Mensagem que enviei ao companheiro Celso Lungaretti eoutros!
Meu caro Lunga!
Acabei de assistir hoje, domingo, dia 21 de junho de 2009, no Canal Brasil da SKY e repetido por outros canais de assinatura, o documentario,"Tempo de Resistencia", onde inumeros revolucionarios dão seu depoimento sobre a resistencia dos combatentes brasileiros à Ditadura. Entre os depoimentos sinceros e emocionantes de Denise Crispim,que foi mulher e tem uma filha do "Bacuri", um dos mártires da luta armada, Aloisio Nunes Ferreira e até do inefavel Zé Dirceu, há tambem o de Darci Rodrigues.Este ultimo me chocou ao repetir a cantilena mentirosa e falsa, de que o campo de treinamento da guerrilha da VPR, no Vale do Ribeira no inicio dos anos 70, no interior de São Paulo, foi entregue pelo quem ele chama de traidor, Celso Lungaretti.
È mais que a hora, de exigir dos produtores e diretores do documentario que façam, em nome da verdade histórica, o esclarecimento que historiadores como Jacob Gorender e a própria vida ja fizeram: Celso Lungaretti não foi o delator que entregou o local do treinamento para a repressão. Como esta informação se tornou publica e abrange, atraves do documentario exibido no "Canal Brasil" e outros veiculos, fórum de seriedade histórica, é necessário mais uma vez isentar o Lungaretti desta perfidia e se for o caso, até entrevistarem o Celso e outros companheiros da época, para apontar o verdadeiro delator daquele fato.
As toruras barbaras e humilhantes que nós revolucionarios fomos submetidos nos porões da Ditadura, devem ser denunciadas sempre, assim como a verdade dos fatos que elas originaram. Se alguns e não foram poucos, fraquejaram e abriram companheiros e ações, os fatos devem ser esclarecidos. Mas uma mentira não pode destruir a reputação, a honra, a vida e a coragem de quem teve a audacia e o desprendimento humano de enfrentar, armados ou não, o aparato selvagem da ditadura.
Dou meu depoimento publico da honestidade e coragem histórica de Celso Lungaretti, que assumiu suas fraquezas e teve a ousadia de dedicar até hoje a vida no sentido de superá-las.Vamos então cobrar de Darci Rodrigues, ex-militante da VPR que corrija seu erro e retire as acusações falsas contra o c0mpanheiro Lungaretti, Os produtorese diretores do documentario, teem tambem o dever civico, humano e histórico de esclarecer esta questão.
Luiz Aparecido
ex-preso politico e até hoje militante do glorioso PCdoB
Página de comentários e registros do cotidiano de Luiz Aparecido, sua familia e amigos. Opiniões sobre o que ocorre no Brasil e no Mundo e claro, com as pessoas!
domingo, junho 21, 2009
terça-feira, junho 02, 2009
Homem de sorte!!!1
SOU UM HOMEM DE SORTE!!!!
(primeira parte)
Esta fazendo um ano e meio agora em maio, que comecei a sentir os primeiros sintomas da cruel e rara doença “Meliopatia cervical”, causada pela compressão das vértebras sobre a medula, causando paralisia generalizada e podendo ocasionar a morte se não for interrompida cirurgicamente a tempo e não for depois, tratada com fisioterapia e medicamentos. Passei mais de um ano internado, primeiro no Hospital de Base de Brasília e depois no Sara Kubstcheck, onde a equipe do Dr. Hudson realizou exitosamente a cirurgia que abriu as vértebras comprimidas e liberou a medula. Agora é ter tempo para que a melhoria surja vagarosamente com a fisioterapia, remédios e paciência.
Nestes tempos terríveis em que tive que parar de trabalhar e ficar imobilizado muito tempo, contei fundamentalmente com o apoio, amor, carinho e dedicação de minha esposa Polyana Demoner, sem a qual teria possivelmente ficado totalmente aleijado ou morrido. Ela foi atrás de médicos, hospitais, cuidou de nossos filhos e de negócios pendentes, o que faz até hoje. Mas não posso esquecer-me do apoio e solidariedade do meu irmão Fernando Lopes da Silva, que varias vezes se deslocou de Cuiabá onde mora para ir a Brasília, me dar assistência junto com sua mulher Meire e dos amigos/irmãos Caio Carneiro Campos e sua mulher Andréia Barbosa, do Marcos Tenório, do Renato Rabelo e da direção nacional do PCdoB, principalmente do deputado Aldo Rebello e Rita Polli, Lucia Ana e Assis Soares, do senador Inácio Arruda, do também deputado Edmilson Valentin, dos companheiros dos gabinetes deles, do Jairo Jose Junior e do ex- deputado e companheiro Sergio Miranda e outros camaradas e amigos.
Quem mais esteve comigo
Foram solidários e me ajudaram muito até na minha sobrevivência, o Dr. Pedro Ynterian e a Assibral e Interlab de São Paulo, o Marcio Pinheiro, do Grupo Arara Azul, os irmãos Nilton e Luiz Wagner Chieppe, do Grupo Águia Branca, assim como o coronel Klinger Sobreira de Almeida, do mesmo grupo na Bahia. Também na Bahia, o Celso Mathias esteve sempre solidário e presente, assim como meu camarada e amigo deputado Javier Alfaya, o Calucho e o Fernando Coelho. Outro amigo que não me faltou foi o Aramis Moraes da Receita Federal em São Paulo, o Luiz Augusto de Araujo, nosso querido “Lula” e a minha amigona Cynira Maturama. Outro sempre presente é o historiador, amigo e meu biógrafo Pablo Emmanuel Moura. E ainda o velho amigo Rubens Gatto, que saia de suas dolorosas sessões de hemodiálise para ir me visitar no Sara. Outro sempre presente tem sido meu companheiro e governador moral de Brasília, o Orlando Cariello e o combativo Carlos Pompe.
Um homem nunca esta só quando tem amigos verdadeiros. E disso não posso me queixar. O ex-governador Max Mauro acompanhou de longe o drama que vivi, o José Salvador e Max Filho que na época prefeito de Vila Velha, foi a Brasília com o Arnaldo Borgo me visitar. Muitos não puderam ir a Brasília me ver, mas telefonaram e acompanharam de longe minha agonia, sempre me apoiando e sendo solidários. O Carlos Fernando Lima, com uma doença parecida e mais grave que a minha, luta para superá-la e ainda tem tempo de ser solidário. Rogério Siqueira foi um bálsamo enquanto estive no Sara e até hoje acompanha de longe minha lenta e sofrida recuperação. Tem o Carlos Umberto Martins,o amigo de infância Ruy Palhares, presente na minha vida até hoje,o Altamiro Borges, o Chico Martins que aqui no Espírito Santo tem sido muito solidário e parceiro. Assim tem sido também o amigo jornalista capixaba sediado em Brasília, Sylvio Costa. Outro amigo sempre presente e solidário tem sido o combatente Celso Lungaretti. E ainda o iluminado Tom Zé e dona Neusa.
Aqui no exílio convalescente, tem o Gildo Ribeiro, Nilo Walter dos Santos, o blogueiro Dino Graccio, Wanda Gasparini e Ronaldo Montalvão, Luiz Palauro, Osmario Cavalcante, o “jovem” Rubens Pontes, Tião Fonseca, Anderson Falcão, Marcos Monjardim e outros companheiros de PCdoB e amigos como Fernando Herkenholf que estão sempre presentes. E ainda os parentes da minha esposa Polyana, sua mãe dona Cleusa, que mesmo abalada com a morte trágica do marido, tem me dado mito apoio e atenção, assim como seu filho e meu cunhado Wellisson. Tem ainda minhas mais antigas amigas, Denise Pini e toda sua família, a Márcia Xavier, querida Madame X, a batalhadora Fernanda Tardin e as inesquecíveis Maria Luiza de Araujo e Luciane Moreira de Oliveira, de Campinas. E ainda tem o Luiz Carlos Antero, que lá do Ceará, onde também esta o Inácio Carvalho, meu quase genro, me ajuda na minha luta pela anistia, o João Ferreira, Virgilio Alencar e o José Eduardo Faro Freire, o “Zezão”. Enfim é muita gente que tem sido solidaria comigo, o que renova minhas forças para enfrentar as adversidades da doença.
Estou me preparando agora, para mesmo com algumas limitações voltar a ativa. Tanto na militância partidária como ao trabalho, como assessor e consultor institucional, que venho desempenhando há muito tempo. Força de vontade, experiência e garra não tem me faltado. Os problemas causados pelas seqüelas da doença não irão me impedir de trabalhar e lutar.
* A segunda parte desta mensagem escreverei quando puder colocar todos os pingos nos is.
(primeira parte)
Esta fazendo um ano e meio agora em maio, que comecei a sentir os primeiros sintomas da cruel e rara doença “Meliopatia cervical”, causada pela compressão das vértebras sobre a medula, causando paralisia generalizada e podendo ocasionar a morte se não for interrompida cirurgicamente a tempo e não for depois, tratada com fisioterapia e medicamentos. Passei mais de um ano internado, primeiro no Hospital de Base de Brasília e depois no Sara Kubstcheck, onde a equipe do Dr. Hudson realizou exitosamente a cirurgia que abriu as vértebras comprimidas e liberou a medula. Agora é ter tempo para que a melhoria surja vagarosamente com a fisioterapia, remédios e paciência.
Nestes tempos terríveis em que tive que parar de trabalhar e ficar imobilizado muito tempo, contei fundamentalmente com o apoio, amor, carinho e dedicação de minha esposa Polyana Demoner, sem a qual teria possivelmente ficado totalmente aleijado ou morrido. Ela foi atrás de médicos, hospitais, cuidou de nossos filhos e de negócios pendentes, o que faz até hoje. Mas não posso esquecer-me do apoio e solidariedade do meu irmão Fernando Lopes da Silva, que varias vezes se deslocou de Cuiabá onde mora para ir a Brasília, me dar assistência junto com sua mulher Meire e dos amigos/irmãos Caio Carneiro Campos e sua mulher Andréia Barbosa, do Marcos Tenório, do Renato Rabelo e da direção nacional do PCdoB, principalmente do deputado Aldo Rebello e Rita Polli, Lucia Ana e Assis Soares, do senador Inácio Arruda, do também deputado Edmilson Valentin, dos companheiros dos gabinetes deles, do Jairo Jose Junior e do ex- deputado e companheiro Sergio Miranda e outros camaradas e amigos.
Quem mais esteve comigo
Foram solidários e me ajudaram muito até na minha sobrevivência, o Dr. Pedro Ynterian e a Assibral e Interlab de São Paulo, o Marcio Pinheiro, do Grupo Arara Azul, os irmãos Nilton e Luiz Wagner Chieppe, do Grupo Águia Branca, assim como o coronel Klinger Sobreira de Almeida, do mesmo grupo na Bahia. Também na Bahia, o Celso Mathias esteve sempre solidário e presente, assim como meu camarada e amigo deputado Javier Alfaya, o Calucho e o Fernando Coelho. Outro amigo que não me faltou foi o Aramis Moraes da Receita Federal em São Paulo, o Luiz Augusto de Araujo, nosso querido “Lula” e a minha amigona Cynira Maturama. Outro sempre presente é o historiador, amigo e meu biógrafo Pablo Emmanuel Moura. E ainda o velho amigo Rubens Gatto, que saia de suas dolorosas sessões de hemodiálise para ir me visitar no Sara. Outro sempre presente tem sido meu companheiro e governador moral de Brasília, o Orlando Cariello e o combativo Carlos Pompe.
Um homem nunca esta só quando tem amigos verdadeiros. E disso não posso me queixar. O ex-governador Max Mauro acompanhou de longe o drama que vivi, o José Salvador e Max Filho que na época prefeito de Vila Velha, foi a Brasília com o Arnaldo Borgo me visitar. Muitos não puderam ir a Brasília me ver, mas telefonaram e acompanharam de longe minha agonia, sempre me apoiando e sendo solidários. O Carlos Fernando Lima, com uma doença parecida e mais grave que a minha, luta para superá-la e ainda tem tempo de ser solidário. Rogério Siqueira foi um bálsamo enquanto estive no Sara e até hoje acompanha de longe minha lenta e sofrida recuperação. Tem o Carlos Umberto Martins,o amigo de infância Ruy Palhares, presente na minha vida até hoje,o Altamiro Borges, o Chico Martins que aqui no Espírito Santo tem sido muito solidário e parceiro. Assim tem sido também o amigo jornalista capixaba sediado em Brasília, Sylvio Costa. Outro amigo sempre presente e solidário tem sido o combatente Celso Lungaretti. E ainda o iluminado Tom Zé e dona Neusa.
Aqui no exílio convalescente, tem o Gildo Ribeiro, Nilo Walter dos Santos, o blogueiro Dino Graccio, Wanda Gasparini e Ronaldo Montalvão, Luiz Palauro, Osmario Cavalcante, o “jovem” Rubens Pontes, Tião Fonseca, Anderson Falcão, Marcos Monjardim e outros companheiros de PCdoB e amigos como Fernando Herkenholf que estão sempre presentes. E ainda os parentes da minha esposa Polyana, sua mãe dona Cleusa, que mesmo abalada com a morte trágica do marido, tem me dado mito apoio e atenção, assim como seu filho e meu cunhado Wellisson. Tem ainda minhas mais antigas amigas, Denise Pini e toda sua família, a Márcia Xavier, querida Madame X, a batalhadora Fernanda Tardin e as inesquecíveis Maria Luiza de Araujo e Luciane Moreira de Oliveira, de Campinas. E ainda tem o Luiz Carlos Antero, que lá do Ceará, onde também esta o Inácio Carvalho, meu quase genro, me ajuda na minha luta pela anistia, o João Ferreira, Virgilio Alencar e o José Eduardo Faro Freire, o “Zezão”. Enfim é muita gente que tem sido solidaria comigo, o que renova minhas forças para enfrentar as adversidades da doença.
Estou me preparando agora, para mesmo com algumas limitações voltar a ativa. Tanto na militância partidária como ao trabalho, como assessor e consultor institucional, que venho desempenhando há muito tempo. Força de vontade, experiência e garra não tem me faltado. Os problemas causados pelas seqüelas da doença não irão me impedir de trabalhar e lutar.
* A segunda parte desta mensagem escreverei quando puder colocar todos os pingos nos is.
sexta-feira, maio 29, 2009
"CHE", sempre lembrado
“Che”, sempre atual e imprescindível!!!!!
Esta me foi enviada pelo Luiz Carlos Antero, sobre o filme “Che”-o Argentino
Quem ainda não foi ver esse filme porque sabe que vai chorar muito, sabe também que a honra, a dignidade e a solidariedade, entre outras virtudes que não se esgarçaram de modo generalizado nesses tempos, não são negociáveis. Nesses tempos em que a compulsão de roubar e enriquecer dominou uma certa parcela de “esquerda”, aquela que acha um abuso essa estória de algemar o Daniel Dantas e seus congêneres, disseminada em todas as esferas do poder (ou melhor, de governo, pois a esquerda ainda não chegou lá). Resgatar Che é resgatar a energia humana e revolucionária que engrandece a América libertária e repõe no grande patamar os grandes sentimentos.
Boa leitura e, com todo o afeto, um bom filme!
Fonte: www.evaldolima.blogspot.com.br
“Che – O Argentino”
por Remo M. Brito Bastos
Amigos,
Assisti ontem, IMPERDÍVEL, muito bom mesmo! O filme é “épico” de mais de quatro horas e os realizadores optaram por dividi-lo em duas partes. Acabo de assistir à primeira, intitulada “Che – O Argentino”. O diretor é Steven Soderbergh, um cineasta que não cansa de surpreender ao buscar novas e diferentes fontes de inspiração para suas obras, ao invés de render-se a fórmulas de sucesso fácil. Não causou surpresa, portanto, o anúncio de que iria dirigir uma biografia de Che Guevara, um dos controversos líderes da revolução cubana que se transformou num verdadeiro ícone e é até hoje odiado pela direita (que o enxerga como a encarnação de Belzebu na Terra) e celebrado pela esquerda (que o considera um dos maiores exemplos de coragem e dedicação na luta contra a opressão das elites).
Começo dizendo que se trata de um filme difícil de classificar. Apesar de trazer Che no nome, não se trata de uma tentativa de biografá-lo. Apesar de ele aparecer em quase todas as cenas, o diretor não se preocupa em aprofundar a personalidade de Guevara, optando por uma narrativa não-linear, onde alterna ações da guerrilha na Sierra Maestra com uma viagem de Che aos EUA já como Ministro de Cuba, onde faz pronunciamentos na ONU, dá entrevistas e participa de festas – numa delas ironiza o infame senador McCarthy, agradecendo-o em nome da causa revolucionária pela fracassada tentativa de invadir Cuba pela Baia dos Porcos. A primeira parte termina com a vitória dos guerrilheiros e sua partida para Havana.
Assim, o filme pula de um evento para outro sem muita preocupação em situar a ação dentro da cronologia ou explicar o que está acontecendo. Mesmo a figura de Che é tratada com reverência e distanciamento, o que é reforçado pela atuação contida e metódica de Benício Del Toro, que literalmente encarna o personagem fisicamente!
Para quem conhece mais a fundo a história da revolução cubana, “Che” vai agradar porque traz uma recriação precisa de vários acontecimentos e diálogos descritos em muitos livros sobre o assunto. Não por acaso, o jornalista estadunidense John Lee Anderson, autor da biografia de Guevara, serviu como consultor especial ao projeto. Anderson é aquele sujeito que humilhou os autores da ridícula “reportagem” sobre Che, publicada em 2008 no panfleto de extrema-direita da editora Abril, a famigerada revista Veja.
Por outro lado, essa aproximação distanciada e nem um pouco didática confundirá a cabeça do espectador comum que, acostumado a se “informar” pela mídia grande, pode ter dificuldade em conseguir entender direito o que se passa na tela e, por causa disso, poderá perder o interesse. O que é sempre uma pena.
O que mais gostei no filme foi que quase toda intervenção do Che é fundamentada em seus princípios éticos, como homem de sólida formação moral que foi. Destaca-se por quase todo o filme a preocupação daquele grande revolucionário em EDUCAR os companheiros, pois o homem educado sabe e entende PORQUE ESTÁ LUTANDO, e chegou a alfabetizar até mesmo as pessoas comuns da comunidade. Outro exemplo desse espírito formador do Che aparece exatamente na última cena do filme, quando estão todos, de jipe, já vitoriosos, se dirigindo à Havana, e estranhamente passa um carro de luxo lotado de guerrilheiros. Che manda entao alcançar o carro e fazê-lo parar. Dirige-se ao motorista e pergunta por que ele está com aquele carro, que nao lhe pertence. O rapaz responde: "Tomei-o, comandante, ora, era de um latifundiário que oprimia, explorava e até matava seus trabalhadores...". Che retrucou: Pois volte agora mesmo para a cidade de onde está vindo e devolva este carro, que não lhe pertence. Nós fizemos esta revolução para denunciar exatamente este tipo de comportamento, e eu preferiria ir à Havana a pé do que num carro roubado"
Che foi o maior homem que já existiu nas três Américas. Honras máximas a ele que, hoje mito, inspira milhões de inconformados com a crueldade e a indiferença do capitalismo.
PENSAMENTO DO CHE:
"Não nego a necessidade objetiva do estímulo material, mas sou contrário a utilizá-lo como alavanca impulsora fundamental, porque ela termina por impor sua própria força às relações entre os homens."
"Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um Revolucionário."
"Os poderosos podem matar uma, duas até três rosas, mas nunca deterão a primavera."
"Não há fronteiras nesta luta de morte, nem vamos permanecer indiferentes perante o que aconteça em qualquer parte do mundo. A vitória nossa ou a derrota de qualquer nação do mundo, é a derrota de todos."
"Nossos filhos devem possuir as mesmas coisas que as outras crianças, mas eles devem também devem ser privados daquilo que falta às outras."
"Vale milhões de vezes mais a vida de um único ser humano do que todas as propriedades do homem mais rico da terra".
"O verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de generosidade; é impossível imaginar um revolucionário autêntico sem esta qualidade".
"É muito fácil agir com frieza quando se está no poder, mas um líder precisa de força moral tambem pela compaixão."
"No momento em que for necessário, estarei disposto a entregar a minha vida pela liberdade de qualquer um dos países da América Latina, sem pedir nada em troca."
-----
No trajeto do aeroporto de Havana ao centro da cidade há um outdoor com o retrato de uma criança sorrindo e a frase: "Esta noite 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma delas é cubana." Algum outro país do Continente merece semelhante cartaz à porta de entrada?
O regime sócio-político econômico cubano também tem, como os outros regimes, seus defeitos, muito embora a maioria deles causados pelo covarde embargo econômico estadunidense que já dura mais de 50 anos. Todavia, esses defeitos precisam ser analisados com honestidade, parcimônia e isenção sob a perspectiva histórica que os originou, pois a evolução dos processos sócio-econômicos pelos quais passou a sociedade cubana e das decisões a que foi obrigado a tomar o governo revolucionário para manter a soberania, a independência de sua nação e a dignidade de seu povo, até hoje, pode explicar com bastante consistência a natureza heterodoxa do regime político que ainda tem sido necessário viger em Cuba.
Por Remo Brito Bastos
--
GRUPO DA SOCIEDADE CIVIL
A FORÇA DO POVO!
Fortaleza-Ceará
Esta me foi enviada pelo Luiz Carlos Antero, sobre o filme “Che”-o Argentino
Quem ainda não foi ver esse filme porque sabe que vai chorar muito, sabe também que a honra, a dignidade e a solidariedade, entre outras virtudes que não se esgarçaram de modo generalizado nesses tempos, não são negociáveis. Nesses tempos em que a compulsão de roubar e enriquecer dominou uma certa parcela de “esquerda”, aquela que acha um abuso essa estória de algemar o Daniel Dantas e seus congêneres, disseminada em todas as esferas do poder (ou melhor, de governo, pois a esquerda ainda não chegou lá). Resgatar Che é resgatar a energia humana e revolucionária que engrandece a América libertária e repõe no grande patamar os grandes sentimentos.
