domingo, abril 29, 2012

Penapolis conquista o Mundo com Sabrina Sato e agora o CAP!!!


Com direito a comemoração da humorista Sabrina Sato no Twitter, o Penapolense empatou em 1 a 1 com o Red Bull Brasil, neste sábado, no estádio Moisés Lucarelli e garantiu seu acesso para a primeira divisão do Campeonato Paulista.
Natural de Penápolis e torcedora declarada do CAP (como o time é chamado entre seus torcedores), a integrante do Pânico na Band não perdeu tempo e comemorou a presença do time de sua cidade na primeira divisão de São Paulo.

SABRINA FALA DA PAIXÃO PELO CAP

"Torço pelo CAP como torço pelo Corinthians, são times do meu coração. Acompanho pelo meu pai e tios, que são torcedores"
O Penapolense abriu o placar aos 30 minutos de jogo, com o atacante Luciano Gigante. Quarto minutos depois, entretanto, os donos da casa empataram a partida com Henan. Neste ponto, Sabrina Sato já havia deixado as primeiras palavras de incentivo ao time que já foi presidido pelo seu avô.
Precisando de uma goleada para subir à elite, o Red Bull Brasil criou diversas oportunidades ao longo do jogo, mas parou na boa atuação do goleiro Ricardo.

quinta-feira, abril 26, 2012

Livro procura esclarecer "justiçamento" de guerrilheiro da ALN ocorrido há quase 40 anos!!!



Esta é uma questão que me aflige pessoalmente desde a época, onde eu também militava na ALN e tinha saído pouco antes para militar na APML e depois PCdoB onde estou até hoje. Sendo o livro de Pedroso Junior, uma luz sobre aquela época de trevas e este episódio sombrio para a Ação Libertadora Nacional-ALN e a própria esquerda armada, é bem vindo. Esperamos agora uma humilde e verdadeira auto - critica dos que protagonizaram os episódios em pauta. Imperdivel a leitura deste resumo e do próprio livro. No final da postagem o endereço eletrônico para adquirir o livro. (Luiz Aparecido)


Márcio, o guerrilheiro.


Cinco anos de pesquisas em busca da verdade histórica sobre este fato ocorrido a mais de 30 anos, foi o tempo que Pedroso Júnior demorou para conseguir pesquisar a verdadeira história de Márcio Leite de Toledo e as razões que culminaram com sua morte. Este triste episódio, ocorrido durante o regime militar, era tratado como tabu pelos militantes das organizações de esquerda que lutaram de armas na mão contra a Ditadura Militar. Afinal, quais as verdadeiras razões que determinaram o assassinato de Márcio Toledo, o Carlos da Ação Libertadora Nacional?
Márcio havia traído a organização e por conseqüência foi justiçado pelos próprios companheiros ou havia sido executado pela repressão e a culpa colocada sobre seus companheiros?
Depois destes longos anos de pesquisa, Pedroso relata neste livro que nenhuma das versões apresentadas durante todos estes anos estava correta. Retornando ao Brasil em final de Maio de 1970, depois de quase dois anos de treinamento de guerrilhas em Cuba, Márcio encontrou a ALN submersa em profunda crise, em decorrência da morte de seu líder e fundador Carlos Marighela e dada a fama com que retornara da Ilha de Fidel, acabou por ser guindado a Coordenação Nacional da Organização, com a finalidade de buscar unir os cacos e reconstruí-la. Quando esta Coordenação encontrava-se reunida, em outubro de 1970, buscando organizar as atividades daquilo que seria denominado “Quinzena Marighela”, para lembrar o líder morto um ano antes, acaba por sofrer outra baixa importante, com a prisão e morte de Joaquim Câmara Ferreira, o “Toledo”, que era o sucessor do ex-deputado baiano no comando da organização. “Toledo” foi preso em virtude da delação do militante José da Silva Tavares, o Severino, o que vinha a comprovar que a repressão conseguirá infiltrar espiões dentro das organizações dos revolucionários.
Com esta queda importante, Márcio começou a propor para o conjunto da organização a que pertencia, a proposta de recuo estratégico na luta, com a retirada das lideranças mais visadas do país e a distribuição dos companheiros que não eram visados pelo interior do país, retomando vida legal, e aguardando o retorno dos militantes do exterior. As lideranças no exterior buscariam organizar um Congresso que unisse todos os combatentes da luta armada em uma única organização, que retornaria a nossa pátria com o nome de Exército de Libertação do Povo Brasileiro com a finalidade de prosseguirem a luta contra o regime militar.
O grupo que assumira o comando da ALN, formado por jovens entusiastas, com idade média de 21 anos, não concordava em hipótese alguma com a proposta de Márcio, o que o levou a querer a discutir a proposta com os militantes que conhecia e mesmo com outras organizações, preparando para tanto um documento onde expunha suas idéias, onde deixava claro de que ninguém poderia “o impedir de ser revolucionário”.
A postura de Márcio de querer rediscutir o caminho da luta armada e o recuo estratégico naquele momento em que as prisões ocorriam diariamente, além das mortes de companheiros importantes para a resistência, acabou sendo interpretado pela Direção Nacional da ALN como a possibilidade de Márcio vir a trair a causa que abraçara e hipoteticamente colocando em risco a segurança dos militantes da Organização.
Profetizando a possibilidade da traição, Carlos Eugênio Coelho Sarmento da Paz, o Clemente, acabou por convencer a Coordenação Nacional que o melhor a fazer era “justiçar” Márcio Leite de Toledo. Com o voto discordante de José Milton Barbosa, o Célio, a execução do combatente Márcio Leite de Toledo foi aprovada e um comando revolucionário, sob a chefia de Clemente, foi ao seu encontro em um ponto previamente marcado com a finalidade oficial de serem discutidas as divergências apresentadas pelo militante Carlos.
Por volta das 18:00 horas do dia 23 de Março de 1971, na rua Caçapava, altura do número 104, aparentemente as tais divergências apresentadas pelo guerrilheiro urbano terminaram, com o comando revolucionário tendo oficialmente “justiçado” e conseqüentemente calado a sua boca de forma truculenta e bestial. Não contava o seu principal idealizador e executor, que este ato extremo e altamente desnecessário, viesse a acirrar as contradições no seio da organização, e que o cadáver e as idéias de Márcio permanecessem insepultos ao longo de décadas.
Márcio, o guerrilheiro, veio resgatar a verdade sobre este acontecimento. Pedroso Junior leu, pesquisou, entrevistou e colocou no papel esta história emocionante de um jovem que deu o melhor de sua vida para a libertação do povo brasileiro e agora, em abril de 2012, será relançado, com capa de Maringoni, prefácio do jornalista Gerson de Souza, orelha escrita por Márcio França, Presidente Estadual do Partido Socialista Brasileiro  no Estado de São Paulo. Márcio, o guerrilheiro foi editado pela Publit Editora do Rio de Janeiro, com 242 páginas.
   Adquira já seu exemplar, R$ 40,00, incluindo-se despesas de envio postal, enviando email parachineloneles@hotmail.com

