quinta-feira, fevereiro 20, 2014

RICARDO "ALEMÃO" ABREU, DENUNCIA O GOLPISMO QUE GRASSA NA VENEZUELA E O BRASIL PODE ESTAR NA LISTA!

Venezuela é vítima de uma nova tática intervencionista da direita


Vermelho entrevistou o secretário de Relações Internacionais do PCdoB, Ricardo Alemão Abreu, para entender a conjuntura política da Venezuela. Segundo ele, há um novo padrão de intervenção da direita na América Latina e o que está acontecendo no país é a aplicação desta tática de desestabilização, uma vez que a oposição não tem força política suficiente para enfrentar os governos de esquerda de forma democrática. Leia a seguir a íntegra da entrevista.


Por Théa Rodrigues, da Redação do Vermelho


Manifestação a favor do governo de Nicolás Maduro em Caracas. Foto: Alba.

Como avalia o momento pelo qual a Venezuela está passando atualmente?

Há um novo padrão de intervenção da direita na América Latina, que diz defender a democracia e a liberdade, mas que na verdade sempre foi antidemocrática e autoritária. A direita vem se apropriando dos discursos da esquerda, para implantar a dúvida de quem são os reais democratas e quem são os ditadores.

A Venezuela é um caso mais flagrante disso atualmente, mas essa mesma tática está sendo usada na Argentina e no Brasil. Trata-se da tentativa de criar um ambiente de desestabilização com o desabastecimento, que gera uma guerra econômica e o caos que força uma crise cambial. Por sua vez, isso provoca uma violência política que dá a sensação de que o governo não tem controle da situação e de que é culpado pela situação caótica.

Como os opositores conseguem o apoio popular utilizando essa tática?
Na Venezuela há uma parcela da população que ora vota no chavismo, ora vota contra. Esse grupo não cai no discurso fácil de que o presidente Nicolás Maduro é culpado por tudo, mas pode não votar novamente nele por conta da situação do país. Com isso, os opositores reforçam sua porcentagem de eleitores (cerca de um terço dos votantes) e disputam outra franja de apoio popular. Por meio da desestabilização do governo, o golpe de Estado se torna mais palpável para esses grupos de ultradireita, que utilizam quaisquer artifícios para manipular informações.

A manipulação e a desestabilização de governo rumo a um golpe de Estado são uma resposta à força da integração latino-americana?
Claro. À medida que temos a democracia e liberdade para o povo na América Latina, surgem ainda mais alternativas, mais à esquerda, progressistas e até revolucionárias, que sempre foram sufocadas ou por golpes militares, ou por invasão dos Estados Unidos, ou por apoio às ditaduras. O golpe militar de 1964 no Brasil é um exemplo, assim como o golpe que derrubou Salvador Allende no Chile, na década de 1970.

Tivemos, a partir do final dos anos 1990, um avanço no processo de democratização latino-americano e, consequentemente, a vitória de governos mais progressistas e até de forças revolucionárias que passaram a democratizar ainda mais esses países – a Venezuela teve 15 eleições no período de 10 anos. Por tanto, o processo é contrário ao que dizem dos governos de esquerda: que são ditaduras.

O governo de Cristina Kirchner democratizou os meios de comunicação na Argentina, o mesmo aconteceu no Uruguai e no Equador. Quer dizer, quanto mais os governos de esquerda avançam em reformas democráticas, os grupos de direita opositores ficam sem alternativa e buscam uma saída fascista.

Por isso o presidente Nicolás Maduro considera que a conjuntura na Venezuela é uma consequência da ação de grupos fascistas?
A oposição está mudando de tática e de líder na Venezuela. Veja bem, Henrique Capriles não dá mais conta de fazer oposição ao governo em eleições. Já perdeu para o Hugo Chávez e, posteriormente, para Nicolás Maduro. Nas eleições municipais de dezembro passado, eles achavam que teriam ao menos um empate técnico com o partido governista, mas as medidas que Maduro tomou contra a guerra econômica foram muito eficientes e, com isso, o mandatário teve a confirmação do apoio popular.

Então precisa ser alguém mais radical, como é o caso de Leopoldo López. Tanto que, anteriormente, ele e Capriles faziam parte da mesma coligação contra o chavismo e agora estão divididos. Ou seja, pelas vias democráticas a oposição não tem mais espaço. A cena golpista fica impaciente com os governos que vão se reelegendo e que dão continuidade e aprofundamento aos programas progressistas. A partir disto, a direita passa a fortalecer uma alternativa neofascista, de golpe de Estado, de ditadura e de violência.

Para ter uma ideia, em 2002, López liderou a agressão armada à embaixada de Cuba e hoje prega um discurso pacífico. Ele, na época, já organizava esses grupos neofascistas de ultradireita. O opositor continua sendo o mesmo, mas agora utiliza essa “fachada” de defensor da paz, da democracia e de José Martí. Isso é tudo jogo de cena.

E assim Leopoldo López ganha o apoio popular...
Sim, mas essa campanha denominada “A Saída” que ele comanda é ditatorial e acusa o governo que construiu um Estado com base na democracia popular, que é o conteúdo real da Revolução Bolivariana, de ser uma ditadura.

Podemos afirmar que há uma tentativa de golpe de Estado na Venezuela, tal e qual o presidente Nicolás Maduro vem denunciando?
Sim, há uma tentativa de golpe, mais complexa, mais sofisticada e que utiliza o discurso da democracia e da liberdade, mas com o conteúdo de um golpe fascista. Essa inversão de sinais e essa apropriação dos termos de esquerda promove uma confusão ao desconstruir a imagem da real democracia. Há uma falsificação que tenta enganar o povo para a saída golpista.

Qual o papel dos Estados Unidos no que está acontecendo na Venezuela?
Os Estados Unidos e as direitas locais não suportariam mais 10 anos de governos progressistas e anti-imperialistas na América Latina. Como disse anteriormente, existe hoje um novo padrão de intervenção política do imperialismo, que prepara a guerra midiática, a guerra econômica, o terror psicológico e a falsificação.

