sexta-feira, setembro 14, 2007

Homem ajudou matar "Che Guevara" ainda tem informações!!!!!!

O cubano Gustavo Villoldo decidiu que já era hora de desfazer-se da mecha de cabelo de Ernesto "Che" Guevara e de outros objetos que ele guardou como relíquias desde a captura e a sepultura do guerrilheiro, da qual participou há quarenta anos.

Relíquias como a mecha de cabelo, fotografias e mapas da missão de busca e captura de Che na Bolívia em 1967 vão a leilão nos dias 25 e 26 de outubro pela empresa Heritage Auctions (www.ha.com).

"Com este leilão, quero fechar uma etapa da minha vida de quase cinqüenta anos, que comecei a viver com o suicídio do meu pai em 1959 por culpa de Fidel Castro e de Che Guevara e com todo este processo de destruição do meu país", explicou Villoldo, de 71 anos, em entrevista à Efe.

"É uma maneira de pôr um ponto final. Para meus filhos, isso tudo não tem o valor histórico que eu dou", acrescentou.

Perguntado sobre qual objeto é o mais valioso do leilão, Villoldo garante que todos são documentos e objetos que fazem parte da história.

"São, por exemplo, os documentos com os poderes que recebi do presidente boliviano René Barrientos e como foi feito o processo de localização e captura de Che na Bolívia", indicou.

Mas talvez o que mais atraia os colecionadores, segundo Villoldo, é a mecha de cabelo de Che. "Cortei a mecha porque representava um símbolo da revolução dos barbudos. Foi um gesto para satisfazer meu ego e que representava o sucesso da operação que acabou com o germe da revolução castrista na Bolívia", acrescentou.

Até aquele fatídico 9 de outubro de 1967, Villoldo sofreu múltiplos revezes desde que saiu de Cuba em 1959. Pouco depois disso, ele começou a participar das missões anticastristas que culminaram em 1961 com o fracasso da Baía dos Porcos.

A decepção da invasão fez Villoldo continuar ligado ao Exército dos Estados Unidos e mais tarde a fazer parte da Agência Central de Inteligência (CIA), que lhe instruiu em missões clandestinas para acabar com a tentativa de Che de estender a revolução comunista a países africanos e latino-americanos.

Com esse objetivo, Villoldo começou as missões de busca e captura de Che em 1965 perto de Leopoldville, no Zaire, a atual Kinshasa, na República Democrática do Congo (RDC).

"Ele escapou por muito pouco com um grupo de guerrilheiros pelas águas do lago Tanganica. Dois anos depois, na serra boliviana, os erros táticos e de segurança de Guevara facilitaram sua captura", lembra Villoldo.

Em 9 de outubro se completam exatamente quarenta anos da morte do "Che" no povoado de Vallegrande, na serra da Bolívia.

"Não me matem, sou o 'Che' e tenho mais valor vivo do que morto"; estas foram as primeiras palavras de Guevara quando se entregou aos soldados do Exército boliviano em 8 de outubro de 1967.

Após sua prisão, Guevara e dois dos guerrilheiros que o acompanhavam - o peruano Juan Pablo Chang e o boliviano Willy Cuba - foram transferidos à escola da cidade de La Higuera.

Após consultar o general Alfredo Ovando Candía, o presidente Barrientos ordenou que matassem Guevara e os outros dois guerrilheiros.

Oficiais bolivianos executaram a ordem. Primeiro morreram Chang e Cuba, e minutos depois Che.

"Discutimos então o que fazer com os cadáveres. A idéia de cremação foi descartada e o general Ovando me deu a ordem de realizar um enterro num lugar secreto", lembra Villoldo.

"Em uma noite escura, chuvosa e fria, enterrei o corpo de Guevara e dos outros dois guerrilheiros com a ajuda de três soldados bolivianos", acrescentou.

Em 1995, o Governo cubano começou uma ampla operação para localizar os restos de Che Guevara. Dois anos depois, foi anunciado que tinham sido encontrados junto com outros seis cadáveres.

"Os mortos não se multiplicam nem caminham", afirma Villoldo, convencido que Guevara continua enterrado na fossa onde ele mesmo o sepultou.

Por isso, oferece à filha mais velha de Che, Aleida Guevara March, sua ajuda para localizar os restos de seu pai, porque se trata "de um assunto puramente humano e familiar".

"Escrevi (em 1997) uma carta para ela, que chegou por meios clandestinos, para viajarmos juntos a Vallegrande, mas não recebi resposta", diz Villoldo.

A oferta continua de pé.

"É certo que ela (Aleida) e a família Guevara tenham dúvida de que os restos do 'Che' estejam no mausoléu que Fidel construiu em Havana. Se o Governo da Bolívia autorizar, estou disposto a ir com ela ao lugar onde está enterrado. Tenho as coordenadas e, embora 30 anos tenham se passado, será fácil lidar com o lugar".

Essas coordenadas do lugar exato onde Che está enterrado é a única coisa que Gustavo Villoldo continuará guardando.

E continuarão em seu poder até que Aleida ou a família Guevara queiram recuperar os restos de Che para pôr definitivamente um ponto final a este capítulo da história.

quinta-feira, setembro 13, 2007

Esta é a pura verdade!!!

A IMPRENSA NO BRASIL VIROU PARTIDO POLÍTICO


Paulo Henrique Amorim

Máximas e Mínimas 629



Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil.






. A imprensa no Brasil é um partido político. É o que diz o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos (*).



. A imprensa no Brasil se considera indestrutível porque ela resiste à democratização, à republicanização do Brasil.



. Os militares brasileiros hoje se submetem mais à lei do que a imprensa.



. Para Wanderley Guilherme dos Santos, restou à imprensa brasileira ter a capacidade de gerar crises, instabilidade política.



. No Governo Lula, a imprensa pratica o “quanto pior melhor”, que, antes, atribuía à esquerda: ela combate políticas que, sabe, são benéficas ao país, mas não tolera que sejam praticadas por um líder comprometido com as classes populares.



. “Isso (o compromisso com as classes populares) é algo que irrita e, conseqüentemente, faz com que aumente a disposição da imprensa para acentuar tudo aquilo que venha a dificultar e comprometer o desempenho do governo”, continuou o professor.



. Essa entrevista faz parte de um projeto sobre a mídia conservadora (e golpista!), que chegará ao seu final em 2008.









Leia a íntegra da entrevista com o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos:



Quando se fala em mídia como o “Quarto Poder”, qual é a primeira coisa que lhe vem à cabeça?



A primeira coisa que me vem à cabeça: não é uma particularidade nacional. Porque, na verdade, na teoria democrática clássica, não havia previsão para o aparecimento de um lugar institucional com poder político relevante. Então, você tinha o Parlamento e você tinha o Executivo. O Parlamento podia ser dividido em duas Casas, como quando tem Senado e Câmara, ou ser unicameral. O Executivo podia ser ou de gabinete ou uma Presidência da República. Mais o Judiciário, quando árbitro dos conflitos eventualmente surgidos entre as duas estâncias anteriores. Mas não havia, não há previsão em nenhuma teoria, de algo, de uma instituição que veio a ser a imprensa. Como também, aliás, não havia para as Forças Armadas. Não se concebia que as Forças Armadas viessem a ser um ator político relevante.



Mas, sobretudo, a imprensa. Porque, de certo modo, ela encarnaria não um poder, mas a vigilância do poder. Era a garantia do direito de opinião, a garantia do direito de expressão de idéias e a garantia de vigilância dos poderes constituídos. Então, era muito mais um órgão defensivo e reflexivo do que interferente. A partir do momento em que você tem uma sociedade de massa, ou seja, o tamanho do eleitorado traz novidades para o funcionamento da democracia – ninguém jamais imaginou eleitorado de mais de dez milhões de pessoas –, isso também trouxe uma modificação do papel das instituições. Em princípio, elas interagem com estas massas que têm peso.



O resultado foi que aquelas instituições que, de certa maneira, condicionam e influenciam a formação de opinião das massas, fazendo com que a disposição delas se altere ou se incline numa direção ou em outra, aquelas instituições passaram a ter um papel de importância.



A imprensa, os órgãos de comunicação e informação, na medida em que condicionavam e orientavam a inclinação desta população, e o peso delas se tornando cada vez maior dentro do funcionamento das democracias, fizeram com que esta instituição, a imprensa, passasse a ter um papel híbrido: de um lado, refletia o real; e de outro, ao mesmo tempo, interferia, interfere e condiciona as alternativas deste real.



É necessário deixar claro que isso não aconteceu por nenhuma conspiração, nenhum plano previamente estipulado. Foi assim, numa democracia de massa, com o problema do populismo, por exemplo. Este novo papel desempenhado pela imprensa, envolvida no seu papel constitucional, teórico, de expressão de opinião, controle e vigilância da ação dos poderes públicos, e, ao mesmo tempo, cobrar responsabilidade desta instituição pública, tem que ter norma a que deva obedecer, tem que ter instâncias de julgamento – com o qualquer agente público. E não se trata de julgamento estritamente policial, trata-se de julgamento político. Não existe consenso sobre como conciliar esta responsabilidade, que deve ser cobrada neste ato público, com o que é fundamental também numa democracia - que é o respeito à liberdade de imprensa, à liberdade de opinião.



Quer dizer, a liberdade de expressão de opinião é crucial e essencial na definição do que é democracia. Quando esta expressão de opinião pode de alguma maneira trabalhar contra a democracia, cria um problema. É o mesmo problema que se coloca em relação a partidos revolucionários. Democraticamente, é necessário que se permita a organização em partidos as diversas opiniões, correntes. Agora, em que medida este direito deve ser ou pode ser assegurado a partidos cujo objetivo é fazer com que desapareçam as instituições que permitam que ele exista - isso é uma complicação numa teoria democrática. Então, esse é um problema contemporâneo da imprensa, não é só no Brasil: como conciliar os dois papéis que a imprensa tem. Primeiro, como instituição da sociedade privada de exprimir o que se passa no mundo e a opinião da população. Por outro lado, na medida em que se comporta como ator político, ter instâncias que cobrem responsabilidade política dessa instituição.





Este problema já foi resolvido em algum país ?



Institucionalmente, não. O que você encontra é uma evolução da cultura política e também do poder da sociedade civil, do poder privado. Na verdade, até agora não se criaram instituições consensuais para a solução deste problema. Tem sido resolvido pela idéia gradativa de redução da importância da imprensa, como condicionador das atitudes da população. Isso é o que tem acontecido nas sociedades ricas, porque dependem cada vez menos das políticas de governo. Porque são ricas, porque a sociedade é abundante, então, a opinião que os jornais e as televisões começam a distribuir – dizer que o governo é isso, que o governo é aquilo, isso não tem conseqüência sobre a vida privada dos cidadãos. E por isso mesmo a opinião da imprensa deixa de ser relevante. Então, o que tem acontecido nos países mais estabilizados, não é que se tenham criado instituições de controle ou de chamada à responsabilidade, mas que os jornais e as televisões vêm perdendo importância.





Especificamente no Brasil, como é que esse cenário se desenvolveu? Quem se aproveitou?



Quem se aproveitou eu não sei. No Brasil, você tem uma circunstância peculiar que é o fato de que as empresas jornalísticas têm os interesses empresariais também fora do circuito de informação. Então, isso faz com que as opiniões da imprensa não se apoiem apenas, como se diz, pelos preceitos de seus comentários, mas pelo interesse de matérias econômicas também, que são defendidos sob a desculpa, o contexto de que está sendo defendido o interesse da população. Então, este aspecto é o aspecto que não se encontra muito nos países desenvolvidos: a distância entre empresas, empresas jornalísticas que têm interesses comercias e empresariais, além dos interesses jornalísticos.



E isso cria uma situação muito particular, porque, afinal de contas, os interesses econômicos e empresariais de proprietários de jornais deviam ter suas instâncias de defesa e não utilizar a imprensa para isso. Mas, esta é a peculiaridade do Brasil. E é isso o que se mistura com freqüência no Brasil: as campanhas políticas desenvolvidas pela imprensa, sob o pretexto de que são questões que se quer públicas, mas, na verdade, são interesses privados dos próprios empresários jornalísticos.





Paulo Henrique Amorim costuma dizer que em nenhuma democracia importante do mundo os jornais e uma só emissora de TV têm a importância política que têm no Brasil.



Quer dizer, só em países mais ou menos parecidos com o Brasil. Fora países, digamos, com renda per capita inferior a 30 mil dólares, fora países desta faixa, isso não existe. Ou seja, em todos os países (com renda superior a 30 mil dólares), a imprensa não tem esta capacidade de criar crises políticas, como tem nos países da América Latina.





