UJS realiza ato pela convocação de Roberto Civita para depor na CPI do Cachoeira.
Em defesa da liberdade de expressão e contra a postura criminosa da
Revista VEJA a União da Juventude Socialista realiza ato nesta terça-feira às
15h em frente ao prédio da editora Abril.
A revista VEJA de Roberto Civita entrou para as páginas policiais. Ontem em horário nobre a TV Record dedicou 15 minutos de seu programa “Domingo Espetacular” para denunciar a relação de Veja com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira. Com exceção da TV Record há um silêncio absoluto na “grande imprensa” sobre esse assunto. O caso é equiparado ao escândalo Murdoch na Inglaterra e coloca em pauta na sociedade a necessidade de um novo marco regulatório para as comunicações. Os documentos a que o Domingo Espetacular teve acesso com exclusividade trazem provas de que as informações trocadas entre Cachoeira e o diretor da Veja resultaram ao menos em cinco capas da revista de maior circulação do País As gravações registram ainda que a influência da revista esbarra em outras esferas do poder, como na pressão para demissão da cúpula do Ministério dos Transportes, que havia se desentendido com um dos aliados do contraventor, a construtora Delta. Por meio do que Cachoeira passava para ser publicado na Veja, vários funcionários do ministério foram afastados. Ismael Cardoso, diretor de comunicação da UJS, ressalta que "o ato não tem por finalidade a cassação de nenhum veículo de informação, mas, que estes veículos devam ser tratados como suspeitos e convocados para depor na CPI do caso Carlinhos Cachoeira, precisamos denunciar a sociedade o banditismo que se instalou nos meios de comunicação" Para Altamiro Borges, presidente do instituto Barão de Itararé "a revista instalou um verdadeiro vale tudo, se utilizando de práticas criminosas - desde escutas ilegais à complacência com o crime organizado - , o caso é muito parecido com o que ocorre na Inglaterra, com Ruperth Murdoch, denunciado por crimes parecidos com os que a revista Veja cometeu, precisamos denunciar". |
Página de comentários e registros do cotidiano de Luiz Aparecido, sua familia e amigos. Opiniões sobre o que ocorre no Brasil e no Mundo e claro, com as pessoas!
segunda-feira, maio 07, 2012
OLHA A UJS AI DE NOVO GENTE!! JOVENS VÃO AS RUAS CONTRA "VEJA" E ESQUEMÃO CORRUPTO!"
quinta-feira, maio 03, 2012
Filha de dissidente assassinado exige providencias!!
Leiam o recado de Neusa Cerqueira. Trata-se da filha do Major Joaquim Cerveira, do Exército,, sequestrado em Buenos Aires pela Operação Condor, enviado para o Brasil e foi morto no DOI-CODI da Rua Barão de Mesquita, também de maneira infame. O destino de Cerqueira foi o mesmo do RITINHA, o catarinense João Batista Rita
Pois é, parece que se tudo conferir com o relato desse criminoso nazista (e minhas pesquisas sempre apontaram nessa direção) encontramos 10 corpos de desaparecidos políticos sequestrados, dois pela Operação Condor no exterior e oito no Brasil. As datas dos sequestros são bem próximas, quase simultâneas. Pena que foram incinerados. Agora eles tem que dizer o que fizeram com as cinzas. De toda forma eu sempre disse que para mim o túmulo do meu pai e seus companheiros de luta, era a Nação Brasileira. Minha única dúvida é se estavam todos realmente mortos quando foram colocados no forno da usina. Me sinto no direito de pedir ao atual governo brasileiro que respeitando nossa dor, e a dignidade ne nossos familiares coloque os mandantes desse bárbaro crime de lesa humanidade sob custódia das autoridades policiais para que sejam julgados por um tribunal. Ou será que vão espera r que alguém decida fazer justiça com as próprias mãos? nós familiares, filhos, somos humanos...existe um limite para o que podemos suportar!
Neusah Cerveira
“Militantes de esquerda foram incinerados em usina
de açúcar”
Delegado revela em
livro que viraram cinzas os corpos de David Capistrano, Ana Rosa Kucinski e
outros oito opositores da ditadura
Tales Faria, iG
Brasília | 02/05/2012
10:15:28/05/2012 11:36:28
Foto: DivulgaçãoCapa de
"Memórias de uma guerra suja", da editora Topbooks
Ele lançou bombas
por todo o país e participou, em 1981 no Rio de Janeiro, do atentado contra o
show do 1º de Maio no Pavilhão do Riocentro. Esteve envolvido no assassinato de
aproximadamente uma centena de pessoas durante a ditadura militar. Trata-se de
um delegado capixaba que herdou os subordinados do delegado paulista Sérgio
Paranhos Fleury nas forças de resistência violenta à redemocratização do
Brasil.