Boa leitura e, com todo o afeto, um bom filme!
Fonte: www.evaldolima.blogspot.com.br
“Che – O Argentino”
por Remo M. Brito Bastos
Amigos,
Assisti ontem, IMPERDÍVEL, muito bom mesmo! O filme é “épico” de mais de quatro horas e os realizadores optaram por dividi-lo em duas partes. Acabo de assistir à primeira, intitulada “Che – O Argentino”. O diretor é Steven Soderbergh, um cineasta que não cansa de surpreender ao buscar novas e diferentes fontes de inspiração para suas obras, ao invés de render-se a fórmulas de sucesso fácil. Não causou surpresa, portanto, o anúncio de que iria dirigir uma biografia de Che Guevara, um dos controversos líderes da revolução cubana que se transformou num verdadeiro ícone e é até hoje odiado pela direita (que o enxerga como a encarnação de Belzebu na Terra) e celebrado pela esquerda (que o considera um dos maiores exemplos de coragem e dedicação na luta contra a opressão das elites).
Começo dizendo que se trata de um filme difícil de classificar. Apesar de trazer Che no nome, não se trata de uma tentativa de biografá-lo. Apesar de ele aparecer em quase todas as cenas, o diretor não se preocupa em aprofundar a personalidade de Guevara, optando por uma narrativa não-linear, onde alterna ações da guerrilha na Sierra Maestra com uma viagem de Che aos EUA já como Ministro de Cuba, onde faz pronunciamentos na ONU, dá entrevistas e participa de festas – numa delas ironiza o infame senador McCarthy, agradecendo-o em nome da causa revolucionária pela fracassada tentativa de invadir Cuba pela Baia dos Porcos. A primeira parte termina com a vitória dos guerrilheiros e sua partida para Havana.
Assim, o filme pula de um evento para outro sem muita preocupação em situar a ação dentro da cronologia ou explicar o que está acontecendo. Mesmo a figura de Che é tratada com reverência e distanciamento, o que é reforçado pela atuação contida e metódica de Benício Del Toro, que literalmente encarna o personagem fisicamente!
Para quem conhece mais a fundo a história da revolução cubana, “Che” vai agradar porque traz uma recriação precisa de vários acontecimentos e diálogos descritos em muitos livros sobre o assunto. Não por acaso, o jornalista estadunidense John Lee Anderson, autor da biografia de Guevara, serviu como consultor especial ao projeto. Anderson é aquele sujeito que humilhou os autores da ridícula “reportagem” sobre Che, publicada em 2008 no panfleto de extrema-direita da editora Abril, a famigerada revista Veja.
Por outro lado, essa aproximação distanciada e nem um pouco didática confundirá a cabeça do espectador comum que, acostumado a se “informar” pela mídia grande, pode ter dificuldade em conseguir entender direito o que se passa na tela e, por causa disso, poderá perder o interesse. O que é sempre uma pena.
O que mais gostei no filme foi que quase toda intervenção do Che é fundamentada em seus princípios éticos, como homem de sólida formação moral que foi. Destaca-se por quase todo o filme a preocupação daquele grande revolucionário em EDUCAR os companheiros, pois o homem educado sabe e entende PORQUE ESTÁ LUTANDO, e chegou a alfabetizar até mesmo as pessoas comuns da comunidade. Outro exemplo desse espírito formador do Che aparece exatamente na última cena do filme, quando estão todos, de jipe, já vitoriosos, se dirigindo à Havana, e estranhamente passa um carro de luxo lotado de guerrilheiros. Che manda entao alcançar o carro e fazê-lo parar. Dirige-se ao motorista e pergunta por que ele está com aquele carro, que nao lhe pertence. O rapaz responde: "Tomei-o, comandante, ora, era de um latifundiário que oprimia, explorava e até matava seus trabalhadores...". Che retrucou: Pois volte agora mesmo para a cidade de onde está vindo e devolva este carro, que não lhe pertence. Nós fizemos esta revolução para denunciar exatamente este tipo de comportamento, e eu preferiria ir à Havana a pé do que num carro roubado"
Che foi o maior homem que já existiu nas três Américas. Honras máximas a ele que, hoje mito, inspira milhões de inconformados com a crueldade e a indiferença do capitalismo.
PENSAMENTO DO CHE:
"Não nego a necessidade objetiva do estímulo material, mas sou contrário a utilizá-lo como alavanca impulsora fundamental, porque ela termina por impor sua própria força às relações entre os homens."
"Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um Revolucionário."
"Os poderosos podem matar uma, duas até três rosas, mas nunca deterão a primavera."
"Não há fronteiras nesta luta de morte, nem vamos permanecer indiferentes perante o que aconteça em qualquer parte do mundo. A vitória nossa ou a derrota de qualquer nação do mundo, é a derrota de todos."
"Nossos filhos devem possuir as mesmas coisas que as outras crianças, mas eles devem também devem ser privados daquilo que falta às outras."
"Vale milhões de vezes mais a vida de um único ser humano do que todas as propriedades do homem mais rico da terra".
"O verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de generosidade; é impossível imaginar um revolucionário autêntico sem esta qualidade".
"É muito fácil agir com frieza quando se está no poder, mas um líder precisa de força moral tambem pela compaixão."
"No momento em que for necessário, estarei disposto a entregar a minha vida pela liberdade de qualquer um dos países da América Latina, sem pedir nada em troca."
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No trajeto do aeroporto de Havana ao centro da cidade há um outdoor com o retrato de uma criança sorrindo e a frase: "Esta noite 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma delas é cubana." Algum outro país do Continente merece semelhante cartaz à porta de entrada?
O regime sócio-político econômico cubano também tem, como os outros regimes, seus defeitos, muito embora a maioria deles causados pelo covarde embargo econômico estadunidense que já dura mais de 50 anos. Todavia, esses defeitos precisam ser analisados com honestidade, parcimônia e isenção sob a perspectiva histórica que os originou, pois a evolução dos processos sócio-econômicos pelos quais passou a sociedade cubana e das decisões a que foi obrigado a tomar o governo revolucionário para manter a soberania, a independência de sua nação e a dignidade de seu povo, até hoje, pode explicar com bastante consistência a natureza heterodoxa do regime político que ainda tem sido necessário viger em Cuba.
Por Remo Brito Bastos
--
GRUPO DA SOCIEDADE CIVIL
A FORÇA DO POVO!
Fortaleza-Ceará
segunda-feira, maio 25, 2009
Guerrilha colombiana mosdtra que esta ativa!!!
Guerrilha colombiana reivindica seu movimento armado
Escrito por Camila Carduz
domingo, 24 de mayo de 2009
24 de mayo de 2009, 11:56Imagen activaBogotá, 24 mai (Prensa Latina) Ao comemorar 45 anos de fundada, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) reiteram que a paz é sua estratégia e o agir do movimento armado a táctica para chegar a ela.
Em um comunicado datado em maio desde as Montanhas da Colômbia, as FARC assinalam que a dignidade da Colômbia e o resgate do sentimento de pátria reclamam uma nova liderança que privilegie a unidade e o socialismo ao avançar para o horizonte futuro.
"Um novo grito de independência convoca-nos mostrando-nos o campo de batalha de Ayacucho do século XXI onde flama a certeza do triunfo da revolução continental, a de Bolívar e nossos próceres", agrega.
O grupo insurgente também expressa que é hora de superar a "vergonha nacional que significa um governo ilegítimo e ilegal, gerador de morte e de pobreza. Um governo que apoiado pelo de Washington, só atua para perpetuar a guerra e a discórdia enquanto garante a sangue e fogo a segurança de investimentos às transnacionais que saqueiam nossos recursos".
"Um regime apátrida, que apesar do alto número de tropas norte-americanas que intervêm no conflito interno da Colômbia, permite que nosso solo sagrado seja pisado por mais tropas estrangeiras, as expulsadas de Manta (Equador), permitindo aos Estados Unidos operar nesta terra uma base de agressão para o assalto aos povos irmãos do continente", expressa.
As FARC qualificam no comunicado ao atual governo de narco-paramilitar, que -segundo indicam- já não se altera diante das confissões de capas paramilitares que asseguram ter financiado as campanhas presidenciais de Álvaro Uribe.
Por sua vez, a guerrilha também revela que a guerra que o governo nega para não reconhecer o caráter político da insurgência em sua luta pelo poder, só no mês de março passado deixou 297 militares mortos e 340 feridos. Igualmente, fazem um chamado aos soldados a "não se deixar utilizar mais como bucha de canhão defendendo interesses que não são os seus senão os de uma oligarquia podre e criminosa, não solidária, que muito pouco faz por eles se caem prisioneiros ou ficam mutilados".
A Colômbia de hoje, enuncia o documento, não quer o guerrerismo ultramontano do governo. Quer soluções ao crescente desemprego e a pobreza. Reclama o investimento social sacrificada em aras da guerra.
"Pede - agrega educação, moradia, saúde, água potável, direitos trabalhistas, terra, estradas, eletricidade, telefonia e comunicações, mercado de produtos, renacionalização das empresas que foram privatizadas, castigo à corrupção, soberania do povo, proteção do meio ambiente, democracia verdadeira, liberdade de opinião, libertação de presos políticos".
As FARC recordam que há 45 anos surgiu nas alturas de Marquetalia (Caldas), "buscando paz para Colômbia, justiça e dignidade. Desde então, diz, somos a resposta armada dos que nada têm e os justos às múltiplas violências do Estado".
Escrito por Camila Carduz
domingo, 24 de mayo de 2009
24 de mayo de 2009, 11:56Imagen activaBogotá, 24 mai (Prensa Latina) Ao comemorar 45 anos de fundada, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) reiteram que a paz é sua estratégia e o agir do movimento armado a táctica para chegar a ela.
Em um comunicado datado em maio desde as Montanhas da Colômbia, as FARC assinalam que a dignidade da Colômbia e o resgate do sentimento de pátria reclamam uma nova liderança que privilegie a unidade e o socialismo ao avançar para o horizonte futuro.
"Um novo grito de independência convoca-nos mostrando-nos o campo de batalha de Ayacucho do século XXI onde flama a certeza do triunfo da revolução continental, a de Bolívar e nossos próceres", agrega.
O grupo insurgente também expressa que é hora de superar a "vergonha nacional que significa um governo ilegítimo e ilegal, gerador de morte e de pobreza. Um governo que apoiado pelo de Washington, só atua para perpetuar a guerra e a discórdia enquanto garante a sangue e fogo a segurança de investimentos às transnacionais que saqueiam nossos recursos".
"Um regime apátrida, que apesar do alto número de tropas norte-americanas que intervêm no conflito interno da Colômbia, permite que nosso solo sagrado seja pisado por mais tropas estrangeiras, as expulsadas de Manta (Equador), permitindo aos Estados Unidos operar nesta terra uma base de agressão para o assalto aos povos irmãos do continente", expressa.
As FARC qualificam no comunicado ao atual governo de narco-paramilitar, que -segundo indicam- já não se altera diante das confissões de capas paramilitares que asseguram ter financiado as campanhas presidenciais de Álvaro Uribe.
Por sua vez, a guerrilha também revela que a guerra que o governo nega para não reconhecer o caráter político da insurgência em sua luta pelo poder, só no mês de março passado deixou 297 militares mortos e 340 feridos. Igualmente, fazem um chamado aos soldados a "não se deixar utilizar mais como bucha de canhão defendendo interesses que não são os seus senão os de uma oligarquia podre e criminosa, não solidária, que muito pouco faz por eles se caem prisioneiros ou ficam mutilados".
A Colômbia de hoje, enuncia o documento, não quer o guerrerismo ultramontano do governo. Quer soluções ao crescente desemprego e a pobreza. Reclama o investimento social sacrificada em aras da guerra.
"Pede - agrega educação, moradia, saúde, água potável, direitos trabalhistas, terra, estradas, eletricidade, telefonia e comunicações, mercado de produtos, renacionalização das empresas que foram privatizadas, castigo à corrupção, soberania do povo, proteção do meio ambiente, democracia verdadeira, liberdade de opinião, libertação de presos políticos".
As FARC recordam que há 45 anos surgiu nas alturas de Marquetalia (Caldas), "buscando paz para Colômbia, justiça e dignidade. Desde então, diz, somos a resposta armada dos que nada têm e os justos às múltiplas violências do Estado".
O outro caminho das Indias que a Globo não mostra!
Guerrilha de Partido Comunista Maoísta se expande na Índia
Escrito por Camila Carduz
domingo, 24 de mayo de 2009
24 de mayo de 2009, 12:13Nova Delhi, 24 mai (Prensa Latina) A insurgência camponesa do Partido Comunista Maoísta da Índia (CPI-Maoísta) começou a expandir sua base para novas áreas arborizadas do estado de Chhattisgarh, informa hoje o Serviço Indo-Asiático de Notícias (IANS).
Essa agência de notícias toma a informação do que descreve como "preocupantes relatórios da inteligência policial".
Os grupos rebeldes do proscrito CPI-Maoísta que compõem aproximadamente uns 50 mil quadros apenas nesse estado, incluídas 15 mil mulheres membros, dominam desde finais da década de 1980 os interiores da região de Bastar, uma zona rica em minerais de cerca de 40 mil quilômetros quadrados.
A princípio, a guerrilha maoísta, também chamada naxalita, estava restrita a cinco distritos dessa comarca, Dantewada, Bijapur, Narayanpur, Kanker e Bastar, além dos distritos ocidentais de Rajnandgaon próximo de Gadchiroli, no estado de Maharashtra.
Mas agora, segundo o novo informe de inteligência policial citado por IANS, têm desenvolvido novas bases em Dhamatari e inclusive no importante distrito de Raipur.
A insurgência naxalita estalou em Naxal Bari, estado de Bengala, em 1967 durante a cisma que fracionou ao movimento comunista indiano.
A partir daí, várias facções optaram pela luta guerrilheira para conquistar suas reivindicações, entre estas o então Partido Maoísta da Índia, e outras se integraram como novos partidos de esquerda na vida política do país.
O CPI-Maoísta se reconstituiu em 2004 ao que se uniram outros dois agrupamentos naxalitas, e hoje seus grupos armados operam em 14 dos 24 estados da União, e executam suas ações principalmente contra objetivos militares e policiais.
Em meados de semana, um de seus comandos emboscou um comboio policial em Maharashtra e no intercâmbio morreram os 16 agentes que viajavam no mesmo, entre eles quatro mulheres policiais.
IANS recorda que o premiê indiano, Manmohan Singh, tem descrito a insurgência naxalita como o mais grave perigo para a segurança interna da Índia.
Escrito por Camila Carduz
domingo, 24 de mayo de 2009
24 de mayo de 2009, 12:13Nova Delhi, 24 mai (Prensa Latina) A insurgência camponesa do Partido Comunista Maoísta da Índia (CPI-Maoísta) começou a expandir sua base para novas áreas arborizadas do estado de Chhattisgarh, informa hoje o Serviço Indo-Asiático de Notícias (IANS).
Essa agência de notícias toma a informação do que descreve como "preocupantes relatórios da inteligência policial".
Os grupos rebeldes do proscrito CPI-Maoísta que compõem aproximadamente uns 50 mil quadros apenas nesse estado, incluídas 15 mil mulheres membros, dominam desde finais da década de 1980 os interiores da região de Bastar, uma zona rica em minerais de cerca de 40 mil quilômetros quadrados.
A princípio, a guerrilha maoísta, também chamada naxalita, estava restrita a cinco distritos dessa comarca, Dantewada, Bijapur, Narayanpur, Kanker e Bastar, além dos distritos ocidentais de Rajnandgaon próximo de Gadchiroli, no estado de Maharashtra.
Mas agora, segundo o novo informe de inteligência policial citado por IANS, têm desenvolvido novas bases em Dhamatari e inclusive no importante distrito de Raipur.
A insurgência naxalita estalou em Naxal Bari, estado de Bengala, em 1967 durante a cisma que fracionou ao movimento comunista indiano.
A partir daí, várias facções optaram pela luta guerrilheira para conquistar suas reivindicações, entre estas o então Partido Maoísta da Índia, e outras se integraram como novos partidos de esquerda na vida política do país.
O CPI-Maoísta se reconstituiu em 2004 ao que se uniram outros dois agrupamentos naxalitas, e hoje seus grupos armados operam em 14 dos 24 estados da União, e executam suas ações principalmente contra objetivos militares e policiais.
Em meados de semana, um de seus comandos emboscou um comboio policial em Maharashtra e no intercâmbio morreram os 16 agentes que viajavam no mesmo, entre eles quatro mulheres policiais.
IANS recorda que o premiê indiano, Manmohan Singh, tem descrito a insurgência naxalita como o mais grave perigo para a segurança interna da Índia.
Ultima mensagem do Amaral!
Luiz:
Pode contar comigo para o que você precisar, não só com relação ao seu Livro mas com relação a qualquer demanda que vc. precisar aqui no DF.Estou ansioso para ver o seu livro na praça, pois o mesmo fará parte do acervo da história dos combatentes da ditadura.
Com relação a sua passagem pelo Governo Cristovam, principalmente pela Administração do Gama, tinha lá um companheiro de partido que era da CEB, o Mauro Pinheiro, que é cunhado ou primo do Pedro Celso, que foi deputado distrital e federal.
Tem também o Rubem Fonseca, que foi presidente da CEB, e fez uma excelente administração por lá.
Quanto ao Hélio Doyle, foi meu colega no Colégio Dom Bosco. Hoje pelegou e está prestando serviços à direita. Aliás precisamos fazer um estudo (compêndio) psicológico para entender a mente desse pessoal, que tendo radicalizado na esquerda, serve hoje ao lado oposto.Talvez a lógica seja financeira, nada de ideológico.
O Hélio foi casado com a Maria da Conceição -Maninha que é médica, ex deputada distrital, ex-presa política ( sofreu agruras na prisão) e hoje está no PSOL( o que na minha avaliação foi um erro político).
Aliás penso que na vida tudo se pode consertar, menos o erro político.Veja o preço que estamos pagando por ter esse "mala" do Roberto Jefferson como aliado político, ele e o seu partido de aluguel , o PTB.Lembra do episódio dos Correios?. Aqui na Eletronorte eles também andaram aprontando.
Espero que vc. resolva rápidamente essa pendência com o INSS. Sou aposentado pela CEB e passei poucas e boas, com o INSS.
Um forte abraço. Amaral.
Pode contar comigo para o que você precisar, não só com relação ao seu Livro mas com relação a qualquer demanda que vc. precisar aqui no DF.Estou ansioso para ver o seu livro na praça, pois o mesmo fará parte do acervo da história dos combatentes da ditadura.
Com relação a sua passagem pelo Governo Cristovam, principalmente pela Administração do Gama, tinha lá um companheiro de partido que era da CEB, o Mauro Pinheiro, que é cunhado ou primo do Pedro Celso, que foi deputado distrital e federal.
Tem também o Rubem Fonseca, que foi presidente da CEB, e fez uma excelente administração por lá.
Quanto ao Hélio Doyle, foi meu colega no Colégio Dom Bosco. Hoje pelegou e está prestando serviços à direita. Aliás precisamos fazer um estudo (compêndio) psicológico para entender a mente desse pessoal, que tendo radicalizado na esquerda, serve hoje ao lado oposto.Talvez a lógica seja financeira, nada de ideológico.
O Hélio foi casado com a Maria da Conceição -Maninha que é médica, ex deputada distrital, ex-presa política ( sofreu agruras na prisão) e hoje está no PSOL( o que na minha avaliação foi um erro político).
Aliás penso que na vida tudo se pode consertar, menos o erro político.Veja o preço que estamos pagando por ter esse "mala" do Roberto Jefferson como aliado político, ele e o seu partido de aluguel , o PTB.Lembra do episódio dos Correios?. Aqui na Eletronorte eles também andaram aprontando.
Espero que vc. resolva rápidamente essa pendência com o INSS. Sou aposentado pela CEB e passei poucas e boas, com o INSS.
Um forte abraço. Amaral.
sexta-feira, maio 22, 2009
Reencontros!!
REENCONTRO E CONVERSA DE CONTERRANEOS VELHOS DE GUERRA!!!!
Através do inefável guerreiro Celso Lungaretti, reencontrei um conterrâneo de Penapolis/SP o Antonio Rodrigues do Amaral. e iniciamos um diálogo virtual que este BLOG passa a reproduzir a partir de hoje. São lembranças e inicio de um contato que pode ainda render muitos frutos. Segue abaixo as correspondências:
1- Do Amaral para mim!
Companheiro Luiz:
Ao acessar o blog do Lungaretti, li a "mensagem de um companheiro querido, veterano de muitas lutas pela liberdade e justiça social - Luiz Aparecido", no qual você conta um pedaço de sua vida, sua história de lutas, seu enfrentamento com a ditadura militar, seus projetos futuros de lançamento de um documentário relatando tudo isso, do lançamento de um livro, da sua infância, etc.. Fiquei muito feliz e ao mesmo tempo surpreso por saber que um companheiro tão aguerrido, tem tanta identidade comigo (nas lutas, nos sonhos, nos projetos futuros), inclusive por ser meu conterrâneo de PENÁPOLIS -SP. Nasci em Penápolis em 04/03/1950 e lá morei até 12/08/1961, quando me mudei com a família para Brasília, seguindo os passos de papai, que por sua vez estava seguindo os passos de Jânio Quadros, eleito Presidente da República com uma votação estrondosa para a época. Papai era janista roxo a ponto de apostar até a casa em que morávamos, na vitória do homem da vassoura, e fez campanha para ele em Penápolis. Nossa casa foi transformada em comitê de campanha e todos os dias papai acordava a vizinhança com a música símbolo da campanha: "O homem vem aí". Concorrendo com Adhemar de Barros e com o General Henrique Teixeira Lott, Jânio esteve em nossa casa, de passagem por Penápolis, tendo desembarcado de trem na Estação Ferroviária, para mais um comício pela região Noroeste. Papai conheceu Jânio nas suas andanças por Mato Grosso, como motorista da caminhão de carga (Jânio era vereador em Campo Grande) e acabaram se encontrando em um bar (Jânio gostava de uma marvada pinga como papai). Mas o Presidente viria decepcionar e deixar papai doente de cama, com a renúncia no dia 25 de agosto de 1961, exatamente no dia em que se comemora o Dia do Soldado. Alegando pressões de forças ocultas, que até hoje ninguém conseguiu decifrar que forças eram essas, Jânio deixaria milhões de viúvas pelo país, e um ciclo de desestabilização da democracia. Continuo na 2a parte. A história é longa.. Um grande abraço. Amaral
2-Minha reposta
Meu caro Antonio!