Aqui no Brasil, com esta importância política que os jornais e a Globo têm, como é que eles exercem este poder?



O modo tradicional de exercer o poder em países como o Brasil, e isso tem acontecido historicamente com freqüência, é a capacidade que a imprensa tem de mexer na estabilidade, ou seja, de criar crises, cuja origem é simplesmente uma mobilização do condicionamento da opinião pública. O que a imprensa nos países da América Latina, e particularmente no Brasil, tem é a capacidade de criar instabilidades. É a capacidade que a imprensa tem de criar movimentação popular, de criar atitudes, opiniões, independentemente do que está acontecendo na realidade. Isso é próprio de países latino-americanos, mas particularmente no Brasil, em que as empresas jornalísticas têm poder econômico e capacidade e disposição para a intervenção política. Então, a arma da imprensa no Brasil, o seu recurso diante dos governos: esta capacidade de criar instabilidade política.





Como é que o senhor vê o papel da mídia no governo Lula ?



Tem dois aspectos. O primeiro aspecto é fato de o governo Lula ser um governo inédito no Brasil. É realmente um governo cuja composição de classe, cuja composição social é diferente de todos os governos até agora. Isso não foi e dificilmente será bem digerido. Agora, em acréscimo a isso é que, ao contrário do que se teria esperado ou gostariam que acontecesse, este é um governo que até agora tem se mantido fiel à sua orientação original, independentemente das discussões internas do grupo do PT. A verdade é que as políticas do governo têm prioridades óbvias, que são as classes subalternas. Isso é algo que irrita e, conseqüentemente, faz com que aumente a disposição da imprensa para acentuar tudo aquilo que venha a dificultar e comprometer o desempenho do governo.





Em que outros episódios da Historia do Brasil a imprensa usou a arma da instabilidade ?



No Brasil, tivemos em 1954, com a crise que resultou no suicídio de Vargas, em que tudo foi utilizado. Documentos falsos que foram apresentados como verdadeiros, testemunhos de estrangeiros que seriam associados a confusões internas...



Houve em 1955, na tentativa de impedir a posse de Juscelino Kubitschek. E em 1961, na crise de Jânio, na sucessão do Jânio. E em 1964.



Depois, durante o tempo do período autoritário, evidentemente, houve uma atuação explícita da imprensa. Não se falava a favor, mas também não se desafiava. Com o retorno da democracia, a imprensa interveio outra vez, na sucessão de Sarney, com todas as declarações e reportagens absolutamente falsas em relação ao candidato das forças populares, que já era Lula. Isso se repetiu nas duas eleições de Fernando Henrique, mas mais moderadamente. Foi bastante incisiva durante a primeira campanha. Na segunda, a imprensa se comportou razoavelmente. Houve certas referências, mas nada escabroso.



Mas, os dois últimos anos foram inacreditáveis em matéria de criação de fatos sobre nada: foi inacreditável. Para 50 anos de vida política, é uma participação à altura dos partidos políticos e dos militares. Quer dizer, fazem parte da política brasileira os partidos, as Forças Armadas e a imprensa.





Destes episódios que o senhor listou qual o senhor acha que é o mais emblemático ?



Eu acho que dois episódios. Primeiro, a tentativa de impedir a posse de Juscelino Kubitschek. Por quê? Porque Juscelino não era intérprete ou representante de uma classe ascendente. Ele pertencia à elite política. Era um homem do PSD – Partido Social Democrata. Juscelino era um modernizador. Portanto, a tentativa de impedir a sua posse mostra o radicalismo e a intolerância das classes conservadoras brasileiras. Quer dizer, naquele momento, não aceitava nem mesmo um dos seus membros, porque era um modernizador. Este episódio é bem emblemático. Não houve nada de dramático, de trágico ou suicídio, mas é um exemplo de até onde pode chegar a intolerância do conservadorismo brasileiro. É impressionante. Esse foi pra mim um episódio que define muito bem até onde o conservadorismo é capaz de violar os escrúpulos democráticos.



E o segundo ?



É agora com Lula, porque a posse de Lula realmente revela uma nova etapa histórica no país. E revela o quanto o conservadorismo se dispõe a comprometer o futuro do país, pelo fato de o governo estar sendo exercido pelo intérprete de uma nova composição social. Isto é, há um grupo parlamentar e há grupos privados – e neles se inclui a imprensa - dificultando a implementação de políticas que são reconhecidamente benéficas ao país, porque estão sendo formuladas e implementadas por um governo intérprete das classes populares. Isso é impressionante. Quer dizer, no fundo, aquilo que os conservadores dizem que as forças populares – segundo eles, para a esquerda, quanto pior melhor –, na prática, quem pratica o quanto pior melhor são os conservadores.





Por que, na opinião do senhor, a mídia se considera inatacável, indestrutível ?



Ela se considera indestrutível porque ela tem razões para isso. Ou seja, uma das instituições que até agora vem resistindo à democratização, à republicanização do país é a imprensa. Um país moderno e democrático é um país em que não existe instituição ou pessoa com privilégio de direitos, pessoa que não seja submetida à lei. Na medida em que a democracia se implanta nos países, se reduz o número de instituições e grupos sociais que não se submete à lei. Todo mundo fica, de fato, igual diante da lei. Isso vem acontecendo gradativamente, vagarosamente, mas inapelavelmente no Brasil. Na realidade, nós temos até que as Forças Armadas hoje, no Brasil, estão mais democraticamente enquadradas, mais juridicamente contidas do que a imprensa. Hoje, é muito mais difícil para um representante das Forças Armadas violar impunemente as leis do que a imprensa.





(*) Wanderley Guilherme dos Santos é titular da Academia Brasileira de Ciências, diretor do Laboratório de Estudos Experimentais e pró-reitor de Análise e Prospectiva da Universidade Cândido Mendes, professor titular aposentado de teoria política da UFRJ e membro-fundador do Iuperj.



Seus últimos cinco livros publicados são:

Governabilidade e Democracia Natural (FGV editora, 2007)

O Paradoxo de Rousseau (Editora Rocco, 2007)

Horizonte do Desejo (Editora FGV, 2006)

O Ex-Leviatã Brasileiro (editora Civilização Brasileira, 2006)

O Cálculo do Conflito (UFMG, 2003)

segunda-feira, setembro 10, 2007

A onda golpista continua! È bom ficarmos atentos e fortes!!!!

Não é paranóia não! A coisa é séria!
Deu no BLOG do Paulo Henrique Amorin, jornalista sério e preocupado com o futuro do país!

O GOLPE CONTRA LULA CONTINUA



Paulo Henrique Amorim



Máximas e Mínimas 474


. Uma parte do Governo acha que a tentativa de golpe da mídia conservadora (e golpista) contra o Presidente Lula “se arrefeceu!” - foi o que ouvi recentemente no Palácio do Planalto.



. Outra tese - que também ouvi de um alto funcionário do Governo - é que a imprensa ia fazer a “autocrítica”.



. E a terceira “via” é abaixar a cabeça, dizer que no Brasil há liberdade de imprensa, e que numa democracia é “assim mesmo”.



. Ou seja, o Governo e o PT têm medo da mídia.



. Ou seja, o Governo e o PT têm medo da Globo.



. Como diria a professora Marilena a Chauí, “liberdade de quem?”



. Como se sabe, a mídia conservadora (e golpista) – especialmente a Rede Globo – levou a eleição para o segundo turno.

(Clique aqui para ler “O primeiro golpe já houve. Falta o segundo”)



. A reeleição esmagadora do Presidente Lula (ganhou de Alckmin com a mesma diferença com que nocauteou Serra: 61% a 39%) poderia dar a impressão de que a mídia conservadora (e golpista) ia cair na real.



. Não caiu.



. A mídia conservadora (e golpista) continua golpista e quer derrubar o presidente Lula.



. A leitura dos jornais da mídia conservadora (e golpista) neste domingo, dia 17 – Globo, Folha e Estadão – sugeriu que o Conversa Afiada fizesse um levantamento sobre o “noticiário negativo” contra o Presidente Lula, desde que começou o segundo mandato.



. Como no primeiro mandato, quando o golpe quase deu certo, de novo é uma crise atrás da outra.



. Tem a do Vavá. Não colou a do Vavá, tem a do Vevé. Não colou a do Vevé, tem a do Vivi. A do Vovó. E a do Vuvu.



. Todo dia tem uma(s) crise(s) nova(s).



. Veja o resultado. É espantoso.



(O Conversa Afiada passará a fazer este levantamento todo mês – será chamado de “O Golpe em Marcha”.)



. Parece a Venezuela.



. O Governo de um lado e a mídia toda do outro.



. Só que o Governo Lula não bate. Prefere apanhar.



. Seguia-se uma seleção de títulos de “reportagens” do Globo, da Folha e do Estadão, que configuravam, em seu conjunto, o trabalho golpista da mídia conservadora brasileira.

quarta-feira, setembro 05, 2007

O tempo- E ele não para mesmo, como dizia Cazuza!

O autor é desconhecido, mas quem me enviou este texto primoroso foi o Celso Mathias, meu bom amigo baiano que conhece o mundo pelas avessas. Do topo à toupeira. Vale a pena ler e refletir.
O tempo

Parte I
Eu sou de um tempo distante, o chamado "Tempo do Onça", tempo em que
qualquer máquina era uma geringonça...
Sou do tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça, que, aos domingos a
gente ia à missa...
Trago lembranças bacanas das Casas Pernambucanas, das farras, no bonde
aberto, dos chapéus da Casa Alberto.
Tempo em que adultério era crime e o Flamengo.. ainda tinha time.
Do busca-pé, do rojão, sou do tempo do xarope São João!
Venho do tempo em que menino só gostava de menina, tempo do confete e
serpentina nas festas de Carnaval do Sírio, do Monte Líbano, dos bailes do
Municipal.
Sou do tempo do bicarbonato, do lançamento do Sonrisal.
Sou do tempo em que futebol era para macho, em que ninguém sossegava o facho
nos bailes de formatura, dos play-boys botando banca.
Tempo que o telefone era preto e a geladeira era branca!
Sou do tempo em que se confiava nas companhias aéreas, em que a penicilina
curava as doenças venéreas!
Sou do tempo da Rádio Nacional, do lança perfume no Carnaval, do calouro na
hora da peneira.
Tempo em que "pó" era o mesmo que poeira...
Tempo do terno risca de giz, da calça de boca apertada, da Lapa de Madame
Satã, de poder ir torcer no Maracanã
e lembrar da mãe do juiz...
Sou do tempo do "Dói-Codi", do comigo-ninguém-pode, da ditadura
envergonhada.
Sou do tempo em que "ficar" era não ir...
Tempo de permitir passeios à beira-mar.
Tempo de se curtir a vida sem medo de bala perdida, tempo de respeito pelos
pais.
Enfim, sou de um tempo ...que não volta mais...


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Parte II
Sou do tempo da brilhantina, do laquê, da Glostora, do Gumex.
O correio não tinha Sedex o que vinha era telegrama trazendo uma má
notícia...
Sou do tempo em que a polícia perseguia todo sambista que tivesse alguma
fama.
Tempo em que mulher é que usava brinco, em que as portas não tinham trinco,
e que se dizia "demorou", só pra quem chegasse atrasado...
As calças não perdiam o vinco.
Picada, era só na bunda, se aquela febre profunda não tivesse melhorado...
No meu tempo, coca era refrigerante e todo homem elegante abria a porta do
carro.
Aceitava-se qualquer cigarro sem medo de ser um novo fato.
Só preço podia ser barato
"Bicho" era só o animal.
"Cara", o rosto do pobre mortal...
Sou do tempo do tergal, do ban-lon, do terilene, da Emilinha e da Marlene no
sucesso musical.
Sou do tempo do mocinho e o vilão com cara de mau, do "reclame" de
fortificante do óleo de fígado de bacalhau.
Sou do tempo do coreto e da banda, do velho cigarro Yolanda vendido na venda
da esquina...
Sou do tempo da estricnina, veneno tão poderoso!
Sou do tempo do leite de magnésia, do sagu, do fubá Mimoso, do fosfato que
curava a amnésia.
Sou do tempo da cocoroca do tempo da Copa Roca que muita gente não viu.
Do progresso tão abrupto que todo mundo assistiu.
Porém: Político corrupto, o rato que sai da toca, Ora!... Esse, sempre
existiu!...


