sexta-feira, março 11, 2011

Noan Chomsky fala sobre a crise no Oriente Médio e a politica americana!!!!


Gerra civil na Libia atinge o povo!!


Chomsky: EUA estão seguindo seu velho manual no Egito

Em entrevista a Amy Goodman, do Democracy Now, o linguista e professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Noam Chomsky, analisa o desenrolar dos protestos no Egito e o comportamento do governo dos Estados Unidos diante deles. Na sua avaliação, o governo Obama está seguindo o manual tradicional de Washington nestas situações.

Nas últimas semanas, os levantes populares ocorridos no mundo árabe provocaram a destituição do ditador Zine El Abidine Bem Ali, o iminente fim do regime do presidente egípcio Hosni Mubarak, a nomeação de um novo governo na Jordânia e a promessa do ditador de tantos anos do Iêmen de abandonar o cargo ao final de seu mandato

Noam Chomsky fala nesta entrevista sobre o que isso significa para o futuro do Oriente Médio e da política externa dos EUA na região. Indagado sobre os recentes comentários do presidente Obama sobre Mubarak, Chomsky disse: “Obama foi muito cuidadoso para não dizer nada; está fazendo o que os líderes estadunidenses fazem habitualmente quando um de seus ditadores favoritos têm problemas, tentam apoiá-lo até o final. Se a situação chega a um ponto insustentável, mudam de lado”. Veja abaixo a entrevista completa.

Democracy Now: Qual é sua análise sobre o que está acontecendo e como pode repercutir no Oriente Médio?
Noam Chomsky: Em primeiro lugar, o que está ocorrendo é espetacular. A coragem, a determinação e o compromisso dos manifestantes merecem destaque, E, aconteça o que aconteça, estes são momentos que não serão esquecidos e que seguramente terão consequências a posteriori: constrangeram a polícia, tomaram a praça Tahrir e permaneceram ali apesar dos grupos mafiosos de Mubarak.

O governo organizou esses bandos para tratar de expulsar os manifestantes ou para gerar uma situação na qual o exército pode dizer que teve que intervir para restaurar a ordem e depois, talvez, instaurar algum governo militar. É muito difícil prever o que vai acontecer.

Os Estados Unidos estão seguindo seu manual habitual. Não é a primeira vez que um ditador “próximo” perde o controle ou está em risco de perdê-lo. Há uma rotina padrão nestes casos: seguir apoiando o tempo que for possível e se ele se tornar insustentável – especialmente se o exército mudar de lado – dar um giro de 180 graus e dizer que sempre estiveram do lado do povo, apagar o passado e depois fazer todas as manobras necessárias para restaurar o velho sistema, mas com um novo nome.

Presumo que é isso que está ocorrendo agora. Estão vendo se Mubarak pode ficar. Se não aguentar, colocarão em prática o manual.

Democracy Now: Qual sua opinião sobre o apelo de Obama para que se inicie a transição no Egito?
Noam Chomsky: Curiosamente, Obama não disse nada. Mubarak também estaria de acordo com a necessidade de haver uma transição ordenada. Um novo gabinete, alguns arranjos menores na ordem constitucional, isso não é nada. Está fazendo o que os líderes norteamericanos geralmente fazem.

Os Estados Unidos têm um poder constrangedor neste caso. O Egito é o segundo país que mais recebe ajuda militar e econômica de Washington. Israel é o primeiro. O mesmo Obama já se mostrou muito favorável a Mubarak. No famoso discurso do Cairo, o presidente estadunidense disse: “Mubarak é um bom homem. Ele fez coisas boas. Manteve a estabilidade. Seguiremos o apoiando porque é um amigo”.

Mubarak é um dos ditadores mais brutais do mundo. Não sei como, depois disso, alguém pode seguir levando a sério os comentários de Obama sobre os direitos humanos. Mas o apoio tem sido muito grande. Os aviões que estão sobrevoando a praça Tahrir são, certamente, estadunidenses.

Os EUA representam o principal sustentáculo do regime egípcio. Não é como na Tunísia, onde o principal apoio era da França. Os EUA são os principais culpados no Egito, junto com Israel e a Arábia Saudita. Foram estes países que prestaram apoio ao regime de Mubarak. De fato, os israelenses estavam furiosos porque Obama não sustentou mais firmemente seu amigo Mubarak.

Democracy Now: O que significam todas essas revoltas no mundo árabe?
Noam Chomsky: Este é o levante regional mais surpreendente do qual tenho memória. Às vezes fazem comparações com o que ocorreu no leste europeu, mas não é comparável. Ninguém sabe quais serão as consequências desses levantes.

Os problemas pelos quais os manifestantes protestam vem de longa data e não serão resolvidos facilmente. Há uma grande pobreza, repressão, falta de democracia e também de desenvolvimento. O Egito e outros países da região recém passaram pelo período neoliberal, que trouxe crescimento nos papéis junto com as consequências habituais: uma alta concentração da riqueza e dos privilégios, um empobrecimento e uma paralisia da maioria da população. E isso não se muda facilmente.

Democracy Now: Você crê que há alguma relação direta entre esses levantes e os vazamentos de Wikileaks?
Noam Chomsky: Na verdade, a questão é que Wikileaks não nos disse nada novo. Nos deu a confirmação para nossas razoáveis conjecturas.

Democracy Now: O que acontecerá com a Jordânia?
Noam Chomsky: Na Jordânia, recém mudaram o primeiro ministro. Ele foi substituído por um ex-general que parece ser moderadamente popular, ou ao menos não é tão odiado pela população. Mas essencialmente não mudou nada.

Fonte: Carta Maior
Tradução: Katarina Peixoto

domingo, março 06, 2011

DUPLA HOMENAGEM: AO CORINTHIANS E A PENAPOLIS!!!!



Sabrina Sato desfila pela Gaviões da Fiel no Sambódromo de São Paulo. PENAPOLENSE LEGITIMA E CORINTHIANA! De Carnaval este Blog está completo!!!!

sexta-feira, março 04, 2011

Como é Carnaval mesmo, curta esta cronica imperdivel!



Bar ruim é lindo

Por Antonio Prata.

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso frequento bares meio ruins.
Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinquenta anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de cento e cinquenta anos, mas tudo bem).

No bar ruim que ando frequentando ultimamente o proletariado atende por Betão - é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar "amigos" do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.

- Ô Betão, traz mais uma pra gente - eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte dessa coisa linda que é o Brasil.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gâteau e não tem frango à passarinho ou carne-de-sol com macaxeira, que são os pratos tradicionais da nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gâteau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, gostamos do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne-de-sol, uma lágrima imediatamente desponta em nossos olhos, meio de canto, meio escondida. Quando um de nós, meio intelectual, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda, frequenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.

O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo frequentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto frequentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas. Aí a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que frequentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevette e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.

Os donos dos bares ruins que a gente frequenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantêm o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam cinquenta por cento o preço de tudo. (Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato). Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se dão mal, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão Brasil, tão raiz.

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda em nosso país. A cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelos Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gâteau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda que, como eu, por questões ideológicas, preferem frango à passarinho e carne-de-sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca, mas é como se diz lá no Nordeste, e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o Nordeste é muito mais autêntico que o Sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é bem mais assim Câmara Cascudo, saca?.

- Ô Betão, vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

(Texto integrante do volume As Cem Melhores Crônicas Brasileiras,organizado por Joaquim Ferreira dos Santos.)

sábado, fevereiro 26, 2011

Aqui duas visões progressistas sobre a crise na Libia

Workers World: A Líbia e o imperialismo

De todas as lutas que agora decorrem no Norte de África e no Médio Oriente, a mais difícil de deslindar é aquela na Líbia. Qual é o caráter da oposição ao regime Kadafi, a qual consta que agora controla a cidade de Bengazi, no Leste do país?
Será apenas coincidência que a rebelião tenha começado em Bengazi, a qual é a norte dos mais ricos campos petrolíferos da Líbia bem como próxima da maior parte dos seus oleodutos e gasodutos, refinarias e o seu porto de gás natural liquefeito (GNL)? Haverá um plano de partição do país?

Qual é o risco de intervenção militar imperialista, a qual apresenta grave perigo para o povo de toda a região?

A Líbia não é como o Egito. Seu líder, Muamar el-Kadafi, não tem sido um fantoche imperialista como Hosni Mubarak. Durante muitos anos, Kadafi esteve aliado a países e movimentos que combatiam o imperialismo. Ao tomar o poder em 1969 através de um golpe militar, ele nacionalizou o petróleo da Líbia e utilizou grande parte do dinheiro para desenvolver a economia líbia. As condições de vida do povo melhoraram radicalmente.

Por isso, os imperialistas estavam determinados a deitar a Líbia abaixo. Os EUA em 1986 realmente lançaram ataques aéreos a Trípoli e Bengazi que mataram 60 pessoas, incluindo a filha de Kadafi, ainda uma criança – o que raramente é mencionado pelas mídias corporativas. Foram impostas sanções devastadoras tanto pelos EUA como pela ONU a fim de arruinar a economia líbia.

Depois de os EUA invadirem o Iraque em 2003 e arrasarem grande parte de Bagdá com uma campanha de bombardeio que o Pentágono exultantemente chamou "pavor e choque", Kadafi tentou evitar a ameaça de outra agressão à Líbia fazendo grandes concessões políticas e econômicas ao imperialismo. Ele abriu a economia a bancos e corporações estrangeiras; concordou com exigências do FMI quanto ao "ajustamento estrutural", privatizando muitas empresas estatais e cortando subsídios do estado a necessidades como alimentos e combustível.

O povo líbio está a sofrer dos mesmos preços elevados e desemprego que estão na base das rebeliões em outros lados e que decorre da crise econômica capitalista mundial.

Não pode haver dúvida de que a luta que varre o mundo árabe pela liberdade política e a justiça econômica também tocou um ponto sensível na Líbia. Não há dúvida de que o descontentamento com o regime Kadafi está a motivar uma seção significativa da população.

Contudo, é importante para os progressistas saberem que muitas das pessoas que estão a ser promovidas no Ocidente como líderes da oposição são há muito agentes do imperialismo. A BBC mostrou em 22 de fevereiro imagens de multidões em Bengazi deitando abaixo a bandeira verde da república e substituindo-a pela bandeira do antigo rei Idris – que foi um fantoche dos EUA e do imperialismo britânico.

As mídias ocidentais baseiam grande parte das suas reportagens sobre supostos fatos fornecidos pelos grupo exilado Frente Nacional para a Salvação da Líbia (National Front for the Salvation of Libya), a qual foi treinada e financiada pela CIA estadunidense. Pesquise no Google o nome da frente mais CIA e encontrará centenas de referências.