Não recebi a primeira parte do seu relato. Se puder me mandar de novo agradeço. Veja um pouco de minha história nos meus blogs
www.luiz-aparecido.zip.net
www.luizap.blogspot.com
Sou da geração do Celso Lacava, Eninho, Floriano Pastore, Paulo Sergio Mucoucah e outros. Conheci os Valente e o pessoal do Teatro e do cineclube de lá. Fiz política estudantil e comecei a militar na política lá, com o Dr. Francisco Ramalho e outros, conheci o Nagib e outros políticos da época, mas logo fui para São Paulo, junto com o Joel Pereira Gomes, e os irmãos Palhares, Walter Pini, Ruy e Jose Eduardo. Agora tem um amigo de Brasília que esta escrevendo um livro sobre minha vida política e estamos gravando um vídeo documentário sobre a época e minha trajetória. Depois de anos em São Paulo como estudante, jornalista, trabalhei nos Diários Associados, MetroNews, Folha de São Paulo e Diário Popular. Fui preso político da ditadura durante uns cinco anos e até hoje sou militante do PCdoB.
Mas estou agora em Fundão no Espirito Santo me recuperando de uma terrível doença que me deixou quase totalmente paralisado, mas fui salvo pelo hospital Sara de Brasília. Morei depois que sai da prisão no Espírito Santo, depois voltei a São Paulo e depois fui para Brasília onde fiquei muito tempo, trabalhando no Congresso, no Jornal de Brasília e no governo do Cristovan Buarque.
Mande-me a primeira parte e o terceiro de seu relato e se me autorizar vou colocar esta nossa correspondência nos meus Blogs.
Um forte abraço.
Luiz Aparecido
3-Do Amaral para mim
Companheiro Luiz:
Como te falei, sou de Penápolis e morava na esquina da Avenida Santa Casa com a Rua Siqueira Campos, que desemboca no Estádio Municipal Tenente Carriço. Nos mudamos para Brasília também porque papai, na época, era desafeto do então Prefeito de Penápolis Nagib Sabino, irmão do vereador Mário Sabino. Papai pertencia ao grupo político do ex-prefeito Joaquim Araújo, Dr. Ramalho Franco etc...O Nagib Sabino estava sendo investigado por uma CPI na Câmara Municipal, acusado de desviar dinheiro público e material de obra da construção da Escola Técnica (os caminhões de material entravam na construção, eram apontados e saiam com a mesma carga para despejar na obra que o Nagib estava construindo - um prédio de dois andares que existe até hoje lá - no centro da cidade perto da igreja matriz.O clima ficou tão tenso entre os dois que já não podiam se encontrar na cidade, era briga na certa.Assim, aproveitando a eleição do Jânio, a briga com o Prefeito Nagib Sabino e o fato de que o chefe de gabinete do Prefeito de Brasília (naquela época não havia ainda a figura do Governador do DF) era meu padrinho de crisma, portanto compadre de papai, e nos convidou para vir morar por aqui,viemos para Brasília.O Prefeito de Brasília era o embaixador Paulo de Tarso Flexa de Lima, amigo do meu padrinho José Xavier de Oliveira - Juquinha, também de Penápolis.Voltando um pouco no tempo, talvez você conheça, ou já ouviu falar no companheiro Walter Nei Valente, filho do Antonio Valente, é também nosso conterrâneo de Penápolis, é médico e foi dirigente do Sindicato dos Professores do DF, militante e fundador do PT, é meu amigo de infância e morou um pouco abaixo da minha casa na Rua Siqueira Campos, em Penápolis. O Walter hoje pelegou e está no PSDB, desiludido com o PT - mas bem que podia ter escolhido um partido mais a esquerda. Tinha também o Airton Marçal - de Penápolis - que era dirigente do Sindicato dos telefônicos do Rio de Janeiro. Êta cidade para parir celebridades ! Além da Sabrina Satto, do Pânico na TV.Chegando em Brasília, em 1961, fui estudar na Escola Classe 504, onde concluí a 5a Série - Admissão ao curso ginasial, hoje conhecido como ensino fundamental.O ensino fundamental concluí no Colégio Dom Bosco.No dia 01/04/1964, ao chegar ao Colégio Dom Bosco, me deparei com a Av. W/3 infestada por tanques do exército. Era o início do golpe militar que infelicitou o país por mais de 20 anos e deixou atrás de si um país totalmente aniquilado sob todos os aspectos. Segue depois a 3a etapa. Abraços. Amaral
4-Do Amaral para mim
Companheiro Luiz:
Fico feliz por ter recebido minhas mensagens. Pode me chamar de Amaral que é como sou conhecido no movimento sindical e político em Brasília. Quanto a colocar minhas mensagens no seu blog está plenamente autorizado. Pois bem, continuando: Após ter as aulas suspensas no Colégio Dom Bosco, me dirigi à Rodoviária com o objetivo de voltar para casa - morava na Asa Norte Quadra 403, bem no início - entretanto ao chegar lá percebi uma intensa movimentação no Teatro Nacional, à época ainda em construção. Quando entrei no Teatro, o mesmo estava lotado, lá estavam deputados, senadores, populares, estudantes. Logo na entrada estava o pessoal da UNE com pranchetas colhendo o nome do pessoal que se dispunha a resistir ao golpe militar, atendendo ao chamado de Leonel Brizola que estava no Rio Grande do Sul organizando a resistência. O pessoal estava pedindo que aguardássemos a chegada do armamento para a resistência (o armamento mais moderno na época era a metralhadora INA, de fabricação Nacional, e era a promessa do pessoal da UNE). Dei meu nome e fiquei aguardando a chegada do armamento, escutando os discursos que se revezavam na tribuna em apoio a João Goulart e a Brizola. Brasília não possuia um efetivo militar capaz de segurar uma rebelião. Assim, o exército solicitou a vinda de um contingente de Minas Gerais, aerotransportado, que chegou rapidamente à Capital. Sei que por volta das 15 horas, resolvi respirar um pouco fora do teatro por conta do calor intenso, quando avistei a chegada de dezenas de caminhões do exército lotados de soldados que imediatamente se puseram a construir casamatas nas imediações da Rodoviária. Entrei correndo no teatro e o pessoal da UNE também já tinha avistado a movimentação das tropas e foi aquele sufoco. Saímos correndo pelos fundos do teatro, tendo arrombado as portas, e nos metemos a correr cerrado adentro. Depois ficamos sabendo que Jango estava voltando do Rio de Janeiro para Brasília e tinha decidido, por aconselhamento do general chefe da casa militar a se render. Partindo de Brasília, Jango voou para Porto Alegre e imediatamente após, para o Uruguai, lá se exilando. Esse episódio (fuga de Jango e medo de resistir) resultou na briga entre Jango e Brizola, cunhados que eram, por muitos anos. Hoje penso que Brizola estava certo pois os golpistas não estavam ainda estruturados para vencer uma possível resistência, mas com a atitude de Jango o golpe se consolidou. Jango, como ele mesmo relatou, teve receio de que a resistência pudesse levar ao derramamento de um banho de sangue entre irmãos.Tinha muita admiração por Jango e o conheci à porta do Colégio Dom Bosco onde seus filhos também estudavam (faziam o pré-escolar). Era muito simpático, comunicativo, nos cumprimentou sem formalidades. Não possuía aparato de segurança, andava pelas ruas normalmente. Maria Thereza, sua bela mulher também era muito simples, muito elegante, discreta como convinha ao posto que ocupava. Vestia-se muito bem, com roupas da grife Denner, o costureiro da onda. Ia buscar pessoalmente as crianças no Colégio, encontrávamos com ela todos os dias. Jango, com seu programa de reforma de base certamente revolucionaria o país, era um nacionalista, amava o seu país e seu povo e morreu de forma solitária porque mesmo doente, os militares o impediram de voltar ao país, tendo morrido na sua fazenda no Uruguai. Voltando um pouco na história, esse episódio da resistência no Teatro Nacional é contado muito rapidamente no Livro do udenista/golpista Carlos Lacerda intitulado Depoimento, que é uma coletânea de entrevistas que o dito cujo concedeu, se não me engano, ao Jornal Correio da Manhã. Em agosto de 1967(sou muito ruim para guardar datas) resolvi abandonar os estudos e atender ao chamamento do CHE, que estava organizando a revolução nas matas da Bolívia e requisitava combatentes. Saí de Brasília, sem um tostão no bolso, viajando de carona, com uma pequena mochila de roupas nas costas e consegui chegar a Três Lagoas no Mato Grosso. Lá fiquei perambulando pelas ruas por dois meses, dormindo em praça pública, comendo de favor pelos transeuntes e residências que me ofereciam. Desesperado, sem chances de evoluir para o meu objetivo, decidi retornar para casa em Brasília. Você não pode adivinhar o desespero de meus pais, sem notícias, sem contato comigo. Quando cheguei em casa, era um mu lambo em pessoa. Penso que a morte de papai, em 1968 se deveu um pouco pelos meus arroubos revolucionários. Com minha irmã casada, tive que tomar conta de mamãe. Assim tratei de arrumar um emprego e mergulhei de corpo no trabalho porque minha cabeça estava constantemente ligada na ação dos companheiros que nas organizações de esquerda estavam trocando chumbo com a ditadura. A cada notícia de vitória dos companheiros contra a ditadura eu vibrava como se estivesse lá ajudando. Sonhei várias noites com os companheiros que via nos cartazes espalhados pela cidade: Lamarca, Joaquim Câmara Ferreira -Toledo (o velho), Carlos Marighela, Eduardo Leite - o Bacuri, Yara Iavelberg, Vera Sílvia Magalhães, etc...Aliás estive quase com o pé na luta porque pertencia, quando estudante aos quadros da UBES. Na escola seguíamos a orientação do pessoal da UNE, cujo Presidente era o Honestino Guimarães, primo do Sebastião Lopes (Tião) que era meu colega no colégio e vizinho de apartamento na SQN 4l3. A mãe do Tião (Hermione) era professora e colega de minha irmã no mesmo colégio que lecionavam. O Tião seguiu na luta enquanto eu me voltei para o trabalho para sustentar mamãe, recém viúva. O Tião esteve preso no PIC da Polícia do Exército no Setor Militar Urbano durante muitos anos.Hoje está em São Paulo, fazendo movimento sindical em Osasco.A última vez que o encontrei foi num ônibus na L2 Sul. Estava voltando do trabalho para casa (4l3 Sul) quando uma pessoa bateu no meu ombro. Era o Tião. Ficamos visivelmente emocionados com o reencontro. Descemos e ficamos conversando numa parada de ônibus até o limite das horas que o Tião possuía para ficar na rua. Estava com liberdade condicional. Nunca mais o ví, só tenho notícias através do pessoal do movimento sindical. Para encurtar a história, em 1984 entrei para o PT onde estou até hoje. Pertenço à corrente Democracia Socialista. Fui Presidente do Sindicato da minha categoria: urbanitários (CEB,FURNAS, ELETRONORTE e ELETROBRÁS) por três mandatos: (1985/1988), (1989/1991) e (1991/1995). Fui dirigente da CUT e hoje sou dirigente da zonal do PT do Núcleo Bandeirante. No Governo Cristovam, trabalhava na CEB e fui assessor da Presidência. O Presidente era o Luiz Carlos Vidal, ex-preso político, pertencia aos quadros da ALN. Sou socialista e luto pela construção de uma nova sociedade. Não desistirei da luta e nem me afastarei dela um só segundo. Me inspiro muito na figura de João Amazonas, exemplo de luta, dignidade e honradez. Atualmente estou trabalhando na ELETRONORTE, na área de meio ambiente.Estou tentando escrever um Livro, contando também minhas histórias. O título provisório é: Política não se Discute, mostrando, de forma irônica, que a política, mesmo que se queira negar, está impregnada em nossas vidas, desde o nascimento, e quem ignora isso, acaba sendo manipulado pelos espertalhões de plantão. Vamos continuar a nos falar. Precisamos nos unir. Mandei um email para o Lungaretti parabenizando pela iniciativa de criar uma espécie de Centro da Memória Revolucionária. Citei inclusive o caso da Vera Sílvia, que morreu de forma solitária, revoltada por ter passado pelo que passou, demonstrando ter vivido uma vida solitária, longe das pessoas e companheiros a quem amava e com quem lutou. Ousar lutar, ousar vencer. Abraços. Amaral.
5- Minha resposta ao Amaral
Amaral!!!!
Foi uma feliz surpresa você ter me achado agora, apesar de termos nos roçado por estes anos todos. E noto que você é um baita memorialista que vai acabar me ajudando no livro e no documentário que estamos as duras penas produzindo.
No governo Cristovan devemos ter nos cruzado porque fui subsecretario de Comunicação junto com o Moa e o Hélio Doyle e no seu ultimo ano fui para a administração do Gama que era dirigida pelo meu partido. Estou vendo aqui como coloco este nosso diálogo nos meus Blogs e continuarmos a nos falar.
Agora estou as voltas com meu pedido de anistia e auxilio doença que o INSS não me paga neste um ano e meio que estou doente. Mas a vida continua. E como digo sempre aos amigos que vacilam, "a revolução triunfara, apesar de nós".
Forte abraço
Luiz Aparecido
Através do inefável guerreiro Celso Lungaretti, reencontrei um conterrâneo de Penapolis/SP o Antonio Rodrigues do Amaral. e iniciamos um diálogo virtual que este BLOG passa a reproduzir a partir de hoje. São lembranças e inicio de um contato que pode ainda render muitos frutos. Segue abaixo as correspondências:
1- Do Amaral para mim!
Companheiro Luiz:
Ao acessar o blog do Lungaretti, li a "mensagem de um companheiro querido, veterano de muitas lutas pela liberdade e justiça social - Luiz Aparecido", no qual você conta um pedaço de sua vida, sua história de lutas, seu enfrentamento com a ditadura militar, seus projetos futuros de lançamento de um documentário relatando tudo isso, do lançamento de um livro, da sua infância, etc.. Fiquei muito feliz e ao mesmo tempo surpreso por saber que um companheiro tão aguerrido, tem tanta identidade comigo (nas lutas, nos sonhos, nos projetos futuros), inclusive por ser meu conterrâneo de PENÁPOLIS -SP. Nasci em Penápolis em 04/03/1950 e lá morei até 12/08/1961, quando me mudei com a família para Brasília, seguindo os passos de papai, que por sua vez estava seguindo os passos de Jânio Quadros, eleito Presidente da República com uma votação estrondosa para a época. Papai era janista roxo a ponto de apostar até a casa em que morávamos, na vitória do homem da vassoura, e fez campanha para ele em Penápolis. Nossa casa foi transformada em comitê de campanha e todos os dias papai acordava a vizinhança com a música símbolo da campanha: "O homem vem aí". Concorrendo com Adhemar de Barros e com o General Henrique Teixeira Lott, Jânio esteve em nossa casa, de passagem por Penápolis, tendo desembarcado de trem na Estação Ferroviária, para mais um comício pela região Noroeste. Papai conheceu Jânio nas suas andanças por Mato Grosso, como motorista da caminhão de carga (Jânio era vereador em Campo Grande) e acabaram se encontrando em um bar (Jânio gostava de uma marvada pinga como papai). Mas o Presidente viria decepcionar e deixar papai doente de cama, com a renúncia no dia 25 de agosto de 1961, exatamente no dia em que se comemora o Dia do Soldado. Alegando pressões de forças ocultas, que até hoje ninguém conseguiu decifrar que forças eram essas, Jânio deixaria milhões de viúvas pelo país, e um ciclo de desestabilização da democracia. Continuo na 2a parte. A história é longa.. Um grande abraço. Amaral
2-Minha reposta
Meu caro Antonio!
Não recebi a primeira parte do seu relato. Se puder me mandar de novo agradeço. Veja um pouco de minha história nos meus blogs
www.luiz-aparecido.zip.net
www.luizap.blogspot.com
Sou da geração do Celso Lacava, Eninho, Floriano Pastore, Paulo Sergio Mucoucah e outros. Conheci os Valente e o pessoal do Teatro e do cineclube de lá. Fiz política estudantil e comecei a militar na política lá, com o Dr. Francisco Ramalho e outros, conheci o Nagib e outros políticos da época, mas logo fui para São Paulo, junto com o Joel Pereira Gomes, e os irmãos Palhares, Walter Pini, Ruy e Jose Eduardo. Agora tem um amigo de Brasília que esta escrevendo um livro sobre minha vida política e estamos gravando um vídeo documentário sobre a época e minha trajetória. Depois de anos em São Paulo como estudante, jornalista, trabalhei nos Diários Associados, MetroNews, Folha de São Paulo e Diário Popular. Fui preso político da ditadura durante uns cinco anos e até hoje sou militante do PCdoB.
Mas estou agora em Fundão no Espirito Santo me recuperando de uma terrível doença que me deixou quase totalmente paralisado, mas fui salvo pelo hospital Sara de Brasília. Morei depois que sai da prisão no Espírito Santo, depois voltei a São Paulo e depois fui para Brasília onde fiquei muito tempo, trabalhando no Congresso, no Jornal de Brasília e no governo do Cristovan Buarque.
Mande-me a primeira parte e o terceiro de seu relato e se me autorizar vou colocar esta nossa correspondência nos meus Blogs.
Um forte abraço.
