão”. O que fazer com os africanos – e, depois, os nativos do Novo Continente – convertidos ao cristianismo? Pena prossegue: “Postulou-se que os escravos convertidos podiam ser mantidos em servidão porque, apesar de cristãos, eram descendentes de ateus”.
Os avanços da ciência a partir do XVIII acabaram reforçando o critério racial que evoluiu dos princípios bíblicos. Até hoje muitos argumentos e classificações adotados por cientistas do passado repetem classificações racistas entre os seres humanos, embora os avanços da genética molecular e o sequenciamento do genoma humano tenham desautorizado qualquer significado biológico para distinguir “raças” entre os Homo Sapiens Sapiens, como nos denominamos na atualidade.
Contudo as “raças” continuam a existir como construções sociais. Em Trabalho assalariado e capital, Marx escreveu: ““Um negro é um negro... Porém sob determinadas condições se converte em escravo. Uma máquina de fiar algodão é uma máquina de fiar algodão. Terão que ocorrer condições especiais para que se converta em capital”. As condições para um negro se converter em escravo mudaram mas, assim como a escravidão converteu-se em escravidão assalariada, no Brasil, o último país a abolir a escravidão, o negro foi convertido no assalariado pior remunerado...
Em São Paulo, a mulher negra chega a ganhar 47,8% do rendimento do homem não negro por hora. No Distrito Federal, a proporção é de 49,5%. Em Salvador, Recife, Porto Alegre, Fortaleza e Belo Horizonte, o homem não negro ganha quase 50% a mais do que as mulheres negras. Os dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) sobre as regiões metropolitanas, com base na pesquisa de emprego e desemprego (PED) de 2011, reafirmam a frase da canção de John Lennon, que diz que a mulher é o negro do mundo, devidamente completada com a constatação de que, se além de mulher, for negra, a situação piora.
Há alguns anos, foi realizada a campanha “Onde você guarda o seu racismo?”, que incentivava a não guardá-lo, mas jogá-lo fora. A campanha passou, mas o racismo continua, como demonstram os fatos do dia-a-dia, incluindo a discriminação de gênero evidenciada nos salários de homens e mulheres, brancos e negros.

terça-feira, novembro 20, 2012

ONDA DE VIOLÊNCIA ORIGINARIA EM SÃO PAULO SE ESPALHA POR OUTROS ESTADOS!!


Chame o Bandido


JAIME SAUTCHUK*

A onda de ações criminosas -- matança de policiais, de cidadãos comuns e queima de ônibus – demonstra em primeiro lugar que o crime organizado está muito mais organizado do que se imagina, em todo o país. O revide de policiais, matando bandidos, apenas revela fragilidade e sequer trisca no comando da bandidagem.

Fica mais que evidente, em primeiro lugar, que os criminosos estão mais avançados que a polícia em tecnologia. Basta ver as armas que usam e, principalmente, o emprego das telecomunicações. Afinal, falam com quem bem quiserem onde quer que estejam, a partir de bases localizadas até dentro de presídios de segurança máxima.

Do lado de fora, estão interlocutores de todas as graduações. Há desde parceiros de comando em suas organizações até o Zé-mané, em geral drogado que mata para pagar dívidas e que, caso morra, não lhes fará a mínima diferença. E pior: a teia não está apenas nas capitais, pois se emaranha país afora, em cidades de todo porte.

Esse não é um problema de hoje, já é histórico. A diferença está no tipo de ações. E a polícia, por seu lado, demonstra fragilidade mais que conhecida. Começa pela existência de várias polícias – Civil,  Militar e Federal -- que não se comunicam entre elas, a ponto de a toda hora baterem cabeças em campo, em tarefas idênticas.

Pela Constituição de 88, nos estados, as funções de cada uma deveriam ficar bem definidas em leis específicas, que nunca foram criadas. A investigação e a inteligência em geral deveriam ficar com a Civil. À Militar caberia a atividade prática de contato com as comunidades, detenções e garantia da ordem pública.

A Federal tem atribuições mais bem definidas, como conter o crime de dimensão nacional, controlar as fronteiras internacionais e por aí vai. Mas, mesmo assim, volta e meia também se depara com a sobreposição de atividades.

As polícias militares de todos os estados têm seu próprio serviço de inteligência, que faz de tudo, inclusive investigação, o que vai muito além de vigiar a própria corporação e seus membros.

