quarta-feira, novembro 07, 2012

O futebol arte, o esporte, a serviço da TV e dos "cartolas"!!


TV no Futebol

JAIME SAUTCHUK*

Antes que a gangue de Ricardo Teixeira e José Maria Marin, na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), resolva avançar na ideia do uso de imagens da TV na arbitragem de jogos, é bom atentarmos para uns aspectos dessa mudança. Começa por saber quem iria produzir as imagens, a CBF ou alguma emissora de TV?
No plano internacional, a Fifa já autorizou experiência com dois sistemas de confirmação de gols a partir do Mundial de Clubes no Japão, no mês que vem. Nesses casos, porém, não haverá interferência humana nos equipamentos.
Um dos artefatos é o de um chip dentro da bola e outro na trave, que anuncia quando a bola ultrapassa a linha de gol. O outro são seis câmeras, afixadas nas traves e fundo de gol, que apenas avisam quando a bola passa da linha. Em ambos os casos, o aviso é dado com um sinal no relógio do juiz da partida.
O que se discute no Brasil, contudo, é o uso de imagens produzidas para a transmissão de jogos. As maiores pressões para que esse árbitro eletrônico seja adotado vêm das emissoras, interessadas em abocanhar mais algum quinhão nas já lucrativas (para elas) transmissões. E já é histórica a troca de benesses entre a direção da CBF e a Rede Globo, por exemplo.
A mais dramática interferência da TV no futebol tupiniquim é a dos horários de partidas em dias de semana. A CBF de Ricardo Teixeira adotou os jogos às 22h para que ocorram depois da principal novela da Globo. Não levou em conta o torcedor, que fica sujeito a maratonas para chegar em casa já na madrugada do dia seguinte.    
Seja qual for o gerador de imagens, há a interferência de pelo menos uma pessoa, que é o operador da mesa de corte. Sua função é selecionar as imagens que vêm de oito ou mais câmeras e colocá-las no ar, no caso de transmissões ao vivo, ou editá-las para posterior uso, o que é feito por critério pessoal, ainda que hajam regras gerais.
E até aí é só um pedaço do imbróglio. No modelo atual, caso a TV possa ser usada, será um novo elemento para alargar o tempo de jogo. Cada parada para checar imagens de um lance significa tempo correndo, ou seja, a duração dos jogos será ainda maior, já que no futebol o cronômetro não para, como no tênis e futsal, por exemplo.
O uso de câmaras iria, também, afrouxar a arbitragem. O juiz e o bandeirinha poderão marcar o que bem entenderem, pois haverá câmeras de TV com apito na boca. Se já são frequentes os descuidos – ou olhares de cabra-cega – de árbitros, é de se imaginar o que iria ocorrer com a adoção da nova técnica.
E o pior: seguindo este caminho, daqui a alguns anos teremos só um árbitro em campo. Dois outros ficarão em uma sala de TV, com cerveja e uísque, em São Paulo, Rio ou Brasília, avisando ao que estiver lá nos cafundós do Judas, em campo, que apite isso ou aquilo.  Vai ser uma gracinha.
Isto significaria, é claro, o fim do futebol. O mais correto, no entanto, seria profissionalização da atividade de arbitragem e a CBF treinar mais seus árbitros. E, ao mesmo tempo, o Ministério Público, a Justiça e a polícia devem cair em cima das quadrilhas que agem nesse meio, para controlar resultados.
Isso tudo, com a ressalva de que a maioria dos árbitros brasileiros é de gente séria e honesta. E que nada tem a ver com a direção da CBF.
*Jaime Sautchuck é jornalista, presidente do Cebrapaz/DF e defensor do meio ambiente e das causas nobres. 

domingo, novembro 04, 2012

APARECIDO TA COM TUDO E NÃO TA PROSA!!!




Só mesmo Assis Soares para me proporcionar uma tarde de sábado para ninguém botar defeito! Feijoada  e roda de Samba na ARUC, na companhia de quatro belas mulheres que enfeitam e enfeitiçam esta Brasilia: Luene e sua Clarinha(UMA GRAÇA DE CRIANÇA), Andréia e Soninha. Muito samba e bom bocado como diria “Riachão”. Só faltou o Moa por lá! Isto tem que se repetir com mais frequência!!

quinta-feira, novembro 01, 2012

Solidariedade ao povo cubano atingido pelo furacão "Sandy"!!




Os jornalões do PIG, a TV Globo e outras emissoras, a imprensa capitalista e venal, enfim, só falam dos problemas causados pelo “Furacão Sandy” nos Estados Unidos, Nova Yorque principalmente. Mas ignora o que ele causou no Norte do México e vários países pobres do Caribe. Aqui falamos de Cuba e os estragos que a ventania, os raios e as chuvas torrenciais causaram por lá. O povo cubano precisa agora da solidariedade dos brasileiros e outros povos para se recuperar deste fenômeno da natureza.
Vamos lá minha gente, vamos formar uma corrente de solidariedade  ao povo cubano e outros povos caribenhos atingidos pela tragédia!!!
Em Cuba
O furacão Sandy destruiu mais de 100 mil hectares de terras agrícolas em Cuba ao passar pelo país na semana passada, de acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU).
 A entidade alerta que há risco de desabastecimento na região nos próximos meses. Cuba vive sob embargo econômico imposto pelos Estados Unidos há cerca de 50 anos. No leste de Cuba, a passagem de Sandy matou 11 pessoas. Também causou danos significativos em Santiago, a segunda maior cidade do país, e vilarejos próximos.
 Pelo menos, 180 mil casas foram destruídas ou danificadas pela tempestade, estimou a ONU. O relatório das Nações Unidas informa que "o cultivo de cana foi o mais atingido, seguido pelo da banana, vegetais e outros alimentos básicos". De acordo com o jornal oficial "Granma", o vice-presidente do país, José Ramón Machado, depois de visitar a área, reconheceu que "um dos maiores desafios será o de garantir alimento para as pessoas nos próximos meses".

