terça-feira, maio 08, 2012

Partidos de esquerda vivem um dilema que precisa ser resolvido logo! REFORMA OU REVOLUÇÃO?



Neste artigo, Celso Lungaretti coloca o dedo na ferida que sangra na esquerda brasileira! Partidos e organizações de esquerda se acomodam no legalismo proporcionado por uma Democracia relativa, porém ampla e se tornam reformistas, deixando o processo necessario da Revolução em segundo plano. Tarefa hoje dos comunistas e revolucionarios, é lutar interna e externamente para que nossa esperança no processo revolucionario, socialista não se perca na poeira da ilusão reformista. Por isto seu artigo esta neste Blog!(Luiz Aparecido)


A FALSA CONSCIÊNCIA E A ESQUERDA
QUE COM ELA COMPACTUA

Celso Lungaretti (*)


Como faz falta uma esquerda à moda antiga, que não tenha medo medo de dizer em alto e bom som que o  problema fundamental nas nações capitalistas é exatamente o fato de serem capitalistas!
No Brasil, a esquerda que perdeu a vontade de fazer a revolução, preferindo disputar nacos de poder sob o capitalismo, embarca grotescamente no denuncismo contra a corrupção, pautado pelo inimigo e insuflado  ad nauseam  pela indústria cultural do inimigo.
Com isto, o debate político permanece há anos estagnado e não se oferece aos trabalhadores uma PERSPECTIVA REVOLUCIONÁRIA.
Bem dizia o Paulo Francis, nos seus melhores dias: o combate à corrupção é bandeira da direita.
A corrupção é inerente ao sistema que coloca a ganância e a busca da diferenciação acima de todos os outros valores, inclusive a família e a vida; haverá sempre algum político querendo levar vantagem por meios escusos e sua momentânea colocação na berlinda será sempre conveniente para quem está empenhado em evitar que os explorados reflitam sobre os caminhos concretos para darem um fim à exploração.
Entra CPI, sai CPI e nada verdadeiramente muda, ninguém é verdadeiramente punido, só cumpre um período de ostracismo e depois volta à tona, belo e lampeiro. Os acusados de uma podem até se tornar os juízes de outra, como Fernando Collor.

Caberia à esquerda brasileira dizer aos explorados: "Isto é só poeira colorida que o sistema joga nos seus olhos, para que sintam-se vingados vendo um poderoso cair no opróbrio! Vocês precisam é de que os frutos do seu trabalho não lhes sejam usurpados, não de catarse barata!".

Assim como caberia à esquerda  européia (começando pela da França, onde a xenofobia virou grande tema eleitoral...) dizer aos explorados de lá: "Não são os imigrantes que desgraçam sua vida ao disputarem postos de trabalho consigo, mas sim o capitalismo, ao forçar o trabalhadores a uma competição zoologica por bens que poderiam sobrar para todos, se a produção fosse voltada para o atendimento das necessidades humanas e o que se produz fosse distribuído equitativamente entre todos os seres humanos".

Mas, não o fazem. Então, entregues à FALSA CONSCIÊNCIA que o sistema tudo faz para neles incutir, os explorados daqui esbravejam contra todos os políticos e descreem na atividade política como caminho para forjarem uma sociedade mais justa, enquanto os explorados de lá hostilizam irmãos ao invés de buscarem seu apoio na luta contra o verdadeiro vilão, o capitalismo.

Até que a esquerda volte a ser revolucionária, continuaremos patinando sem sair do lugar.
* jornalista e escritor. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com


CELSO LUNGARETTI

DERROTA DA DIREITA FRANCESA AGUÇA
A CRISE GLOBAL DO CAPITALISMO


Uma ótima análise da vitória eleitoral de François Hollande está em artigo que a Folha de S. Paulo publica do seu antigo correspondente na França, João Batista Natali:
"François Hollande derrotou Nicolas Sarkozy e é o novo presidente da França. Tudo bem. Mas a esquerda que ele hoje representa tem muito pouco a ver com a de François Mitterrand, este sim um socialista de radicalismo histórico, que, em 1981, chegou ao Palácio do Eliseu ao imobilizar a direita do então presidente Giscard d'Estaing.

O socialismo de Hollande está hoje 'aguado'. Foi passivo ou conivente na dinâmica em que a integração da sociedade francesa à União Europeia tirou do Estado a capacidade de gerar fórmulas originais ou de de impor reviravoltas sociais e econômicas.

Some-se a isso o fato de o modelo da globalização dos mercados impor aos governos europeus margens estreitas de manobra. Eles podem apenas operar inflexões dentro de um receituário ortodoxo -cortar despesas para rolar os títulos da dívida, por exemplo.

Hollande insistiu que a austeridade fiscal não é a forma adequada para enfrentar a crise eclodida em 2008. Ela traz estagnação, bloqueia o crescimento.

A chanceler Angela Merkel sinalizou na semana passada que poderá caminhar um pouco nesse sentido, por meio de uma receita um um tantinho diferente da que a Alemanha adotou e que vinha financiando no bloco europeu.
Merkel, com isso, atapetou o corredor em que recepcionará Hollande. Ela sabe que entre Paris e Berlim existe um eixo sólido e informal sobre o qual se assenta uma longa agenda que vai da paz na região à preservação das instituições europeias.

O problema para Hollande, no entanto, está numa espécie de círculo vicioso que herdou. Só poderá aumentar os gastos do Estado -para manter o melhor sistema público de saúde do planeta, excelente sistema educacional e serviços de invejável qualidade- se a economia voltar a crescer.

Mas um hipotético retorno ao crescimento levará às demandas sociais represadas, que tornariam o Estado um pouco mais caro e pesado.

E ainda: sem política cambial, já que o franco deu lugar ao euro administrado em Frankfurt, a competitividade externa se dá por meio de fatores como o custo da mão de obra para as empresas (encargos sociais).

É impensável que um presidente socialista trombe com os sindicatos. Nem Sarkozy foi capaz de tamanha loucura".

Natali está certo ao enfatizar que o novo François socialista é versão desbotada do antigo, Mitterrand. 

Mas, vale a pena refletirmos sobre as contradições do capitalismo europeu, neste momento de guinada histórica: os políticos comprometidos com políticas recessivas tendem a ser cada vez mais escorraçados pelo eleitorado e quem os substituir, mesmo que aguado, terá de buscar alternativa à ortodoxia econômica neoliberal. Na marra, sob vara dos cidadãos.

Natali mostra a dificuldade da empreitada; o cobertor é curto demais, deixando de fora os ombros ou os pés. Então, é de supor-se que haverá ziguezagues, com novas tentativas de impor o receituário ortodoxo, seguidas de novos recuos impostos pelos que não participaram do banquete e agora se recusam a pagar a conta da esbórnia do grande capital.

A crise capitalista global tende a agravar-se, abrindo uma janela de oportunidades revolucionárias. É isto que nos diz respeito, é isto que realmente importa para nós.

Do blogue Náufrago da Utopia

Um comentário:

João Negrão disse...

Prezado Luiz Aparecido:
Assino embaixo.
Abraços