segunda-feira, outubro 15, 2012

Protegendo os animais!!!



O GAP é um movimento internacional cujo objetivo maior é lutar pela garantia dos direitos básicos à vida, liberdade e não-tortura dos grandes primatas não humanos - Chimpanzés, Gorilas, Orangotangos e Bonobos, nossos parentes mais próximos no mundo animal. O Projeto GAP Brasil começou suas atividades em 2000, dirigido e inspirado no cientista, microbiólogo e ativista dos direitos humanos e dos animais, Dr. Pedro Ynterian e atualmente conta com 4 santuários afiliados que abrigam em sua maioria animais resgatados de maus-tratos e condições inadequadas de vida em circos, espetáculos e zoológicos. Atualmente o GAP Brasil é a sede do projeto internacional, em função do trabalho de destaque com chimpanzés desenvolvido no país. Vale a pena conhecer as atividades desta entidade cuja sede é em Sorocaba, São Paulo e tem uma página na Internet, acessável em http://www.projetogap.org.br.

quarta-feira, outubro 10, 2012

Afinal, por que a Venezuela reelegeu Hugo Chávez?



Por Eric Nepomuceno, da Carta Maior
Como, diante de tantos problemas, e tendo à mão um candidato de oposição, a imensa maioria dos venezuelanos preferiu manter Hugo Chávez no poder? A resposta é simples: pela primeira vez os venezuelanos têm um presidente que governa para a imensa maioria. Que liquidou o analfabetismo, estendeu a atenção pública da saúde a todos, que dissemina escolas de período integral, que criou brigadas para dar atenção social aos desassistidos de sempre. O artigo é de Eric Nepomuceno.
Eric Nepomuceno
A verdade é que havia uma clara tensão entre as pessoas que rodeavam Hugo Chávez na noite do domingo, dia sete de outubro. Enquanto se aguardava a primeira manifestação do Conselho Nacional Eleitoral, o CNE, corriam rumores de todos os tipos. Com as pesquisas de boca de urna proibidas por lei, qualquer rumor era notícia. E foi assim que, por volta das nove da noite, houve um primeiro suspiro de alívio: a vantagem, que naquela altura era de uns cinco pontos de diferença sobre o candidato Henrique Capriles, seria irreversível. Mas, ainda assim, foi um suspiro tenso: a diferença era muito menor que a prevista. Até que veio, afinal, o número oficial: uma vitória de dez pontos – dez contundentes, indiscutíveis pontos. Aliás, dez pontos e meio.

E assim a Venezuela dormiu em festa, para no dia seguinte despertar pensando em como serão os dias daqui em diante. E realmente há muito a ser pensado.

Em primeiro lugar, há um visível – e natural – desgaste do governo, depois de treze anos. Durante a campanha, Hugo Chávez pôde sentir de perto os efeitos do tempo no poder. Há insatisfação com a espiral inflacionária, com o rígido controle sobre preços e a sobrevalorização da moeda, que faz com que exista carência de produtos. Há problemas com o fornecimento de energia elétrica, as falhas administrativas são gritantes, o funcionalismo público foi inchado de maneira escandalosa. Há uma grande irritação com os excessos da burocracia, com a lentidão na atenção de alguns serviços públicos, com o déficit habitacional, com as crescentes dificuldades do dia a dia. E, finalmente, aumenta de forma desembestada o mais agudo flagelo sentido pelos venezuelanos, em especial em Caracas: a violência urbana, que faz da Venezuela um dos países mais violentos do mundo e o segundo da América Latina.

Ao mesmo tempo, são palpáveis os efeitos de um claro boicote de investidores, que ora alegam a instabilidade política, ora a falta de marcos jurídicos que protejam seus interesses a longo prazo, e o tempo todo criticam duramente a intervenção do Estado na economia. Já os analistas e consultores dos chamados mercados financeiros, junto com os organismos internacionais, gritam aos céus quando falam nas contas públicas e, em especial, do chamado déficit fiscal. Reclamam com urgência a necessidade de cortes nos gastos do governo, aumento de impostos, desvalorização, menor dependência do petróleo, com investimentos na indústria e na agricultura.

Em segundo lugar, é preciso pesar com calma o que significou a candidatura de Henrique Capriles, um jovem advogado de 40 anos, que soube dar uma reviravolta em seu discurso exacerbadamente neoliberal para se apresentar como uma espécie de novo Lula, alardeando sua preocupação com o bem-estar social dos venezuelanos. Com isso, mais a insatisfação e o desgaste natural de um governo de treze anos, Capriles conseguiu arrebatar uma votação muito expressiva, de 44% do eleitorado. Percorreu com agilidade de gazela e fôlego de leão o país de ponta a ponta, numa impressionante maratona de comícios, passeatas e visitas. Tornou-se conhecido e popular, pelo menos para os pouco mais de seis milhões de venezuelanos que votaram nele. Caberá a Capriles, agora, uma missão difícil: manter unida a oposição e tentar estabelecer um diálogo aberto e fluído com Chávez.

Finalmente, deve-se observar que com esse resultado se confirma um país claramente dividido. Existe uma maioria consistente que aprova a gestão de Chávez e sua revolução bolivariana, e uma minoria bastante significativa que desaprova.

Essas eleições serviram para deixar visíveis esses dois lados. Não por acaso, depois da mais apertada disputa eleitoral enfrentada por Hugo Chávez desde que chegou ao poder pela primeira vez, em 1999, 81% dos eleitores foram votar, num país onde o voto não é obrigatório. Ninguém quis se omitir na hora de escolher um entre dois projetos antagônicos de futuro. Foi a maior participação eleitoral da história do país, o que não faz mais do que legitimar a vitória de Chávez.

A grande pergunta é a seguinte: como, diante de tantos problemas, e tendo à mão um candidato de oposição, a imensa maioria dos venezuelanos preferiu manter Hugo Chávez no poder?

E a resposta é simples, extremamente simples: porque pela primeira vez os venezuelanos têm um presidente que governa para a imensa maioria. Que leva adiante, aos trancos e barrancos, uma verdadeira revolução. Que liquidou o analfabetismo, estendeu a atenção pública da saúde a todos, que dissemina escolas de período integral, que criou brigadas – as misiones – para dar atenção social aos desassistidos de sempre. Que, apesar do que ainda falta, promove uma reviravolta na questão habitacional. Um presidente que criou mercados públicos onde não há abundância, é verdade, mas há o básico, e a preços populares. Que aumentou as vagas universitárias, que criou bolsas de estudo num sistema justo e eficaz. Que recuperou a soberania e está sendo fundamental para, através da generosa solidariedade tão abandonada nesse mundo de hoje, promover a integração da América Latina.

Anunciados os resultados oficiais, Chávez e Capriles prometeram manter um diálogo aberto. Enalteceram a democracia e agradeceram seus votos. Passado o tempo da delicadeza, será a hora de ver como se comportará a oposição.

Chávez surpreendeu ao fazer um reconhecimento insólito: disse que são muitas, sim, as falhas de seu governo. E prometeu lutar ao máximo para corrigir todas elas.

Henrique Capriles prometeu colaborar para que a Venezuela tenha dias melhores.

Há uma diferença enorme entre a palavra de Chávez e a da oposição. A maioria dos venezuelanos – 54,4% deles – demonstrou, nas urnas, em qual dessas palavras vale a pena confiar. Afinal, e apesar de tudo, a vida mudou muito, e para muito melhor, ao longo dos últimos treze anos. Foi tanto o conquistado, que a maioria sabe que conquistou também o direito de reclamar. E o primeiro a reconhecer esse direito foi precisamente o homem que mudou o rosto do país: Hugo Chávez.

