Surgiu um movimento guerrilheiro recente no Paraguai que tem tudo para ser um produto genuinamente paraguaio, ou seja: FALSIFICADO!!
Veja porque no blog www.luiz-aparecido.zip.net
Coisas da CIA!!!
Página de comentários e registros do cotidiano de Luiz Aparecido, sua familia e amigos. Opiniões sobre o que ocorre no Brasil e no Mundo e claro, com as pessoas!
quarta-feira, maio 12, 2010
terça-feira, maio 11, 2010
Esquerda volver!!!!
America Latina esta mudando mesmo! Eleições regionais no Ururguai neste domingo elegeu prefeitos e governadores de Departamentos na maioria da Frente Ampla, que congrega união de partidos de esquerda. E na capital. Montevidéo, elegeu Ana Oliveira prefeita, membro do Parido Comunista Uruguaio. Agora no Brasil é esperar outubro e eleger Dima presidente e maioria dos governadores de esquerda nos Estados e maioria dos senadores e deputados federais e estaduais de esquerda. No Maranhão, o PCdoB lançou coligado com o PT e PSB,o deputado Flavio Dino, candidato a governador. Será o fim da dinatia Sarney naquele estado.
sexta-feira, abril 23, 2010
Relatos sobre a Venezuela-Importante acompanhar!!!!
RELATO DO JORNALISTA JOSÉ CARLOS SUCUPIRA SOBRE SUA CONTRIBUIÇÃO À REVOLUÇÃO BOLIVARIANA!
Faz só pouco mais de 5 semanas que estou na Venezuela. Mas tenho a sensação de estar aqui há meses. Vim para cá para trabalhar junto aos camaradas da CMI (Corrente Marxista Internacional - www.marxist.com) na preparação de uma conferência de lançamento de um novo jornal chamado "Lucha de Clases" (www.luchadeclases.org.ve).
Já vinha acompanhando de perto a revolução venezuelana através da CMI, com camaradas venezuelanos que já foram ao Brasil e camaradas brasileiros que vieram à Venezuela, principalmente do Movimento das Fábricas Ocupadas, além de participar e ajudar a organizar no Brasil a campanha de solidariedade com a revolução "Tirem as Mãos da Venezuela". Mas estar aqui fisicamente, poder conversar com o povo, apertar a mão, passar calor, pegar o ônibus, o metrô, comer arepa, cachapa, assistir à TV, escutar Ali Primera, ver os murais e grafites, ser atendido por um médico cubano na Missão Barrio Adentro, participar das marchas, de reuniões, encontros, atividades do PSUV, de assembléias dos movimentos populares, de trabalhadores das fábricas ocupadas, tudo isso torna possível uma compreensão muito mais ampla e um pouco mais profunda do que passa nesse país vizinho.
Poderia relatar aqui muitas experiências, mas o tempo é curto para isso agora. Para ficar em alguns exemplos começo por contar sobre o dia em que peguei uma caminhoneta (lotação, micro-ônibus) no Barrio (favela) Simon Rodriguez e aí estavam duas senhoras conversando. Uma explicava para a outra que no dia anterior comemorou-se o 80º aniversário da orquestra municipal de Caracas e que todos os anos a orquestra se apresentava no Teatro Teresa Carreño (o maior teatro da cidade) e a maior parte do povo não tinha oportunidade de assistir. Mas que no dia anterior havia encerrado um mês de apresentações da orquestra em praças públicas e ela tinha assistido justo no dia anterior numa praça. Ela disse que nos últimos 80 anos nunca a orquestra municipal havia tocado para o povo (e acho que ela tinha idade suficiente para saber isso) e que era a primeira vez que ela escutava ao vivo uma orquestra. E então disse à outra senhora, quase chorando, que tinha sido a coisa mais maravilhosa que ela tinha escutado em toda a sua vida. Uma senhora muito simples, moradora de uma favela de Caracas agora podia apreciar música de orquestra, gratuitamente. E mais do que isso: depois me inteirei de que os músicos que compõem a orquestra também são em sua maior parte moradores das favelas de Caracas (resultado de um programa do Governo).
Não é isso que prova que há uma revolução na Venezuela. Qualquer governo, inclusive de direita, poderia implementar um programa para levar música à população mais pobre. A diferença é que na Venezuela o povo tem consciência de que mudanças como essa são resultado de sua própria luta por mudar toda a sociedade.
Uma revolução em qualquer país pode começar, de maneira geral, quando a classe dominante está em crise, dividida, não é mais capaz de governar como governava antes e as classes exploradas já não aceitam mais ser exploradas como antes, se dispondo a lutar nas ruas, fábricas, escolas, comunidades, para buscar mudar a sua vida de exploração, fome, miséria, desemprego, violência, humilhação.
Aqui na Venezuela este é um processo que teve início nos anos 80, que se agudizou com o Caracazo em 1989 e que encontrou na eleição de Chávez um meio de se expressar.
Caracazo é o nome dado ao evento em que o então presidente da Venezuela, Carlos Andrés Perez, mandou o exército reprimir manifestações populares de massa em Caracas. Até hoje o número de mortos é desconhecido, mas passa de 3 mil. Chávez, que era Tenente-Coronel do batalhão de pára-quedistas do exército na época, se indignou com a atitude das forças armadas, pois acreditava que o exército servia para proteger o povo venezuelano e não para atirar contra ele. Chávez reúne um grupo de amigos militares e tenta derrubar o Governo de Perez em 1992. Não consegue e vai preso por 2 anos. Mas se torna um herói popular, pois derrubar o Governo assassino de Perez era a vontade da maioria do povo venezuelano. Por isso a maioria elege Chávez presidente em 1998.
Em 1999 Chávez consegue a aprovação de uma reforma constitucional que, embora tímida, era inaceitável para a oligarquia e representava alguns avanços para o povo. Chávez passa então a utilizar a receita que a Venezuela obtém com o petróleo em projetos sociais, principalmente de educação e saúde.
Em 2002, no dia 11 de Abril, os militares leais à oligarquia petroleira e ao imperialismo EUA, junto com os grandes canais de TV privados, dão um golpe militar, seqüestram Chávez e o levam para um ilha, cortam o sinal da emissora estatal de TV, reprimem os jornalistas internacionais e empossam um novo Presidente (Pedro Carmona) em nome da "Democracia". Tudo isso apoiado pela "Sociedade Civil" com a igreja católica, os empresários, ONGs e sindicatos pelegos.
Na TV explicavam que Chávez havia renunciado e fugido. Mas mentira tem perna curta e aos poucos chegava aos ouvidos dos trabalhadores das comunidades mais pobres de Caracas que Chávez estava seqüestrado. Então algo inesperado aconteceu. Em menos de 48 horas, no dia 13 de Abril, milhões de venezuelanos saíram às ruas, milhares cercaram o Palácio de Miraflores em Caracas e derrubaram a ditadura recém-nascida de Carmona. Os soldados do exército - que são parte do povo, são trabalhadores e filhos de trabalhadores - confraternizaram com o povo, desobedeceram as ordens dos generais golpistas e resgataram o presidente Chávez.
Dia 11 foi uma Sexta e dia 13 um Domingo. O povo venezuelano é bastante religioso e não faltaram comparações com a morte e ressurreição de Cristo. Chávez saiu ainda mais fortalecido desse episódio, entretanto, junto com Chávez, o povo saiu fortalecido. Homens e mulheres do povo perceberam que mesmo aquele que eles consideram seu herói só pôde sobreviver e voltar a cumprir o seu papel porque o povo foi capaz de derrotar a tirania. O povo é herói e se reconhece como tal. Cada mulher e homem trabalhador na Venezuela aprendeu desde então a não baixar mais a cabeça, a se respeitar como sujeito que atua na sociedade e que pode mudar a sua história.
Mas a direita não estava completamente derrotada e gozava de forte apoio da classe média e do imperialismo EUA. Em Dezembro de 2002 começa uma nova estratégia para desestabilizar e derrubar o governo Chávez: o Paro Petroleiro. Buscava parar a produção de petróleo no país, desestabilizando a economia e colapsando o governo. A oposição teve êxito por 4 meses, mas foram os próprios trabalhadores da PDVSA (companhia estatal de petróleo) que desobedeceram as ordens de seus superiores, tomaram as instalações por todo o país, ignoraram o sistema informatizado e colocaram a PDVSA pra funcionar manualmente, abrindo as válvulas no braço. Mais uma vez o povo foi o herói.
Em 2004 ocorre um "referendo revogatório" (como um plebiscito para saber se o povo aprova a continuidade do presidente ou se revoga seu mandato antes que acabe). O povo venceu nas urnas mais uma vez, mesmo com os "escuálidos" (como são chamados os oposicionistas aqui) utilizando todos os canais de TV privados 24h por dia dizendo que Chávez devia ser derrubado.