Luiz Aparecido
3-Do Amaral para mim
Companheiro Luiz:
Como te falei, sou de Penápolis e morava na esquina da Avenida Santa Casa com a Rua Siqueira Campos, que desemboca no Estádio Municipal Tenente Carriço. Nos mudamos para Brasília também porque papai, na época, era desafeto do então Prefeito de Penápolis Nagib Sabino, irmão do vereador Mário Sabino. Papai pertencia ao grupo político do ex-prefeito Joaquim Araújo, Dr. Ramalho Franco etc...O Nagib Sabino estava sendo investigado por uma CPI na Câmara Municipal, acusado de desviar dinheiro público e material de obra da construção da Escola Técnica (os caminhões de material entravam na construção, eram apontados e saiam com a mesma carga para despejar na obra que o Nagib estava construindo - um prédio de dois andares que existe até hoje lá - no centro da cidade perto da igreja matriz.O clima ficou tão tenso entre os dois que já não podiam se encontrar na cidade, era briga na certa.Assim, aproveitando a eleição do Jânio, a briga com o Prefeito Nagib Sabino e o fato de que o chefe de gabinete do Prefeito de Brasília (naquela época não havia ainda a figura do Governador do DF) era meu padrinho de crisma, portanto compadre de papai, e nos convidou para vir morar por aqui,viemos para Brasília.O Prefeito de Brasília era o embaixador Paulo de Tarso Flexa de Lima, amigo do meu padrinho José Xavier de Oliveira - Juquinha, também de Penápolis.Voltando um pouco no tempo, talvez você conheça, ou já ouviu falar no companheiro Walter Nei Valente, filho do Antonio Valente, é também nosso conterrâneo de Penápolis, é médico e foi dirigente do Sindicato dos Professores do DF, militante e fundador do PT, é meu amigo de infância e morou um pouco abaixo da minha casa na Rua Siqueira Campos, em Penápolis. O Walter hoje pelegou e está no PSDB, desiludido com o PT - mas bem que podia ter escolhido um partido mais a esquerda. Tinha também o Airton Marçal - de Penápolis - que era dirigente do Sindicato dos telefônicos do Rio de Janeiro. Êta cidade para parir celebridades ! Além da Sabrina Satto, do Pânico na TV.Chegando em Brasília, em 1961, fui estudar na Escola Classe 504, onde concluí a 5a Série - Admissão ao curso ginasial, hoje conhecido como ensino fundamental.O ensino fundamental concluí no Colégio Dom Bosco.No dia 01/04/1964, ao chegar ao Colégio Dom Bosco, me deparei com a Av. W/3 infestada por tanques do exército. Era o início do golpe militar que infelicitou o país por mais de 20 anos e deixou atrás de si um país totalmente aniquilado sob todos os aspectos. Segue depois a 3a etapa. Abraços. Amaral
4-Do Amaral para mim
Companheiro Luiz:
Fico feliz por ter recebido minhas mensagens. Pode me chamar de Amaral que é como sou conhecido no movimento sindical e político em Brasília. Quanto a colocar minhas mensagens no seu blog está plenamente autorizado. Pois bem, continuando: Após ter as aulas suspensas no Colégio Dom Bosco, me dirigi à Rodoviária com o objetivo de voltar para casa - morava na Asa Norte Quadra 403, bem no início - entretanto ao chegar lá percebi uma intensa movimentação no Teatro Nacional, à época ainda em construção. Quando entrei no Teatro, o mesmo estava lotado, lá estavam deputados, senadores, populares, estudantes. Logo na entrada estava o pessoal da UNE com pranchetas colhendo o nome do pessoal que se dispunha a resistir ao golpe militar, atendendo ao chamado de Leonel Brizola que estava no Rio Grande do Sul organizando a resistência. O pessoal estava pedindo que aguardássemos a chegada do armamento para a resistência (o armamento mais moderno na época era a metralhadora INA, de fabricação Nacional, e era a promessa do pessoal da UNE). Dei meu nome e fiquei aguardando a chegada do armamento, escutando os discursos que se revezavam na tribuna em apoio a João Goulart e a Brizola. Brasília não possuia um efetivo militar capaz de segurar uma rebelião. Assim, o exército solicitou a vinda de um contingente de Minas Gerais, aerotransportado, que chegou rapidamente à Capital. Sei que por volta das 15 horas, resolvi respirar um pouco fora do teatro por conta do calor intenso, quando avistei a chegada de dezenas de caminhões do exército lotados de soldados que imediatamente se puseram a construir casamatas nas imediações da Rodoviária. Entrei correndo no teatro e o pessoal da UNE também já tinha avistado a movimentação das tropas e foi aquele sufoco. Saímos correndo pelos fundos do teatro, tendo arrombado as portas, e nos metemos a correr cerrado adentro. Depois ficamos sabendo que Jango estava voltando do Rio de Janeiro para Brasília e tinha decidido, por aconselhamento do general chefe da casa militar a se render. Partindo de Brasília, Jango voou para Porto Alegre e imediatamente após, para o Uruguai, lá se exilando. Esse episódio (fuga de Jango e medo de resistir) resultou na briga entre Jango e Brizola, cunhados que eram, por muitos anos. Hoje penso que Brizola estava certo pois os golpistas não estavam ainda estruturados para vencer uma possível resistência, mas com a atitude de Jango o golpe se consolidou. Jango, como ele mesmo relatou, teve receio de que a resistência pudesse levar ao derramamento de um banho de sangue entre irmãos.Tinha muita admiração por Jango e o conheci à porta do Colégio Dom Bosco onde seus filhos também estudavam (faziam o pré-escolar). Era muito simpático, comunicativo, nos cumprimentou sem formalidades. Não possuía aparato de segurança, andava pelas ruas normalmente. Maria Thereza, sua bela mulher também era muito simples, muito elegante, discreta como convinha ao posto que ocupava. Vestia-se muito bem, com roupas da grife Denner, o costureiro da onda. Ia buscar pessoalmente as crianças no Colégio, encontrávamos com ela todos os dias. Jango, com seu programa de reforma de base certamente revolucionaria o país, era um nacionalista, amava o seu país e seu povo e morreu de forma solitária porque mesmo doente, os militares o impediram de voltar ao país, tendo morrido na sua fazenda no Uruguai. Voltando um pouco na história, esse episódio da resistência no Teatro Nacional é contado muito rapidamente no Livro do udenista/golpista Carlos Lacerda intitulado Depoimento, que é uma coletânea de entrevistas que o dito cujo concedeu, se não me engano, ao Jornal Correio da Manhã. Em agosto de 1967(sou muito ruim para guardar datas) resolvi abandonar os estudos e atender ao chamamento do CHE, que estava organizando a revolução nas matas da Bolívia e requisitava combatentes. Saí de Brasília, sem um tostão no bolso, viajando de carona, com uma pequena mochila de roupas nas costas e consegui chegar a Três Lagoas no Mato Grosso. Lá fiquei perambulando pelas ruas por dois meses, dormindo em praça pública, comendo de favor pelos transeuntes e residências que me ofereciam. Desesperado, sem chances de evoluir para o meu objetivo, decidi retornar para casa em Brasília. Você não pode adivinhar o desespero de meus pais, sem notícias, sem contato comigo. Quando cheguei em casa, era um mu lambo em pessoa. Penso que a morte de papai, em 1968 se deveu um pouco pelos meus arroubos revolucionários. Com minha irmã casada, tive que tomar conta de mamãe. Assim tratei de arrumar um emprego e mergulhei de corpo no trabalho porque minha cabeça estava constantemente ligada na ação dos companheiros que nas organizações de esquerda estavam trocando chumbo com a ditadura. A cada notícia de vitória dos companheiros contra a ditadura eu vibrava como se estivesse lá ajudando. Sonhei várias noites com os companheiros que via nos cartazes espalhados pela cidade: Lamarca, Joaquim Câmara Ferreira -Toledo (o velho), Carlos Marighela, Eduardo Leite - o Bacuri, Yara Iavelberg, Vera Sílvia Magalhães, etc...Aliás estive quase com o pé na luta porque pertencia, quando estudante aos quadros da UBES. Na escola seguíamos a orientação do pessoal da UNE, cujo Presidente era o Honestino Guimarães, primo do Sebastião Lopes (Tião) que era meu colega no colégio e vizinho de apartamento na SQN 4l3. A mãe do Tião (Hermione) era professora e colega de minha irmã no mesmo colégio que lecionavam. O Tião seguiu na luta enquanto eu me voltei para o trabalho para sustentar mamãe, recém viúva. O Tião esteve preso no PIC da Polícia do Exército no Setor Militar Urbano durante muitos anos.Hoje está em São Paulo, fazendo movimento sindical em Osasco.A última vez que o encontrei foi num ônibus na L2 Sul. Estava voltando do trabalho para casa (4l3 Sul) quando uma pessoa bateu no meu ombro. Era o Tião. Ficamos visivelmente emocionados com o reencontro. Descemos e ficamos conversando numa parada de ônibus até o limite das horas que o Tião possuía para ficar na rua. Estava com liberdade condicional. Nunca mais o ví, só tenho notícias através do pessoal do movimento sindical. Para encurtar a história, em 1984 entrei para o PT onde estou até hoje. Pertenço à corrente Democracia Socialista. Fui Presidente do Sindicato da minha categoria: urbanitários (CEB,FURNAS, ELETRONORTE e ELETROBRÁS) por três mandatos: (1985/1988), (1989/1991) e (1991/1995). Fui dirigente da CUT e hoje sou dirigente da zonal do PT do Núcleo Bandeirante. No Governo Cristovam, trabalhava na CEB e fui assessor da Presidência. O Presidente era o Luiz Carlos Vidal, ex-preso político, pertencia aos quadros da ALN. Sou socialista e luto pela construção de uma nova sociedade. Não desistirei da luta e nem me afastarei dela um só segundo. Me inspiro muito na figura de João Amazonas, exemplo de luta, dignidade e honradez. Atualmente estou trabalhando na ELETRONORTE, na área de meio ambiente.Estou tentando escrever um Livro, contando também minhas histórias. O título provisório é: Política não se Discute, mostrando, de forma irônica, que a política, mesmo que se queira negar, está impregnada em nossas vidas, desde o nascimento, e quem ignora isso, acaba sendo manipulado pelos espertalhões de plantão. Vamos continuar a nos falar. Precisamos nos unir. Mandei um email para o Lungaretti parabenizando pela iniciativa de criar uma espécie de Centro da Memória Revolucionária. Citei inclusive o caso da Vera Sílvia, que morreu de forma solitária, revoltada por ter passado pelo que passou, demonstrando ter vivido uma vida solitária, longe das pessoas e companheiros a quem amava e com quem lutou. Ousar lutar, ousar vencer. Abraços. Amaral.
5- Minha resposta ao Amaral
Amaral!!!!
Foi uma feliz surpresa você ter me achado agora, apesar de termos nos roçado por estes anos todos. E noto que você é um baita memorialista que vai acabar me ajudando no livro e no documentário que estamos as duras penas produzindo.
No governo Cristovan devemos ter nos cruzado porque fui subsecretario de Comunicação junto com o Moa e o Hélio Doyle e no seu ultimo ano fui para a administração do Gama que era dirigida pelo meu partido. Estou vendo aqui como coloco este nosso diálogo nos meus Blogs e continuarmos a nos falar.
Agora estou as voltas com meu pedido de anistia e auxilio doença que o INSS não me paga neste um ano e meio que estou doente. Mas a vida continua. E como digo sempre aos amigos que vacilam, "a revolução triunfara, apesar de nós".
Forte abraço
Luiz Aparecido
quinta-feira, maio 21, 2009
Reflexões sobre a Guerrilha!
DE CONFRONTOS E EXTREMOS
En Passant: Pablo Emmanuel
Há uma passagem no “Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano”, escrito por Marighella, que certamente tenha tido sua base nas observações de Che, em seu livro “A Guerra de Guerrilhas”, que, aliás, é interessante do ponto de vista estratégico, segundo as experiências de Guevara na revolução cubana.
Discorre sobre como provocar uma ditadura até que ela monte um extenso aparato de repressão sobre a sociedade, a fim de que esta se volte contra o governo por se sentir alijada de garantias fundamentais. Assim, como afirma Che, a ditadura se desmascara, mostra-se como ela é. O que vem a gerar um descontentamento popular que poderia auxiliar as operações da guerrilha.
O general Médici, que, conforme muge o cabo Anselmo, era um “bonachão”, teve a perspicácia de manter a violência e, ao mesmo tempo, acelerar o desenvolvimento dependente e antinacionalista da economia, baseado na oferta de bens de consumo duráveis. Com a copa de 70, estava tudo perfeito. A anestesia para o povo foi daquela de deixá-lo praticamente em coma.
Durante a guerrilha urbana, ninguém da favela se levantou, preferindo a malandragem do samba na esquina, onde até uma caixinha de fósforos servia de percussão. O proletário estava com sono.
A classe média queria dirigir um Maverick e ver TV a cores.
E pronto.
Com a mídia amarrada, o governo lançou uma campanha terrível e eficiente de aniquilação moral da esquerda armada. Enquanto isto, braços paramilitares do Poder Executivo cometiam crimes tão brutais quanto as SS nazistas.
Não vivi aquele tempo, embora tenha nascido durante os eventos mais dramáticos, mas me arrisco a um palpite.
Talvez se, a partir de 1970, toda a guerrilha urbana se desmobilizasse das cidades para se infiltrar nas selvas do país, poderia formar um corpo muito maior e mais coeso do que o composto dentro das cidades, onde a luta era mais difícil e compartimentada.
Por outro lado, a guerrilha não dispunha de armamento de longo alcance. Para combate em selva, o fuzil é imprescindível. Um bom fuzil. Onde estava a Mãe Rússia que não mandou para os guerrilheiros do Brasil seus maravilhosos Kalashnikovs? Que conspiração comunista era essa afinal, em que os supostos principais interessados na posse do Brasil, que seriam os soviéticos, segundo a acusação de muitos na época, não se moviam um centímetro?
Dentro da cidade, eu concordo com o que disse Marighella sobre o uso de pistolas, revólveres e pequenas metralhadoras, enfim, armas curtas para ações rápidas.
Seria preciso assaltar pelo menos uns 20 quartéis no país para levar a fuzilaria toda, granadas, morteiros etc. Isso estava fora de cogitação, ainda mais depois que Lamarca deu um chão no arsenal de um regimento em Osasco. A vigilância se tornou implacável.
O pessoal da rede urbana talvez não tivesse condições para empreender longas marchas dentro das selvas, movimentar-se com rapidez. Talvez não tivéssemos a astúcia dos vietnamitas, por exemplo, que colocavam a resistência total como o princípio básico da sobrevivência dentro das matas, numa desenvoltura impressionante que tornou lendária a tática de guerras daquele povo.
Sei lá. Provavelmente, as Forças Armadas utilizariam bombas de fragmentação e NAPALM à larga se todas as guerrilhas fossem concentradas na Amazônia, sobretudo se Lamarca estivesse por lá, treinando militantes e camponeses que quisessem engajamento.
Segundo a tática maoísta, as cidades deveriam ser esmagadas por um cinturão formado pela guerrilha popular, sufocando, estrangulando, atacando os meios de comunicação. No Brasil não tinha gente o bastante para isto. Como arrebanhar da noite para o dia um jeca-tatu que está lá nos rincões fumando a palhinha dele, com as unhas pretas de terra e as mãos grossas como lixas?
A teimosia e a lamentável mania que a esquerda tinha de acusar outros grupos disto ou daquilo, fazendo juízos entre certos e errados, de modo dogmático, atomizavam seu aparato ideológico e militar. Havia vários raciocínios para um só objetivo, que nunca é alcançado quando um raciocínio se ocupa da destruição de um outro.
Imagino outra hipótese: a da participação armada dos trotskistas, se estivessem a fim mesmo. Na verdade, eles se abstiveram. Como seria a relação entre a linha de frente treinada em Cuba e o pessoal de Trotsky?
Eu quase tenho certeza de que, no final, os trotskistas seriam acusados pela derrota da esquerda e terminariam mortos como fizeram os comunistas contra os anarquistas na guerra contra Franco. Um banho de sangue entre as Brigadas Internacionais em uma das mais belas páginas da história da humanidade. Que desgraça!
Ramon Mercader, bandido stalinista que rachou a cabeça do velho judeu no México, por ordem do crapuloso Big Brother, terminou seus dias na ilha, sob a égide de Fidel. Provavelmente, trotskista não seria gente bem-vinda para o combate, de tal forma que esta facção se limitou a lutar através de jornais clandestinos, até criticando quem estava no combate aberto.
Alguns acusavam a ALN, por exemplo, de cair num tipo de terrorismo vulgar, de desvinculação das massas trabalhadoras, de lutar sem elas etc.
[Por falar na ALN, recordo-me da entrevista do infame cabo Anselmo que defende a tese segundo a qual o grupo de Marighella nada mais era do que o braço armado do PCB; que o Partidão não tinha ficado “neutro” na luta e que o rompimento de Marighella com o partido através daquela famosa carta era tudo farsa para que o PCB ficasse intacto e a ALN pudesse descer a madeira...]
Não há como intuir sobre o passado.
Ninguém sabe que rumo tomaria a luta armada se ela fosse essencialmente rural, sem braços nas cidades, onde ninguém quis se levantar para aderir.
De minha parte, eu não sei como procederia se vivo fosse naquelas condições. Acredito que não teria a energia [nervosa] necessária para enfrentar aquele aparato todo. Tenho respeito por aqueles que tiveram essa energia e morreram.
Reflito sobre a possibilidade de revolução, que acho ser remota aqui no Brasil, quase impossível, mesmo via eleições. Não sei até que ponto um companheiro meu não estaria disposto a me matar somente porque discordei de alguns questionamentos que foram lançados. Não sei até que ponto estaria seguro ao lado de alguém que só seria meu amigo enquanto pensasse politicamente como eu.
Eu sou comunista, não cultivo valores absolutos do stalinismo nem do trotskismo, e entendo ser melhor morrer ao lado de homens que são justos do que tomar um chão pela injustiça de um camarada de armas.
É uma honra aceitar esse tipo de morte. Porque, a rigor, a luta só é justa enquanto der combate às injustiças.
Os danos psicológicos do passado permanecem até hoje, para nossa desgraça.
En Passant: Pablo Emmanuel
Há uma passagem no “Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano”, escrito por Marighella, que certamente tenha tido sua base nas observações de Che, em seu livro “A Guerra de Guerrilhas”, que, aliás, é interessante do ponto de vista estratégico, segundo as experiências de Guevara na revolução cubana.
Discorre sobre como provocar uma ditadura até que ela monte um extenso aparato de repressão sobre a sociedade, a fim de que esta se volte contra o governo por se sentir alijada de garantias fundamentais. Assim, como afirma Che, a ditadura se desmascara, mostra-se como ela é. O que vem a gerar um descontentamento popular que poderia auxiliar as operações da guerrilha.
O general Médici, que, conforme muge o cabo Anselmo, era um “bonachão”, teve a perspicácia de manter a violência e, ao mesmo tempo, acelerar o desenvolvimento dependente e antinacionalista da economia, baseado na oferta de bens de consumo duráveis. Com a copa de 70, estava tudo perfeito. A anestesia para o povo foi daquela de deixá-lo praticamente em coma.
Durante a guerrilha urbana, ninguém da favela se levantou, preferindo a malandragem do samba na esquina, onde até uma caixinha de fósforos servia de percussão. O proletário estava com sono.
A classe média queria dirigir um Maverick e ver TV a cores.
E pronto.
Com a mídia amarrada, o governo lançou uma campanha terrível e eficiente de aniquilação moral da esquerda armada. Enquanto isto, braços paramilitares do Poder Executivo cometiam crimes tão brutais quanto as SS nazistas.
Não vivi aquele tempo, embora tenha nascido durante os eventos mais dramáticos, mas me arrisco a um palpite.
Talvez se, a partir de 1970, toda a guerrilha urbana se desmobilizasse das cidades para se infiltrar nas selvas do país, poderia formar um corpo muito maior e mais coeso do que o composto dentro das cidades, onde a luta era mais difícil e compartimentada.
Por outro lado, a guerrilha não dispunha de armamento de longo alcance. Para combate em selva, o fuzil é imprescindível. Um bom fuzil. Onde estava a Mãe Rússia que não mandou para os guerrilheiros do Brasil seus maravilhosos Kalashnikovs? Que conspiração comunista era essa afinal, em que os supostos principais interessados na posse do Brasil, que seriam os soviéticos, segundo a acusação de muitos na época, não se moviam um centímetro?
Dentro da cidade, eu concordo com o que disse Marighella sobre o uso de pistolas, revólveres e pequenas metralhadoras, enfim, armas curtas para ações rápidas.
Seria preciso assaltar pelo menos uns 20 quartéis no país para levar a fuzilaria toda, granadas, morteiros etc. Isso estava fora de cogitação, ainda mais depois que Lamarca deu um chão no arsenal de um regimento em Osasco. A vigilância se tornou implacável.
O pessoal da rede urbana talvez não tivesse condições para empreender longas marchas dentro das selvas, movimentar-se com rapidez. Talvez não tivéssemos a astúcia dos vietnamitas, por exemplo, que colocavam a resistência total como o princípio básico da sobrevivência dentro das matas, numa desenvoltura impressionante que tornou lendária a tática de guerras daquele povo.
Sei lá. Provavelmente, as Forças Armadas utilizariam bombas de fragmentação e NAPALM à larga se todas as guerrilhas fossem concentradas na Amazônia, sobretudo se Lamarca estivesse por lá, treinando militantes e camponeses que quisessem engajamento.
Segundo a tática maoísta, as cidades deveriam ser esmagadas por um cinturão formado pela guerrilha popular, sufocando, estrangulando, atacando os meios de comunicação. No Brasil não tinha gente o bastante para isto. Como arrebanhar da noite para o dia um jeca-tatu que está lá nos rincões fumando a palhinha dele, com as unhas pretas de terra e as mãos grossas como lixas?
A teimosia e a lamentável mania que a esquerda tinha de acusar outros grupos disto ou daquilo, fazendo juízos entre certos e errados, de modo dogmático, atomizavam seu aparato ideológico e militar. Havia vários raciocínios para um só objetivo, que nunca é alcançado quando um raciocínio se ocupa da destruição de um outro.
Imagino outra hipótese: a da participação armada dos trotskistas, se estivessem a fim mesmo. Na verdade, eles se abstiveram. Como seria a relação entre a linha de frente treinada em Cuba e o pessoal de Trotsky?
Eu quase tenho certeza de que, no final, os trotskistas seriam acusados pela derrota da esquerda e terminariam mortos como fizeram os comunistas contra os anarquistas na guerra contra Franco. Um banho de sangue entre as Brigadas Internacionais em uma das mais belas páginas da história da humanidade. Que desgraça!
Ramon Mercader, bandido stalinista que rachou a cabeça do velho judeu no México, por ordem do crapuloso Big Brother, terminou seus dias na ilha, sob a égide de Fidel. Provavelmente, trotskista não seria gente bem-vinda para o combate, de tal forma que esta facção se limitou a lutar através de jornais clandestinos, até criticando quem estava no combate aberto.
Alguns acusavam a ALN, por exemplo, de cair num tipo de terrorismo vulgar, de desvinculação das massas trabalhadoras, de lutar sem elas etc.
[Por falar na ALN, recordo-me da entrevista do infame cabo Anselmo que defende a tese segundo a qual o grupo de Marighella nada mais era do que o braço armado do PCB; que o Partidão não tinha ficado “neutro” na luta e que o rompimento de Marighella com o partido através daquela famosa carta era tudo farsa para que o PCB ficasse intacto e a ALN pudesse descer a madeira...]
Não há como intuir sobre o passado.
Ninguém sabe que rumo tomaria a luta armada se ela fosse essencialmente rural, sem braços nas cidades, onde ninguém quis se levantar para aderir.
De minha parte, eu não sei como procederia se vivo fosse naquelas condições. Acredito que não teria a energia [nervosa] necessária para enfrentar aquele aparato todo. Tenho respeito por aqueles que tiveram essa energia e morreram.
Reflito sobre a possibilidade de revolução, que acho ser remota aqui no Brasil, quase impossível, mesmo via eleições. Não sei até que ponto um companheiro meu não estaria disposto a me matar somente porque discordei de alguns questionamentos que foram lançados. Não sei até que ponto estaria seguro ao lado de alguém que só seria meu amigo enquanto pensasse politicamente como eu.
Eu sou comunista, não cultivo valores absolutos do stalinismo nem do trotskismo, e entendo ser melhor morrer ao lado de homens que são justos do que tomar um chão pela injustiça de um camarada de armas.
É uma honra aceitar esse tipo de morte. Porque, a rigor, a luta só é justa enquanto der combate às injustiças.
Os danos psicológicos do passado permanecem até hoje, para nossa desgraça.
segunda-feira, abril 20, 2009
Vida, trajetória & Revolução
Minha gente amiga!!!
Neste último sábado dia 18 de abril, filmamos na casa do Chico Martins, em Santa Cruz, aprazível balneário perto de Aracruz no Espírito Santo, a primeira parte de um filme documentário sobre minha trajetória de vida e militância política, desde 1962 até agora, passando pelos anos de chumbo da ditadura militar. Este documentário que esta sendo dirigido pelo cineasta/artista plástico Tião Fonseca, com a colaboração do publicitário Osmario Cavalcante, faz parte de um projeto que inclui ainda um livro(já sendo escrito) pelo historiador brasiliense Pablo Emanuel Moura.