quarta-feira, abril 25, 2012

A verdade sobre os "piratas" da Somalia e o saque e as mortes provocadas pelas grandes potencias européias naquele país africano e em outros!!



Quem são os “piratas” da Somalia, que sequestram navios e suas tripulações que trafegam pelas costas do País. Na verdade, eles estão defendendo seus mananciais de pesca dos barcos europeus que pescam ilegal e predatoriamente nas águas somalianas. E também os navios de potencias europeias que despejam na costa do País, lixos e dejetos tóxicos e nucleares que estão matando o povo  somali.
Documentário filmado pelo cineasta espanhol Juan Falque, mostra toda a origem da questão da “pirataria somali” e ainda explicita a situação politica, econômica e militar daquele país mergulhado numa infindável guerra civil. Faz outro alerta!!! O mesmo esta ocorrendo nas costas de outros pobres e miseráveis países africanos como Nigéria, Benin, Costa do Marfim etc. Filme imperdivel. Acese o link abaixo e vejam a integra  do filme!!

Que história é esta dos Piratas da Somália?!
O que sempre soube está na Globo, na CNN, na Fox, no Estadão, na Folha...
Mas haveria o outro lado dessa história?
 
Para quem desejar conhecer o "outro lado dessa história" repasso o vídeo produzido por Juan Falque.
É falado em espanhol com legendas em português ... e se estarreçam com o que verão!
 

segunda-feira, abril 23, 2012

Lungaretti coloca os dedos nas feridas que vão da falta de informação, às arbitrariedades e acesso à web!!!!s


SOBRE O ESCRACHO, O PIG,
O MACARTISMO E OUTROS TEMAS

Celso Lungaretti (*)

Surpreendeu-me encontrar na minha caixa postal uma mensagem de Francisco Foot Hardman, escritor, ensaísta, crítico literário e professor de Teoria e História Literária da Unicamp.

Ele me recomenda o seu artigo publicado neste domingo (22) em O Estado de S. Paulo, O poder do escracho, por ser afim dos meus escritos sobre o mesmo tema.

Corretíssimo. Tem mesmo tudo a ver comigo, tanto que o recomendo enfaticamente (vide íntegra aqui). Eis uma amostra:
"Os espectros dos desaparecidos são o GPS real que guia essas alegres levas do Levante. Boa parte das centenas de jovens e representantes de familiares de desaparecidos da ditadura que se espalharam em manifestações políticas contra o esquecimento e a impunidade de torturadores e outros responsáveis pelas ações do aparato de terrorismo do Estado durante a ditadura militar em cidades como São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Belém, Fortaleza, não viveu aqueles anos. 
Isso é tanto mais notável quanto virou idéia fixa repetir que o Brasil é o país da desmemória. Quantos Harry Shibatas precisarão ser ainda desmascarados? Porque é certo que este médico-legista coqueluche da 'legalização' dos extermínios praticados por agentes da Oban e do Deops, não foi caso único no amplo aparato do terror instalado pelos serviços da inteligência do regime militar.