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Parte III
Sou do tempo em que Benjor se chamava Jorge Bem, a carne do bife era acém,
ração de cachorro era bofe.
No meu tempo, não havia estrogonofe.
Sou do tempo do tostão e do vintém, da zona com seus bordéis, programas de
dez mil réis...
Sou do tempo da Cibalena e do Veramon
Só não vi a revista Fon-fon.
Assisti filmes do Rin-tin-tin.
Sou do tempo da confeitaria Manon da magia, do pó de pirlimpimpim.
Colecionei estampas Eucalol, acompanhei o lançamento da Avon, tomei o
fortificante Calcigenol.
Sou do tempo da PRK 30, do rádio tipo capelinha, dos contos da Carochinha,
do remédio anunciado:
"Veja ilustre passageiro o belo tipo faceiro que o senhor tem a seu lado..
Mas, no entanto, acredite, quase morreu de bronquite, salvou-o o Rhum
Creosotado!".
Sou do tempo da Cafiaspirina, da compressa de antiflugestina, do bálsamo de
benguê...
Fui leitor do almanaque Tico-Tico, tempo em que trabalhador ficava rico...
Sou do tempo da Casa Cave do taco com cera Parquetina dos discursos do
Presidente Gegê.
Sou do tempo do óleo de linhaça, andei na Maria Fumaça, li muito a revista
Cruzeiro, escrevi com caneta- tinteiro,
separei o joio do trigo, vi muito vigarista na cadeia...
Só não fui garçon da Santa-Ceia.
Também, não sou assim tão antigo!...

(autor desconhecido)

terça-feira, agosto 21, 2007

Solidariedade e repudio aos ataques contra o professor João Quartim de Moraes!!!!

O renomado professor João Quartim de Moraes, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), militante do PCdoB, tem sido vitima recentemente de infames agressões por parte de um elemento de extrema-direita. Nestes ataques, que enviamos em anexo, este individuo investe enfurecido contra uma entrevista concedida pelo professor à Revista Princípios, a propósito da publicação da segunda edição de “A esquerda militar no Brasil”. Nesse sentido, solicitamos seu apoio e solidariedade ao professor Quartim, que pode ser feita através da assinatura de petição on line em:



http://www.petitiononline.com/1848mc/petition.html

segunda-feira, agosto 20, 2007

Este Pompe não é mole não!!! Seus artigos no "Vermelho" são imperdíveis!!!!!!

Deus, orgulho e preconceito

por Carlos Pompe*


A entrevista com Richard Dawkins, a pretexto do livro Deus, um delírio, aqui reproduzida na semana passada, levou um estudante que freqüenta um estabelecimento de ensino de orientação cristã a me escrever que, na sua escola, o livro já causou polêmica (mesmo antes de ser lançado!), e adiantou sua opinião: “Eu concordo que a religião tem que ser debatida e discutida. Mas eu ainda acho que Deus não é orgulhoso e muito menos homofóbico!!!! Homofobia é discriminar alguém por sua opção sexual. Acredito que Deus não faz isso... alguns religiosos e algumas religiões, sim”.


Ira de Deus: expulsos do Paraíso É uma opinião corrente, que merece ser avaliada. A história de Deus, para os cristãos, é narrada na Bíblia. Deus não é orgulhoso? Bem, essa é o que se poderia chamar a versão de alguns religiosos, mas não do Livro Sagrado. No Êxodo 34:14, Javé disse a Moisés: “Não se prostre diante de outro deus, porque Javé se chama Ciumento: ele é um Deus ciumento”. Em Levítico, 19:1-2, 1 “Javé falou a Moisés: ‘Diga a toda a comunidade dos filhos de Israel: Sejam santos, porque eu, Javé, o Deus de vocês, sou santo’”.
Quanto a discriminar alguém por opção sexual... Javé fala a Moisés em Levítico 18:22: “Não se deite com um homem, como se fosse com mulher: é uma abominação.” E no mesmo livro, 20:13: “O homem que se deita com outro homem, como se fosse mulher, está cometendo uma abominação. Os dois serão réus de morte, e o sangue deles cairá sobre eles mesmos.” Mas do que discriminar, criminaliza e condena à morte (ou “o sangue deles cairá sobre eles mesmos” seria resultado da castração?).
No Novo Testamento, temos: “Por isso, Deus entregou os homens a paixões vergonhosas: suas mulheres mudaram a relação natural em relação contra a natureza. Os homens fizeram o mesmo: deixaram a relação natural com a mulher e arderam de paixão uns com os outros, cometendo atos torpes entre si, recebendo dessa maneira em si próprios a paga pela sua aberração” (Primeira Carta aos Romanos, 1:26-27); “Vocês não sabem que os injustos não herdarão o Reino de Deus? Não se iludam! Nem os imorais, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os depravados, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os caluniadores irão herdar o Reino de Deus” (Primeira Carta aos Corintos 6:9-10); “Sabemos que a Lei é boa, contanto que a tomemos como uma lei. Ela não é destinada ao justo, mas aos iníquos e rebeldes, ímpios e pecadores, sacrílegos e profanadores, parricidas e matricidas, homicidas, impudicos, pederastas, mercadores de escravos, mentirosos, para os que juram falso, e para tudo o que se oponha à sã doutrina, de acordo com o Evangelho glorioso do Deus bendito, que me foi confiado” (Primeira Carta a Timóteo 1:8-11).
O estudante considera que “a Bíblia, as religiões e tudo mais, passaram por milhares de anos, por milhares de interpretações...” Sem dúvida. Mas o que acima está citado foi retirado do texto bíblico, antigo e novo testamentos, e não de suas interpretações...

sábado, agosto 18, 2007

A putada tá cansada!! De que????

Meu amigo revolucionário de priscas eras, Vasco Nunes, me enviou este artigo do Lula Miranda sobre o cansaço dos que exploram o povo brasileiro há mais de 500 anos e seus idiotas acólitos. Leiam, comentem!!

Lula Miranda

A elite branca "cansou". Resolveu, em sinal de protesto, fazer barulho e
demonstrar toda sua indignação. Pode-se vê-los, mais uma vez, devidamente
"enquadrados" numa charge do Angeli, onde se vê, como que numa coreografia
mais ou menos ensaiada, esses singulares membros da nossa sociedade com os
braços para cima a chacoalhar suas jóias e Rolex num veemente e ruidoso
protesto. Indubitavelmente bastante ruidoso e veemente... Risível, decerto.

A elite branca, em definitivo, cansou de conviver com um operário na
Presidência da República. Um presidente "monoglota" e sem curso superior é
duro de agüentar. E os familiares do presidente então!? Todos de uma pobreza
lastimável. Onde foi parar o "glamour" da Presidência da República?

A elite branca cansou desse romantismo ignaro e pobre do proletariado no
poder. Esse negócio do Partido dos Trabalhadores "lotear" a máquina pública
colocando sindicalistas e outros "desqualificados" em cargos estratégicos da
administração federal, é duro de engolir. Esses cargos, você há de se
recordar, eram antes todos de livre provimento das elites brancas. Claro!
Pois só eles sabem governar, só a eles, e aos seus, devem ser reservados os
melhores empregos, escolas, faculdades, casas e hospitais.

Esse negócio de pagar faculdade para pobre também é algo que a elite branca
já não suporta mais. Cotas para negros e pobres nas Universidades Públicas,
então, é algo intolerável. O que é pior: essa história de investimentos em
um sistema universal de saúde à custa do rico dinheirinho dos impostos não
pagos pela elite branca, é para acabar.

Fernando 10:30(1 minuto atrás) A elite branca cansou de carga tributária
extorsiva para financiar essa tal bolsa-esmola. Cansou de ver os seus iguais
"enquadrados", não pelas charges inteligentes do cartunista Angeli, mas pela
Polícia Federal mesmo, em horário nobre da TV. Tem "madame" e "doutor"
chacoalhando as algemas e fazendo test-drive em camburão zero quilômetro,
modelo 2007/2008.

A elite branca quer cheirar sua cocaína em paz e harmonia. A mesma cocaína
que desce os morros e favelas para abastecer as festas, e mancha de sangue a
alvura de sua hipocrisia branca; não quer a Força Nacional, e o que sobrou
da polícia digna e cidadã do Rio de Janeiro, causando contratempos ao bom
andamento dos "negócios" no complexo de favelas do Alemão. A elite branca,
empalidecida, não admite que o governo da Venezuela não renove a concessão
da RCTV, pois temem que um dia a "sua casa", a sua Rede Globo de Televisão,
encontre o mesmo destino

Fernando 10:30(0 minutos atrás) elite branca não interessa que nesse mesmo
governo, que lhes causa indignação e cansaço, o emprego formal bate recorde
após recorde: só no primeiro semestre desse ano de 2007, foram criados cerca
de 1,096 milhão de empregos com carteira assinada. A elite branca tem
verdadeira ojeriza a pobres e desempregados - e também pelos pobres que
mofam nas filas em busca de emprego. A elite branca vetou o projeto de FGTS
para empregados domésticos - não gastaria o valor de um jantar para pagar a
parcela mensal do FGTS da criadagem. Como nos evidencia os nossos vexatórios
índices sociais, a nossa elite branca é por demais benevolente e generosa.


Portanto, deixe a elite branca reclamar, e clamar aos quatro ventos o seu
cansaço. Afinal, o Veuvet Clicquot nunca esteve tão barato: virou "carne de
vaca", "todo mundo" hoje está bebendo. Viajar ao exterior então! E esse tal
"caos aéreo" é, em grande parte, culpa das passagens muito baratas e dessa
"gentalha" que deixou de viajar de ônibus (ou de pau-de-arara) e passou a
viajar de avião, enchendo assim os aeroportos e aviões com sua pobreza e
maus modos. Um horror! Viajar de avião antes era exclusividade dos
bem-nascidos.

A elite branca detesta o governo Lula. A elite branca detesta pobre. A elite
branca adora as revistas Caras e Veja, os jornais Folha de S.Paulo e Estado
de S. Paulo e a rede Globo. A elite branca enxerga o país como uma jazida a
ser explorada até a exaustão, apenas isso. E o povo brasileiro, os escravos
de sempre que aí estão para servi-la.
Apenas isso e não mais que isso.

terça-feira, agosto 14, 2007

Comunistas de Brasilia convidam todos para discutir sua estratégia!!!!!

14º Conferência Regional do PCdoB-DF


Camaradas,

Convidamos a todos filiados e amigos para participarem do debate :

Um partido a altura dos seus desafios no DF.

Mesa: Walter Sorrentino - Secretário Nacional de Organização do PCdoB
JÔ MORAES - Deputada Federal MG (membro do Comitê Central do PCdoB)
Enelson Gomes _ Secretário de Organização do PCdoB-DF
Apolinário Rebelo - Presidente do PCdoB-DF ( Moderador).

Local : Associação Médica de Brasília - AMBR 713/913 sul ( Perto da FACULDADE UNIP)
Horário : 19:30 hs
Data : 16 de agosto de 2007.

Recomendamos a leitura dos seguintes documentos anexos.
Haverá abertura de intervenções para perguntas e tirar dúvidas sobre o tema.

PARTICIPEM E CONVOQUEM OS MILITANTES E FILIADOS AO PARTIDO!!!!

Alan Bueno
Secretário de Formação e Juventude.
Pelo Comitê Regional do PCdoB-DF.

segunda-feira, agosto 13, 2007

O Brasil quer a Vale do Rio Doce de volta!!!!

A VALE É NOSSA

Isto não Vale!
Queremos participação no destino da Nação
Não vale!
Vender a CVRD - Companhia Vale do Rio Doce por 3,3 bilhões de reais, não
Vale! O valor estimado em 1997, época do Leilão era de 92 bilhões de reais,
ou seja, 28 vezes mais do que foi vendida.
Também não vale o Banco Bradesco ter sido um dos avaliadores da companhia e
ao mesmo tempo um dos compradores deste verdadeiro patrimônio público
brasileiro.
Não vale o superávit primário que retira recursos destinados à educação,
saúde, moradia. Não vale continuar pagando a dívida externa e interna.
Não vale dobrar-se diante das políticas neoliberais deste modelo econômico.
Mas também não vale os movimentos sociais preocuparem- se apenas com sua
agenda e não investir no conjunto de lutas articuladas para mudar este
modelo.
Nesta Cartilha vocês vão encontrar elementos e subsídios para debatermos com
os setores populares qual o Brasil que queremos e como recuperar a Companhia
Vale do Rio Doce para o povo brasileiro, participando do Plebiscito sobre a
Privatização da Vale, em Setembro de 2007.
O que Vale então:
Vale o Plebiscito sobre a Privatização e a reestatização da Vale do Rio
Doce. Este exercício de participação popular garante a soberania da nação.
Vale o Presidente Lula ter dito no segundo turno das eleições que "foi um
erro a privatização da Vale do Rio Doce". E isso faremos questão de cobrar.
Vale realizar assembléias populares municipais e estaduais para construir o
Plebiscito.
Vale manter a autonomia das forças populares, estimular as lutas sociais,
retomar o trabalho organizativo de base.
Informações e contato
Secretaria Nacional da Campanha da Vale
Rua da Abolição, 227 - 2° andar - tel: (11) 3105.9702
Site: www.avaleenossa. org.br
Correio eletrônico: avaleenossa@ yahoo.com. br

sexta-feira, agosto 10, 2007

Parente do Conde Drácula coloca o dedo na ferida!!!!!