Cada vez mais Chávez percebe que não há como governar em acordo com setores dos empresários. Esses querem a sua cabeça e é apoiando-se no povo que poderá continuar governando. Chávez começou sua jornada "para libertar o povo", como ele mesmo diz, inspirado pelas idéias e história de Simon Bolívar (o líder da independência de 1810). E começou com a tentativa de golpe de 1992. Fracassou e então tentou através das eleições regulares burguesas. Venceu mas aprendeu que vencer eleições não muda muita coisa, é preciso mais. A partir de 2004 começa a falar de Socialismo.
Desde então todos na Venezuela falam de socialismo e de revolução. Há padarias socialistas, lava-rápidos socialistas, empresas socialistas e até banqueiros socialistas. Inclusive partidos de direita se dizem revolucionários. Enfim, muitos se apropriam do discurso do socialismo, buscando atribuir-lhe muitos significados estranhos, mas ainda não há nada de socialismo na Venezuela. A revolução só começou, mas ainda não terminou... Apesar de algumas nacionalizações, a economia segue nas mãos do capital privado. O controle da produção industrial segue nas mãos dos oligarcas escuálidos e de alguns outros empresários e banqueiros que se dizem "chavistas".
O que parece é que Chávez quer avançar para o socialismo, mas não sabe como fazer. A burocracia do Estado burguês sabota a revolução desde dentro, impedindo medidas do governo de serem aplicadas, desviando verbas, etc.
O Governo criou as chamadas "Missões". Há missões de alfabetização, de ensino médio, de ensino técnico, de ensino superior, de saúde, de moradia, de cultura, de esporte. Não tenho tempo para falar de todas, mas para ter uma idéia geral, com a Missão “Barrio Adentro” (saúde) todas as pessoas no país têm acesso a atendimento médico e medicamentos gratuitamente, sem filas. Eu mesmo precisei usar o serviço duas vezes, uma vez em Mérida (uma pequena cidade nos Andes, na parte oeste do país) e outra vez numa favela de Caracas. Recebi todos os medicamentos gratuitamente, tirei radiografia gratuitamente e fui atendido diretamente por um médico (não por um enfermeiro ou um funcionário fazendo triagem) e um médico cubano! Não havia fila! Por que foram criados postos de saúde suficientes para atender a toda a população. Ninguém mais morre na Venezuela em fila de hospital ou de doenças tratáveis, como ocorre na maior parte dos países dominados.
Agora falando das Missões Ribas (alfabetização), Robinson (ensino médio), Che Guevara (ensino técnico) e Sucre (ensino superior), na Venezuela todos sabem ler e escrever! Conheci muitas donas de casa, operários, aposentados que estão cursando agora o ensino médio através das missões e que antes da revolução não sabiam ler nem escrever. Na Venezuela todos que concluem o ensino médio podem cursar o ensino superior gratuitamente. Não precisam fazer vestibular! Podem fazer, se querem, para entrar na Universidade Bolivariana (UBV), mas se preferirem ou se não houver vagas aí, há vagas para todos na Missão Sucre – onde inclusive os conteúdos, grade curricular, etc. são discutidos democraticamente por conselhos com a participação de estudantes e professores!
Num país atrasado economicamente como é a Venezuela esse tipo de avanço, de desenvolvimento só pode ocorrer com uma revolução em curso. A burguesia nacional, completamente submetida ao imperialismo, jamais poderá cumprir essa tarefa. Mas a burguesia segue sendo a classe dominante na Venezuela. Isso tudo só é possível por que a revolução permite uma situação contraditória onde o povo trabalhador começa a exercer seu poder de maneira ainda limitada enquanto não conclui definitivamente a revolução.
Para concluir a revolução é necessário que os grandes meios de produção, a indústria, a terra, o sistema financeiro, deixem de ser controlados pela minoria oligarca parasita da sociedade e passem a ser controlados pelo povo organizado. As condições para isso estão dadas na Venezuela, só falta uma direção clara para executar isso.
Chávez foi reeleito em 2006 com um número ainda maior de votos e os deputados chavistas ocuparam 100% das vagas na Assembléia Nacional, pois a direita boicotou as eleições. Desde então o Governo poderia aprofundar a revolução verticalmente de maneira relativamente pacífica e fácil. Mas Chávez peca por “excesso de democracia”. Não coloca os líderes da oposição golpista na cadeia (que até hoje continuam defendendo publicamente o golpe de estado). Continua permitindo que as emissoras de TV privadas transmitam as mais absurdas distorções e manipulações de informação. E quando propôs uma reforma constitucional (que não seria a vitória da revolução, mas permitiria avançar em muitos aspectos), que poderia ter sido aprovada pela Assembléia Nacional sem opositores, ele propõe um plebiscito. Isso permite a oposição a entrar em campanha contra a reforma. A oposição não ganha mais votos do que já tinha nas outras eleições, mas as bases chavistas não dão a mesma importância e quase metade não vai às urnas. As massas estão cansadas de votar, votar, votar e não ver mudanças mais profundas. Para a maioria dos venezuelanos, esse plebiscito de 2007 não iria mudar nada, era mais uma votação, e então não deram importância. Resultado é que por uma diferença de 0,2% ganhou o NÃO.
Esse é o maior risco que corre hoje a revolução venezuelana: o cansaço e desânimo das massas frente à paralisia do processo. A burguesia e o imperialismo não têm as condições hoje de atacar a revolução com um golpe, mas apostam no desgaste. Param de investir no país, diminuem a produção de alimentos, sabotam os programas do Governo se utilizando de agentes burocratas dentro do aparato de Estado, infiltram milícias paramilitares colombianas para impulsionar a criminalidade nas comunidades mais pobres, etc.
No dia 13 de Abril, em comemoração aos 8 anos do Contra-Golpe, uma grande marcha foi realizada na Avenida Bolívar em Caracas. Todos os anos ocorrem grandes marchas nesta data lembrando aqueles que foram assassinados, o golpe da direita em 11 de Abril e a insurreição do povo que em confraternização com os soldados retomou o poder em 13 de Abril.
Mas nos anos anteriores essa marcha tinha como característica um mar de homens e mulheres vestidos de vermelho. Desta vez havia muita gente de vermelho também, mas a maioria estava de verde! Com uniformes militares e carregando armas russas AK 47. Entretanto as dezenas de milhares de homens e mulheres não eram militares do exército regular e sim trabalhadores fabris, trabalhadores rurais, estudantes, donas de casa, professores, servidores públicos, etc. Era o povo em armas!
Na avenida estavam perfiladas as “milícias populares” conformadas por qualquer um que queira participar com treinamento aos fins de semana nos seus próprios Barrios. Em seu discurso Chávez avisou que a burguesia não poderia mais tentar um golpe como o de 11 de Abril de 2002, porque agora o povo está armado. E ele tem razão!
A marcha durou o dia inteiro, até a noite. Nos falantes músicas revolucionárias entrecortadas por intervenções em contra o imperialismo, o capitalismo e em favor do socialismo. Chávez só chegaria para fazer seu discurso por volta das 17h.
Conversei com muitos dos milicianos que estavam aí. Uma dona de casa chamada Carmen, que aguardava o discurso do presidente apoiada em seu fuzil, me disse que uma das coisas que ela pensou que jamais aprenderia na vida seria como desmontar, limpar e montar uma arma. E agora ela inclusive sabe atirar. E que não hesitará em fazê-lo se os escuálidos tentarem de novo atentar contra a vontade soberana do povo.
Isso representa uma profunda consciência do povo venezuelano de que as classes dominantes sempre usam discursos pacifistas e anti-violência para promover o desarmamento do povo justamente para poder explorar o povo sem que este possa resistir. Enquanto isso as classes dominantes se armam até os dentes através do aparato de Estado, com arsenais de guerra e armamento policial. E sempre que lhes convém não hesitam em usar toda a violência contra o povo, além de esquecerem-se de todo o discurso pacifista quando decidem fazer as guerras, que nada mais são do que negócios para eles.
A única forma de conquistar a paz e acabar com a violência é tirando do controle de cada país e do mundo todo a classe capitalista, que mata bilhões de seres humanos com suas guerras, crises econômicas, desemprego, fome, miséria, drogas, repressão policial e todo tipo de atividade criminosa em nome do lucro. Para isso os trabalhadores devem se armar.
Já ontem, 19 de Abril de 2010, o “Bicentenário” (aniversário de 200 anos da independência) foi comemorado com muita festa por todo o país. Pela manhã houve um grande desfile que começou com grupos de dança popular de todo o país, depois seguiu como um desfile militar com representações de vários países e terminou com um desfile completo das forças armadas venezuelanas (exército, marinha, aeronáutica), batalhões regulares, carros blindados, tanques, aviões, helicópteros.