Link:



terça-feira, outubro 09, 2012

SE REALIZAMOS COM COMPETENCIA UMA GRANDE ELEIÇÃO, PORQUE NÃO REALIZARMOS A "COPA DO MUNDO" E OUTROS EVENTOS!


Competência nós Temos


JAIME SAUTCHUK (*)

Foram mais de 500 mil urnas eletrônicas que chegaram ao seu destino no prazo certo e funcionaram direitinho tanto no centro de São Paulo quanto na mais recôndita comunidade da Amazônia. Milhares de pessoas trabalhando para que quase 140 milhões de brasileiros tivessem a possibilidade de votar. E para que duas horas depois de fechadas as urnas o país já soubesse seus resultados.

Foi encantador o sucesso das eleições municipais do último domingo, sob a coordenação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ocorrências de quebras de regras, como a boca de urna ilegal, e falhas em equipamentos foram tão poucas e tão prontamente resolvidas que passaram despercebidas. E a eficácia do sistema não deixou margens a qualquer dúvida sobre os resultados das urnas.

É certo que o sistema eleitoral brasileiro, de pouca idade, é tido hoje como o mais moderno e confiável do mundo. O que se fez agora foi introduzir novos melhoramentos que facilitam o processo para o eleitor e ao mesmo tempo o tornam mais ágil e seguro para quem cuida da parte operacional, o que inclui a segurança das informações e das pessoas envolvidas no gigantesco evento.

É certo que a abstenção foi além do que se esperava e das marcas históricas. A média nacional de eleitores que deixaram de votar foi de 16% e, em cidades como São Luiz, Salvador e São Paulo chegou a 19%. No Rio, foi a 20%. Em 2008, a média nacional foi de 14% e já era tida como alta.

A nova legislação eleitoral, que restringe a ação de cabos eleitorais, por exemplo, talvez tenha contribuído para a queda na mobilização. Mas é um mal necessário. A mobilização se corrige, já corrupção, como o voto de cabresto, é mais complicada.

Na Venezuela, que teve eleições presidenciais no mesmo dia e onde o voto é facultativo, a abstenção foi de apenas 12%. E levando-se em conta que o vizinho país implantou de vez a tecnologia brasileira de urnas eletrônicas e sistema de apuração. Também lá, duas horas após o fechamento das urnas sabia-se o resultado, que deu vitória ao presidente Hugo Cháves.

No frigir dos ovos, portanto, tira-se disso um sentimento de que nós, brasileiros, temos capacidade de organizar qualquer tipo de evento, nas dimensões que se fizerem necessárias. E isso vale, pois, para os eventos esportivos que vêm por aí, em especial a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016.

Ao fazermos uma analogia entre as eleições e os eventos esportivos, entretanto, vemos que neste outro setor o buraco é mais embaixo. Também nos esportes, quem traça as linhas de ação e financia os eventos é o poder público. Mas, neste caso, quem põe a coisa para funcionar são as entidades esportivas, ainda eivadas de cartolas incompetentes e corruptos, mas ricos. E que se agarram aos seus poleiros com unhas e dentes, décadas a fio.

No futebol, o comando da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é do histórico antro de cartolas da dinastia de João Havelange e seu ex-genro Ricardo Teixeira, que há seis décadas mantêm a entidade nas listas de fichas sujas. As falcatruas que praticam, usando entidades como biombos, são por demais conhecidas e condenadas mundo afora, mas não há quem os coloque atrás das grades.

Nos esportes olímpicos, quem dá as cartas por aqui é o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), há décadas também controlado por outra dinastia, a de Carlos Arthur Nuzmann. Aliás, seu grupo acaba de ser reeleito, em pleito de chapa única, para mais um mandato, que vai até 2017. Ou seja, até depois das Olimpíadas de 16.

Os cerca de R$ 550 milhões investidos pelo TSE nestas eleições municipais – o que mereceu críticas de diversos setores -- são fichinha perto do que se gasta em esportes. Mesmo levando-se em conta que parte desses recursos vai para a sustentação de atletas já formados nas modalidades olímpicas. Mas, ainda faltam políticas de universalização do acesso, que deveria ocorrer principalmente na escola.

Em ambos os casos, as atividades e os atletas envolvidos nas competições são frutos de escolha dos cartolas. No futebol, a prioridade é a seleção principal, onde corre muita grana. Até mesmo no comércio de jogadores. Afinal, um convocado tem seu valor de passe multiplicado por muitas vezes de uma hora para outra.

É público e notório o jogo de interesses que envolvem a convocação de jogadores para selecionados. Isso explica, também, porque o Brasil armazena bons resultados em copas do mundo, por exemplo, mas não consegue ganhar campeonatos de categorias inferiores ou mesmo faturar o esperado ouro olímpico no futebol.

Nos esportes olímpicos é a mesma coisa. Algumas modalidades são tratadas com muito mimo e muita grana. É o caso do vôlei, por exemplo, esporte de origem de Nuzmann e da maior parte dos demais dirigentes do COB. E que também tem um forte mercado de jogadores e jogadoras.

O atleta individual (um fundista, por exemplo), contudo, surge ao acaso, por esforço próprio e não por mérito de alguma política que de fato torne o acesso universal. São meninos e meninas laçados ao acaso, por pura sorte.

Ou seja, para que a gente demonstre nossa competência também em eventos esportivos, há que se jogar pesado com essas entidades e seus cartolas.

Ou, então, convoquemos o TSE!

*Jaime Sautchuk é jornalista, escritor, lutador pela Paz, ambientalista e revolucionário de primeira hora





segunda-feira, outubro 08, 2012

PERDI! NÃO ERREI,APRENDI!!!



Poucos dias antes das eleições, tornei publica aqui e no meu Blog do Luiz Aparecido, minhas preferencias por candidaturas em vários Municípios do País. São Paulo, Vitória, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre e outras. Meus candidatos a prefeito perderam ou foram para o segundo turno em vários lugares. Meus candidatos a vereador venceram em alguns municípios  e perderam em outros.
Fiz a escolha certa, por homens e mulheres de bem, progressistas, revolucionários e pelo meu partido, o PCdoB, sempre. Os que ganharam vão honrar os mandatos que o povo lhes concedeu e cumprir seus programas e propostas. Os que perderam, vão continuar na luta incessante pelo bem estar do povo e pelo progresso do Brasil e melhorias por suas cidades. Manuela em Porto Alegre, Angela Albino em Florianópolis, Inacio Arruda em Fortaleza, Isaura em Goiânia e outros que perderam as eleições vão continuar na luta.
Vanessa Grazziotin vai lutar para vencer o demo/tucano em Manaus. Neto Barros ganhou a primeira prefeitura para o PCdoB em Baixo Guandú, no Espirito Santo. Namy Chequer se reelegeu em Vitória, Professor Evaldo em Fortaleza. Outros não tiveram sucesso, como Xaolin da Rocinha, no Rio de Janeiro, Luciana Bernardes em Vitória, Jamil Murad em São Paulo. Mas estarão com certeza em todas trincheiras de luta que os interesses do povo e de suas cidades estiverem em jogo. Por isto digo que não perdemos, aprendemos e vamos em frente!!!

Poeta e escritor Julio Cortázar, comenta morte de Che Guevara!!