O Wall Street Journal de 23 de fevereiro escreveu em editorial que "Os EUA e a Europa deveriam ajudar os líbios a derrubarem o regime Kadafi". Não há qualquer conversa nas salas das administrações ou nos corredores de Washington acerca de intervir para ajudar o povo do Kuwait ou da Arábia Saudita ou do Bahrein a derrubarem seus governantes ditatoriais. Mesmo com todos os falsos elogios às lutas de massas que agora sacodem a região, isso seria impensável. Em relação ao Egito e à Tunísia, o imperialismo está a mover todas as alavancas que podem para tirar as massas das ruas.

Tão pouco houve qualquer conversa de intervenção dos EUA para ajudar o povo palestino de Gaza quando milhares morreram por serem bloqueados, bombardeados e invadidos por Israel. Exatamente o oposto. Os EUA intervieram para impedir a condenação do estado colonizador sionista.

O interesse do imperialismo na Líbia não é difícil de descobrir. Em 22 de fevereiro a Bloomberg.com escreveu: se bem que a Líbia seja o terceiro maior produtor de petróleo da África, é o país do continente que tem as maiores reservas provadas — 44,3 mil milhões de barris. É um país com uma população relativamente pequena mas com potencial para produzir enormes lucros para as companhias de petróleo gigantes. É assim que os super ricos a encaram e o que está por trás da sua apregoada preocupação com os direitos democráticos do povo da Líbia.

Obterem concessões de Kadafi não é suficiente para os barões imperialistas do petróleo. Eles querem um governo sob a sua dominação total, tudo do bom e do melhor. Eles nunca esqueceram Kadafi por derrubar a monarquia e nacionalizar o petróleo. Fidel Castro, em Cuba, na sua coluna "Reflexões", registra o apetite do imperialismo por petróleo e adverte que os EUA estão a lançar as bases para uma intervenção militar na Líbia.

Nos EUA, algumas forças tentam mobilizar uma campanha a nível de rua promovendo uma tal intervenção estadunidense. Deveríamos opor-nos a isto totalmente e recordar a qualquer pessoa bem intencionada os milhões de mortos e deslocados pela intervenção dos EUA no Iraque.

Os progressistas têm simpatia com o que encaram como um movimento popular na Líbia. Podemos ajudar tal movimento principalmente pelo apoio às suas exigências justas mas rejeitando uma intervenção imperialista, seja qual for a forma que assuma. É o povo da Líbia que deve decidir o seu futuro.

Fonte: Workers World. Tradução do Resistir.Info

AQUI A POSIÇÃO DE JOELSON MEIRA:

GADDAFI E AS LIÇÕES DA DEMOCRACIA


A sociedade humana produz inteligência política e pilares de organização da convivência entre pessoas e nações. Mas produz , também, anacronismos e distorções ao longo das experiências na governança dos negócios públicos.

Há 42 anos no poder , acumulando bilhões de dinheiro roubado da sociedade Líbia, agora vem à tona o poder financeiro da família de Gaddafi , em investimentos em vários setores da economia, na Suiça e principalmente em Londres.

Notícias dão conta de investimentos atá na Bahia , mais precisamente em Juazeiro.
Enquanto a família do ditador Líbio espalha fortuna pelo mundo, o povo é fuzilado nas ruas de Benghazi e protesta pelo fim do anacrônico e agonizante regime.

Este episódio deplorável acende a luz amarela das democracias , ainda que de caráter ideológico burguês, porquanto o germe da corrupção que degenera os governos, está presente em todos os aparatos estatais, numa conspiração silenciosa dos que se supõem acima da outorga concedida pelos cidadãos e cidadãs, outorga esta que tem o fim específico de administrar os negócios públicos. Repetindo: públicos !

Quais as lições que devemos absorver dos acontecimentos na Líb ia ? Seguramente, a primeira delas é a confirmação da submissão do homem público às normas de conduta ética, moral e legal , sem as quais os governantes se acham acima do bem e do mal , semi-deuses que acreditam na manipulação das vidas das pessoas, impunemente.

Alheios ao sistema de freios e contra-pesos, tais governantes ( e Ghaddafi é o maior exemplo ) encastelam-se ao lado de figuras imprestáveis, bajuladoras medíocres e pequenas , vão se distanciando do povo , confundem a coisa pública como patrimônio familiar , abandonam os amigos da revolução que os colocaram no poder, encantam-se com os jatinhos , resorts e hotéis de luxo, jovens prostitutas , carros de última geração, restaurantes sofisticados ( muitos de culinária duvidosa ) sem percerberem que um profundo silêncio, uma grande conspiração , um ódio inapag ável, uma resposta retumbante vão sendo forjados ao seu redor , resultando em profunda revolta como aquela que presenciamos na Líbia.

Aqui no Brasil , estamos longe destes acontecimentos mas a ciência política é uma só e serve para qualquer lugar. Em Valença , os supermercados do Prefeito Ramiro foram saqueados numa resposta espontânea da comunidade em face da insegurança e descaso daquele gestor . Na Líbia , o ditador Gaddafi foi sitiado num bunker, enquanto a população ocupa as ruas das cidades esperando o fim do regime .

Tais figuras, manipuladoras das consciências , estão em fase de extinção. Ao final dos governos , os sinais exteriores de riqueza vão produzindo os bloqueios e sequestros de bens . Ministr os e Embaixadores já abandonaram o barco e se juntaram ao povo revoltado. Os laranjas utilizados , sem compromissos com qualquer princípio, vão denunciando o ditador , como acontece , agora , em Londres . As famílias, que pareciam viver numa zona de luxo e conforto, entram em pânico com a possibilidade da execração pública, prenunciando o fim das dinastias de forma melancólica , triste e solitária.

A Líbia está há milhares de quilometros do Brasil mas a revolta das urnas , em nosso sistema político , é a lição que todos nós, políticos e governantes , devemos entender como alerta das massas globalizadas.

Joelson Meira
Secretário de Articulação com a União
Camaçari/BA

terça-feira, fevereiro 22, 2011

PCdoB desmente "Estadão" e defende seus dirigentes e sua politica!!!

PCdoB e Ministério respondem falsas denúncias do Estadão

O PCdoB divulgou nota classificando de calúnia as acusações veiculadas pelo O Estado de S. Paulo neste domingo (20) e nesta segunda-feira (21). As ditas reportagens alegam irregularidades em projetos conduzidos pelo Ministério do Esporte, cujo ministro, Orlando Silva, é filiado ao partido. O Vermelho publica a íntegra da nota do PCdoB e reproduz também resposta do Ministério, em que são esclarecidas questões relativas a cada projeto citado pelo jornal.

O PCdoB divulgou, nesta segunda, uma nota em que apresenta o posicionamento do partido, sob o título “Estadão ataca PCdoB para golpear o governo Dilma”. Denunciando o jornal O Estado de S. Paulo de cometer crime de calúnia, a nota apresenta as intenções editoriais do veículo ao publicar reportagens “tão extensas quanto falsas”. “Visivelmente esse movimento pretende atingir o Ministério do Esporte para golpear por extensão o nascente governo da presidente Dilma Rousseff”, avalia o partido no texto divulgado. Para os dirigentes comunistas, as falsas acusações publicadas no jornal são apoiadas "tão somente na manipulação grosseira de um amontoado de 'estórias'".

Em material divulgado na página do Ministério do Esporte (veja a íntegra), o ministro Orlando Silva também responde às denúncias e afirma que “os convênios de funcionamento de núcleos do programa citados pela reportagem não prevêem a construção e/ou reforma dos espaços, mas o aproveitamento da estrutura existente”. Segundo o site do ministério, as respostas apresentadas por Orlando, que citam cada projeto citado nas matérias, são as mesmas dadas pelo ministro ao jornalista Leandro Colon (Estadão), mas que não foram veiculadas pelas reportagens.

Leia a íntegra da nota emitida pelo PCdoB acerca das alegadas denúncias do Estadão:
“Estadão ataca PCdoB para golpear o governo Dilma

Na suas edições de 20 e 21 de fevereiro, o jornal O Estado de S. Paulo publicou um arremedo de reportagem tão extenso quanto falso no qual ataca com calúnias a honorabilidade do Partido Comunista do Brasil e de um dos seus dirigentes, Orlando Silva, ministro do Esporte. Visivelmente esse movimento pretende atingir o Ministério do Esporte para golpear por extensão o nascente governo da presidente Dilma Rousseff.

Apoiado tão somente na manipulação grosseira de um amontoado de 'estórias', o referido texto afirma de modo criminoso que o Programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, “além de dividendos eleitorais, transformou-se num instrumento financeiro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)”. Para sustentar esta mentirosa afirmação diz que entidades apartidárias e ONGs com as quais o Partido não tem vínculo algum seriam “subordinadas” a ele e mero biombo para supostas ações ilícitas. Mas não se apresenta nenhuma prova, nenhum fato que comprove denúncia tão grave.

E mais. Não se atendeu ao procedimento básico do jornalismo que mereça esse nome: ouvir 'o outro lado'. No texto não há a palavra do PCdoB, não foi ouvida a defesa da direção nacional do PCdoB, apenas de passagem a do ex-presidente do Partido da seção do Distrito Federal. Utilizaram de forma parcial e distorcida a nota esclarecedora dos fatos emitida pelo Ministério do Esporte.

Vamos ao mérito. O Programa Segundo Tempo tem a finalidade de oferecer a crianças e adolescentes, sobretudo, de famílias de baixa renda, atividades esportivas e recreativas como meio de inclusão social. Conforme afirmou o Ministério do Esporte, desde 2003 os governos do ex-presidente Lula e, agora, o governo Dilma já aplicaram mais de 1 bilhão de reais para torná-lo realidade. Esse programa já atendeu 1 milhão de jovens. Ainda segundo o Ministério o programa se realiza por meio de convênios com mais de duas centenas de instituições de governos estaduais e de prefeituras e, também, de entidades populares e ONGs. E rigorosamente nenhuma triagem ou distinção de referência partidária é feita para que sejam estabelecidos esses convênios.

O que fez a pretensa reportagem? Ela 'pinçou' neste amplo universo determinadas entidades servindo-se de um critério muito usado à época das ditaduras, ou seja, o da “caça aos comunistas”. Então o dito texto informa, ou melhor, denuncia, que em tal entidade há nove comunistas filiados, naquela outros tantos e por aí segue. E sem apresentar nenhuma evidência, nenhuma prova, estampa a calúnia que vincula as finanças do Partido com a atividade dessas entidades.