Quantos mais foram cúmplices dos perpetradores, administrando a ciência médica a serviço da 'otimização' das dosagens de tortura? Quantos juramentos de Hipócrates rasgados sem nenhuma punição dos conselhos regionais ou nacional de medicina?
O escracho é uma manifestação legítima e eficaz. Comprovou-se isso na Argentina, no Chile e no Uruguai...
...É, na verdade, um livre momento de expressão e desabafo da sociedade civil organizada. A informação precisa e atualizada, a rapidez e leveza de sua estrutura de mobilização, em que a internet joga, como em outros exemplos recentes de democracia direta, um papel decisivo, bem como a imaginação criadora de suas variadas formas, esses são seus ingredientes de sucesso".
DESINFORMAÇÃO E LISTAS NEGRAS
Meu estranhamento se deveu a serem raros os  acolhidos na grande imprensa  que têm coragem de assumir vínculo ou identificação com os  boicotados pela grande imprensa: nós, os que só conseguimos divulgar nossos textos na internet. Quanto muito, repetem nossas teses e argumentações sem citarem a fonte.

O PIG e a web cada vez mais se tornam dois planetas diferentes e, na maioria dos casos, hostis. O primeiro ignora a segunda. A segunda critica acerbamente (quase sempre com justos motivos) o que faz o primeiro.

Para quem escreve com o objetivo de influir nos acontecimentos e não por deleite ou vaidade, é uma limitação terrível. 

Duelando em igualdade de condições com os inquisidores no território livre da internet, conseguimos convencer as minorias conscientes de que seria uma ignomínia extraditarmos Cesare Battisti para cumprir a sentença farsesca de um tribunal de cartas marcadas, que funcionou sob uma legislação típica de ditaduras (passados os  anos de chumbo, a escabrosa lei instituída exclusivamente contra os ultraesquerdistas foi revogada, mas não se anularam as condenações dela decorrentes!). 
Um dos principais coadjuvantes da ofensiva italiana, juiz aposentado que escreve na CartaCapital, chegou a desertar do debate que iniciara comigo numa tribuna virtual, com os comentários postados pelos internautas quase todos me apoiando.

Então, era extremamente frustrante assistirmos, impotentes, à mídia desinformando o cidadão comum, a  maioria silenciosa cuja cabeça ela faz, sem a mínima consideração pelas boas práticas jornalísticas, como a de publicar contestações relevantes do  outro lado. Se nos dessem o mínimo de espaço, pulverizaríamos um por um os Minos Cartas da vida --que, sabiamente, esquivavam-se de polemizar conosco (caso do dito cujo, desafiado "n" vezes pelo Rui Martins, pelo Carlos Lungarzo e por mim).

O Lungarzo e eu chegamos a enviar para mais de mil jornalistas o oferecimento de provas incontestáveis de que Battisti tinha sido defendido no segundo julgamento por advogados que não constituiu, munidos de procurações falsificadas. E, como quem desmascarara a tramóia havia sido a Fred Vargas (principal novelista policial da França, tida como uma nova Agatha Christie ou Patricia Highsmith), incluímos um brinde: ela se dispunha a conceder, complementarmente, uma entrevista exclusiva. Um presentão para qualquer profissional de imprensa. NENHUM(A)se interessou.

Vários meses depois, o correspondente do  Estadão  na França ouviu o mesmíssimo relato da boca da Fred e mandou a notícia de lá. Foi, afinal, publicada.

Será que aqueles mais de mil jornalistas tinham desaprendido o ofício? Ou o bloqueio contra qualquer conteúdo contrário à corrente dominante (pró linchamento) era total nas editorias de Política Nacional, de forma que só poderia ser driblado numa menos  estreitamente vigiada, como a do noticiário internacional?


 Agora mesmo, teve grande destaque a acusação do digno ministro Joaquim Barbosa a um atrabiliário medievalista que nunca mereceu integrar o Supremo Tribunal Federal e finalmente pendurou a toga, de manipular um julgamento da Lei da Ficha Limpa.

Aproveitando a deixa, divulguei amplamente um crime adicional --muito pior!-- cometido pelo mesmo indivíduo, o de manter o escritor Cesare Battisti sequestrado depois do seu caso já estar decidido, na esperança de induzir seus colegas a uma virada de mesa legal.

Com palavras mais veementes, apenas repeti o que haviam afirmado o grande Dalmo de Abreu Dallari e o ministro mais articulado do Supremo, Marco Aurélio Mello: a prisão de Battisti deveria ter sido relaxada tão logo o Diário Oficial publicou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tornando-se, a partir daquele instante, ilegal. E a ilegalidade durou mais de cinco meses, ao cabo dos quais o próprio STF reconheceu que nada mais havia a se discutir, só lhe cabendo cumprir a decisão que delegara a Lula.

Por que não responsabilizarmos por tal aberração o linchador que presidia o Supremo (e também o relator Gilmar Mendes)? Por que a grande imprensa deu tanto destaque a uma acusação difícil de se provar e nenhum a umaindiscutível e irrefutável?

Por dois motivos principais:
  • para não dar a mão à palmatória quanto às muitas arbitrariedades cometidas contra Battisti que ela tinha omitido ou minimizado anteriormente; e
  • para não levantar a bola de jornalistas revolucionários (agiria da mesmíssima forma se a acusação proviesse do Ivan Seixas, Laerte Braga, Rui Martins, Alípio Freire, Altamiro Borges, etc.).
OS JOVENS VOLTAM ÀS RUAS
Mas, repito, tal macartismo velado não impede que jornalistas e outros autores que têm espaços fixos na mídia inspirem-se em nosso trabalho e o reconheçam.


