segunda-feira, abril 22, 2013

A IMPRENSA BURGUESA NÃO SE CANSA DE PERSEGUIR E DENEGRIR OS COMUNISTAS E AS FORÇAS DEMOCRATICAS, POPULARES E PROGRESSISTAS!


O “Quarto Poder” vai recuar no anticomunismo?

Carlos Pompe*

Na semana que passou, o Senado devolveu a Luiz Carlos Prestes o seu mandato de senador pelo Partido Comunista do Brasil e a Câmara Municipal de São Paulo também devolveu os mandatos dos vereadores comunistas cassados em 1948. No mês passado, a Câmara Federal tomou idêntica posição sobre os mandatos dos deputados federais.

Na Câmara Federal a proposta de devolução dos mandatos partiu de Jandira Feghali (RJ), no legislativo paulistano foi de Orlando Silva e, no Senado, de Inácio Arruda (CE), todos do PCdoB. Como afirmou o senador cearense, “no dia 23 de maio de 1985, o então Presidente da República, José Sarney, recebeu, no Palácio do Planalto, o Constituinte comunista de 1947, João Amazonas, acompanhado do então deputado federal pelo PMDB baiano, Haroldo Lima, e ali foi anunciada a volta da legalidade do Partido Comunista. O Executivo se redimiu, assim, da postura antidemocrática assumida em 1948. Em 23 de junho de 1988, o Tribunal Superior Eleitoral deferiu a concessão do registro definitivo do Partido Comunista do Brasil. O Judiciário revogou, assim, o equívoco de 1947. Agora é o Legislativo que está reparando o erro e fazendo Justiça à história e à nação brasileira”.
Portanto, os Três Poderes, sensíveis aos interesses democráticos, nacionais e populares, voltaram atrás em relação às medidas arbitrárias que tomaram no passado. Mas e o assim chamado (pelos seus proprietários) “Quarto Poder”? Qual o posicionamento da mídia oligopolista?
Heber Ricardo da Silva, em A democracia impressa: transição do campo jornalístico e do político e a cassação do PCB nas páginas da grande imprensa (1945-1948), analisou como os proprietários dos jornais de maior circulação e seus prepostos trataram os comunistas no período em que tiveram sua primeira bancada parlamentar nacional. O Partido Comunista do Brasil (que na época adotava a sigla PCB) conquistou perto de 10% dos votos nas eleições presidenciais de 1947 e elegeu dezessete deputados e um senador, alcançou a maioria na Câmara dos Vereadores do Distrito Federal (Rio de Janeiro), em São Paulo obteve o terceiro lugar no total de votos nas eleições estaduais de 1947, contribuiu nos debates e elaboração da Constituição de 1946, destacando-se na defesa do direito de greve, autonomia sindical, estabelecimento e ampliação dos direitos de cidadania. Ou seja, nada do que as famílias Marinho (O Globo), Mesquita (Estadão) e Chateaubriand (Diários Associados) defendiam nas páginas de suas publicações, já então dominantes no país.
A imprensa das elites brasileiras despolitizava a atuação dos comunistas na Assembleia Nacional Constituinte. Os jornais retiravam das suas páginas os posicionamentos políticos ideológicos e colocavam em foco comportamentos e opiniões pessoais. Os fatos políticos sobre a cassação da legenda e dos mandatos comunistas em maio de 1947 e janeiro de 1948, respectivamente, foram muitas vezes omitidos pelos principais jornais do país. O objetivo era silenciar e anular as ações comunistas, evitando qualquer tentativa de suposta subversão social e organização das massas trabalhadoras.
Os jornais publicaram diversas matérias, editoriais e reportagens para emitirem juízos de valor e criar uma representação distorcida sobre o PC do Brasil e a atuação de seus parlamentares. Os comunistas eram excluídos das páginas dos jornais, mas a temática comunista e as ações contra os comunistas, como repressão, prisões, fechamento de organismos de base e intervenção em comícios eram abordados na perspectiva desautorizar a ideologia comunista e construir uma opinião pública contrária à atuação e funcionamento do Partido.
Em 1946, escreveu O Estado de S. Paulo, em editorial, que “não podemos ser complacentes com o Partido Comunista. As suas atividades são mais nocivas que proveitosas à coletividade [...] o que se sabe é que em todas as agitações, em todos os movimentos grevistas, nunca deixam de aparecer elementos graduados do Partido Comunista”. Apesar desse anticomunismo raivoso, o Estadão, que se opunha ao Governo Dutra, posicionou-se contrário á cassação. Júlio de Mesquita Filho considerou “um erro a medida adotada pelo TSE cassando o PCB, pois ela tornaria o governo mais impopular e ao mesmo tempo fortaleceria a legenda comunista que estava com seu prestígio em declínio”. Porém o Estadão afirmou que a decisão deveria ser respeitada e a Justiça Eleitoral não poderia ser pressionada pela opinião pública (ou seja, pelos eleitores!).
Também em 1946, O Globo publicou em editorial: “O Partido Comunista, dentro das intenções mais evidentes de seu guia e chefe, nada mais deseja que desenvolver o seu programa de achincalhe às autoridades, não poupando sequer os homens que se afastam mais do terreiro partidário, porque incumbidos de refletir no estrangeiro os rumos de nossa política externa, bem é de ver que ao Sr. Carlos Prestes e seus mais representativos correligionários com assento na Constituinte, o que importava acima de tudo era desmoralizar o poder público e sobrepor-se às suas ordens”. Desde o momento em que o projeto de cassação foi apresentado no TSE, o jornal publicou diariamente matérias e colunas para desfavorecer a imagem dos comunistas junto à opinião pública e reforçar o anticomunismo. Para o jornal dos Marinho, com o passar do tempo a “legenda vermelha” tinha sido responsável por “semear a discórdia” e representava perigo ao regime de liberdade. Os comunistas pretendiam solapar as instituições democráticas, criar uma situação de anarquia social, “a fim de que sobre suas ruínas econômicas fosse plantado o regime da foice e do martelo”.
O Jornal do Brasil, por seu turno, classificou como “memorável” a sessão que julgou a cassação: “Muitos procuram argumentar que a democracia é um conceito genérico e que qualquer restrição imposta à liberdade de associação política implica em ofensa a esse conceito. Mas a doutrina não pode servir de base para a apreciação de um caso concreto. O que se impõe é saber se o funcionamento desta ou daquela agremiação está em harmonia com os postulados e princípios democráticos julgados essenciais no regime peculiar ao Brasil”.
Chateaubriand saudou a decisão em editorial no Diário de São Paulo, alegando que “fechado pelo Tribunal de juízes, o PCB desaparecia como corpo estranho, pois não tinha nada a ver com a pátria, uma vez que agia com a representação soviética, ou seja, tratava-se de uma mercadoria de exportação que, repelida pelo consumidor, tem de voltar ao mercado de origem”.
A Folha da Manhã, precursora da atual Folha de S. Paulo, clamou por medidas que eliminassem o comunismo do cenário político, pois “sua ação representava um risco de se ver transplantado para o Brasil o regime soviético que era responsável em fuzilar dissidentes ou mandá-los para os campos de concentração”.
O Globo, Diário de São Paulo, Folha da Manhã e Jornal do Brasil aprovaram cassação também dos mandatos dos representantes eleitos pelo PCB e anulação da votação obtida pela legenda nos pleitos de 2 de dezembro de 1945 e 19 de janeiro de 1947. O Globo considerou que, ao contrário do que muitos haviam afirmado, “não havíamos assistido ao enterro da democracia, mas sim a manifestações de sua vitalidade triunfante como ocorre em todos os países livres como o Brasil”.