Em seu discurso Chávez explicou que a liberação dos povos da América Latina ainda não foi alcançada nesses 200 anos e que só poderá ser alcançada com o socialismo.
Esses desfiles militares são tradicionais no dia da independência, mas este ano ocorreu algo que não havia ocorrido nunca antes: Numa tarde ensolarada, centenas de milhares de pessoas vestidas de vermelho que assistiam ao desfile militar, quando este acabou, foram se confraternizar com os militares. Crianças, mulheres e homens com camisas e bonés do PSUV subiam em centenas de tanques de guerra e carros de combate tirando fotos, conversando com os militares e entoando palavras de ordem socialistas.
Essa confraternização entre o povo e o exército representa uma mudança de qualidade importante. Em geral os povos da América Latina não confiam muito nas forças armadas de seus próprios países, principalmente por conta das ditaduras militares que cobriram o continente no século 20. Para o povo venezuelano, além da ditadura militar de 1948 a 1958, está muito fresco na memória o Caracazo de 1989. Essa confraternização de ontem demonstra que o povo entende que controla as forças armadas, que essas são leais ao povo, são parte do povo.
As condições objetivas para o triunfo da revolução estão dadas. O que falta são as condições subjetivas: uma direção e um programa claros. Falta aprofundar a organização da classe que avançou com a constituição do PSUV, mas que ainda não atingiu a maturidade necessária. Se Chávez ordena a toma das fábricas e terras pelo povo em armas junto ao exército, o que poderia fazer a burguesia? Fugiria! O povo poderia realizar a verdadeira democracia que é o controle de toda a produção e planificação da economia através dos conselhos de fábrica, conselhos comunais, comunas e avançar para a formação dos conselhos de deputados operários, camponeses e soldados.
Em seu discurso de 13 de Abril Chávez disse que continuam as conspirações do imperialismo para matá-lo. E alertou que se acaso tentarem um novo 11 de Abril o povo sabe o que fazer: deve radicalizar a revolução, tomar o poder, tomar todas as fábricas, todas as terras, varrer a burguesia do país e implantar o socialismo. A questão que fica é: Por que o povo deve esperar um novo golpe para fazer isso? Por que esperar que Chávez seja morto para fazer isso? Por que não fazer agora mesmo?
A luta de classes continua e mais cedo ou mais tarde uma das classes terá que perder essa batalha. Quanto mais durar essa situação absolutamente contraditória maior é o risco da revolução ser derrotada pelo desânimo, cansaço e apatia.
Explicar isso tudo e aprofundar a organização da classe através do PSUV, dos sindicatos, dos conselhos, das milícias é a tarefa urgente na Venezuela. Para isso o jornal “Lucha de Clases” vai jogar um papel fundamental.
Por fim, quero dizer a todos que estão recebendo este email que a melhor maneira de ajudar o povo venezuelano a cumprir sua tarefa histórica de emancipação e libertação é ajudarmos o povo brasileiro a avançar no mesmo sentido. No Brasil a situação está mais difícil para o movimento revolucionário em comparação com a Venezuela, mas se não perdemos a confiança na capacidade de luta da classe trabalhadora e da juventude, sabemos que nada poderá conter a roda da história, nem no Brasil e nem em nenhum país do mundo. As velhas formas de dominação já caducas buscam resistir à história lançando mão de todo o poder econômico, militar, midiático, tecnológico, mas o novo sempre vem. Como disse Che Guevara “Eles podem matar uma, duas, três flores, mas jamais poderão deter a primavera”.
Abraços e saudações a todos!
Até a volta.
Caio Dezorzi
Caracas, 20 de Abril de 2010.
Faz só pouco mais de 5 semanas que estou na Venezuela. Mas tenho a sensação de estar aqui há meses. Vim para cá para trabalhar junto aos camaradas da CMI (Corrente Marxista Internacional - www.marxist.com) na preparação de uma conferência de lançamento de um novo jornal chamado "Lucha de Clases" (www.luchadeclases.org.ve).
Já vinha acompanhando de perto a revolução venezuelana através da CMI, com camaradas venezuelanos que já foram ao Brasil e camaradas brasileiros que vieram à Venezuela, principalmente do Movimento das Fábricas Ocupadas, além de participar e ajudar a organizar no Brasil a campanha de solidariedade com a revolução "Tirem as Mãos da Venezuela". Mas estar aqui fisicamente, poder conversar com o povo, apertar a mão, passar calor, pegar o ônibus, o metrô, comer arepa, cachapa, assistir à TV, escutar Ali Primera, ver os murais e grafites, ser atendido por um médico cubano na Missão Barrio Adentro, participar das marchas, de reuniões, encontros, atividades do PSUV, de assembléias dos movimentos populares, de trabalhadores das fábricas ocupadas, tudo isso torna possível uma compreensão muito mais ampla e um pouco mais profunda do que passa nesse país vizinho.
Poderia relatar aqui muitas experiências, mas o tempo é curto para isso agora. Para ficar em alguns exemplos começo por contar sobre o dia em que peguei uma caminhoneta (lotação, micro-ônibus) no Barrio (favela) Simon Rodriguez e aí estavam duas senhoras conversando. Uma explicava para a outra que no dia anterior comemorou-se o 80º aniversário da orquestra municipal de Caracas e que todos os anos a orquestra se apresentava no Teatro Teresa Carreño (o maior teatro da cidade) e a maior parte do povo não tinha oportunidade de assistir. Mas que no dia anterior havia encerrado um mês de apresentações da orquestra em praças públicas e ela tinha assistido justo no dia anterior numa praça. Ela disse que nos últimos 80 anos nunca a orquestra municipal havia tocado para o povo (e acho que ela tinha idade suficiente para saber isso) e que era a primeira vez que ela escutava ao vivo uma orquestra. E então disse à outra senhora, quase chorando, que tinha sido a coisa mais maravilhosa que ela tinha escutado em toda a sua vida. Uma senhora muito simples, moradora de uma favela de Caracas agora podia apreciar música de orquestra, gratuitamente. E mais do que isso: depois me inteirei de que os músicos que compõem a orquestra também são em sua maior parte moradores das favelas de Caracas (resultado de um programa do Governo).
Não é isso que prova que há uma revolução na Venezuela. Qualquer governo, inclusive de direita, poderia implementar um programa para levar música à população mais pobre. A diferença é que na Venezuela o povo tem consciência de que mudanças como essa são resultado de sua própria luta por mudar toda a sociedade.
Uma revolução em qualquer país pode começar, de maneira geral, quando a classe dominante está em crise, dividida, não é mais capaz de governar como governava antes e as classes exploradas já não aceitam mais ser exploradas como antes, se dispondo a lutar nas ruas, fábricas, escolas, comunidades, para buscar mudar a sua vida de exploração, fome, miséria, desemprego, violência, humilhação.
Aqui na Venezuela este é um processo que teve início nos anos 80, que se agudizou com o Caracazo em 1989 e que encontrou na eleição de Chávez um meio de se expressar.
Caracazo é o nome dado ao evento em que o então presidente da Venezuela, Carlos Andrés Perez, mandou o exército reprimir manifestações populares de massa em Caracas. Até hoje o número de mortos é desconhecido, mas passa de 3 mil. Chávez, que era Tenente-Coronel do batalhão de pára-quedistas do exército na época, se indignou com a atitude das forças armadas, pois acreditava que o exército servia para proteger o povo venezuelano e não para atirar contra ele. Chávez reúne um grupo de amigos militares e tenta derrubar o Governo de Perez em 1992. Não consegue e vai preso por 2 anos. Mas se torna um herói popular, pois derrubar o Governo assassino de Perez era a vontade da maioria do povo venezuelano. Por isso a maioria elege Chávez presidente em 1998.
Em 1999 Chávez consegue a aprovação de uma reforma constitucional que, embora tímida, era inaceitável para a oligarquia e representava alguns avanços para o povo. Chávez passa então a utilizar a receita que a Venezuela obtém com o petróleo em projetos sociais, principalmente de educação e saúde.
Em 2002, no dia 11 de Abril, os militares leais à oligarquia petroleira e ao imperialismo EUA, junto com os grandes canais de TV privados, dão um golpe militar, seqüestram Chávez e o levam para um ilha, cortam o sinal da emissora estatal de TV, reprimem os jornalistas internacionais e empossam um novo Presidente (Pedro Carmona) em nome da "Democracia". Tudo isso apoiado pela "Sociedade Civil" com a igreja católica, os empresários, ONGs e sindicatos pelegos.