 

DISCUTINDO OUTROS TEMPOS E OUTRAS SOCIEDADES POSSIVEIS!


“Primaveras” reúne mais de cem pessoas em São Paulo

Com participação de Ricardo Abramovay e Ladislau Dowbor, debate focou crises civilizatórias. Próximos encontros tratarão de ativismo e conhecimento livre

Por Letícia Freire

Do Blog coletivo “Outras Palavras”
Como lidar com um mundo que vive crises múltiplas? Para além da discussão, há algo para ser feito, urgentemente? Mais de cem pessoas compareceram nesta última quarta-feira, 24/10, à Matilha Cultural, na região central de São Paulo, para um bate papo informal sobre esses questionamentos com os professores Ricardo Abramovay (professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP) e Ladislau Dowbor (professor titular da pós-graduação em Economia e Administração da PUC-SP). Apesar do nome poético do encontro – “Primaveras – diálogos sobre ativismo, democracia e sustentabilidade” – havia urgência na pauta do evento mediado pela secretária executiva do IDS, Alexandra Reschke.
O mote do primeiro encontro era “Crise e Oportunidade: a dimensão política das crises civilizatórias”. E, como bem ressaltou a editora da revista Página22, Amalia Safatle, uma mudança de consciência, necessária para dar conta dessas múltiplas crises, “leva tempo”. E de tempo não dispomos. Ladislau Dowbor acredita que a reunião de pessoas sintonizadas em torno das mesmas causas acontecem no mundo todo e devem capitanear a transformação da consciência geral. Ricardo Abramovay pensa parecido – e vai além. Cita o ano de 2020 como “cabeça contra rochedo” para todos nós, em especial as corporações. As empresas não podem, e não devem, diz o economista, pensar em planos para depois dessa data.
Com o modelo de desenvolvimento em xeque, até as palavras são desafiadas. Dizer que um empresário brasileiro é “bem-sucedido” pois arranca minérios da terra? “O cara que arranca o pedaço maior tem sucesso? Isso é sucesso?”, questiona Dowbor. O desafio talvez seja acabar com as desigualdades sem pisar no acelerador, reflete Abramovay. Ele explica que a luta contra a pobreza sempre significou para os governos o tal “pisar no acelerador”: implantar mais linhas de ônibus, construir mais estações de metrô, emitir mais CO2. O fazer mais, pontua Abramovay, deve ser contrabalanceado com o menos: menos consumo de comida que causa a obesidade, menos carros poluidores transitando pelas ruas…
Na plateia, muitos se manifestam. As empresas estão fazendo pouco ou muito pela sustentabilidade? Se o agronegócio não é representativo no PIB, por que tem tanta força entre nossos representantes no Legislativo? Será que não podemos esquecer os 2 milhões para a lei de iniciativa popular e tentar vias mais rápidas, por meio de pequenos abaixo-assinados online que peçam, por exemplo, a limitação de mandatos dos políticos? Estamos cansados dos partidos, como podemos criar uma alternativa a eles?
Tanto a ser resolvido e em um tempo curto. Talvez a sintonia entre as pessoas comece a dar conta de parte das questões, concluem Dowbor e Abramovay. “A mudança cultural é lenta”, diz Dowbor. Mas o conhecimento, diferentemente dos bens materiais, circula e não é escasso. Transmitir em rede tudo o que acontece é um ativo importante e alimentar o poder local pode ser uma ferramenta poderosa. A mediadora Alexandra Reschke lembra do ato “Existe Amor em São Paulo”, realizado na praça Roosevelt no último domingo, 21/10. Pessoas de várias gerações, a maioria jovens, ocuparam um território para dizer o que desejam na cidade em que vivem -  e o que não querem. “Elas estavam ali para dividir arte, dividir ideias e se posicionar”, afirma Alexandra.
O evento, uma parceria entre Matilha Cultural, Página22, IDS, Escola de Ativismo e o site Outras Palavras foi transmitido ao vivo pela Casa Fora do Eixo (www.postv.org). Confira a programação abaixo e participe dos próximos!
2º ENCONTRO
Ativismo e Política: Distraídos Venceremos?
Convidado: Pablo Ortellado
13/11 – 3ª feira – 19h
3º ENCONTRO
Alternativas ao Direito Autoral: como garantir o conhecimento livre e a remuneração dos criadores?
Convidado: Sérgio Amadeu
13/12 – 3ª feira – 19h

terça-feira, outubro 30, 2012

O Blog com alma brasiliense!!!



Rubens Gatto é um paulista de Lins que virou brasiliense há 40 anos. Edita um Blog que é diferente de tudo que os blogueiros federais fazem. Trata dos problemas e da alma dos moradores desta cidade/região, sonhada por Dom Bosco e tornada realidade pelo presidente perseguido pela Ditadura Juscelino Kubitscheck, os geniais Lucio Costa e Oscar Niemayer. Morando em Planaltina, de lá avista e aponta os que destroem, vendem e revendem e exploram nossa cidade. Leitura obrigatória para quem ama Brasilia e seus arredores em www.rugatto.zip.net. Não deixem de ler e prestigiar!!!!

UM DIAGNÓSTICO DO BRASIL E SUAS INSTITUIÇÕES!!