Gene Sharp, um escritor que possui ligações com a CIA, escreveu um livro no qual ele levanta 198 estratégias de desestabilização de governo. Tudo o que está sendo feito na Venezuela está nesse “manual”. Isso foi aplicado no Irã em 1953 e no Chile em 1970.

O opositor Leopoldo López tem muita ligação com os EUA. O próprio fato de o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, ter se pronunciado contra a prisão de López pode ser uma demonstração da ligação entre eles.

Qual é a nossa tarefa para prevenir essa “infiltração” fascista?
Nós precisamos defender a democracia e os governos eleitos de forma legítima e denunciar essa tentativa de “fascistização” da América Latina. É importante agir agora para desmoralizar essa tática e essa estratégia da direita para implantar o golpe de Estado a qualquer custo.

Na Venezuela é importante aproveitar que a oposição não está totalmente unida nisso e desmascarar esse tipo de discurso fascista para evitar que a onda golpista cresça. Não acredito que possa haver um golpe na Venezuela manhã, mas pode ser criada uma situação favorável a isso. Temos que nos preparar para uma nova fase de contraofensiva.

Qual o papel da mídia na propagação desse discurso “falsificado”?
As redes sociais repercutem o que a grande mídia diz. Manipulam imagens e divulgam sempre aquilo que é lhes é favorável. A multiplicação de um discurso que parece a favor do povo, mas que tem por trás grupos de extrema direita merece atenção especial.

Há algum perigo para a integração latino-americana?
Os três países fundamentais para a integração latino-americana são a Venezuela, o Brasil e a Argentina. Para quebrar a integração hoje, é preciso quebrar esses três países. Isso abalaria o todo o processo de avanço consolidado com o Mercosul, Unasul, Celac, Alba e outros.

Por isso, hoje, a direita intensifica sua campanha nesses três países. O plano era derrotar o Polo Patriótico, em dezembro passado, na Venezuela – o que não aconteceu – para criar uma alternativa para o próximo referendo revogatório daqui a dois anos. Também querem derrotar a presidenta Dilma Rousseff nas presidenciais deste ano e a o partido de Cristina Kirchner na Argentina, em 2015.

É possível, portanto, encontrar semelhanças nos acontecimentos recentes nesses países no último ano. Há uma guerra midiática, uma guerra política e econômica que acontece em intensidades diferentes contra esses três governos. Os opositores apostam que o caos e que um governo cada vez mais desprestigiado perca o apoio popular.

Como isso pode repercutir no Brasil?
No Brasil não será diferente, eles vão tentar ganhar uma parte do povo que vota na presidenta Dilma Rousseff utilizando o falso argumento de que a governante é incapaz, que a economia está um caos, que a política social está esgotada.

Aqui no Brasil, o discurso da direita em 1964 era “democracia e liberdade” com a chamada “revolução democrática”. Contudo, o governo deposto de Jango era, até então, o mais avançado e o que tinha mais compromisso com a luta dos trabalhadores, com a democratização e com a soberania nacional. 


quarta-feira, fevereiro 19, 2014

Paulo Moreira Leite mostra quem é Roberto Freire. Tem muito mais....

FREIRE CARIMBA BIOGRAFIA COM COVARDIA

"O ataque a Dirceu comprova, por outro lado, que Roberto Freire conseguiu superar-se. Perde referencias, abandona o próprio passado. Não é tudo por dinheiro, como aqueles infelizes nos programas de auditório. É tudo para aparecer na mídia. Tudo. Até a coragem dos covardes, que batem em indefesos", diz o jornalista Paulo Moreira Leite, ao comentar a iniciativa de Roberto Freire, que pretende bloquear os recursos da vaquinha organizada pelos amigos de José Dirceu
Portal 247 - O jornalista Paulo Moreira Leite, colunista da revista Istoé, publica artigo demolidor sobre Roberto Freire, presidente do PPS. Leia abaixo:

COVARDIA

Roberto Freire mostra que consegue superar-se ao atacar Dirceu

A nova contribuição de Roberto Freire para atualizar sua biografia consiste em pedir o bloqueio das doações destinadas
a José Dirceu. 

Vamos combinar: é uma covardia absoluta  atacar um cidadão preso. 

Dirceu não tem como defender-se, não pode dar entrevista nem explicar seu pronto de vista a ninguém. 

Vítima de uma denúncia infame, sem pé nem cabeça, desmontada pela direção do presídio,  Dirceu é mantido há 90 dias sob
regime fechado, embora tenha direito legítimo ao regime semiaberto, conforme já foi reconhecido pelo ministro Ricardo Lewandovski. 

Embora não se pratique a tortura na Papuda, como acontecia nos tempos em que o pai de Tuminha -- novo amigo do deputado -- 
reinava no DOPS, basta ter alguma sensibilidade para se reconhecer que Joaquim Barbosa aplica aos condenados da AP 470 um regime de terror. 

Os direitos estão suspensos, o perigo pode vir de qualquer lugar e aquilo que que deveria ser o traço máximo da Justiça -- a previsibilidade -- já deixou de existir.  O que se quer é a execução social dos prisioneiros, que devem ser reduzidos a condição de seres manipuláveis e disponíveis, sem consciência nem vontade própria. As doações mostram que esse esforço é inútil. Para desespero de quem imaginou que os prisioneiros seriam levados ao ostracismo -- como o próprio Joaquim cobrou da imprensa -- a campanha confirma que eles têm base social e reconhecimento. 

Com todas as diferenças que se possa  imaginar, as doações de 2014 lembram a reação dos militantes do PT em 2005, quando 312 000 filiados participaram da escolha da nova direção do partido, surpreeendendo aqueles que apostavam na derrocada final da legenda depois da denúncia de Roberto Jefferson e das CPMIs do Congresso. 