“Buscando a adesão do maior número de adeptos a sua causa política, a imprensa brasileira foi responsável, assim, pela construção de uma verdade única sobre a democracia, uma verdade que não apenas contestava a ideologia comunista como oferecia elementos para a luta anticomunista. A democracia defendida pelos jornais no imediato pós-guerra era dotada de limites bem definidos, ou seja, deveria estar a serviço dos interesses particulares de grupos políticos e econômicos, e o comunismo internacional e a ação legal do PCB no campo político brasileiro representavam constante ameaça a esses interesses”, opina Heber Ricardo da Silva em seu livro.
Acorrentada aos interesses de classe de seus proprietários e anunciantes, a mídia oligopolista, que petulantemente se considera Quarto Poder, continua sua sanha reacionária e anticomunista – aliás, como ficou pela enésima vez evidenciado na campanha que desenvolveu e desenvolve contra a presença do PCdoB no Governo Dilma.

*Carlos Pompe é jornalista, militante revolucionario comunista, editor do Vermelho/DF e curioso do Mundo!

domingo, abril 21, 2013

"PPS É CAPÍTULO VERGONHOSO DA POLÍTICA NACIONAL"


domingo, abril 14, 2013

A saga "diabólica" do pastor/deputado Feliciano!!!




Deus e o Diabo na Câmara Federal

Carlos Pompe*

A eleição de um pastor preconceituoso para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara Federal acirrou ânimos e trouxe para a sociedade e a mídia a discussão sobre os avanços dos religiosos nos espaços institucionais, ameaçando o estado laico. Essa discussão é necessária e urgente, pois o irracionalismo tem sido fartamente utilizado para disseminar preconceitos sociais e justificar a dominação das classes exploradoras na sociedade.
A CDHM é constituída por 18 deputados membros e igual número de suplentes. Cabe-lhe avaliar e investigar denúncias de violações de direitos humanos, discutir e votar propostas relativas à sua área, pesquisar e estudar a situação dos direitos humanos no Brasil e cuidar dos assuntos referentes às minorias étnicas e sociais, dentre outras atribuições. Pauta-se pelos direitos básicos e inalienáveis inscritos na Declaração Universal dos Direitos Humanos (da Organização das Nações Unidas – ONU) e a Declaração Americana de Direitos Humanos (da Organização dos Estados Americanos – OEA), ambos de 1948, e por outros instrumentos internacionais assinados pelo Brasil.
Naturalmente, qualquer deputado está qualificado, pelo mandato, a integrá-la e presidi-la. E este é o caso do pastor. Porém, a Câmara representa o conjunto da população, e não apenas os eleitores desta ou daquela crença, desta ou daquela ideologia, deste ou daquele segmento social. Ao assumir uma função mais ampla do que o próprio mandato, o parlamentar passa a representar o Legislativo – e não apenas o seu eleitorado – naquele encargo.
Assim se comportaram ex-presidentes da CDHM como Nilmário Miranda, Iriny Lopes, Luiz Couto, Manuela D’Ávila, Domingos Dutra, Janete Rocha Pietá, Padre Ton e Erika Kokay, que divulgaram nota repudiando a declaração do atual pastor-presidente, que disse que seus antecessores representavam o domínio de Satanás no órgão, enquanto ele próprio representaria o deus cristão. Devido às suas ações e pregações, o mandato do parlamentar na presidência vem sendo questionado por setores da sociedade aos quais a Comissão deveria acudir e defender e por pessoas que promovem a construção de uma sociedade democrática e progressista, tolerante e solidária.
“Nós fomos adversários da tortura, da homofobia, do trabalho escravo, do racismo, da violência de gênero. Dessa comissão saíram leis avançadas, como a Lei Maria da Penha, o projeto de combate à tortura e a PEC que combate o trabalho escravo”, explicou a ex-presidente Manuela D’Ávila, do PCdoB-RS. O atual presidente, que tem trajetória de combate aos direitos dos homossexuais, ao direito da mulher sobre o próprio corpo, de ataques a outras seitas que não a sua, de considerar – fundamentado no Antigo Testamento – os nascidos negros na África e seus descendentes amaldiçoados, não se colocou acima de seus preconceitos e convicções pessoais ao assumir o comando da CDHM. Daí o movimento legítimo pela sua destituição que, regimentalmente, só pode ocorrer através de sua renúncia.
Um aspecto que chama a atenção no debate travado através dos meios de comunicação é que críticos do pastor tentam desmerecer suas opiniões alegando que elas são distorções de textos bíblicos. Mas não são! Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento contém textos homofóbicos, contrários à igualdade da mulher, ao relacionamento livre entre as pessoas, à convivência com seguidores de outras seitas, que legitimam (o Antigo) ou silenciam (o Novo) sobre a escravidão. Seu conteúdo é utilizado pelas classes dominantes para justificar a sociedade dividida em opressores e oprimidos, exploradores e explorados, bem aventurados e amaldiçoados.
A proliferação das seitas irracionalistas, com o beneplácito, cumplicidade e muitas vezes apoio de governos municipais, estaduais e federal, é um desserviço à humanidade e, no nosso caso, ao povo brasileiro. Chefes religiosos, em sua maioria politicamente reacionários, aumentam seus rebanhos disseminando o ódio e o preconceito, baseados em textos bíblicos selecionados dentre os de pior conteúdo. A influência política da reação clerical aumenta e espaços importantes de defesa dos seres humanos são ocupados por essa malta.
Daí a necessidade não apenas de denunciar essa ação contrária aos povos, mas também de enfrentar o tema pela raiz, contrapondo à pregação religiosa o chamamento à razão, desqualificando os argumentos sobrenaturais com as descobertas científicas, demonstrando a incoerência das abordagens idealistas (partam de pessoas progressistas ou não) diante da possibilidade da análise dialética materialista dos fenômenos naturais e sociais. Em suma, a que ser materialista militante, como indicavam Marx, Engels e Lenin, dentre outros que atuaram pela construção de uma sociedade avançada com um pensamento avançado.
A luta para tirar da presidência da CDHM o pastor reacionário continua. Batalhemos para que tenha êxito.
*Carlos Pompe é jornalista, comunista, dirigente do PCdoB/DF e editor do Vermelho/DF




sábado, abril 13, 2013

Emtrevista na TV Cidade Livre!!

Para quem não viu o Programa "Escola de Midia", da TV "Cidade livre", no Canal 8 da NET nesta sexta, reproduzimos aqui a entrevista de Luiz Aparecido

quinta-feira, abril 11, 2013

Vejam o programa e enviem comentários


LUIZ APARECIDO NA TV COMUNITÁRIA “CIDADE LIVRE”, CANAL 8 DA NET, EM BRASILIA

Não deixe de ver amanhã, dia 12, às 16,30hs , no Programa “Escola de Mídia”, apresentado por Agostinho Reis, da “TV Comunitária Cidade Livre”, no Canal 8 da NET, em Brasília, entrevista com o jornalista e cientista social Luiz Aparecido da Silva, militante comunista/revolucionário do Partido Comunista do Brasil-PCdoB. Luiz Aparecido discorre sobre sua trajetória politica da juventude aos dias de hoje, quando milita no PCdoB/DF e escreve no Portal “Vermelho/DF”, atua no Cebrapaz, e exerce outras atividades. Também  faz uma análise da situação politica na Coréia do Norte, da América Latina e denuncia a ação de agentes dos serviços secretos de países imperialistas e de Israel, que agem impunemente dentro de nossas fronteiras.
O programa da TV Comunitária “Cidade Livre”, canal 8 da NET, será reprisado no sábado,  dia 13, às 18hs e no domingo, segunda feira , dia 14, terça-feira dia 15,às 18,30hs e na  quarta feira,  dia 16, às 7 horas da manhã. O programa poderá ser repetido ainda pela TV Telesur, canal venezuelano de noticias.

quarta-feira, abril 10, 2013

Vejam por onda o dinheiro sujo da Burguesia e dos corruptos do Brasil e do Mundo todo!!


Por
ANTONIO MARTINS, do site “Outras Palavras”