O projeto nasceu de uma idéia de um “Centro de Memória Revolucionário”, da Nanda Tardin, do Celso Lungaretti e outros camaradas das “antigas”, do PCdoB, pessoal que sobreviveu à ALN (Aliança Libertadora Nacional) que era dirigida por Carlos Marighela e Joaquim Câmara Ferreira e amigos do peito. Esperamos que até novembro próximo, consigamos terminar o vídeo-documentario e o livro esteja no prelo.
Até lá temos ainda um longo percurso, como batalhar patrocínio e ajuda para editar e finalizarmos o vídeo, encontrar uma editora arrojada pra editar o livro e preparar depois o lançamento das duas peças, que espero contribuam para enriquecer a história recente do Brasil e lançar luzes polemicas sobre os caminhos e perspectivas da revolução brasileira.
História de vida
No meu depoimento no vídeo-documentario e no livro, narro minha trajetória desde quando ainda em Penápolis, no interior paulista. entre os 13/14 anos, por volta de 1962,
tive contato com as idéias socialistas e revolucionarias. Comecei a militar numa base incipiente dirigida pelo velho PCB, chamada Organização Operária, Estudantil Camponesa, naquela pequena cidade do interior paulista onde fui criado. Depois do golpe militar e decepcionados com PCB, ajudamos a organizar a Dissidência Comunista de São Paulo, que acabou fornecendo os quadros que fundaram a ALN e outras organizações revolucionarias que optaram pela luta armada e guerrilha urbana para enfrentar a ditadura.
Militei na ALN até compreender que aquela forma de luta estava equivocada e esgotada e caminhávamos celeremente para o aniquilamento e extinção, como acabou ocorrendo. Falo dos meus dois encontros com Toledo, o lendário dirigente Joaquim Câmara Ferreira, o segundo depois de Marighela no comando da ALN. Um dos encontros foi logo depois de entrar na organização e o segundo quando pedi meu desligamento, explicitando o porque dele.
Fui depois para a APML, que nesta época, por volta de 1972, já discutia e formulava a adesão ao PCdoB, considerado pela maioria como o único partido com condições de dirigir a luta revolucionaria conseqüente no Brasil. Falo também dos períodos de clandestinidade forçada e das inúmeras (4) prisões que sofri, das barbáries das torturas sendo a pior delas em setembro de 1973. Depois, por volta de 1976 saio da prisão já integrado à Estrutura 1 do PCdoB, engajado na luta política da época pela anistia, constituinte e democracia plena.
No Espírito Santo
Em janeiro de 1979 a Estrutura 1 do PCdoB me manda para o Espírito Santo, com a missão de reorganizar o partido que tinha sido praticamente dizimado e desestruturado pela ação da repressão da Ditadura. Aqui encontro Gildo Ribeiro, Dines Brozeghini , Paulo Mossoró, Nilo Walter e uns poucos outros espalhados pelo Estado. Iniciamos então a batalha para reorganizar e ampliar o numero de quadros e militantes do partido e integrarmos a vida política do Estado, sob o manto dissimulado do MDB, hoje PMDB.
Em 1985 volto para São Paulo para integrar a Comissão de Propaganda do Comitê Central e militar no Comitê regional de São Paulo. Depois vou para Brasília militar no partido e trabalhar, mas mantendo sempre um vinculo muito forte com o Espírito Santo e os camaradas e amigos que lá deixei.
O vídeo narra esta época e o livro vai mais fundo, detalhando estas fases e períodos, chegando até os dias atuais, quando vitima de uma doença que praticamente me paralisou o corpo todo, passo por um ano praticamente de tratamento e operação para estancar o processo de paralisia do meu organismo e volto ao Espírito Santo para estar com minha família, minha esposa Polyana, minha filha Elza Maria e meu filho Paulo Roberto e concluir o tratamento fisioterápico e me preparar para novas lutas e embates que a vida, a revolução e o socialismo exige ainda de nós.
Neste último sábado dia 18 de abril, filmamos na casa do Chico Martins, em Santa Cruz, aprazível balneário perto de Aracruz no Espírito Santo, a primeira parte de um filme documentário sobre minha trajetória de vida e militância política, desde 1962 até agora, passando pelos anos de chumbo da ditadura militar. Este documentário que esta sendo dirigido pelo cineasta/artista plástico Tião Fonseca, com a colaboração do publicitário Osmario Cavalcante, faz parte de um projeto que inclui ainda um livro(já sendo escrito) pelo historiador brasiliense Pablo Emanuel Moura.
O projeto nasceu de uma idéia de um “Centro de Memória Revolucionário”, da Nanda Tardin, do Celso Lungaretti e outros camaradas das “antigas”, do PCdoB, pessoal que sobreviveu à ALN (Aliança Libertadora Nacional) que era dirigida por Carlos Marighela e Joaquim Câmara Ferreira e amigos do peito. Esperamos que até novembro próximo, consigamos terminar o vídeo-documentario e o livro esteja no prelo.
Até lá temos ainda um longo percurso, como batalhar patrocínio e ajuda para editar e finalizarmos o vídeo, encontrar uma editora arrojada pra editar o livro e preparar depois o lançamento das duas peças, que espero contribuam para enriquecer a história recente do Brasil e lançar luzes polemicas sobre os caminhos e perspectivas da revolução brasileira.
História de vida
No meu depoimento no vídeo-documentario e no livro, narro minha trajetória desde quando ainda em Penápolis, no interior paulista. entre os 13/14 anos, por volta de 1962,
tive contato com as idéias socialistas e revolucionarias. Comecei a militar numa base incipiente dirigida pelo velho PCB, chamada Organização Operária, Estudantil Camponesa, naquela pequena cidade do interior paulista onde fui criado. Depois do golpe militar e decepcionados com PCB, ajudamos a organizar a Dissidência Comunista de São Paulo, que acabou fornecendo os quadros que fundaram a ALN e outras organizações revolucionarias que optaram pela luta armada e guerrilha urbana para enfrentar a ditadura.
Militei na ALN até compreender que aquela forma de luta estava equivocada e esgotada e caminhávamos celeremente para o aniquilamento e extinção, como acabou ocorrendo. Falo dos meus dois encontros com Toledo, o lendário dirigente Joaquim Câmara Ferreira, o segundo depois de Marighela no comando da ALN. Um dos encontros foi logo depois de entrar na organização e o segundo quando pedi meu desligamento, explicitando o porque dele.
Fui depois para a APML, que nesta época, por volta de 1972, já discutia e formulava a adesão ao PCdoB, considerado pela maioria como o único partido com condições de dirigir a luta revolucionaria conseqüente no Brasil. Falo também dos períodos de clandestinidade forçada e das inúmeras (4) prisões que sofri, das barbáries das torturas sendo a pior delas em setembro de 1973. Depois, por volta de 1976 saio da prisão já integrado à Estrutura 1 do PCdoB, engajado na luta política da época pela anistia, constituinte e democracia plena.
No Espírito Santo
Em janeiro de 1979 a Estrutura 1 do PCdoB me manda para o Espírito Santo, com a missão de reorganizar o partido que tinha sido praticamente dizimado e desestruturado pela ação da repressão da Ditadura. Aqui encontro Gildo Ribeiro, Dines Brozeghini , Paulo Mossoró, Nilo Walter e uns poucos outros espalhados pelo Estado. Iniciamos então a batalha para reorganizar e ampliar o numero de quadros e militantes do partido e integrarmos a vida política do Estado, sob o manto dissimulado do MDB, hoje PMDB.
Em 1985 volto para São Paulo para integrar a Comissão de Propaganda do Comitê Central e militar no Comitê regional de São Paulo. Depois vou para Brasília militar no partido e trabalhar, mas mantendo sempre um vinculo muito forte com o Espírito Santo e os camaradas e amigos que lá deixei.
O vídeo narra esta época e o livro vai mais fundo, detalhando estas fases e períodos, chegando até os dias atuais, quando vitima de uma doença que praticamente me paralisou o corpo todo, passo por um ano praticamente de tratamento e operação para estancar o processo de paralisia do meu organismo e volto ao Espírito Santo para estar com minha família, minha esposa Polyana, minha filha Elza Maria e meu filho Paulo Roberto e concluir o tratamento fisioterápico e me preparar para novas lutas e embates que a vida, a revolução e o socialismo exige ainda de nós.
segunda-feira, abril 13, 2009
Vale a pena ler. MESMO!
Continuo convalescendo, aqui em Fundão dos Indios, no interior do Espírito Santo da terrivel doença que me atingiu a medula. Superei a pior parte, mas a recuperação é lentísima e os movimentos de minhas mãos continuam semiparaliza.dos Por isto, e também porque vale a pena, tenho reproduzido aqui artigos e trechos de materias escritas por amigos e companheiros. As que estão ai embaixo valem a pena ser lidos. MESMO!!!
O DIA A DIA DE QUEM RESISTIA A DITADURA!
Reproduzo aqui trecho de um magnífico artigo de meu amigo e companheiro de lutas contra a Ditadura fascista que assolou o Brasil durante 22 anos,Celso Lungaretti, onde ele responde as acusações e baboseiras que a direita e os mal informados, dizem sobre os militantes da esquerda, armada ou não, nos tempos da Ditadura. Eu mesmo vivi durante vários períodos esta situação que ele descreve aqui. Luiz Aparecido
“OS "BENEFÍCIOS" DOS ASSALTOS - Além de agradecer ao jornal por dar aos brasileiros “a noção exata de quem podem colocar para dirigir um país”, ele repetiu a cantinela habitual dos sites fascistas: “Quem se beneficiou do produto dos assaltos, sequestros, guerrilhas e assassinatos cometidos em nome da ideologia? Apenas eles, os ilegais, que hoje estão no poder...”.
Fiquemos por aqui, pois não quero provocar náuseas nos meus leitores.
Eu militei na VPR entre abril/1969 e abril/1970, quando fui preso pelo DOI-Codi/RJ, sofri torturas que me deixaram à beira de um enfarte aos 19 anos de idade e me causaram uma lesão permanente.
Nesse ano em que me beneficiei do produto dos assaltos praticados pelas organizações de resistência à tirania implantada pelos usurpadores do poder, como foi minha vida de nababo?
Na verdade, recebia o estritamente necessário para subsistir e manter a minha fachada de vendedor autônomo.
No início, fui obrigado a me abrigar em locais precaríssimos, como o porão de um cortiço na rua Tupi, próximo da atual estação do metrô Marechal Deodoro, na capital paulistana. Era só o que eu conseguia pagar com o produto dos assaltos.
Cada quarto era um cubículo mal ventilado. Enxames de pernilongos me atacavam durante o sono. Afastava-os com espirais que mantinha acesos durante a noite inteira... e me faziam sufocar.
O que mudou quando minha organização fez o maior assalto da esquerda brasileira em todos os tempos, apossando-se dos dólares da corrupção política guardados no cofre da ex-amante do governador Adhemar de Barros? Quase nada.
Era dinheiro para a revolução, não para gastos pessoais. Apesar de integrar o comando estadual de São Paulo e depois exercer papel semelhante no Rio de Janeiro, continuei levando existência das mais austeras.
Meu último abrigo foi o quarto alugado no amplo apartamento de uma velha senhora do Rio Comprido. Fazia tanto calor que eu era obrigado a dormir despido sobre o chão de ladrilhos, que amanhecia ensopado de suor.
Quando tinha de abandonar às pressas um desses abrigos, todos os meus bens cabiam numa mala de médio porte. Vinham-me à lembrança os versos de Brecht, “íamos pela luta de classes, desesperados/ trocando mais de países que de sapatos”.
Havia, sim, um dinheiro extra, que equivaleria a uns R$ 10 mil atuais. Mas, tratava-se do fundo a que recorreríamos caso ficássemos descontatados e tivéssemos de sobreviver ou deixar o país por nossos próprios meios, sem ajuda dos companheiros que já estariam presos ou mortos.
Nenhum de nós gastava essa grana, era ponto de honra. Os fundos de reserva acabaram chegando, intactos, às garras dos rapinantes que nos prendiam e matavam. Nunca prestaram conta disso, nem dos carros, das armas e até das peças de vestuário que nos tomaram.
E, mesmo que tivéssemos dinheiro para esbanjar, como o gastaríamos? Éramos procurados no país inteiro, com nossos nomes e fotos expostos em cartazes falaciosos.
Eu, que nunca fizera mal a uma mosca, aparecia nesses cartazes como “terrorista assassino, foragido depois de roubar e assassinar vários pais de família”. O Estado usava o dinheiro do contribuinte para me fazer acusações mentirosas e difamatórias!
Para manter as aparências, éramos obrigados a sair cedo e voltar no fim do dia. Os contatos com companheiros eram restritos ao tempo estritamente necessário para discutirmos os encaminhamentos em pauta; dificilmente chegavam a uma hora.
Sobravam longos intervalos, com nada para fazermos e a obrigação de ficarmos longe de situações perigosas. Tínhamos de procurar locais discretos, tentando passar despercebidos... por horas a fio. Sujeitos a, em qualquer momento, sermos surpreendidos por uma batida policial.
Vida amorosa? Dificílima. Cada momento que passássemos com uma companheira era um momento em que a estávamos colocando em perigo. Ninguém corria o risco de ir transar em hotéis, sempre visados (e nossa documentação era das mais precárias, passei uns oito meses tendo apenas um título eleitoral falsificado). E as facilidades atuais, como motéis, quase inexistiam.
Aos 18/19 anos, senti imensa atração por duas aliadas, uma em São Paulo e outra, meses mais tarde, no Rio de Janeiro. Com ambas, o sentimento era recíproco. E nos dois casos mal passamos dos beijos apaixonados com que nos cumprimentávamos e despedíamos. Qualquer coisa além disso seria perigosa demais.
Enfim, esta é a vida que levávamos, acordando a cada manhã sem sabermos se estaríamos vivos à noite, passando por freqüentes sustos e perigos, recebendo amiúde a notícia da perda de companheiros queridos (eu até relutava em abrir os jornais, tantas eram as vezes que só me traziam tristeza).
Sobreviver alguns meses já era digno de admiração. Ao completar um ano nessa vida, eu já me considerava (e era considerado pelos companheiros) um veterano. Caí logo em seguida.
Dos tolos que saem repetindo essas ignomínias marteladas dia e noite pela propaganda enganosa da direita, nem um milésimo seria capaz de encarar a barra que encaramos, não pelas motivações ridículas que nos atribuem, mas por não agüentarmos viver, e ver nosso povo vivendo, debaixo das botas dos tiranos!”
* Jornalista, escritor e ex-preso político, mantém os blogs
http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/
http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/
O DIA A DIA DE QUEM RESISTIA A DITADURA!
Reproduzo aqui trecho de um magnífico artigo de meu amigo e companheiro de lutas contra a Ditadura fascista que assolou o Brasil durante 22 anos,Celso Lungaretti, onde ele responde as acusações e baboseiras que a direita e os mal informados, dizem sobre os militantes da esquerda, armada ou não, nos tempos da Ditadura. Eu mesmo vivi durante vários períodos esta situação que ele descreve aqui. Luiz Aparecido
“OS "BENEFÍCIOS" DOS ASSALTOS - Além de agradecer ao jornal por dar aos brasileiros “a noção exata de quem podem colocar para dirigir um país”, ele repetiu a cantinela habitual dos sites fascistas: “Quem se beneficiou do produto dos assaltos, sequestros, guerrilhas e assassinatos cometidos em nome da ideologia? Apenas eles, os ilegais, que hoje estão no poder...”.
Fiquemos por aqui, pois não quero provocar náuseas nos meus leitores.
Eu militei na VPR entre abril/1969 e abril/1970, quando fui preso pelo DOI-Codi/RJ, sofri torturas que me deixaram à beira de um enfarte aos 19 anos de idade e me causaram uma lesão permanente.
Nesse ano em que me beneficiei do produto dos assaltos praticados pelas organizações de resistência à tirania implantada pelos usurpadores do poder, como foi minha vida de nababo?
Na verdade, recebia o estritamente necessário para subsistir e manter a minha fachada de vendedor autônomo.
No início, fui obrigado a me abrigar em locais precaríssimos, como o porão de um cortiço na rua Tupi, próximo da atual estação do metrô Marechal Deodoro, na capital paulistana. Era só o que eu conseguia pagar com o produto dos assaltos.
Cada quarto era um cubículo mal ventilado. Enxames de pernilongos me atacavam durante o sono. Afastava-os com espirais que mantinha acesos durante a noite inteira... e me faziam sufocar.
O que mudou quando minha organização fez o maior assalto da esquerda brasileira em todos os tempos, apossando-se dos dólares da corrupção política guardados no cofre da ex-amante do governador Adhemar de Barros? Quase nada.
Era dinheiro para a revolução, não para gastos pessoais. Apesar de integrar o comando estadual de São Paulo e depois exercer papel semelhante no Rio de Janeiro, continuei levando existência das mais austeras.
Meu último abrigo foi o quarto alugado no amplo apartamento de uma velha senhora do Rio Comprido. Fazia tanto calor que eu era obrigado a dormir despido sobre o chão de ladrilhos, que amanhecia ensopado de suor.
Quando tinha de abandonar às pressas um desses abrigos, todos os meus bens cabiam numa mala de médio porte. Vinham-me à lembrança os versos de Brecht, “íamos pela luta de classes, desesperados/ trocando mais de países que de sapatos”.
Havia, sim, um dinheiro extra, que equivaleria a uns R$ 10 mil atuais. Mas, tratava-se do fundo a que recorreríamos caso ficássemos descontatados e tivéssemos de sobreviver ou deixar o país por nossos próprios meios, sem ajuda dos companheiros que já estariam presos ou mortos.
Nenhum de nós gastava essa grana, era ponto de honra. Os fundos de reserva acabaram chegando, intactos, às garras dos rapinantes que nos prendiam e matavam. Nunca prestaram conta disso, nem dos carros, das armas e até das peças de vestuário que nos tomaram.
E, mesmo que tivéssemos dinheiro para esbanjar, como o gastaríamos? Éramos procurados no país inteiro, com nossos nomes e fotos expostos em cartazes falaciosos.
Eu, que nunca fizera mal a uma mosca, aparecia nesses cartazes como “terrorista assassino, foragido depois de roubar e assassinar vários pais de família”. O Estado usava o dinheiro do contribuinte para me fazer acusações mentirosas e difamatórias!
Para manter as aparências, éramos obrigados a sair cedo e voltar no fim do dia. Os contatos com companheiros eram restritos ao tempo estritamente necessário para discutirmos os encaminhamentos em pauta; dificilmente chegavam a uma hora.
Sobravam longos intervalos, com nada para fazermos e a obrigação de ficarmos longe de situações perigosas. Tínhamos de procurar locais discretos, tentando passar despercebidos... por horas a fio. Sujeitos a, em qualquer momento, sermos surpreendidos por uma batida policial.
Vida amorosa? Dificílima. Cada momento que passássemos com uma companheira era um momento em que a estávamos colocando em perigo. Ninguém corria o risco de ir transar em hotéis, sempre visados (e nossa documentação era das mais precárias, passei uns oito meses tendo apenas um título eleitoral falsificado). E as facilidades atuais, como motéis, quase inexistiam.
Aos 18/19 anos, senti imensa atração por duas aliadas, uma em São Paulo e outra, meses mais tarde, no Rio de Janeiro. Com ambas, o sentimento era recíproco. E nos dois casos mal passamos dos beijos apaixonados com que nos cumprimentávamos e despedíamos. Qualquer coisa além disso seria perigosa demais.
Enfim, esta é a vida que levávamos, acordando a cada manhã sem sabermos se estaríamos vivos à noite, passando por freqüentes sustos e perigos, recebendo amiúde a notícia da perda de companheiros queridos (eu até relutava em abrir os jornais, tantas eram as vezes que só me traziam tristeza).
Sobreviver alguns meses já era digno de admiração. Ao completar um ano nessa vida, eu já me considerava (e era considerado pelos companheiros) um veterano. Caí logo em seguida.
Dos tolos que saem repetindo essas ignomínias marteladas dia e noite pela propaganda enganosa da direita, nem um milésimo seria capaz de encarar a barra que encaramos, não pelas motivações ridículas que nos atribuem, mas por não agüentarmos viver, e ver nosso povo vivendo, debaixo das botas dos tiranos!”
* Jornalista, escritor e ex-preso político, mantém os blogs
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domingo, abril 05, 2009
Verdade seja dita!
Não poderia deixar de fora o artigo abaixo, enviado pelo meu amigo baiano Celso Mathias, blogueiro dea revista eletronica VidaBrasil.
VEJA, MST, DASLU e luta de classes Por: Galindoluma (*)
“Assim como ser pobre não é qualidade, ser rico não é um crime, ao contrário do que esperneiam os demagogos de credo esquerdista” (Veja, 1º de Abril)
Não é novidade pra ninguém que a Veja é porta-voz da direita brasileira - a direita mais empedernida. O deputado federal Aldo Rebelo do PC do B em São Paulo chegou a dizer que a publicação é a única revista americana escrita em português. Uma das últimas capas estampou o presidente americano como o “camarada Barack Obama”, uma cópia mal feita das matrizes nos Estados Unidos que também exploraram esse gancho.
A receita deles é velha conhecida e aplicada semanalmente: esculhambar com Chaves, achincalhar a “ditadura” cubana, desmoralizar qualquer manifestação do povo organizado em luta; atacar o governo Lula e enaltecer o deus mercado, o capitalismo, o liberalismo, e tudo que represente os interesses da elite avarenta e corrupta que domina o mundo.
Na edição dessa semana, a Veja traz na capa o caso da prisão de Eliana Tranchesi, dona da Daslu, loja de luxo onde milionários/perdulários torram grana sem limites em produtos importados fraudulentamente. Para se ter uma idéia, uma bolsa adquirida no exterior por R$4 mil era contabilizada pelo insignificante valor de 12 reais, o que gerou uma sonegação de R$600 milhões, podendo chegar a R$1 bilhão.