O ataque a Dirceu comprova, por outro lado, que Roberto Freire conseguiu superar-se. Perde referencias, abandona o próprio passado. Não é tudo por dinheiro, como aqueles infelizes nos programas de auditório. É tudo para aparecer na mídia. Tudo. Até a coragem dos covardes, que batem em indefesos. 

Dias atrás se alinhou a Romeu Tuma Jr para pedir uma investigação sobre a insinuação de que Luiz Inácio Lula da Silva teria sido informante da ditadura.
Fernando Henrique Cardoso deixou claro, numa entrevista ao Manhathan Conection, que está fora desse jogo sujo. 

Mas Roberto Freire mergulhou na lama sem receio de manchar sua biografia.  
Porque toda pessoa que tenha participado da resistencia a ditadura sabe que insinuações sobre personagens da luta contra o regime  -- Lula é só o último exemplo entre tantos -- destina-se a acobertar os verdadeiros carrascos, os que comandavam a tortura e as execuções. 

Já era sintomático, semanas atrás, que Roberto Freire tenha apelado a Comissão da Verdade para apurar o papel de Lula.
Era muito mais fácil e decente pedir que se apurasse, prioritariamente, o papel de Romeu Tuma, pai, homem de confiança
dos militares, cujo papel no aparelho repressivo, em São Paulo, foi embranquecido e passado a limpo, a tal ponto
que no fim da vida era tratado como amiguinho -- e até como democrata -- pelos desavisados, ingenuos e interesseiros. Bastava uma conversinha com vozes do porão para se saber de outras coisas.  
A farsa, a fraude, o absurdo reside nisso. Para acobertar um papel vergonhoso e lamentável durante o regime militar,
procura-se espalhar a calúnia, a mentira, sobre pessoas contra as quais não há fato algum. Toda vez que fez uma
insinuação sobre Lula, seu filho (ajudado por Roberto Freire) deu um lustro na estátua do próprio pai. 
Compreende-se que um filho  faça isso. Até que anuncie um segundo volume com novas besteiras. Todo mundo precisa ganhar vida e nunca faltarão amiguinhos sem pudor para dar auxílio e divulgação. Amor filial existe. 
E amor próprio?
Um deputado comunista, que perdeu vários companheiros nas masmorras onde Tuma agia como
um gerente -- que jamais ajudou a localizar um desaparecido, nunca deu uma pista para condenar um torturador -- não deveria portar-se de modo tão vergonhoso. 

Também não deveria, agora, agredir quem não tem como se defender. 


JUSTIÇA RECONHECE: DRUMONT MORREU MESMO NA TORTURA!!

VERMELHO
 

Justiça reconhece que Drummond morreu sob tortura no DOI-Codi

 

Nesta terça-feira , o Tribunal de Justiça de São Paulo julgou improcedente, por 2 votos a 1, o pedido do Ministério Público de São Paulo, que recorreu de decisão proferida em 18 de abril de 2012, argumentando que “tortura é causa remota da morte, não podendo assim constar na certidão de óbito”. “É uma grande vitória para nós, mas, sobretudo para a família de João Batista Franco Drummond”, declarou ao Portal Vermelho o advogado Egmar José de Oliveira.

Joanne Mota, para o Vermelho 


A certidão do óbito expedida quando da morte de Drummond, fornecida pela ditadura militar, constava traumatismo craniano provocado por atropelamento na Avenida 9 de Julho, esquina com a Rua Paim, localizada no centro da cidade. Como em vários outros casos, os militares suprimiram os atos de tortura dos documentos que atestavam o óbito.

“Se encerra aqui um capítulo da história da família de João Batista Franco Drummond que agora poderá, a partir da emissão do novo registro de óbito, apresentar aos seus filhos e netos o que de fato ocorreu, em São Paulo, no dia 16 de dezembro de 1976”, destacou Egmar José de Oliveira, ex-conselheiro da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.

Voto anticomunista 

Egmar destacou ao Vermelho que o resultado da votação demonstra que ainda há um longo caminho para vencer o conservadorismo no Poder Judiciário, especialmente porque algumas questões da luta pela verdade e justiça dependem da decisão dessa esfera. “O Poder Judiciário é recalcitrante com relação a essas questões e isso ficou evidenciado no voto divergente, que reputo ser um voto anticomunista. O relator não teve nenhum pudor em dizer que o seu voto tem um conteúdo ideológico, portanto é um conteúdo anticomunista”, denunciou.

Para ele, o resultado convida a todos para uma reflexão sobre o papel ideológico e de classe que existe no comportamento de muitos juízes e no Ministério Público. “É ilusão imaginarmos que o Poder Judiciário possui total isenção e isso se aplica ao Ministério Público também”, afirmou.

De acordo com o advogado, o pedido de retificação de óbito de Drummond foi o primeiro a ser feito no Brasil, a pedido de sua família, Maria Ester Cristelli e suas filhas, Rosa e Silvia, quando a Comissão Nacional da Verdade ainda não estava instituída. As outras duas alterações foram nas certidões do jornalista Vladimir Herzog e do estudante Alexandre Vannucchi Leme.

No entanto ele sinalizou uma diferença de tratamento. “Com todo respeito, e é legítimo o que foi pleiteado pelas famílias do Alexandre e do Herzog, mas o tratamento deve ser igual para a família do Drummond. E a diferença de tratamento ficou demonstrada no curso desse processo. Precisamos refletir sobre esse posicionamento”, ponderou.

Tentáculos da Ditadura


Durante a defesa, Egmar José de Oliveira destacou que o julgamento em questão ultrapassa os méritos. Para ele, reconhecer a morte de Drummond por tortura no DOI-Codi, e ter isso em sua certidão de óbito, é apenas mais um tijolo no grande muro que apresenta a verdade sobre os crimes praticados durante a ditadura militar e mais um passo para romper os tentáculos dessa herança sombria.