Vazamento inédito revela pontos obscuros da globalização, onde bancos e multinacionais misturam-se ao crime organizado, para se esconder das sociedades
Por Antonio Martins I Imagem: Connor MaguireThe honnest banker-gangster
Um facho de luz está iluminando o lado obscuro do poder global desde o início do mês, sem que os jornais brasileiros pareçam interessados em segui-lo. Após 15 meses detrabalho, uma equipe do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, em inglês) começou a publicar reportagens muito constrangedoras sobre os centros financeiros offshore, também conhecidos pelo termo eufemístico de “paraísos fiscais”. Por envolverem políticos e magnatas conhecidos do público, as revelações já estão provocando sobressaltos políticos em países tão diferentes como França (onde caiu o ministro das Finanças), Canadá, Indonésia, FilipinasVenezuelaRússia e Azerbaijão.
trabalho do ICIJ tem como fonte um vazamento de informações extraordinário. Um operador anônimo, de uma instituição financeira que opera nas Ilhas Virgens britânicas,enviou a Gerard Ryle, diretor do Consórcio, um disco rígido de computador contendo 260 gigabytes de dados – 2,5 milhões de documentos, acumulados ao longo de trinta anos. Em volume, são 160 vezes mais dados que o material vazado, pelo Wikileaks, a partir do Departamento de Estado dos EUA. Por isso, o caso tornou-se internacionalmente conhecido como o “offshore leaks”. Uma equipe de 86 jornalistas, de 37 publicações (nenhuma brasileira…) analisou as informações e está produzindo as reportagens. É possível acompanhá-las, por exemplo, em seções especiais criadas no próprio site do ICIJ, mas também no Guardiande Londres, e no Le Mondede Paris.
A importância política dos documentos é proporcional a seu tamanho. Até o momento, estes jornais preferem destacar o lado mais vistoso das revelações: governantes, super-ricos e celebridades que escondem dinheiro em pontos longínquos do planeta, para sonegar impostos. Mas o que já foi publicado permite outra leitura, menos superficial. As praças offshore não podem mais ser vistas como ilhas tropicais paradisíacas, para onde flui a riqueza resultante de alguns negócios marginais. Elas são uma engrenagem fundamental no centro do capitalismo contemporâneo.
Primeiro, por seu próprio tamanho. Conforme estudos citados pelo ICIJ, os centrosoffshore acumulam depósitos estimados entre 21 e 31 trilhões de dólares – entre um terço e metade do PIB anual do planeta. Segundo, por sua própria constituição. As ilhotas pitorescas que compõem a galáxia do offshore são apenas a franja (e, num certo sentido, a fachada), numa vasta rede oculta em cujo centro está Londres – a principal praça financeira do mundo.
A geografia política de tal rede é descrita — numa entrevista que Outras Palavras publicatambém hoje — por Nicholas Shaxon, autor de obra recente e fundamental sobre ooffshore: Treasure Islands: Uncovering the Damage of Offshore Banking and Tax Havens1. Ele explica: a grande teia do sistema financeiro nas sombras parte da capital britânica e articula-se por meio de dois núcleos intermediários, de onde se estende por todo o planeta. Um dos núcleos tem base em três ilhas do litoral inglês – Jersey, Guernsey e Man – e abre-se para Ásia e África. Outro, baseia-se nas Ilhas Cayman e Bermundas, voltando-se para as Américas.
A Grã-Bretanha articula a enorme estrutura de captação de recursos. Mas os Estados Unidos são o principal destino do dinheiro, prossegue Shaxon. Maiores devedores do planeta há décadas, os EUA abriram-se, a partir dos anos 1970, ao mundo offshore.Acostumaram-se a fechar suas contas externas, cronicamente deficitárias, atraindo também dinheiro de origem duvidosa – ao qual oferecem isenções fiscais e proteção legal.
É neste mundo de finanças ocultas e anonimatos, relata o ICIJ, que escondem e “lavam” (legalizam) seu dinheiro as grandes redes do crime organizado: máfias de distintas nacionalidades, políticos corruptos que se apropriam de recursos públicos, traficantes de seres humanos, beneficiários de caça proibida, escroques de todos os tipos. O esquema é conhecido. Quem precisa dar aparência de legalidade a uma soma obtida por meios ilícitos transfere-a para uma conta bancária offshore. Aproveita-se dos impostos muito baixos cobrados pelos “paraísos fiscais”. Mais tarde, reintroduz o dinheiro no país, na forma de crédito proveniente de uma instituição respeitável, com sede na Suíça, em Luxemburgo ou nas Ilhas Virgens. Quem irá investigar a origem primeira do dinheiro?