Na TV explicavam que Chávez havia renunciado e fugido. Mas mentira tem perna curta e aos poucos chegava aos ouvidos dos trabalhadores das comunidades mais pobres de Caracas que Chávez estava seqüestrado. Então algo inesperado aconteceu. Em menos de 48 horas, no dia 13 de Abril, milhões de venezuelanos saíram às ruas, milhares cercaram o Palácio de Miraflores em Caracas e derrubaram a ditadura recém-nascida de Carmona. Os soldados do exército - que são parte do povo, são trabalhadores e filhos de trabalhadores - confraternizaram com o povo, desobedeceram as ordens dos generais golpistas e resgataram o presidente Chávez.
Dia 11 foi uma Sexta e dia 13 um Domingo. O povo venezuelano é bastante religioso e não faltaram comparações com a morte e ressurreição de Cristo. Chávez saiu ainda mais fortalecido desse episódio, entretanto, junto com Chávez, o povo saiu fortalecido. Homens e mulheres do povo perceberam que mesmo aquele que eles consideram seu herói só pôde sobreviver e voltar a cumprir o seu papel porque o povo foi capaz de derrotar a tirania. O povo é herói e se reconhece como tal. Cada mulher e homem trabalhador na Venezuela aprendeu desde então a não baixar mais a cabeça, a se respeitar como sujeito que atua na sociedade e que pode mudar a sua história.
Mas a direita não estava completamente derrotada e gozava de forte apoio da classe média e do imperialismo EUA. Em Dezembro de 2002 começa uma nova estratégia para desestabilizar e derrubar o governo Chávez: o Paro Petroleiro. Buscava parar a produção de petróleo no país, desestabilizando a economia e colapsando o governo. A oposição teve êxito por 4 meses, mas foram os próprios trabalhadores da PDVSA (companhia estatal de petróleo) que desobedeceram as ordens de seus superiores, tomaram as instalações por todo o país, ignoraram o sistema informatizado e colocaram a PDVSA pra funcionar manualmente, abrindo as válvulas no braço. Mais uma vez o povo foi o herói.
Em 2004 ocorre um "referendo revogatório" (como um plebiscito para saber se o povo aprova a continuidade do presidente ou se revoga seu mandato antes que acabe). O povo venceu nas urnas mais uma vez, mesmo com os "escuálidos" (como são chamados os oposicionistas aqui) utilizando todos os canais de TV privados 24h por dia dizendo que Chávez devia ser derrubado.
Cada vez mais Chávez percebe que não há como governar em acordo com setores dos empresários. Esses querem a sua cabeça e é apoiando-se no povo que poderá continuar governando. Chávez começou sua jornada "para libertar o povo", como ele mesmo diz, inspirado pelas idéias e história de Simon Bolívar (o líder da independência de 1810). E começou com a tentativa de golpe de 1992. Fracassou e então tentou através das eleições regulares burguesas. Venceu mas aprendeu que vencer eleições não muda muita coisa, é preciso mais. A partir de 2004 começa a falar de Socialismo.
Desde então todos na Venezuela falam de socialismo e de revolução. Há padarias socialistas, lava-rápidos socialistas, empresas socialistas e até banqueiros socialistas. Inclusive partidos de direita se dizem revolucionários. Enfim, muitos se apropriam do discurso do socialismo, buscando atribuir-lhe muitos significados estranhos, mas ainda não há nada de socialismo na Venezuela. A revolução só começou, mas ainda não terminou... Apesar de algumas nacionalizações, a economia segue nas mãos do capital privado. O controle da produção industrial segue nas mãos dos oligarcas escuálidos e de alguns outros empresários e banqueiros que se dizem "chavistas".
O que parece é que Chávez quer avançar para o socialismo, mas não sabe como fazer. A burocracia do Estado burguês sabota a revolução desde dentro, impedindo medidas do governo de serem aplicadas, desviando verbas, etc.
O Governo criou as chamadas "Missões". Há missões de alfabetização, de ensino médio, de ensino técnico, de ensino superior, de saúde, de moradia, de cultura, de esporte. Não tenho tempo para falar de todas, mas para ter uma idéia geral, com a Missão “Barrio Adentro” (saúde) todas as pessoas no país têm acesso a atendimento médico e medicamentos gratuitamente, sem filas. Eu mesmo precisei usar o serviço duas vezes, uma vez em Mérida (uma pequena cidade nos Andes, na parte oeste do país) e outra vez numa favela de Caracas. Recebi todos os medicamentos gratuitamente, tirei radiografia gratuitamente e fui atendido diretamente por um médico (não por um enfermeiro ou um funcionário fazendo triagem) e um médico cubano! Não havia fila! Por que foram criados postos de saúde suficientes para atender a toda a população. Ninguém mais morre na Venezuela em fila de hospital ou de doenças tratáveis, como ocorre na maior parte dos países dominados.
Agora falando das Missões Ribas (alfabetização), Robinson (ensino médio), Che Guevara (ensino técnico) e Sucre (ensino superior), na Venezuela todos sabem ler e escrever! Conheci muitas donas de casa, operários, aposentados que estão cursando agora o ensino médio através das missões e que antes da revolução não sabiam ler nem escrever. Na Venezuela todos que concluem o ensino médio podem cursar o ensino superior gratuitamente. Não precisam fazer vestibular! Podem fazer, se querem, para entrar na Universidade Bolivariana (UBV), mas se preferirem ou se não houver vagas aí, há vagas para todos na Missão Sucre – onde inclusive os conteúdos, grade curricular, etc. são discutidos democraticamente por conselhos com a participação de estudantes e professores!
Num país atrasado economicamente como é a Venezuela esse tipo de avanço, de desenvolvimento só pode ocorrer com uma revolução em curso. A burguesia nacional, completamente submetida ao imperialismo, jamais poderá cumprir essa tarefa. Mas a burguesia segue sendo a classe dominante na Venezuela. Isso tudo só é possível por que a revolução permite uma situação contraditória onde o povo trabalhador começa a exercer seu poder de maneira ainda limitada enquanto não conclui definitivamente a revolução.
Para concluir a revolução é necessário que os grandes meios de produção, a indústria, a terra, o sistema financeiro, deixem de ser controlados pela minoria oligarca parasita da sociedade e passem a ser controlados pelo povo organizado. As condições para isso estão dadas na Venezuela, só falta uma direção clara para executar isso.
Chávez foi reeleito em 2006 com um número ainda maior de votos e os deputados chavistas ocuparam 100% das vagas na Assembléia Nacional, pois a direita boicotou as eleições. Desde então o Governo poderia aprofundar a revolução verticalmente de maneira relativamente pacífica e fácil. Mas Chávez peca por “excesso de democracia”. Não coloca os líderes da oposição golpista na cadeia (que até hoje continuam defendendo publicamente o golpe de estado). Continua permitindo que as emissoras de TV privadas transmitam as mais absurdas distorções e manipulações de informação. E quando propôs uma reforma constitucional (que não seria a vitória da revolução, mas permitiria avançar em muitos aspectos), que poderia ter sido aprovada pela Assembléia Nacional sem opositores, ele propõe um plebiscito. Isso permite a oposição a entrar em campanha contra a reforma. A oposição não ganha mais votos do que já tinha nas outras eleições, mas as bases chavistas não dão a mesma importância e quase metade não vai às urnas. As massas estão cansadas de votar, votar, votar e não ver mudanças mais profundas. Para a maioria dos venezuelanos, esse plebiscito de 2007 não iria mudar nada, era mais uma votação, e então não deram importância. Resultado é que por uma diferença de 0,2% ganhou o NÃO.
Esse é o maior risco que corre hoje a revolução venezuelana: o cansaço e desânimo das massas frente à paralisia do processo. A burguesia e o imperialismo não têm as condições hoje de atacar a revolução com um golpe, mas apostam no desgaste. Param de investir no país, diminuem a produção de alimentos, sabotam os programas do Governo se utilizando de agentes burocratas dentro do aparato de Estado, infiltram milícias paramilitares colombianas para impulsionar a criminalidade nas comunidades mais pobres, etc.
No dia 13 de Abril, em comemoração aos 8 anos do Contra-Golpe, uma grande marcha foi realizada na Avenida Bolívar em Caracas. Todos os anos ocorrem grandes marchas nesta data lembrando aqueles que foram assassinados, o golpe da direita em 11 de Abril e a insurreição do povo que em confraternização com os soldados retomou o poder em 13 de Abril.
Mas nos anos anteriores essa marcha tinha como característica um mar de homens e mulheres vestidos de vermelho. Desta vez havia muita gente de vermelho também, mas a maioria estava de verde! Com uniformes militares e carregando armas russas AK 47. Entretanto as dezenas de milhares de homens e mulheres não eram militares do exército regular e sim trabalhadores fabris, trabalhadores rurais, estudantes, donas de casa, professores, servidores públicos, etc. Era o povo em armas!