Desse modo, o pretenso 'furo' jornalístico se revela um arranjo, um enredo mentiroso.

O PCdoB na atualidade, decorrente de seu programa partidário e do convite advindo de méritos na sua atuação política, tem quadros e lideranças no exercício de responsabilidades públicas nas distintas esferas de governo.

Nessa atividade se orienta pela política de que seus membros no exercício de funções públicas, seja em postos legislativos, sejam em cargos nos executivos, devem se pautar pelo rigoroso cumprimento da legislação e orientações administrativas inerentes às funções exercidas e não confundir, sob qualquer justificativa, o exercício de sua função de governo com sua atividade partidária. Neste trabalho, tem como princípio e como prática o rigoroso zelo pelo patrimônio público. Demonstração disso é que não há nada que os desabone. O trabalho por eles realizado é fiscalizado e aprovado nos termos da lei. Já o Partido como instituição tem toda sua movimentação contábil e financeira aprovada pelos órgãos competentes da República.

O que levaria o Estadão a publicar em duas edições seguidas um ataque tão artificial quanto sórdido ao PCdoB?

Primeiro - O conservadorismo reacionário não admite que forças progressistas, de esquerda, como o Partido Comunista, ganhem força crescente na democracia brasileira.

Segundo - Por um preceito elementar da 'guerra'. Pelos flancos se atinge o objetivo principal. O Ministério do Esporte sequer existia como tal em 2003. De lá para cá pela importância de sua atividade e pelos méritos dos titulares de sua gestão – entre os quais destaca-se o trabalho do ministro Orlando Silva – a pasta adquire progressivamente a relevância que a sociedade atribui ao tema. A Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 serão marcas destacadas da agenda nacional e do governo federal. Portanto, o objetivo desta pseudo reportagem é atingir o governo da presidente Dilma Rousseff numa área das mais simbólicas para seu mandato.

Terceiro - Certa linha editorial da mídia nacional não admite programas do governo federal direcionados aos mais pobres. Sabemos a oposição, por exemplo, que o Bolsa Família sofreu e ainda sofre por parte de vários veículos de comunicação. O Programa Segundo Tempo pretende levar o esporte às crianças e aos jovens da periferia, das favelas, do interior pobre e distante. Por isso recebe ataques como este.

O Partido Comunista do Brasil tem quase 90 anos de atuação ininterrupta na história brasileira. Possui um legado de construção da nação e de defesa resoluta da democracia. É uma legenda respeitada pelos aliados e mesmo pelos adversários. A reação já utilizou as mais diferentes armas para tentar excluí-lo da vida política nacional, inclusive a tortura e o assassinato dos quais foram vítimas centenas de dirigentes e militantes, sobretudo, na luta para que a nação viesse a desfrutar da democracia que hoje o país respira. Desta feita, a mídia é usada para enfraquecê-lo, mas o resultado será nulo, dado o caráter falso, inverídico deste amontoado de mentiras a que o Estadão denomina de reportagem.

Direção Nacional do PCdoB
São Paulo, 21 de fevereiro, 2011”

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

De no que deu! O PT abusou e agora aguenta!!!


'Aliança com PT pode se quebrar',diz presidente do PC do B

Em entrevista ao iG, Renato Rabelo cobrou 'responsabilidade' do partido de Dilma e falou sobre a aproximação com Kassab

Ricardo Galhardo, iG São Paulo | 18/02/2011 12:2

Aliado de primeira hora do PT há mais de 30 anos, o PC do B pode romper com o partido da presidenta Dilma Rousseff caso os petistas insistam em exercer uma hegemonia absoluta tanto na partilha dos cargos federais quanto nas eleições municipais de 2012. A afirmação foi feita pelo presidente nacional do PC do B, Renato Rabelo, em entrevista ao iG.

Renato Rabelo, presidente do PC do B, falou ao iG sobre aliança do alianças histórica com o PT

“Cabe ao PT uma grande responsabilidade. Do contrário essa aliança pode se quebrar ou até pior, surgir uma antialiança ao PT. Pode até haver separação”, disse.

Sentado sob um retrato do histórico líder comunista João Amazonas (1912-2002) na reformulada sede do partido no centro de São Paulo, Rabelo disse que o PC do B prepara para 2012 o lançamento do maior número de candidatos a prefeito de sua história, muitos deles contra o PT - como o vereador Netinho de Paula, na capital paulista - e não descartou alianças pontuais com partidos de oposição a Dilma.

Quanto à recente aproximação do partido com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), Rabelo admitiu, pragmático, não haver afinidades ideológicas, mas defendeu a aliança. "Com o Kassab não há uma identidade ideológica, há aproximações políticas. Se tivéssemos, por exemplo, a mesma ideologia que o PT nós seríamos do PT, faríamos parte do PT", disse Rabelo, que falou ainda sobre o movimento do prefeito em direção à base aliada à presidenta Dilma Rousseff. "Não estamos indo para o lado do Kassab. O Kassab é que está vindo para o lado de cá." Leia abaixo os principais trechos da entrevista:

iG - O PC do B já traçou uma estratégia para 2012?
Renato Rabelo - O PC do B levou 15 anos tendo somente candidatos proporcionais e assim mesmo concentrando em algumas candidaturas. De 2004 e 2006 para cá começamos a mudar essa orientação e ter candidaturas majoritárias. Agora pretendemos ir mais ainda. Em 2010, fomos o quarto partido mais votado para o Senado, mais até do que o DEM. E se tivemos estes votos é porque temos lideranças importantes. Essa acumulação eleitoral vai desembocar em 2012. O que a gente chama de projeto 2012 é o maior da história do PC do B. Podemos até eleger prefeitos de capitais, como por exemplo a Manuela (D’Ávila) em Porto Alegre, onde podemos contar com apoio até do PT. O governador Tarso Genro (PT) admite que PC do B teve um papel importante na eleição dele. Em São Paulo queremos dar peso à candidatura do Netinho de Paula.

iG - O senhor disse que durante 15 anos o PC do B só teve candidaturas proporcionais. Isso se deve em grande parte aos apoios oferecidos ao PT. Em 2012 essa relação vai mudar?
Rabelo - Na evolução política há sempre variações nas relações. Não se pode dizer que uma relação política vai ser igual a vida inteira. Toda aliança é fruto de um momento. Tudo na vida é assim. Pode mudar para melhor ou para pior. Pode mudar para uma aproximação maior ou para um afastamento. Nós tivemos sempre uma relação de primeiro nível com o PT. O que acontece agora é que o PT é o partido hegemônico na esfera federal e luta para manter essa hegemonia. Exatamente por isso pode cometer erros, tender a querer uma hegemonia absoluta. Se nesse processo não houver entendimento e confiança mútua pode criar problemas e afastamentos, uma reação em sentido contrário, uma frente contra o partido hegemônico. Isso a história mostra. Então cabe ao PT uma grande responsabilidade que é exercer uma hegemonia que dê harmonia à aliança. Do contrário essa aliança pode se quebrar ou até pior, surgir uma antialiança ao PT. Pode até haver separação. Depende da atitude de cada partido.

iG - A forma como o PT tem lidado com a divisão de cargos do governo Dilma é um risco?
Rabelo - O governo está começando. Ainda não se pode dizer. Mas vai ser um fator indicador importante e vamos levar em conta tudo isso. Não vamos raciocinar com o fígado mas se a atitude é política vamos responder politicamente. Dentro das nossas condições, é claro.

iG – Qual é sua opinião sobre a aproximação do PC do B com Gilberto Kassab?
Rabelo – Há uma convergência com o prefeito em algumas questões políticas que já vem de um ano ou mais. O episódio da mesa da Câmara de Vereadores (onde o PC do B apoiou Kassab contra o PT) mostra isso. Nós apoiamos o candidato do prefeito porque aquele grupo dominava a mesa há muito tempo. O prefeito Kassab resolveu enfrentar essa questão e nós tivemos um papel importante porque nossos dois vereadores foram a fiel da balança. Kassab está determinado em vir para um partido da base de apoio do governo federal. É por isso que houve essa aproximação. Para o PC do B, a definição política dele é muito importante. Não vamos fazer aliança com pessoas que estão do lado político que não é o nosso. Em resumo: não estamos indo para o lado do Kassab. O Kassab é que está vindo para o lado de cá.

iG - O PC do B vai participar da administração Kassab?
Rabelo - Neste processo de aproximação ele aventou a possibilidade de oferecer esta secretaria que não existe ainda, que é a secretaria dita especial para preparar a Copa de 2014 em São Paulo. A cidade está enfrentando uma série de problemas. Nem o estádio foi construído. O que ele diz é que o PC do B já está na área e poderia levar adiante esta questão. Não sei exatamente se ele já fez o convite.

iG – Existe alguma identificação ideológica ou programáticas entre Kassab e o PC do B?
Rabelo – Proximidade ideológica do PC do B com os outros partidos é muito pequena porque cada partido tem sua ideologia. Com o Kassab não há uma identidade ideológica, há aproximações políticas. Se tivéssemos, por exemplo, a mesma ideologia que o PT nós seríamos do PT, faríamos parte do PT.

iG – O PC do B concorda com a forma como Kassab administra a cidade, com as políticas do governo dele para, por exemplo, a questão dos moradores de rua?
Rabelo – Não temos ainda uma aliança formal e é evidente que existem diferenças importantes do PC do B com ele. Uma das questões que a gente coloca como um divisor de águas é o tratamento dado aos movimentos sociais. E aí entra a questão dos moradores de rua. Para o PC do B, esta é uma questão que pesa muito. A aliança política é um processo. Na medida em que ele vem para o lado de cá tem que dar demonstrações políticas que nos identifiquem. O PC do B nunca coloca de lado a plataforma política. Ninguém pode apontar que o PC do B fez alianças de momento, fisiológicas. Como é que vou explicar para a militância? Isso é uma convergência que vai se dando.

iG – Já se falou que Kassab pode ir para o PMDB, fundar um partido, ir para o PSB. O PC do B acolheria o prefeito?
Rabelo – Os caminhos mais naturais para o prefeito são o PMDB ou o PSB. Podemos tê-lo como aliado. Acho até que tem havido progressos na negociação dele com o PSB. Outra possibilidade seria fundar um novo partido. Porque aí ele manteria o mandato e num segundo momento este partido poderia se fundir a outro da base aliada de Dilma como, por exemplo, o PSB. É uma saída, embora fundar um partido no Brasil hoje não seja uma coisa fácil.

iG – Apesar da aproximação com a base do governo Dilma, Kassab continua fiel a José Serra e mantém muitos serristas em cargos importantes da prefeitura. O rompimento com Serra é uma imposição para a aliança?
Rabelo - O PC do B não vê essas coisas como absolutas. O que interessa para o partido é a tendência que vai se esboçando. Na prática, o prefeito já está se identificando mais com a base de Dilma e formalmente ainda tem vínculos com Serra, mas é só formal.

iG – Mas ele mantém muitas pessoas ligadas a Serra na prefeitura.
Rabelo – Tudo isso não se faz da noite para o dia. Se a tendência fosse de manter o vínculo com a oposição se tornaria mais difícil uma aliança. Se ele tem compromisso com o Serra, e ele disse que tem o que mostra até uma certa honestidade ele, poderia dizer que deve a Serra compromissos que Serra realizou. Kassab diz claramente que o Serra foi leal com ele e agora está retribuindo a lealdade.

iG - O PC do B espera uma ruptura de Kassab com José Serra?
Rabelo - O Kassab vindo para a situação se afasta naturalmente do Serra. Ele vai criando essas condições, as pontes vão sendo queimadas e a essa altura não tem como haver retorno. A oposição está desbaratada, é natural que uma parte da oposição se desgarre.

domingo, fevereiro 06, 2011

Recuerdos de Taperai







Por mais de 20 dias, em janeiro, fiquei hospedado na Pousada Tururu, em Taperai, do meu amigo de infancia e juventude, Antonio Eduardo Molina Mandell, o “Alemão”, que há quase 20 anos não via.