A proprietária foi condenada a 94 anos por uma série de crimes e provocou reações diversas, entre as quais a do jurista Luís Flávio Gomes, ouvido por veja:: Não é porque a justiça é injusta para alguns que deve ser assim para todos”. Tanto a frase que abre esse texto como a desse jurista, são manifestações de solidariedade da nata da burguesia desse país a um de seus pares. A Veja acha que ser rico não é crime, mas é bom saber que não existe riqueza acumulada que não tenha origem na exploração de trabalhadores, uma espécie de crime não previsto no código penal. Quem é verdadeiramente demagogo nessa história? São eles próprios, que consideram crime o fato de pobres se organizarem e lutarem por uma vida melhor.
E sobre a perplexidade do jurista diante da “elástica” pena de Eliana, deve-se ao fato de nos acostumarmos nesse país a à prisão e condenação de pessoas pobres e negras. Fôssemos mais rigorosos, um cidadão que subtrai do erário R$ 600 milhões mereceria o que mesmo? Na China, bandidos assim são fuzilados e a família ainda arca com o custo da bala. Quantas casas populares poderiam ter sido construídas com esses recursos surrupiados? Quantos sem-terra poderiam ser assentados?
Agora nos lembremos de uma outra matéria, estampada em capa, onde os trabalhadores rurais sem-terra são rotulados de delinqüentes, bandidos, fora-da-lei e outros termos depreciativos. Alguns ingênuos e/ou mal intencionados rejeitam a tese marxista da existência da luta de classes na sociedade. Para estes, eis aí como funciona essa batalha encarniçada! A família Civita fica consternada com a prisão de um de seus e ataca ferozmente os pobres coitados que estão na miséria, vivendo em condições desumanas e que tentam conquistar um pequeno pedaço de terra para plantar e sobreviver. Luta de classes é assim. Cada qual no seu campo de batalha. Eu estou do lado do MST. E você?
(*) Galindoluma escreve quando bebe e bebe quando escreve
VEJA, MST, DASLU e luta de classes Por: Galindoluma (*)
“Assim como ser pobre não é qualidade, ser rico não é um crime, ao contrário do que esperneiam os demagogos de credo esquerdista” (Veja, 1º de Abril)
Não é novidade pra ninguém que a Veja é porta-voz da direita brasileira - a direita mais empedernida. O deputado federal Aldo Rebelo do PC do B em São Paulo chegou a dizer que a publicação é a única revista americana escrita em português. Uma das últimas capas estampou o presidente americano como o “camarada Barack Obama”, uma cópia mal feita das matrizes nos Estados Unidos que também exploraram esse gancho.
A receita deles é velha conhecida e aplicada semanalmente: esculhambar com Chaves, achincalhar a “ditadura” cubana, desmoralizar qualquer manifestação do povo organizado em luta; atacar o governo Lula e enaltecer o deus mercado, o capitalismo, o liberalismo, e tudo que represente os interesses da elite avarenta e corrupta que domina o mundo.
Na edição dessa semana, a Veja traz na capa o caso da prisão de Eliana Tranchesi, dona da Daslu, loja de luxo onde milionários/perdulários torram grana sem limites em produtos importados fraudulentamente. Para se ter uma idéia, uma bolsa adquirida no exterior por R$4 mil era contabilizada pelo insignificante valor de 12 reais, o que gerou uma sonegação de R$600 milhões, podendo chegar a R$1 bilhão.
A proprietária foi condenada a 94 anos por uma série de crimes e provocou reações diversas, entre as quais a do jurista Luís Flávio Gomes, ouvido por veja:: Não é porque a justiça é injusta para alguns que deve ser assim para todos”. Tanto a frase que abre esse texto como a desse jurista, são manifestações de solidariedade da nata da burguesia desse país a um de seus pares. A Veja acha que ser rico não é crime, mas é bom saber que não existe riqueza acumulada que não tenha origem na exploração de trabalhadores, uma espécie de crime não previsto no código penal. Quem é verdadeiramente demagogo nessa história? São eles próprios, que consideram crime o fato de pobres se organizarem e lutarem por uma vida melhor.
E sobre a perplexidade do jurista diante da “elástica” pena de Eliana, deve-se ao fato de nos acostumarmos nesse país a à prisão e condenação de pessoas pobres e negras. Fôssemos mais rigorosos, um cidadão que subtrai do erário R$ 600 milhões mereceria o que mesmo? Na China, bandidos assim são fuzilados e a família ainda arca com o custo da bala. Quantas casas populares poderiam ter sido construídas com esses recursos surrupiados? Quantos sem-terra poderiam ser assentados?
Agora nos lembremos de uma outra matéria, estampada em capa, onde os trabalhadores rurais sem-terra são rotulados de delinqüentes, bandidos, fora-da-lei e outros termos depreciativos. Alguns ingênuos e/ou mal intencionados rejeitam a tese marxista da existência da luta de classes na sociedade. Para estes, eis aí como funciona essa batalha encarniçada! A família Civita fica consternada com a prisão de um de seus e ataca ferozmente os pobres coitados que estão na miséria, vivendo em condições desumanas e que tentam conquistar um pequeno pedaço de terra para plantar e sobreviver. Luta de classes é assim. Cada qual no seu campo de batalha. Eu estou do lado do MST. E você?
(*) Galindoluma escreve quando bebe e bebe quando escreve
quarta-feira, março 25, 2009
È preciso estar atento e forte!!!
Reproduzo abaixo artogo do amigo e revolucionario Celso Lungaretti sobre as ações da direita no Brasil. È preciso estar atento, forte e articulado entre as forças de esquerda e os democratas para evitar o avanço das forças retrógradas e das viuvas da Ditadura.
"Brasileiros,
há um projeto ambicioso por trás dos seguidos confrontos que Gilmar Mendes vem provocando com a esquerda, ao atacar o Governo Lula, o MST, os movimentos populares, os militantes da resistência à ditadura de 1964/85, os revolucionários de outros países que buscam refúgio no Brasil, etc.
A própria sofreguidão com que ele cria um novo fato político a cada dois ou três dias denuncia pressa. Se ele mirasse 2014, não iria com tanta sede ao pote. Tudo indica que jogará sua cartada em 2010, pela via eleitoral; ou a qualquer momento, pela via golpista.
Enganam-se os que pensam que ele oscila na órbita da aliança PSDB/DEM. Isto foi no passado. Agora ele é CONCORRENTE da centro-direita. Está mais para o "Cansei" e para os golpistas abrigados nos sites da extrema-direita (dos quais, aliás, já copia a retórica).
Desde que liquidamos a ditadura, só tínhamos esquerda, centro-esquerda, centro e centro-direita como forças consideráveis em nosso espectro político. A rearticulação da direita propriamente dita é muito preocupante, até porque ocorre num momento de grande instabilidade econômica e política (a atual recessão ainda deverá agravar-se, antes de começar a ceder).
Considero fundamental determos Gilmar Mendes. E o primeiro passo será impor-lhe uma fragorosa derrota na sua própria praia, o STF.
Até agora, a esquerda não conferiu ao Caso Battisti a importância que ele tem: trata-se do mais nítido e radicalizado confronto direita x esquerda desde a redemocratização, com alcance internacional.
Se Gilmar Mendes vencer, seu prestígio alcançará os píncaros. Firmará sua liderança sobre a direita e vai passar a ter poder de fogo para causar-nos danos ainda maiores.Temos de esmagar o ovo da serpente enquanto é tempo!
Então, urge que os companheiros do MST, da CUT, dos partidos de esquerda e dos movimentos populares assumam seu lugar na trincheira. Do outro lado estão as forças mais retrógradas e reacionárias da Itália e do Brasil.
E, bem pesadas as coisas, nossa alternativa é vencer ou vencer.Qualquer outro resultado será catastrófico para a esquerda e para os progressistas em geral.
Vamos à luta, companheiros! "
CELSO LUNGARETTI
CASO BATTISTI
CASUÍSMOS DE GILMAR MENDES
NÃO TÊM LIMITES
Celso Lungaretti (*)
Sabatinado durante duas horas por quatro jornalistas da Folha de S. Paulo, o presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes admitiu a intenção de incidir em mais um casuísmo para que o STF usurpe do Executivo a prerrogativa de decidir sobre a concessão ou não de refúgio humanitário: antecipando seu roteiro para o desfecho do caso do perseguido político italiano Cesare Battisti, Mendes afirmou que, "se for confirmada a extradição, ela será compulsória e o governo deverá extraditá-lo".
Com isto, ele responde ao boato de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não admitiria arcar pessoalmente com o ônus dessa decisão indigna, talvez temendo ser comparado a Getúlio Vargas, que entregou Olga Benário para a morte nos cárceres nazistas. Ou para evitar que o acusem de ter cedido às arrogantes pressões italianas e à campanha de desinformação orquestrada pela mídia reacionária brasileira.
Então, Mendes se propõe a resolver o problema simplesmente suprimindo, com uma penada do STF, vários direitos dos pleiteantes de refúgio humanitário: o de apelarem uma segunda vez ao Comitê Nacional para Refugiados Políticos (Conare), apresentando novos argumentos; o de recorrerem uma segunda vez ao ministro de Justiça; e o de ficarem na dependência de uma decisão pessoal do presidente da República, a quem cabe autorizar o governo estrangeiro a retirar o extraditando do País.
Assim, nesse prato feito que Gilmar Mendes pretende enfiar pela goela dos brasileiros adentro, há dois ingredientes altamente indigestos, que implicam uma guinada de 180º nas regras do jogo até hoje seguidas e sacramentadas por decisões anteriores do próprio STF:
a revogação, na prática, do artigo 33 da Lei nº 9.474, de 22/07/1997 (a chamada Lei do Refúgio), segundo o qual "o reconhecimento da condição de refugiado obstará o seguimento de qualquer pedido de extradição baseado nos fatos que fundamentaram a concessão de refúgio";
a transformação do julgamento do STF em instância final, em detrimento do Executivo, ao qual sempre coube tal prerrogativa.
Evidentemente, uma violência tão gritante contra o espírito de Justiça e a própria letra da Lei não será perpetrada sem resistência: se o STF embarcar nessa aventura, tudo leva a crer que o caso só se decidirá após longa e complicada batalha jurídica.
Mas, impressiona a facilidade com que um presidente do STF admite a volta das execradas práticas da ditadura militar, quando um inesgotável estoque de casuísmos era acionado para adequar as leis do País às exigências do poder. O que há de mais casuístico do que alterar-se todo o enfoque do refúgio humanitário apenas dar a um caso já em andamento um desfecho diferente do que teria à luz das leis e das tradições jurídicas brasileiras?
Engana-se Lula, entretanto, se pensa apaziguar Mendes com mais esta humilhante rendição: ao longo da sabatina, saltou os olhos que sua motivação última é trocar a toga pela faixa presidencial, ocupando um espaço à direita da própria coligação PSDB/DEM.
Talvez até, como Paulo Francis gostava de dizer, à direita de Gengis Khan...
* Jornalista, escritor e ex-preso político, mantém os blogs
http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/
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"Brasileiros,
há um projeto ambicioso por trás dos seguidos confrontos que Gilmar Mendes vem provocando com a esquerda, ao atacar o Governo Lula, o MST, os movimentos populares, os militantes da resistência à ditadura de 1964/85, os revolucionários de outros países que buscam refúgio no Brasil, etc.
A própria sofreguidão com que ele cria um novo fato político a cada dois ou três dias denuncia pressa. Se ele mirasse 2014, não iria com tanta sede ao pote. Tudo indica que jogará sua cartada em 2010, pela via eleitoral; ou a qualquer momento, pela via golpista.
Enganam-se os que pensam que ele oscila na órbita da aliança PSDB/DEM. Isto foi no passado. Agora ele é CONCORRENTE da centro-direita. Está mais para o "Cansei" e para os golpistas abrigados nos sites da extrema-direita (dos quais, aliás, já copia a retórica).
Desde que liquidamos a ditadura, só tínhamos esquerda, centro-esquerda, centro e centro-direita como forças consideráveis em nosso espectro político. A rearticulação da direita propriamente dita é muito preocupante, até porque ocorre num momento de grande instabilidade econômica e política (a atual recessão ainda deverá agravar-se, antes de começar a ceder).
Considero fundamental determos Gilmar Mendes. E o primeiro passo será impor-lhe uma fragorosa derrota na sua própria praia, o STF.
Até agora, a esquerda não conferiu ao Caso Battisti a importância que ele tem: trata-se do mais nítido e radicalizado confronto direita x esquerda desde a redemocratização, com alcance internacional.
Se Gilmar Mendes vencer, seu prestígio alcançará os píncaros. Firmará sua liderança sobre a direita e vai passar a ter poder de fogo para causar-nos danos ainda maiores.Temos de esmagar o ovo da serpente enquanto é tempo!
Então, urge que os companheiros do MST, da CUT, dos partidos de esquerda e dos movimentos populares assumam seu lugar na trincheira. Do outro lado estão as forças mais retrógradas e reacionárias da Itália e do Brasil.
E, bem pesadas as coisas, nossa alternativa é vencer ou vencer.Qualquer outro resultado será catastrófico para a esquerda e para os progressistas em geral.
Vamos à luta, companheiros! "
CELSO LUNGARETTI
CASO BATTISTI
CASUÍSMOS DE GILMAR MENDES
NÃO TÊM LIMITES
Celso Lungaretti (*)
Sabatinado durante duas horas por quatro jornalistas da Folha de S. Paulo, o presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes admitiu a intenção de incidir em mais um casuísmo para que o STF usurpe do Executivo a prerrogativa de decidir sobre a concessão ou não de refúgio humanitário: antecipando seu roteiro para o desfecho do caso do perseguido político italiano Cesare Battisti, Mendes afirmou que, "se for confirmada a extradição, ela será compulsória e o governo deverá extraditá-lo".
Com isto, ele responde ao boato de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não admitiria arcar pessoalmente com o ônus dessa decisão indigna, talvez temendo ser comparado a Getúlio Vargas, que entregou Olga Benário para a morte nos cárceres nazistas. Ou para evitar que o acusem de ter cedido às arrogantes pressões italianas e à campanha de desinformação orquestrada pela mídia reacionária brasileira.
Então, Mendes se propõe a resolver o problema simplesmente suprimindo, com uma penada do STF, vários direitos dos pleiteantes de refúgio humanitário: o de apelarem uma segunda vez ao Comitê Nacional para Refugiados Políticos (Conare), apresentando novos argumentos; o de recorrerem uma segunda vez ao ministro de Justiça; e o de ficarem na dependência de uma decisão pessoal do presidente da República, a quem cabe autorizar o governo estrangeiro a retirar o extraditando do País.
Assim, nesse prato feito que Gilmar Mendes pretende enfiar pela goela dos brasileiros adentro, há dois ingredientes altamente indigestos, que implicam uma guinada de 180º nas regras do jogo até hoje seguidas e sacramentadas por decisões anteriores do próprio STF:
a revogação, na prática, do artigo 33 da Lei nº 9.474, de 22/07/1997 (a chamada Lei do Refúgio), segundo o qual "o reconhecimento da condição de refugiado obstará o seguimento de qualquer pedido de extradição baseado nos fatos que fundamentaram a concessão de refúgio";
a transformação do julgamento do STF em instância final, em detrimento do Executivo, ao qual sempre coube tal prerrogativa.
Evidentemente, uma violência tão gritante contra o espírito de Justiça e a própria letra da Lei não será perpetrada sem resistência: se o STF embarcar nessa aventura, tudo leva a crer que o caso só se decidirá após longa e complicada batalha jurídica.
Mas, impressiona a facilidade com que um presidente do STF admite a volta das execradas práticas da ditadura militar, quando um inesgotável estoque de casuísmos era acionado para adequar as leis do País às exigências do poder. O que há de mais casuístico do que alterar-se todo o enfoque do refúgio humanitário apenas dar a um caso já em andamento um desfecho diferente do que teria à luz das leis e das tradições jurídicas brasileiras?
Engana-se Lula, entretanto, se pensa apaziguar Mendes com mais esta humilhante rendição: ao longo da sabatina, saltou os olhos que sua motivação última é trocar a toga pela faixa presidencial, ocupando um espaço à direita da própria coligação PSDB/DEM.
Talvez até, como Paulo Francis gostava de dizer, à direita de Gengis Khan...
* Jornalista, escritor e ex-preso político, mantém os blogs
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sábado, março 14, 2009
Juventude (quase) perdida
Este é um desabafo de um professor brasileiro que dá aulas para o ensino médio na periferia de Brasilia. O depoimento me emocionou tanto que transcrevi nos meus blogs. Mas a Juventude ainda tem salvação pelo conhecimento e eplo esforço nosso de mudar estasociedade e evitar que a barbarie aconteça. O professor é o Pablo Emanuel, também um revolucionario.
O TRISTE OFÍCIO
CHEIO DE OSSOS DO PROFESSOR
Texto - Pablo Emmanuel
Na semana passada, ministrei uma aula que abordava a base da teoria de Charles Darwin para alunos do primeiro ano do Ensino Médio, cuja faixa etária se situa entre 14 e 15 anos. Não há melhor termômetro para se conhecer o povo do que medi-lo a partir de dentro da sala de aula, ali, na escola.
Estabeleci claramente a diferença entre o evolucionismo e o criacionismo. Expliquei muitas passagens dos livros judaicos. Tudo estava muito bem, até o instante em que inventei de dizer às criançolas que eu tinha um ponto de vista diferente do criacionismo, embora não admitindo cabalmente que Darwin está correto em seus estudos.
Quando expliquei que mantinha uma posição agnóstica, a quase totalidade da turma levantou-se contra mim, uns revoltados, outros com aqueles achincalhes pertinentes à triste fase da adolescência em que acreditamos possuir a razão e achamos erros em todo mundo, menos em nós mesmos.
Comecei, então, a conhecer as trevas profundas em que eles estavam mergulhados, muito por conta de uma 'educação' religiosa deformada, oriunda ou da família ou de um sacerdote vagabundo que conduz ovelhas para a lâmina do abatedouro. Também comparei a juventude da minha geração com a geração deles. E não é que estamos mudando mesmo? Para pior.
A imbecilidade, a intolerância e a aceitação de verdades prontas e absolutizadas são infinitas progressões geométricas. Não tem jeito, mesmo. A bestialidade é eterna.
A sala de aula, dividida entre católicos e evangélicos, passou a me atacar num linchamento moral de fazer com que qualquer professor sinta vontade de mandar um sopapo no focinho daqueles "santos de família".
Eles são muitos e a sua idiotia hereditária é uma avalanche. O professor é só um para se defender dos ataques daqueles que, coitados, são inimputáveis e não sabem o que dizem nem o que fazem. E que estão sempre certos, pois errados são os outros.
O cristão fundamentalista nasce a partir do fundamentalismo da família, que deforma seu espírito e faz dele um débil mental incapaz de lançar uma dúvida sobre o que acredita ser normal e ser 'verdade'. É aí que reside a nascente do banditismo.
Em momento algum eu havia dito que abandonassem sua fé auto-sugestiva e aceitassem Darwin como um novo deus, correto e perfeito. Deixei bem claro que nem eu mesmo levo a sério o cientista e que não tenho tempo para pensar se o homem evoluiu disso ou daquilo. Mas, vendo o que vejo e o que vi na sala de aula, tenho a certeza de que ele evoluiu do verme, diferenciando-se deste apenas por ter desenvolvido a postura sobre dois pés, e só.
Mas, desgraça pouca é bobagem.
O linchamento piorou quando eu disse que Deus existia mas que não se importava conosco. Outra vez não entenderam a minha posição, o que eu queria dizer. O vagalhão da intolerância acabou com a aula. Tive de parar para explicar a diferença entre agnosticismo e ateísmo, entre risos de zombaria e síncopes absurdas de revoltas infundadas, de rebeldias sem causa. Poucos prestaram atenção.
Uma garota, que decerto deve usar o Tampax no ânus, enraiveceu-se de mim quando eu disse que carne de porco tem seu consumo proibido na Bíblia. Citei que em países como o Vietnã, existem pessoas que se alimentam de carne de cachorro, que é altamente condenável pelas sagradas escrituras, de vez que Moisés listou os alimentos permitidos e os proibidos, conforme Javé lhe prescrevera.
"Ué, profeçô, ondi é qui tá na Bíbria qui a genti não podi comê carni di porco nem di cachorro?!" - indagou a sapientíssima e inimputável adolescente, com um semblante de quem parecia querer me matar, insuflada pela razão que imaginava ter para derrubar o meu 'ignaro' ministério.
Vou dizer a vocês, meus amigos, sinceramente: eu quase tive um derrame. É muita estupidez e falta de imaginação. É por isso que vou fazer greve por aumento no meu salário. EU MEREÇO.
Eu sou partidário do ensino mecanicista, daquele tipo em que você entra na sala, manda o aluno abrir o livro na página tal, quietinho, manda-o ler e depois responder às questões. E só. É impossível travar um diálogo civilizado e razoável com pessoas que receberam de seus pais e de suas igrejas os piores exemplos de deseducação e grotescagem.
Como pode ser que um pai não tenha tempo de sentar-se ao lado do filho, mesmo à frente da televisão, para lhe ensinar sobre a diversidade de ideias e pensamentos? Também pudera. O pai moderno é mais analfabeto que o filho. Nunca ouviu falar na palavra IDIOSSINCRASIA, mesmo sabendo que há um dicionário mofado na estante, que nunca foi aberto.
O único tempo que o cômodo negligente tem à disposição é para ir ao colégio reclamar do professor e lançar-lhe agressões. O professor é ruim, a escola pública é ruim, mas o filho dele é um ser arcangélico, inimputabilíssimo!
Uma discussão assim pode até frutificar no ensino superior. Mas entre adolescentes, é impossível. São uns estúpidos, uns idiotas, que têm inteligência apenas para aceitar que podem fazer e dizer qualquer coisa, desde a mais vil calúnia até as palavras mais feias, estando blindados contra tudo e todos.
Estes serafins com os pés sujos de lodo e boca fedendo a esgoto, a partir de suas ideias tortas, de tanto que são protegidos, acabam tendo a certeza de sua impunidade social e escolar. É por isso que se transformam em delinquentes.