RELATÓRIO MÉDICO. PACIENTE: BRASIL


Victor Neiva Mendonça*
Paciente hidratado com fartura por uma infinidade de rios e pelo enorme contato com o oceano, sempre corado porque tropical e muito bem nutrido de tudo que a natureza pode oferecer. Apesar disso, definitivamente, não se apresenta nem lúcido e muito menos orientado. Demonstra sinais de um profundo conflito interno, com sinais de confusão mental e até de automutilação. A parte de sua vestimenta verde possui clarões com manchas de sangue demonstrando que o paciente possivelmente se corta, bem como há discrepâncias notórias entre a apresentação de joias caríssimas e sinais de desnutrição, manifestada no desgaste muscular, além de apresentar pés descalços e mãos calejadas.
Quanto ao histórico clínico, o paciente apresenta sintomas de esquizofrenia, possivelmente originada já em sua concepção, caracterizada por rompantes de duas personalidades bem distintas. Inicialmente relacionada a problemas nutricionais, quando se notabilizou a expressão Belíndia, com uma parte bem alimentada como a Bélgica, e outra faminta como a Índia, o fato é que atribuir à falta de alimentos ou de recursos esta característica é uma estupidez, eis que absolutamente incompatível com a fartura que a Providência lhe proporcionou.
Assim é evidente que a existência de carestia é decorrência de um problema psíquico, e não o problema psíquico derivado da carestia. Há duas personalidades no paciente em claro conflito. A primeira, considerada Dona do Poder por Raimundo Faoro, aristocrática, derivada da corte que aqui chegou, tem sinais inequívocos de psicopatia e alienação mental e só vê as potencialidades brasileiras como matéria prima para reprodução de modelos estrangeiros, inicialmente português e após inglês, francês e hoje norte-americano. A psicopatia se verifica em surtos de agressividade, o que é possivelmente a causa da automutilação.
 A segunda, tolhida dos recursos pela primeira e, portanto pobre, é de doçura, determinação e inteligência raras. Acostumada a tirar leite de pedra, fez no sertão, nos cortiços e na favela uma das mais belas e genuínas culturas do mundo. Como exemplo, temos o samba, o xote, o frevo, por exemplo.
A esquizofrenia passou por dois tratamentos significativos em seu passado. O primeiro bastante duro e agressivo, com revoltas e ditadura, chamada de Estado Novo, possibilitou alguma destinação de recursos para os órgãos mantidos pela segunda personalidade, bem como alguma reconstrução de auto-estima, trazendo um quê de nacionalismo para quem se sentia sempre aquém dos modelos espelho. Apesar disso, teve como efeitos colaterais a restrição ao desenvolvimento cultural, a legitimação de parte da opressão e a radicalização de parte dos órgãos mantidos pela primeira personalidade.
A segunda fase do tratamento foi democrática, com o aprofundamento do desenvolvimento oferecido pela primeira, a constituição de instituições e partidos, além da abertura cultura e de liberdade de expressão que viabilização a sua melhor manutenção a convivência de algum diálogo entre as duas personalidades. O tratamento, em suas duas fases reduziu os sintomas de esquizofrenia e viabilizou o melhor aproveitamento de suas maravilhosas potencialidades.
De fato, iniciado o trabalho dos órgãos da primeira personalidade de maneira mais rústica, até mesmo pela carestia que lhes era inerente, com a melhor distribuição dos recursos, se viu melhor nutrido, e, com o diálogo e a convivência, puderam trocar experiências. Daí surgem os chamados anos dourados e algumas das mais belas e até rebuscadas manifestações culturais que ele pôde produzir, como a Bossa Nova, a arquitetura modernista de Niemeyer e Lúcio Costa dentre outros.
Além disso, do ponto de vista intelectual e político, passou-se à elaboração de projetos de vanguarda de educação, desenvolvimento, erradicação da fome e democratização, bem como à ocupação do sertão em um país que vivia apenas com parte de seus recursos materiais utilizados.
Ocorre que o não tratamento adequado dos efeitos colaterais da primeira fase do tratamento e das inatas características psicopáticas da primeira personalidade, mantendo-os no controle de a maior fonte dos recursos, que é a terra, parte do sistema nervoso (a comunicação), as reservas de gordura e, pior de tudo, o sistema imunológico (os milicos) ocasionou o surto. Se sentiram no Direito de assumir de novo todo o controle do paciente e o levaram a um profundo trauma.
O trauma foi caracterizado por um grave movimento de rotação que, embora não se possa confirmar pela impossibilidade de se proceder à ressonância magnética, indica a existência de lesão axional difusa, principalmente no hemisfério direito do cérebro, responsável pelos movimentos do lado esquerdo e pela rima, ritmo, música, pintura, imaginação, imagens, modelos e harmonias.
Para que os leigos entendam, Lesão Axional Difusa (LAS) é o rompimento da comunicação dos neurônios no cérebro causado por um movimento rotacional abrupto do crânio. É como um mal contato ou a desconexão dos cabos. Em casos muito graves, transforma o paciente em um vegetal, mas em casos menores pode justificar demência, perda de equilíbro (ataxia). É como se a rede fosse desfeita.
A consequência no paciente foi o hiperdimensionamento da outra área para compensar a perda momentânea da outra, o agravamento da agressividade, com a quase paralisação das manifestações culturais e o domínio de todo o corpo pelo viés psicopático.
Como o paciente é muito forte e, parte dele, acostumada a progredir em condições inóspitas, já superou em parte o pior desta característica, mas parece que o lado afetado pela (LAS) também passou a incorporar parte de agressividade, não abandonada pela outra, o que incrementou a disputa pelo corpo entre as duas personalidades, talvez daí as manchas de sangue.
A se manter esta dinâmica a tendência é uma certa paralização do paciente, podendo, de fato, se tornar catatônico perante os fatos do mundo e da realidade, gastando toda a energia que lhe resta nesta batalha interna pelo seu domínio.
O problema é que a instituições e o sistema nervoso, após o trauma, responsáveis pela viabilização do diálogo e da possível superação da esquizofrenia, após o trauma, passaram a sofrer de carência dos componentes de república e democracia para o seu funcionamento. O executivo foi fracionado e tem como alternativa o aparelhamento para se manter. O Legislativo tornou-se fundamentalmente fisiológico e é incapaz de discutir um projeto de nação, eis que os os partidos hoje existentes sequer se propõe a este desafio.
E o pior e o Judiciário, sequer percebeu que o trauma passou e que é hora de mediar conflitos e promover os valores da democracia e dos direitos humanos. Está formado por uma infinidade de corporações que vivem a lógica do “farinha pouca, meu pirão primeiro” e perdem mais a caça de recursos, sem perceber que o seu volume de colesterol já está a entupir suas veias. O paciente como um todo, já está fazendo de tudo para contorna-lo. Cria procedimentos extrajudiciais de resolução e conflitos e descrê que o apelo àquele que deveria ser o seu árbitro levará seus argumentos em consideração, o que agrava a agressividade e a virulência do paciente.
Assim, tem-se como hipótese diagnóstica a esquizofrenia agravada por Lesão Axional Difusa e carência de Justiçol, que tem como componentes os princípios republicano de democrático, além de justiça social. Os originais, não os genéricos ou similares.
Como tratamento, recomenda-se ao paciente o controle do conflito por respeito mútuo, mesmo que às custas de eventual dopagem, bem como o tratamento com Justiçol pelas vias venosa, oral e até em supositório.
Prognóstico: caso seguido à risca o tratamento, o prognóstico é extremamente favorável, tornando o paciente uma grande nação. Caso contrário, pode leva-lo ao suicídio