Cortázar comenta a morte do Che, em 1967

Carta de Julio Cortázar após a morte do Che


Paris, 29 de outubro de 1967

Roberto, Adelaida, meus muito queridos:
À noite, voltei a Paris desde Argel. Só agora, em minha casa, sou capaz de escrever-lhes coerentemente; lá, metido em um mundo onde só contava o trabalho, deixei irem-se os dias como em um pesadelo, comprando jornal após jornal, sem querer convencer-me, olhando essas fotos que todos temos olhado, lendo as mesmas notícias e entrando hora a hora na mais dura das aceitações. Então me chegou sua mensagem telefônica, Roberto, e entreguei esse texto que deves receber e que volto a enviar-te aqui para que haja tempo de que o vejas outra vez antes que seja impresso, pois sei o que são os mecanismos do telex e o que ocorre com as palavras e as frases. Quero dizer-te isto: não sei escrever quando algo me dói tanto, não sou, não serei nunca o escritor profissional pronto a produzir o que se espera dele, o que lhe pedem ou o que ele pede a si mesmo desesperadamente. A verdade é que a escrita, hoje e diante disto, parece-me a mais banal das artes, uma espécie de refúgio, de dissimulação quase, a substituição do insubstituível. O Che está morto e a mim não me resta mais que silêncio, até quem sabe quando; se te enviei este texto foi porque foste tu quem mo pediu, e porque sei quanto querias ao Che e o que ele significava para ti. Aqui em Paris encontrei uma mensagem de Lisandro Otero pedindo-me cento e cinquenta palavras para Cuba. Assim, cento e cinquenta palavras, como se alguém pudesse sacar as palavras do bolso como moedas. Não creio que possa escrevê-las, estou vazio e seco, e cairia na retórica. E isso não, sobretudo isso não. Lisandro me perdoará meu silêncio, ou o entenderá mal, não me importa; em todo caso, tu saberás o que sinto. Olha, lá em Argel, rodeado de imbecis burocratas, em um escritório onde se seguia com a rotina de sempre, me fechei uma e outra vez no banheiro para chorar; tinha que estar em um banheiro, compreendes, para estar só, para poder desafogar-me sem violar as sacrossantas regras do bom viver em uma organização internacional. E tudo isto que te conto também me envergonha porque falo de mim, a eterna primeira pessoa do singular, e, no entanto, me sinto incapaz de dizer nada sobre ele. Calo-me então. Recebes-te, espero, a mensagem que te enviei antes da tua. Era minha única maneira de abraçar-te, a ti e a Adelaida, a todos os amigos da Casa. E para ti também é isto, o único que fui capaz de fazer nestas primeiras horas, isto que nasceu como um poema e que quero que tenhas e que guardes para que estejamos mais juntos.

Che

Eu tive um irmão.
Não nos vimos nunca
porém não importava.
Eu tive um irmão
que ia pelos montes
enquanto eu dormia.
Quis-lhe a meu modo,
tomei-lhe sua voz
livre como a água,
caminhei às vezes
próximo de sua sombra.
Não nos vimos nunca
porém  não importava,
meu irmão acordado
enquanto eu dormia,
meu irmão mostrando-me
por trás da noite
sua estrela eleita.

Logo nos escreveremos. Abraça forte a Adelaida. Até sempre, Julio

Colaboração de Carlos Pompe

quinta-feira, outubro 04, 2012

Laldert, da Grecia, informa. Manifestações tomam conta de Atenas!



Só hoje na Grécia, na capital Atenas, teve mais de 30 manifestações populares contra a politica da "troika" e dos imperialistas e capitalistas. Centro, bairros, vielas e morros, tudo tomado pelas massas!! E o Partido Comunista de lá, sempre na vanguarda da luta esteve na frente de todas, dirigido-as. Quem informa diretamente de Atenas, é nosso amigo e companheiro Láldert Castello Branco. Ele tá revigorado com o sentimento de luta das massas gregas e a beleza das mulheres de lá. A Europa não se curva e luta contra o arrocho capitalista dos banqueiros e seus lacaios!!
Parte superior do formulário
 E o povo aqui só pensando em eleições municipais. È importante tambem, mas o buraco é mais embaixo. Motivos é que não faltam para irmos para as ruas combater o capitalistas e seus agentes e as intenções criminosas dos imperialistas!!
Parte inferior do formulário

quarta-feira, outubro 03, 2012

MAURICIO GRABOIS FARIA 100 ANOS ! Dedicou a vida ao PCdoB e ao povo Brasileiro!


Aqui um dos ultimos textos de Mauricio Grabóis, escrito nas selvas do Araguaya. Um hino de amor ao Partido e ao povo brasileiro!!

Há 40 anos, nas selvas do Araguaia, no seu Diário de Campanha, o nosso comandante escrevia um texto tão pungente, impregnado de amor ao seu Partido e à revolução.

"2/10/72 – Completo 60 anos. Não é uma idade própria para um guerrilheiro. Mas esforço para cumprir meu dever de revolucionário. Dois terços de minha vida, precisamente 40 anos, dediquei ao Partido (...)  Agora, estou nas matas do Araguaia, ao lado de jovens e bravos lutadores, enfrentando forças militares da ditadura. De todas as tarefas que tive a meu cargo, esta missão é a que eu mais gosto, apesar de ter a saúde abalada pelo peso dos anos e por longa e febril atividade revolucionária.
Orgulho-me do meu partido e por ele estou disposto a dar minha vida. Somente o PC do Brasil pode conduzir o nosso povo à vitória na luta pela liberdade, a emancipação nacional e o socialismo. Em contato com os corajosos combatentes que aqui se encontram, rapazes e moças, refaço minhas energias, inspiro-me em seu desprendimento e cada vez mais confio no radioso futuro de nosso glorioso destacamento de vanguarda do proletariado.
No meu 60 Aniversário, volto-me com carinho e admiração para os velhos dirigentes do Partido, em especial para o camarada Cid (refere-se a João Amazonas), a quem ligam sólidos e inquebrantáveis laços de amizade, forjados, ao longo de dezenas de anos, em duras e difíceis lutas. Lembro-me também da minha companheira de mais de 30 anos, comunista como eu, pronta para todos os sacrifícios. Nesta hora, eu penso nesta dedicada amiga. Estou certo de que ela pensa igualmente em mim. Do mesmo modo, orgulho-me dos meus filhos, militantes abnegados, que atuam em diferentes setores da atividade partidária. Recordo-me do meu neto, a quem quero tanto bem, convencido de que, no futuro, será também um revolucionário a serviço da grande causa do socialismo e do comunismo.
Após quatro décadas de militância ininterrupta, mantenho o mesmo otimismo e ardor revolucionário de meus 19 anos. Mais dia menos dia a revolução brasileira triunfará. E vale a pena contribuir para a sua vitória  (...)". Maurício Grabois




O dia 2 de outubro de 2012 assinalou a passagem dos cem anos de nascimento de Maurício Grabois, um dos principais pilares da história do Partido Comunista do Brasil. Nascido na cidade paulista de Campinas e acidentalmente registrado pela segunda vez em Salvador (BA), ele era filho de judeus vindos da Ucrânia fugindo das perseguições antissemitas e dos castigos da guerra do Império Russo com o Japão.