Aliás, o controle interno não impede que, muitas vezes, o policial de qualquer agremiação aja de modo a ser confundido com bandidos, desvio que, pelas estatísticas, tem diminuído ano a ano, mas ainda é marcante. O mesmo ocorre com o abuso de poder, que vai desde o carteiraço até o tiro letal e silencioso.

A chance desses deslizes ocorrerem decresce de modo acentuado quando há movimentos organizados de integração com o cidadão, como ocorre nas Unidades Pacificadoras, no Rio de Janeiro. Por mais abrangente que sejam, porém, ainda são experiências isoladas.

A integração das polícias esbarra em problemas de toda ordem, inclusive salarial. Só a Federal tem um plano de carreira definido e unificado nacionalmente. Com as outras, esse aspecto é confuso e tem visíveis discrepâncias de estado para estado.

A Civil ganha mais que a Militar em todos os estados e no Distrito Federal. A única explicação apresentada por quem de direito é a diferença de nível de escolaridade exigido. Mas, a rigor, os trabalhos são os mesmos, só que um ganha três vezes mais que o outro, em vários estados.

Sem falar que na própria Civil, a dos salários melhores no plano estadual, há diferenças brutais de estado para estado. O DF e os ex-territórios federais (Amapá, Roraima, Tocantins e Rondônia) têm salários bem superiores aos demais, como herança do passado, um incentivo que virou regra.

Um policial civil do DF, por exemplo, atravessa uma rua e encontra um colega de Goiás, que ganha menos da metade que ele. Assim, não conseguem atuar conjuntamente numa vasta área de fronteira entre as duas unidades da federação, que virou “terra de ninguém”.

De qualquer modo, ambos estão em greve no momento, por plano de carreira e, claro, melhores salários. O mesmo ocorre nas polícias militares. E não há movimentos claros para assegurar parâmetros nacionais, em termos salariais.

Quando qualquer uma dessas instituições prende alguém, vai se deparar com um problema ainda maior, que é a Justiça. Pelo que se vê na imprensa e nos laudos oficiais, a maioria dos bandidos que são presos diariamente já tem mais de uma passagem pela polícia e pela justiça. E estão nas ruas por quê?

Por que algum juiz soltou. Só vai para a cadeia, mesmo, ladrão de galinha. É disso que os presídios estão cheios. É a esmagadora maioria dos 540 mil presos que temos hoje, para um sistema carcerário que, em condições minimamente decentes, abrigaria no máximo 300 mil.

Há alguns anos, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) mandou averiguar quem são os hóspedes de nossos presídios, grupos de trabalho formados em conjunto com o Ministério Público e a OAB ficaram boquiabertos. Nos presídios femininos, então, a maioria cumpre penas por delitos que mal mereceriam alguma punição alternativa, como trabalhos sociais por curto tempo.

Sem falar em casos e mais casos de gente com pena já cumprida, mas sem condições de mover a burocracia para cair fora. Num vapt-vupt, esses grupos do Supremo puseram em liberdade mais de 30 mil presos. Mas o projeto parou. Ninguém sabe, ninguém viu.

O mesmo juiz ou juíza que aplica penas severas a essa gente põe em liberdade, na maior sem-cerimônia, perigosos assaltantes de bancos, com crimes de homicídio e muito mais. Se rola uma graninha por fora ou não nem sempre é fácil de comprovar, mas os fatos são evidentes e mais do que recorrentes.

Além do mais, em muitas comunidades, inclusive pequenas cidades, junto aos grandes centros ou bem remotas, o juiz faz parte de uma espécie de conluio, que envolve as polícias, advogados, servidores públicos, religiosos e a bandidagem. Fazem ali uma espécie de armistício, um pacto de boa vizinhança, um jogo da cabra-cega em que reina plena paz (!).

Mas, ali, acontece de tudo. A Amazônia é só um exemplo. Tem grilagem de terras, trabalho escravo, extração ilegal de pedras preciosas e ouro, tráfico de drogas e recursos genéticos, desvio de dinheiro público, comércio de seres humanos e o que mais vier à imaginação.

Se o cidadão de bem precisar de ajuda, que fale com qualquer um desses donos do poder. Ou fique bem quietinho.

 *Jaime è jornalista, coordenador do Cebrapaz no Distrito Federal, ambientalista e curioso do Mundo







quarta-feira, novembro 14, 2012

"Justiça" a serviço das classes dominantes!!