                                                                       *Victor Neiva Mendonça, advogado militante em Brasilia e cidadão preocupado com os brasileiros e o  futuro da humanidade
(sem registro e em inequívoco exercício irregular da profissão)

domingo, outubro 28, 2012

COMO UM PEQUENO PAÍS ENFRENTOU O NEOLIBERALISMO E RESISTIU AO FRACASSO!!

O referendum islandês e os silêncios da mídia


Por 
Mauro Santayana, na Carta Maior

Os cidadãos da Islândia referendaram, no último dia 20 de outubro, com cerca de 70% dos votos, o texto básico de sua nova Constituição, redigido por 25 delegados, quase todos homens comuns, escolhidos pelo voto direto da população, incluindo a estatização de seus recursos naturais.

 A Islândia é um desses enigmas da História. Situada em uma área aquecida pela Corrente do Golfo, que serpenteia no Atlântico Norte, a ilha, de 103.000 km2, só é ocupada em seu litoral. O interior, de montes elevados, com 200 vulcões em atividade, é inteiramente hostil – mas se trata de uma das mais antigas democracias do mundo, com seu parlamento (Althingi) funcionando há mais de mil anos. Mesmo sob a soberania da Noruega e da Dinamarca, até o fim do século 19, os islandeses sempre mantiveram confortável autonomia em seus assuntos internos.

Em 2003, sob a pressão neoliberal, a Islândia privatizou o seu sistema bancário, até então estatal. Como lhes conviesse, os grandes bancos norte-americanos e ingleses, que já operavam no mercado derivativo, na espiral das subprimes, transformaram Reykjavik em um grande centro financeiro internacional e uma das maiores vítimas do neoliberalismo. Com apenas 320.000 habitantes, a ilha se tornou um cômodo paraíso fiscal para os grandes bancos.

Instituições como o Lehman Brothers usavam o crédito internacional do país a fim de atrair investimentos europeus, sobretudo britânicos. Esse dinheiro era aplicado na ciranda financeira, comandada pelos bancos norte-americanos. A quebra do Lehman Brothers expôs a Islândia que assumiu, assim, dívida superior a dez vezes o seu produto interno bruto. O governo foi obrigado a reestatizar os seus três bancos, cujos executivos foram processados e alguns condenados à prisão.

A fim de fazer frente ao imenso débito, o governo decidiu que cada um dos islandeses – de todas as idades – pagaria 130 euros mensais durante 15 anos. O povo exigiu um referendum e, com 93% dos votos, decidiu não pagar dívida que era responsabilidade do sistema financeiro internacional, a partir de Wall Street e da City de Londres.

A dívida externa do país, construída pela irresponsabilidade dos bancos associados às maiores instituições financeiras mundiais, levou a nação à insolvência e os islandeses ao desespero. A crise se tornou política, com a decisão de seu povo de mudar tudo.

Uma assembléia popular, reunida espontaneamente, decidiu eleger corpo constituinte de 25 cidadãos, que não tivessem qualquer atividade partidária, a fim de redigir a Carta Constitucional do país. Para candidatar-se ao corpo legislativo bastava a indicação de 30 pessoas. Houve 500 candidatos. Os escolhidos ouviram a população adulta, que se manifestou via internet, com sugestões para o texto. O governo encampou a iniciativa e oficializou a comissão, ao submeter o documento ao referendum realizado dia 20.

Ao ser aprovado ontem, por mais de dois terços da população, o texto constitucional deverá ser ratificado pelo Parlamento.

Embora a Islândia seja uma nação pequena, distante da Europa e da América, e com a economia dependente dos mercados externos (exporta peixes, principalmente o bacalhau), seu exemplo pode servir aos outros povos, sufocados pela irracionalidade da ditadura financeira.

Durante estes poucos anos, nos quais os islandeses resistiram contra o acosso dos grandes bancos internacionais, os meios de comunicação internacional fizeram conveniente silêncio sobre o que vem ocorrendo em Reykjavik. É eloqüente sinal de que os islandeses podem estar abrindo caminho a uma pacífica revolução mundial dos povos.

Veja aqui onde e como acessar seus livros prediletos e essenciais!!