E eu penso que, no momento em que um indivíduo cristaliza em si esse tipo de liberdade corrupta, que faz com que ele seja livre para cometer o que quiser, a lei e a força devem ser usados com muita severidade contra ele, se caso não se conscientize de suas loucuras.
Não é totalmente verdade o clichê de que a sociedade cria bandidos. É também verdade, mas, a maior fonte produtora de criminosos, facínoras, projetos de terroristas, homúnculos e escória é a FAMÍLIA.
Sempre alerto meus alunos contra o perigo do fanatismo, das coisas que lhes parecem sempre 'normais' e das verdades absolutas, prontas, fabricadas, que a coletividade achou por bem engolir através da História.
Eu os oriento acerca da diversidade da fé, para que não se gabem de ser cristãos achando que podem difamar e agredir outros cidadãos ligados à umbanda, ao candomblé, pois a liberdade de culto da "macumba", como se diz por aí, é consagrada e protegida pela Carta Magna de 1988. É um rito de matriz africana. Os fanáticos devem respeito a esse segmento religioso, sob pena de serem acionados judicialmente.
Não adianta. Para o adolescente, o riso precede o conhecimento. Mas vamos deixá-lo sorrir. Ele vai envelhecer e muitas coisas não mais serão engraçadas. Os pais morrerão e a dificuldade de sobreviver num sistema de competição atroz como o nosso poderá lhe vergar o lombo até deitar seu rosto na poeira. Aí, ele se lembrará do quanto foi um displicente que não aproveitou a escola e a liberdade que a escola lhe dava, quando jovem.
Ele vai olhar para trás e ver, tarde demais, que era livre. Que liberdade não era fazer o que queria: era fazer o que fosse bom, correto. Fazer o que se devia e o que se deve, pois há sempre tempo para ser livre, não sozinho, mas com os outros.
A escola é um centro de ensino sistematizado onde aprendemos a ciência que a humanidade conseguiu produzir até hoje. Educação se recebe em casa, também, e principalmente. Os primeiros limites são dados em casa, bem como o conhecimento acerca de direitos e deveres, e de que direitos só devem ser concedidos mediante deveres cumpridos.
Por mais que falemos contra a educação militar, até mesmo sem que saibamos como ela é de fato, no Colégio Militar de Brasília (CMB), por exemplo, os alunos são disciplinados e têm acatamento pelo professor, que não está ali para ser palhaço, carrasco nem Judas de pano e capim, pendurado num poste para a diversão da ralé. Meu maior sonho profissional é apenas ter paz para trabalhar. Uma audiência em ordem. Um pouco de respeito para eu preservar minhas cordas vocais, meus ouvidos e minha cabeça.
Quando vejo aqueles alunos uniformizados, de boina vermelha, circulando pelos arredores do CMB, não posso mensurar minha inveja pelos professores de lá, por terem uma plateia que os ouça. Isso não é subserviência fascista. Isso é respeito mútuo. E acho belíssimo o porte desses adolescentes, burgueses ou não-burgueses, mas limpos, organizados.
Sim, organizados. É isso mesmo. Essa palavra é tudo.
Não conheço como é a rotina de uma escola assim. Lá, jamais seria permitido que um comunista como eu tivesse espaço para lecionar, ainda mais História. Contudo, a aparência de calma, reverência e respeito já me dá paz de espírito, condição essencial para trabalhar e satisfazer-me com o ofício. Posso conseguir isso nas escolas civis, como também, de uma hora para outra, a indisciplina e o descontrole fáceis.
Muitos anos atrás, eu supunha que a caserna criasse no indivíduo uma índole de tirania e despotismo. Eu estava errado. E errei por ter cometido o pecado que hoje condeno: a absolutização da verdade no marxismo. Isso é o caminho para a estreiteza de pensamento na esquerda.
Lembro de um poema de Augusto dos Anjos. Ele dizia que "o homem que vive entre feras, sente inevitável vontade de também ser fera". Eu não funciono sob pressão nem sob ameaça. Sinto uma vontade humana de reagir. Um sentimento infernal de impotência, de ansiedade, de desconfiança das pessoas. De horror, de tristeza, de fatal desapontamento com a vida.
E mesmo ciente de que há um homem muito bom em mim, assumo que minha vontade de matar, situada mais precisamente no assassinato político, devido à impunidade e à humilhação social de que também padeço, bem como você que me lê, recrudesce a cada dia, nesse ambiente de selvajaria e desacato, na rua, na escola ou qualquer outro lugar.
Mas, o que vou alegar nos tribunais? Que agi sob forte emoção? Que fiz justiça à coletividade que nem sabe que eu existo? Que eu tive "uma inevitável vontade de também ser fera", quando a própria Justiça me esfregará na cara, diante do libelo, que a Lei não distingue o bandido do revolucionário?
(Adendo intermediário: eu conheço algo que seduz o homem muito mais do que o sexo: é a violência).
Dentro de mim há um professor, e também há um censor e um policial kafkianos. Então, não é absurdo concluir que forte mesmo é aquele que se vigia. Está de acordo com um provérbio de Salomão. Tenho sido forte, portanto?
Muito se fala da violência que aluno comete contra outro aluno, e de professor contra o próprio aluno, seja verbal ou até fisicamente. Pouco se discute sobre a violência moral do aluno contra seu professor. Pudesse eu conviver num ambiente em que houvesse a mínima ordem para lecionar e tudo ficaria melhor. O professor tem auto-estima e tem limites. O aluno tem de reconhecer isso, por bem ou por mal.
E nos ajudaria também, e muito, se o mundo fosse mais laico. Não digo ateu, mas menos religioso, menos sectário, perturbador e dogmático. Mais escolas, mais bibliotecas e centros de lazer, e menos igrejas, menos pregações falaciosas e profecias do mundo de Alice.
O aluno me diz: "Professor, põe moral nessa turma!" - E eu replico, mortificado: "Moral você tem ou não tem. Moral você constrói, você não impõe". Depois de ouvir isso, meu aluno apenas sacode a cabeça ou sorri. Acha que sou "frouxo" por não "moralizar". Ele não sabe que estou ensinando a ele a autodisciplina, a auto-independência, para que amanhã alguém não se arvore em querer colocar o dedo em riste no seu rosto, vociferando: "Eu vou pôr moral em você!"
Eu gosto de paz e não gosto de aumentar meu tom de voz com ninguém. Se acontece, é porque alguém tentou abusar da minha condição e, de propósito, planejou me desestabilizar emocionalmente. Minha resposta é a grosseria. Infelizmente, é o meu jeito, que aliás não me agrada. Temperamento cabalístico reativo (e professor ainda? Você está fodido, meu filho).
Eu gosto de ordem. Não da "Ordem" que está na bandeira. Essa, não, porque meu ponto de vista político sobre ela é outro. Eu falo de ordem no tratamento humano que as pessoas dispensam umas às outras. Ordem não quer dizer cerceamento de liberdade. Ordem é asseio moral. É consciência de liberdade coletiva, não individual.
Quem não ministra os primeiros cuidados ao filho, é um bandido. É um escroque, um safado que está criando um monstrengo que, amanhã, entenderá que liberdade é exercer o arbítrio ultrapersonalista. Vai atentar contra os direitos elementares do próximo. Se esse for o caso, que morram pai e filho, juntos, pelo que praticaram.
É melhor estar em constante alerta quanto aos perigos do ambiente escolar. Quem é professor deve prevenir-se. Não entrar em embates teóricos quando o interlocutor é um protozoário e quando ele estiver apoiado por hienas e amebas incapazes de ter a metade de um neurônio crítico e autocrítico.
Deve ater-se à questão meramente técnica da coisa. Passar o conteúdo, fazer a chamada e ir embora. Deve manter a mente em bom estado, para o corpo não ruir e o estômago não chagar-se de úlceras sangrentas. Não pode fazer como eu, que sou teimoso em dialetizar as situações para estimular o interesse, a dúvida, a crítica e a curiosidade.
Minha vida vale mais do que a vida de um desaforado. Porque, se eu não sou inteiramente um homem de valor, como alguns de meus alunos às vezes querem me fazer crer (e não conseguirão), pelo menos a minha vida é a não-estagnação. É partindo disso que eu fundo e refundo meus pensamentos, orientando as minhas ações.
Se meus detratores tivessem pelo menos um terço dos meus defeitos, poderiam dar graças a Deus, porque possuiriam qualidades que nunca tiveram, e que talvez solapassem a índole facinorosa de sua memória ROM.
Com o meu agnosticismo, que é quase ateísmo descarado mesmo, sou muito mais digno de salvação do que um fanático messiânico e suas bênçãos trapaceiras. Porque ainda tenho a capacidade de me compadecer, de não linchar, de não crer na normalidade desonrosa nem nas empulhações.
Eu busco entender para saber ser livre, ao contrário dos que se vergam a Cristo mas procuram mulheres adúlteras para matá-las à primeira pedrada, escondendo o crime atrás da simpatia, do sorriso e de uma falsa condição de "salvo".
Quem me honra e me respeita é três vezes ainda mais digno de honra e respeito do que eu.
Sem ter fé em Deus, mal sabem que ando com Ele a vida toda. E isso é para a desgraça e a derrota dos que creem n'Ele e atentam contra Sua vontade, dia e noite, esperando uma casa no Céu, com água encanada, um mordomo com a cara de Jesus Cristo e a janela com vista para o mar.
Fora, protozoário. Eu não te aceito.
Foda-se Darwin, e fodam-se Adão e Eva, juntamente com seus pecados.
E também todas as amebas da VERDADE.
O TRISTE OFÍCIO
CHEIO DE OSSOS DO PROFESSOR
Texto - Pablo Emmanuel
Na semana passada, ministrei uma aula que abordava a base da teoria de Charles Darwin para alunos do primeiro ano do Ensino Médio, cuja faixa etária se situa entre 14 e 15 anos. Não há melhor termômetro para se conhecer o povo do que medi-lo a partir de dentro da sala de aula, ali, na escola.
Estabeleci claramente a diferença entre o evolucionismo e o criacionismo. Expliquei muitas passagens dos livros judaicos. Tudo estava muito bem, até o instante em que inventei de dizer às criançolas que eu tinha um ponto de vista diferente do criacionismo, embora não admitindo cabalmente que Darwin está correto em seus estudos.
Quando expliquei que mantinha uma posição agnóstica, a quase totalidade da turma levantou-se contra mim, uns revoltados, outros com aqueles achincalhes pertinentes à triste fase da adolescência em que acreditamos possuir a razão e achamos erros em todo mundo, menos em nós mesmos.
Comecei, então, a conhecer as trevas profundas em que eles estavam mergulhados, muito por conta de uma 'educação' religiosa deformada, oriunda ou da família ou de um sacerdote vagabundo que conduz ovelhas para a lâmina do abatedouro. Também comparei a juventude da minha geração com a geração deles. E não é que estamos mudando mesmo? Para pior.
A imbecilidade, a intolerância e a aceitação de verdades prontas e absolutizadas são infinitas progressões geométricas. Não tem jeito, mesmo. A bestialidade é eterna.
A sala de aula, dividida entre católicos e evangélicos, passou a me atacar num linchamento moral de fazer com que qualquer professor sinta vontade de mandar um sopapo no focinho daqueles "santos de família".
Eles são muitos e a sua idiotia hereditária é uma avalanche. O professor é só um para se defender dos ataques daqueles que, coitados, são inimputáveis e não sabem o que dizem nem o que fazem. E que estão sempre certos, pois errados são os outros.
O cristão fundamentalista nasce a partir do fundamentalismo da família, que deforma seu espírito e faz dele um débil mental incapaz de lançar uma dúvida sobre o que acredita ser normal e ser 'verdade'. É aí que reside a nascente do banditismo.
Em momento algum eu havia dito que abandonassem sua fé auto-sugestiva e aceitassem Darwin como um novo deus, correto e perfeito. Deixei bem claro que nem eu mesmo levo a sério o cientista e que não tenho tempo para pensar se o homem evoluiu disso ou daquilo. Mas, vendo o que vejo e o que vi na sala de aula, tenho a certeza de que ele evoluiu do verme, diferenciando-se deste apenas por ter desenvolvido a postura sobre dois pés, e só.
Mas, desgraça pouca é bobagem.
O linchamento piorou quando eu disse que Deus existia mas que não se importava conosco. Outra vez não entenderam a minha posição, o que eu queria dizer. O vagalhão da intolerância acabou com a aula. Tive de parar para explicar a diferença entre agnosticismo e ateísmo, entre risos de zombaria e síncopes absurdas de revoltas infundadas, de rebeldias sem causa. Poucos prestaram atenção.
Uma garota, que decerto deve usar o Tampax no ânus, enraiveceu-se de mim quando eu disse que carne de porco tem seu consumo proibido na Bíblia. Citei que em países como o Vietnã, existem pessoas que se alimentam de carne de cachorro, que é altamente condenável pelas sagradas escrituras, de vez que Moisés listou os alimentos permitidos e os proibidos, conforme Javé lhe prescrevera.
"Ué, profeçô, ondi é qui tá na Bíbria qui a genti não podi comê carni di porco nem di cachorro?!" - indagou a sapientíssima e inimputável adolescente, com um semblante de quem parecia querer me matar, insuflada pela razão que imaginava ter para derrubar o meu 'ignaro' ministério.
Vou dizer a vocês, meus amigos, sinceramente: eu quase tive um derrame. É muita estupidez e falta de imaginação. É por isso que vou fazer greve por aumento no meu salário. EU MEREÇO.
Eu sou partidário do ensino mecanicista, daquele tipo em que você entra na sala, manda o aluno abrir o livro na página tal, quietinho, manda-o ler e depois responder às questões. E só. É impossível travar um diálogo civilizado e razoável com pessoas que receberam de seus pais e de suas igrejas os piores exemplos de deseducação e grotescagem.
Como pode ser que um pai não tenha tempo de sentar-se ao lado do filho, mesmo à frente da televisão, para lhe ensinar sobre a diversidade de ideias e pensamentos? Também pudera. O pai moderno é mais analfabeto que o filho. Nunca ouviu falar na palavra IDIOSSINCRASIA, mesmo sabendo que há um dicionário mofado na estante, que nunca foi aberto.
O único tempo que o cômodo negligente tem à disposição é para ir ao colégio reclamar do professor e lançar-lhe agressões. O professor é ruim, a escola pública é ruim, mas o filho dele é um ser arcangélico, inimputabilíssimo!
Uma discussão assim pode até frutificar no ensino superior. Mas entre adolescentes, é impossível. São uns estúpidos, uns idiotas, que têm inteligência apenas para aceitar que podem fazer e dizer qualquer coisa, desde a mais vil calúnia até as palavras mais feias, estando blindados contra tudo e todos.
Estes serafins com os pés sujos de lodo e boca fedendo a esgoto, a partir de suas ideias tortas, de tanto que são protegidos, acabam tendo a certeza de sua impunidade social e escolar. É por isso que se transformam em delinquentes.
E eu penso que, no momento em que um indivíduo cristaliza em si esse tipo de liberdade corrupta, que faz com que ele seja livre para cometer o que quiser, a lei e a força devem ser usados com muita severidade contra ele, se caso não se conscientize de suas loucuras.
Não é totalmente verdade o clichê de que a sociedade cria bandidos. É também verdade, mas, a maior fonte produtora de criminosos, facínoras, projetos de terroristas, homúnculos e escória é a FAMÍLIA.
Sempre alerto meus alunos contra o perigo do fanatismo, das coisas que lhes parecem sempre 'normais' e das verdades absolutas, prontas, fabricadas, que a coletividade achou por bem engolir através da História.
Eu os oriento acerca da diversidade da fé, para que não se gabem de ser cristãos achando que podem difamar e agredir outros cidadãos ligados à umbanda, ao candomblé, pois a liberdade de culto da "macumba", como se diz por aí, é consagrada e protegida pela Carta Magna de 1988. É um rito de matriz africana. Os fanáticos devem respeito a esse segmento religioso, sob pena de serem acionados judicialmente.
Não adianta. Para o adolescente, o riso precede o conhecimento. Mas vamos deixá-lo sorrir. Ele vai envelhecer e muitas coisas não mais serão engraçadas. Os pais morrerão e a dificuldade de sobreviver num sistema de competição atroz como o nosso poderá lhe vergar o lombo até deitar seu rosto na poeira. Aí, ele se lembrará do quanto foi um displicente que não aproveitou a escola e a liberdade que a escola lhe dava, quando jovem.
Ele vai olhar para trás e ver, tarde demais, que era livre. Que liberdade não era fazer o que queria: era fazer o que fosse bom, correto. Fazer o que se devia e o que se deve, pois há sempre tempo para ser livre, não sozinho, mas com os outros.
A escola é um centro de ensino sistematizado onde aprendemos a ciência que a humanidade conseguiu produzir até hoje. Educação se recebe em casa, também, e principalmente. Os primeiros limites são dados em casa, bem como o conhecimento acerca de direitos e deveres, e de que direitos só devem ser concedidos mediante deveres cumpridos.
Por mais que falemos contra a educação militar, até mesmo sem que saibamos como ela é de fato, no Colégio Militar de Brasília (CMB), por exemplo, os alunos são disciplinados e têm acatamento pelo professor, que não está ali para ser palhaço, carrasco nem Judas de pano e capim, pendurado num poste para a diversão da ralé. Meu maior sonho profissional é apenas ter paz para trabalhar. Uma audiência em ordem. Um pouco de respeito para eu preservar minhas cordas vocais, meus ouvidos e minha cabeça.
Quando vejo aqueles alunos uniformizados, de boina vermelha, circulando pelos arredores do CMB, não posso mensurar minha inveja pelos professores de lá, por terem uma plateia que os ouça. Isso não é subserviência fascista. Isso é respeito mútuo. E acho belíssimo o porte desses adolescentes, burgueses ou não-burgueses, mas limpos, organizados.
Sim, organizados. É isso mesmo. Essa palavra é tudo.
Não conheço como é a rotina de uma escola assim. Lá, jamais seria permitido que um comunista como eu tivesse espaço para lecionar, ainda mais História. Contudo, a aparência de calma, reverência e respeito já me dá paz de espírito, condição essencial para trabalhar e satisfazer-me com o ofício. Posso conseguir isso nas escolas civis, como também, de uma hora para outra, a indisciplina e o descontrole fáceis.
Muitos anos atrás, eu supunha que a caserna criasse no indivíduo uma índole de tirania e despotismo. Eu estava errado. E errei por ter cometido o pecado que hoje condeno: a absolutização da verdade no marxismo. Isso é o caminho para a estreiteza de pensamento na esquerda.
Lembro de um poema de Augusto dos Anjos. Ele dizia que "o homem que vive entre feras, sente inevitável vontade de também ser fera". Eu não funciono sob pressão nem sob ameaça. Sinto uma vontade humana de reagir. Um sentimento infernal de impotência, de ansiedade, de desconfiança das pessoas. De horror, de tristeza, de fatal desapontamento com a vida.
E mesmo ciente de que há um homem muito bom em mim, assumo que minha vontade de matar, situada mais precisamente no assassinato político, devido à impunidade e à humilhação social de que também padeço, bem como você que me lê, recrudesce a cada dia, nesse ambiente de selvajaria e desacato, na rua, na escola ou qualquer outro lugar.
Mas, o que vou alegar nos tribunais? Que agi sob forte emoção? Que fiz justiça à coletividade que nem sabe que eu existo? Que eu tive "uma inevitável vontade de também ser fera", quando a própria Justiça me esfregará na cara, diante do libelo, que a Lei não distingue o bandido do revolucionário?
(Adendo intermediário: eu conheço algo que seduz o homem muito mais do que o sexo: é a violência).
Dentro de mim há um professor, e também há um censor e um policial kafkianos. Então, não é absurdo concluir que forte mesmo é aquele que se vigia. Está de acordo com um provérbio de Salomão. Tenho sido forte, portanto?
Muito se fala da violência que aluno comete contra outro aluno, e de professor contra o próprio aluno, seja verbal ou até fisicamente. Pouco se discute sobre a violência moral do aluno contra seu professor. Pudesse eu conviver num ambiente em que houvesse a mínima ordem para lecionar e tudo ficaria melhor. O professor tem auto-estima e tem limites. O aluno tem de reconhecer isso, por bem ou por mal.
E nos ajudaria também, e muito, se o mundo fosse mais laico. Não digo ateu, mas menos religioso, menos sectário, perturbador e dogmático. Mais escolas, mais bibliotecas e centros de lazer, e menos igrejas, menos pregações falaciosas e profecias do mundo de Alice.
O aluno me diz: "Professor, põe moral nessa turma!" - E eu replico, mortificado: "Moral você tem ou não tem. Moral você constrói, você não impõe". Depois de ouvir isso, meu aluno apenas sacode a cabeça ou sorri. Acha que sou "frouxo" por não "moralizar". Ele não sabe que estou ensinando a ele a autodisciplina, a auto-independência, para que amanhã alguém não se arvore em querer colocar o dedo em riste no seu rosto, vociferando: "Eu vou pôr moral em você!"
Eu gosto de paz e não gosto de aumentar meu tom de voz com ninguém. Se acontece, é porque alguém tentou abusar da minha condição e, de propósito, planejou me desestabilizar emocionalmente. Minha resposta é a grosseria. Infelizmente, é o meu jeito, que aliás não me agrada. Temperamento cabalístico reativo (e professor ainda? Você está fodido, meu filho).
Eu gosto de ordem. Não da "Ordem" que está na bandeira. Essa, não, porque meu ponto de vista político sobre ela é outro. Eu falo de ordem no tratamento humano que as pessoas dispensam umas às outras. Ordem não quer dizer cerceamento de liberdade. Ordem é asseio moral. É consciência de liberdade coletiva, não individual.