Segundo ele, isso demonstra para a sociedade brasileira que a luta pela restauração da verdade e pela consolidação do estado democrático de direito é uma luta que está apenas começando.

“Esse mesmo tribunal, que julga o caso de Drummond, também sofreu intervenção do regime ditatorial com a cassação de três magistrados, sendo um desembargador e dois juízes, um deles inclusive militante do Partido Comunista do Brasil. Um tribunal que é composto por membros que desconhecem esse capítulo da história precisa passar por mudança. E as mudanças que conclamamos nas ruas, elas atingem, também, o Poder Judiciário”, afirmou o advogado.
Apoio

O reflexo do simbolismo do julgamento e pelo reconhecimento da luta pelos que tombaram durante a ditadura, a sessão mobilizou diversas entidades e amigos.

Entre as mais de 40 lideranças presentes estavam: o deputado estadual Alcides Amazonas, (PCdoB-SP); Jamil Murad, presidente do PCdoB-São Paulo; Adriano Diogo, deputado estadual (PT-SP); Vital Nolasco, membro do Comitê Central do PCdoB; Ivânia Pereira, secretária da Mulher da CTB; Rogério Nunes, secretário de Movimentos Sociais da CTB; Amelinha Teles, assessora da Comissão da Verdade Rubens Paiva; Carlos Eduardo Siqueira, presidente da UJS/SP; Elizeu Teles, advogado e chefe de gabinete da deputada estadual (PCdoB-SP), Leci Brandão; Angelina Anjos representando o Comitê Paraense pela Verdade, Memória e Justiça; e, representantes da Fundação Maurício Grabois e dos partidos PSTU, Psol, PCR, entre outros.

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Todos convocados ao julgamento do "caso" de João Batista Franco DDrumont

Mensagem convocatória de Egmar José de Oliveira – advogado, que trabalha no caso do camarada João Batista Franco Drumont, assassinado sob torturas pela Ditadura Militar/Civil,  nas dependências do DOI-CODI de São Paulo em 1976. Fruto da ação da  repressão conhecida como “Chacina  da Lapa”, onde vários dirigentes do PCdoB foram friamente assassinados e outros presos. 


Camaradas

Na condição de advogado e militante do Partido, ingressei com ação de retificação de óbito de João Batista Franco Drumond, dirigente do PC do B, assassinado em 1976 no DOI CODI SP, em nome da familia dele - Maria Ester Cristelli, esposa,  Rosa e Silvia, filhas, na Comarca de São Paulo em 15/12/2011.

No dia 18/04/2012, foi proferida a sentença em 1o grau determinando a retificação do óbito para constar local da morte DOI CODI DO II EXERCITO; causa da morte TORTURA (a certidão fornecida pela ditadura militar constava como local da morte a avenida 9 de julho esq. com rua Paim, centro, SP, e a causa: traumatismo provocado por atropelamento)

Pois bem. Irresignado com a decisão, pasmem você, o Promotor de Justiça interpos recurso de Apelação sob o argumento de que a tortura é causa remota da morte, não podendo assim constar na certidão de óbito.

Nas minhas contra razões argumentei, por obvio, o contrário.

Ontem fui intimado pelo diário oficial do TJSP que a apelação será julgada no próximo dia 18, às 13h30. na sala 511, 5o andar, Palácio da Justiça, Praça da Sé em SP. O relator da apelação é o desembargador Alvaro Passos. Estarei lá e farei a sustentação oral do bom direito.
Portanto, solicito a todos que mobilizem os nossos companheiros de São Paulo, capital, para se fazerem presentes na sessão, pois a pressão popular sempre ajuda e muitas vezes é determinante, ainda que o Poder Judiciário seja refratário a ela.

Por último: Destaco que no caso da João Batista Drumond, a Comissão Nacional da Verdade não fez nada, não se mobilizou e nem empenhou - diferente dos dois casos posteriores: Wladmir Herzog e Alexandre Vannuci, em que houve o empenho pessoal de alguns Comissionários, inclusive com visitas aos desembargadores do  TJSP e o enderençamento de documentos pedindo a retificação das certidões de óbitos deles. Reafirmo que tudo foi muito legitimo. No entanto, entendo que o militante do PC do B, João Batista Drumond, e sobretudo a sua familia, merece o mesmo tratamento.
Fica asim o meu pedido e os que puderem nos ajudem.

Saudações. Egmar José de Oliveira - advogado  e Presidente da Comissão da Verdade OAB/GO e Conselheiro (2004-13) e ex vice presidente (2008-2013) da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça


sábado, fevereiro 15, 2014

Eu e Joelson Meira debatemos a situação atual!!


Ontem à tarde e à noite(quinta-feira, dia 13) , um show de política e Ilê ayê no Congresso do MST . 16 mil pessoas , delegados de todo o Brasil , organização e disciplina impecáveis , feira de produtos sem agrotóxicos e uma irritação sem disfarce com o Governo Dilma . Desde o final da Ditadura Militar , foi o pior período para a Reforma Agrária . Simplesmente esquecida nos últimos três anos . Senti , no ar , dentro e fora do gigantesco Congresso campesino , uma nostalgia e um clima de Lula candidato no lugar de Dilma! No momento certo ! 
O PMDB que trabalha sempre na pressão e ameaça , pensa em romper a aliança com o PT em abril ou maio . Se romperem , Lula será o candidato . Eduardo, Vice . E a história será outra !
Parte superior do formulário
·         