Nota do Deputado Edinho Silva:

ZÉ, A PENA NÃO Ē PARA VOCÊ



Zé, quando me filiei ao PT em 85, aos 20 anos, vindo da Igreja, e a minha maior inspiração para ser um petista foi o Lula, notei, já no primeiro Encontro Estadual que participei - 
se não me engano em 86 - que naquele Partido tinha um dirigente que suas posições polarizavam debates, disputavam os rumos, mobiliavam a militância. Ali nascia uma grande admiração. Mesmo quando eu discordava das suas posições eu ficava por dias pensando e tentando entender os seus movimentos políticos.


Companheiro e amigo Zé Dirceu, você inspirou a mim e a minha geração dentro do PT. Você doou a sua vida por uma causa e ela foi vitoriosa. O nosso projeto está sendo implantado e colocado em prática, os sonhos que moveram militantes por décadas, que levaram muitos a entregarem suas vidas acreditando na luta que estavam travando. Você representa esse esforço em construir as condições para que o Brasil, de fato, caminhasse na busca de um "novo tempo", esse esforço que uniu gerações, vivências e experiências. Você representa tudo isso, por esse motivo acumula tanto respeito e a sua imagem é indestrutível no seio da militância.


Zé ontem foi um dia muito difícil para mim. Quando vi pela internet a sua pena, eu, confesso, fiquei transtornado. Não conseguia organizar meus pensamentos... tampouco meus sentimentos. Nada disso tem coerência, não há lógica. Onde está a materialidade? Cadê a presunção de inocência? Onde foi parar o Estado de Direito? E a pergunta não se calou: quem de fato está recebendo essa pena?

Não tenho dúvidas que essa pena não é sua, não é do Genoíno...


Mesmo com todos os possíveis erros que cometemos - e qual o partido político que não cometeu nas regras eleitorais que aí estão? - o braço que desce sobre você não é para você. A sentença que foi ontem anunciada, definitivamente, não é para você. E não vou aqui entrar no debate jurídico que já congestionou nossa audição e razão nos últimos meses. Zé, só há uma razão para tamanho ódio, nós vencemos.


Eu sei que a partir de hoje começa uma nova fase na sua vida. É difícil para mim conceber, imagino para você. Acredite na sua história, ela te trouxe até aqui, ela te fez lutar por sonhos, superar dores, criar o PT, fazer desse Partido um instrumento capaz de juntar forças e eleger o primeiro operário presidente da República, a primeira mulher presidenta. A sua história se mistura com a história de tantas lideranças latinas que olham para o Brasil com a esperança que esse país lidere um continente na busca de uma "nova ordem mundial".


É essa história que vai te dar forças para os novos desafios. É inegável que uma parte dos enfrentamentos colocados é individual. Mas, o grande embate é coletivo, é de projeto.


Tenho certeza que a síntese histórica não é essa que está estampada na imprensa. A defesa da sua biografia é a defesa do nosso projeto, é a defesa das nossas vitórias.


É redundância dizer, mas conte sempre comigo.


Abraço. Edinho.

Tratamento de "rei"!!


Este é o Hotel San Marco, em Brasilia! 

Divino mesmo!
Estou morando no Hotel San Marco, aqui no Setor Hoteleiro Sul de Brasilia, há uns 8 meses. Já havia morado por mais de dois anos aqui há uns 6 anos atrás. O tratamento é dos melhores e se aprimora a cada dia.  Divino Silva, o gerente é de uma atenção e fidalguia para com os moradores e hóspedes, que não se encontra em hotel ou Flat do Mundo( e eu conheço porque já morei fora). Divino e sua equipe, como o advogado Roque, o pessoal da recepção como Gilson, Bruno e outros, os mensageiros como Getulio e seus colegas, mais as arrumadeiras como Elisa, Deusi, Adriana e suas  colegas, são de uma gentileza e prestatividade ímpares. 

Assim como o pessoal do Restaurante como Amorim, o barmen Delfino e os garçons começando por Neto, José e demais, sabem tratar e atender um hóspede e morador com inigualável satisfação. Os cozinheiros que fazem a deliciosa feijoada de sabado e os saborosos pratos do dia a dia. E como não falar do pessoal da governança, dos maitrês, dos ajudantes, dos rapazes da manutenção, pesssoal que faz o hotel funcionar e termos conforto e segurança Enfim, esta equipe capitaneada por Divino Silva é para se tirar o chapéu e propagandear mesmo. Até  porque morar ou se hospedar no San Marco é como estar em casa, com  conforto, comodidade e carinho. Parabens a todos!!

domingo, novembro 11, 2012

ARTISTAS REVOLUCIONARIOS DE TODO MUNDO APOIARAM ALN E MARIGHELLA!!!