Biblioteca digital ao alcance de todos


Carlos Pompe*

Especialistas no assunto afirmam que há seis propósitos fundamentais que levam uma pessoa a ler: compreender uma determinada mensagem, encontrar detalhes importantes, responder a uma pergunta específica, avaliar o que está lendo, aplicar o que está lendo, simplesmente divertir-se. Ron Fry, em Como estudar, cita três tipos de leitura: de referência rápida, para buscar informações específicas; crítica, para discernir ideias e conceitos que requerem uma análise aprofundada; estética ou de lazer, por puro entretenimento ou apreciação do estilo e habilidade de um autor.
Gabriel Zaid lembra, em Livros demais! Sobre ler, escrever e publicar, que os livros copiados à mão em pergaminhos eram um luxo só acessível à aristocracia. A partir do surgimento do livro impresso em papel, os custos reduziram e foi possível a produção de muitos exemplares de um mesmo título. Depois, vieram os livros de bolso, baixando ainda mais o preço. Agora, com a reprodução e a distribuição eletrônicas de textos, mesmo com todas as suas limitações, “diminuem ainda mais o custo da diversidade, que continua a florescer".
Atualmente, é difícil que uma pessoa que goste de ler livros, no Brasil, não tenha acesso à internet, em casa, no trabalho, na escola ou espaços públicos. Porém, ainda pouca gente utiliza-a para formar uma biblioteca. Milhões de livros estão disponibilizados, muitos gratuitamente, à espera de leitores.
O scribd.com, por exemplo, tem mais de 1 milhão de livros, revistas, fotos e imagens para baixar. Só precisa se inscrever (de graça) no alto da página, podendo ser usado um apelido. Quem tem facebook está automaticamente inscrito. Quando o visitante for baixar algo pela primeira vez, o site vai pedir um upload (carregar, pôr algo no site, um artigo, ou livro, ou uma foto qualquer –  neste endereço, http://www.senado.gov.br/publicacoes/revistaSENATUS/asp/Apresentacao.asp, pode ser baixado um exemplar da revista Senatus, que é de domínio público, e ser doada ao scribid.com). Tem um botão azul acima, à direita da página - PUBLICAR. Quando terminar, o site dá a opção de baixar qualquer quantidade de arquivos por 24 horas. Quando o usuário tiver postado mais material (uns 6 ou 10 arquivos), o site deixa de pedir novo upload e fica liberado para baixar qualquer material.
O site mostra as imagens do material a ser baixado, como se o usuário folheasse o livro no seu computador ou Ipad. Clicando no botão laranja escrito download, abrir-se-á uma janelinha com um botão azul escrito Descarregar, que deverá ser clicado. Ao clicar no nome de quem postou determinada obra, sai uma lista de tudo que ele disponibilizou. Existem pastas que tem mais de 500 livros.
Aguns exemplos:
Marxismo e Economia: http://pt.scribd.com/esnuevaeconomia, 69 livros de economia, inclusive Tratado de Economia Marxista (2 tomos, em espanhol) e a edição uruguaia do La Ideologia Alemana, de Marx e Engels.
http://pt.scribd.com/NovaEsquerda/documents?page=1, aqui há obras de referência (dicionários e enciclopédias).
Lenin, Gramsci, Fidel, Che, Trotsky, Lukács e outros estão nos links abaixo:
Livros da área de serviço social:
Há também pastas com livros sobre as mais diversas artes, inclusive partituras e songbooks editados por Almir Chediak.
Como diz o professor Miguel Trujillo Filho, “só sendo mais cultos que os exploradores, poderemos vencê-los. Conhecimento é para ser compartilhado com todos”.
Faça a sua biblioteca digital, boa leitura e compartilhe.
*Carlos Pompe, jornalista, comunista revolucionário, editor do Vermelho/DF e curioso do munndo

sexta-feira, outubro 26, 2012

Waimiri-Atroari, a "nação" indigena que a Ditadura Militar/Civil tentou exterminar!!!




Natasha Pitts
Jornalista da Adital
Publicado  em “Outras  Midias”

Na última quarta-feira, o Comitê da Verdade, Memória e Justiça do Amazonas fez chegar às mãos do Ministério Público Federal (MPF) deste estado brasileiro e à Comissão Nacional da Verdade um relatório que conta detalhadamente as violações de direitos e o massacre sofrido pelo povo indígena Waimiri-Atroari durante a construção da BR-174 (Manaus - Boa Vista) no período da Ditadura Militar.
Egydio Schwade, indigenista e membro do Comitê da Verdade estadual, explica que sua motivação para começar a investigar o que aconteceu com os Waimiri-Atroari se deu porque nunca se falava em desaparecidos políticos indígenas.
"Eu fiquei intrigado porque só se falava dos desaparecidos políticos não indígenas. E os povos indígenas que sofreram genocídio neste período? Então quando a Dilma [Rousseff – presidenta] lançou a Comissão da Verdade Nacional comecei a levantar a questão dos Waimiri-Atroari e fui postando artigos no blog. No 4º artigo fui processado pelo Programa Waimiri-Atroari. Em março, quando a Comissão da Câmara começou a forçar a criação da Comissão da Verdade eles começaram a investigar a questão indígena e me chamaram”, explicou a criação do Comitê, ressaltando que não apenas os Waimiri-Atroari foram dizimados neste período.
O relatório, o primeiro do Comitê da Verdade, Memória e Justiça do Amazonas, conta com mais de 100 documentos anexados e 200 documentos referenciados. A primeira parte faz um levantamento de dados demográficos e mostra como os indígenas foram desaparecendo rapidamente após a penetração do Exército nas terras indígenas Waimiri-Atroari. "Em 1968 eles eram três mil e em 1973 menos de mil. Já em 1983 detectou-se que eles somavam-se apenas 332 pessoas”, contou.
Alguns capítulos são reservados para constatações demográficas e outros para relatos detalhados dos próprios indígenas. Egydio explica que na oportunidade de contar sua história, os indígenas denunciaram bombardeios, uso de metralhadoras, granadas e assassinatos de outros indígenas, sobretudo homens, por eletrocussão.
Também é relatada a verdadeira motivação para a construção da rodovia BR 174, que liga Manaus a Boa Vista e atravessa o território Waimiri-Atroari. O indigenista relata que a intenção era chegar a minas e fontes de energia. Como os indígenas foram contrários à obra, se converteram em empecilho e consequentemente foram sendo rapidamente eliminados. O documento também analisa o método de pacificação da Fundação Nacional do Índio (Funai) à época, considerado repressivo.
"Nós queremos apenas que se mude a história de relacionamento da sociedade com este povo. Hoje, segue a mesma política de ocultamento dos povos indígenas e de sua história de luta e resistência. Queremos que este povo seja ouvido e que seja protegida e garantida a posse de suas terras e territórios daqui para o futuro. Queremos que eles possam sentir que a sociedade não é contra eles”, manifestou Egydio Schwade.
Esta denúncia foi apenas a primeira. O Comitê da Verdade do Amazonas já está trabalhando na investigação de dois casos de não indígenas amazonenses mortos no período da ditadura militar, e no genocídio de outros povos indígenas como os Cinta Larga e os Piriutiti.