Mas o circuito que abastece o crime seria insustentável, continua Nicholas Shaxon, sem uma presença luxuosa: a das grandes corporações transnacionais. Praticamente todasas empresas com atuação internacional, relata ele, atuam offshore. Fazê-lo tornou-se quase obrigatório, na dinâmica que a globalização assumiu. Permite evasão sistemática de impostos, explicada na entrevista. A tal ponto que não operar offshorepenalizaria as corporações eventualmente dispostas a respeitar seus sistemas tributários nacionais, obrigando-as a cobrar preços superiores aos das concorrentes.
Surge, aqui, um primeiro círculo de conveniências e cumplicidades. Se as transnacionais deixassem o circuito offshore, raciocina Shaxon, ele ira tornar-se rapidamente insustentável. Seria uma confraria frágil de milionários fora-da-lei, facilmente denunciável e desmontável. Sua força, e sua suposta honorabilidade, é transferidas pelas grandes corporações.
Por elas e, é claro, pelos bancos. Quase todas as instituições bancárias importantes, conta a reportagem do ICIJ, têm relações com a rede financeira das sombras. Por meio delas, tornam-se capazes de oferecer aos clientes premium a faculdade de ocultar dinheiro obtido legal ou ilegalmente – e de reintroduzi-lo no país, sempre que necessário.
Os bancos chegam a competir entre si, na oferta de serviços eficazes de ocultamento de recursos. Num documento vazado, o Crédit Suisse, com sede em Zurique e representações em todo o mundo (inclusive no Brasil, onde “patrocina” a Orquestra Sinfônica de São Paulo), é descrito como “o Santo Graal” da rede. Os procedimentos que adota nas transferências de recursos são tão “eficientes” – admira-se um operadoroffshore – que autoridades policiais ou bancárias eventualmente interessadas em descobrir a identidade de um depositante irão “deparar-se com uma muralha blindada”… Mas não se trata de um exemplo isolado. Reportagens do Der Spiegel e doLe Monde estão revelando como instituições “respeitáveis” como o Deutsche Bank (alemão), Banque National de Paris e Paribas (franceses), IMG e Amro (holandeses) envolveram-se no esquema.
Nem mesmo a crise iniciada em 2008 parece abalar o mundo financeiro clandestino. Segundo o ICIF, entre 2005 e 2010, os depósitos dos 50 maiores bancos do mundomais que duplicaram, avançando de 5,4 para 12 trilhões de dólares. Este salto ajuda, aliás, a compreender o cenário global em que se alastra o universo offshore; e também o ambiente ideológico que o alimenta. Na última década, a desigualdade espalhou-se pelo mundo (com a exceção notável da América do Sul). Mesmo num país como os Estados Unidos, 400 pessoas detêm tanta riqueza quanto metade da população. O grupo restrito dos ultra-ricos formou o que o filósofo francês Patrick Viveret chamou de uma oligarquia financeira. Esta possível “nova classe” tem enorme poder econômico e político. Deseja ter mãos livres tanto para intervir nas decisões dos Estados nacionais quanto para driblá-las, quando contrariam seus interesses. Vê, numa galáxia financeira opaca, um instrumento extremamente funcional para preservar seus privilégios e ampliar seu poder.
É possível enfrentar o universo offshore? Do ponto de vista técnico, não faltam alternativas, explica Nicholas Shaxon. Os fluxos de recursos para os “paraísos fiscais” podem ser limitados tanto por tributação mais elevada – que inibe as transferências – quanto por restrições diretas dos Estados. O difícil, ressalta o autor de Threasury Islands, é enfrentar a força política da oligarquia financeira. Entre os grupos diretamente interessados em manter a situação atual estão banqueiros, grandes empresas, bancadas políticas corruptas e crime organizado.
A mídia exerce um papel central na resistência às mudanças. Os jornalistas dos meios tradicionais normalmente sabem muito pouco sobre finanças internacionais, observa Shaxon. Nas raras vezes em que escrevem sobre o tema, recorrem aos “especialistas do mercado financeiro” – precisamente os que mais têm interesse em que nada mude.
É sintomático que nenhum jornal, TV, rádio ou portal de internet brasileiro tenha dado destaque ao Offshore Leaks. Considere a participação dos bancos e das transnacionais em sua carteira de anunciantes…
Mas é animador que, em todo o mundo, o episódio tenha alcançado tanta repercussão. A crise financeira tornou as sociedades mais críticas. A vida de luxo e ostentação dos altos executivos é vista com desconfiança e desconforto crescentes. Muitos julgam-na uma afronta, diante do empobrecimento de vastos setores sociais.
Nunca houve condições tão favoráveis para abrir um debate sobre o assunto. Um sintoma é o fato de você estar lendo este texto, apesar do boicote da mídia brasileira sobre o tema…
1-[Ilhas do Tesouro: revelando os danos dos paraísos fiscais e das finanças “offshore”, infelizmente ainda sem tradução em português – ler verbete na Wikipedia, ou comprar].