Por mais exasperante que seja a situação de confinado à web, eu me consolo com a lembrança dos anos de intimidação e censura: tudo era bem pior.

E, tanto quanto naqueles tempos sombrios, continuam verdadeiros os versos de Sérgio Ricardo: "cada verso é uma semente/ no deserto do meu tempo".

O deserto continua causticante, mas as sementes já começam a frutificar:
  • os jovens foram às ruas lutar contra o autoritarismo redivivo nos episódios da proibição da Marcha da Maconha, da ocupação fascistóide da USP, da blitzkrieg na Cracolândia e da barbárie no Pinheirinho;
  • fizeram passeatas contra a ganância e a corrupção;
  • protestaram contra a ilegalidade cometida pelos saudosos do arbítrio ao exaltarem os horrores ditatoriais (com a conivência de autoridades que ignoraram olimpicamente seu compromisso com a democracia);
  • e aplicaram a antigos carrascos e serviçais do terrorismo de estado a única punição possível (moral) face à tibieza dos Poderes constituídos, aos quais caberia aplicar-lhes penas compatíveis com a gravidade dos crimes hediondos que cometeram.
Foram manifestações que nos lavaram a alma e revigoraram nosso ânimo!
Nós, os que marchamos contra a corrente da desumanização, continuaremos travando o bom combate na internet e nas ruas, sem nunca desistirmos de invadir as praias do sistema e com a certeza de que nossos textos são as sementes de um futuro igualitário e livre.
* jornalista e escritor. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com

OUTROS TEXTOS RECENTES (clique p/ abrir):
A DESUMANIDADE É GLOBAL SOB O CAPITALISMO
É DEFINITIVO: TENTAREI ABRIR UMA NOVA FRENTE DE ATUAÇÃO


domingo, abril 22, 2012

As guerrilheiras das FARC-EP lutando e vivendo por um novo tempo!!!!



Pelos Caminhos do Mundo Guerrilheiras das FARC
por Miguel Urbano Rodrigues

Fala-se e escreve-se muito dos guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia -- quase sempre para os caluniar -- e pouco das guerrilheiras. A maioria dos europeus ignora que milhares de mulheres combatem nas 60 Frentes em que as FARC lutam naquele país.

Conheci muitas em 2001, nas semanas vividas num acampamento amazónico da organização revolucionaria.

Como transmitir no breve espaço de uma crónica, o que em mim ficou do contacto com essas guerreiras de novo tipo?

Encontrei ali moças tão diferentes que seria redutor o esforço para esboçar o choque emocional provocado pelo descobrimento das combatentes das FARC. De comum entre elas apenas a coragem, a capacidade de adaptação a condições de vida duríssimas e uma confiança total na justiça da luta das FARC e na vitoria final, sem data.

No meu acampamento somente uma não tinha companheiro. Apenas Eliana ultrapassara os 40. A maioria não atingira os 25 anos. A ética da guerrilha impunha normas que eram respeitadas. Se dois namorados pretendiam estabelecer uma relação amorosa informavam o comandante. A infidelidade não era tolerada pelo código da guerrilha. A pareja era autorizada a dormir na mesma caleta, o estrado-cama que, sob um toldo de plástico, na grande floresta, fazia as vezes de casa. O regulamento proibia também que os guerrilheiros, homens ou mulheres, mantivessem relações sexuais com hospedes das FARC.

Mas não havia moralismo. Se um casal decidia pôr termo à relação comunicava essa decisão ao comandante. O gesto consumava a separação.

As mulheres realizavam os mesmos trabalhos que os homens, desde o treino militar à abertura das latrinas. Iguais direitos, tarefas idênticas.

O quotidiano dos acampamentos não permitia a privacidade a que hoje estamos acostumados na vida quotidiana. Na selva, infestada por transmissores de doenças perigosas, o banho diário é imprescindível à defesa da saúde. As mulheres banhavam-se no rio ao lado dos homens numa atmosfera de camaradagem e respeito que me impressionou. Elas de calcinhas, eles de cuecas. As normas do pudor, tal como as conhecemos, não podiam funcionar ali. Mas nunca, nem nos olhares nem nas palavras testemunhei atitudes da qual transparecesse um comportamento machista.

Elas, tal como eles, tinham diferentes origens sociais. Algumas tinham vindo de grandes cidades, outras dos llanos ou dos vales quentes, outras ainda das terras frias da Cordilheira. A origem social transparecia mais no diálogo do que no comportamento, porque raparigas de famílias camponesas haviam adquirido uma sólida formação ideológica.

Para surpresa minha quase todas eram bonitas.

Na Aula – o lugar onde à noite o colectivo da guerrilha se reunia para assistir a palestras e debater o tema com o «professor» convidado – tive a oportunidade de falar mais demoradamente com algumas que mal conhecia, como a Adriana e a Jenny.

O meu trabalho exigiu contactos muito frequentes com quatro: a Gloria, a Eliana, a Yurleni e a Isabel.

Glória era a secretária sem titulo do comandante Raul Reyes. De origem pequeno burguesa, adquirira uma formação marxista ampla, pouco comum. Era a responsável pelos computadores e pelas transmissões por radio, serviços instalados num «escritório» que se diferenciava das caletas apenas pela sua maior dimensão. Enviava mensagens codificadas e decifrava as recebidas. A sua intimidade com o mundo da informática fazia de mim um aprendiz bisonho.