quinta-feira, outubro 25, 2012

O MENSALÃO EM TRÊS ATOS



                                                                                                                             Victor Mendonça Neiva[1]


MENSALÃO I: A GAMBIARRA

Sendo o tema da moda, o propalado “Julgamento do Mensalão”, pode nos levar à ilusão de que o tema foi esgotado. Entretanto, o que vemos, na prática, é uma discussão apaixonada entre quem o acha ótimo e quem o acha uma barbaridade. É o que se apreende do cotejo entre a grande mídia, os blogs da internet e as redes sociais. Ao acessar redes sociais, nos sentimos em um estádio lotado a presenciar duas torcidas a entoar seus gritos pelo time vencedor.
Mas, se no futebol às vezes nos vemos na contingência de defender a marcação de um pênalti inexistente ou a ignorar uma tesoura voadora dentro da área, quando se trata de atos políticos, e a decisão judicial é um deles, a defesa intransigente de um dos lados pode nos levar a legitimar arbitrariedades, sejam por ação ou omissão. Nestas situações, o melhor é se tranquilizar e ter a frieza como a melhor amiga, para que possamos fazer uma avaliação crítica e independente do que está acontecendo, formando uma opinião a respeito da existência ou não de uma mudança de fato e se ela tende a se projetar no horizonte.
Buscando, na medida do possível, seguir esta estratégia, a primeira conclusão que chego é que o julgamento começou contraditório em seus próprios termos. De fato, tendo como discussão primeira o desmembramento[2], optou-se por modificar a jurisprudência pacífica até então (o que já havia sido feito quando do recebimento da denúncia) para que todos os réus fossem julgados pelo STF. Ocorre que, na mesma seção, verificando a existência de nulidade processual em relação ao empresário Carlos Alberto Quaglia, se desmembrou o feito apenas em relação a ele para assegurar que se adentrasse o julgamento de mérito.
Para que o leigo entenda, nulidade é um erro ou vício ocorrido na condução do processo que pode anulá-lo desde o momento em que ocorreu, devendo recomeçar a partir daí. Normalmente acontece quando se desrespeita o legítimo direito das partes de se manifestar e de participar no processo, formulando as provas que entendesse necessárias. No caso, não se realizou a tomada de depoimentos de testemunhas indicadas pelo réu.
Assim, logicamente, se decidido que o julgamento não deveria ser desmembrado e, portanto, analisar a conduta de todos os réus em conjunto, seria imperioso que o julgamento fosse paralisado até que corrigido o erro e ouvidas as testemunhas. Como se viu, não foi o que se deu.
Logo, ao entender que não se deveria desmembrar o processo para todos os réus e, ao mesmo tempo, desmembrá-lo em relação ao réu em que verificada a nulidade, há uma contradição inequívoca, o que podemos entender como uma “gambiarra” jurídica.
O que este fato em si revela?
Em primeiro lugar, a incapacidade operacional do Supremo de julgar ações penais. Sendo a sua natureza eminentemente de corte recursal e de verificação de constitucionalidade de atos normativos, não tem o traquejo para instrução processual e formação de provas, o que revela certa ineficiência da corte e da Justiça como um todo. É ela, fundamentalmente, a mais importante fonte de crítica ao foro privilegiado.
Em segundo lugar, que a pressão exercida pela grande mídia e por parte da população mostrou-se decisiva para que o julgamento ocorresse neste momento e que fosse espetacular. Ora, diante da realidade ineficiência operacional da corte de apreciar ações penais (o mensalão é a ação penal de n. 470 na corte, enquanto, por exemplo, os recursos extraordinários já passam de 700.000, os Habeas Corpus de 110.000, as Reclamações de 30.000 e os Mandados de Injunção de 5.000), é muito pouco provável que um julgamento desta magnitude ocorra novamente e, exceto um fator estranho, ele não teria ocorrido desta maneira.
Em terceiro lugar, parece que foi decisivo para o julgamento, a par motivos pessoais inconfessáveis de ministros, o espírito de corpo do Judiciário em não chamar pra si o papel de responsável pela impunidade no país.
De fato, imaginemos que, em um caso de tamanha repercussão, após sete anos de tramitação, os ministros tivessem que dar explicações para que o processo tivesse que voltar para a instrução para ouvir testemunhas indicadas pelas partes, sem previsão para julgamento? Ou mesmo assumindo que não têm condições operacionais de julgar processos desta complexidade e que, por isso, o caso é dividido em vários processos de acordo com o foro, privilegiado ou não, de seus réus?
Assim, apenas pela suscetibilidade da corte para a pressão exercida, o que, presumindo a reputação ilibada e o notório conhecimento jurídico de nossos reconhecidos ao menos pelos outros dois poderes da república, atribuo ao corporativismo e à preocupação com a imagem da corte e do Judiciário, o Julgamento do Mensalão não teria acontecido. Mais do que isso, do ponto de vista do Direito, seja pelo dever de motivação das decisões judiciais, que impõe a coerência como um de seus componentes essenciais, ou pela preocupação que uma corte deve ter com a isonomia de suas decisões, não se deveria julgar nestas circunstâncias.
Por outro lado, do ponto de vista político, não ignorar completamente a repercussão social de um caso tão relevante para o país, procurando não comprometer a crença nesta instituição fundamental em qualquer democracia não seria recomendável a um julgador responsável?
Este é um dilema crítico, que deixo em aberto, por não ter a sua resposta. Até porque já vi casos em que a Justiça ignorou completamente a sociedade para proferir o seu julgamento e posso dizer que não foi bom. Mas isto é tema que tratarei na próxima.