Na avenida estavam perfiladas as “milícias populares” conformadas por qualquer um que queira participar com treinamento aos fins de semana nos seus próprios Barrios. Em seu discurso Chávez avisou que a burguesia não poderia mais tentar um golpe como o de 11 de Abril de 2002, porque agora o povo está armado. E ele tem razão!
A marcha durou o dia inteiro, até a noite. Nos falantes músicas revolucionárias entrecortadas por intervenções em contra o imperialismo, o capitalismo e em favor do socialismo. Chávez só chegaria para fazer seu discurso por volta das 17h.
Conversei com muitos dos milicianos que estavam aí. Uma dona de casa chamada Carmen, que aguardava o discurso do presidente apoiada em seu fuzil, me disse que uma das coisas que ela pensou que jamais aprenderia na vida seria como desmontar, limpar e montar uma arma. E agora ela inclusive sabe atirar. E que não hesitará em fazê-lo se os escuálidos tentarem de novo atentar contra a vontade soberana do povo.
Isso representa uma profunda consciência do povo venezuelano de que as classes dominantes sempre usam discursos pacifistas e anti-violência para promover o desarmamento do povo justamente para poder explorar o povo sem que este possa resistir. Enquanto isso as classes dominantes se armam até os dentes através do aparato de Estado, com arsenais de guerra e armamento policial. E sempre que lhes convém não hesitam em usar toda a violência contra o povo, além de esquecerem-se de todo o discurso pacifista quando decidem fazer as guerras, que nada mais são do que negócios para eles.
A única forma de conquistar a paz e acabar com a violência é tirando do controle de cada país e do mundo todo a classe capitalista, que mata bilhões de seres humanos com suas guerras, crises econômicas, desemprego, fome, miséria, drogas, repressão policial e todo tipo de atividade criminosa em nome do lucro. Para isso os trabalhadores devem se armar.
Já ontem, 19 de Abril de 2010, o “Bicentenário” (aniversário de 200 anos da independência) foi comemorado com muita festa por todo o país. Pela manhã houve um grande desfile que começou com grupos de dança popular de todo o país, depois seguiu como um desfile militar com representações de vários países e terminou com um desfile completo das forças armadas venezuelanas (exército, marinha, aeronáutica), batalhões regulares, carros blindados, tanques, aviões, helicópteros.
Em seu discurso Chávez explicou que a liberação dos povos da América Latina ainda não foi alcançada nesses 200 anos e que só poderá ser alcançada com o socialismo.
Esses desfiles militares são tradicionais no dia da independência, mas este ano ocorreu algo que não havia ocorrido nunca antes: Numa tarde ensolarada, centenas de milhares de pessoas vestidas de vermelho que assistiam ao desfile militar, quando este acabou, foram se confraternizar com os militares. Crianças, mulheres e homens com camisas e bonés do PSUV subiam em centenas de tanques de guerra e carros de combate tirando fotos, conversando com os militares e entoando palavras de ordem socialistas.
Essa confraternização entre o povo e o exército representa uma mudança de qualidade importante. Em geral os povos da América Latina não confiam muito nas forças armadas de seus próprios países, principalmente por conta das ditaduras militares que cobriram o continente no século 20. Para o povo venezuelano, além da ditadura militar de 1948 a 1958, está muito fresco na memória o Caracazo de 1989. Essa confraternização de ontem demonstra que o povo entende que controla as forças armadas, que essas são leais ao povo, são parte do povo.
As condições objetivas para o triunfo da revolução estão dadas. O que falta são as condições subjetivas: uma direção e um programa claros. Falta aprofundar a organização da classe que avançou com a constituição do PSUV, mas que ainda não atingiu a maturidade necessária. Se Chávez ordena a toma das fábricas e terras pelo povo em armas junto ao exército, o que poderia fazer a burguesia? Fugiria! O povo poderia realizar a verdadeira democracia que é o controle de toda a produção e planificação da economia através dos conselhos de fábrica, conselhos comunais, comunas e avançar para a formação dos conselhos de deputados operários, camponeses e soldados.
Em seu discurso de 13 de Abril Chávez disse que continuam as conspirações do imperialismo para matá-lo. E alertou que se acaso tentarem um novo 11 de Abril o povo sabe o que fazer: deve radicalizar a revolução, tomar o poder, tomar todas as fábricas, todas as terras, varrer a burguesia do país e implantar o socialismo. A questão que fica é: Por que o povo deve esperar um novo golpe para fazer isso? Por que esperar que Chávez seja morto para fazer isso? Por que não fazer agora mesmo?
A luta de classes continua e mais cedo ou mais tarde uma das classes terá que perder essa batalha. Quanto mais durar essa situação absolutamente contraditória maior é o risco da revolução ser derrotada pelo desânimo, cansaço e apatia.
Explicar isso tudo e aprofundar a organização da classe através do PSUV, dos sindicatos, dos conselhos, das milícias é a tarefa urgente na Venezuela. Para isso o jornal “Lucha de Clases” vai jogar um papel fundamental.
Por fim, quero dizer a todos que estão recebendo este email que a melhor maneira de ajudar o povo venezuelano a cumprir sua tarefa histórica de emancipação e libertação é ajudarmos o povo brasileiro a avançar no mesmo sentido. No Brasil a situação está mais difícil para o movimento revolucionário em comparação com a Venezuela, mas se não perdemos a confiança na capacidade de luta da classe trabalhadora e da juventude, sabemos que nada poderá conter a roda da história, nem no Brasil e nem em nenhum país do mundo. As velhas formas de dominação já caducas buscam resistir à história lançando mão de todo o poder econômico, militar, midiático, tecnológico, mas o novo sempre vem. Como disse Che Guevara “Eles podem matar uma, duas, três flores, mas jamais poderão deter a primavera”.
Abraços e saudações a todos!
Até a volta.
Caio Dezorzi
Caracas, 20 de Abril de 2010.
terça-feira, abril 13, 2010
TRANSFORMAÇÃO!!!
O que leva uma pessoa, na juventude ou na maturidade, depois de ler e conhecer a base teórica do socialismo cientifico, ler Engels, Marx, Lênin e outros teóricos, acreditar na transformação da sociedade, no fim da exploração do homem pelo homem, na luta pelo bem estar da humanidade, de repente se transformar num defensor desta sociedade capitalista apodrecida em que vivemos?
Será o desanimo com a luta longa e no desenvolvimento da historia? Será por ter assistido a derrocada do chamado “socialismo real”, na União Soviética e no Leste Europeu, ocorrida pelo erro de gestão ou degenerencia dos lideres daqueles processos?
Ou será que não assimilou o que aprendeu, ou foi tentado pelas benesses que o capital oferece a seus acólitos e defensores?
Estas questões estão candentes hoje quando vemos tanta gente virar a casaca! Quem acredita no socialismo e na transformação da sociedade e no andar da carruagem da história da humanidade não se transforma desta forma. Deve haver algo mais que isto!
Ou tudo foi entusiasmo juvenil e uma grande mentira pessoal?
Mas para quem vira a casaca não tem volta, porque se envolve, vende sua alma ao capital e suas benesses. A luta de classes e de idéias e o compromisso com a mudança da sociedade e crença no ser humano não para nunca. È a roda da história rolando sem parar.
Será o desanimo com a luta longa e no desenvolvimento da historia? Será por ter assistido a derrocada do chamado “socialismo real”, na União Soviética e no Leste Europeu, ocorrida pelo erro de gestão ou degenerencia dos lideres daqueles processos?
Ou será que não assimilou o que aprendeu, ou foi tentado pelas benesses que o capital oferece a seus acólitos e defensores?
Estas questões estão candentes hoje quando vemos tanta gente virar a casaca! Quem acredita no socialismo e na transformação da sociedade e no andar da carruagem da história da humanidade não se transforma desta forma. Deve haver algo mais que isto!
Ou tudo foi entusiasmo juvenil e uma grande mentira pessoal?
Mas para quem vira a casaca não tem volta, porque se envolve, vende sua alma ao capital e suas benesses. A luta de classes e de idéias e o compromisso com a mudança da sociedade e crença no ser humano não para nunca. È a roda da história rolando sem parar.
segunda-feira, abril 12, 2010
Papo quente entre amigos!!
João Teixeira, o João da Bahiana, conheço há mais de trinta anos. Trabalhamos juntos na vibrante imprensa paulista nos anos 60 e 70. Depois minha militancia, as cadeias e a vida nos separaram. Agora o reencontro escritor e jornalista, ainda morando em São Paulo e com seu inefável vivere de sempre. Boas lembranças. Abaixo traduzo conversa que tivemos via e-mail dias atras. Serve para a posteridade e mostrar que os bons não se separam pela distancia e pelo tempo.