Apesar disso, o
nome de Cláudio Guerra nunca esteve em listas de entidades de defesa dos
direitos humanos. Mas com o lançamento do livro “Memórias de uma guerra suja”,
que acaba de ser editado, esse ex-delegado do DOPS (Departamento de Ordem
Política e Social) entrará para a história como um dos principais terroristas
de direita que já existiu no País.
Mais do que esse
novo personagem, o depoimento recolhido pelos jornalistas Marcelo Netto e
Rogério Medeiros, ao longo dos últimos dois anos, traz revelações bombásticas
sobre alguns dos acontecimentos mais marcantes das décadas de 70 e 80.
Revelações sobre o
próprio caso do Riocentro; o assassinato do jornalista Alexandre Von
Baumgarten, em 1982; a morte do delegado Fleury; a aproximação entre o crime
organizado e setores militares na luta para manter a repressão; e dos nomes de
alguns dos financiadores privados das ações do terrorismo de Estado que se
estabeleceu naquele período.
A reportagem do iG teve acesso
ao livro, editado pela Topbooks. O relato de Cláudio Guerra é impressionante.
Tão detalhado e objetivo que tem tudo para se tornar um dos roteiros de
trabalho da Comissão da verdade, criada para apurar violações aos direitos
humanos entre 1946 e 1988, período que inclui a ditadura militar (1964-1988).
David
Capistrano, Massena, Kucinski e outros incinerados
Cláudio Guerra
conta, por exemplo, como incinerou os corpos de dez presos políticos numa usina
de açúcar do norte Estado do Rio de Janeiro. Corpos que nunca mais serão
encontrados – conforme ele testemunha – de militantes de esquerda que foram
torturados barbaramente.
“Em determinado
momento da guerra contra os adversários do regime passamos a discutir o que
fazer com os corpos dos eliminados na luta clandestina. Estávamos no final de
1973. Precisávamos ter um plano. Embora a imprensa estivesse sob censura, havia
resistência interna e no exterior contra os atos clandestinos, a tortura e as
mortes.”
Os
dez presos incinerados
João Batista e Joaquim Pires Cerveira > presos na Argentina pela equipe do delegado Fleury.
Ana Rosa Kucinsk e Wilson Silva > “A mulher apresentava marcas de mordidas pelo corpo, talvez por ter sido violentada sexualmente, e o jovem não tinha as unhas da mão direita”.
David Capistrano (“lhe haviam arrancado a mão direita”) , João Massena Mello, José Roman e Luiz Ignácio Maranhão Filho > Dirigentes históricos do PCB.
Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira e Eduardo Collier Filho > Militantes da Ação Popular Marxista Leninista (APML).
João Batista e Joaquim Pires Cerveira > presos na Argentina pela equipe do delegado Fleury.
Ana Rosa Kucinsk e Wilson Silva > “A mulher apresentava marcas de mordidas pelo corpo, talvez por ter sido violentada sexualmente, e o jovem não tinha as unhas da mão direita”.
David Capistrano (“lhe haviam arrancado a mão direita”) , João Massena Mello, José Roman e Luiz Ignácio Maranhão Filho > Dirigentes históricos do PCB.
Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira e Eduardo Collier Filho > Militantes da Ação Popular Marxista Leninista (APML).
O delegado lembrou
do ex-vice-governador do Rio de Janeiro Heli Ribeiro, proprietário da usina de
açúcar Cambahyba, localizada no município de Campos, a quem ele fornecia armas
regularmente para combater os sem-terra da região. Heli Ribeiro, segundo conta,
“faria o que fosse preciso para evitar que o comunismo tomasse o poder no
Brasil”.
Cláudio Guerra revelou a amizade com o dono da usina para seus
superiores: o coronel da cavalaria do Exército Freddie Perdigão Pereira, que
trabalhava para o Serviço Nacional de Informações (SNI), e o comandante da
Marinha Antônio Vieira, que atuava no Centro de Informações da Marinha
(Cenimar).
Afirma que levou, então, os dois comandantes até a fazenda:
Afirma que levou, então, os dois comandantes até a fazenda:
“O local foi
aprovado. O forno da usina era enorme. Ideal para transformar em cinzas
qualquer vestígio humano.”
“A usina passou, em contrapartida, a
receber benefícios dos militares pelos bons serviços prestados. Era um período
de dificuldade econômica e os usineiros da região estavam pendurados em
dívidas. Mas o pessoal da Cambahyba, não. Eles tinham acesso fácil a
financiamentos e outros benefícios que o Estado poderia prestar.”