Luiz Aparecido da Silva Meu querido amigo e camarada Joelson Meira, se os Sem Terra estão putos com o governo da presidente Dilma, imagina os Indigenas que estão sendo assassinados aos montes e vendo suas terras ocupadas pelo "sacrosanto agro-negócio", que é o novo nome do velho latifundio e seus capangas e capatazes. E os pequenos lavradores acuados pelo mesmo sistema. Os endividados que veem os juros subir adoidadamente e a divida publica subindo para gerar lucros à "banca" nacional e internacional. E até mesmo nós da esquerda, que participamos no governo e vemos nosso espaço cada vez mais ocupado pelos "aliados de centro".
O governo faz ouvidos de mouco às sugestões nossas no campo economico e social. Porque não transformar todas as familias, os homens principalmente. beficiarios das "bolsas" compensatórias e bem vindas, é claro, em brigadistas. Dando-lhes trabalhos em preservação de estradas vicinais e rodovias, limpezas de açudes e outras tarefas que digniifcam o trabalho e tambem não os coloca em cursos profissionalizantes, cursos de alfabetização, consciencia politica e social.. Não os transforma em seres uteis e conscientes. Estas brigadas certamente estariam a postos quando necessário para defender o governo e seus avanços. Porque a direita tai, publica e descaradamente esta armando um golpe, instigando os militares, usando um Judiciario viciado em servir os "senhores de sempre" e a imprensa venal a seus serviços e agora as "milicias' de direita que, aprovetando-se de manifestaçõoes legitimas e justas, para aquinhoar seu pedaço nas ruas. A questão está mais que posta. O perigo de um golpe branco ou não, é visivel e iminente!!
Parte inferior do formulário


domingo, fevereiro 09, 2014

O mundo esta a mudar!


Joelson Meira

Os Organismos supranacionais vão se constituindo no centro de decisão do destino dos povos através do maior domínio de suas economias , suas riquezas e controle da mão de obra cada vez mais precarizada . 
A Europa começa a se levantar , nas ruas , contra o Banco Central Europeu , a União Européia e o FMI , novos " donos " das decisões econômicas da Zona do Euro , cuja política que inventaram , chamada Austeridade , ( para o povo ) rouba bilhões de euros dessas nações , canalizados para o Sistema Financeiro sem controle . Nada é decidido pelos cidadãos de cada País !
Conquistas sociais que custaram sangue , guerra , suor e lágrimas estão se esvaindo de maneira assustadora , empobrecendo famílias , sacrificando idosos e trazendo desespero, violência e depressão onde até pouco tempo seria inimaginável .
As privatizações dos patrimônios nacionais em Portugal , Itália , Espanha , entre outros ; a apropriação dos serviços públicos , entre eles de saúde e educação , revelam as contradições imperialistas do terceiro milênio , a intervenção direta nas democracias locais e nacionais , a manipulação do tecido produtivo social , tudo gerando uma nova roupagem de supressão da soberania das nações .
Esta nova forma de domínio monopolista só pode ser respondido com REVOLTA SOCIAL , GUERRA aos tecnocratas, aos cartéis e demais tentáculos do poder financeiro internacional , totalitário , arrogante e cruel. .
REVOLTA SOCIAL , uma NOVA INTERNACIONAL SOCIALISTA e GUERRA contra o imperialismo são o antídoto para salvar a esperança da humanidade por trabalho , paz pão e liberdade !
As manifestações do povo Europeu nos interessa muito !

Joelson Meira, advogado e revolucionario baiano

TURMA DO SACI PERERÊ!!



Prezado amigo Luiz Aparecido da Silva precisamos de ajuda na divulgação da página de grupo pois é uma das poucas páginas que tematizam nossa cultura de tradição, amalgamada, síntese múltipla de 3 raças em distintos estágios civilizatórios etc....

Temos que ser uma arma, um arquivo, um espaço de manifestação, tudo isso ao mesmo tempo para demonstrar a importância deste tema para o próprio brasileiro e autoridades !!!

Pela música de tradição , de raízes profundas do imaginário popular, tematizamos a nós mesmos, nossa identidade e nossa força, energia e criatividade !!

Faço um apelo à todos que participam desta página que indiquem um outro companheiro, e contribua com uma postagem!! 

Temos que sobreviver para crescer !!!
Este é o link da página do Saci Perere-Mitologia e lendas...

https://www.facebook.com/groups/248378361986290/

Ultimo show ao vivo de Geraldo Vandré, em Goiânia!!

Ouçam neste link aqui, o ultimo  show ao vivo de Geraldo Vandré antes de ser preso e triturado pela Ditadura. Vale a pena ouvir todo:http://www.radio.ufg.br/pages/63609

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

EXCESSO DE LEIS e ESCASSEZ DE JUSTIÇA

Artigo de Salvador Bonomo

Lei vem do latim: Lex. É regra, norma, que regula conduta humana. Justiça

vem do latim também: Justitia. É conceito abstrato de estado ideal, harmonia,

bem-estar. Lei e Justiça se integram em ação equilibrada, imparcial, justa e

tempestiva na aplicação da norma.

O povo sabe que cabe ao Judiciário materializar esse conceito abstrato, que,

apesar de há muito almejado, ainda é mera esperança, que pode esvair-se no

horizonte, se os responsáveis não adotarem medidas concretas, adequadas e

urgentes, o que me parece difícil, em razão da ineficiência dos Poderes, como

se verá abaixo.

O Congresso Nacional é oneroso, pouco operoso e mal legislador, pois, em

2008, havia 181 mil leis federais, das quais apenas 53 mil são úteis: autêntico

entulho legislativo. Dos seus 594 membros, 224 deles (37,7%) respondem a

397 inquéritos e 145 ações penais (542 infrações) junto ao STF.

O Executivo Federal é, também, muito ineficiente: não fez a prometida “faxina”

contra a corrupção, ignorou o “cemitério das obras inacabadas” (vide a Ferrovia

Norte-Sul e a Transposição do Rio São Francisco!), apoiado pela “base aliada”

(a maioria dos 32 Partidos Políticos), criou um “balcão de negócios” em torno,

sobretudo, de 39 Ministérios, centenas de Emendas Parlamentares, milhares

de Cargos Comissionados, além dos gravíssimos problemas no Transporte, na

Educação, na Saúde e na Segurança Pública.