Era muito bonita e nem o uniforme lhe afectava a feminilidade. Foi durante as lentas viagens para El Caguan, através de uma estrada imprevisível que rompia as matas da região- ela guiava carros pesados como uma profissional- que do seu passado soube aquilo que me contou. O suficiente para eu entrever nela uma personagem de novela que irradiava uma intensa alegria de viver.

Em Eliana encontrei uma revolucionaria de outro tipo. Responsável pela intendência, ocupava-se com zelo de tudo o que se relacionava com o abastecimento do acampamento. A sua beleza não era física. De meia idade, entroncada, brusca nos movimentos, alcançara o grau de subcomandante e o seu currículo de combatente dissipava duvidas sobre os méritos da guerrilheira. Era de poucas falas, mas, ao volante de um camião, respondia com rapidez e segurança às perguntas que eu formulava sobre a historia das FARC e a organização do acampamento.

Yurleni, a ranchera, projectava a imagem de uma jovem camponesa desinibida, faladora , com uma espontaneidade tocante. Passava o dia na cozinha preparando as refeições dos convidados. Quando apreciávamos um prato de caça ou uma especialidade colombiana reagia tão efusivamente que até comunicava o facto ao seu papagaio palrador, empoleirado num arbusto, ao lado do bidão da água, no terreiro por onde deambulavam galinhas e o quati, mascote da guerrilha. Yurleni tinha um companheiro, John, e dizia ser mais feliz do que algum dia pudera imaginar. Menina, tinha uma obsessão: ser soldado. Mas acabou nas FARC quando percebeu que era mentira o que delas contavam e que a guerrilha era, essa sim, um exército de heróis, como outro não existia .

Em Isabel, a historiadora, descobri uma romântica. Foi a ideologia, absorvida na universidade, que a empurrou para as FARC. Encontrava-se no umbral de uma vida de comodidades, já com um mestrado e trabalhando numa organização internacional que lhe garantia um salário mensal de quase 2000 dólares quando....

Ela hesitava ao chegar aí e eu interrompia, tentando descer às raízes da opção que a fizera mudar de rumo.

- O tempo de reflexão foi breve- respondia -. Eu sentia um nojo crescente pelo tipo de vida que se abria para mim. Não queria ser triturada pelo sistema. O apelo foi irresistível. Ajudada por amigos, vim parar às FARC, que eu admirava sem as conhecer...

Isabel mantinha longas conversas comigo. Os temas ideológicos fascinavam-na e encontrou em mim um interlocutor. Após um ano, sentia-se ainda uma iniciada. Cumpria exemplarmente todas as tarefas, verifiquei que atirava muito bem, mas a insegurança atormentava-a.

A beleza de Isabel chamava a atenção pela suavidade. Tinha uma pele muito branca, uns olhos enormes, luminosos e um corpo onde tudo parecia certo pela forma e a proporção. Do conjunto desprendia-se irrealidade.

Um dia perguntei-lhe porque, sendo tão bela, não tinha companheiro.

Levou tempo a responder:

- Sabes, isso faz-me sofrer. Mas não pelo que possas pensar. Alguns camaradas, já me perguntaram por que os recusei. Pensam que é uma atitude de classe, mas o motivo é outro. Eu faço uma ideia muito grande do amor e ainda não encontrei alguém que me abra ao amor...

Naturalmente Gloria, Eliana, Jenny, Adriana, Yurleni, Isabel eram nomes de guerra. Desconheço-lhes os nomes reais.

Na sede das FARC, em San Vicente del Caguan, conheci outra guerrilheira, a Nora, da qual conservo, nítida, na memória a lembrança de alguém que me apareceu como símbolo das mulheres das FARC.

Ela estava então na legalidade relativa da época e por isso publiquei-lhe o retracto numa reportagem. O companheiro tinha caído em combate pouco antes.

Nora atendia na recepção todos os estrangeiros que chegavam à Zona Desmilitarizada. Apareciam ali muitos jornalistas que pretendiam entrevistas com os dirigentes mais destacados das FARC, incluindo Manuel Marulanda, o legendário Tiro Fijo cuja morte fora anunciada vinte vezes por sucessivos governos. Era difícil a tarefa, mas Nora resolvia os problemas mais delicados. A voz e a doçura da guerrilheira desarmavam o protesto, quando os visitantes não obtinham o que pretendiam. Fundia uma suavidade tocante numa firmeza de combatente veterana.

Fechava-se quando as minhas perguntas incidiam sobre o seu mundo interior. Nunca me falou do companheiro perdido, mas a palavra tristeza subia na minha memória quando a escutava . No dia em que me despedi dei-lhe um par de botas e uma lanterna. Indispensáveis na selva , não teriam mais utilidade para mim.

- Podem ser úteis para algum camarada -- comentei quase envergonhado.

Nora abraçou-me, sem uma palavra, e o seu gracias compañero chegou acompanhado do único sorriso que lhe vi esboçar naqueles dias.

Hoje, quando leio ou escuto calunias sobre as FARC, o meu pensamento viaja para as selvas e montanhas da Colômbia. No turbilhão de imagens que então me envolve não é sem comovida admiração que revejo as guerrilheiras que ali conheci. Aquelas mulheres aparecem-me como símbolo da confiança na transformação revolucionaria da vida.