Meu amigo e irmmão Carlos Fernando, do alto de sua sagaz sabedoria, me manda lá de Marataizes, litorânea e afrodisíaca cidade do sul capixaba, artigo publicado no BLOG do Alon, que distrincha o pensamento da classe média, que antes chamávamos de pequena burguesia.
O Alon é um excelente jornalista meu amigo e trabalhamos juntos na Presidência da República quando Aldo Rebelo, o deputado federal comunista era Ministro da Coordenação Política.
Para quem não sabe, o nome complicado do Alon é porque ele é da Transilvânia, um pequeno principado na Romênia, de onde surgiu o Conde Dráculo em luta contra os que queriam dominar seu País e as histórias e estórias dai subsequentes. Dizem nas rodas jornalísticas de Brasilia, que Alon é parente distante da linhagem do Conde Drácula, o heróio romeno que virou lenda das histórias de terror e terrir.
Mas vejam abaixo o artigo e sintam como Alon tem realmente razão:
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O LIMITE DA AÇÃO POLÍTICA DA CLASSE MÉDIA!


Por Alon Feuerwerker

Jornalista.


Eu saudei desde o início a emergência do "Cansei". Não porque concorde com as motivações do "Cansei". Eu simplesmente torço para que o "Cansei" ajude a aquecer a sopa social e política do Brasil (leia É do jogo). No que depender da minha torcida, entraremos todos num novo período, em que amplos contingentes de cansados, seja qual for o motivo do cansaço, deverão ir às ruas (e à Internet) manifestar o seu inconformismo e dizer o que desejam mudar no statu quo. O "Cansei" tem despertado reações iradas. Mas a vida é assim mesmo. Do mesmo jeito que a turma do "Cansei" possivelmente possa achar os beneficiados pelo Bolsa Família um bando de vagabundos, que preferem ser sustentados pelo governo a trabalhar, é compreensível que os admiradores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva possam ver a turma do "Cansei" como um punhado de playboys e dondocas, insensíveis diante dos problemas sociais do Brasil. Aqui e ali no pessoal do "Cansei" nota-se gente que enxerga o governo federal como a ponta-de-lança de um movimento para transformar o Brasil numa nova Cuba. E do outro lado tem gente que desconfia das convicções democráticas do "Cansei", que vê nele o embrião de uma articulação golpista. Como a que pretendeu em abril de 2002 na Venezuela tirar, pela força, o presidente Hugo Chávez do poder. Tudo isso é do jogo. A opinião é livre. Só não vale ficar choramingando diante da agressividade alheia. Desde Isaac Newton sabe-se que a força aplicada por um corpo sobre outro produz como efeito outra força de mesma intensidade, só que aplicada pelo segundo corpo no primeiro. E o interessante nesse princípio da física clássica é que, ao contrário do que poderia supor o senso comum, as forças não se anulam. Porque os pontos de aplicação são diferentes. Eu repito, não acho ruim que as múltiplas insatisfações transbordem para as ruas. Os países não ficam piores quando as pessoas saem às ruas para atuar politicamente. Eles ficam melhores. O problema maior do "Cansei" é que por enquanto ele é um movimento restrito à classe média. Nada contra a classe média. Eu sou de classe média. Meus amigos são de classe média. Mas se eu tivesse projeto político, se tivesse projeto de poder, não investiria meu tempo e minhas melhores energias organizando movimentos de classe média. A classe média tem um problema. Ela tem grande dificuldade para enxergar além dos seus próprios limites de classe. Antigamente a classe média era chamada de pequena burguesia. A pequena burguesia (ou classe média) de hoje agrupa empresários e assalariados. A espinha dorsal do discurso dela e de sua ideologia é a rejeição ao estado. Sintomaticamente, essa rejeição cresce na medida que o Estado é penetrado por novas forças sociais e políticas -e à medida em que as massas de trabalhadores e pobres conseguem arrancar do estado benefícios que antes eram exclusivos da classe média e dos ricos. É comum ouvir de representantes da pequena burguesia que "antigamente a escola pública era boa". Em geral, o comentário omite que "antigamente" a escola pública atendia meia dúzia de pessoas e que a maioria dos pobres estavam condenados ao analfabetismo. Mas a reclamação mais freqüente vinda da pequena buguesia é que o estado não devolve, na forma de bons serviços, os impostos que o contribuinte paga. A reclamação em muitos casos é justa. Só que a decorrência costuma ser tipicamente pequeno-burguesa: se o estado gasta mal o dinheiro dos impostos, então o sujeito deduz que o certo é pagar menos imposto. Você não vê por aí movimentos de classe média pelo fortalecimento e pela melhoria da qualidade da educação e da saúde públicas. Por que motivo eu digo que essa conclusão (vamos então pagar menos imposto) é pequeno-burguesa? Porque seus efeitos práticos esgotam-se no limite dos interesses imediatos da pequena burguesia. A classe média pagar menos imposto é uma solução para a classe média, mas não é uma solução para a maioria das pessoas. Para o trabalhador que não é de classe média o mais conveniente é que o imposto pago pelo pequeno-burguês (e pelo grande burguês, por que não?) resulte em educação grátis e boa para o filho do trabalhador que não é de classe média. E em atendimento médico bom e grátis para a família do trabalhador que não é de classe média. Anos atrás tomei conhecimento de uma pesquisa que me abriu os olhos para certas coisas. Acho que foi feita pelo ministério da Saúde quando o ministro era José Serra. A pesquisa mostrou na época que a avaliação do atendimento médico na rede pública era bem melhor entre os usuários do serviço do que entre a população em geral. Ou seja, a classe média xinga o atendimento prestado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), do qual ela não precisa, mas o pobre que depende do SUS defende e valoriza o SUS. Porque a pequena burguesia tem plano de saúde, mas o trabalhador que não é de classe média só tem o SUS. Enquanto a oposição não entender coisas como essa, vai ficar do jeito que está, com um ar apalermado a cada nova pesquisa de opinião sobre a avaliação do governo.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Não deixem de ver o filme! É IMPERDÍVEL!!!!

Ronaldo Duque enviou para LUiz Carlos Antero e eu tomo a liberdade de reproduzir a chamada para ver o grande filme nacional!!!

Amigo LCA,

Meu filme "Araguaya, a Conspiração do Silêncio", será exibido no Canal Brasil nos dias:
06/08/2007 Segunda-feira às 22:00 hs
11/08/2007 Sábado às 23:00 hs
12/08/2007 Domingo às 13:30 hs
Grande abraço

Ronaldo Duque

sexta-feira, agosto 03, 2007

O mundo é pequeno, Cachoeiro é grande. Igual Penápolis!!!!!!!

Dêm uma olhada ali no BLOG do Luiz Aparecido no http://luiz-aparecido.zip.net e vejam o que Cachoeiro de Itapemirim, aquela cidade perdida nas montanhas do sul do Espírito Santo quer e deseja. Como o mundo tem suas sétimas maravilhas, Cachoeiro não se fez de rogado e vai ter também as suas séte maravilhas.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Dino Graccio bota pra quebrar!! PAU NA DIREITA GOLPISTA!!!

CANSEI DE GOLPES
O Cansei adota como principal fundamento o caos aéreo - que, é óbvio, tem que ser interrompido - e apela à dor dos familiares e de todos nós, chocados e indignados com o desastre do vôo 3054.
Mas o Cansei, claramente golpista, tem nababescos padrinhos, confortavelmente instalados em São Paulo e dignos representantes da extrema direita brasileira.
Tenho futucado a internet à procura de material para escrever com maior propriedade sobre isso.
Aí, encontrei na excelente Revista Consultor Jurídico, fonte frequente deste Blogracio, o artigo transcrito abaixo.
É perfeito. Nada mais exato sobre o Cansei. O texto não cansa. Leia com atenção.
--------------------------------
"Briga interna
OAB-RJ diz que movimento Cansei é golpismo paulista"

O Cansei é um movimento de fundo golpista, estreito e que só conta com a participação de setores e personalidades das classes sociais mais abastadas do estado de São Paulo”.

A afirmação é da OAB do Rio de Janeiro, que publicou nota declarando que não considera o Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, vulgo Cansei, como de caráter nacional. “Tanto no ponto de vista das Seccionais da OAB quanto do ponto de vista das demais entidades que estão participando. É, na verdade, um movimento estritamente paulista”, diz a entidade fluminense.

O movimento tem a assinatura da OAB paulista, mas é articulado pelo apresentador João Dória Júnior, conhecido pelas boas relações com o PIB nacional, Sérgio Gordilho, presidente da agência África, e representantes da Fiesp, poderosa entidade dos barões da indústria paulista, segundo a entidade. A intenção do grupo é “sensibilizar” os brasileiros a pararem durante um minuto, às 13 horas do dia 17 de agosto, quando o acidente com o avião da TAM completará 30 dias.

O movimento se diz apartidário. Mas, o governo não tem a mesma interpretação. O Palácio do Planalto, que conta com o apoio irrestrito dos movimentos sociais com MST e UNE, já prepara uma reação.

A OAB do Rio diz que também cobra das autoridades investigações sobre o acidente. “No entanto, não aceita que essa tragédia seja utilizada de forma golpista das classes mais abastardas de São Paulo. A OAB do Rio de Janeiro cobra a regularização dos serviços do sistema aéreo brasileiro”, diz a nota.

Segundo a secional, uma das soluções para o problema aéreo é a instalação de Juizados Especiais nos aeroportos. A idéia foi aceita pelo presidente da OAB, Cezar Britto.

“É importante ressaltar em relação a esse movimento paulista que até mesmo setores conservadores, esclarecidos, têm criticado a forma como essa tragédia da TAM vem sendo instrumentalizada por determinados setores. A OAB do Rio de Janeiro lembra que, em determinados momentos da vida nacional, a extrema direita já se assanhou, como agora está se assanhando novamente, e que isso não fez bem ao país”, completa o comunicado.

Segundo Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente da OAB-SP, “não se trata de um ato político, mas de uma manifestação cívica de cidadania e de amor ao
Brasil”.

O ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo (DEM) afirmou ironicamente que a iniciativa é liderada “por um segmento da elite branca. Deve ter
começado em Campos do Jordão”.

Fonte: Revista Consultor Jurídico, 31 de julho de 2007

Dino Graccio bota pra quebrar!! PAU NA DIREITA GOLPISTA!!!

CANSEI DE GOLPES
O Cansei adota como principal fundamento o caos aéreo - que, é óbvio, tem que ser interrompido - e apela à dor dos familiares e de todos nós, chocados e indignados com o desastre do vôo 3054.
Mas o Cansei, claramente golpista, tem nababescos padrinhos, confortavelmente instalados em São Paulo e dignos representantes da extrema direita brasileira.
Tenho futucado a internet à procura de material para escrever com maior propriedade sobre isso.
Aí, encontrei na excelente Revista Consultor Jurídico, fonte frequente deste Blogracio, o artigo transcrito abaixo.
É perfeito. Nada mais exato sobre o Cansei. O texto não cansa. Leia com atenção.
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"Briga interna
OAB-RJ diz que movimento Cansei é golpismo paulista"

O Cansei é um movimento de fundo golpista, estreito e que só conta com a participação de setores e personalidades das classes sociais mais abastadas do estado de São Paulo”.

A afirmação é da OAB do Rio de Janeiro, que publicou nota declarando que não considera o Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, vulgo Cansei, como de caráter nacional. “Tanto no ponto de vista das Seccionais da OAB quanto do ponto de vista das demais entidades que estão participando. É, na verdade, um movimento estritamente paulista”, diz a entidade fluminense.

O movimento tem a assinatura da OAB paulista, mas é articulado pelo apresentador João Dória Júnior, conhecido pelas boas relações com o PIB nacional, Sérgio Gordilho, presidente da agência África, e representantes da Fiesp, poderosa entidade dos barões da indústria paulista, segundo a entidade. A intenção do grupo é “sensibilizar” os brasileiros a pararem durante um minuto, às 13 horas do dia 17 de agosto, quando o acidente com o avião da TAM completará 30 dias.