Em 1930, Maurício Grabois desembarcou no Rio de Janeiro para fazer o “Curso Anexo” da Escola Militar do Realengo, onde ingressou em 1931. Mandado para o 1º Regimento de Infantaria em 1932, neste mesmo ano integrou-se à Federação da Juventude Comunista e logo assumiu a direção nacional de comunicação da organização. Por esta porta, Maurício Grabois entrou para o Partido Comunista do Brasil, à época com a sigla PCB.
No levante da Aliança nacional Libertadora (ANL) de 1935, Maurício Grabois estava no olho do furacão. Em seguida, mergulhou fundo na clandestinidade para ajudar a manter o fio que sustentaria o mínimo de organização do Partido Comunista do Brasil — o jornal A Classe Operária. Mesmo nos tempos mais duros da repressão do Estado Novo, ele e mais alguns jovens intrépidos — entre eles, Amarílio Vasconcelos — mantiveram na ativa o órgão central do Partido.
Com a prisão de todo o Comitê Central, Maurício Grabois e Amarílio Vasconcelos começaram a articular a Comissão Nacional de Organização Provisória (CNOP), que seria integrada, mais tarde, por João Amazonas e Pedro Pomar, vindos do Pará; Diógenes Arruda Câmara, vindo da Bahia; e Luis Carlos Prestes, que estava na prisão. O objetivo era reorganizar o Partido Comunista do Brasil, meta alcançada com a realização da Conferência da Mantiqueira, em 1943.
A vitória da democracia na Segunda Guerra Mundial criou as condições para o fim da estrutura do Estado Novo. Maurício Grabois e seus camaradas organizaram um fantástico movimento de massas que conquistou a anistia aos presos políticos — entre eles, Prestes —, a convocação da Assembleia Nacional Constituinte e a realização de eleições em 2 de dezembro de 1945. Em 1º de fevereiro, ele e mais quatorze deputados, além do senador Luis Carlos Prestes, entraram no Palácio Tiradentes, no Distrito Federal — Rio de Janeiro, à época —, para tomar posse como constituintes eleitos. Quase oito meses depois, o país recebeu a Constituição que enterrou os entulhos do Estado Novo.
Imediatamente depois, Maurício Garbois assumiu a liderança da bancada comunista na Câmara dos Deputados, onde liderou uma batalha gigantesca contra o que ele chamava de “restos fascistas”.
Nesse período, escreveu intensamente para desmascarar as manobras anticomunistas. Além da Tribuna Popular, propôs o relançamento d’A Classe Operária, o que ocorreu em 9 de março de 1946.
Ao final da refrega iniciada logo nos primeiros dias de 1946, o Partido Comunista do Brasil perdeu seu registro legal no Tribunal Superior Eleitoral e todos os comunistas eleitos foram cassados. Em meados de 1955, Maurício Grabois chefiou o terceiro grupo, de 51 integrantes, que fez um curso de duração de mais de um ano em Moscou, ministrado pela Escola Superior do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética (PCUS).
Em 1960, no processo do V Congresso, ele iniciou a série de artigos de um grupo que recusou a revisão da linha revolucionária do Partido Comunista do Brasil, iniciada com a publicação da Declaração de Março, em 1958. Maurício Grabois foi o primeiro a escrever e deixou bem claro que havia no Partido “Duas Concepções, Duas Orientações Políticas” — título do seu artigo inicial.
Na “Tribuna de debates”, publicada no jornal Novos Rumos, cristalizaram-se duas posições antagônicas: de um lado ficaram, além de Maurício Grabois, entre outros, João Amazonas, Pedro Pomar, Carlos Nicolau Danielli e Ângelo Arroyo; de outro, estavam nomes como Luis Carlos Prestes, Mário Alves e Jacob Gorender. A polêmica evoluiu para a criação do Partido Comunista Brasileiro e a reorganização do Partido Comunista do Brasil — agora um PCB e outro PCdoB.
A chegada do golpe de Estado em 1964 fez com que o PCdoB optasse pelo caminho da luta armada. Maurício Grabois, João Amazonas, Ângelo Arroyo e Elza Monnerat foram para a selva do Araguaia, no Sul do estado do Pará, preparar a implantação de um núcleo do que seria a guerra popular. Além das tarefas práticas, Maurício Grabois e João Amazonas escreveram os estratégicos textos Atualidade do pensamento de Lênin e Cinquenta anos de Luta — o primeiro uma crítica à tese do “Pensamento de Mao Tse-tung” como “nova etapa do marxismo” e o segundo um retrospecto das atividades ininterruptas do Partido Comunista do Brasil.
Para João Amazonas, Maurício Grabois foi o grande amigo, o grande camarada. “O Maurício Grabois foi um dos maiores propagandistas que o Partido já teve, um homem de muitas ideias”, afirmou. Em sua sala, na velha sede nacional do PCdoB na Rua Major Diogo, em São Paulo, João Amazonas conservava um quadro com a foto de Maurício Grabois em posição mais destacada entre outras referências comunistas. Ele também lembrou da constituinte de 1946, “na qual Maurício Grabois teve uma presença de espírito muito grande”.
Nas entrevistas que fiz para o livro Maurício Grabois — uma vida de combates, a admiração por ele foi unânime. Segundo Renato Rabelo, atual presidente nacional do PCdoB, João Amazonas lembrava do Maurício Grabois em tudo. “Era, na opinião dele, talvez o maior dirigente que o Partido teve”, disse. “Eles deviam ter uma ligação de amizade muito forte”, afirmou.
Edíria Carneiro, a companheira de João Amazonas, ao buscar na memória lembranças de Maurício Grabois estampava no rosto um semblante de carinho e bom humor. “Ele era muito engraçado”, disse ela, com o pensamento longe. Armênio Guedes, que morou com ele nos tempos da revista Continental, lembrou: “Era de um temperamento afável no trato com as pessoas, um sujeito de muita compreensão com o lado humano do militante. O Grabois e o Amarílio eram educados, não eram mandonistas.”
Do mesmo modo, Jacob Gorender lembrou de Maurício Grabois com reverência. “Tenho dele as melhores recordações. Era afável, fácil de se conversar. Foi um grande camarada, isso é fora de dúvida”, disse. Na sala de sua residência repleta de livros, de pé na porta, com a entrevista já encerrada, Gorender disse: “Não esqueça de registrar minha grande admiração por Maurício Grabois. Foi uma pessoa distinta. Estivemos em campos diferentes, mas isso nada tem a ver com sua integridade, simpatia e camaradagem.”
Diógenes Arruda Câmara, em artigo publicado no jornal A Classe Operária de setembro/outubro de 1978, disse que “considerável foi sua atividade, tanto político-ideológica como prática, no trabalho de reorganização marxista-leninista do Partido de 1961 a 1962, contribuindo de forma destacada, juntamente com o camarada Amazonas, para o esclarecimento de importantes problemas da revolução brasileira e na elaboração do Programa do Partido, aprovado na Conferência Nacional Extraordinária de fevereiro de 1962”.
Sobre a atuação de Maurício Grabois na Guerrilha do Araguaia, Arruda afirmou: “Ali esteve desde os primeiros momentos, ali conviveu com as massas exploradas e oprimidas e sentiu sua grande revolta, ali atuou abnegadamente ombro a ombro com todos os camaradas, ali colaborou na elaboração de valiosos documentos políticos e militares, ali comandou as Forças Guerrilheiras do Araguaia, ali tombou como um bravo. Caiu com glória, caiu de arma na mão naquele campo de batalha da luta de classes, no Araguaia — ponto alto da referência da luta revolucionária e libertadora de nosso povo.”

terça-feira, outubro 02, 2012

Aldo Arantes desmonta farsa do "Julgamento do Mensalão e o perigo da politização do STF!!





Aldo Arantes: O STF e o julgamento político do “mensalão”
A mídia conservadora já julgou e condenou os envolvidos no chamado “mensalão”. Procuram agora compelir o STF a julgar o caso segundo esta posição. E, fato grave, há ministros que estão “jogando para a plateia”, em sintonia com a mídia. Manifestam-se claramente já definidos pela condenação dos acusados, mesmo que para isto seja necessário atropelar jurisprudências consolidadas pela própria Corte Suprema.

*Por Aldo Arantes, especial para o Vermelho.org

O professor de Direito da PUC de São Paulo Pedro Serrano publicou artigo na revista Carta Capital sob o título “Juízo de Exceção na Democracia”, onde afirma: “A Corte (STF) tem adotado posições de constitucionalidade duvidosa e de mudança evidente em sua recente, mas incisiva jurisprudência no âmbito penal”.