> Em 10 de abril de 2010 11:09, João Teixeira escreveu:
>> Ehhhh, Luiz Aparecido, o homem do DSV no velho "Diário da Noite", da Rua 7
>> de Abril.
>>
>> Quem vos fala é o "João da Baiana", João Teixeira, o Corisco, da garoa.
>> Jesus me passou teu endereço. Preciso encaminhar trechos dos meus livros
>> sobre os anos de chumbo, tem muitas revelações interessantes.
>>
>> Mande um e-mail.
>>
>> Abraço,
>>
>> João
>
EU respondo ao João
Meu caro João!!!
>
> Que prazer imenso, cara! Cá estou eu em Fundão dos indios, no Espirito
> Santo, depois de mais de 15 anos em Brasilia. Fiquei doente há tres
> anos com "meliopatia cervical",operei no Hospital SARAH, fiquei quase
> totalmente paralitico( veja nos historicos dos meus blogs, como foram
> estes anos,entre outras coisas), depois vim para cá onde moram
> parentes de minha mulher, estou ainda fazendo fisioterapia, mas já sai
> da cadeira de rodas e só uso andador para distancias medias.Mas estou me aposentando no INSS e preparo para
> junho ou julho minha volta a Brasilia e ao batente, pelo menos o
> politico. Alias, mesmo com sequelas, estou escrevendo algumas coisas(
> com dois dedos apenas, por enquanto) e fazendo o que posso. Estou aqui
> com dois filhos menores, uma menina de 4 anos, um garoto de 11 anos e
> ainda tenho outro em Brasilia com 13 anos, o Yuri.
> Vou tocando a vida e picotando os amigos e a vida nos meus blogs e
> diariamente no Facebook e no Orkut.
> E voce como vai, o que andas fazendo? Sempre me lembro de voce e da
> turma toda nossa em Sampa. Quem esteve aqui dias destes me visitando e
> esta em Minas, é o Clóves Geraldo, lembra? Tá fazendo cinema como
> critico e roteirista e trabalahndo como assessor em sindicatos que
> nosso partido dirige.
> Continuo no PCdoB e já na campanha da Dilma e de nossos candidatos em
> Brasilia e São Paulo. Ai em Sampa temos o Aldo Rebelo para deputado
> federal de novo, o Netinho de Paula para senador e Jamil Murad para
> deputado estadual, entre outros.
> Meu telefone de casa aqui é 27-3267.1577
> Me ligue quando puder e vamos marcar um encontro logo que eu puder ir
> a Sampa ou voce vir ao Espirito Santo curtir uma praia ou em Brasilia.
> Agora que nos reencontramos, vamos manter sempre contato. Falou?
> Abração.
> E a mulher, é a mesma? como Esta? E os filhos como andam?
> Felicidades e sucesso para voce.Me mande as coisas que tem escrito que
> quero dar uma olhada.
> Tem um pessoal lá de Brasilia fazendo um livro romanceado sobre minha
> miltancia politica, desde a dissidencia comunista de São Paulo, a ALN
> , APML e finalmente o PCdo B e ainda um documentario que está em parte
> filmado e faltando finalização com imagens da época e sonorização.
> Estas são algumas coisas. Temos muito que nos falar e recordar ainda.
> Saudoso e fraterno abraço
> Luiz Aparecido
>
EU!
João da Baiana!
Com todo respeito,precisava ser no PPS? Tenho alguns amigos lá
amargurados com a virada que o Roberto Freire deu no partido. Conhece
o Fernando Herkenhoff aqui do Espirito Santo e da direção nacional do
PPS? È um dos meus amigos interlocutores da luta de idéias que
travamos na esquerda. Eu ainda acredito no Marxismo Leninismo e na
Revolução e no carater da luta de classes no Brasil. Por isto estou até
hoje no PCdoB. O governo Lula é apenas uma passagem de um periodo
histórico para outro, não somos como os petistas que acham que
chegaram ao governo e pronto, ta tudo feito. Achamos que não. O
governo é uma coisa e o poder é outra. O poder aqui continua nas maõs
dos mesmos de sempre. È só ver a imprensa, os bancos, as grandes
industrias, etc.
Minha doença ainda é um mistério. As vertebras, no caso as minhas
quatro primeiras, logo depois do cerebro, na nuca, foram se fechando e
pressionando e lesionando a medula, o que foi causando uma paralizia
quase geral. No meu caso estava num estagio que tinha paralizado já os
intestinos e a bexiga e avançava celeremente para estomago, pulmões,
depois coração e morte.Surgiu do nada, devagarinho e foi avançando. A
cirurgia no SARAH em Brasilia, foi para desencostar as vertebras,
colocar pinos de tungstenio entre elas e liberar a medula para ela ir
se recuperando da lesão que foi grave.
A recuperação é demorada e deve ficar algumas sequelas. Hoje consigo
andar com auxilio de andador ou escorado em paredes ou alguem, mas os
movimenos da cintura e as mãos e pernas ainda tem alguma atrofia. Mas
estou melhorando aos poucos. È que sou muito agoniadoequeria que o
processo de recuperação fosse mais rapido.
Quanto a escrever a memoria dos anos de chumbo, tenho contribuido com
um pessoal do centro de memoria revolucionaria, de Brasilia, que
atraves do Pablo Emmanuel esta escrevendo um livro romanceado sobre
minha vida politica, minha militancia e outras historias. Há tambem um
projeto de um documentario que já foi em parte filmado e falta agora
iconografia, sonorização e finalização. Mas no livro e no filme eu
não pretendo apenas contar minhas lutas,as prisões torturas e outras
consequencias. Procuro traçar um paralelo e tirar lições, ver porque a
guerrilha urbana não deu certo, os erros que a esquerda cometeu e
ainda comete, ou seja, questiono minha pópria participação na
história, mas com o objetivo de aprender e renovarmos na luta e
continuar nela até a revolução. Sacou?
È isto ai. Estou louco para ler suas cisas e se puder contribuir com
alguma coisa, estou as ordens. Já lhe passei meu telefone, ligue
quando quiser e puder e apareça, aqui no Espirito Santo ou em
Brasilia, para onde devo voltar logo, até julho, creio eu.
Pequena Lua se formou em direito e virou especialista em direito
economico, hoje casada, mora na Suiça onde trabalha( como não podia
deixar de ser, num Banco) e não nos damos muito bem. Meu filho,o
Paulo, morreu há 6 anos atras em Vila Velha, aqui no Espirio Santo num
entrevero com traficantes.com um tiro na boca.
Tenho outros quatro, duas meninas de 4 anos e 13 e dois garotos um de
11 e outro tambem detreze. O de 11 e a menina de 4 moram comigo e os
outros dois com as avós em Brasilia.
Já escrevi demais, vamos nos falando mais como tempo.Abração
Luiz Aparecido
Em 11 de abril de 2010 12:47, João Teixeira escreveu:
Caro Luiz,
A coisa foi braba mesmo, heim?, cadeira de rodas é dramático. Qual é a causa
dessa doença de nome estranho, como é que se pega a bicha? Preciso me
prevenir!
Bem, desejo rápida recuperação para o amigo, Luiz amigo do Tadeu do DSV, por
onde andará? E a Lena, mãe da Pequena Lua, é a cara dos anos 70! Luiz, acho
que vc sofre da "síndrome de Vinícius", que teve 09 ex-mulheres. Vacilou,
casava!
Eu só tive 03, tô fora, já sou avô e quero mais respeito, né não?, não é
assim que os velhos faziam, eu que sou neto de Manuel José, o jagunço do
coronel Militão Coelho, da velha Chapada Diamantina.
Homem, estou fazendo política no PPS do Roberto Freire, meio aperreado com a
"mexicanização" da política brasileira, esse do um-ou-outro-outro-ou-um.
Acho que poderíamos ter uma mais séria e articulada, com mais opções neste
gigante tropical, que precisa conhecer o passado em direção do futuro -
hoje. Sou operador político e trabalho um candidato do campo democrático nas
eleições. Virei social-democrata ou alguma merda que isso signifique.
Minha paixão mesmo são os livros que estão no forno, sobre os anos de
chumbo, do qual vc foi protagonista. Tomo a liberdade de te mandar alguns
trechos, para ouvir tua crítica e opinião. Tem muita novidade por aí!!
Também edito o jornal do Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos
Políticos de São Paulo- embora eu não tenha sido preso; perseguido, sim, nos
após-greve 79 e minha ação sindical. Nada grave, são outros 500. Descobri o
fórum em função dos meus livros, esse pantanal que foi a luta armada no
Brasil, virei "subvertólogo" e meu arquivo está crescendo. Estou negociando
com editoras e um esquema próprio de edição, preciso trocar umas ideias com
vc a respeito. Preciso do teu apoio e esclarecimento também, Jesus me disse
que vc está escrevendo a respeito.