segunda-feira, abril 08, 2013

OUTRO EXCELENTE ARTIGO SOBRE A CRISE ENVOLVENDO A CORÉIA DO NORTE!!!


Elias Jabbour: O que quer a Coreia do Norte? 


Nem sempre imagens têm mais valor do que mil palavras. No caso em questão, as imagens e o retorcimento da retórica explanada pelo governo da Coreia do Norte são parte de um grande jogo de ridicularização de um regime cujo único objetivo é a autodefesa. Também existe uma ponta de luta pela sobrevivência. Sobrevivência que significa a própria sobrevida de uma nação milenar. E para mim isso basta.

Por Elias Jabbour* 


Perguntemos a qualquer letrado, ou especialista. Você sabia que enquanto a Europa se ensanguentava em guerras religiosas, a Coreia já era uma nação com todos os traços que poderiam a classificar como um Estado Nacional precoce e anterior ao nascimento de Cristo?

Você sabia que houve uma guerra entre os lados norte e sul da península coreana entre os anos de 1950 e 1953? Você sabia que foi a primeira vez, desde a independência dos EUA (1776) que os norteamericanos assinaram um armistício, ou seja, foram derrotados pela primeira vez em quase 200 anos? Você sabia que desde 1776 os EUA nunca ficaram longe de uma guerra, fora dos seus domínios, por mais de dez anos? Você sabia que na Guerra da Coreia caiu, sobre o lado norte da península, o correspondente a dez bombas nucleares testadas em Hiroshima e Nagasaki? Você sabia que, desde 2001, estão apontadas, à capital da Coreia do Norte (Pionguiangue), cerca de 60 mísseis carregados de ogivas nucleares?

Mais perguntas: Você tem notícia acerca da invasão de um algum país por parte da Coreia do Norte? Você sabia que o país mais bloqueado, cercado e difamado no mundo é a Coreia do Norte? Será que essa difamação tem alguma relação com a derrota dos EUA na já referida guerra? Será que querem condenar a Coreia do Norte ao retorno à Idade da Pedra? Será que a Coreia do Norte há 60 anos não é o espinho na garganta dos EUA? Diante dos fatos e da história, você acha que os EUA fariam com a Coreia do Norte o mesmo que fizeram com o Iraque, o Afeganistão e outros? A Coreia do Norte tem ou não o direito de se defender? Você tem alguma dúvida sobre o destino de Kim Jong Un: seria recebido com festa num exílio na Europa ou teria o mesmo destino, com os mesmos requintes de crueldade, reservado a Muamar Kadafi?