“Delegado Fleury foi morto pelos militares"
Delegado da
ditadura diz ter participado da decisão. E confessa o assassinato de dirigente
comunista Nestor Veras
Foto: DivulgaçãoDelegado Cláudio
Guerra
Símbolo da
linha-dura do regime militar, o delegado Sérgio Paranhos Fleury – titular da
Delegacia de Investigações Criminais (DEIC) de São Paulo – foi assassinado por
ordem de um grupo de militares e de policiais rebelados contra o processo de
abertura política iniciado pelo ex-presidente Ernesto Geisel. É o que afirma
Cláudio Antônio Guerra, ex-delegado do DOPS (Departamento de Operações
Políticas e Sociais) do Espírito Santo.
Em depoimento aos
jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, no livro “Memórias de uma guerra
suja”, que acaba de ser editado, Guerra conta ter participado da reunião em que
foi decidida a morte de Fleury.
Ele próprio teria
dado a ideia de fazer tudo parecer um acidente. Acabou sendo enviado para
liquidar o colega. Mas, por problemas operacionais, a execução teria ficado
para um grupo de militares do Cenimar, o Centro de Informações da Marinha.
No livro ao qual o iG teve acesso,
o delegado confessa ter sido um dos principais encarregados pelo regime militar
de matar adversários da ditadura entre os anos 70 e 80.
Guerra está sob
proteção da Polícia federal. Tornou-se uma testemunha-chave às vésperas do
início dos trabalhos da Comissão da Verdade, criada para apurar violações aos
direitos humanos entre 1946 e 1988, período que inclui a ditadura militar
(1964-1988).
Ele conta ter executado pessoalmente militantes de esquerda como Nestor
Veras, do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB), após uma sessão
de tortura da qual afirma não ter participado:
“(Veras) tinha sido muito torturado e estava agonizando. Eu lhe dei o tiro de misericórdia, na verdade dois, um no peito e outro na cabeça. Estava preso na Delegacia de Furtos em Belo Horizonte. Após tirá-lo de lá, o levamos para uma mata e demos os tiros. Foi enterrado por nós.”
“(Veras) tinha sido muito torturado e estava agonizando. Eu lhe dei o tiro de misericórdia, na verdade dois, um no peito e outro na cabeça. Estava preso na Delegacia de Furtos em Belo Horizonte. Após tirá-lo de lá, o levamos para uma mata e demos os tiros. Foi enterrado por nós.”
Além do assassinato de Veras, Guerra conta como matou, a mando de seus
superiores, outros militantes contra o regime, como: Ronaldo Mouth Queiroz
(estudante universitário e membro da Aliança Libertadora Nacional – ALN);
Emanuel Bezerra Santos, Manoel Lisboa de Moura e Manoel Aleixo da Silva (os
três, do Partido Comunista Revolucionário – PCR).
Queima de arquivo
Queima de arquivo
“O delegado Fleury tinha de morrer. Foi uma decisão unânime de nossa
comunidade, em São Paulo, numa votação feita em local público, o restaurante Baby
Beef”, afirma Cláudio Guerra.
Além dele, segundo conta, estavam sentados à mesa e participaram da votação:
Além dele, segundo conta, estavam sentados à mesa e participaram da votação:
O coronel do
Exército Ênio Pimentel da Silveira (conhecido como “Doutor Ney”); o
coronel-aviador Juarez de Deus Gomes da Silva (Divisão de Segurança e
Informações do Ministério da Justiça); o delegado da Polícia Civil de São Paulo
Aparecido Laertes Calandra; o coronel de Exército Freddie Perdigão (Serviço
Nacional de Informações); o comandante Antônio Vieira (Cenimar); e o coronel
Carlos Alberto Brilhante Ustra (comandante do Departamento de Operações de
Informações do 2º Exército – DOI-Codi), que abriu a reunião.
“Fleury tinha se
tornado um homem rico desviando dinheiro dos empresários que pagavam para
sustentar as ações clandestinas do regime militar. Não obedecia mais a ninguém,
agindo por conta própria. E exorbitava. (...) Nessa época, o hábito de cheirar
cocaína também já fazia parte de sua vida. Cansei de ver.”
Guerra conta que
chegou a fazer campana para a execução, mas o colega andava sempre cercado de
muita gente. “Dias depois os planos mudaram, porque Fleury comprou uma lancha.
Informaram-me que a minha ideia do acidente seria mantida, mas agora envolvendo
essa sua nova aquisição – um ‘acidente’ com o barco facilitaria muito o
planejamento.”