Ambos começamos nossa vida em Penápolis, a “Capital secreta do Mundo”, nos idos dos anos 60. Militamos juntos na Ação Popular Marxista-Leninista-APML. Depois fui para o PCdoB e “Alemão ficou ao Deus dará. Acabou preso 4 vezes, uma inclusive num aparelho da ALN, com a qual ele não tinha ligação nenhuma.

Assim foi a vida. Depois virou fotógrafo de impar sensibilidade e profissionalismo, trabalhando para agencias famosas como a Norton e DPZ entre outros trabalhos como livros(“Visões de Minas”, com Chico Vilella) entre outros. Sua galeria de fotos de astros da musica popular brasileira é famosa e correu o Brasil nas varias exposições que fez.

Virou matuto

Cansado da loucura do transito e da concorrência desleal no campo profissional em São Paulo, escolheu para viver, uma gleba de terra virgem em Taperai, perto de Piedade e Sorocaba, no interior de São Paulo, porta de entrada do famoso Vale do Ribeira, onde a VPR do capitão Lamarca tentou montar um campo de treinamento de guerrilha nos anos de chumbo.

Hoje, casado com Mara e o filho Antonio, o “Tunico”, tenta tocar a pousada e estimular seus vizinhos a cuidar do que resta da Mata Atlantica naquela região paulista. Cria abelhas para mel, cultiva plantas e árvores raras e em extinção e vai vivendo sua vida pacata.

O Lugar que escolheu para viver é de rara beleza(veja pelas fotos) e tranquilidade. Vale uma visita a Posada Tururu em Taperai, bater papos com o “Alemão” e a Mara e curtir a mata, os pássaros, os animais silvestres que restaram. O endereço eletrônico de lá é:
mansanimar@hotmail.com

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

BOA NOTICIA!!!!Dynéas esta melhorando celeremente.




Na minha volta de Taperai a Brasilia, antes de pegar o avião em Campinas, passei por Valinhos, onde Dynéas Aguiar, nosso querido camarada “Careca”, que já saiu do Hospital, esta se recuperando na casa da filha “Tininha”. Encontrei-o ainda abatido pela doença que o acometeu, mas reagindo bem ao tratamento e todo animado e falante. Já pensa até em voltar ao trabalho na Fundação Mauricio Grabóis, do PCdoB.

Estava sensibilizado pela solidariedade de todo o partido e amigos neste seu período difícil e inclusive, enviou um comunicado a todos(abaixo) sobre sua situação e demonstrando intensa vontade de superar a doença e viver ainda muitos anos contribuindo para com o partido. As fotos anexas demonstram sua melhora. Ficou feliz em me ver e ao Alemão, a Mara e o filho deles, do “Tunico”.
COMUNICADO DO DYNEAS

Queridas(os) Companheiras(os),

Recebi com muita emoção as mensagens por vocês enviadas. Chegaram no
momento em que a enfermidade que me abatia estava em seu auge. Ela se
denomina miastenia gravis, que, em resumo, é um ataque de anticorpos
que bloqueia a comunicação do cérebro com determinados órgãos,
afetando os músculos em particular.

Não pretendo fazer uma crônica da minha enfermidade, mas ela atingiu o
sistema nervoso, afetando a sustentação da cabeça e se espraiou para a
vista, a fala, a respiração e a traquéia. Nesse momento, os médicos
que me acompanham conseguiram diagnosticá-la e programaram o
tratamento. Foi uma hora muito difícil, que quase me abateu de vez. Os
médicos me informaram que a parte clínica já estava definida, mas o
resultado final do tratamento iria depender muito da minha vontade de
viver.

Eu já estava recebendo uma grande assistência por parte da família, e
foi justamente quando suas mensagens chegaram, me convocando para
continuar na luta. O que elevou a minha moral e a decisão firme de
vencer a doença. Por isso, agradeço o sentimento de solidariedade do
Partido, que é também nossa grande família. Espero dentro em breve
estarmos novamente juntos nas batalhas que advirão.

Dyneas

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Polyana e as crianças na Praia!!!






POLYANA E A CRIANÇADA NA PRAIA!!


Enquanto eu estava curtindo a pousada do "Alemão",Antonio Eduardo Molina Mandell em Taperai, no meio da Mata Atlantica, no Vale do Ribeira em São Paulo e fazia uma viagem no tempo e na hisória da minha vida por Penápolis, minha querida familia,Polyana a companheira de todas as horas, minha filhinha Elza Maria e o filho Paulo Roberto, curtiam uma praia no Espirito Santo.

Ficaram duas semanas entre Fundão e Praia Grande no litoral capixaba. Voltaram bronzeados a Brasilia. Vejam as fotos deles acima.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Fotos da viagem a Penapolis!!!





1- Antonio Eduardo Molina Mandell, o "Alemão"!

2-O Colégio onde estudamos!!

3-Eu, a irmã do "Alemão", a Vera e o inefavel "Tunico"

4- Eu e o Zé Mauricio de novo e o "Tunico".

Quem não aparece nas fotos, fora a nossa musa de VIAGEM E FOTÓGRAFA MARA, É PORQUE NÃO APARECERAM MESMO!

Diário de Bordo.Viagem a Penapolis e a memória.


Eu, Zé Mauricio e o "Tunico"

Dina foi nossa líder e cicerone!


Penápolis fica cerca e 500 quilometros de São Paulo. Já a “Grande Penápolis, região metropolitana, vai de Campinas até Tres Lagoas, em Mato Grosso do Sul”. De Tapirai, perto de Sorocaba onde estou hospedado na casa/pousada do Antonio Eduardo Molina Mandel, o “Alemão”, até lá, é quase a mesma distancia e 11 pedágios que cobram de R$8.65 a R$ 3.50. Um verdadeiro assalto.

Por isto sugeri uma campanha de desobediência civil ao povo paulista. Não pagar mais pedágio, ou então dar apenas uma moeda de um real em cada posto, que já daria muito bem para a manutenção das rodovias.

Cinema e arte

A distancia e os pedágios valeram a pena. Penápolis continua linda, punjante, comercio, lavoura , agroindústrias, industrias animados, muito bem arborizada e cuidada. E a cultura também. O Antigo cinema de minha infância e juventude, depois de ter virado igreja evangélica nas décadas de 70 e 80 do século passado, virou cinema de novo. Coisa inédita neste interiorzão de São Paulo e do Brasil.

O Museu esta sendo restaurado, assim como o Teatro que minha geração criou e outros espaços que a Dina Waldman, também presidente municipal do glorioso PCdoB na cidade esta ajudando a reanimar. A Funepe, Faculdade de Letras e Filosofia criada na minha época, continua funcionando, meio perrengue, mas produzindo saber.

A viagem foi por tudo uma mini aventura. Saimos de Taperai eu e o Alemão, sua companheira/ sabia mulher Mara, seu filho, o sapeca falador Antonio, o “Tunico” e a irmã dele, a Vera Molina. Saimos por volta das 9 horas da manhã de Taperai e chegamos a Penápolis, por volta das 15 horas. Xingamos muito pelo caminho os pedágios, mas ao chegar nos deparamos com uma cidade viva, até mais animada que nos nossos tempos de juventude.

Os encontros

Tinhamos combinado com a Dina( que deixou os netos em casa)encontrarmos os amigos de nossa juventude que, ou ficaram na cidade estes anos todos (40 anos),ou voltaram depois de se aventurarem ou irem estudar em São Paulo e Brasilia, os dois destinos dos que terminaram os estudos secundários na cidade. A Dina estava firme nos esperando e avisado o Joel Pereira Gomes e o Jackson Leal, agora dois senhores advogados na cidade, o emérito professor Fulanette e o José Mauricio Soliani, de nossa chegada.

Fui, como não poderia deixar de ir, ver meu amigo de infância e eterno barbeiro Arquimedes e dona Amélia Lacava, viúva de seu Manoel, que nos tempos duros da Ditadura deram a mim e a outros, abrigo e refugio e sua filha Cilô, que morando e dando aula em São Paulo, estava a cidade. Fiquei emocionado ao ver dona Amélia, aquela que foi professora de várias gerações, acabado de completar 90 Anos e com a saúde frágil, mais ainda singela e gentil.

Agradavel surpresa

Nosso encontro marcado para aquela noite de 17 de janeiro foi um bar de nome esquisito, mas muito frequentado em frente a Faculdade. Zé Mauricio Soliani chegou na hora acertada e a Dina Tambem. Joel, Jackson e o professor Fulanette, deram desculpas esfarrapas e não apareceram, prometendo ir no dia seguinte. Não sabem o que perderam!

Não encontrei a Suzette e o Sander Sabino, porque infelizmente não estavam na cidade naquela semana. Mas na próxima ida iremos ve-los, com certeza. A nossa querida Ana Maria, de tantas histórias e gentilezas, também estava fora de Penapolis neste período.

O Zé Mauricio eu lembrava que era irmão do Enio Soliani, meu colega de turna e era mais novo e gostava de violão e tocava bem. Me surpreendi com seu carinho conosco e suas lembranças mais vivas que as minhas. Ele tinha sido o ator principal de uma peça que escrevi na época chamada “Sebastião, o Covarde”. Ele se lembrava até de trechos da peça e da musica paródia que fizemos na época para o “Proibido Proibir”, de Caetano Velloso.