Aproveitemos, pois, as ondas da rede.
Mande resposta.
> Em 10 de abril de 2010 11:09, João Teixeira escreveu:
>> Ehhhh, Luiz Aparecido, o homem do DSV no velho "Diário da Noite", da Rua 7
>> de Abril.
>>
>> Quem vos fala é o "João da Baiana", João Teixeira, o Corisco, da garoa.
>> Jesus me passou teu endereço. Preciso encaminhar trechos dos meus livros
>> sobre os anos de chumbo, tem muitas revelações interessantes.
>>
>> Mande um e-mail.
>>
>> Abraço,
>>
>> João
>
EU respondo ao João
Meu caro João!!!
>
> Que prazer imenso, cara! Cá estou eu em Fundão dos indios, no Espirito
> Santo, depois de mais de 15 anos em Brasilia. Fiquei doente há tres
> anos com "meliopatia cervical",operei no Hospital SARAH, fiquei quase
> totalmente paralitico( veja nos historicos dos meus blogs, como foram
> estes anos,entre outras coisas), depois vim para cá onde moram
> parentes de minha mulher, estou ainda fazendo fisioterapia, mas já sai
> da cadeira de rodas e só uso andador para distancias medias.Mas estou me aposentando no INSS e preparo para
> junho ou julho minha volta a Brasilia e ao batente, pelo menos o
> politico. Alias, mesmo com sequelas, estou escrevendo algumas coisas(
> com dois dedos apenas, por enquanto) e fazendo o que posso. Estou aqui
> com dois filhos menores, uma menina de 4 anos, um garoto de 11 anos e
> ainda tenho outro em Brasilia com 13 anos, o Yuri.
> Vou tocando a vida e picotando os amigos e a vida nos meus blogs e
> diariamente no Facebook e no Orkut.
> E voce como vai, o que andas fazendo? Sempre me lembro de voce e da
> turma toda nossa em Sampa. Quem esteve aqui dias destes me visitando e
> esta em Minas, é o Clóves Geraldo, lembra? Tá fazendo cinema como
> critico e roteirista e trabalahndo como assessor em sindicatos que
> nosso partido dirige.
> Continuo no PCdoB e já na campanha da Dilma e de nossos candidatos em
> Brasilia e São Paulo. Ai em Sampa temos o Aldo Rebelo para deputado
> federal de novo, o Netinho de Paula para senador e Jamil Murad para
> deputado estadual, entre outros.
> Meu telefone de casa aqui é 27-3267.1577
> Me ligue quando puder e vamos marcar um encontro logo que eu puder ir
> a Sampa ou voce vir ao Espirito Santo curtir uma praia ou em Brasilia.
> Agora que nos reencontramos, vamos manter sempre contato. Falou?
> Abração.
> E a mulher, é a mesma? como Esta? E os filhos como andam?
> Felicidades e sucesso para voce.Me mande as coisas que tem escrito que
> quero dar uma olhada.
> Tem um pessoal lá de Brasilia fazendo um livro romanceado sobre minha
> miltancia politica, desde a dissidencia comunista de São Paulo, a ALN
> , APML e finalmente o PCdo B e ainda um documentario que está em parte
> filmado e faltando finalização com imagens da época e sonorização.
> Estas são algumas coisas. Temos muito que nos falar e recordar ainda.
> Saudoso e fraterno abraço
> Luiz Aparecido
>
EU!
João da Baiana!
Com todo respeito,precisava ser no PPS? Tenho alguns amigos lá
amargurados com a virada que o Roberto Freire deu no partido. Conhece
o Fernando Herkenhoff aqui do Espirito Santo e da direção nacional do
PPS? È um dos meus amigos interlocutores da luta de idéias que
travamos na esquerda. Eu ainda acredito no Marxismo Leninismo e na
Revolução e no carater da luta de classes no Brasil. Por isto estou até
hoje no PCdoB. O governo Lula é apenas uma passagem de um periodo
histórico para outro, não somos como os petistas que acham que
chegaram ao governo e pronto, ta tudo feito. Achamos que não. O
governo é uma coisa e o poder é outra. O poder aqui continua nas maõs
dos mesmos de sempre. È só ver a imprensa, os bancos, as grandes
industrias, etc.
Minha doença ainda é um mistério. As vertebras, no caso as minhas
quatro primeiras, logo depois do cerebro, na nuca, foram se fechando e
pressionando e lesionando a medula, o que foi causando uma paralizia
quase geral. No meu caso estava num estagio que tinha paralizado já os
intestinos e a bexiga e avançava celeremente para estomago, pulmões,
depois coração e morte.Surgiu do nada, devagarinho e foi avançando. A
cirurgia no SARAH em Brasilia, foi para desencostar as vertebras,
colocar pinos de tungstenio entre elas e liberar a medula para ela ir
se recuperando da lesão que foi grave.
A recuperação é demorada e deve ficar algumas sequelas. Hoje consigo
andar com auxilio de andador ou escorado em paredes ou alguem, mas os
movimenos da cintura e as mãos e pernas ainda tem alguma atrofia. Mas
estou melhorando aos poucos. È que sou muito agoniadoequeria que o
processo de recuperação fosse mais rapido.
Quanto a escrever a memoria dos anos de chumbo, tenho contribuido com
um pessoal do centro de memoria revolucionaria, de Brasilia, que
atraves do Pablo Emmanuel esta escrevendo um livro romanceado sobre
minha vida politica, minha militancia e outras historias. Há tambem um
projeto de um documentario que já foi em parte filmado e falta agora
iconografia, sonorização e finalização. Mas no livro e no filme eu
não pretendo apenas contar minhas lutas,as prisões torturas e outras
consequencias. Procuro traçar um paralelo e tirar lições, ver porque a
guerrilha urbana não deu certo, os erros que a esquerda cometeu e
ainda comete, ou seja, questiono minha pópria participação na
história, mas com o objetivo de aprender e renovarmos na luta e
continuar nela até a revolução. Sacou?
È isto ai. Estou louco para ler suas cisas e se puder contribuir com
alguma coisa, estou as ordens. Já lhe passei meu telefone, ligue
quando quiser e puder e apareça, aqui no Espirito Santo ou em
Brasilia, para onde devo voltar logo, até julho, creio eu.
Pequena Lua se formou em direito e virou especialista em direito
economico, hoje casada, mora na Suiça onde trabalha( como não podia
deixar de ser, num Banco) e não nos damos muito bem. Meu filho,o
Paulo, morreu há 6 anos atras em Vila Velha, aqui no Espirio Santo num
entrevero com traficantes.com um tiro na boca.
Tenho outros quatro, duas meninas de 4 anos e 13 e dois garotos um de
11 e outro tambem detreze. O de 11 e a menina de 4 moram comigo e os
outros dois com as avós em Brasilia.
Já escrevi demais, vamos nos falando mais como tempo.Abração
Luiz Aparecido
Em 11 de abril de 2010 12:47, João Teixeira escreveu:
Caro Luiz,
A coisa foi braba mesmo, heim?, cadeira de rodas é dramático. Qual é a causa
dessa doença de nome estranho, como é que se pega a bicha? Preciso me
prevenir!
Bem, desejo rápida recuperação para o amigo, Luiz amigo do Tadeu do DSV, por
onde andará? E a Lena, mãe da Pequena Lua, é a cara dos anos 70! Luiz, acho
que vc sofre da "síndrome de Vinícius", que teve 09 ex-mulheres. Vacilou,
casava!
Eu só tive 03, tô fora, já sou avô e quero mais respeito, né não?, não é
assim que os velhos faziam, eu que sou neto de Manuel José, o jagunço do
coronel Militão Coelho, da velha Chapada Diamantina.
Homem, estou fazendo política no PPS do Roberto Freire, meio aperreado com a
"mexicanização" da política brasileira, esse do um-ou-outro-outro-ou-um.
Acho que poderíamos ter uma mais séria e articulada, com mais opções neste
gigante tropical, que precisa conhecer o passado em direção do futuro -
hoje. Sou operador político e trabalho um candidato do campo democrático nas
eleições. Virei social-democrata ou alguma merda que isso signifique.
Minha paixão mesmo são os livros que estão no forno, sobre os anos de
chumbo, do qual vc foi protagonista. Tomo a liberdade de te mandar alguns
trechos, para ouvir tua crítica e opinião. Tem muita novidade por aí!!