A história oficial é, de fato, que o
delegado paulista morreu acidentalmente em Ilhabela, ao tombar da lancha. Mas
Guerra afirma que Fleury na verdade foi dopado e levou uma pedrada na cabeça
antes de cair no mar.
Cláudio Guerra: um matador que se diz em busca da
paz
Ex-delegado do DOPS
afirma que resolveu confessar seus crimes na ditadura depois de se converter à
igreja evangélica
Delega admite crimes da durante a Ditadura em pregação na igreja
Parte superior do
formulário
Parte inferior do
formulário
O ex-delegado do
DOPS (Departamento de Ordem Político Social) do Espírito, Santo Cláudio Antônio
Guerra, afirma que resolveu confessar seu envolvimento em crimes durante a
ditadura militar devido a um conflito de consciência.
Após passar sete
anos na cadeia sob acusação de ter matado um bicheiro, Cláudio Guerra
converteu-se ao cristianismo e, hoje, aos 71 anos, é um preletor da Igreja
Assembleia de Deus que costuma citar em suas pregações o seus “pecados do
passado”.
Os jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto contam, no livro
“Memórias de uma guerra suja”, que Cláudio Guerra tornou-se famoso no início
dos anos 70 no Espírito Santo como um ardiloso e implacável combatente da
bandidagem às custas de mais de 35 execuções de acusados de crimes comuns.
Ele próprio confessa outras 40 mortes anteriores “de pistoleiros e lideranças camponesas”, no início da carreira policial em Minas Gerais.
Ele próprio confessa outras 40 mortes anteriores “de pistoleiros e lideranças camponesas”, no início da carreira policial em Minas Gerais.
“Se lá (em Minas) servi às elites rurais, (aqui) no Espírito Santo
prestei serviço às suas elites políticas”.
Os jornalistas afirmam que era comum Guerra ser homenageado e cortejado pelo mundo político e empresarial. Seu gabinete no DOPS era frequentado por dois governadores do período da ditadura militar: Élcio Álvares e Eurico Rezende.
Os jornalistas afirmam que era comum Guerra ser homenageado e cortejado pelo mundo político e empresarial. Seu gabinete no DOPS era frequentado por dois governadores do período da ditadura militar: Élcio Álvares e Eurico Rezende.
Mas as suspeitas de
que teria matado uma colunistas social dos jornais locais acabaram atraindo a
mídia nacional para o Estado. E a imagem do delegado se deteriorou. O próprio
Rogério Medeiros foi autor de uma reportagem demolidora contra o delegado no
“Jornal do Brasil”.
Guerra terminou
preso pelo assassinato do bicheiro Jonathas Borlamarques de Souza – que ele diz
ter sido morto por outro policial a mando de dois coronéis que comandavam a
Secretaria de Segurança e o Departamento de Polícia.Obteve ainda uma condenação
a 18 anos – que está suspensa judicialmente – pelas mortes de sua primeira
esposa e da cunhada.
Mas ele também
afirma não ter participado desses dois assassinatos.Ao longo do livro, no
entanto, o velho delegado admite muitos outros assassinatos.“Fui condenado por
um crime que não cometi. Mas mereci a condenação pelos meus outros crimes”,
costuma dizer em suas preleções evangélicas.
“Na cadeia eu passei a conhecer
Jesus. Ao me aprofundar no conhecimento da palavra do Senhor, vi a necessidade
de caminhar para além do perdão. E assim resolvi vir a público revelar todos os
meus atos quando trabalhei em favor do regime militar. Aquilo que para mim era
matar um inimigo ficou claro, com Jesus, não passar de crime hediondo.”
terça-feira, maio 01, 2012
Para lembrar e cobrar, as "Bombas do Rio Centro", em 1981!!!
Num
show de Primeiro de Maio de 1981, o quem seria uma festa em comemoração ao “Dia
do Trabalho”, se transformou num pesadelo histórico, até hoje encoberto. “Terroristas”
da banda podre do Exército e dos ainda ativos “serviços de Inteligencia” da
Ditadura que estava no seus estertores, colocaram três bombas no Rio Centro,
onde vários artistas, entre eles Gonzaguinha, Chico Buarque, Alceu Valença,
Beth Carvalho e outros faziam um show e na plateia, mais de 20 mil pessoas.
No
documentário abaixo, uma das poucas coisas decentes produzidas pela Globo, a
história das “Bombas do Rio Centro”. Um sargento do Exército morreu e um
capitão ficou gravemente ferido na explosão de um carro “Puma”. Vejam aqui o
documentario e vamos continuar cobrando explicações do que ocorreu naquela
noite de Primeiro de Maio de 1981.
Augusto
Buonicore coletou e nós reproduzimos. Vejam o link...