O movimento se diz apartidário. Mas, o governo não tem a mesma interpretação. O Palácio do Planalto, que conta com o apoio irrestrito dos movimentos sociais com MST e UNE, já prepara uma reação.

A OAB do Rio diz que também cobra das autoridades investigações sobre o acidente. “No entanto, não aceita que essa tragédia seja utilizada de forma golpista das classes mais abastardas de São Paulo. A OAB do Rio de Janeiro cobra a regularização dos serviços do sistema aéreo brasileiro”, diz a nota.

Segundo a secional, uma das soluções para o problema aéreo é a instalação de Juizados Especiais nos aeroportos. A idéia foi aceita pelo presidente da OAB, Cezar Britto.

“É importante ressaltar em relação a esse movimento paulista que até mesmo setores conservadores, esclarecidos, têm criticado a forma como essa tragédia da TAM vem sendo instrumentalizada por determinados setores. A OAB do Rio de Janeiro lembra que, em determinados momentos da vida nacional, a extrema direita já se assanhou, como agora está se assanhando novamente, e que isso não fez bem ao país”, completa o comunicado.

Segundo Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente da OAB-SP, “não se trata de um ato político, mas de uma manifestação cívica de cidadania e de amor ao
Brasil”.

O ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo (DEM) afirmou ironicamente que a iniciativa é liderada “por um segmento da elite branca. Deve ter
começado em Campos do Jordão”.

Fonte: Revista Consultor Jurídico, 31 de julho de 2007

Dino Graccio bota pra quebrar!! PAU NA DIREITA GOLPISTA!!!

CANSEI DE GOLPES
O Cansei adota como principal fundamento o caos aéreo - que, é óbvio, tem que ser interrompido - e apela à dor dos familiares e de todos nós, chocados e indignados com o desastre do vôo 3054.
Mas o Cansei, claramente golpista, tem nababescos padrinhos, confortavelmente instalados em São Paulo e dignos representantes da extrema direita brasileira.
Tenho futucado a internet à procura de material para escrever com maior propriedade sobre isso.
Aí, encontrei na excelente Revista Consultor Jurídico, fonte frequente deste Blogracio, o artigo transcrito abaixo.
É perfeito. Nada mais exato sobre o Cansei. O texto não cansa. Leia com atenção.
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"Briga interna
OAB-RJ diz que movimento Cansei é golpismo paulista"

O Cansei é um movimento de fundo golpista, estreito e que só conta com a participação de setores e personalidades das classes sociais mais abastadas do estado de São Paulo”.

A afirmação é da OAB do Rio de Janeiro, que publicou nota declarando que não considera o Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, vulgo Cansei, como de caráter nacional. “Tanto no ponto de vista das Seccionais da OAB quanto do ponto de vista das demais entidades que estão participando. É, na verdade, um movimento estritamente paulista”, diz a entidade fluminense.

O movimento tem a assinatura da OAB paulista, mas é articulado pelo apresentador João Dória Júnior, conhecido pelas boas relações com o PIB nacional, Sérgio Gordilho, presidente da agência África, e representantes da Fiesp, poderosa entidade dos barões da indústria paulista, segundo a entidade. A intenção do grupo é “sensibilizar” os brasileiros a pararem durante um minuto, às 13 horas do dia 17 de agosto, quando o acidente com o avião da TAM completará 30 dias.

O movimento se diz apartidário. Mas, o governo não tem a mesma interpretação. O Palácio do Planalto, que conta com o apoio irrestrito dos movimentos sociais com MST e UNE, já prepara uma reação.

A OAB do Rio diz que também cobra das autoridades investigações sobre o acidente. “No entanto, não aceita que essa tragédia seja utilizada de forma golpista das classes mais abastardas de São Paulo. A OAB do Rio de Janeiro cobra a regularização dos serviços do sistema aéreo brasileiro”, diz a nota.

Segundo a secional, uma das soluções para o problema aéreo é a instalação de Juizados Especiais nos aeroportos. A idéia foi aceita pelo presidente da OAB, Cezar Britto.

“É importante ressaltar em relação a esse movimento paulista que até mesmo setores conservadores, esclarecidos, têm criticado a forma como essa tragédia da TAM vem sendo instrumentalizada por determinados setores. A OAB do Rio de Janeiro lembra que, em determinados momentos da vida nacional, a extrema direita já se assanhou, como agora está se assanhando novamente, e que isso não fez bem ao país”, completa o comunicado.

Segundo Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente da OAB-SP, “não se trata de um ato político, mas de uma manifestação cívica de cidadania e de amor ao
Brasil”.

O ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo (DEM) afirmou ironicamente que a iniciativa é liderada “por um segmento da elite branca. Deve ter
começado em Campos do Jordão”.

Fonte: Revista Consultor Jurídico, 31 de julho de 2007

quarta-feira, agosto 01, 2007

Provocações não faltarão!!!!!!

A publicação no Jornal do Commércio de Recife, de uma extensa discussão sobre a Guerrilha do Araguaia com sobreviventes daquele movimento e a repercussão em BLOGs como este e sites de esquerda, certamente vai provocar discussões e surgimento de versões das mais variadas.
Vão surgir figuras provocando o PCdoB e dirigentes do partido, como fez um assacando contra João Amazonas e outros militantes e dirigentes do partido. Devemos estar preparados para estas provocações e ficar espertos para que de nossa autocrítica e abertura de discussões não saia versões aproveitadas pela extrema direita, que tenta se rearticular pensando até em um golpe de Estado.
A discussão é importante e devemos aprofundá-la com espírito critico e vontade de superar os erros e angariar massa critica para que o espírito da revolução esteja sempre presente na mente e no coração dos brasileiros, principalmente os jovens.

Rediscutindo a Guerrilha do Araguaia-Segunda Parte

EX-GUERRILHEIROS COBRAM AUTOCRITICA DO PCDOB
Publicado em 30.07.2007


Ayrton Maciel A teoria de Mao Tsé-tung, o líder da revolução comunista chinesa, sobre guerra popular prolongada, partida do campo para as cidades, influenciou sobremaneira a direção do PCdoB, levando o Comitê Central à Guerrilha do Araguaia, entre 1967 e 1972. A expansão da guerrilha rural pela Ásia, tendo como maior exemplo o Vietnã, reforçou o dimensionamento dado pelo partido a um movimento igual partindo da selva amazônica. A escassez e dispersão da população atuou, entretanto, contra o planejamento. “Tínhamos que andar quilômetros para encontrar a massa rarefeita”, recorda o ex-guerrilheiro Pedro Albuquerque Neto. O PCdoB comete um segundo equívoco quando as Forças Armadas deflagram as inserções para liquidar a guerrilha: subdimensiona a influência da Transamazônica. A autocrítica do movimento não foi feita até hoje pelo partido. “Acho importante que o PCdoB levante uma reflexão”, defende Pedro, que há duas semanas, no Recife, junto com a esposa Teresa, reencontrou outros dois ex-guerrilheiros: Michéas Gomes de Almeida (Zezinho) e Dagoberto Alves Costa. A publicação da entrevista concedida pelo grupo ao JC, iniciada ontem, é concluída com esta página.

SOBREVIVENTES
PEDRO ALBUQUERQUE NETO – “A pauta da discussão sobre o Araguaia é ainda a de retomar os fatos que ocorreram. O que se precisa é a análise dos fatos. Tenho dificuldade de me aprofundar porque vejo o PCdoB ainda muito discriminado na mídia. Enquanto estiver assim e o PCdoB não se abrir para uma discussão mais profunda, é difícil falar sobre o Araguaia. O PCdoB não levantou ainda uma reflexão. Acho que é importante o PCdoB levantar uma reflexão aberta, chamar as pessoas (os sobreviventes) para falar. Qual o problema? Chamar aqueles que têm uma visão crítica daquilo (a guerrilha), uma reflexão dentro da esquerda e dentro do partido”.


DAGOBERTO ALVES COSTA – “A questão do PCdoB conosco (a desconfiança com os sobreviventes) é devido ao fato do partido não ter sabido administrar isso. Participar de uma guerra de guerrilha é uma experiência muito forte, nós nos renovamos politicamente. Nós não íamos aceitar aquela questão do centralismo democrático. Talvez por causa disso, e por se manter ainda um partido stalinista, eles não nos aceitaram. Acho que também contribuiu para isso o relatório do Ângelo Arroyo (chefe da Comissão Militar do Araguaia e dirigente do Comitê Central do partido, que acusou deserções e traições), que foi escrito no calor da emoção, e que veio com muito preconceito. Houve erros gerais. A própria direção errou. Tinha que ter olhado que ao entrar uma estrada no meio do teatro de operações (a Transamazônica), deveria recuar e não deflagrar um movimento que não tinha possibilidade de avançar”.


ZEZINHO DO ARAGUAIA – “O partido tinha se expandido e absorvido militantes de outras agremiações, que buscavam um veio como o Araguaia. Isso tornou, naquele momento, o PCdoB o partido com a visão mais adequada, porque não havia outra saída (a luta urbana estava sendo dizimada). Não adianta se buscar culpados, ficar acusando. Não adianta ficar olhando para o passado. Quando falamos da guerrilha hoje, estamos impregnados de outros conceitos que não aqueles que nos levaram à guerrilha. Para analisar a guerrilha, temos que analisar a sociedade na época. Naquele momento, quando faltou a liberdade no Brasil, surgiu o PCdoB – como poderia ser outra agremiação política – para fazer aquilo (a guerrilha)”.

AUTOCRÍTICA

DAGOBERTO – “A direção do partido foi muito influenciada por guerra popular, a visão da luta armada no Brasil. Esse documento de Mao Tsé-tung (líder da revolução comunista chinesa) influenciou muito a direção do partido. Diante de outras experiências, inclusive daquela na qual Zezinho participou, a de Trombas e Formoso, o partido foi ao Araguaia. Faltou uma visão na década de 50 para aproveitar a experiência de Trombas e Formoso e entrar com o movimento logo em seguida. A deliberação do 20º Congresso do PC da União Soviética, pela coexistência pacífica (URSS e Estados Unidos e a condenação ao stalinismo) arrefeceu o movimento. A direção (PCdoB) se entusiasmou imensamente com a idéia de guerra popular, com a sua ampliação na Ásia. O Vietnã era o espelho da direção. O decesso da luta urbana comprovava que o partido estava certo: a luta no campo seria realmente a luta correta. Só que não houve tempo, o tempo já tinha passado. O Exército entrou pela Transamazônica e liquidou rápido o movimento”.


ZEZINHO – “Eu assumo a responsabilidade por aquilo que eu fiz, não culpo outra pessoa pelo ato que assumi. É muito fácil dizer que o outro é que teve toda a responsabilidade, muita vezes ocultando a minha responsabilidade. Quando eu escuto alguém falar que fugimos de lá, é coisa que cada um tem que assumir. Ninguém cobrou isso. Ninguém tem o direito de acusar o outro pela atitude que tomou. Eu também não tenho o direito de acusar o PCdoB pelo que passei, eu fui porque eu quis”.


TERESA – “Não vejo o PCdoB como crítico dos que sobreviveram. O do Ceará sempre nos tratou com companheirismo, nos dando todo apoio. Acho que o partido, nas suas limitações, tentou ajudar (a reinserção na sociedade), pelo menos o do Ceará. Não sei a nível nacional”.


PEDRO – “Fui convidado a voltar para o PCdoB. Não quero voltar porque não quero mais me submeter ao centralismo democrático. Tenho até a impressão que o partido está perdendo isso. Tenho hoje uma visão mais libertária das coisas, mas tenho uma boa relação com o PCdoB”.

PCdoB X DITADURA

PEDRO – “Acho que estávamos ganhando da ditadura no campo político. Ela ia morrer por aquele caminho. Nos levar para à luta armada foi uma tática dos militares de linha dura, que estavam perdendo no campo político e nos forçaram a ir para um terreno que, embora nós defendêssemos, estávamos inferiorizados. Os militares nos reprimiram, nos sufocaram, nos proibiram de estudar e de trabalhar. Nos alijaram da massa urbana. E a opção pela luta armada, naquele momento, foi uma saída de derrotados. Quando fui para o Araguaia, fui como derrotado político. Muitas outras organizações foram para a luta armada, muitas saíram da dissidência no PCB, que deu muitos quadros para a luta. O PCdoB foi aquele que melhor se preparou, porque vinha trabalhando há muito tempo. A luta urbana foi um massacre e o PCdoB era profundamente crítico daquilo, defendia a luta rural, a guerra popular prolongada. Então, deve também estar aberto para críticas à luta armada rural da forma que ela ocorreu”.

A TORTURA.