Responder estas questões não é uma tarefa complicada. Um mínimo de honestidade já bastaria para saber o que está em jogo nesta guerra psicológica em curso na península coreana. De imediato sugiro qualquer julgamento moral sobre a natureza do regime nortecoreano, se é socialista ou não, se é democrático ou ditatorial, bonito ou feio, rude ou sofisticado. Tem gosto para tudo. Também não seria muito legal tomar a máxima do chanceler brasileiro (Antonio Patriota), segundo quem esperava uma “atitude mais ocidentalizada do líder nortecoreano”.

Talvez Antonio Patriota esteja levando a sério demais o conselho de Huntington sobre um Choque de Civilizações, quando na verdade tanto Huntington quanto Patriota não passam de vítimas de um verdadeiro “choque de ignorância”. Meu parêntese continua para externar algo mais de fundo. É chocante imaginar que o chefe de nossa chancelaria nunca tenha lido Edward Said (“Orientalismo: O Oriente como invenção do Ocidente”), nem tampouco Barrington Moore Jr. (“As Origens Sociais da Ditadura e da Democracia – Senhores e Camponeses na Construção do Mundo Moderno”). De forma explicita em ambos os livros ficam claras as evidências, na Ásia, de práticas democráticas ao nível da aldeia que remontam ao menos 3.000 anos.

O que quer de fato a Coreia do Norte, partindo de um julgamento mais pautado pela história? É evidente que o regime busca sobrevida e para isso nega a lógica da rendição incondicional tão cara a outras experiências, entre elas as da URSS, Leste Europeu e recentemente da Líbia.

Uma nação que historicamente teve seu território sob a cobiça estrangeira, cercada de grandes potências por todos os lados, passando por uma sanguinária ocupação japonesa e que sabe do que são capazes os EUA, não pode se dar ao luxo de esperar o bonde da história passar. O bonde da história derrotou as experiências socialistas da URSS e Europa, levando quase a nocaute por asfixia o governo da Coreia do Norte na década de 1990. Os últimos 25 anos foram marcados por privações de todo tipo, levando inclusive a fome para o outro lado do rio Yalu. O bloqueio, a fome imposta de fora para dentro e as inúmeras ameaças militares e provocações (Coreia do Norte como parte do “Eixo do Mal”, segundo Bush) só fez restar ao governo nortecoreano a opção de se “armar até os dentes” diante do que ocorria em Belgrado sob as hostes das chamadas “intervenções humanitárias”.

Poucos regimes no mundo tem uma noção da política como uma ciência que leva em conta não somente a correlação de forças, mas também o chamado tempo e espaço. Asiáticos e milenares que são os coreanos dão mostras de ter ido além de Maquiavel, aproximando-se de Lênin acrescido de alguma sabedoria confuciana e espírito de rebeldia herdado pelos ensinamentos de Laotsé. Somente gente preparada poderia manter em pé um país cercado, humilhado e ameaçado desde seu nascedouro e com um cenário recrudescido nas últimas duas décadas.

O conceito de ditadura não serve de explicação. Mais pobre ainda é levar à sério certas conversas do tipo “governo que se mantém às custas da fome do povo e do não cumprimento dos direitos humanos”, quando na verdade a soberania nacional está acima de qualquer direito humano. Ou se acredita ser possível algum direito humano sob ameaça ou intervenção estrangeira? O único direito humano universal é o direito à vida. E o direito a vida naquela parte do planeta se confunde e se entrelaça com o direito de ser nação soberana. É simples, sem ser simplista: a Coreia do Norte não está de brincadeira, pois sabem com quem estão lidando e do que são capazes os EUA.

Os nortecoreanos querem ter o direito de ser o que eles decidiram ser desde a explosão das primeiras revoltas camponesas contra a ocupação japonesa, ainda na década de 1910 do século passado. Ao invés de buscarmos dar lições de democracia, civilidade e de governo para uma nação milenar, seria mais interessante entender como um país exposto àquelas condições pode alcançar um nível de desenvolvimento tecnológico capaz de projetar e lançar satélites artificiais, mísseis intercontinentais e mesmo bombas nucleares, algo que nem nossos amigos do Irã e seus imensos recursos petrolíferos conseguiram até hoje.

Acho que se decifrarmos a formação social que forjou um povo capaz de expulsar Gengis Khan de seus domínios, no auge do poderio militar do Império Mongol, chegaremos a explicações mais plausíveis e próximas da realidade.

*Elias Jabbour é doutor em Geografia Humana pela FFLCH-USP. Autor de “China Hoje: Projeto Nacional, Desenvolvimento e Socialismo de Mercado” (Anita Garibaldi/ EDUEPB, 2006). 

PARA ENTENDER PORQUE E COMO A CORÉIA DO NORTE ENFRENTA O IMPERIALISMO AMERICANO E SEUS LACAIOS!!


Coreia do Norte sabe o que faz
Pode-se não gostar da política e do estilo, mas a Coreia do Norte está longe de ser uma pantomima do absurdo.



Por Breno Altman*
Não falta quem apresente o governo de Pyongyang como um bando de aloprados, chefiado por um herdeiro tonto e tutelado por generais dignos de Dr. Strangelove, o célebre filme de Stanley Kubrick estrelado por Peter Sellers. Mas fica difícil acreditar que um Estado pintado nessas cores possa ter sobrevivido a tantas dificuldades nesses últimos vinte anos.