Num Primeiro de Maio durante a ditadura militar... A farsa do inquérito
Riocentro.
segunda-feira, abril 30, 2012
As voltas e as Revoltas que o Mundo dá!! Será que os motins anti-capitalistas do ano passado continuam este ano????
Novo livro sobre revoltas de 2011
sugere: sistema continua à deriva; sua crise gerará pesadelos; projetos
alternativos precisam amadurecer rápido
por Antonio Martins publigado originalmente no Outras Palavras
por Antonio Martins publigado originalmente no Outras Palavras
Sobre o tema:
Leia entrevista com Paul Mason, autor de Por que tudo está começando, aqui
Inúmeras manifestações, sintonizadas com os movimentos de 2011, estão sendo organizadas no mundo todo, para 12 de Maio.
Leia entrevista com Paul Mason, autor de Por que tudo está começando, aqui
Inúmeras manifestações, sintonizadas com os movimentos de 2011, estão sendo organizadas no mundo todo, para 12 de Maio.
Para uma pesquisa internacional (via
Google), clique aqui. Para visitar uma
das páginas brasileiras, aqui
Saiu há semanas, na Inglaterra, um
livro especialmente provocador, sobre os movimentos rebeldes de 2011. Seu
título, em português, poderia ser Por que tudo está começando1. Seu autor, o
jornalista britânico Paul Mason, cobriu quase todas as revoltas sociais que
marcaram o ano passado: Cairo, Madri-Barcelona, Atenas, Londres, Madison, Nova
York. Mas a obra vai muito além do relato factual. Mason é um estudioso incomum
da história das revoluções e do movimento operário; das mutações do
capitalismo; das teorias sobre redes, políticas horizontais e internet. Ao
articular vivência real nas ruas rebeladas com ferramentas teóricas capazes
potentes, ele pôde chegar a três grandes hipóteses – tão esperançosas quanto
perturbadoras. Elas aparecem em duas entrevistas recentes: uma, ao site
norte-americano Alternet; outra, à revista londrina Red Pepper, traduzida e
reproduzida alguns parágrafos adiante.
A primeira hipótese de Mason está diretamente relacionada ao título do livro. Ele ressalta que, apesar de terem surgido em cenários políticos, sociais e culturais muito distintos – de um Egito empobrecido e governado com mão-de-ferro à opulenta e liberal Wall Street –, há uma identidade crucial entre as rebeliões de 2011. Todas elas foram deflagradas pelo “colapso” (aqui, não há meias palavras) do padrão de acumulação capitalista inaugurado no início dos anos 1980.
Mason julga que a crise devastou a capacidade do neoliberalismo para produzir algo sem o quê nenhum sistema se sustenta: esperanças e consensos. Até 2008, elas se mantinham, graças aos diversos aspectos que a financeirização das economias assumiu. O crédito fácil e barato mascarava a redução dos salários e o aumento das desigualdades. A perda de empregos industriais era amenizada por um setor de serviços vasto e, em alguns de seus segmentos, sofisticado e florescente. Os antigos vínculos com a empresa (“sou empregado da GM”), família e nação eram substituídos pela ideia de que, ao consumir produtos de uma determinada marca, garantia-se acesso a um mundo particular (“uso um Iphone”).
No momento em que estas ilusões caem por terra, ressurge (em Tunis, Telavive ou Santiago) um sujeito revolucionário particular. Mason identifica-o como “o jovem bem-formado e sem futuro”. Não é um personagem novo. Tipos assim, frisa o autor, foram centrais para que eclodisse a Revolução Francesa. O que os domesticou por séculos, mais tarde, foi a perspectiva de um trabalho decente e uma vida confortável. Ora, provoca Mason, “o que o neoliberalismo fez, nos últimos trinta anos, foi exatamente destruir estas barreiras”…
A segunda hipótese é terrível. Ao menos no momento, o capital não tem alternativas ao declínio de sua fase pós-industrial. No vácuo, pode emergir uma tragédia. Aqui, Mason parece um ultra-pessimista com alguma razão. Ele lembra, sempre com vasto conhecimento histórico: certas circunstâncias, que os movimentos muito jovens não preveem, acabam levando-os a impasses em que ambas as saídas são trágicas. Herdeira do marxismo, a social-democracia alemã dos anos 1890 esperava chegar ao poder, sem sobressaltos, num processo que se estenderia por trinta anos. A I Guerra Mundial despedaçou seus planos. De um dia para outro, foi preciso escolher entre “tornar-se um recrutador de soldados, para esmagar outros povos, ou cair na clandestinidade”. Pode ser ainda pior. Mason lembra que bastaram cinco anos, na década de 1930, para que Berlim regredisse “de capital liberal da Europa e paraíso dos clubes gays para o inferno fascista da queima de livros em praça pública”. Ele adverte: “não pense que os laços culturais podem evitar esta desgraça. A economia prevalece”.