Quem não ministra os primeiros cuidados ao filho, é um bandido. É um escroque, um safado que está criando um monstrengo que, amanhã, entenderá que liberdade é exercer o arbítrio ultrapersonalista. Vai atentar contra os direitos elementares do próximo. Se esse for o caso, que morram pai e filho, juntos, pelo que praticaram.
É melhor estar em constante alerta quanto aos perigos do ambiente escolar. Quem é professor deve prevenir-se. Não entrar em embates teóricos quando o interlocutor é um protozoário e quando ele estiver apoiado por hienas e amebas incapazes de ter a metade de um neurônio crítico e autocrítico.
Deve ater-se à questão meramente técnica da coisa. Passar o conteúdo, fazer a chamada e ir embora. Deve manter a mente em bom estado, para o corpo não ruir e o estômago não chagar-se de úlceras sangrentas. Não pode fazer como eu, que sou teimoso em dialetizar as situações para estimular o interesse, a dúvida, a crítica e a curiosidade.
Minha vida vale mais do que a vida de um desaforado. Porque, se eu não sou inteiramente um homem de valor, como alguns de meus alunos às vezes querem me fazer crer (e não conseguirão), pelo menos a minha vida é a não-estagnação. É partindo disso que eu fundo e refundo meus pensamentos, orientando as minhas ações.
Se meus detratores tivessem pelo menos um terço dos meus defeitos, poderiam dar graças a Deus, porque possuiriam qualidades que nunca tiveram, e que talvez solapassem a índole facinorosa de sua memória ROM.
Com o meu agnosticismo, que é quase ateísmo descarado mesmo, sou muito mais digno de salvação do que um fanático messiânico e suas bênçãos trapaceiras. Porque ainda tenho a capacidade de me compadecer, de não linchar, de não crer na normalidade desonrosa nem nas empulhações.
Eu busco entender para saber ser livre, ao contrário dos que se vergam a Cristo mas procuram mulheres adúlteras para matá-las à primeira pedrada, escondendo o crime atrás da simpatia, do sorriso e de uma falsa condição de "salvo".
Quem me honra e me respeita é três vezes ainda mais digno de honra e respeito do que eu.
Sem ter fé em Deus, mal sabem que ando com Ele a vida toda. E isso é para a desgraça e a derrota dos que creem n'Ele e atentam contra Sua vontade, dia e noite, esperando uma casa no Céu, com água encanada, um mordomo com a cara de Jesus Cristo e a janela com vista para o mar.
Fora, protozoário. Eu não te aceito.
Foda-se Darwin, e fodam-se Adão e Eva, juntamente com seus pecados.
E também todas as amebas da VERDADE.
quarta-feira, março 04, 2009
Batizado da Elza Maria!!
Meus amigos
Nossa pequena Elza Maria, vai ser batizada nos ritos cristãos no próximo domingo, dia 8 de março na Igreja de Fundão. Depois das 11horas , eu e a Polyana vamos receber os amigos e a família para um churrasquinho aqui em casa.
Não deixe de aparecer e retorne confirmando presença no telefone 27-3267.1577 ou no celular 27-9311.5332
Ficarei agradecido com a presença
Abraços saudosos e fraternais
Luiz Aparecido
Nossa pequena Elza Maria, vai ser batizada nos ritos cristãos no próximo domingo, dia 8 de março na Igreja de Fundão. Depois das 11horas , eu e a Polyana vamos receber os amigos e a família para um churrasquinho aqui em casa.
Não deixe de aparecer e retorne confirmando presença no telefone 27-3267.1577 ou no celular 27-9311.5332
Ficarei agradecido com a presença
Abraços saudosos e fraternais
Luiz Aparecido
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Asuntos quentes !!!!
Os idos de Janeiro
Dia 5, Noam Chomsky vê na diplomacia a “única alternativa sã para o ciclo de violência que atinge desde o Oriente Médio até a Ásia Central e ameaça devorar o mundo”. Para ele, “um corolário é reconhecer que a violência somente gera mais violência. “Ajudaria se o governo de Obama, e o Ocidente, enfrentassem os motivos não declarados que movem a política na região”. Ler mais (*)
Dia 17, a Assembléia Geral da ONU apoiou uma chamada de cessar fogo em Gaza, a retirada das tropas israelenses e a liberação do território palestino para ajuda humanitária. A resolução recebeu 142 votos favoráveis e quatro contrários: a Venezuela, por achar pouco enérgica a resolução; Estados Unidos, Israel e... Nauru (ver no Google), por aprovarem o massacre. Ler mais (*)
Dia 19, a Anistia Internacional (AI) encontrou provas que demonstram o uso "indiscriminado" de fósforo branco por parte do Exército israelense em Gaza, o que qualificou de "crime de guerra", de acordo com a própria organização. Funcionários da ONU e de outras organizações humanitárias já haviam denunciado o uso da substância no território palestino. Ler mais (*)
Dia 19, a chanceler israelense, Tzipi Livni, candidata oficial ao governo de Israel, declarou: “Nós procuramos alvejar os terroristas, e às vezes pode acontecer de civis serem atingidos na luta contra o terror”. Para ela, a morte de mais de 700 civis (muitas mulheres e crianças) foi "fruto das circunstâncias". “Estou em paz com o fato de termos feito", disse. Ler mais (*)
Dia 26, o presidente Evo Morales saudou a vitória no referendo sobre a nova Constituição boliviana como o fim do Estado colonial. Tem razão: o tamanho máximo das propriedades rurais será de 5 mil hectares; os povos indígenas passam a ter direitos sobre a terra, os recursos florestais e hídricos; empresas estrangeiras serão obrigadas a reinvestir seus lucros na Bolívia. A copiar. Ler mais (*)
Acordo humanitário
Alan Jara passou mais de sete anos se esquivando de bombas jogadas pelos militares contra seu cativeiro na selva. Ele disse na semana passada, logo após ser libertado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que o presidente Álvaro Uribe em nada contribuiu com o fim do seu drama. “O presidente Uribe não fez nada para garantir nossa liberdade".
Ex-governador do Departamento do Meta, Jara foi capturado pelas Farc em 2001. Ele é o quinto refém a deixar o cativeiro em menos de uma semana por iniciativa da guerrilha. A operação humanitária teve apoio logístico do Brasil e uma emblemática hesitação do governo da Colômbia.
"As bombas caíam muito perto de nós", disse em coletiva de imprensa (*), sentado ao lado da esposa, Claudia, e do filho de 15 anos. "Na selva, o mundo está de ponta-cabeça, os rebeldes me protegiam e o Exército me alvejava (...). O medo não era de que os rebeldes me matassem, e sim o Exército."
Em ações de resgate anteriores, muitos reféns foram mortos pelo Exército da Colômbia.
As Farc ainda mantêm consigo 22 reféns políticos, que o grupo pretende trocar por cerca de 500 guerrilheiros presos. "Um acordo humanitário é a única forma possível de salvar as vidas dos que ainda estão lá", disse Jara. A proposta é antiga e não conta com a simpatia do governo colombiano.
Em quase sete anos de governo, Uribe recebeu bilhões de dólares dos EUA para combater a guerrilha e o narcotráfico. Hoje, o narcotráfico freqüenta os salões palacianos e, segundo Jara, milhares de jovens continuam aderindo às Farc. "As Farc não foram derrotadas por nenhum meio,... mas na selva há muitos guerrilheiros, a maioria deles jovens”.
A nova toupeira - os caminhos da esquerda latino-americana
A América Latina irrompe o século XXI diante de um novo dilema. Se a independência e os projetos nacionalistas estiveram na ordem do dia em outros momentos históricos, hoje o desafio é superar as políticas falidas do neoliberalismo. Esse é o ponto de partida em A nova toupeira, os caminhos da esquerda latino-americana, o novo livro de Emir Sader.
Com lançamentos em São Paulo, nesta segunda-feira (9), e no Rio nesta quinta-feira (12), o livro aborda as “incessantes contradições intrínsecas do capitalismo que não deixam de operar mesmo quando a “paz social” – a das baionetas, a dos cemitérios ou a da alienação – parece prevalecer”.
Como aponta o autor, “na virada para do terceiro milênio a América Latina surpreendeu o mundo ao contestar o modelo que até então reinava absoluto”. Assim, foram eleitos os presidentes latino-americanos que contrariavam “a proposta norte-americana de um tratado de livre-comércio para as Américas. Aprovada quase unanimemente em 2000, a ALCA foi rejeitada e enterrada em 2005”.
Para Emir, “O continente americano é o de maior grau de desigualdade no mundo – e, portanto, de injustiça –, situação que só se acentuou com a década neoliberal”. Mas, “os duros golpes sofridos pelo campo popular, tanto com as ditaduras quanto com as políticas neoliberais, não faziam pressagiar uma mudança tão rápida e profunda”.
Diante deste quadro, A nova toupeira procura entender em que medida o neoliberalismo permanece hegemônico, analisando a natureza dos atuais governos latino-americanos e propondo um debate fundamental para a compreensão das questões políticas de nosso tempo.
( * ) Em Boletim H S Liberal você terá acesso a todas as fontes desta postagem.
Dia 5, Noam Chomsky vê na diplomacia a “única alternativa sã para o ciclo de violência que atinge desde o Oriente Médio até a Ásia Central e ameaça devorar o mundo”. Para ele, “um corolário é reconhecer que a violência somente gera mais violência. “Ajudaria se o governo de Obama, e o Ocidente, enfrentassem os motivos não declarados que movem a política na região”. Ler mais (*)
Dia 17, a Assembléia Geral da ONU apoiou uma chamada de cessar fogo em Gaza, a retirada das tropas israelenses e a liberação do território palestino para ajuda humanitária. A resolução recebeu 142 votos favoráveis e quatro contrários: a Venezuela, por achar pouco enérgica a resolução; Estados Unidos, Israel e... Nauru (ver no Google), por aprovarem o massacre. Ler mais (*)
Dia 19, a Anistia Internacional (AI) encontrou provas que demonstram o uso "indiscriminado" de fósforo branco por parte do Exército israelense em Gaza, o que qualificou de "crime de guerra", de acordo com a própria organização. Funcionários da ONU e de outras organizações humanitárias já haviam denunciado o uso da substância no território palestino. Ler mais (*)
Dia 19, a chanceler israelense, Tzipi Livni, candidata oficial ao governo de Israel, declarou: “Nós procuramos alvejar os terroristas, e às vezes pode acontecer de civis serem atingidos na luta contra o terror”. Para ela, a morte de mais de 700 civis (muitas mulheres e crianças) foi "fruto das circunstâncias". “Estou em paz com o fato de termos feito", disse. Ler mais (*)
Dia 26, o presidente Evo Morales saudou a vitória no referendo sobre a nova Constituição boliviana como o fim do Estado colonial. Tem razão: o tamanho máximo das propriedades rurais será de 5 mil hectares; os povos indígenas passam a ter direitos sobre a terra, os recursos florestais e hídricos; empresas estrangeiras serão obrigadas a reinvestir seus lucros na Bolívia. A copiar. Ler mais (*)
Acordo humanitário
Alan Jara passou mais de sete anos se esquivando de bombas jogadas pelos militares contra seu cativeiro na selva. Ele disse na semana passada, logo após ser libertado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que o presidente Álvaro Uribe em nada contribuiu com o fim do seu drama. “O presidente Uribe não fez nada para garantir nossa liberdade".
Ex-governador do Departamento do Meta, Jara foi capturado pelas Farc em 2001. Ele é o quinto refém a deixar o cativeiro em menos de uma semana por iniciativa da guerrilha. A operação humanitária teve apoio logístico do Brasil e uma emblemática hesitação do governo da Colômbia.
"As bombas caíam muito perto de nós", disse em coletiva de imprensa (*), sentado ao lado da esposa, Claudia, e do filho de 15 anos. "Na selva, o mundo está de ponta-cabeça, os rebeldes me protegiam e o Exército me alvejava (...). O medo não era de que os rebeldes me matassem, e sim o Exército."
Em ações de resgate anteriores, muitos reféns foram mortos pelo Exército da Colômbia.
As Farc ainda mantêm consigo 22 reféns políticos, que o grupo pretende trocar por cerca de 500 guerrilheiros presos. "Um acordo humanitário é a única forma possível de salvar as vidas dos que ainda estão lá", disse Jara. A proposta é antiga e não conta com a simpatia do governo colombiano.
Em quase sete anos de governo, Uribe recebeu bilhões de dólares dos EUA para combater a guerrilha e o narcotráfico. Hoje, o narcotráfico freqüenta os salões palacianos e, segundo Jara, milhares de jovens continuam aderindo às Farc. "As Farc não foram derrotadas por nenhum meio,... mas na selva há muitos guerrilheiros, a maioria deles jovens”.
A nova toupeira - os caminhos da esquerda latino-americana
A América Latina irrompe o século XXI diante de um novo dilema. Se a independência e os projetos nacionalistas estiveram na ordem do dia em outros momentos históricos, hoje o desafio é superar as políticas falidas do neoliberalismo. Esse é o ponto de partida em A nova toupeira, os caminhos da esquerda latino-americana, o novo livro de Emir Sader.
Com lançamentos em São Paulo, nesta segunda-feira (9), e no Rio nesta quinta-feira (12), o livro aborda as “incessantes contradições intrínsecas do capitalismo que não deixam de operar mesmo quando a “paz social” – a das baionetas, a dos cemitérios ou a da alienação – parece prevalecer”.
Como aponta o autor, “na virada para do terceiro milênio a América Latina surpreendeu o mundo ao contestar o modelo que até então reinava absoluto”. Assim, foram eleitos os presidentes latino-americanos que contrariavam “a proposta norte-americana de um tratado de livre-comércio para as Américas. Aprovada quase unanimemente em 2000, a ALCA foi rejeitada e enterrada em 2005”.
Para Emir, “O continente americano é o de maior grau de desigualdade no mundo – e, portanto, de injustiça –, situação que só se acentuou com a década neoliberal”. Mas, “os duros golpes sofridos pelo campo popular, tanto com as ditaduras quanto com as políticas neoliberais, não faziam pressagiar uma mudança tão rápida e profunda”.
Diante deste quadro, A nova toupeira procura entender em que medida o neoliberalismo permanece hegemônico, analisando a natureza dos atuais governos latino-americanos e propondo um debate fundamental para a compreensão das questões políticas de nosso tempo.
( * ) Em Boletim H S Liberal você terá acesso a todas as fontes desta postagem.
Em defesa de Celso Lungaretti
Quem acompamha os blogs e a esquerda brasileira deve comhecer ou ter ouvido falar de Celso Lungaretti. Tripudiado pela esquerda de botequim e os dinossauros que nunca enfrentaram verdadeiramente a ditadura cara a cara nos seus porões e nos combates de rua e de selva, sabe que ele nunca parou de lutar para provar suas verdades , defender suas posições e idéias e o futuro de uma humanidade livre e socialista.
Volto a fazer sua defesa porque estamos no mesmo campo de defesa dos ideais humanitários e contra os que querem agora, julgar de novo e eliminar o valente revolucionrio italiano Cesare Batistti, preso injustamente no Brasil e alvo e uma falsa e bestial polemica.
Conheci Celso Lingaretti logo que sai da prisão e frequentava o nucleo Cultural da Cacimba. Ali se estabeleceu uma enorme polemica sobre seu comportamento na prisão e o episódio da sua aparição na TV repudiando a luta armada e aconselhando os jovens idealistas e revolucionarios a abandonar a alternativa da luta armada. Tive a coragem de defendê-lo e suas posições e seu direito de defesa. Entendi suas atitudes porque tinha passado anos na prisão e visto do que a repressão era capaz e do que o ser humnao pode suportar. Sempre o considerei um revolucionário. Mesmo com nossas diferenças, consideramos que os defensores do bem estar da humanidade, em principio são revolucionarios.
Me considero seu dileto amigo e admirador por sua luta em defesa da verdade e da revoluçãso. Ele sabe que tem em mim um companheiro de luta e pela revolução.
Luiz Aparecido
militante do PCdoB há quase 40 anos
Volto a fazer sua defesa porque estamos no mesmo campo de defesa dos ideais humanitários e contra os que querem agora, julgar de novo e eliminar o valente revolucionrio italiano Cesare Batistti, preso injustamente no Brasil e alvo e uma falsa e bestial polemica.
Conheci Celso Lingaretti logo que sai da prisão e frequentava o nucleo Cultural da Cacimba. Ali se estabeleceu uma enorme polemica sobre seu comportamento na prisão e o episódio da sua aparição na TV repudiando a luta armada e aconselhando os jovens idealistas e revolucionarios a abandonar a alternativa da luta armada. Tive a coragem de defendê-lo e suas posições e seu direito de defesa. Entendi suas atitudes porque tinha passado anos na prisão e visto do que a repressão era capaz e do que o ser humnao pode suportar. Sempre o considerei um revolucionário. Mesmo com nossas diferenças, consideramos que os defensores do bem estar da humanidade, em principio são revolucionarios.
Me considero seu dileto amigo e admirador por sua luta em defesa da verdade e da revoluçãso. Ele sabe que tem em mim um companheiro de luta e pela revolução.
Luiz Aparecido
militante do PCdoB há quase 40 anos
terça-feira, fevereiro 10, 2009
De Fundão dos Indios para o Mundo!
Meus camaradas e amigos!!
Depois da cirurgia e de meses internado no Sara Kubstchek, recebi alta e vim de mudança aqui para Fundão no Espírito Sano, onde devo continuar minha hidrofisioterapia. Melhorei muito e estou feliz em estar aqui com minha mulher Polyana e meus filhos em busca da recuperação total que ainda deve demorar.
Assim meu telefone residencial agora é:
027-3267.1577
O celular 61-9260.1609 ainda continua o mesmo, mas deve mudar. Avisarei quando tiver novo numero.
O endereço daqui
E: Rua Ignácio Rangel Amaral. 90
Bairro Ozéas
Fundão
Espírito Santo
Luiz Aparecido
Depois da cirurgia e de meses internado no Sara Kubstchek, recebi alta e vim de mudança aqui para Fundão no Espírito Sano, onde devo continuar minha hidrofisioterapia. Melhorei muito e estou feliz em estar aqui com minha mulher Polyana e meus filhos em busca da recuperação total que ainda deve demorar.
Assim meu telefone residencial agora é:
027-3267.1577
O celular 61-9260.1609 ainda continua o mesmo, mas deve mudar. Avisarei quando tiver novo numero.
O endereço daqui
E: Rua Ignácio Rangel Amaral. 90
Bairro Ozéas
Fundão
Espírito Santo
Luiz Aparecido
domingo, dezembro 28, 2008
Natal e Ano Novo
FELIZ NATAL& ÓTIMO ANO NOVO
Eu, Polyana e Elza Maria esperamos que você e sua família tenham tido um feliz Natal e tenham um Ano Novo cheio de felicidades, saúde, paz e prosperidade.
Luiz Aparecido e familia
Eu, Polyana e Elza Maria esperamos que você e sua família tenham tido um feliz Natal e tenham um Ano Novo cheio de felicidades, saúde, paz e prosperidade.
Luiz Aparecido e familia
sábado, novembro 22, 2008
Voltando á luta!!!!
Minha gente!!!!
Saude em lentissima recuperação. Volto ao SARA na próxima segunda, dia 24 de novembro, para nova bateria de exames e iniciar intensivão de fisioterapia. Continuo em cadeira de rodas e mão atrfiadas(escrevo com muita dificuldade). 6 meses fudido e até agora não saiu meu auxilio doença do INNS e entrei nessa lentissima Justiça Fedral para tentar começar a receber).
Estou desempregado, contando só com ajuda do Partido, quel mal da para viver.
Portanto, se souber de algum politico, empresa,ONG ou prefeitura que precise ou queira um assessor/consultor nas areas politicas/institucionais ou de comunicação, me avise urgente.
Qualquer coisa me ligue
61-3369.0556
61.9260.1609
abração
Luiz Ap
Saude em lentissima recuperação. Volto ao SARA na próxima segunda, dia 24 de novembro, para nova bateria de exames e iniciar intensivão de fisioterapia. Continuo em cadeira de rodas e mão atrfiadas(escrevo com muita dificuldade). 6 meses fudido e até agora não saiu meu auxilio doença do INNS e entrei nessa lentissima Justiça Fedral para tentar começar a receber).
Estou desempregado, contando só com ajuda do Partido, quel mal da para viver.
Portanto, se souber de algum politico, empresa,ONG ou prefeitura que precise ou queira um assessor/consultor nas areas politicas/institucionais ou de comunicação, me avise urgente.
Qualquer coisa me ligue
61-3369.0556
61.9260.1609
abração
Luiz Ap
quarta-feira, novembro 19, 2008
Material para livro e documentário
Meus amigos!!!!!
Estamos, eu e o Plabo Emmanuel, escrevendo um livro e fazendo um vídeo documentario sobre nossa participação no movimento revolucionário desde o final da década de 60( 1968 em diante) até por volta de 2005.
Quem tiver fotos de manifestações, ações armadas da esquerda e atentados ou vídeos, por favor nos enviem(será dado crédito ao remetente e a origem) para ilustrar tanto o livro como o vídeo.Coisas acontecidas no Brasil.
O material pode ser enviado para
Luiz-aparecido@uol.com.br
Silva.luizaparecido@gmail.com
Agradecemos a colaboração de todos e reemviem este pedido a quem conhecem e pode ajudar,OK?
Luiz Aparecido
Estamos, eu e o Plabo Emmanuel, escrevendo um livro e fazendo um vídeo documentario sobre nossa participação no movimento revolucionário desde o final da década de 60( 1968 em diante) até por volta de 2005.
Quem tiver fotos de manifestações, ações armadas da esquerda e atentados ou vídeos, por favor nos enviem(será dado crédito ao remetente e a origem) para ilustrar tanto o livro como o vídeo.Coisas acontecidas no Brasil.
O material pode ser enviado para
Luiz-aparecido@uol.com.br
Silva.luizaparecido@gmail.com
Agradecemos a colaboração de todos e reemviem este pedido a quem conhecem e pode ajudar,OK?
Luiz Aparecido
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