A ineficiência macula, também, o Judiciário, pelo que, recentemente, foi alvo

de do próprio Presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ao divulgar

dados sobre grande congestionamento de processos, conforme síntese abaixo:

- No início de 2012, tramitavam, no Judiciário pátrio, 64 milhões de processos.

Durante 2012, ingressaram mais 28,2 milhões. Soma: 92,2 milhões. Em 2012.

solucionaram-se apenas 27,7%, ficando, portanto, insolúveis 72,4%.

- Os referidos dados revelam que é imenso o congestionamento processual

na primeira instância, mas, na cúpula (STF), também, não é pequeno, pois,

em março|2012, distribuíram-se 63.821 ações entre os 11 Ministros, além de

terem que julgar mais 224 congressistas (191 Deputados e 33 Senadores:

37,7% do Congresso!), que respondem a 397 inquéritos e a 145 ações (542

infrações: fraude em licitação, desvio de verba pública, formação de quadrilha,

associação para o tráfico, sequestro e homicídio etc.), iguais ao “Mensalão”.

Basta de incompetência, de omissão e de corrupção!

Concluo, sustentando que resulta, daí, flagrante contradição: excesso de Leis e

escassez de Justiça. Os processos não tramitam, dormitam nos escaninhos do

Judiciário: morosidade, prescrição, negando da jurisdição, enfim impunidade.

Por fim, a palavra com o insigne Ruy Barbosa: “Justiça tardia nada mais é do

que injustiça institucionalizada”.

*Salvador Bonomo


*Ex-Deputado Estadual e Promotor de Justiça aposentado

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Pedro Maia sempre presente!!



O Espirito Santo perdeu nesta madrugada um grande homem. Jornalista competente e ousado, fez história no jornalismo capixaba e dignificou a profissão. Amante da vida e das coisas boas que ela podia oferecer, lutou como um leão contra uma doença que o derrubou há semanas. E como cidadão e homem deixa exemplos de vida e saudade imorredoura nos amigos. Sabia ser solidário e presente em todas as horas na vida dos amigos. PEDRO MAIA-PRESENTE SEMPRE!!!!

terça-feira, fevereiro 04, 2014

RELATÓRIO MEDICO. PACIENTE BRASIL


Victor Mendonça Neva
Paciente hidratado com fartura por uma infinidade de rios e pelo enorme contato com o oceano,

sempre corado porque tropical e muito bem nutrido de tudo que a natureza pode oferecer.

Apesar disso, definitivamente, não se apresenta nem lúcido e muito menos orientado. Demonstra

sinais de um profundo conflito interno, com sinais de confusão mental e até de automutilação.

A parte de sua vestimenta verde possui clarões com manchas de sangue demonstrando que o

paciente possivelmente se corta, bem como há discrepâncias notórias entre a apresentação de

joias caríssimas e sinais de desnutrição, manifestada no desgaste muscular, além de apresentar

pés descalços e mãos calejadas.

Quanto ao histórico clínico, o paciente apresenta sintomas de esquizofrenia, possivelmente

originada já em sua concepção, caracterizada por rompantes de duas personalidades bem

distintas. Inicialmente relacionada a problemas nutricionais, quando se notabilizou a expressão

Belíndia, com uma parte bem alimentada como a Bélgica, e outra faminta como a Índia, o fato

é que atribuir à falta de alimentos ou de recursos esta característica é uma estupidez, eis que

absolutamente incompatível com a fartura que a Providência lhe proporcionou.

Assim é evidente que a existência de carestia é decorrência de um problema psíquico, e

não o problema psíquico derivado da carestia. Há duas personalidades no paciente em claro

conflito. A primeira, considerada Dona do Poder por Raimundo Faoro, aristocrática, derivada

da corte que aqui chegou, tem sinais inequívocos de psicopatia e alienação mental e só vê

as potencialidades brasileiras como matéria prima para reprodução de modelos estrangeiros,

inicialmente português e após inglês, francês e hoje norte-americano. A psicopatia se verifica em

surtos de agressividade, o que é possivelmente a causa da automutilação.

 A segunda, tolhida dos recursos pela primeira e, portanto pobre, é de doçura, determinação e

inteligência raras. Acostumada a tirar leite de pedra, fez no sertão, nos cortiços e na favela uma

das mais belas e genuínas culturas do mundo. Como exemplo, temos o samba, o xote, o frevo,.

A esquizofrenia passou por dois tratamentos significativos em seu passado. O primeiro bastante

duro e agressivo, com revoltas e ditadura, chamada de Estado Novo, possibilitou alguma

destinação de recursos para os órgãos mantidos pela segunda personalidade, bem como

alguma reconstrução de auto-estima, trazendo um quê de nacionalismo para quem se sentia

sempre aquém dos modelos espelho. Apesar disso, teve como efeitos colaterais a restrição ao

desenvolvimento cultural, a legitimação de parte da opressão e a radicalização de parte dos

órgãos mantidos pela primeira personalidade.

A segunda fase do tratamento foi democrática, com o aprofundamento do desenvolvimento

oferecido pela primeira, a constituição de instituições e partidos, além da abertura cultura e de

liberdade de expressão que viabilização a sua melhor manutenção a convivência de algum

diálogo entre as duas personalidades. O tratamento, em suas duas fases reduziu os sintomas de

esquizofrenia e viabilizou o melhor aproveitamento de suas maravilhosas potencialidades.

De fato, iniciado o trabalho dos órgãos da primeira personalidade de maneira mais rústica,

até mesmo pela carestia que lhes era inerente, com a melhor distribuição dos recursos, se viu

melhor nutrido, e, com o diálogo e a convivência, puderam trocar experiências. Daí surgem os

chamados anos dourados e algumas das mais belas e até rebuscadas manifestações culturais

que ele pôde produzir, como a Bossa Nova, a arquitetura modernista de Niemeyer e Lúcio Costa

Além disso, do ponto de vista intelectual e político, passou-se à elaboração de projetos de

vanguarda de educação, desenvolvimento, erradicação da fome e democratização, bem como

à ocupação do sertão em um país que vivia apenas com parte de seus recursos materiais

Ocorre que o não tratamento adequado dos efeitos colaterais da primeira fase do tratamento e

das inatas características psicopáticas da primeira personalidade, mantendo-os no controle de a

maior fonte dos recursos, que é a terra, parte do sistema nervoso (a comunicação), as reservas

de gordura e, pior de tudo, o sistema imunológico (os milicos) ocasionou o surto. Se sentiram no

Direito de assumir de novo todo o controle do paciente e o levaram a um profundo trauma.