A terceira hipótese é a mais polêmica e desafiante: ela refere-se à própria natureza dos novos movimentos – suas vantagens e os limites a superar. Para Mason, a horizontalidade que os marca foi até agora, uma enorme vantagem. Ela assegura “ruptura com as hierarquias que poderiam conter o movimento”. Ao mesmo tempo, facilita sua difusão, sua “replicabilidade por gente que não sabe nada sobre teoria”. É algo muito diferente do “conhecimento estruturado e difícil de adquirir dos anos 1970 e 80” – que, além disso, tinha como características “verticalismo, eliminação da dissidência, tentativa de apropriação partidária das lutas coletivas a burocratização”.
Também houve uma clara mudanças de projetos. O livro vê, nas rebeliões contemporâneas, uma postura centrada em valores, não no poder. Procura-se criar “áreas de civilização” – regidas por lógicas, relações e práticas não-capitalistas – em meio à selvageria oferecida pelo sistema. Já deu certo, no passado. Mason refere-se, por exemplo, ao Renascimento, que surgiu, desenvolveu-se e se impôs em meio à velha ordem feudal e eclesiástica. Mas há um problema, ele ressalta: até quando o capitalismo estará aberto a esta convivência?
Neste ponto, embora não abertamente, o livro está em confronto com ideias como as expressas, por exemplo, por Slavoj Zizek. Num dos artigos em que escreveu à época do auge do movimento Occupy, o filósofo esloveno sugeriu que a nova rebeldia não precisava apressar-se, para expressar o que queria; ela deveria dar a si mesmo o tempo de amadurecer seus projetos.
O que Mason parece contra-argumentar é que a História não espera. Nas entrevistas, ele relata que diversos movimentos, ligados à nova cultura política, acabaram perdendo força por não responderem, a tempo, a desafios que surgiram à sua frente. É o caso do Camp for Climate, uma sequência de acampamentos por novas relações sociais com o ambiente. Espalhou-se por vários países, no Norte do planeta, mas acabou se desfazendo. Ou, num exemplo ainda mais expressivo, do UK Uncut, a grande rede britânica de ação contra os cortes de serviços públicos decretados pelo governo David Cameron. Articulou mobilizações maciças e muito bem-humoradas, principalmente nas universidades, em 2010. Mas perdeu boa parte de sua força, quando não conseguiu assumir uma posição clara, diante dos atos de violência praticados por setores do movimento que diziam falar em nome da rede.
O novo cenário internacional que está se abrindo, sugere Mason, vai colocar em tensão o conjunto movimentos rebeldes. Diante da crise do neoliberalismo, as forças políticas e setores sociais retrógrados já têm uma resposta concreta. Na Europa, crescem as organizações de extrema-direita – apoiadas na tentativa de estigmatizar o outro (sejam imigrantes, homossexuais, dissidentes…) e responsabilizá-lo pela crise. Nos Estados Unidos, há o risco de o Partido Republicano conquistar a Casa Branca com um discurso que aponta para “um retorno ao capitaslimo do século 19”: crescimento e crise, laissez-faire, desigualdade, pobreza”.
Aqui, Mason lança sua pergunta crucial: “qual o equivalente a isso”, na esquerda ou nos novos movimentos? Que projeto de novo futuro está sendo apresentado a sociedades que precisam ouvir novos discursos – mas estão amedrontadas e, portanto, suscetíveis até aos apelos mais reacionários? Nas entrevistas, ou autor não sugere nenhum retorno ao verticalismo. Aponta dois, entre muitos caminhos possíveis e não contraditórios entre si. O primeiro, atuar fortemente no plano das soluções parciais e locais, pois “do contrario, a parte mais conservadora da sociedade vai impor suas ideias, apoiada em ligações seculares com a estrutura e a hierarquia do poder”. Outro é tirar proveito das brechas oferecidas pela institucionalidade e construir alternativas que a desafiam – como o Partido Política Pode Ser Diferente, na Hungria. Ou (num exemplo mais recente e ainda mais expressivo) o Partido Pirata alemão, que, após um crescimento meteórico, acaba de se converter no terceiro mais popular no país.
Em quatro semanas, os Indignados espanhóis celebram um ano da ocupação da Puerta del Sol, em Madri. Estão sendo preparados (para 12 de Maio, um sábado) protestos em todo o mundo, inclusive no Brasil. Os movimentos que se propõem a mudar o mundo (“nem políticos, nem banqueiros”, dizia-se em toda a Espanha) precisam refletir intensamente sobre si mesmos. O livro de Mason é uma excelente provocação para tanto. A entrevista do autor a Red Pepper vem a seguir.