Os 512 anos de um Brasil ainda hoje colonizado!!!


Para lembrar um País que não preserva sua memória. Em 22 de abril de 1500 chegava ao Brasil 13 caravelas portuguesas lideradas por Pedro Álvares Cabral. A primeira vista, eles acreditavam tratar-se de um grande monte, e chamaram-no de Monte Pascoal. Com tantos feriados inexpressivos, ninguem comemora o dia de hoje.No dia 26 de abril, foi celebrada a primeira missa no Brasil.
Após deixarem o local em direção à Índia, Cabral, na incerteza se a terra descoberta tratava-se de um continente ou de uma grande ilha, alterou o nome para Ilha de Vera Cruz. Após exploração realizada por outras expedições portuguesas, foi descoberto tratar-se realmente de um continente, e novamente o nome foi alterado. A nova terra passou a ser chamada de Terra de Santa Cruz. Somente depois da descoberta do pau-brasil, ocorrida no ano de 1511, nosso país passou a ser chamado pelo nome que conhecemos hoje: Brasil.
Os portugueses colonizaram o Brasil às custas do genocidio de mais de 5 milhões de indigenas que aqui habitavam e faziam do Páis um verdadeiro Paraiso na Terra. A conquista foi feita sobre o sangue destes nossos ancestrais todos!!

sexta-feira, abril 20, 2012

Seminario dos 90 anos do Partido reafirma sua identidade Revolucionaria e Socialista!!!


PCdoB reafirma identidade comunista e marxismo-leninismo


“Este Seminário – PCdoB 90 Anos: história, legado, lições e alternativa socialista – é o último evento da série comemorativa do 90º aniversário do Partido. Realizamos no mês de março um grande ato político e cultural no Rio de Janeiro, uma Sessão Solene do Congresso Nacional em Brasília, uma exposição iconográfica da história do Partido, um Programa Nacional de Rádio e TV que foi ao ar em rede nacional” – disse Renato Rabelo na abertura do seminário  nesta sexta (20), em São Paulo.


Renato expôs os objetivos do seminário: analisar e debater a história do PCdoB e discutir acerca da perspectiva contemporânea do socialismo, no contexto da grave crise estrutural do capitalismo, e retirar lições fundamentais da rica experiência do Partido.

“Consideramos ser o PCdoB atual a resultante dessa extensa história de nove décadas. Hoje o PCdoB é a expressão do imenso legado transmitido pelas sucessivas gerações que conformaram a história do Partido Comunista do Brasil” – disse o presidente nacional ao reivindicar o conjunto da história de 90 anos do Partido, cujo legado está nas mãos do PCdoB.

Rabelo referiu-se ao documento sobre a história do Partido, aprovado há poucos dias pelo Comitê Central, destacando a contribuição que os comunistas deram para a construção do Brasil e ressaltou: “Não se pode entender a história do Partido Comunista do Brasil sem entender a história do Brasil, mas também não se pode entender a história brasileira sem ter em conta a ação dos comunistas”.

Renato fez uma defesa enfática da identidade comunista, da ideologia marxista-leninista e do caráter de classe do Partido. “O PCdoB afirmou-se como uma corrente marxista-leninista – tendência revolucionária de interpretação e aplicação do pensamento de Marx no século 20. Reafirmou sempre sua identidade comunista e o seu caráter de classe como partido da classe trabalhadora e do povo. Para isso, sublinhamos dois marcos decisivos na sua história: a reorganização do Partido Comunista do Brasil em 1962 e a reafirmação do caminho revolucionário e da sua identidade comunista no triênio 1989 – 1991, marcado pela queda dos governos no Leste europeu e pelo fim da União Soviética.

Por fim, o presidente do PCdoB, destacou que atualmente o partido está em expansão, com elevado prestígio e influência entre os trabalhadores e o povo. Um partido que manteve seu rumo, conseguiu formular uma linha básica coerente com sua perspectiva histórica transformadora, na via do socialismo para as condições peculiares do Brasil.

Cerca de duzentos quadros do PCdoB acompanham atentos as intervenções de José Luís Del Royo, Marly Viana, João Quartim de Morais, Aldo Rebelo, Haroldo Lima, Renato Rabelo e representantes dos Partidos Comunistas do Vietnã, Cuba e China, além do PSUV venezuelano. O seminário prosseguirá também no sábado. No encerramento será lançado o livro com o documento aprovado pelo Comitê Central sobre a história do Partido.



Da redação do Portal Vermelho!!

quinta-feira, abril 19, 2012

UM ALERTA AO PARTIDO E AOS COMUNISTAS!!!!

Para uma reflexão permanente do Partido e dos comunistas, trecho do livro "João Amazonas", lançado recentemente pela editora do Senado Federal, onde tem um importante trecho de uma declaração do Partido Comunista do Brasil, no final do ano de 1948, assinado pelo então Secretario Geral, Luiz Carlos Prestes, diz lá:

"Diante das ameaças cada vez mais fortes da reação, fomos silenciando cada vez mais a respeito de nossos objetivos revolucinários e caindo insensivelmente nos limites de um quadro estritamente legal e de pequenas manobras. Esta tendencia direitista, se caracteriza ainda pela sistemática contenção das lutas das massas proletarias em nome da colaboração operário-patronal e da aliança com a "burguesia progressista".