Resultado é que reatamos o amor/amigo de outrora e combinamos a partir de agora fazer musica juntos. Uma paixão que nos unia, além das belas garotas penapolenses que hoje são na maioria sombrias senhoras. E vamos mesmo fazer boas musicas!!!
Terminamos a primeira noite em Penapolis, eu ensinando ao garçon do bar, a diferença entre o “brandy” e o conhaque”. Como sempre!!

Lembranças e lamentos

O segundo dia na cidade gastamos andando por lugares que nos lembravam o tempo longiquo. O colégio onde estudamos(tem foto), o inefável córrego “Maria Chica”,hoje canalizado e onde há mais de 40 anos atrás tomávamos banhos nus e escondido de nossas famílias. Até a Pepita Rodrigues, depois famosa atriz de teatro e Televisão, que foi criada em Penapolis, participava ainda menininha destes banhos coletivos no Maria Chica.

À noite voltamos ao bar de nome esquisito em frente a faculdade, para ver se os velhos amigos tinham aparecido. Mas só estava a Dina, sempre bela, afável e presente, a Cilô e de novo o Zé Mauricio, agora com sua linda esposa e duas meninas que adotaram como filhas. Foi uma noite de novas recordações e de estranheza pelo Joel, Jackson e Fulanette não terem ido de novo, apesar de novamente convidados pelo Zé Mauricio. Trocas de amor eterno entre nós, reafirmação do compromisso meu e do Zé de fazermos musicas juntos e uma despedida de até breve.

No dia seguinte, pegamos a rodovia Marechal Rondon, seus impagáveis pedágios e voltamos a Taperai.

Até breve Penápolis. Voltaremos logo para um show do TomZé(que esteve duas vezes na cidade e adorou!) e uma cancha minha e do Zé Mauricio com as musicas que com certeza iremos compor!!!!!!!

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Para a presidente Dilma e o povo brasileiro refletir!!! Deu no Vermelho!



Geração que pegou em armas contra ditadura sobe a rampa com Dilma

“Ousar lutar, ousar vencer.” O lema da Vanguarda Armada Revolucionária (VAR-Palmares) era discretamente mencionado por alguns convidados na posse da presidente Dilma Rousseff. A citação vinha de 14 ex-integrantes da organização de esquerda que aderiu à luta armada na ditadura e que teve Dilma como uma de suas lideranças.

Por Ana Paula Grabois, no Valor Econômico

Os 14, a maioria de Minas Gerais, foram convidados especialmente pela presidente para a cerimônia de posse no Palácio do Planalto e para o coquetel no Itamaraty, junto com as colegas de cela do presídio Tiradentes — onde Dilma ficou presa por quase três anos, em São Paulo, no início dos anos 70, depois de ser torturada.

“Quando nos encontramos, choramos. Uma emoção foi ver a Dilma, nossa companheira, tomando posse. Outra foi o nosso encontro, a nossa história estava muito misturada naquela posse. Fui reconhecendo os antigos companheiros. Nós tínhamos chegado lá. A Dilma não existiria como presidente sem o [ex-presidente Luiz Inácio] Lula [da Silva] e o Lula não seria presidente sem essa luta que também foi parte da história da Dilma”, diz a colega de VAR-Palmares Linda Goulart, assessora desde 2004 do ministro da Educação, Fernando Haddad.

“Dilma reafirma seu compromisso com a sua história, isso eu achei muito forte no discurso do dia 1º. Ela não nega, pelo contrário. Está em outra etapa da vida — e nós todos estamos”, avalia Linda, uma das poucas militantes da VAR-Palmares que não foram presas, nem torturadas. A organização, entre outras ações, executou o famoso roubo ao cofre do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros, em uma mansão no bairro de Santa Teresa, no Rio, em 1969.

Linda conheceu a presidente em 1965 em Belo Horizonte. Dilma já ingressava na Política Operária (Polop), onde era obrigatório passar pelo curso de marxismo. Da época, lembra da presidente como uma pessoa “brilhante”, que ganhava uma discussão pela argumentação, como no congresso do Comando de Libertação Nacional (Colina), em 1968, quando Dilma tinha 20 anos e já tinha o respeito de lideranças mais experientes.

Vitória não só do grupo

O cineasta mineiro Helvécio Ratton militou na luta armada com a presidente. Do encontro na posse, diz que foi tudo muito rápido, em uma sala reservada para a família de Dilma no prédio do Itamaraty. Lá, encontraram a mãe da presidente, Dilma Jane, e a tia, Arilda.

Dias antes, Ratton ouviu do ex-presidente Lula que a vitória de Dilma era a chegada ao poder de uma pessoa de esquerda daquela geração. “Quando ele falou isso, pensei que a Dilma encarna não só esse grupo — mas toda uma geração que teve essa ousadia de lutar naquele momento”, diz. Ratton conheceu Dilma na Faculdade de Economia da UFMG, em Belo Horizonte. Logo depois, estavam juntos da militância política.

Preso no movimento estudantil, foi condenado no mesmo processo que condenou praticamente toda a organização. Clandestino, exilou-se no Chile, onde passou a trabalhar profissionalmente com cinema. Voltou ao Brasil antes da anistia e foi preso. Depois, retomou a vida.

No dia da vitória de Dilma, mandou um e-mail à amiga com o título “Ousar vencer”. “Ela estava vencendo a Presidência, não tomando o poder daquela forma que a esquerda armada pensava, mas chegava como um representante daquela geração”, avalia Ratton, para quem Lula não tinha “visão de esquerda”.

“O Lula é um sindicalista que lutava por melhoria de salário”. Conta que Lula brincava muito com Dilma e com o atual ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, dizendo não ter vivido “essas coisas aí”. “Vocês é que são doidos, eu não”, dizia Lula, segundo o relato de Ratton.

Continuidade

O grupo que estava na posse era formado por pessoas com trajetória semelhante à de Dilma na militância. Começaram na Polop, seguiram para o Colina e, depois, para a VAR-Palmares, uma fusão do Colina com a VPR, a organização armada mais militarizada na época, integrada por militares que se opunham à a ditadura, como Carlos Lamarca.

Alguns integrantes da VAR se veem esporadicamente. Há casos, poucos, de gente que não se via há 40 anos e se reencontrou na posse. “Parece que você retoma o papo de antes, não sei se é pelo mesmo clima de identificação, talvez por termos vivido coisas muito fortes, que marcaram. Um preso, outro torturado, outro exilado, mas todo mundo sabia um do outro”, diz Ratton.

Ao cumprimentar a presidente no Itamaraty, Jorge Durão, o carioca no grupo dos mineiros, falou baixinho no ouvido de Dilma “ousar lutar, ousar vencer”. “Ela repetiu o lema, meu nome completo e falou assim: o que você tem que não tinha da última vez que eu vi? Respondi: cabelos brancos. E foi só isso”, conta.

Durão, hoje diretor da ONG Fase, no Rio, vê o convite de Dilma aos antigos companheiros como a maneira de afirmar uma continuidade de sua trajetória política. “Ela quis mostrar que lutando contra a ditadura numa organização que aderiu à luta armada, ou fazendo parte de um governo democrático, de composição, alguns valores e objetivos são os mesmos, como a luta contra a desigualdade”, diz Durão.

Um dos momentos mais emocionantes para os ex-guerrilheiros foi quando os militares bateram continência para a presidente. “Sou contido, mas tinha momentos na posse em que era impossível não se emocionar. Fiquei muito emocionado quando a Dilma chegou ao Planalto e tinha duas fileiras de soldados ou oficiais da Aeronáutica prestando continência”, relata Durão, preso e torturado na ditadura.

A cena foi marcante para todos os ex-gerrilheiros presentes, muitos deles torturados e que tiveram amigos mortos no regime militar. “Quando a gente viu a Dilma passando em revista da tropa, eles todos batendo continência para ela, alguém comentou: e pensar que ela já passou pelo corredor polonês”, conta Linda Goulart.

“Imaginei o significado daquilo para ela e também para os militares, porque um mês antes a turma que se formou na Agulhas Negras [academia de formação do Exército] escolheu Garrastazu Médici como patrono. De repente, uma de nós está lá e eles têm que fazer continência e ver a carruagem da história passar com a Dilma”, afirma Lenira Machado, companheira de cela de Dilma, convidada com outras 16 ex-presas do Tiradentes.

Socióloga aposentada, Lenira vive hoje em São Paulo. Para a posse, ela e mais um grupo de seis ex-presas que passaram pela mesma cela do Tiradentes se hospedaram na casa de uma amiga, em Brasília. “Era o nosso aparelho”, brinca.

Ética

Lenira conviveu com Dilma durante quase dois anos na “Torre das Donzelas”, como era chamado o presídio feminino que misturava presas políticas e presas comuns. Da época, lembra que fazia companhia à dupla formada por Dilma e pela colega Cida Costa na cozinha da prisão. “Eu não trabalhava na cozinha porque estava muito mal fisicamente depois das torturas. Ficava com elas implicando porque as duas cozinhavam muito mal.”

A rotina na prisão incluía trabalhos manuais, leitura, música e TV. Dilma ficou presa por quase três anos, entre 1970 e 1972. “Chegar no Tiradentes era se livrar do cheiro da dor da tortura”, diz Lenira. Todas as companheiras da cela, no térreo da torre do presídio, eram de organizações políticas e já haviam passado por torturas. Algumas delas, como Dilma, iam e voltavam ao presídio por diversas vezes. “Tinha a grande vantagem de saber que você não ia ser torturada, era um alívio. E tinha as companheiras nos recebendo”, lembra.

Dos amigos de militância política da presidente ouvidos pelo Valor, incluindo dois que pediram para não ser identificados, todos a veem como alguém racional, que planeja e é rígida com seus princípios. Nas relações pessoais, é dona de um bom humor que pouco aparece em sua vida pública e gosta de dar apelidos às pessoas mais próximas.

A maioria aposta que a ex-colega de luta armada pode fazer um governo melhor que o de Lula, diante de sua inflexibilidade em relação a princípios éticos. “A Dilma é uma pessoa extremamente ética — quem sabe pode melhorar a política brasileira”, diz Ratton. “No geral, as pessoas dessa geração com essa trajetória não estão envolvidas em escândalos. É outro estofo — e a Dilma é desse estofo. Tenho a maior admiração pelo Lula, mas tem chance de ser um governo melhor do ponto de vista do que ela pode fazer”, afirma Linda.