O trauma foi caracterizado por um grave movimento de rotação que, embora não se possa

confirmar pela impossibilidade de se proceder à ressonância magnética, indica a existência

de lesão axional difusa, principalmente no hemisfério direito do cérebro, responsável pelos

movimentos do lado esquerdo e pela rima, ritmo, música, pintura, imaginação, imagens, modelos

Para que os leigos entendam, Lesão Axional Difusa (LAS) é o rompimento da comunicação

dos neurônios no cérebro causado por um movimento rotacional abrupto do crânio. É como um

mal contato ou a desconexão dos cabos. Em casos muito graves, transforma o paciente em um

vegetal, mas em casos menores pode justificar demência, perda de equilíbro (ataxia). É como se

A consequência no paciente foi o hiperdimensionamento da outra área para compensar a

perda momentânea da outra, o agravamento da agressividade, com a quase paralisação das

manifestações culturais e o domínio de todo o corpo pelo viés psicopático.

Como o paciente é muito forte e, parte dele, acostumada a progredir em condições inóspitas, já

superou em parte o pior desta característica, mas parece que o lado afetado pela (LAS) também

passou a incorporar parte de agressividade, não abandonada pela outra, o que incrementou a

disputa pelo corpo entre as duas personalidades, talvez daí as manchas de sangue.

A se manter esta dinâmica a tendência é uma certa paralização do paciente, podendo, de fato,

se tornar catatônico perante os fatos do mundo e da realidade, gastando toda a energia que lhe

resta nesta batalha interna pelo seu domínio.

O problema é que a instituições e o sistema nervoso, após o trauma, responsáveis pela

viabilização do diálogo e da possível superação da esquizofrenia, após o trauma, passaram a

sofrer de carência dos componentes de república e democracia para o seu funcionamento. O

executivo foi fracionado e tem como alternativa o aparelhamento para se manter. O Legislativo

tornou-se fundamentalmente fisiológico e é incapaz de discutir um projeto de nação, eis que os

os partidos hoje existentes sequer se propõe a este desafio.

E o pior e o Judiciário, sequer percebeu que o trauma passou e que é hora de mediar conflitos e

promover os valores da democracia e dos direitos humanos. Está formado por uma infinidade de

corporações que vivem a lógica do “farinha pouca, meu pirão primeiro” e perdem mais a caça de

recursos, sem perceber que o seu volume de colesterol já está a entupir suas veias.

De fato, o risco de isquemia ou derrame é iminente em virtude de sua falta de circulação

dos nutrientes democráticos. A resposta dada tem sido cada vez mais refratária à cidadania.

Atualmente aquele que deveria ser o mediador e arbitro dos conflitos da sociedade sequer

se sente obrigado a ouvir os argumentos das partes, bastando apenas que encontre um

silogismo que confirme a sua pré-compreensão para dar o assunto encerrado. Além disso, tem

amesquinhado o valor da honra e do foro íntimo das pessoas, compensando o aviltamento dos

valores mais relevantes de uma sociedade a migalhas, cada vez menores. E, como se não

bastasse, sequer se sente compromissado em uma solução célere.

Como o paciente é forte e percebeu o problema circulatório, procurou um cardiologista que

procurou colocar um stent aonde o entupimento era maior, chamado de Conselho Nacional de

Justiça, tratando apenas o sintoma e não a causa. Mas ele veio com defeito de fabricação, eis

que composto majoritariamente por setores do problema e com muitas limitações para atuar.

Assim, apenas retardou o agravamento da doença. Houve alguns sucessos com relação ao

direito de saúde das células tronco, mas, apesar, disso, esbarrou em problemas estruturais que

impedem até mesmo a realização plena desta demanda.

Como resultado, o paciente como um todo, já está fazendo de tudo para contorná-lo. Cria

procedimentos extrajudiciais de resolução e conflitos. As células-cidadãs para resolver os seus

problemas de união ou os decorrentes de seu falecimento fazem de tudo para não procurá-

lo. A compra de moradia já é regulamentada por procedimento que pode rescindir o contrato

sem passar por ele. Até os órgãos de governo, se o problema não tiver significativa relevância,

preferem deixar de lado a cobrança, ou sujar o nome da célula-cidadão.

Outro efeito é que, como esta instituição não dá resposta aos anseios da sociedade, gerando

uma situação de impunidade e de insegurança negocial, não se difere mais células-cidadãs

boas e doentes de moral, fazendo com que, a cada negócio firmado, aumente o número de

exigências documentais e etapas burocráticas para evitar que se tenha que recorrer ao Judiciário

ou que, caso por fatalidade não tenha como evita-lo, tenha reduzidas o volume de incerteza e

imprevisibilidade cada vez maior que lhe aflige.

Toda esta dinâmica agrava a tensão, a agressividade e a virulência do paciente, aprofundando

sensivelmente o seu conflito interno. Se não houver tratamento específico para este problema, é

pouco provável que o prognóstico se torne favorável.

Assim, tem-se como hipótese diagnóstica a esquizofrenia agravada por Lesão Axional Difusa e

carência de Justiçol, que tem como componentes os princípios republicano de democrático, além

de justiça social. Os originais, não os genéricos ou similares.

Como tratamento, recomenda-se ao paciente o controle do conflito por respeito mútuo, mesmo

que às custas de eventual dopagem, bem como o tratamento com Justiçol pelas vias venosa,

oral e até em supositório. Já para o problema Judicial, prescreve-se, além disso, o uso de

semancol no limite máximo possível, tomando-se apenas o cuidado para evitar overdose e não

com os demais efeitos colaterais não letais.