Uma declaração válida até hoje e que deve ser estudada e refletida pelos dirigentes partidarios e das organizações de massa onde o PCdoB tem influencia.Para pensar e muito...

terça-feira, abril 17, 2012

"A EXPERIENCIA DOS ANOS DE CHUMBO PARA RESGATAR EXPERIENCIAS E CONTINUAR NA LUTA PELA REVOLUÇÃO E O SOCIALISMO!!!

Eu e o "Tupa" debatendo no ECLA- Fotos de Jesus Carlos Lucena




Neste último domingo, dia 15 de abril, eu-Luiz Aparecido e o Rubens Ferrari, o "Tupa", protagonizamos uma palestra/debate no Espaço Cultural Latino Americano, o ECLA, na rua Abolição, 244, na Bela Vista em São Paulo. Com a coordenação de Claudimar e Vilma Mota e gravado e fotografo por Jesus Carlos Lucena, algumas dezenas de pessoas, entre jovens e até veteranos da luta politica de esquerda no Brasil, como Celso Lungaretti e outros, expusemos o clima e as ações do que foram os anos de Ditadura no Brasil e na América Latina, convencionado como os "Anos de Chumbo". 

Rubens Ferrari, conhecido como o "Tupa", por ter militado e participado de várias ações na organização gerrilheira uruguaia "Tupamaros", hoje transformado em Partido politico e tendo até o atual presidente José Mujica, como um de seus membros, relatou  sua história de lutas, suas fugas para a Europa e por fim ao Brasil onde se estabeleceu  nos finais dos anos 70 e até sua estada em Cuba para treinamento guerrilheiro. "Tupa" que pela primeira vez falou em publico daqueles tempos sombrios, se emocionou ao relatar sua militancia no movimento estudantil do Uruguai, a formação dos "Tupamaros" e algumas ações armadas e de resistencia a Ditadura uruguaia.

Contou como  foi organizada e realizada com exito, a fuga de 121 presos politicos do presidio de "Punta Carretas" em Montevidéu em pleno cerco dos militares, a tomada da cidade de Pando por guererilheiros "tupamaros", outra audaciosa ação revoucionaria, as expropriações de Bancos e até de postos policiais para resgatar armas. A militancia revolucionaria de Rubens, o "Tupa" foi tão rica que o ECLA esta agendando uma outra palestra dele para aprofundar os assuntos.

Ele conntou tambem como chegou ao Brasil em meados da decada de 70,  após ter saido da prisão no Uruguai e como aqui se ligou a militantes do PCdoB e da APML na época e começou a militar de novo no Sindicato dos Jornalistas e nos movimentos pelas liberdades democraticas no Brasil e a luta pela Anistia. Hoje continua sua luta defendendo uma revolução socialista e militando nos movimentos sociais de São Paulo, principalmente no Sindicato dos Jornalistas.

LIÇÕES

Eu relatei suscintamente minha história de miitancia politica desde os 14 anos no movimento estudantil ainda em Penapolis no interior de São Paulo, como vivenciei o Golpe militar de  1964, como entrei para a Dissidencia Comunista de São Paulo, depois transformada em Ação Libertadora Nacional-ALN, passando pela Ação Popular Marxista Leninista-APML e por fim aderindo ao Partido Comunista do Brasil-PCdoB desde 1973 e permanecendo nele até hoje.

Nos debates e intervenções dos presentes, além de desconhecerem a maior parte da história e acontecimentos dos "Anos de Chumbo", a grande curiosidade presente, foi "o que devemos fazer agora" para unir as esquerdas, acionar e incrementar os movimentos sociais e populares e como  continuar acreditando na Revolução socialista. O debate destes temas tomou conta da reunião e foi até tarde da noite, com intervenções esclarecedoras e principalmente questionadoras de como continuar, ampliar e ter exito na luta pelas transformações do Brasil e da América Latina.

PS- Nos príxomos dias o ECLA deve diponibilizar na TV-ECLA um video sobre o evento, que podera ser acessado por este Blog ou pelo Blog do ECLA.

quarta-feira, abril 11, 2012

Neste "Sábado Resistente" uma homenagem a "Guerrilha do Araguaia"!!

Osvaldo Orlando da Costa, o "Osvaldão",um dos comandantes da Guerrilha!

O sábado resistente deste Mês será dedicado aos 40 anos do inicio da Guerrilha do Araguaia que representou um momento importante na história de luta do nosso povo contra a ditadura militar. Homenagear as dezenas de camaradas que foram assassinados - e hoje se encontram desaparecidos - é um dever de todo militante comunista. Façamos desse um grande ato em defesa da memória e da Verdade - num momento que reacionários teimam em comemorar o golpe de 1964. Por isso, conclamo para que participem, divulguem e busquem trazer outros militantes e amigos.