Jorge Durão é otimista com o compromisso de erradicar a pobreza, tratado como prioridade pela nova presidente. Vê, no entanto, problemas na economia, seja pelo câmbio valorizado ou pelo risco de desindustrialização de alguns setores. “A Dilma não herdou a mesma conjuntura internacional do Lula”, diz.

Da Redação, com informações do Valor Econômico

domingo, janeiro 23, 2011

Cuidado com o Google e como usa a Internet: somos todos vigiados!!


Este é o "prigoso" hacker Jacob!!

Jacob Appelbaum, o hacker norte-americano por trás do WikiLeaks, luta contra regimes opressores no mundo inteiro. Agora, está fugindo do governo de seu próprio país . ...

"É inacreditável quanto poder uma pessoa tem se recebe acesso irrestrito aos bancos de dados do Google", afirma Applebaum. Como rapidamente observa, os regimes opressores estrangeiros são apenas parte do problema. Nos últimos anos, o governo dos EUA está silenciosamente acumulando bibliotecas de dados sobre os próprios cidadãos.

A polícia pode intimar seu provedor de internet a dar seu nome, endereço e registros telefônicos. Com um mandado de Justiça, pode solicitar o endereço de e-mail de qualquer pessoa com quem você se comunique e os websites que visita. Seu provedor de telefonia móvel pode rastrear sua localização o tempo todo.

"Não é só o Estado", diz Appelbaum. "Se quisesse, o Google poderia acabar com qualquer país. O Google tem sujeira suficiente para destruir qualquer casamento nos Estados Unidos."

A PARTIR DE AMANHÃ COMEÇO A CONTAR VIAGEM A PENÁPOLIS. MAS VOU ADIANTAR UMA NOVIDADE.O CINEMA DE LÁ VOLTOU A FUNCIONAR. SÓ PENAPOLIS MESMO!!!!!

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Dynéas, nosso querido camarada esta melhorando!!!! E vai ficar bom logo!!



O nosso querido camarada, que em breve completa 60 anos de militância ininterrupta no Partido Comunista do Brasil - PCdoB, Dynéas Aguiar ,(foto acima) foi acometido de grave doença e esta internado no Hospital Galileo, em Valinhos/SP.

Passou por graves momentos, perdeu a vóz e foi para a UTI. Mas finalmente hoje, dia 22 de janeiro, temos boas notícias, que nos foi transmitida pelo seu filho Dilair: “depois de uma nova bateria de testes realizada ontem, dia 21, os médicos concluiram que meu pai sofre de miastenia gravis, que pode ser curada através do uso de medicamentos. Estivemos com meu pai na UTI e a aparência dele mudou: está conseguindo falar direito, respirar e, principalmente, está animado com o prognóstico feito pelo dr. Marcondes, da Unicamp”.

Segundo Dylair, “os dois médicos que o tratam (um é o Marcondes, o outro o dr. Enrico), já haviam saído quando chegamos, mas o intensivista nos explicou que meu pai estava reagindo bem (o que, aliás, era visível), e indicou que é remota a possibilidade de que se trate de outra doença. O tratamento será feito com dois medicamentos, Mestinon e predinizona. Por enquanto, as perspectivas são muito boas”.

Comunistas, revolucionários, democratas e pessoas de Bem de todo o Brasil e até de vários Países, por onde Dynéas andou refugiado e fazendo politica nos tempos da Ditadura, formam uma corrente de pensamento positivo-me torcem para sua rápida recuperação e sua volta à trincheira de lutas onde batalha atualmente, no Instituuto Mauricio Grabóis.

domingo, janeiro 16, 2011

Penápolis. aqui vamos nós!!!!!



Amanhã, ou hoje, dia 17 de janeiro, será uma data história para Penápolis. Eu, Luiz Aparecido e o Alemão(Eduardo Mandel), sua companheira Mara, seu filho Tonico e sua irmã, Vera Molina estaremos aportando na cidade. Eu há 20 anos não piso naquele solo sagrado banhado pelo córrego da Maria Chica. O Alemão e a Mara e Vera há muitos anos também.

Minha querida amiga Dina será nossa cicerone. Tentara achar o Joel Pereira Gomes, o professor Fulanette, a Ana Maria e quantos amigos de infância e juventude que ainda estiverem por lá para o encontro saudoso. Vamos falar muito de nossa juventude e dos velhos tempos alegres e tristes.

Na volta postarei aqui fotos e texto com as reminiscencias da viagem. Não será um diário de bordo, mas quase.
Penápolis, lá vamos nós!!

Aurélio Perez é quem diz:"o partido tem que estar no movimento de massas"


Aurélio entre Vanessa Grazziotin, Renato Rabelo e Daniel Almeida, quando foi homenageado pela bancada do PCdoB no Congresso.

Aurélio Peres: "Quantas pancadarias nós evitamos com o meu simples mandato?!"

Por Mariana Viel

A cidade de Ibiúna, no interior de São Paulo, conhecida pela prisão de cerca de 900 estudantes durante o Congresso da UNE de 1968, foi escolhida pelo líder comunista Aurélio Peres para voltar às suas origens camponesas. Destacada liderança, Aurélio se tornou, em 1978, o primeiro deputado federal eleito pelo PCdoB durante o regime militar (1964-1985). Na época, o partido ainda atuava na clandestinidade e lançava seus candidatos pela legenda do MDB.


Aurélio Peres no ato pela legalidade do PCdoB no Pacaembu em 1985
Em entrevista ao Vermelho, esse militante histórico do PCdoB fala sobre sua luta social e as dificuldades de exercer um mandato em meio à repressão da ditadura. Aurélio Peres enfatizou o protagonismo dos movimentos sociais e a necessidade de os partidos revolucionários defenderem bandeiras sociais amplas.

Vermelho: Como foi o início de sua militância comunista?
Aurélio Peres: Eu era camponês e comecei na luta social em Santa Fé, interior de São Paulo. Foi uma experiência inédita porque, após o Julião [Francisco Julião, fundador das Ligas Camponesas], não havia nenhuma outra experiência ligada ao campo. Santa Fé foi uma retomada do movimento.
Nós éramos arrendatários de fazendeiros e tínhamos um contrato de dois anos para derrubar a mata, plantar e depois devolver a terra plantada de capim. Digo “nós”, mas na verdade eu não era arrendatário apenas me integrei à luta. O pessoal perdeu duas safras por problemas climáticos e eles iam ter que entregar a fazenda sem ter recebido nada pelo trabalho de desmatamento.
Eles tentaram negociar com o fazendeiro, mas este disse que não tinha acordo. Então, os camponeses se reuniram e tomaram a decisão de arrancar o capim. Foi a operação “Arranca Capim”. Começamos às 2 horas da madrugada de uma noite enluarada e quando foi às 6 horas da manhã já não tinha mais nenhum capim plantado.

Vermelho: Como você se integrou ao movimento?
AP: A cidade era pequena e eu era ligado à Igreja. Tínhamos um pároco aberto aos problemas sociais e que estimulava a participação. Depois, com o aparecimento do pessoal da AP (Ação Popular), a coisa facilitou porque eles já tinham conhecimento político e estratégico. Ficamos nessa luta por cerca de cinco anos e quase saímos vitoriosos. Costumo dizer que fomos derrotados na verdade pela Cesp (Companhia Energética de São Paulo).
A fazenda era na beira do Rio Paraná, e a Cesp estava planejando a barragem de Ilha Solteira. Pedimos um financiamento público para comprar as terras. O empréstimo seria cedido para uma cooperativa – que nós fundamos e registramos. Para fazer o empréstimo tinha que ter uma avaliação da Cesp, porque a área ia sofrer inundação. Ela deu o parecer contrário e foi o suficiente para as forças reacionárias dizerem “então não”. Fomos despejados e veio uma proposta do governo para levar o pessoal para um assentamento no Mato Grosso, divisa com o Paraguai.

Vermelho: Você foi o primeiro deputado federal do PCdoB durante o regime militar. Como foi o processo de candidatura?
AP: Às vezes até arrepio quando falo dessas coisas. Nunca imaginei ser deputado. Eu coordenava o Movimento do Custo de Vida em São Paulo, e foi ele que nos impulsionou a participar das eleições. O Movimento do Custo de Vida decidiu que iria lançar um candidato a deputado estadual e um ao cargo de deputado federal. Para estadual foi escolhida a Irma Passoni e para federal a escolha recaiu sobre Aurélio Peres.
Só que Aurélio Peres não era registrado em partido legal e não era elegível. Eu respondia processo porque havia sido preso em 1974. Tinha sido absolvido em primeira instância, mas havia recurso na segunda instância. Como o movimento não estava pensando em eleger, e sim participar e fazer um protesto, nós lançamos a candidatura assim mesmo. Se não fosse aprovada, a candidatura por si só já seria um protesto.
Como não tínhamos legenda, o (Orestes) Quércia — que era presidente do MDB em SP — veio em nosso socorro. O prazo para filiação já havia acabado, mas ele disse que não tinha problema. Preenchi uma ficha sem data e ele falou que ia dar um jeito. Fui inscrito no MDB com data retroativa e a candidatura saiu. Esse foi o primeiro passo.
Mas, quando chegou no registro da candidatura, ela foi rejeitada. Continuamos a campanha porque o objetivo era o mesmo protesto. Decidimos lutar até o fim. Faltando três dias para expirar o prazo de registro, fui absolvido e minha candidatura vingou. Continuamos a campanha e a eleição confirmou minha vitória.

Vermelho: Como foi a experiência de defender as bandeiras progressistas do partido em meio à ditadura militar?
AP: Eu era um camponês-operário que nunca tinha ouvido falar em Câmara dos Deputados. Nunca pensei nisso. Eu pensava: “Vou fazer o quê?”. Eu sabia era fazer agitação, mas subir numa tribuna para defender uma causa parlamentar; jamais. Fui com a cara e a coragem para Brasília.
Meu primeiro mandato eu passei com muita dificuldade. Cheguei a redigir uma carta de próprio punho renunciando ao meu mandato. Só não entreguei a carta porque a Conceição (a esposa Maria da Conceição Peres) e o Antônio Carlos — jornalista do Movimento, que era quem me dava alguma assessoria — me ajudaram a refletir e me convenceram que eu não devia renunciar. Acabei usando o meu mandato para as lutas populares.
Minha estrutura em Brasília foi colocada, durante um certo tempo, a serviço da luta pela Anistia. Me tornei amigo inseparável de Teotônio Vilela e viajamos o Brasil todo visitando presídios e ouvindo a opinião dos presos políticos. Meu gabinete e meu apartamento também funcionaram como a sede da UNE . A UNE estava em processo de reestruturação. Num período de quatro anos, recebi duas advertências da Secretaria da Câmara por uso indevido do apartamento. Não importava. Eu sabia que era indevido, mas também era justo.