Depois do fim da União Soviética e do campo socialista na Europa Oriental, que eram seus grandes parceiros econômicos, a Coreia do Norte entrou em colapso. O caos foi agravado por catástrofes naturais que empurraram o país para uma situação de fome. Poderia ter adotado o caminho de reformas semelhantes às chinesas, mas o risco de ser açambarcado por Seul afastou essa hipótese.

O forte nacionalismo, mesclado com economia socialista e mecanismos monárquicos, impulsionou uma estratégia de preservação do sistema. Laços com a China foram reatados. E os norte-coreanos resolveram peitar o cerco promovido pelos EUA, cuja exigência era rendição incondicional.

A consequência óbvia dessa decisão foi reforçar a defesa militar, tanto do ponto de vista material quando cultural. Na chamada ideologia juche, criada pelo fundador da Coreia do Norte, Kim Il Sung, que combina marxismo e patriotismo, as Forças Armadas são a coluna vertebral da nação.

Pyongyang, portanto, jamais descuidou de estar preparada para novos conflitos depois do armistício que, em julho de 1953, suspendeu a Guerra da Coreia. Sempre considerou que a disputa entre norte e sul teria a variável da presença de tropas estadounidenses.
Mas outras lições foram extraídas a partir dos anos 90. O primeiro desses ensinamentos foi que, após a debacle soviética, a Casa Branca passara a intervir militarmente contra os países que não se curvassem à sua geopolítica. Iugoslávia, Afeganistão, Iraque e, mais recentemente, Líbia servem como exemplos desse axioma.

O segundo aprendizado está na conclusão de que qualquer guerra convencional contra o Pentágono estaria provavelmente fadada à derrota. Somente uma força nuclear de dissuasão poderia servir de escudo eficaz.

Ao longo do tempo, o governo dos Kim deu-se conta de que, no controle desse dispositivo, poderia impor certas condições econômicas e políticas que ajudassem a recuperação do país, pois os temores militares de Seul e Tóquio obrigavam os EUA a negociar.

No curso dessa estratégia, demonstrações de poderio bélico e vontade de combate são essenciais. Os Estados Unidos recrudesceram, por sua vez, a pressão para que os norte-coreanos se desarmem, como pré-condição para qualquer alívio de medidas punitivas.

Pyongyang resolveu reiterar, nas últimas semanas, que não está para brincadeiras. De quebra, parece sinalizar que não aceita ficar sob o guarda-chuva chinês e rifar sua independência político-militar.

Pode-se não gostar da política e do estilo, mas a Coreia do Norte está longe de ser uma pantomima do absurdo. Eles sabem o que fazem. Seu regime sobrevive porque aprendeu que a única linguagem entendida por Washington é a força. Quem não entendeu isso, dançou na história.

*Breno Altman, 51, é jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel.

domingo, abril 07, 2013

UMA DISCUSSÃO QUE REDEFINE REFORMA OU REVOLUÇÃO!!!


A difícil transição ao socialismo

Definimos aqui o capitalismo como um sistema econômico em que o proprietário dos meios de produção explora a força de trabalho de indivíduos destituídos dos meios de produção.