A primeira hipótese de Mason está diretamente relacionada ao título do livro. Ele ressalta que, apesar de terem surgido em cenários políticos, sociais e culturais muito distintos – de um Egito empobrecido e governado com mão-de-ferro à opulenta e liberal Wall Street –, há uma identidade crucial entre as rebeliões de 2011. Todas elas foram deflagradas pelo “colapso” (aqui, não há meias palavras) do padrão de acumulação capitalista inaugurado no início dos anos 1980.
Mason julga que a crise devastou a capacidade do neoliberalismo para produzir algo sem o quê nenhum sistema se sustenta: esperanças e consensos. Até 2008, elas se mantinham, graças aos diversos aspectos que a financeirização das economias assumiu. O crédito fácil e barato mascarava a redução dos salários e o aumento das desigualdades. A perda de empregos industriais era amenizada por um setor de serviços vasto e, em alguns de seus segmentos, sofisticado e florescente. Os antigos vínculos com a empresa (“sou empregado da GM”), família e nação eram substituídos pela ideia de que, ao consumir produtos de uma determinada marca, garantia-se acesso a um mundo particular (“uso um Iphone”).
No momento em que estas ilusões caem por terra, ressurge (em Tunis, Telavive ou Santiago) um sujeito revolucionário particular. Mason identifica-o como “o jovem bem-formado e sem futuro”. Não é um personagem novo. Tipos assim, frisa o autor, foram centrais para que eclodisse a Revolução Francesa. O que os domesticou por séculos, mais tarde, foi a perspectiva de um trabalho decente e uma vida confortável. Ora, provoca Mason, “o que o neoliberalismo fez, nos últimos trinta anos, foi exatamente destruir estas barreiras”…
A segunda hipótese é terrível. Ao menos no momento, o capital não tem alternativas ao declínio de sua fase pós-industrial. No vácuo, pode emergir uma tragédia. Aqui, Mason parece um ultra-pessimista com alguma razão. Ele lembra, sempre com vasto conhecimento histórico: certas circunstâncias, que os movimentos muito jovens não preveem, acabam levando-os a impasses em que ambas as saídas são trágicas. Herdeira do marxismo, a social-democracia alemã dos anos 1890 esperava chegar ao poder, sem sobressaltos, num processo que se estenderia por trinta anos. A I Guerra Mundial despedaçou seus planos. De um dia para outro, foi preciso escolher entre “tornar-se um recrutador de soldados, para esmagar outros povos, ou cair na clandestinidade”. Pode ser ainda pior. Mason lembra que bastaram cinco anos, na década de 1930, para que Berlim regredisse “de capital liberal da Europa e paraíso dos clubes gays para o inferno fascista da queima de livros em praça pública”. Ele adverte: “não pense que os laços culturais podem evitar esta desgraça. A economia prevalece”.
A terceira hipótese é a mais polêmica e desafiante: ela refere-se à própria natureza dos novos movimentos – suas vantagens e os limites a superar. Para Mason, a horizontalidade que os marca foi até agora, uma enorme vantagem. Ela assegura “ruptura com as hierarquias que poderiam conter o movimento”. Ao mesmo tempo, facilita sua difusão, sua “replicabilidade por gente que não sabe nada sobre teoria”. É algo muito diferente do “conhecimento estruturado e difícil de adquirir dos anos 1970 e 80” – que, além disso, tinha como características “verticalismo, eliminação da dissidência, tentativa de apropriação partidária das lutas coletivas a burocratização”.
Também houve uma clara mudanças de projetos. O livro vê, nas rebeliões contemporâneas, uma postura centrada em valores, não no poder. Procura-se criar “áreas de civilização” – regidas por lógicas, relações e práticas não-capitalistas – em meio à selvageria oferecida pelo sistema. Já deu certo, no passado. Mason refere-se, por exemplo, ao Renascimento, que surgiu, desenvolveu-se e se impôs em meio à velha ordem feudal e eclesiástica. Mas há um problema, ele ressalta: até quando o capitalismo estará aberto a esta convivência?
Neste ponto, embora não abertamente, o livro está em confronto com ideias como as expressas, por exemplo, por Slavoj Zizek. Num dos artigos em que escreveu à época do auge do movimento Occupy, o filósofo esloveno sugeriu que a nova rebeldia não precisava apressar-se, para expressar o que queria; ela deveria dar a si mesmo o tempo de amadurecer seus projetos.