Esta alteração na posição do STF fica patente no tratamento diferenciado dado ao julgamento do ex- presidente Collor e ao julgamento do chamado “mensalão”. Naquele caso o STF inocentou o ex-presidente por falta de provas, mesmo contra a opinião da grande maioria nação brasileira. No caso do “mensalão” tem havido uma evidente “flexibilização”, ou mais exatamente uma alteração de importantes conceitos relacionados ao direito penal.

Tal alteração se expressa na chamada “teoria funcional dos fatos”, do direito alemão. Segundo o procurador geral Roberto Gurgel, seguindo aquela teoria, “autor é aquele que tem o controle final do fato”. Não é só “quem realiza a conduta típica, mas sobretudo, quem chefia a ação criminosa. Quem planeja a atividade criminosa dos demais integrantes do grupo”. Com isto fica colocada de lado a necessidade de provas para condenar uma pessoa acusada de cometer determinado delito.

A adoção de tal fundamento jurídico visa criar as condições para condenar o chamado núcleo político do “mensalão”. Isto porque, tanto o procurador geral Roberto Gurgel como o ministro Joaquim Barbosa coincidem em afirmar a dificuldade em encontrar provas para a condenação do chamado núcleo político. Na falta destas alteram-se as regras do jogo aceitas até agora.

Por outro lado, até agora a comprovação do crime de corrupção exigia o “ato de ofício” para caracterizar a culpa do acusado. Trata-se de um ato ilícito praticado por administrador, no exercício da sua função.

Como não é necessário prova para condenar, nesta nova interpretação jurídica, chega-se ao absurdo em que o Ã?nus da prova passa a ser do acusado e não do acusador.

Tudo isso acarreta a subversão de princípio fundamental do direito penal em que, quando há dúvida, a decisão judicial deve favorecer o acusado (in dubio pro reo). Todavia, com estas alterações o princípio passa a ser “na dúvida, contra o réu”.

Toda essa alteração da jurisprudência do direito penal tem por objetivo condenar os acusados do chamado “mensalão”, independentemente de provas. Isto para ratificar o julgamento e condenação já feita pela mídia conservadora.

Fato grave é que este julgamento está sendo realizado no período eleitoral. A oposição e a mídia conservadora procuram tirar o partido dessa situação explorando o fato para fragilizar a base do governo e fortalecer a oposição.

O fato objetivo é que, independentemente das explicações do STF, a realização deste julgamento no período eleitoral favorece a oposição e os setores conservadores do país. A imprensa traz farto noticiário desta utilização pelos partidos da oposição.

O sentido geral de toda essa movimentação é claramente político. Visa fragilizar a liderança do presidente Lula. Visa torpedear o projeto economico e político adotado a partir do governo presidente Lula que teve continuidade no go verno da presidenta Dilma. Em decorrência da realização de um governo voltado para os trabalhadores e o desenvolvimento do país, Lula se transformou na maior liderança política brasileira. Isto deixa as elites irritadas e a oposição sem bandeiras.

Na história política brasileira a direita sempre utilizou a denúncia de corrupção como arma contra presidentes que se colocaram ao lado dos trabalhadores. Isto ocorreu com o presidente Getúlio Vargas que foi levado ao suicídio acusado de ser o responsável pelo “mar de lama” que existiria no seu governo. Também ocorreu com o presidente João Goulart contra o qual foi desencadeado o golpe de 1964.

E este foi o mote da campanha contra o presidente Lula em seu primeiro mandato. A oposição pretendia o impeachment do presidente Lula. E a vida demonstrou que a política por ele adotada conduziu o país ao crescimento econÃ?mico, à melhoria das condições de vida do povo brasileiro, ao aprofu ndamento da democracia e a afirmação do país como nação soberana. Hoje, o Brasil é um país respeitado em todo o mundo.

Os democratas reivindicam um julgamento isento e com base nas provas. Defendem a condenação daqueles cujos crimes forem comprovados e a absolvição daqueles cujas acusações não forem comprovadas.

As forças democráticas e progressistas não podem se omitir face a tão graves a manipulações. A onda em defesa de um justo julgamento ganha amplitude. O PT, PMDB, PSB, PDT, PCdoB e PRB assinaram nota de solidariedade ao ex-presidente Lula e contra a iniciativa dos partidos de oposição de tentarem abrir um processo contra o ex-presidente.

Intelectuais, artistas, cientistas assinaram uma Carta Aberta ao Povo Brasileiro onde se afirma “somos contra a transformação do julgamento em espetáculo” e mais “repudiamos o linchamento público e defendemos a presunção de inocência”.

Esta onda necessita crescer, envolvendo os movimentos sociais e todos os setores comprometidos com o aprofundamento das conquistas democráticas. O futuro político e economico do país está em jogo. Não podemos aceitar retrocessos.

*Aldo Arantes é membro da Comissão Política Nacional do PCdoB, ex-presidente da UNE,ex-deputado federal, militante revolucionaio inconteste, é também Secretário Nacional de Meio Ambiente do PCdoB
Diretor-Presidente do Instituto Nacional de Pesquisas e Defesa do Meio Ambiente (INMA)

quinta-feira, setembro 27, 2012

Lutar pela Paz e auto-determinação dos Povos!


Camaradas e amigos!! Atendendo “convocação”, de José Reinaldo Carvalho, Socorro Gomes , Marcos Tenório e Jaime Sautchuck, a partir de agora passo a integrar o núcleo do CEBRAPAZ-Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz, em Brasilia/DF. E me integro a esta tarefa com afinco e prazer, porque sempre apoiei a entidade e lutei contra o Imperialismo e seus acólitos no Brasil e no resto do Mundo. Pelo fim das intervenções dos Estados Unidos e OTAN na Siria, Irã e países do Oriente Médio, Ásia e África e contra a ocupação da base de Guantânamo em Cuba pelos americanos e a Irlanda do Norte pelos colonialistas Ingleses!

A ameaça é real e não paranóia! Há um golpe em gestação!!




Eu e outros companheiros blogueiros temos batido há meses nesta tecla: a direita, os conservadores, a mídia ou o PIG (Partido da Imprensa Golpista), mais os latifundiários e a burguesia associada a grandes grupos monopolistas internacionais e os imperialistas americanos, estão gestando condições para dar um Golpe no Brasil e interromper nosso processo democrático e de  avanço das conquistas populares, tão arduamente conquistados. Não é uma paranoia das esquerdas não! Já fizeram isto há meses no Paraguai e anteriormente em Honduras. Já tentaram na Venezuela e no Equador. Eles não desistem jamais! Este artigo postado por Luis Nassif em seu Blog e que republico aqui é mais um alerta. Agora com um adendo grave: o Judiciário brasileiro, via Supremo Tribunal Federal e outras instancias do sistema aderiram conscientemente ao projeto golpista. È grave a coisa!!