MENSALÃO II: A CONQUISTA

Quando ingressei na faculdade em 1994 e comecei as minhas lições introdutórias, era repetido reiteradamente que, estudando em Brasília, era inadmissível que não fosse assistir às seções do Supremo. Colegas passavam horas a relatar os debates e as artimanhas dos julgamentos naquela corte. Estudantes de todo o país faziam excursões à Brasília para conhecê-lo. Enfim, o STF era, e certamente ainda é, o grande tema dos estudantes da Universidade de Brasília.
Pois bem, e lá fui eu, já atrasado, cumprir com a minha obrigação cívico acadêmica de assistir a sessão do pleno de nossa mais alta corte. Levei minha irmã, à época secundarista e hoje procuradora federal, eis que já ressabiado com as pegadinhas que os veteranos faziam com os calouros, era melhor não ir sozinho. Deparei-me com o julgamento de uma das ações penais em que o réu era o Collor. Não era a primeira, que teve grande comoção, e, por isso, havia muitos espaços livres na sala.
À medida que se desenrolava o julgamento, passei a me imbuir da certeza  de que iam pegá-lo. Era relatado com tamanho detalhamento de provas as vantagens obtidas pelo réu e os benefícios da empreiteira que era impossível no meu entendimento de garoto inocentá-lo. E eis, que veio a surpresa: entendendo que não estava cabalmente provada a relação entre as vantagens recebidas por aquele servidor público e o favorecimento da empresa, não se poderia condenar por presunção. Improcedência da denúncia.
Saí de lá profundamente decepcionado e, minha irmã, aos prantos. Neste dia descobri que o juridiquês era um instrumento de pacificação do povo. De fato, se dito em linguagem clara e coloquial aquilo que a tonelada de brocardos latinos  e termos técnicos obscureciam, seguramente teríamos a nossa queda da Bastilha.
Depois passei a perceber que não era só a linguagem a ajudar a letargia do cidadão. Toda a parafernalha de requisitos, desde o terno e grava ou a saia até os adereços dos prédios do Judiciário, com os mármores, as estátuas de bronze e a indumentária serviam para auxiliar a letargia do cidadão, estimulando um certo acanhamento e timidez diante de tanto poder e autoridade a indicar um pretenso conhecimento superior.
Por exemplo: o propalado ato de ofício, meus senhores, nada mais é do que a exigência de um “contrato de corrupção”. Ou seja, não bastava à acusação provar que o servidor recebeu uma vantagem indevida e que quem entregou teve uma pretensão atendida do órgão. Era necessária uma prova inequívoca da ligação entre ambos.
Assim, a discussão que pela imprensa pareceu ser apenas da existência ou não de prova, na verdade, era secundária à primeira, que ficava maliciosamente escondida: o que era necessário provar. Obviamente, como estes acordos de vontades entre corrupto e corruptor normalmente se dá a portas fechadas e com intermediários obscuros (os chamados testa-de-ferro), inúmeros bandidos não puderam ser apanhados pela Justiça. Graças a tal jurisprudência do ato de ofício.
O fato é que a sociedade brasileira, passados cerca de 20 anos, amadureceu. Os meios de comunicação e o acesso à informação se tornou mais livre da sociedade. Assim, o julgamento que só poderia ser visto por quem fosse à seção ou tivesse a disposição para ler os enfadonhos e enormes acórdãos, agora é acompanhado da sala de casa. E mais, uma parte bem maior da população já tem condições de melhor deglutir o indigesto vocabulário e entender, ao menos em parte, os fatos em discussão.
Daí a evolução naquilo que espero ser a morte da jurisprudência do ato de ofício e, mais do que isso, vermos em um julgamento do Supremo contrário a toda a sua jurisprudência, mas em favor da sociedade.
Já aconteceram inúmeras vezes de o STF em um caso particular modificar o entendimento reiterado em sua jurisprudência, mas, do que me recordo, eram todas em prejuízo do cidadão ou da sociedade. Como exemplo cito a libertação do Paulo Maluf em processo relatado por Carlos Vellozo, a soltura de Salvatore Cacciola, da relatoria de Marco Aurélio e, mais recentemente, o espantoso habeas corpus de Daniel Dantas relatado por Gilmar Mendes e a assustadora súmula vinculante das algemas. Além disso, houve os casos cíveis, como o conhecimento da matéria relativa aos expurgos inflacionários do FGTS, que reduziu sobremaneira o que o governo devia aos cidadão, a greve dos petroleiros no governo FHC, a concessão de auxílio-moradia por liminar pelo então Ministro Nelson Jobim e a própria contribuição previdenciária de inativos.
Certamente, não fosse o amadurecimento da cidadania de nossa ainda infante democracia (tem apenas 24 anos se contada da Constituição de 1988), provavelmente não se veria uma alteração de jurisprudência tão significativa para a nação.
A dispensa de prova do ato de ofício é mais importante que a própria Lei da Ficha Limpa para a sociedade, pois possibilitará que criminosos antes inatingíveis pelo sistema judiciário, tenham a sua ficha sujada pela dispensa de uma exigência para a condenação que, na maioria das vezes, é inviável.
Apesar disso, ao contrário da Ficha Limpa, é cedo para dizer que esta evolução veio para ficar. Como já vimos da história do STF, nem sempre a Justiça foi a sua aliada e, utilizando o termo de um atual ministro da corte de quando Advogado Geral da União, o que temos está mais para um “manicômio judiciário” que para um Poder da República.