Vermelho: Como você mesmo vinha da classe operária, o seu mandato também contribuiu muito com a luta da classe trabalhadora da época. Como foi a atuação do operário deputado?
AP: O movimento operário também se apoiou muito na estrutura do meu mandato. Quantas pancadarias nós evitamos com o meu simples mandato?! Quantas vezes o Coronel Rigonato — que era o comandante da Tropa de Choque de São Paulo — teve de recuar porque tinha um deputado na frente da greve? Era um deputado qualquer, mas era um deputado.

Vermelho: Que lições extrair do método de atuação política do PCdoB naquela época? Quais ensinamentos podem ser utilizados nos dias de hoje?
AP: Uma lição que eu levantaria e que acredito que o PCdoB entendeu muito bem é que ele tem que mergulhar na luta de massas. O meu mandato, em função disso, rendeu muitos frutos: a luta pela Anistia, a estruturação da UNE, o apoio ao Movimento do Custo de Vida — que depois se tornou Movimento da Carestia —, o apoio aos aposentados, aos operários, às greves. O meu mandato ajudou muito.
O partido extraiu muitos ensinamentos daquela época, mas ainda deveria mergulhar mais fundo ainda na luta de massas. É da luta de massa que saem os grandes elementos que irão dirigir o partido depois. Isso é um viveiro de elementos novos e de valores. É preciso extraí-los da massa, burilá-los, lapidá-los e colocá-los à frente da luta.

Vermelho: A violência foi uma das marcas do período da ditadura. O que significou a morte de Santo Dias da Silva para você?
AP: O Santo Dias era mais do que um amigo — ele era da família, um companheiro muito interessante. Ele não era um homem arrojado, atuava mais na linha da conciliação, mas era um homem que não recuava. Quem se sentia apoiado por Santo Dias se sentia seguro. Isso era muito importante para nós na luta naquele período.
Perdemos o Santo Dias numa luta boba, que não era nossa. Foi numa greve decretada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, que era uma pelegada terrível — mas, como a greve era justa, apoiamos. Fomos fazer piquete na porta das fábricas.
Existem controversas hoje sobre se o Santo Dias foi escolhido ou foi acidental. Na minha opinião, foi acidental — mas o que importa é que ele foi atingido. Nós perdemos o Santo Dias numa greve que não era nossa, mas naquela época qualquer coisa que surgisse era importante e fomos de corpo aberto ao apoio.

Vermelho: Como vocês reagiram a essa perda?
AP: A morte de Santo Dias acabou resultando depois em um grande avanço. Ela estimulou a base a lutar mais. Tanto que o enterro de Santo Dias foi uma demonstração de que a ditadura estava temendo. Foi um negócio incrível. A ditadura recuou e recolheu as Forças Armadas para o quartel. O preço que nós pagamos foi alto, mas ele não foi em vão.

Vermelho: Nesse contexto, como você avalia a participação do PCdoB e das demais forças democráticas na luta contra a ditadura?
AP: Jogamos um papel importante. Éramos um grupo que enxergava bem à frente. O PCdoB jogou o papel de alguém que enxergava à frente — e me parece que é esse o verdadeiro papel de um partido revolucionário. Ele era uma força política que enxerga mais do que os outros e que, por isso, mostrava o caminho, mesmo na clandestinidade.
Muita gente que participou da organização, que esteve à frente – mostrando o caminho – nunca apareceu como sendo do PCdoB. Esse me parece o papel fundamental do PCdoB nessas lutas todas: uma espécie de desbravador de caminhos. Embora muitas vezes ninguém percebesse, o papel foi fundamental. Acho que a luta contra a ditadura se perdeu um pouco ao longo do caminho.
Estamos até hoje discutindo o problema da anistia, que é uma coisa tão simples. Como você vai anistiar os torturadores? Eles estão todos aí, foram todos anistiados. E foram inclusive muitas pessoas que lutaram contra a ditadura que votaram nessa lei que anistiou os torturadores. Isto porque era gente que enxergava curto. Poderíamos ter um país muito mais democrático e avançado se tivéssemos ido mais a fundo nessa questão. Temos democracia hoje, mas em minha opinião ela ainda é relativa.

Vermelho: Como foi a atuação do Movimento Contra a Carestia, do qual o você e a sua mulher, Maria da Conceição Peres, foram fundadores?
AP: Em São Paulo, existia um movimento de Clubes de Mães cujo objetivo inicial era ensinar as mulheres a bordar, costurar e orientar sobre os cuidados com os filhos. Esse movimento se espalhou pela periferia. Chegamos a ter 200 Clubes de Mães, com uma média de 10 a 15 mães, que se reuniam uma vez por mês — isso apenas na região de Santo Amaro (zona sul de São Paulo). Mas também tínhamos Clubes de Mães na região leste, norte, no ABC, em Guarulhos. A ditadura não havia percebido esse movimento.
Só que chegou um momento em que veio a pergunta: o que fazer agora? Nós vamos continuar ensinando a costurar, tricotar e mexer com criança? Assim não vamos a lugar nenhum. Então, a resposta foi a necessidade de politizar o movimento. Fizemos uma pesquisa e o que as mães mais sentiam era a carestia. Chegamos à conclusão — a Conceição, a Irma Passoni e eu — de que devíamos fazer uma carta e enviar ao Congresso e à Assembleia Legislativa pedindo o congelamento dos preços.
Esta carta deu muito o que falar. Saiu a ideia então de fazer o abaixo-assinado. Fui designado para lê-la no Sindicato dos Metalúrgicos, o que causou também minha prisão. Aquilo que era apenas um Clube de Mães começou a ter uma atenção maior, e eu fui preso pelo regime. Reunimos 1,3 milhão de assinaturas, colhidas principalmente pelas mães, em plena ditadura. Esse movimento da coleta de assinaturas foi muito importante porque abriu o leque.
Havia também estudantes da USP, da PUC, do Mackenzie, trabalhando em cima dessas assinaturas. Foi muito interessante. O material depois foi entregue em Brasília, já no meu mandato. O movimento mostra o quanto é importante trabalhar em cima de bandeiras amplas. O trabalho de massa, se não for feito com bandeiras amplas, tem vida curta.

Vermelho: Essa experiência mostra a importância da participação da sociedade civil organizada no exercício da democracia e na luta por seus direitos?
AP: O Movimento da Carestia unificou todos os setores — porque todos sentiam o problema da carestia com os salários arrochados. Todos cabiam nessa mesma bandeira. A Igreja jogou um papel importantíssimo porque ela tinha a estrutura disponível. Nós tínhamos o carro da Igreja para nos deslocar, tínhamos um local para fazer as reuniões e a autoridade religiosa nos apoiando. Quantas pancadas nós evitamos com o apoio de bispos e do cardeal. Inclusive a minha vida eu devo a um cardeal.

Vermelho: Como foi o episódio da sua prisão?
AP: Devo a minha vida a Dom Paulo Evaristo Arns. Se a denúncia da minha prisão não tivesse chegado rapidamente até a Cúria Metropolitana — e a Cúria não tivesse acionado o comando do Segundo Exército —, eu teria sido liquidado. Ele ligou para o comandante e disse: “Eu tenho um militante preso com vocês”. Eles disseram que não, mas ele deu meu nome e identidade completa, e não houve como negar.
Entrei na sala de tortura sem capuz. Se eu vir os meus torturadores hoje, eu os reconheço. Fui torturado por 27 horas ininterruptas. Foi só depois da intervenção da Igreja que eles me colocaram o capuz. A tortura não parou, mas seguiu de uma maneira diferente. Não era mais para matar. Eu fazia parte da lista em que estavam incluídos Manoel Fiel Filho e Herzog. Eles dois foram assassinados.

Vermelho: Você é reconhecido como um dos grandes líderes do sindicalismo classista. Como foi participar da luta operária?
AP: A Conceição e eu sempre falamos sobre isso. Se por um lado o mandato parlamentar ajudou — e não há dúvidas de que ajudou —, nós acreditamos que ele poderia ter sido exercido por um outro elemento. Tive que sair para exercer essa tarefa e deixei um vácuo no movimento operário. Nós lamentamos muito essa lacuna deixada.
Naquele momento não existia um elemento à altura para assumir a vaga deixada por mim no movimento, e isso causou um prejuízo enorme. O sindicato mais importante naquele período era o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Nós poderíamos ter aquele sindicato nas mãos, se tivéssemos continuado o trabalho. Cometemos alguns erros, mas não tenho dúvidas de que, mesmo com os erros, se eu não tivesse me afastado, nós teríamos aquele sindicato nas mãos.

Vermelho: Mas qual era a importância do movimento operário naquela época?
AP: O movimento sindical estava nas mãos de pelegos e não saía daquilo. Os pelegos jogavam um papel de apoio à ditadura — vocês não são capazes de imaginar o que isso significa. Tanto que um operário mais consciente não conseguia arrumar emprego em uma indústria grande. Se você tentasse entrar em uma empresa grande, logo perdia o emprego e corria o risco de ser preso.
Eu entrei na Metal Leve — que era uma indústria grande na época — e fui mandado embora depois de 60 dias, sem motivo nenhum. Logo depois fui descobrir que o secretário-geral dos Sindicatos dos Metalúrgicos de São Paulo era da Metal Leve. A luta sindical era importantíssima!

Vermelho: Como você analisa o papel das seis sindicais (CUT, CTB, Força Sindical, UGT, CGTB, Nova Central) legalizadas pelo Ministério do Trabalho que atuam no país atualmente?
AP: Essas entidades todas estão engessadas. O movimento sindical como um todo está engessado. É preciso quebrar esse gesso.

Vermelho: Mas como quebrar esse gesso?
AP: Não sei se é batendo com marreta ou com ponteiro, mas é preciso quebrar.

Vermelho: Lênin dizia que era preciso um esforço para transformar cada fábrica em uma fortaleza do comunismo. Como você vê o empenho para a construção de um partido da classe operária?
AP: A realidade mudou. Se Lênin estivesse aqui hoje, talvez não dissesse isso. Hoje não existem mais aquelas fábricas de 24, 25 mil operários. Na época da ditadura, tínhamos uma compreensão de que cada fábrica deveria ter um comitê revolucionário. Só não conseguimos isso porque a repressão era forte demais.
Se você quer uma revolução mesmo, ela tem que ter estruturas nessas bases. Não estou dominando bem o quadro hoje, mas não vejo grandes aglomerações. Mesmo assim, continuo defendo que a organização partidária deveria ter em mente os locais de trabalho. É preciso olhar para o trabalhador em geral.