A direita e a mídia sonham com 1964



Por Luis Nassif, em seu blog
São significativas as semelhanças entre os tempos atuais e o período pré-64, que levou à queda de Jango e ao início do regime militar e mesmo o período 1954, que levou ao suicídio de Getúlio Vargas.
Os tempos são outros, é verdade, e há pelo menos duas diferenças fundamentais descartando a possibilidade de um mesmo desfecho: uma economia sob controle e uma presidência exercida na sua plenitude, sem vácuo de poder.
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Tirando essas diferenças, a dança é a mesma.
A falta de perspectivas da oposição em assumir o poder, ou em desenvolver um discurso propositivo, leva-a a explorar caminhos não-eleitorais.
Parte-se, então, para duas estratégias de desestabilização  – ambas em pacto com a chamada grande mídia.
Uma, a demonização dos personagens políticos. Antes do seu suicídio, Vargas foi submetido a uma campanha implacável, inclusive com ataques à sua honra pessoal – que, depois, revelaram-se falsos.
No quadro atual, sem espaço para criticar a presidente Dilma Rousseff, a mídia – especialmente a revista Veja – move uma campanha implacável contra Lula. Chegou  ao cúmulo de ameaçar com uma entrevista supostamente gravada (e não divulgada) de Marcos Valério, como se Valério tivesse qualquer credibilidade.
Surpreendente foi a participação de FHC, em artigo no Estadão, sustentando que o julgamento do “mensalão” marca uma nova era na política. Até agora, o único caso documentado de compra de votos foi no episódio da votação da emenda da reeleição – que beneficiou o próprio FHC.
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A segunda estratégia tem sido a de levantar o fantasma da guerra fria. Mesmo sabendo que Jango jamais foi comunista (aliás, o personagem que mais admirava era o presidente norte-americano John Kennedy) durante meses e meses levantou-se o “perigo vermelho” como ameaça.
Grande intelectual, oposicionista, membro da banda de música da UDN, em 1963 Afonso Arino escreveu um artigo descrevendo o momento. Nele, mencionava o anacronismo de (em 1963!) se falar de guerra fria, logo depois de Kennedy e Kruschev terem apertado as mãos. E dizia que, mesmo sendo anacronismo, esse tipo de campanha acabaria levando à queda do governo pelo meio militar, devido à falta de pulso de Jango, na condução do governo.
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O modelo de atuação da velha mídia é o mesmo de 1964, com a diferença de que hoje em dia não há vácuo de poder, como com Jango.
Primeiro, buscam-se personalidades, pessoas que detenham algum ativo público (como jornalistas, intelectuais, artistas etc.). Depois, abre-se a demanda por comentaristas ferozes. Para se habilitar à visibilidade ofertada, os candidatos precisam se superar na ferocidade dos ataques.
Poetas esquecidos, críticos de música, acadêmicos atrás de visibilidade, jornalistas, empenham-se em uma batalha similar às arenas romanas, onde a vitória não será do mais analítico, ponderado, sábio, mas do que souber melhor agredir o inimigo. É a grande noite do cachorro louco, uma selvageria sem paralelo nas últimas duas décadas.
Com sua postura de não se restringir ao julgamento do “mensalão” em si, mas permitir provocações à presidente da República e a partidos, o STF não cumpre seu papel.
Aliás, o STF do pós-golpe foi muito mais democrático do que o atual Supremo.

quarta-feira, setembro 26, 2012

O futuro é pela esquerda. Buscar a unidade na diversidade!!


Estas eleições nos deixara muitas lições DE vitória e de derrotas. Mas reafirmo aqui o que tenho pregado em minhas palestras, reuniões e artigos. Temos que trabalhar pela Esquerda, focando a unidade na diversidade, com respeito mutuo e aprendizado constante. As eleições em Belem já vem delineando isto. Sair do campo da o centro e marcharmos pela esquerda, saindo aos poucos da sombra do PT e quetais. Em poucos dias a história e a experiencia nos mostrara quem esta certo e para onde devemos ir no futuro!

terça-feira, setembro 25, 2012

KARL MARX: UMA LEITURA E UM CONHECIMENTO IMPRESCINDÍVEL!


Lejeune Mirhan*

A Editora Escala, da qual sou colaborador há cinco anos na revista Sociologia, tem feito uma série de edições especiais na área de Filosofia, que envolvem o pensamento de Karl Marx. Na sua edição nº 3, nas bancas desde julho, com 98 páginas, fui convidado pelo editor, meu colega sociólogo Daniel Aurélio, a escrever um artigo na forma de depoimento como militante marxista. A seguir republicamos esse depoimento, revisto e ampliado, que resume o pensamento insuperável do maior de todos os filósofos da humanidade.


REVISITANDO KARL MARX

Quando por 20 anos lecionei Sociologia e Ciência Política na Universidade Metodista de Piracicaba, costumava dizer que um filósofo é alguém que conhece toda a realidade de seu tempo e de tempos anteriores. Um estudioso da vida, da história, mas também um sociólogo. Nesse sentido, a humanidade esta permeada de grandes filósofos que deram suas contribuições para o engrandecimento e desenvolvimento do pensamento e das ideias políticas e sociais.
Com base nessa definição pessoal, nunca tive dúvidas: Karl Heinrich Marx (1818-1883) foi o último dos grandes e mais completo dos filósofos que a humanidade conheceu. Mas não foi só um filósofo. Seu pensamento tem aspectos também da ciência econômica, da sociologia e da política. Um pensador completo da sua época histórica, basicamente o século XIX.
Alguns o veem como um visionário, outros até mesmo como um profeta. Na verdade, Marx, foi uma pessoa igual a todos nós. Tinha seus vícios e defeitos, mas era também cheio de virtudes. O aspecto principal de sua personalidade era de que não se dedicava apenas e tão somente aos estudos e à teoria. Ele foi profundamente engajado nas lutas políticas, sociais e sindicais de seu tempo. A sua militância inspira, até nos dias atuais, milhões de militantes das lutas sociais. É dele a frase “Os filósofos nada mais fizeram do que interpretar o mundo. Cabe agora transformá-lo”. Ela diz tudo. Lênin, no início do século XX vai completar: “Sem teoria revolucionária, não existe prática revolucionária”.

Meu primeiro contato com Marx
Quando do meu ingresso na Universidade em 1975, então com apenas 18 anos, em plena ditadura militar, logo me aproximei do Centro Acadêmico. Já era um aficionado pelas Ciências Sociais. Nunca tinha tido nenhuma formação ou contato com o marxismo. Era, por assim dizer, um jovem “revoltado”. Sabia que vivíamos uma ditadura militar. Em 1974, cheguei a ajudar algumas candidaturas progressistas em São Paulo para a Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa pelo antigo MDB. Fiz o cursinho Anglo Latino e fui do Departamento do Aluno e ensaiamos uma peça de Brecht, “O casamento dos pequenos burgueses”. Lembro-me que em 1964, com apenas oito anos de idade, presenciei em minha cidade natal, a prisão de um tio querido, promotor público, apenas por ele ser um socialista-cristão.
Dois livros eu recebi de amigos universitários que me introduziram no pensamento marxista: O Manifesto do Partido Comunista e também O esquerdismo, doença infantil do comunismo. O primeiro, publicado em 1848, por Marx e Engels. O segundo, de Wladimir Ilich Oulianov Lênin, publicado em 1920. Falarei do Manifesto.
Antes, porém, é importante dizer, pelo meu ponto de vista, que é praticamente impossível uma pessoa abraçar as ideias de Marx, sem também ser adepto do pensamento de Lênin. E o exemplo mais claro começa com o próprio livro que inaugura a corrente marxista de pensamento revolucionário.
O jovem Marx – nascido em Trier, Alemanha – adere muito cedo à Liga dos Comunistas e participa de seu Congresso em dezembro de 1847. Seus camaradas incumbem-lhe, junto com Engels, que ele conhecera naquele mesmo ano em Paris de escrever e publicar um manifesto pela fundação de um partido revolucionário que teria a incumbência de liderar a luta do proletariado contra o sistema capitalista. Marx, nesse ano, já era famoso em toda a Europa.
Esses jovens – Marx com 29 anos e Engels com 27 – passam a se dedicar a essa importante tarefa intelectual que lhes foi dada. Assim, em fevereiro de 1848, sai a primeira edição do Manifesto Comunista em Londres. Na verdade, um manifesto político de combate a um sistema injusto, que faz um chamamento aos comunistas de todo o mundo para que fundem o seu Partido, a quem foi chamado de “Comunista”.
Assim, quando dizemos que não é possível sermos só marxistas, aqui é preciso dizer que Marx viveu 65 anos, mas morreu em 1883 sem ter fundado o Partido pelo qual lançara 35 anos antes o seu famoso Manifesto. Vai ser Lênin que irá conceber a forma de um Partido realmente revolucionário e comunista.