Além das exposições de Romualdo Pessoa e Paulo Abrão, haverá lançamento do livro "Guerrilha do Araguaia: a esquerda em armas" e homenagens especiais ao líder estudantil e guerrilheiro paulista Antônio Guilherme Ribeiro Ribas, ao seu irmão Dalmo Ribas e aos representantes dos camponeses anistiados da região e do Ministério Público Federal, que denunciaram o coronel Curió.
40 anos da Guerrilha do Araguaia

Dia 14 de Abril (Sábado) às 14 horas

Local: Memorial da Resistência de São Paulo
Largo General Osório, 66 – Luz.
Auditório Vitae – 5º andar

14h - Boas vindas
Kátia Felipini
Coordenadora Memorial da Resistência
Apresentação e coordenação
Ivan Seixas – Núcleo de Preservação da Memória Política
Expositores
Romualdo Pessoa Campos Filho – Professor da Universidade Federal de Goiás e autor do livro Guerrilha do Araguaia: a esquerda em armas.
Andrey Borges de Mendonça – Procurador da República em Ribeirão Preto – Integrante do Grupo Direito à Memória e à Verdade do MPF – Mestre e Doutor pela Universidade Pablo de Olavides
Paulo Abrão – Secretário Nacional de Justiça e Presidente da Comissão de Anistia do Ministerio da Justiça
Lançamento da 2ª Ediçao de Guerrilha do Araguaia: a esquerda em armas
Homenageados
Antonio Guilherme Ribeiro Ribas
ex-presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas, guerrilheiro no Araguaia e assassinado pela ditadura militar
José Dalmo Ribeiro Ribas  em nome dos  familiares de mortos e desaparecidos durante a guerrilha do Araguaia.
Andrey Borges de Mendonça em nome do  Ministério Público Federal  pela denuncia contra o coronel da reserva do Exército Sebastião Curió Rodrigues de Moura pelo crime de sequestro qualificado de cinco pessoas na Guerrilha do Araguaia.
José Moraes Silva - Presidente da Associação dos Torturados da Guerrilha do Araguaia – ATGA
Os Sábados Resistentes são espaços de discussão entre todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial a resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964.

Mais informações: www.grabois.org.br

segunda-feira, abril 09, 2012

Rememorando os "anos de chumbo" e as perspectivas do futuro"

 Esta semana sera tensa. Domingo dia 15, eu e o Rubens Ferrari, o "Tupa", vamos fazer uma palestra/debate com jovens e interessados na memoria dos  "Anos de Chumbo", na sede do ECLA, em São Paulo. Tudo que aprendemos e vivemos naqueles anos e como vemos os dias atuais. Acho que sera bacana. Depois das 15 horas na rua Abolição, 44, na Bela Vista, São Paulo!!

quarta-feira, abril 04, 2012

Os algozes da Ditadura botam as manguinhas de fora!

TUMULTO NO CLUBE MILITAR

BRILHANTE USTRA INCITA REPRESÁLIAS
CONTRA MANIFESTANTES

Celso Lungaretti (*)

O site do torturador Brilhante Ustra publicou (vide aqui) nome, foto e dados pessoais do manifestante que cuspiu num dos oficiais da reserva participantes da criminosa apologia do totalitarismo e do terrorismo de estado que teve lugar dia 29 no Clube Militar do Rio de Janeiro, bem como de outros quatro cidadãos que se posicionaram contra aquela abominação.
O objetivo alegado foi "disponibilizar material para que o Clube Militar, assim como o agredido possam acionar a justiça".
Mas, há sempre possibilidade de eles se tornarem alvos das práticas habituais do antigo DOI-Codi: sequestros, torturas, assassinatos.
Os defensores dos direitos humanos devem tomar imediatas providências para a proteção da vida e da integridade física dos cinco.
Se qualquer um deles sofrer uma agressão covarde como as que são marca registrada da ditadura militar, já sabemos quem deve ser responsabilizado como indiscutível instigador e provável mandante.
Finalmente, eis algumas perguntas que não querem calar:
O que mais agride as leis do País, a cusparada que um jovem de 22 anos, justificadamente indignado, aplicou no coronel aviador Juarez Gomes da Silva, presidente do Ternuma-RJ, ou a própria atuação do Ternuma-RJ na justificação/exaltação do arbítrio, minimização de atrocidades e manutenção de campanhas de ódio permanentes (incluindo as de difamações, calúnias e injúrias  contra os heróis e mártires da resistência à tirania)?
 Que consideração merece tal personagem, um destrambelhado que já apareceu na IstoÉ se propondo a desenvolver uma campanha publicitária para denunciar autoridades federais (inclusive a então ministra Dilma Rousseff) como "terroristas" e declarando que o então ministro da Justiça Tarso Genro não passaria de um "canalha" (vide aqui)?
Quem levantou os nomes e dados pessoais dos quatro outros manifestantes, afora o do sociólogo Gustavo Santana, que apareceu no noticiário como vítima de agressão bestial da PM (teve o braço quebrado)?
O Brilhante Ustra parece ter montado um DOI-Codi privado em plena democracia.
É o caso de averiguarmos se ele não está usurpando funções da polícia ao realizar investigações, e da imprensa ao divulgar os resultados.
Não sei se é legal. Mas moral, com certeza, não é.
Trata-se do preço que estamos pagando por não havermos instalado em 1985 um tribunal como o de Nuremberg. Redemocratização pela metade dá nisso.
* jornalista, escritor e ex-preso político. http://naufrago-da-utopia.blogpot.com