João Alexandre Peschanski
Por um lado, a desigualdade fundamental da relação entre o capitalista e o trabalhador é indesejável, na medida em que, na sua forma extremada, nega o acesso mínimo aos bens de subsistência a uma parcela da população, refém das estratégias de lucro dos detentores dos meios de produção, o que é moralmente injustificável, e instaura geralmente um conjunto de mecanismos que recria e agrava as posições desiguais dos capitalistas e dos trabalhadores em relação à satisfação das necessidades básicas e à possibilidade de viver vidas dignas. Por outro lado, os mecanismos básicos do capitalismo – a propriedade privada dos meios de produção, o mercado de trabalho e a troca de produtos num mercado visando ao lucro – são em geral relativamente funcionais e criam as condições para que o capitalismo se reproduza. Por mais que haja déficit ético e notórias ineficiências, o capitalismo é uma maneira razoavelmente previsível e estável de organizar a produção e a troca de bens e serviços: tanto os capitalistas quanto os trabalhadores têm incentivos, variados e variáveis, para, no dia seguinte, manter o sistema funcionando; existem mecanismos para estimular a inovação tecnológica etc.
Agora, num exercício de imaginação, assumamos que haja um projeto de economia ou estejamos racionalmente convencidos de uma simulação de instituições econômicas mais justa e eficiente, que seja robusto e sustentável. Ou seja, aceitemos a proposta do socialismo como uma alternativa de organização econômica que, com base em instituições diferentes das que existem no capitalismo, seja possível, viável e atingível. (Com David Calnitsky, expus justamente na Margem Esquerda 17 alguns modelos de alternativas ao capitalismo – imaginemos, numa suposição irrealista com base no nível atual de desenvolvimento desses modelos, ainda frágeis, que um deles ou uma combinação deles seja reproduzível no tempo, sem se perverter ou se autodestruir.) Aceitemos hipoteticamente que há uma forma racional e qualitativamente melhor do que o capitalismo para organizar a economia.
Uma primeira dedução dessa hipótese é que, para os trabalhadores, é melhor estar no socialismo do que no capitalismo. É de seu interesse objetivo estar numa sociedade onde a satisfação social das necessidades se dá sem a exploração de sua força de trabalho. Vimos aqui que a posição na estrutura de classe determina em teoria os interesses objetivos; é racional para o trabalhador acabar com a exploração de sua força de trabalho, se uma alternativa melhor existir.
Uma segunda dedução dessa hipótese é que, sem as condições apropriadas para uma transição de baixo custo do capitalismo ao socialismo, é racional para os trabalhadores preferirem lutar para “melhorar” o capitalismo do que para “criar” o socialismo. (Especifico que, nesse exercício de abstração, capitalismo e socialismo são definidos como modos de organizar a economia qualitativamente diversos – isto é, para funcionar de maneira estável, o socialismo depende da construção de novas instituições.) Geralmente, transições são custosas: elevam o nível de incerteza, desorganizam o funcionamento estável de instituições (mesmo que diagnostiquemos essas instituições como injustas e ineficientes). Os capitalistas têm, potencialmente, a capacidade real de tornar muito custosa a transição do capitalismo para o socialismo, especialmente porque controlam ainda no capitalismo o fluxo de investimentos, a condição da produção futura. O desinvestimento leva possivelmente a uma desorganização real da economia, em que a taxa de satisfação social das necessidades é negativa, isto é, em que a população, que se emancipa da exploração, está pelo menos por um tempo com um acesso às condições de sua sobrevivência inferior ao que tinha enquanto era explorada. O horizonte de que, no futuro, a situação vai efetivamente melhorar não é necessariamente alentador para as pessoas que, no presente, não conseguem sobreviver.
Uma terceira dedução é que, de toda maneira, a existência de uma alternativa real ao capitalismo empodera os trabalhadores. No capitalismo – sem a existência de uma alternativa –, é mais provável que o trabalhador esteja numa posição mais vulnerável na relação de força com o capitalista do que o contrário, especialmente se não se está numa situação de pleno emprego, numa sociedade onde a mediana da população tenha acesso a uma qualificação profissional de bom nível e num espaço em que haja alta densidade organizacional do trabalho. A alternativa real permite ao trabalhador aumentar seu poder de barganha e, portanto, melhorar no presente a qualidade de sua vida, claro que nos limites da reprodução da exploração. O capitalista tem interesse em estabelecer um compromisso com os trabalhadores, se ele tiver acesso a informações que sinalizem que estes vão cumprir com o combinado, isto é, limitar-se a exigir melhorias no contexto em que aceitam as regras necessárias para a reprodução do capitalismo.
Na medida em que estabelecemos que capitalismo e socialismo são sistemas qualitativamente diversos, o melhor dos capitalismos nunca será tão eficiente e tão justo quanto o socialismo. Por conseguinte, a existência de uma alternativa real ao capitalismo não é suficiente para a criação do socialismo, por mais que, como argumentei com Calnitsky no artigo supracitado, a teorização da alternativa seja absolutamente necessária. Nessa perspectiva, uma tarefa principal dos socialistas no capitalismo é criar as condições reais para reduzir os custos da transição de um modo de organizar a economia para outro, tema sobre o qual espero voltar em um post futuro.
João Alexandre Peschanski é sociólogo, coorganizador da coletânea de textos As utopias de Michael Löwy (Boitempo, 2007) e integrante do comitê de redação da revista Margem Esquerda: Ensaios Marxistas.

sexta-feira, abril 05, 2013

Momento histórico!




Esta foto pode ser histórica, ou não!! Na ultima terça, dia 2, na Embaixada da Republica Democrática e Popular da Coréia, estou falando em nome do PCdoB, hipotecando nossa solidariedade ao povo e governo coreano diante das agressões e ameaças do Imperialismo americano e seus lacaios. Agora as ameaças se tornam mais reais e o perigo de uma guerra, inclusive nuclear, aumentou consideravelmente. Presentes o embaixador e representantes dos movimentos sociais e partidos de esquerda. A coisa tá feia lá pelos lados da península coreana. Todo mundo com o dedo no gatilho. Torcemos para que os imperialistas recuem e a Paz reine naquelas bandas de lá!!

quarta-feira, abril 03, 2013

PCdoB E CEBRAPAZ APOIANDO A CORÉIA DO NORTE!!!




Marcos Tenório, presidente do Cebrapaz/DF, o embaixador da Republica Democratica e Popular da Coréia, Luiz Aparecido, do PCdoB e Vermelho/DF e Pedro Oliveira, do PCdoB nacional, nesta terça feira, durante visita dos partidos e movimentos sociais em solidariedade ao povo e governo coreano face as agressões e ameaças nucleares dos Estados Unidos aquele pais socialista.Todo apoio ao povo, ao Partido do Trabalho da Coréia e ao seu governo!

terça-feira, abril 02, 2013

SOLIDARIEDADE AO POVO E A REPUBLICA DEMOCRATICA E POPULAR DA CORÉIA!!



Partidos de esquerda e membros dos movimentos sociais e progressistas do Distrito Federal, fizeram uma visita hoje, dia 2de abril, a Embaixada da Republica Democrática e Popular da Coréia e a seu embaixador no Brasil, para expressa solidariedade ao povo e governo norte-coreano, ante as agressões do Imperialismo americano e seu fantoche, a Coréia do Sul. Há uma real ameaça de guerra contra a Coréia Democratica e Popular, com manobras militares e estacionamento de parte da frota de agressão americana e seus aviões munidos de armas nucleares na costa coreana. Lá estiveram o PCdoB por mim e pelo Pedro de Oliveira, representado, o Cabrapaz/DF, na figura de Marcos Tenório, membros e dirigentes do PSB, PT e outros combatentes pela Paz e solidariedade entre os povos, como o representante da Embaixada cubana em Brasilia, Rafael Hidalgo, Everaldo Cavazzo pelo CDR/DF.