A base do pensamento Marxista
Todos nós, sejamos cidadãos comuns, pensadores, estudiosos, pesquisadores, temos nossas cabeças “feitas” por influência de pensamentos diversos. Sejam eles religiosos, econômicos, políticos, sociológicos e filosóficos. Os valores que abraçamos e assumimos, vem de fora de nós. E tais influências começam em nossas casas, estendem-se para nossas escolas, nas igrejas que frequentamos quando crianças – na maior parte das vezes impostas pelos nossos pais. Em meados do século XX, Louis Althusser vai chamar isso de “aparelhos de educação ideológica” que estão sempre à serviço do Estado e das suas classes que o dominam política e economicamente.
Também neste caso, Marx sofreu forte influência em sua juventude, de renomados pensadores de sua época, na primeira metade do século XIX. Essa influência vai ocorrer em três áreas básicas e fundamentais, a que chamamos de fontes constitutivas clássicas do marxismo: economia política, filosofia clássica e socialismo utópico.
Nem todos os pensadores que influenciaram Marx com eles conviveu ou os conheceu. Em especial os de economia. Os chamados fisiocratas ingleses, Adam Smith (1723-1790) morreu 18 anos antes de Marx nascer e David Ricardo (1772-1823) morre quando Marx tinha apenas cinco anos. Também na área de socialismo utópico, Saint Simon (1760-1825) e Robert Owen (1772-1837) Marx não teve nenhuma convivência, por ser muito jovem. Mas leu tudo que eles escreveram. Apenas Charles Fourier (1771-1858), que morre quando Marx tinha 40 anos, houve contatos.
Por fim, os pensadores que tiveram influência nas ideias de Karl Marx na área filosófica. O mais famoso foi Friedrich Hegel (1770-1831). Marx foi o que à época se chamava de “jovem hegueliano". O segundo, também famoso, foi Ludwig Feuerbach (1804-1872). Com esse Marx conviveu, atuaram em alguns congressos operários juntos, mas teve com ele imensas divergências.
Marx era um grande e ativo escritor, em uma época que máquina de escrever não era tão disponível (quase toda a sua obra preservada está manuscrita). Chegava a escrever um livro inteiro para refutar certos pensamentos que ele considerava equivocados. Ele praticava o que hoje chamamos de “luta de ideias”. Tinha suas concepções próprias e as desenvolvia. Reconhecia o mérito de outros quando era o caso e citava as fontes de tudo que ele desenvolvia. É claro que ele aprimora e desenvolve o método do materialismo dialético de Hegel, que era insuficiente. E combate os equívocos de Feuerbach. Para responder a um livro desse filósofo, intitulado Filosofia da miséria Marx publica Miséria da filosofia porque ele havia deplorado a obra.

O pensamento econômico de Marx
O Instituto Marx e Engels, tanto da Alemanha, quanto da Rússia, são detentores do maior acervo dos escritos de Karl Marx e de seu amigo por 39 anos, Friedrich Engels. As suas obras completas – inexistente no Brasil – reúnem 40 volumes, que possuem uma média de 600 páginas cada um. Na verdade, tudo que eles escreveram, em processo de organização final, ultrapassa a 600 volumes. Ai incluem todas as suas cartas, que ele escrevia em uma média de duas a três por dia.
Até 1859, então com apenas 41 anos Marx tinha estudado tudo que havia sido escrito sobre o desenvolvimento do capitalismo. Marx queria entender a origem da riqueza, da acumulação do capital, o trabalho e a sua exploração e a mercadoria (produção e circulação). Nesse aspecto, dezenas de filósofos – a começar de Aristóteles em Ética à Nicômano – tentaram entender o significado de trabalho e do seu valor. Aristóteles divaga sobre quantas sandálias um sapateiro teria que dar em troca pelos serviços de um arquiteto. Muito se debateu na história sobre isso, passando por Tomás de Aquino até chegarmos à Adam Smith, que esboçou pela primeira vez a teoria de “mais-valia” (mais valor agregado).
Todos, sem exceção, não conseguiram desvendar o mistério. Coube a Marx formular a teoria mais científica e válida até os dias atuais sobre o conceito de valor das coisas. E ele, de forma genial, faz a relação do valor de todas as coisas com a quantidade direta de trabalho necessário para que se produzam essas coisas (bens ou serviços). Daí surge o conceito de “mais-valia”.
Quando Marx publica o primeiro volume de sua principal obra, O Capital, em 1867, ele já tinha todo o seu pensamento econômico consolidado. Foi à época em que produziu os Grundisse uma espécie de rascunho d’O Capital. Já tinha claro o significado de força de trabalho e, principalmente, de mercadoria. Um bem produzido pelas pessoas só se transforma em mercadoria quando é comercializada. Assim, uma costureira quando faz uma saia para si própria ela produziu valor, mas um valor de uso e não um valor de troca. Quando ela faz esse mesmo vestido e o vende, aquilo passa a ser uma mercadoria. Ela vai receber bem mais do que gastou em termos de trabalho e matéria prima para produzi-la.
No entanto, a acumulação de capital passa a existir quando qualquer pessoa contrata força de trabalho. Assim, a sua produção passa a ser em escala e a riqueza que ela acumula vai se ampliando. Daí a origem da cumulação de capital e do enriquecimento. Que só será possível a partir da exploração do trabalho de outras pessoas. No exemplo da mesma costureira, se ela trabalha para si própria, mesmo que venda os seus vestidos, ela explora a si mesma.
Marx dizia que a força de trabalho tem um valor especial e ela é peculiar. É como se os operários e proletários tivessem um dom especial, como aquele rei lendário chamado Midas em que tudo que tocava virava ouro. E porque isso acontece? Pelo simples fato de que a riqueza que os trabalhadores produzem durante a sua jornada de trabalho, sejam bens materiais ou imateriais (difusos ou espirituais), valem muito mais do que o salário que recebem de seus patrões. É a exploração do trabalho. É a mais-valia.
Foi Marx que previu o fim do capitalismo. Ele estudou todos os sistemas que antecederam essa formação econômica, vigente hoje em praticamente todo o mundo. Estudou o escravismo, as formações econômicas antigas, asiáticas, e o feudalismo a quem se debruçou com mais intensidade. Chegou a uma conclusão que, pode-se dizer, é uma lei geral da Sociologia e das Ciências Sociais. Ela pode ser assim resumida: “Todas as sociedades humanas guardam dentro de si uma contradição que as levará à sua destruição”.
No caso da teoria marxista sobre o fim do capitalismo, Marx dizia que esse sistema viverá duas profundas contradições, que o levará à morte. A primeira é que a produção é cada vez mais socializada (muitos são chamados a produzir) e a apropriação da riqueza é cada vez mais individualizada (privada). E a outra, é a queda histórica média das taxas de lucros. Ora, um sistema que visa o lucro e estes diminuem drasticamente a cada ano ele tende ao fim.