PEDRO – O general Antônio Bandeira, que morreu sem falar muito (sobre o Araguaia), é que comandava a tortura. A gente era torturado com capuz na cabeça, mas eu o identificava pela voz, que se tornou familiar, e pela bengala. Quando a gente sentia a bengala, era ele”.


DAGOBERTO – “Todos nós passamos por isso. Não é brincadeira uma situação dessa, até hoje não gosto de falar, me sinto mal”.


ZEZINHO – “Quando eu falo que eu não aceito que chamem nenhum dos nosso companheiros de traidor é porque traidores são aqueles que não conhecem a história do Brasil. Nós estávamos lá. Nós somos agentes dessa história. Se foi bonito ou feio, a história que julgue”.

OS MORTOS

DAGOBERTO – “Sessenta dias depois de ter chegado, fui preso na mata (junho de 1972), logo após o nosso agrupamento ser emboscado, e o primeiro companheiro a ser abatido foi o Jorge (Bérgson Gurjão Farias, morto em combate, na primeira incursão do Exército). Lembro que um capitão pára-quedista mencionou que Bérgson tinha sido fotografado e enterrado por lá mesmo. Acredito que eles (os corpos) estão dispersos. O comandante pára-quedista foi muito claro comigo: ‘guerrilheiro é guerrilheiro’. Fotografavam os corpos apenas para comprovar que o cara tinha sido abatido. Tanto que, quando eu estava preso com o Danilo e o Dower, lá no PIC, de vez em quando eles iam na cela com fotos de companheiros. Na última incursão (do Exército), eles foram na cela coletiva, mostraram as fotos e disseram: ‘tá aqui, acabou-se’”.


O PÓS-GUERRILHA

ZEZINHO – “Eu nunca fui preso, mas tive que apagar tudo isso (da memória), porque eu não tinha outra alternativa que não me enfiar no trabalho, 18 horas por dia, domingo, feriado e dia santo, em São Paulo, onde fiquei quando levei o que sobrou do último combate lá no pé da Serra das Andorinhas, já quase 1975. Levei o Arroyo (Ângelo). Cheguei em São Paulo só com o Arroyo. Com minha certidão (de nascimento), tirei a identidade e depois o CPF com o nome de Antônio Pereira de Oliveira”.


PEDRO – “Depois de um ano preso, vim para o Recife, onde Teresa estava escondida. Eles queriam que eu dissesse onde estava a Teresa. Aí, vi que não tinha mais condições de ficar no Brasil, e decidimos ir para o exílio, em março de 1973. Fomos para o Chile, mas veio o golpe (general Augusto Pinochet), e decidimos ir para o Canadá. Quando houve a anistia (1979), retornamos para o Brasil e ensinei na Universidade Federal do Ceará. Em 2000, retornei à Faculdade de Direito, que terminei em 2003. Em 2004, resolvi voltar ao Canadá para fazer o doutorado em Criminologia”.


Os preparativos da guerrilha
Publicado em 30.07.2007


Depois de ser enviado à China para treinamento, o camponês do Pará, Zezinho do Araguaia, retorna ao Brasil em 1967, e retoma as tarefas para o PCdoB, partindo para o Araguaia. Os preparativos para o movimento, como o levantamento e mapeamento da área, foram iniciados com a chegada dos primeiros militantes do partido à região, a partir de 1967, na área do Bico do Papagaio. O planejamento previa o adestramento dos estudantes, operários e militantes do partido que chegassem das cidades para a sobrevivência na selva e o preparo dos guerrilheiros para a luta.
“Era uma guerrilha do campo para a cidade”, define o projeto o comunista Michéas Gomes de Almeida, o Zezinho do Araguaia, que ganhou notoriedade por inserir na mata os quadros urbanos recrutados pelo PCdoB. Somente em 1972 o agrupamento comunista é dividido em três destacamentos: o A, baseado na área da Transamazônica, o B, no vale da Gameleira, e o C, nas proximidades da Serra das Andorinhas. O PCdoB, ressalta Zezinho, foi o ponto de apoio encontrado por uma parcela da juventude disposta a mudar o País.

“Quando o golpe de 64 aconteceu, nós já apoiávamos o PCdoB. Em Goiás, os estudantes tomaram um quartel com todas as armas e munições. Foi o famoso assalto ao Tiro de Guerra de Anápoles. Então, a gente já fazia treinamento militar antes do golpe. Cinco desses companheiros foram depois presos. Como eu era o menos queimado do grupo, fui visitá-los no 10º DC (quartel do Exército). Depois disso, não pude mais ficar no Brasil. Foi quando eu parti para a China em 1966”, revive Zezinho.

terça-feira, julho 31, 2007

Rediscutindo a Guerrilha do Araguaia!!!

Neste último fim de semana em Recife, o Jornal do Commércio publicou extensa reportagem com sobreviventes da Guerrilha do Araguaia, onde se discute os erros e acertos daquele movimento armado do PCdoB contra a ditadura. Acompanhem e participem desta discussão. Enquanto isto ainda cobramos das Forças Armadas e do governo explicações e solução para o problema dos desaparecidos, os mortos e os atingidos pela repressão.

ARAGUAIA, A REBELIÃO QUE MAIS ASSUSTOU OS MILITARES

Publicado em 29.07.2007
Ayrton Maciel A ditadura de 64 era o inimigo imediato, mas o movimento era revolucionário. O objetivo era declarar uma guerra popular, a partir da guerrilha rural, levando a insurreição do campo às cidades. Dos 76 guerrilheiros, 58 são declarados mortos ou desaparecidos, 18 sobreviveram (desertaram ou foram presos), 12 estão vivos. Cerca de 30 camponeses se incorporaram e são tidos como mortos ou desaparecidos. É o balanço do movimento armado que mais assustou os militares. A Guerrilha do Araguaia, deflagrada pelo PCdoB em 72 – entre o sul do Pará e o norte de Goiás, hoje Estado de Tocantins –, completa 35 anos. Os ex-guerrilheiros Zezinho do Araguaia, Pedro e Teresa Albuquerque e Dagoberto Alves Costa reencontram-se no Recife e revivem os momentos na selva, em entrevista publicada hoje e amanhã.

O REENCONTRO
MICHÉAS GOMES DE ALMEIDA (ZEZINHO) – “Nasci em Capanema, no Pará, e vivi parte de minha juventude na Ilha do Marajó. Estive com José Porfírio (de Souza, líder camponês) em Trombas e Formoso (revolta camponesa, na década 50, no norte de Goiás) e na construção de Brasília. Tenho 70 anos, 45 de PCdoB e fui parar na Guerrilha do Araguaia. Lá, eu retirei a Criméia (Almeida), quando ela ficou grávida, retirei o João Amazonas, no primeiro ano (1972) e, depois do último combate, retirei o que sobrou da guerrilha, levando para São Paulo o Ângelo Arroyo. Eu tinha visto a Tereza e o Pedro Albuquerque em 71, e daí nunca mais. O reencontro agora foi uma emoção. Na Comissão de Anistia, em Brasília, vi Dagoberto e revi a Regilena (da Silva Carvalho, a Lena, que desertou em julho de 72 e foi presa), José Genoino (Neto, o Geraldo, preso em abril de 72, hoje deputado federal pelo PT de São Paulo), Danilo (Carneiro, o Nilo, que desertou em abril de 72 e foi preso) e Luzia (Reis Ribeiro, a Lúcia, que desertou em junho de 72 e foi presa)”.



PEDRO ALBUQUERQUE NETO – “Militei sempre nos partidos comunistas. Inicialmente, no Partidão (PCB), em Fortaleza, onde nasci. Em 66, no movimento estudantil, passei a militar no PCdoB. Na ida para o Araguaia (1971), era estudante de Direito na Universidade Federal do Ceará, mas fui expulso em 1970, num ato arbitrário do reitor. Aí, entrei para a clandestinidade. No Araguaia, Teresa (Teresa Cristina Albuquerque, a Ana) engravidou. Saímos em 1972, ano em que nasceu a (filha) Isabela”.


TERESA CRISTINA ALBUQUERQUE – “Nasci no Recife e comecei a militância no movimento estudantil, pelo PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário). Eu estudava sociologia, fui presa em 1971 no Alto José do Pinho, em Casa Amarela , e condenada a seis meses, mas saí com 15 dias. Na época, a orientação do PCBR foi a de que os militantes fugissem, pois começara a fase da tortura. Fugi para Fortaleza. Lá, rompi com o PCBR e ingressei no PCdoB, época em que conheci o Pedro, casamos e o partido nos mandou para o Araguaia, em 1971”.


DAGOBERTO ALVES COSTA – “Nasci em São Luiz do Maranhão. Eu era universitário no Rio e pertencia ao PCdoB, quando fui enviado ao Araguaia. Cheguei lá em abril de 1972. Desci do ônibus com o Adriano (Fonseca Fernandes Filho, o Chico), em Xambioá, e fomos esperar o nosso contato, o Jorge, que era o Bergson Gurjão. Quando ele chegou, nos disse para pegar tudo e sair imediatamente, porque o Exército estava na área. A luta tinha começado”.


AÇÕES

ZEZINHO – “Em maio de 1972, nos dividimos depois da primeira ação anti-guerrilha das três Forças Armadas, que chegaram pelo sul do Pará. O primeiro destacamento a ser atacado pelos militares foi o A, no Bico do Papagaio, região do Fortaleza, em 72. Foi quando o (José) Genoino, lá no Gameleira, recebeu a missão de avisar o destacamento C, nos Perdidos, com o Paulo Rodrigues, para que se infiltrassem na mata. O Paulo perde o contato com a Comissão Militar, demora muito tempo a restabeler e, nessa confusão, foi preciso retirar um grupo da direção. Fui escolhido para retirar o João Amazonas. No ano de 1972, chegam a Rioko (Kaiano, esposa de Genoino), o Eduardo (Monteiro Ferreira) e a Elza (de Lima Monnerat, dona Maria). Em 1973, a Criméia (Alice Schmidt de Almeida, a Alice) engravida e eu a retirei da área. Depois, a Rioko é presa em Marabá, a Regina vai para um hospital em Anápoles e de lá segue para São Paulo. Eu era responsável por inserir as pessoas (guerrilheiros) na mata. Eu apanhava as pessoas e fazia a entrada e saída da região, junto com o Líbero Giancarlo Castiglia (o Joca), eu por uma rota e ele por outra”.


DAGOBERTO – “Nosso acampamento seria o do Gameleira, destacamento B, em Xambioá. Lá , conheci Dina (Dinalva Conceição Oliveira Teixeira, subcomandante do detacamento C), Antônio (Guilherme Ribeiro Ribas, o Ferreira), Zé Francisco (Francisco Manoel Chaves, Seu Francisco), Luzia (Reis Ribeiro, a Lúcia), Paulo Rodrigues (o Paulo, comandante do destacamento C), Dower (de Moraes Cavalcante, o Domingos), Comprido (Cilon da Cunha Bueno), o Tobias (Pereira Júnior, o Josias). Da minha chegada à prisão foram 60 dias”.

ZEZINHO – “A primeira incursão do Exército foi em 1970 (a guerrilha do PCdoB não tinha sido descoberta, mas havia outras organizações armadas na região). Começou por Tucuruí, passou por Marabá e chegou a São João do Araguaia, uma extensão de 100 quilômetros. Nós estávamos fazendo o levantamento do Maranhão para completar com o norte de Goiás, até chegar ao Araguaia, no sul do Pará. Antes da divisão em destacamentos, um grupo estava na Gameleira, outro no Castanhal e outro nos Perdidos”.


“DECISÃO GRAVE”

PEDRO – “Chegamos em 1971 (ele e Teresa Albuquerque), passamos nove meses, mais saímos antes da eclosão de combates. Ficamos no destacamento C, da Cigana, que era o maior grupo. Foi um fato grave, importantíssimo naquele momento, quando decidimos deixar a guerrilha, quando a Teresa ficou grávida. Como o partido decidiu não retirar Teresa, nós decidimos sair (sem autorização). Voltamos para Fortaleza, onde fui preso cinco dias antes da Isabela nascer”.


TERESA – “Com a gravidez, decidi que, se eu estava lutando por um mundo melhor, não poderia jamais abortar um filho, mesmo compreendendo o partido, que por questão da segurança dizia que eu não poderia ter um bebê na guerrilha. Decidimos que iríamos ter esse filho. A partir daí, comecei a planejar a fuga. Eu tinha uma orientação geográfica muito boa, ia para os treinamentos sabendo situar-me”.