Jean-Luc Godard financiou guerrilha de Marighella

Jean-Luc Godard (cineasta francês), Glauber Rocha (diretor de cinema), Jean-Paul Sartre (filósofo francês),
Luchino Visconti (cineasta italiano) e Augusto Boal (dramaturgo): apoio direto à guerrilha de Carlos Marighella


Artigo de Euler de França Belem
O baiano Carlos Marighella financiou a guerrilha contra a ditadura civil-militar, no fim da década de 1960, com dinheiro basicamente de assaltos a bancos e empresas. O líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), que se intitulava “terrorista”, também recebeu dinheiro de Cuba (que bancou o treinamento militar dos guerrilheiros), da Coreia do Norte (200 mil dólares atualizados) e de artistas e intelectuais do Brasil e de outros países.

No Brasil, Marighella teve no diretor de cinema Glauber Rocha uma permanente fonte de apoio. Em 1967, revela o jornalista Mário Magalhães, no livro “Marighella — O Guerrilheiro Que Incendiou o Mundo” (Companhia das Letras, 732 páginas), o cineasta baiano enviou “uma carta a Alfredo Gue­vara, chefe do instituto cinematográfico cubano. Pretendia dirigir ‘uma fita radical violenta, divulgando abertamente (e justificando) a criação de diferentes Vietnãs’”. Não deu pé, mas a história foi adaptada em “Terra em Transe”.

Em Roma, Glauber tornou-se “colaborador” da ALN. “Jean-Luc Godard filmava ‘O Vento do Leste’, Glauber falou com ele, e o francês destinou verbas da produção para a ALN.” Irrequieto, o cineasta baiano idealizou “um longa-metragem com a atriz Norma Benguell segurando fo­tos de Marighella e pelada na cordilheira dos Andes. Não seria mera representação, caso o projeto não tivesse sido abortado. A musa do Cinema Novo apoiava a ALN, da qual se considerava simpatizante, e escondia militantes. Por conta de declarações contra a ditadura, sequestraram-na e a levaram para a PE”.

Em 1970, outro cineasta, o italiano Luchino Visconti, que estava filmando “Morte em Veneza” (baseado na novela de Thomas Mann, escritor alemão filho de uma brasileira), “doou dinheiro aos marighellistas. Já se incorporara à” ALN “seu compatriota Gianni Amico, corroteirista de ‘Antes da Revolução’, película de Bernardo Bertolucci, e ‘Leão de Sete Ca­beças’, de Glauber Rocha, outro baiano vinculado à ALN”.

Jean-Paul Sartre iniciou a publicação de textos de Marighe­lla na Europa, “em 1969, na revista ‘Les Temps Modernes’”. A “linguagem direta” dos textos, traduzidos para o francês pela guerrilheira brasileira Ana Corbisier, agradou o autor de “O Ser e o Na­da”. Ao frade Oswaldo Re­zen­de e ao advogado Aloysio Nunes Fer­reira Filho (hoje tucano), ambos da ALN, o fi­lósofo francês disse “que contassem com ele”.

Mário Magalhães conta que “o pintor catalão Joan Miró doou para a ALN esboços que renderam mais de 3 mil dólares. No Bra­­sil, a italiana Lina Bo Bardi, autora do projeto arquitetônico do Museu de Arte de São Paulo, foi anfitriã de Marighella em sua Ca­sa de Vidro paulistana”. Nessa casa, Marighella dialogou com o capitão Carlos Lamarca.

O dramaturgo e encenador Augusto Boal, amigo de Marighella e do segundo homem da ALN, Joaquim Câmara Ferreira, co­laborou com a guerrilha. Chegou a ceder sua casa para reuniões de Câmara Ferreira.

sexta-feira, novembro 09, 2012

Amazonas e Grabois!!


Imperdível!! Hoje(sexta-feira) as 15 horas, no Plenário Ulisses Guimarães, da Câmara dos Deputados, em Brasilia. sessão de homenagens aos 100 anos de nascimento de dois heróis da história moderna do Brasil e dos povos oprimidos de todo Mundo. João Amazonas e Mauricio  Grabois. Convido amigos, camaradas, simpatizantes da causa socialista, democratas e defensores do bem estar da humanidade a comparecerem e levar outras pessoas. È um ato de cidadania e defesa da democracia!! Vamos lá!!!