Prognóstico: caso seguido à risca o tratamento, o prognóstico é extremamente favorável,

tornando o paciente uma grande nação. Caso contrário, pode leva-lo ao suicídio.

Victor Neiva

(sem registro e em inequívoco exercício irregular da profissão)

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Torcida para que novo ministro de Comunicação Social do governo ajude a quebrar monopólio da Globo e outros conglomerados!


È pelo "Jornal Nacional" que a Globo conspira, insufla o povo contra o  governo e tenta manter sua liderança e até inspira golpistas de plantão!



*Paulo Nogueira


Há uma inquietação no ar com a posse do novo titular da Secretaria de Comunicações da Presidência da República, Thomas Traumann, que substitui a bizarra Helena Chagas. Tão bizarra quanto o poder dos Marinho: "A Globo tem 60% da receita publicitária brasileira tendo 20% da audiência. Todo este dinheiro – o governo colocou 6 bilhões de reais nos últimos dez anos – alimenta uma máquina que defende os interesses dos Marinhos (...). E defende bem: os herdeiros de Roberto Marinho têm, juntos, a maior fortuna do Brasil, como mostra a lista de bilionários da Forbes. São cerca de 55 bilhões de dólares, somados". Não faltam razões para a tal inquietação. A missão de Thomas Traumann Postado em 31 Jan 2014 por Paulo Nogueira Thomas Traumann foi uma excelente aquisição para a Secom. Trabalhamos juntos na Época em meados dos anos 2 000. Thomas é um jornalista competente e um homem de caráter. Fazia, na revista, uma das seções mais lidas: Filtro. Como o nome diz, era uma filtragem das notícias mais importantes da política. (O espírito dela está presente em nosso Essencial.) Eu era diretor editorial, e minha divisa era: “um olho na revista e outro no site”. Thomas, com seu Filtro, era a representação disso. Na edição semanal, você tinha ali o principal do mundo político no papel. Diariamente, pela internet, você se informava por Thomas. O mundo político acompanhava-o. Lembro que uma vez Serra, então forte candidato à presidência, nos contou que uma de suas leituras obrigatórias era o Filtro de Thomas. Ele chega à Secom sob uma cínica desconfiança da mídia. Absurdamente privilegiada há anos, décadas, por sucessivos governos com coisas como publicidade em doses abjetas e financiamentos a juros maternos em bancos públicos, a mídia teme que a Secom coloque algum dinheiro em blogs que representam, hoje, a garantia de que vozes e visões alternativas chegarão à sociedade. As companhias de jornalismo defendem, essencialmente, seus próprios interesses – e os do grupo a que pertencem, o chamado 1%. Antes da internet, elas comandavam – manipulavam – a opinião pública. Veja o que elas fizeram com Getúlio e, depois, Jango. Com Lula, no Mensalão, o mesmo comportamento padrão se repetiu – a tentativa de minar governantes populares. A diferença é que a estratégia não funcionou. A intenção era a mesma. Foi nesse quadro que a internet surgiu e floresceu como uma vital contrapartida às empresas de mídia. Colunistas que reproduzem o pensamento patronal estão criticando a nomeação de Thomas. Reinaldo Azevedo – que tem uma velha obsessão por mim – é um deles. É até engraçado. Quando dirigiu uma revista a favor do PSDB, Azevedo recebeu mensalões do governo paulista na forma de anúncios. Nem isso foi suficiente para salvar a publicação. A revista para a qual ele trabalha – a Veja – é abençoada com a compra de lotes consideráveis pelo governo de Alckmin. Os exemplares vão terminar em escolas estaduais cujos alunos estão na internet. São conhecidos os relatos de gente que vê as revistas indo para o lixo exatamente como chegam – na embalagem plástica. Alguém pode imaginar jovens lendo revistas de papel, com a internet à sua disposição? Mas o governo Alckmin gasta milhões em Vejas que não serão lidas por estudantes que sequer a conhecem. Thomas Traumann chega com uma missão relevante: dar mais nexo ao investimento publicitário oficial. Faz sentido a Globo – com audiência em queda aguda por conta também da internet – continuar a receber tanto dinheiro em anúncios governamentais? A Globo é uma bizarrice. Graças ao BV (Bonificação por Volume), uma espécie de propina para as agências, a Globo tem 60% da receita publicitária brasileira tendo 20% da audiência. Todo este dinheiro – o governo colocou 6 bilhões de reais nos últimos dez anos – alimenta uma máquina que defende os interesses dos Marinhos, dos Marinhos e ainda dos Marinhos. E defende bem: os herdeiros de Roberto Marinho têm, juntos, a maior fortuna do Brasil, como mostra a lista de bilionários da Forbes. São cerca de 55 bilhões de dólares, somados. Durante muito tempo, só o governo pagava tabela cheia de publicidade quando os anunciantes privados tinham descontos que podiam passar de 50%. Era uma torração infernal de dinheiro público. Dívidas com bancos oficiais eram pagas, frequentemente, com anúncios. Nos anos 1980, o Jornal do Brasil regurgitava de anúncios do governo. Investir no jornalismo digital é fundamental – sobretudo para a sociedade. Jango não teria sido derrubado tão fácil se na época houvesse a internet para mostrar o que os jornais não mostravam. Teríamos evitado, simplesmente, a ditadura militar – a qual, além de matar brasileiros, construiu um país campeão mundial de desigualdade. Os militares – apoiados pela mídia – fizeram um governo de ricos, por ricos e para ricos. Thomas, na Secom, é a esperança de que cheguem ao fim as mamatas das empresas de mídia no que diz respeito às verbas oficiais. Se Thomas se sair bem, mais que o governo Dilma, quem ganhará mesmo é a sociedade brasileira.


*O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.