Vermelho: O que significou a eleição de Lula em 2002 — o primeiro operário presidente da República?
AP: Acho que um dos grandes avanços foi justamente um operário chegar ao poder. Isso mostrou que um operário tem cabeça — um operário não é só a unha cheia de graxa. Para governar um país, não é preciso ser um intelectual apenas. É necessário ter uma visão estratégica. Embora o Lula tenha suas deficiências ideológicas, ele sempre teve uma visão longa.
Acho que o país avançou. Embora não tenha conseguido barrar todas as mazelas dessa sociedade, ele foi um freio. Ele nunca apoiou a corrupção e a malandragem. Apenas o fato de termos um presidente que não apoiou a corrupção já é um grande avanço. Nossa sociedade é corrupta e os políticos são um espelho dela.
Lula defendeu a democracia. Isso me parece fundamental. Uma revolução precisa desses patamares para dar um salto maior. A revolução socialista nunca vai acontecer se não tiver essa base.

Vermelho: E com relação a Dilma Rousseff, o que esperar de uma presidente com um passado de luta revolucionária?
AP: Conheço pouco da Dilma, mas, se você pensar em simbologia, é muito importante. O fato de ela representar atualmente o movimento das mulheres é um negócio muito forte. Sua origem revolucionária , embora de visão curta, também é algo importante. Digo de visão curta porque em minha opinião todos aqueles que partiram para a guerrilha na época enxergaram curto.

Vermelho: Até mesmo o PCdoB, com a Guerrilha do Araguaia?
AP: Até nós. Um dos argumentos que eu uso hoje é que nós temos necessidade dos grandes quadros que perdemos lá. Não vou dizer que o movimento não foi importante, mas o prejuízo também foi grande.

Vermelho: Quais são suas expectativas de continuidade dos avanços conquistados por Lula, no governo Dilma?
AP: Acho que, se a Dilma não se embriagar pelo poder – porque ele embriaga –, ela tem condições de avançar. Na linha que o Lula vinha, acho que ela pode avançar mais. Ela tem estrutura e apoio para isso — é só não se fascinar.

Vermelho: Recentemente o PCdoB prestou uma homenagem a você em Brasília. Como foi retornar para a cidade e encontrar seus ex-camaradas de luta?
AP: Isso me deixa feliz. O partido se esqueceu de valorizar as suas lideranças, e acho que isso está sendo corrigido. Pouco tem sido feito para jogar essa imagem para o público, e a grande massa precisa saber disso. Acho importante — não pelo meu merecimento mas pelo próprio partido — que precisa de divulgar.
Me emocionou muita a posição da Nádia [Nádia Campeão, presidente do PCdoB-SP] quando disse, no Congresso do partido, se referindo a mim: “Esse foi um desbravador”. Nunca tinha imaginado que eu tivesse sido um desbravador, mas depois, pensando bem, percebi que desbravei mesmo. O povo tem que saber quem lutou, como lutou e o que fez. Não fui só eu. É preciso pegar outros nomes. O partido tem uma história e ela é importante.

Vermelho: Você é conhecido por manter uma vida modesta mesmo depois de ter exercido dois mandatos como deputado federal. Como você vê os políticos que usam seus cargos para o enriquecimento pessoal?
AP: Isso é uma deturpação da estrutura política do país, não é pessoal. O problema da avareza, do dinheiro, da riqueza, do nome, nunca deixou de existir na massa. Esse pessoal poderia ter sido impedido de ter acesso ao poder se tivéssemos outra estrutura política. Ou você tem uma estrutura corrupta na mão ou tem o bolso cheio.
Veja se sobra uma legenda para os operários — e, se sobra, veja se ele consegue se eleger... O problema dos homens que estão lá em cima, avarentos por dinheiro e cargos, é fruto da estrutura político-partidária. As campanhas políticas hoje precisam ser financiadas pelo Estado, é preciso democratizar isso.
Quando assumi em 1978 eu tinha uma casinha para morar — num bairro periférico, que não tinha nem esgoto nem água tratada — e um fusquinha. Quando entreguei o mandato em 1987, eu tinha dois fusquetas e uma casinha um pouco maior no mesmo bairro. Melhorei a casa em função do trabalho, porque não tínhamos um salão para fazer nossas reuniões, e os encontros aconteciam na minha própria casa. Isso foi reconhecido pelo próprio Renato [Renato Rabelo, presidente do PCdoB] no dia da homenagem. Ele disse que “a casa do Aurélio era a casa da mãe Joana”.

Vermelho: Você tem alguma saudade do tempo como parlamentar?
AP: Não. Não me arrependo de nada, mas foram tempos muitos difíceis e não sinto saudades. Se eu pudesse, voltaria à luta sindical. Se eu pudesse, voltaria.

Fonte: Portal Vermelho

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Deu no Portal Vermelho de hoje!!

Para a esquerda brasileira e a presidente Dilma refletir!! Este é o caminho!!!

Chávez propõe um partido para as lutas do povo e o socialismo

Num pronunciamento em que criticou o burocratismo, a cultura política capitalista e a inércia da máquina eleitoral, o líder da Revolução Bolivariana, em encontro realizado na terça-feira (11) em Caracas com dirigentes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), fez um chamamento a que o partido seja efetivamente um líder das lutas do povo e um poderoso instrumento de propaganda, agitação e comunicação.
Após uma reunião com a direção do PSUV, do qual é o principal dirigente, Chávez deu a conhecer as cinco Linhas de Ação Estratégicas para um eficiente funcionamento dessa força com vistas às eleições de 2012.

A primeira, disse, é passar da cultura política capitalista à militância e cultura socialistas.

Acrescentou que é urgente, em segundo lugar, transformar a organização do PSUV num partido-movimento a serviço das lutas concretas do povo, o que alguns chamam de política prática.

"Não podemos ficar somente na teoria", disse Chávez, e fez um chamamento a fazer política em cada bairro, em cada comunidade com o objetivo de tonar a vida melhor para os venezuelanos.

Essa é uma das estratégias fundamentais do partido para deixar de ser uma máquina eleitoral, afirmou o líder da Revolução Bolivariana.

Chávez enumerou como terceira linha, a importância de transformar o PSUV em um poderoso instrumento de propaganda, agitação e comunicação.

Em quarto lugar, destacou a necessidade de passar da inércia da máquina partidária, para liderar a luta do povo e desenvolver o poder popular, a fim de que se converta em sujeito histórico.

Avançar para a construção de um grande Polo Patriótico em uma audaz política de repolarização, reunificação e repolitização, é a quinta linha, detalhou o presidente do PSUV e estadista.

Chávez ressaltou que no país há dois polos representados na Assembleia Nacional, que se transformou num importante espaço de debate político onde a oposição mostrará seus verdadeiros interesses.

O mandatário informou que a direção nacional do PSUV trabalhou na minuta do documento denominado Linhas Estratégicas de Ação Política do Partido, que será apresentado no dia 21 de janeiro em um encontro nacional com a presença de mais de 1.440 dirigentes revolucionários.

Na última terça-feira (11), a direção nacional do PSUV debateu estas linhas estratégicas com o objetivo de acertar os detalhes sobre as ações da organização no período de quase dois anos que antecede as eleições para presidente da República, governadores e prefeitos.

Ao apontar essas cinco linhas estratégicas, Chávez retoma o debate sobre a construção da vanguarda política da revolução democrática, popular e anti-imperialista que está em curso no país, num esforço voltado acima de tudo para a conscientização e mobilização do povo e a unidade das forças avançadas, demonstrando que a ação política de um partido revolucionário não se limita às eleições, à ocupação de cargos públicos e ao manejo de aparatos de governo.

Com informações da agência Prensa Latina

sábado, janeiro 08, 2011

Mesmo no novo governo da Dilma, a direita ainda vocifera!!

A PRESIDENTE DILMA E OS ESTRANHOS NO NINHO



Celso Lungaretti (*)




Demorou bem pouco para os estranhos que a presidente Dilma Rousseff admitiu no ninho revelarem ou confirmarem sua incompatibilidade com um governo democrático.




O general José Elito Siqueira, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, defendeu a estapafúrdia tese de que um país não deva envergonhar-se quando agentes do Estado sequestram, torturam e executam opositores políticos, dando depois sumiço nos restos mortais para ocultarem as provas de seus crimes.




Se é esta a visão que ele tem das instituições, está no posto errado. Que segurança haverá se quem zela por elas não considera vergonhosos os procedimentos ilegais, covardes e bestiais dos poderosos, mesmo quando se trata de golpistas que usurparam o poder e impuseram uma ditadura à Nação?




Se a incontinência verbal do tal Elito foi inesperada, já o ministro da Defesa Nelson Jobim era caçapa cantada de todos os analistas perspicazes.




Não decepcionou: mal começa o novo governo e ele vem trombetear que a Comissão da Verdade deveria investigar também a atuação dos que resistiram ao regime militar.




O Estado brasileiro tem a obrigação de esclarecer onde, quando e como os cidadãos que não se vergavam ao arbítrio foram vitimados por seus agentes e, se possível, dar às famílias algo para enterrarem, tanto tempo depois.




Quanto às baixas do outro lado, foram mais que investigadas na época, com a utilização de torturas de todo tipo; e os responsáveis, punidos não só de acordo com as leis de exceção então vigentes, como também ao arrepio delas.




No fundo, o que Jobim pretende é apenas equiparar, para efeitos propagandísticos, as novidades que venham a surgir com escassos e requentados casos de excessos cometidos pelos resistentes -- em toda luta desse tipo os há, mas a Resistência Francesa, p. ex., foi incomparavelmente mais violenta do que a brasileira, e isto Jobim esquece.




Ou seja, cada vez que a Comissão da Verdade esclarecesse mais uma atrocidade dos carrascos da ditadura, a rede de extrema-direita contra-atacaria com os poucos episódios de sempre, sobejamente esclarecidos e por ela já explorados ad nauseam, se estes estivessem também no pacote.




Omite, como de hábito, o fundamental: um abismo separa, em termos jurídicos e morais, o que agentes de um governo ilegítimo e despótico fizeram e o que foi feito por cidadãos que confrontavam sua tirania, em condições de enorme desigualdade de forças.




Tanto quanto a responsabilidade do Estado é incomensuravelmente maior no que tange às ações de quem agia, ainda que com investidura espúria, em nome dele.




A conclusão salta aos olhos: se a presidente Dilma contemporizar, os desafios à sua autoridade serão cada vez mais frequentes e insolentes.




Urge afastar os corvos do seu ninho.




* Jornalista, escritor e ex-preso político. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com