O que Mason parece contra-argumentar é que a História não espera. Nas entrevistas, ele relata que diversos movimentos, ligados à nova cultura política, acabaram perdendo força por não responderem, a tempo, a desafios que surgiram à sua frente. É o caso do Camp for Climate, uma sequência de acampamentos por novas relações sociais com o ambiente. Espalhou-se por vários países, no Norte do planeta, mas acabou se desfazendo. Ou, num exemplo ainda mais expressivo, do UK Uncut, a grande rede britânica de ação contra os cortes de serviços públicos decretados pelo governo David Cameron. Articulou mobilizações maciças e muito bem-humoradas, principalmente nas universidades, em 2010. Mas perdeu boa parte de sua força, quando não conseguiu assumir uma posição clara, diante dos atos de violência praticados por setores do movimento que diziam falar em nome da rede.
O novo cenário internacional que está se abrindo, sugere Mason, vai colocar em tensão o conjunto movimentos rebeldes. Diante da crise do neoliberalismo, as forças políticas e setores sociais retrógrados já têm uma resposta concreta. Na Europa, crescem as organizações de extrema-direita – apoiadas na tentativa de estigmatizar o outro (sejam imigrantes, homossexuais, dissidentes…) e responsabilizá-lo pela crise. Nos Estados Unidos, há o risco de o Partido Republicano conquistar a Casa Branca com um discurso que aponta para “um retorno ao capitaslimo do século 19”: crescimento e crise, laissez-faire, desigualdade, pobreza”.
Aqui, Mason lança sua pergunta crucial: “qual o equivalente a isso”, na esquerda ou nos novos movimentos? Que projeto de novo futuro está sendo apresentado a sociedades que precisam ouvir novos discursos – mas estão amedrontadas e, portanto, suscetíveis até aos apelos mais reacionários? Nas entrevistas, ou autor não sugere nenhum retorno ao verticalismo. Aponta dois, entre muitos caminhos possíveis e não contraditórios entre si. O primeiro, atuar fortemente no plano das soluções parciais e locais, pois “do contrario, a parte mais conservadora da sociedade vai impor suas ideias, apoiada em ligações seculares com a estrutura e a hierarquia do poder”. Outro é tirar proveito das brechas oferecidas pela institucionalidade e construir alternativas que a desafiam – como o Partido Política Pode Ser Diferente, na Hungria. Ou (num exemplo mais recente e ainda mais expressivo) o Partido Pirata alemão, que, após um crescimento meteórico, acaba de se converter no terceiro mais popular no país.
Em quatro semanas, os Indignados espanhóis celebram um ano da ocupação da Puerta del Sol, em Madri. Estão sendo preparados (para 12 de Maio, um sábado) protestos em todo o mundo, inclusive no Brasil. Os movimentos que se propõem a mudar o mundo (“nem políticos, nem banqueiros”, dizia-se em toda a Espanha) precisam refletir intensamente sobre si mesmos. O livro de Mason é uma excelente provocação para tanto. A entrevista do autor a Red Pepper vem a seguir.
1Why It’s
Kicking Off Everywhere, Verso, Londres, 2012. 244
páginas, 19,95 dólares, à venda via internet.
domingo, abril 29, 2012
Penapolis conquista o Mundo com Sabrina Sato e agora o CAP!!!
Com direito a comemoração da humorista Sabrina Sato no Twitter, o Penapolense empatou em 1 a 1 com o Red Bull Brasil, neste sábado, no estádio Moisés Lucarelli e garantiu seu acesso para a primeira divisão do Campeonato Paulista.
Parabens Cap!!!! Clube Atletico Penapolense esta na primeira divisao!!!!!!! Muito orgulho do time de Penapolis!!!!!!!!
Natural de Penápolis e torcedora declarada do CAP (como o time é chamado entre seus torcedores), a integrante do Pânico na Band não perdeu tempo e comemorou a presença do time de sua cidade na primeira divisão de São Paulo.
SABRINA FALA DA PAIXÃO PELO CAP
![]() | "Torço pelo CAP como torço pelo Corinthians, são times do meu coração. Acompanho pelo meu pai e tios, que são torcedores" |
O Penapolense abriu o placar aos 30 minutos de jogo, com o atacante Luciano Gigante. Quarto minutos depois, entretanto, os donos da casa empataram a partida com Henan. Neste ponto, Sabrina Sato já havia deixado as primeiras palavras de incentivo ao time que já foi presidido pelo seu avô.
Precisando de uma goleada para subir à elite, o Red Bull Brasil criou diversas oportunidades ao longo do jogo, mas parou na boa atuação do goleiro Ricardo.
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