PEDRO – “No mesmo dia em que chegamos no campo, foi dito que estávamos em um campo de guerrilha. Teresa imediatamente disse que ali não ficaria, que não sabia que tinha ido para aquilo. Ela tinha pouco tempo de partido, diferentemente de mim, tão ligado ao PCdoB que não importaria em dar minha vida naquelas circunstâncias, mas a gravidez nos forçou a uma decisão grave, a de abandonar a guerrilha. Eu não sabia que estava indo para a guerrilha. O que o partido decidisse, eu faria, mas eu achava que íamos fazer um movimento de massa. Estive com o João Amazonas e aceitaria qualquer decisão, ir para onde ele fosse. Mas, eu não sabia. O camarada Zé Duarte (dirigente) afirmou que eu ia cumprir uma missão importante para o partido, que eu ia sem a Teresa, mas resolveu mandar nós dois. Foi um equívoco. Teresa tinha muito pouco tempo de partido. Trabalhava na organização do PCdoB em Pernambuco e na Paraíba”.


O TREINAMENTO

TERESA – “A gente aprendeu um pouco a atirar até por questão de sobrevivência, porque a gente tinha de comer animais da mata. Aprendemos a atirar de espingarda. E aprendemos tática de guerrilha, de como chegar nos locais sem fazer barulho, dormir na mata para saber olhar na escuridão”.


PEDRO - “O treinamento era mais tático e de adestramento. Não foi muito intenso (nos nove meses). Tanto que ao ser transportado de barco (depois de preso em Fortaleza, foi levado de volta ao Araguaia para identificar pessoas e áreas), os militares me deram uma beretta para que eu a armasse. Eu a armei virada para um militar e aí eles disseram que eu queria matar o soldado. Não era essa a intenção”.


TERESA – “A minha idéia de mudar o mundo era através da educação, porque eu era educadora. O partido deu a entender que a gente ia para o interior e eu iria ser professora, trabalhar com as mulheres, a organização, tanto que eu fiquei como professora lá”.


ZEZINHO – “A área onde ela e a Áurea (Elza Pereira Valadão) lecionaram ainda está lá. Fica em Boa Vista, nome mudado pelos militares para tirar o nome de Caiano, batizado por Paulo (comandante) no igarapé Caiano”.

O INÍCIO

ZEZINHO – “Quero esclarecer um ponto que é meio obscuro. Nós não conseguimos concluir o trabalho de levantamento (na área do Araguaia). Estávamos ainda no trabalho quando fomos atacados. Eles eram os companheiros que estavam começando a sentar as bases necessárias para o movimento futuro. Quando aquilo aconteceu, não tínhamos mais como recuar. Naquele momento, em 1972, lembro que quando reunimos todos os companheiros, o Osvaldo (Orlando Costa, o Osvaldão, comandante do destacamento B) disse: ‘chegou o momento dos mais difíceis para nós. Não conseguimos nem nos abastecer do tempo que necessitávamos, mas o povo brasileiro nas cidades está precisando que nós seguremos aqui o tempo que for necessário a ditadura’. Eram jovens com pouco tempo de preparação, sem armamento nenhum, só espingarda, e nós resistimos. Foram três anos de resistência. Resistir foi o suficiente para desgastar o regime”.
































O incômodo de ser acusado de delator
Publicado em 29.07.2007


A deserção da guerrilha em 1972 deixa até hoje o ex-guerrilheiro Pedro Albuquerque no foco da polêmica sobre a derrota da Guerrilha no Araguaia. O hoje sociólogo cearense é apontado pelo PCdoB como um dos delatores do movimento. O relatório Ângelo Arroyo, comandante da Comissão Militar do Araguaia e membro do Comitê Central do partido, dirigido ao próprio comitê, depois da eliminação da guerrilha, cita Pedro como o que teria entregue a guerrilha. Pedro desmente. Preso em Fortaleza logo depois da fuga com a esposa grávida, Teresa, Pedro foi torturado e levado de volta pelos militares ao Araguaia. Arroyo – último a ser retirado por Zezinho do Araguaia da região – acusa as delações de presos e desertores como um dos fatores da queda. Os outros seriam a precária comunicação entre os destacamentos e entre a guerrilha e o partido e a deficiência de armamento. “A saída foi uma decisão muito difícil, que me toca muito mais do que uma notícia de que entreguei a guerrilha”, ressalta Pedro.

A SUSPEITA
PEDRO - “Eu achava que eles já não estavam mais me vigiando (na volta a Fortaleza), trabalhava clandestino como corretor e fui a uma delegacia tirar minha identidade para um emprego no Laboratório Roche, em terezina. Na polícia, fui preso. A partir daí, fiquei no centro da discussão sobre o Araguaia, no que diz respeito à descoberta do movimento. Eu fui acusado pelo camarada Ângelo Arroyo no relatório que ele fez sobre a guerrilha para o partido, como tendo sido a pessoa que teria entregue a guerrilha. E as forças de informações militares se encarregavam de propagar que eu tinha sido delator. Toda a vida desminto isso. A guerrilha já era do conhecimento deles. Vimos a passagem de agentes do Exército com retratos de pessoas”.


DAGOBERTO – “Eu, Danilo, Luzia, sabemos disso. Eu tive conhecimento de documentos de várias organizações, ALN (Ação Libertadora Nacional), VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), Colina (Comando de Libertação Nacional), VAR–Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária). No movimento estudantil, sabíamos que muita gente estava se deslocando para aquela área, e isso era do conhecimento dos serviços de informação. Antes da descoberta do foco (do PCdoB), membros de outras organizações foram presos e falaram. Os militares não sabiam quem eram as pessoas, mas sabiam que existia alguma coisa. Disseram isso a mim e a Danilo nos interrogatórios, que estavam há muito tempo sondando a área. Coletando informes chegaram ao núcleo do PCdoB. No momento em que cheguei, o Exército já tinha feito as primeiras incursões. O pessoal que estava no destacamento de Gameleira, como o Genoino, escapou em questão de minutos à chegada da tropa. O traçado da Transamazônica mostra que queriam impedir qualquer movimento guerrilheiro e permitir a entrada rápida de tropas. Abriram em poucas semanas a PA-70. Em Xambioá, construíram um aeroporto para aviões Búfalos (transporte de tropas) e desembarque de fuzileiros. Ângelo errou. Não houve isso (a traição)”.


ZEZINHO - “O caso de Teresa e do Pedro foi um momento muito importante para a aprendizagem da guerrilha. Houve o caso do Amaro Lins (Francisco), que pediu à direção para não entrar na mata, porque a sua companheira Neuza estava com um filho e precisava do apoio fora. Ele ficou. Depois, teve o caso de Pedro e Teresa, e aí aparece o caso do Danilo, que diz ao comando que não tem estrutura para ficar, pede para sair e ajudamos ele a sair. Era característica da guerrilha segurar a pessoa que não tinha convicção do que estava fazendo. Eu não admito que ninguém tache qualquer companheiro da guerrilha de traidor”.

AS TORTURAS


PEDRO – “Em função das torturas que sofri, passei momentos longos de alucinação. Em um desses, ainda no Pelotão de Investigações Criminais (PIC), em Brasília, disse aos soldados: ‘quero falar com o comandante, quero falar com o comandante’. Quando me levaram, lembro que estava à mesa o general Hugo Abreu, em meio a generais. Tentei recuar, mas saiu uma reflexão. Eu disse: ‘acho que o movimento do Araguaia é uma tentativa de se estabelecer uma zona liberada e isso ser reconhecido na área internacional, principalmente pela China’. Aí, o Hugo Abreu quis aprofundar a questão. Eu demonstrei que era um movimento de conteúdo nacional, a questão de criar um Brasil soberano era o foco. O Hugo Abreu disse: ‘fale mais meu filho, fale mais’. Naquele momento, fiquei confuso, até porque não tinha como me aprofundar. Agora, se os militares sabiam, por que não entraram logo? O Brasil é uma País importantíssimo na América e os militares tinham uma idéia de nação grande e forte, capitalista e moderna. Para isso, a relação do Brasil no campo internacional era muito importante. Acho que eles se dividiram: uns ficaram na extrema direita, o pessoal menos culto, defendendo que se invadisse logo para acabar o foco, outros, preocupados em ser discretos, para não abrir uma frente de luta na Amazônia, evitando assim condições internacionais desfavoráveis. Se o Brasil demonstrasse uma situação de deflagração, poderia afetar a segurança dos investimentos internacionais”.

A ACUSAÇÃO

PEDRO – “A saída (do Araguaia) foi uma decisão (de Teresa e) também minha. Isso foi deixado muito claro para o partido. Teresa disse logo que chegou que iria sair, disse ao Gilberto (Olímpio Maria, ao Pedro Gil, comandante do destacamento C), membro da Comissão Militar e genro do Maurício Grabois (Velho Mário, comandante-chefe das forças guerrilheiras). Quando Gilberto disse ‘daqui nós só saíremos vivos (vitoriosos) ou mortos’, Teresa reagiu: ‘quero dizer que não vim para isso, eu não sabia disso e não estou preparada para isso, e aqui não vou ficar’. Eu sempre estive ao lado dela, embora no caminho eu quisesse desistir. Foi uma decisão muito difícil, que me toca muito mais do que alguma notícia dizendo que eu entreguei a guerrilha, porque eu tenho certeza que não foi”.


DAGOBERTO – “Vocês não tiveram nenhuma responsabilidade sobre isso. Lembro-me que meses depois de preso ali no Pelotões de Investigação Criminais, em Brasília, uma vez o general (Antônio) Bandeira chamou a mim e ao Dower até a sala do comando. Havia outras autoridades militares. Sobre a mesa, toda a literatura disponível em português e espanhol sobre a Amazônia. Ele disse: ‘nem pensem que nós não sabemos onde estamos’. Quando voltaram para a segunda incursão, não sobrou nada. Não tivemos o apoio que teoricamente deveríamos ter tido, uma área segura para que as forças pudessem se recompor”. O relatório do Ângelo (Arroyo) foi uma coisa feita em um aparelho, sob o sufoco, não reflete realmente (o que aconteceu). Foi um negócio muito emocional, fruto de uma grande frustração que aconteceu com todo mundo, por a coisa não ter dado certo. Quando O Pedro foi preso, os militares já estavam na área”.

Inspiração em Mao e nos rebeldes de Trombas e Formoso
Publicado em 29.07.2007


Inspirada na teoria da guerra popular prolongada de Mao Tsé-tung, a Guerrilha do Araguaia teve também um elo nacional, a revolta camponesa no meio-norte do Estado de Goiás, conhecida como a Guerrilha de Trombas e Formoso, a 470 quilômetros ao norte de Goiânia. Um movimento em meados da década de 50 que assumiu a posse da terra e foi o poder político na região, o que se prolongou até 1964, quando o Exército ocupou a área e liquidou a organização.
A revolta camponesa de Trombas e Formoso – referência aos rios que cortam a região – teve como principal personagem José Porfírio de Souza, o Zé Porfírio ou Profiro, como era conhecido no linguajar da população o líder camponês. Com a adesão de estudantes e militantes do PCB, os camponeses combateram e venceram jagunços e tropas policiais aliadas de latifundiários e grileiros de terras, que contavam ainda com a cumplicidade de juízes corruptos.

“Estive com Zé Porfírio em Trombas e Formoso. Camponeses (os mais velhos) que participaram da Guerrilha do Araguaia estiveram lá, onde se formou a república (camponesa), com camponeses armados para resistir. A resistência se dava nas associações de posseiros em Minaçu, Campinaçu, Santa Tereza, Porangatu, São Miguel, em toda a região tinha associação de posseiros, pequenos estados dirigidos por camponeses, e com sua força armada que garantia o poder político. As estradas eram ruins, até para passar carro de boi. Dali, nasceu a Guerrilha do Araguaia em 1972”, relembra Micheas Gomes de Almeida, o Zezinho do Araguaia, vinculando os movimentos.

Organizados em associações, os camponeses de Trombas e Formoso passaram a planejar a produção e comercialização de seus produtos. Em 1960, Zé Porfírio torna-se o primeiro candidato camponês do Brasil a se eleger deputado estadual. Cassado e preso pela ditadura militar de 64, “Profiro” desaparece. Permanece até hoje na relação dos desaparecidos políticos.

Militante do Partidão (PCB), Zezinho revela que em Trombas e Formoso já apareceriam a divisão e a luta ideológica entre os comunistas brasileiros – desencadeada a partir de 1955 – com as deliberações do 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, que condenou o stalinismo (a linha de Josef Stalin). “O movimento comunista em Trombas e Formoso divergiu da coexistência pacífica e colaboração de classe. Como coexistir pacificamente? Ali foi que começou a luta interna do PCB, que adotou as decisões do PC soviético. Isso culminou no afastamento dos dirigentes que divergiam e em 1962 surge o PCdoB”.

segunda-feira, julho 30, 2007

Pernambuco sai na frente do Brasil!!