MENSALÃO III: O TERATOLÓGICO

TE-RA-TO-LÓ-GI-CO! A primeira vez que tive contato com esta palavra, perdido no estudo de processo civil, tive uma certeza e um espanto: só podia ser um palavrão e como é que poderia ser usada em um processo?
Depois vi que seu significado era muito pior. Teratológico é aquilo que nos faz lembrar que a injustiça que tanto nos revolta é fato cotidiano, quase banal. É o absurdo ao quadrado, a indignidade ao extremo, enfim, o que faz conhecer o máximo de indignação que podemos suportar. Trata-se de um termo utilizado dentro do juridiquês como a única alternativa para justificar o cabimento do mandado de segurança contra ato judicial.
Já vi, no cotidiano forense, várias decisões teratológicas que, apesar disso, jamais justificaram o cabimento daquele remédio extremo contra arbitrariedades. Percebi então que não bastava a existência de uma teratologia praticada por magistrado. Era necessário que, além dela, existisse um juiz ou um órgão judicial capaz de reconhecê-la.
Ao tratar do mensalão, todos os acusadores e boa parte da opinião pública o exaltaram com um nível de excepcionalidade semelhante. Era “o maior escândalo de corrupção que existiu na história do país”, “o mais atrevido esquema de corrupção” e assim por diante.
Ao presenciar algumas das condenações, entretanto, fiquei absolutamente pasmo, mais que isso, embasbacado! Foram baseadas em regras de análise da prova que determinam que a avaliação do conjunto probatório ocorra segundo o que “ordinariamente acontece”.
E assim, aplicando-se ao que foi considerado o máximo do extraordinário (perdoem-me o pleonasmo vicioso), o que, segundo a maioria dos ministros do STF é o que normalmente ocorre, foram condenadas pessoas sem qualquer prova.
Digo isto porque o depoimento de um co-réu, inimigo declarado de um dos condenados jamais, em nenhum outro processo que se tenha conhecimento, é tido como “prova”. De fato, testemunhas são as pessoas desinteressadas que prestam juramento. Os parentes, amigos, inimigos e demais interessados, quando muito, são informantes e não servem, por si só, como prova.
Além disso, a testemunha deve falar de fatos por ela presenciados e não de opiniões. O que normalmente se dá em depoimentos, e até estagiários sabem disso, é que, se a pessoa não presenciou o fato, dele não pode depor, ou seu depoimento não serve.
Neste caso, a versão do co-réu prevaleceu à das verdadeiras testemunhas do fato, simplesmente por uma avaliação de “verossimilhança”, mais atrelada à qualidade retórica do informante que a aparência de verdade do que disse.
Como se não bastasse, vimos serem inocentados os marqueteiros da campanha por, independente do que ordinariamente acontece, não terem conhecimento da origem ilícita dos 11 milhões de reais que receberam pela campanha presidencial.
É isto mesmo: sujeito, brasileiro, por um serviço prestado no Brasil, exige que o pagamento seja feito na conta de uma off-shore em um paraíso fiscal e não supõe que os recursos sequer fossem de caixa 2!
E eu pensando cá com os meus botões: se os recursos fossem lícitos, necessariamente teriam que estar na prestação de contas a ser feita perante o TSE. Como isto é feito? Há precedente deste tipo de depósito aceito como algo regular em uma análise de contas pelas cortes eleitorais? Isto, mais uma vez, “ordinariamente acontece”?
E assim, o que se viu assemelhou-se mais ao restabelecimento da “oligarquia dos sofistas”, que propriamente um julgamento. Enfim, subverteu-se as mais elementares regras da democracia e dos direitos fundamentais, fazendo com que a nossa corte suprema se prestasse ao linchamento sem provas e a absolvição com elas.
Ora, dentro do que ordinariamente acontece, a onisciência e onipotência são poderes divinos. Na prática, instituições, quando crescem, têm funções delegadas. Por exemplo, a Casa Civil da Presidência da República é a responsável pelo controle administrativo do governo, pela condução das políticas gerais, pela elaboração das minutas de todas as normas e por todas as nomeações de um governo gigantesco. Assim, a afirmação de conhecimento e controle do extraordinário de relação de varejo entre partidos, o tal esquema de corrupção, não pode ser presumido. Tem que ser provado. E não foi.
Ademais, é evidente que os recursos são recebidos desta forma para elisão fiscal e, portanto, não são declarados e, desta forma, dentro das regras de uma campanha eleitoras, só podem ser feito com “recursos não contabilizados” e, portanto, ilícitos. Como entender o desconhecimento desta origem para absolver nestas circunstâncias.
Aprendemos, desde muito cedo na faculdade, que democracia não é, necessariamente, o regime da maioria, mas o regime político que reconhece a existência de direitos fundamentais e tem no Estado não o destinatário da ação dos súditos, mas uma organização política voltada ao atendimentos destes direitos dos cidadãos.
Daí que, paulatinamente, no processo de amadurecimento da democracia, fortaleceu-se o papel das cortes constitucionais, como órgãos necessários a impedir o aviltamento destes direitos, principalmente em situações de crise. E isto se deu, fundamentalmente pelo reconhecimento de que a maioria também pode oprimir.
Eis o porquê de, em muitos casos, a decisão de uma corte prevalecer sobre a de órgãos legitimados pelo voto. Também a justificativa para que os juízes destas cortes não sejam sujeitos ao sufrágio, eis que os tornaria mais suscetíveis à opinião pública, pois seriam dependentes do voto.
O que vimos, entretanto, foi a completa subversão destes valores ontológicos de uma ordem democrática. Isto é evidentemente te-ra-to-ló-gi-co!
Pois é, a maioria oprimiu. O problema é que foi uma maioria que variou de seis a oito pessoas. E, com isso, comecei a suspeitar que o máximo de indignação que podemos suportar tenha como sentimento correspondente a repugnância visceral.



[1] Advogado, Membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/DF.
[2] Desmembramento é o que se entende pela separação do processo entre diferentes órgãos da justiça de acordo com a competência em razão da pessoa, resguardando ao Supremo o julgamento apenas daqueles réus que, nos termos da Constituição, devem ser julgador pela corte.