O Marx político e militante
De fato, podemos dizer que Marx dedicou toda a sua vida aos estudos, às pesquisas, à produção intelectual. No entanto, foi um militante revolucionário. Em 1867, é eleito presidente da Associação Internacional dos Trabalhadores, uma espécie de Partido Comunista Internacional que representaria os interesses dos trabalhadores de todo mundo. Não por menos, ele termina o seu famoso Manifesto de 1848 com a famosa frase: “Proletários de todos os países, uni-vos. Nada tendes a perder a não ser os grilhões que vos aprisionam. Têm o mundo a ganhar”!
Esteve em Paris com os operários durante os 71 dias que duraram a Comuna de Paris em 1871, uma revolução proletária – a primeira da história feita sob inspiração de sua teoria revolucionária – e deu seu total apoio ao movimento, ainda que tenha aqui e ali algumas diferenças na condução do processo.
Marx travou o bom combate de ideias. Iniciou sua vida, mesmo tendo formado em direito e feito seu doutorado em filosofia, acabou não atuando na vida acadêmica. Começou como jornalista do jornal da região do Reno, chamado Gazeta Renana. Ai produziu seus primeiros artigos, sempre polêmicos, mas todos eles famosos até hoje.
É de Marx o excepcional conceito de luta de classes. Ele fundamenta que o que movimenta o mundo e a história nada mais é do que a luta de classes. Patrícios e plebeus, senhores proprietários de escravos e seus escravos, servos e senhores feudais e na atualidade burgueses e capitalistas e proletários. Essa luta entre dois opostos é que move a história.
Marx foi o precursor do conceito de classes sociais. Em seu volume III do Capital ele estuda essa questão (em vida ele só publicou o primeiro volume, tendo ficado para Engels a edição dos volumes II e III e para Karl Kautsky, já no início do século XX a publicação do volume IV, chamado “Teorias da Mais-Valia”). No entanto, quando morre em 1883, ele não nos deixou um conceito mais detalhado e aprofundado de classes sociais. Ele deixou apenas pistas. Faz uma relação direta entre classe e fontes de renda. Será apenas Lênin quem vai aprimorar esse conceito no começo do século XX.
Marx em vida pouco falou sobre o socialismo e comunismo. Ele estava mesmo preocupado em estudar o passado e o mundo da época que viveu que era o do desenvolvimento e consolidação do sistema capitalista do tipo concorrencial (hoje esse sistema é monopolista e pior do que isso, é financeiro, a que Marx inclusive já apontava isso em sua obra).
Para escrever o volume IV de sua obra prima, ele leu centenas livros. Era o usuário mais assíduo e disciplinado da Biblioteca de Londres, onde tinha cadeira cativa e reservada. Gostava de elaborar seu pensamento andando de um lado para outro na sala de sua casa em Londres. Existem marcas no chão desse vai-e-vem. Era um gênio produzindo intensamente.
O Marx Filósofo
Por fim, temos o Marx filósofo. Se ele reconhece com uma humildade que poucos intelectuais possuem, que não lhe coube a invenção de diversos conceitos que ele se utiliza em sua obra – como, por exemplo, “mais-valia” e “dialética” – também sem falsa modéstia ele afirma que coube a ele o aperfeiçoamento desses mesmos conceitos.
Isso vale para o materialismo dialético, que ele aperfeiçoou partindo do limitado sistema hegueliano. Ele vai muito além. Desenvolve o conceito do materialismo histórico, ou seja, de que todo o desenvolvimento humano guarda uma relação direta com o desenvolvimento das forças produtivas e da evolução da sociedade. Essas técnicas produtivas se desenvolvem sempre que novas descobertas e novos avanços científicos forem ocorrendo.
Assim, não é correto quando se diz que o “socialismo substituirá o capitalismo”. Isso é um reducionismo e uma vulgarização do marxismo, coisa que ele nunca disse. O que ele afirmou era que o capitalismo deve chegar ao seu limite de funcionamento e o seu desenvolvimento fará com que surja um novo sistema produtivo baseado na produção coletiva e na socialização de toda a riqueza produzida. A propriedade dos meios de produção, que era privada, passaria a ser coletiva. Mas, não é uma inevitabilidade histórica, nem um determinismo.
Por isso ele nomina qual a classe social que esta chamada a liderar esse processo revolucionário transformador – que nunca ocorre de forma espontânea – que é o proletariado (aqueles trabalhadores que produzem mais-valia).
Nós todos fomos educados dentro de um sistema filosófico, dentro de uma sociedade que não prima pela análise dialética. Muito pelo contrário. Nosso pensamento é metafísico, idealista. Uns dizem aristotélico e tomista. Isso é fruto de influência do pensamento religioso, deísta, onde o que surge sempre antes de todas as coisas é o espírito e nunca a matéria. O pensamento marxista parte do princípio de que a matéria é primordial – vem antes de tudo –, o mundo é material e as ideias – o espírito! – dele decorrem. Nunca poderíamos ter uma “ideia” de alguma coisa sem que ela existisse antes.
Costumamos separar essência e aparência, forma e conteúdo. Não conseguimos ver que tudo se relaciona e mais do que isso, tudo se transforma! Durante séculos, milênios, a terra foi o centro do universo. Era o sistema chamado ptolomaico. E o nosso planeta estava parado segundo todas as igrejas. Galileu, com suas novas teorias no século XVII, rompeu com o sistema geocêntrico, abraçando a teoria de Copérnico. Ele afirmava que a terra se movia e o sol era o seu centro. Quase foi levado à fogueira no século XVII. Para se salvar teve que ir à público dizer que era tudo mentira o que ele havia escrito.

Uma experiência vibrante e inovadora
Houve uma época histórica – recente inclusive – em que o livro Manifesto Comunista rodava mais edições em todo o mundo do que a própria Bíblia. Hoje vivemos tempos distintos. No entanto, o pensamento de Karl Marx continua vivo e vibrante. E mais atual do que nunca. Não há uma teoria que substitua o seu pensamento em termos de análise do sistema capitalista, como ele interpreta a produção e circulação de mercadorias e a acumulação de riqueza e capital.
O próprio desenvolvimento do modo de produção capitalista, com a introdução de robôs na linha de produção do setor industrial, Marx conseguiu prever (ele fala em investimentos em mais maquinaria). A financeirização do capital também é mencionada por ele quando diz que parte do capital se transforma em financeiro por ele ser portador de juros. Sabemos que Lênin vai desenvolver melhor esse conceito com sua magnífica obra Imperialismo, etapa superior do capitalismo, de 1916.
Pessoalmente, minha relação e experiência com Marx é gratificante. Se por um lado é verdade que tenho estudado seu pensamento há quase 40 anos, por outro é também verdade que tenho que confessar que ainda tenho muito a aprender. Não basta que leiamos os nove livros d’O Capital ou algumas outras de suas principais obras. Não houve em minha trajetória de militante comunista qualquer outro autor que tenha me influenciado tanto quanto Karl Marx.
A teoria marxista é dinâmica. Ela também evolui. Temos que, dia-a-dia, ver como aplicamos a sua teoria. Se na época em que Marx viveu era praticamente inexpressivo o percentual de trabalhadores do setor de serviços e mesmo de funcionários públicos, hoje temos uma nova realidade. Mas, saber e identificar cada setor proletário – que hoje muitos chamam erroneamente de “classe trabalhadora” – é tarefa cotidiana de todos aquele que acreditam na teoria revolucionária marxista. E o fazem não por fé cega, mas por comprovação científica de algo que vem sendo cada vez mais comprovado.
Estão ai as crises sistêmicas e estruturais do capitalismo para comprovar o que o “velho barbudo”, apelidado de mouro do século XIX nos disse e previu.
* Lejeune Mirhan é sociólogo, Professor, Escritor e Arabista. Colunista de Oriente Médio do Portal da Fundação Maurício Grabois (http://fmauriciograbois.org.br/portal/). Colaborador da Revista Sociologia da Editora Escala. Foi professor da Unimep entre 1986 e 2006, tendo sido sociólogo da FUNDUNESP entre 1996 e 2006. E-mail: lejeunemgxc@uol.com.br