Para voces verem que decisão política é outra coisa.
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos do PSB, decidiu acelerar o pagamento de anistia política aos que sofreram com a Ditadura naquele Estado. Enquanto isto a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e a Justiça Federal fica enrolando os que têm direito a receber indenização e pensão de anistiados políticos. VAMOS LÁ MINISTRO TARSO GENRO, de uma prensa nesta gente para acelerar os processos também em Brasilia. SE LIGA PRESIDENTE LULA!!!!



GOVERNO COMEÇA A PAGAR INDENIZAÇÕES A ANISTIADOS

Eduardo Campos assina decreto ampliando a lista de anistiados que receberão reparação, e anuncia para o próximo mês liberação de parte dos R$ 2,2 milhões do orçamento destinados aos pagamentos

Sheila Borges
sborges@jc.com.br

Depois de sete meses de gestão, o governador Eduardo Campos (PSB) cumpre a promessa de campanha feita aos anistiados políticos de Pernambuco. Para mostrar que está disposto a imprimir um ritmo mais acelerado ao pagamento das indenizações, assina na terça-feira (31) um decreto que autoriza a inclusão, nesse processo, das últimas 29 pessoas que tiveram seus pedidos aprovados pela comissão especial, composta por membros do governo e da sociedade civil. Esse grupo foi criado unicamente para avaliar os pedidos feitos por anistiados que, durante o regime militar, iniciado com o Golpe de 64, foram presos ou sofreram algum tipo de tortura sob acusação de ter participado de atividades políticas de oposição. O chefe do Executivo assegura que, a partir do próximo mês, começa a liberar os R$ 2,2 milhões, recursos disponibilizados no orçamento estadual deste ano para os ex-perseguidos. Os valores dessas reparações variam de R$ 15 mil a R$ 30 mil.

Dos 277 beneficiados que ainda não receberam o dinheiro, 88 serão contemplados até o fim do ano. A meta do governo é autorizar a liberação de todas as indenizações ao longo dos próximos três anos. Eduardo quer concluir o seu mandato tentando reparar os erros cometidos pelo Estado contra os ex-presos políticos. O maior impasse, além da liberação da verba indenizatória, era justamente essa autorização para se efetuar o pagamento. Isso porque com o encerramento das atividades da comissão especial que avaliou os pedidos, em julho de 2003, 29 anistiados ainda não tinham recebido o aval do Estado. Mas com a publicação do decreto, no Diário Oficial, a lista dos 277 ex-presos políticos será atualizada. Dessa forma, os mais velhos e os que estão doentes recebem primeiro.

Entre os mais velhos estão João Francisco de Carvalho, nascido em 1900, e Manuel José Rodrigues, de 1904, ambos já falecidos. As indenizações avaliadas, respectivamente, em R$ 25 mil e R$ 15 mil serão disponibilizadas para os familiares. Eles não receberam os pagamentos antes porque ainda não tinham sido autorizados por meio de decreto governamental. O secretário executivo de Justiça e Direitos Humanos, Fernando Matos, explicou que uma das cinco metas estratégicas da pasta é quitar esse débito com os anistiados, uma vez que o governo trabalha com a área de Direitos Humanos a partir de três perspectivas: a da promoção, a da defesa e a da reparação.

Matos justificou que o pagamento não tinha sido liberado antes porque, nesses primeiros seis meses, o governo estava organizando as informações dos processos. Ele disse que quando chegou à secretaria os dados estavam desatualizados. “Todo o levantamento foi concluído. O governador tem a compreensão que se não tivesse havido o Golpe de 64 essas pessoas não teriam sido perseguidas e torturadas. É uma questão de reconhecer o trabalho de resistência”, afirmou.

De agosto de 2000, quando o Estado regulamentou a Lei nº 11.773, que criou a comissão para analisar os pedidos de indenizações, a julho de 2003, quando o trabalho desse grupo foi concluído, 444 processos foram aprovados. Desse montante, 167 foram ressarcidos. Com isso, o governo desembolsou R$ 4,4 milhões. No ano passado, apenas 12 pessoas receberam o pagamento, que correspondeu a R$ 333 mil.

O caso mais inusitado ocorreu com o ex-preso político Amaro Ferreira da Costa, que foi incluído na lista dos beneficiados de 2006, mas não recebeu a reparação de R$ 20 mil porque seu nome não constava nos decretos de autorização, sancionados até o ano passado. Ele vai ser contemplado no decreto que Eduardo enviará para a publicação na próxima semana. Além de Amaro, outros 276 estão esperando a liberação dos recursos.

A Assembléia Legislativa aprovou a Lei dos anistiados em maio de 2000, que foi sancionada pelo ex-governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) três meses depois. Com essa legislação, ficou assegurado o direito ao recebimento de indenizações às pessoas que, no período de 31 de março de 64 a 15 de agosto de 79, foram presas e sofreram torturas por agentes do Estado. A comissão especial constituída para analisar os processos tinha que comprovar os danos físicos e psicológicos sofridos pelos anistiados. Os valores eram arbitrados pela comissão dependendo da gravidade das seqüelas e variavam de R$ 3 mil a R$ 30 mil.

Ai esta Elza Maria soprando sua primeira velinha.

ELZA MARIA FEZ UM ANINHO!!! VIVAAAA!!!!!

Foi no ultimo dia 19 de julho que reunimos os amigos mais chegados para comemorarmos o primeiro aniversário da cangaceira/judia/revolucionária Elza Maria Demoner da Silva. O clima quente/frio e seco como o deserto do Saara de Brasilia não impediu que cantássemos os parabens, comessemos bolo e festejássemos este inicio de caminhada de Elza Maria!!!!

A DIREITA ESTA ASSANHADA!!!!!!

Meu velho companheiro de lutas contra a ditadura e o arbitrio, Celso Lungaretti e outros revolucionários e democratas estão preocupados com a intensa movimentação da diretia golpista brasileira. Eles querem aproveitar todas as brechas e erros de membros do governo do presidente Lula para iniciar a articulação de um golpe capitalista/militar e frear os avanços da democracia brasileira e da esquerda em busca do verdadeiro bem estar da humanidade, que é o SOCIALISMO!.
Seu artigo abaixo deve ser lido e refletido.
E nós, cuidarmos de desmontar no nascedouro esta pseudoconspiração golpista.Vamos acionar quem conhecemos para denunciar o que a diretia anda aprontando.
Luiz Aparecido
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CONSPIRADORES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS

Celso Lungaretti *


São cada vez mais explícitas as exortações a uma nova quartelada, evidenciando a existência de um esquema golpista que poderá ser acionado se e quando chegar o momento propício.

Ao entregar espadins a ingressantes nas academias militares, um ministro do Superior Tribunal Militar, Olympio Pereira da Silva Júnior, teve um ataque de incontinência verbal e abriu o jogo: “Não desistam. Os certos não devem mudar e sim os errados. Podem ter certeza de que milhares de pessoas estão do lado de vocês. Um dia, não se sabe quando, mas com certeza esse dia já esteve mais longe, as pessoas de bem deste país vão se pronunciar, vão se apresentar, como já fizeram em um passado não muito longe, e aí sim, as coisas vão mudar, o sol da democracia e da Justiça brasileira vai voltar a brilhar”.

Quando a extrema-direita fez uma verdadeira tempestade em copo d’água em torno da anistia a Carlos Lamarca (culpando o governo federal pelo que fora decisão do Judiciário), o torturador-símbolo do Brasil, Carlos Alberto Brilhante Ustra, recebeu mensagem de um oficial da reserva pregando virada de mesa e só contestou o timing: “O fruto ainda não está maduro para ser colhido”. Sua certeza de impunidade é tamanha que ele manteve essa “troca de idéias” on-line!

Os grupos Guararapes da vida lançam manifestos bombásticos aos militares (“A honra ou a morte!”) e os conspiradores já saíram às ruas em Salvador, tentando repetir as marchas “da família, com Deus, pela liberdade” que prepararam o terreno para a derrubada de João Goulart.

O script, aliás, é bem semelhante ao de 1964, com o MST no papel das Ligas Camponesas, o caos aéreo substituindo a agitação nos escalões inferiores das Forças Armadas (em que pontificou o famigerado cabo Anselmo), um fantasmagórico Foro de São Paulo fazendo as vezes da “conspiração comunista urdida por Moscou e Pequim”...

Alarmismo exacerbado

Os acontecimentos do dia-a-dia são enfocados de forma tendenciosa e exagerada, como no caso da tragédia de Congonhas. Apesar das evidências gritantes de que a responsabilidade maior foi das empresas aéreas e sua ganância criminosa, a morte de 200 pessoas deu pretexto a uma enxurrada de panfletos virtuais contra o governo Lula, cuja virulência ultrapassou todos os limites do razoável.

É certo que continuou permitindo o pouso de aeronaves de grande porte num aeroporto que não mais as comportava, cedeu aos lobbies colocando uma pista em operação antes de estar pronta e não cumpriu devidamente sua missão de fiscalizar o cumprimento de normas de segurança.

Mas, em matéria de omissão e subserviência aos interesses econômicos, pouco difere dos governos anteriores, não se justificando, nem de longe, o clima apocalíptico que se tenta insuflar por meio da WEB e até de alguns manifestações na grande imprensa, como o editorial de O Estado de S. Paulo que proclamou o “colapso do lulismo em matéria de permitir, em última análise, que o país funcione”.

Ora, um observador isento concluiria que o país vem funcionando exatamente da mesma forma desde a década passada, quando se abateu sobre ele a desumanidade característica do capitalismo globalizado.

E até há uma pequena melhora na situação econômica, como se depreende dos dados sobre o desempenho do mercado de trabalho no último semestre: em 85,7% das negociações coletivas, os trabalhadores obtiveram reajuste acima da inflação, enquanto 10,7% empataram e só 3,6% ficaram aquém da alta de preços.

“A recuperação dos salários reais, ao lado da expansão do crédito, tem dado impulso a um crescimento robusto da demanda interna. Com o aquecimento do consumo e do investimento, a criação de empregos com registro formal atingiu número recorde no primeiro semestre . O saldo líquido entre admissões e demissões foi de 1,095 milhão, o maior já registrado”, assinalou a Folha de S. Paulo, também em editorial.

Ou seja, a economia começa a ingressar num período de alta, o que sempre alavanca o prestígio dos governos no Brasil. Esta é a causa mais provável do desespero que se observa entre as viúvas da ditadura e os neo-integralistas. Acreditavam que o transcurso do tempo serviria a seus propósitos de acumulação de forças e vêem suas chances, pelo contrário, diminuírem.

O certo é que há muitos empecilhos ao seu sonho de bisar 1964: os EUA e os grandes empresários hoje não têm motivo nenhum para embarcar nessa aventura; o golpismo não encontra guarida no catolicismo e, muito menos, junto aos neopetencostais; o fim do socialismo real privou os conspiradores de um espantalho crível; a classe média não parece disposta a passar dos resmungos virtuais à ação concreta etc.

Som e fúria nulos

Então, por enquanto, esse estardalhaço todo se reduz, parafraseando Shakespeare, a “uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, significando nada".

Mesmo assim, o obscurantismo e as atrocidades que marcaram o período 1964/1985 nos obrigam a acompanhar com muita atenção esses tentativas de reincidência, jamais subestimando o perigo.

Há uma lâmina suspensa sobre nossa democracia. Poderá jamais ser acionada. Mas, melhor do que rezarmos para que não aconteça o pior, é a desarmarmos o quanto antes essa guilhotina.

Começando pela apuração rigorosa dos crimes virtuais que estão sendo cometidos pelos golpistas, como incitações sediciosas, difamação e calúnia.


* Celso Lungaretti, 56 anos, é jornalista em São Paulo, com longa atuação em redações e na área de comunicação corporativa, e escritor. Escreveu Náufrago da utopia (Geração Editorial, 2005). Mais dele em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/.

segunda-feira, julho 23, 2007

O mundo gira e a Luzitana roda!!!!!

È minha gente, a Elza Maria fez um aninho no último dia 19 de julho, já fazem dois meses e meio que sai da Presidencia da República e continuo de quarentena até que o Congresso e os poderosos resolver fazer alguma coisa pela minha vida.
E por fim continuo aguardando a modorrenta Comissão de Anistia do Ministéiro da Justiça e a Justiça Federal concderem minha ANISTIA com a respectiva pensão e reparação pelos anos de cana, tortura e desempregos.
Mas estamos ai.....