Também edito o jornal do Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos
Políticos de São Paulo- embora eu não tenha sido preso; perseguido, sim, nos
após-greve 79 e minha ação sindical. Nada grave, são outros 500. Descobri o
fórum em função dos meus livros, esse pantanal que foi a luta armada no
Brasil, virei "subvertólogo" e meu arquivo está crescendo. Estou negociando
com editoras e um esquema próprio de edição, preciso trocar umas ideias com
vc a respeito. Preciso do teu apoio e esclarecimento também, Jesus me disse
que vc está escrevendo a respeito.
Aproveitemos, pois, as ondas da rede.
Mande resposta.
sábado, abril 10, 2010
TomZé bota pra quebrar em Sampa este fim de semana!!!
O cantor e compositor Tom Zé quer descomplicar. Quer trazer a conversa para o palco e aporrinhar, no bom sentido, seus seguidores com estímulos de todos os lados. Por isso, nos três shows que apresenta no Sesc Pompeia, em São Paulo, a partir de hoje, a plateia será mais do que "apenas" a coadjuvante do lançamento do CD e DVD ao vivo, O Pirulito da Ciência – trabalho que compila sua trajetória, com canções que se popularizaram e também com aquelas que marcaram suas decisões de percurso durante seus 50 anos de carreira.
O público fará parte de um experimento que o baiano de 73 anos quer levar ao palco, sem saber muito bem como explicar: "Quero mostrar que toda ideia, por mais simples que seja, pode se transformar numa ótima realização. Basta você deixar ela quietinha por um tempo e trabalhar por um, dois anos, acreditar no potencial dela", diz o cantor.
"É assim que as minhas canções surgem, e foi assim que fui chamado de o 'pai da invenção' pela imprensa americana. Não sou gênio de nada. Sou um dos mais simplórios dos invencionistas. Só sei escolher as boas ideias e quero que meu público entenda que pode fazer isso também."
Tom Zé destaca essa característica por contar com um público cada vez mais jovem. E ele não fala de gente de universidade, jovens adeptos à subversão do Tropicalismo por osmose. "Tem gente de ginásio, de colegial. É para essa gente que estou cantando."
Entre marcos como "Augusta, Angélica e Consolação"; "Nave Maria"; "Parque Industrial"; "São São Paulo"; "Classe Operária" e "Menina Jesus", ele promete uma novidade para despertar a classe estudantil. "Vou fazer um arranjo de baixo, bateria e guitarra, mas como se todos os instrumentos soassem acusticamente. Explicar assim é difícil, mas no palco, mostrando, fica fácil de entender."
No show, Tom Zé se apresenta com a banda formada por Lauro Léllis (bateria); Cristina Carneiro (teclado/voz), Daniel Maia (guitarra/voz); Renato Léllis (baixo/voz); Jarbas Maria (percussão/cavaquinho/viola 12 cordas/voz) e Luanda (vocalista).
Serviço – Tom Zé em São Paulo
Teatro do Sesc Pompeia
Sexta e sábado, às 21h; domingo, às 18h
Ingressos: de R$ 5 a R$ 20
Informações: (11) 3871-7700
O público fará parte de um experimento que o baiano de 73 anos quer levar ao palco, sem saber muito bem como explicar: "Quero mostrar que toda ideia, por mais simples que seja, pode se transformar numa ótima realização. Basta você deixar ela quietinha por um tempo e trabalhar por um, dois anos, acreditar no potencial dela", diz o cantor.
"É assim que as minhas canções surgem, e foi assim que fui chamado de o 'pai da invenção' pela imprensa americana. Não sou gênio de nada. Sou um dos mais simplórios dos invencionistas. Só sei escolher as boas ideias e quero que meu público entenda que pode fazer isso também."
Tom Zé destaca essa característica por contar com um público cada vez mais jovem. E ele não fala de gente de universidade, jovens adeptos à subversão do Tropicalismo por osmose. "Tem gente de ginásio, de colegial. É para essa gente que estou cantando."
Entre marcos como "Augusta, Angélica e Consolação"; "Nave Maria"; "Parque Industrial"; "São São Paulo"; "Classe Operária" e "Menina Jesus", ele promete uma novidade para despertar a classe estudantil. "Vou fazer um arranjo de baixo, bateria e guitarra, mas como se todos os instrumentos soassem acusticamente. Explicar assim é difícil, mas no palco, mostrando, fica fácil de entender."
No show, Tom Zé se apresenta com a banda formada por Lauro Léllis (bateria); Cristina Carneiro (teclado/voz), Daniel Maia (guitarra/voz); Renato Léllis (baixo/voz); Jarbas Maria (percussão/cavaquinho/viola 12 cordas/voz) e Luanda (vocalista).
Serviço – Tom Zé em São Paulo
Teatro do Sesc Pompeia
Sexta e sábado, às 21h; domingo, às 18h
Ingressos: de R$ 5 a R$ 20
Informações: (11) 3871-7700
quarta-feira, março 31, 2010
Ditadura Nunca mais. Revolução socialista sim!!!
Reflexões sobre o 31 de março
DITADURA NUNCA MAIS!!!
Geraldo Poderoso do “Revolucionários Eternamente”
“O dia 31 de Março de 1964 foi o marco inicial do golpe militar.
Essa data jamais pode ser esquecida. Nada escapa ao tempo.
Os filhotes da ditadura hoje são apenas senis.
Mas seus netinhos dão continuidade à espécie.
Infiltrados nos meios acadêmicos, aprimoram-se intelectualmente,
tal fazia os nazistas. E difundem os mesmos ideais nefastos que
outrora envergonhara o País.
Realmente a UNE não é mais a mesma para nossa frustração.
Contudo há esperança que um dia a grande força de transformação
social e política, surja nas faculdades.
Os universitários eram boa parte dos revolucionários
que combateram a ditadura.
Felizmente a maioria permanece fiel aos compromissos tão almejados de promover a igualdade no vale dos desvalidos”
Esta quem mandou foi o Hermes!
“A oposição de direita tem base social, principalmente nas regiões Sul e Sudeste; conta com fartos recursos; goza de poder político e econômico; e controla os meios de comunicação. Ela não pode ser subestimada. Uma derrota em outubro aceleraria o seu definhamento institucional – os demos podem sumir do mapa político, juntos com os trânsfugas do PPS, e os tucanos ficariam isolados. Para este bloco político-social, a sucessão de 2010 é decisiva, representa o tudo ou nada! As condições hoje são mais favoráveis às forças que apóiam o governo Lula – apesar do suspiro dado pelo Datafolha.
Mas a vitória dependerá de vários fatores. Exigirá um programa que não se limite à mera continuidade, mas que aponte para novos avanços, com as reformas estruturais que o país necessita. Demandará habilidade nas alianças, atraindo setores de centro e neutralizando potenciais adversários. Dependerá de uma campanha de militância ativa. Estas e outras razões reforçam a urgência de uma maior aproximação de Dilma Rousseff com os movimentos sociais, que poderão jogar um papel mais protagonista na batalha eleitoral deste ano”. (Fonte) :
http://www.vermelho.org.br/blogs/altamiroborges/
DITADURA NUNCA MAIS!!!
Geraldo Poderoso do “Revolucionários Eternamente”
“O dia 31 de Março de 1964 foi o marco inicial do golpe militar.
Essa data jamais pode ser esquecida. Nada escapa ao tempo.
Os filhotes da ditadura hoje são apenas senis.
Mas seus netinhos dão continuidade à espécie.
Infiltrados nos meios acadêmicos, aprimoram-se intelectualmente,
tal fazia os nazistas. E difundem os mesmos ideais nefastos que
outrora envergonhara o País.
Realmente a UNE não é mais a mesma para nossa frustração.
Contudo há esperança que um dia a grande força de transformação
social e política, surja nas faculdades.
Os universitários eram boa parte dos revolucionários
que combateram a ditadura.
Felizmente a maioria permanece fiel aos compromissos tão almejados de promover a igualdade no vale dos desvalidos”
Esta quem mandou foi o Hermes!
“A oposição de direita tem base social, principalmente nas regiões Sul e Sudeste; conta com fartos recursos; goza de poder político e econômico; e controla os meios de comunicação. Ela não pode ser subestimada. Uma derrota em outubro aceleraria o seu definhamento institucional – os demos podem sumir do mapa político, juntos com os trânsfugas do PPS, e os tucanos ficariam isolados. Para este bloco político-social, a sucessão de 2010 é decisiva, representa o tudo ou nada! As condições hoje são mais favoráveis às forças que apóiam o governo Lula – apesar do suspiro dado pelo Datafolha.
Mas a vitória dependerá de vários fatores. Exigirá um programa que não se limite à mera continuidade, mas que aponte para novos avanços, com as reformas estruturais que o país necessita. Demandará habilidade nas alianças, atraindo setores de centro e neutralizando potenciais adversários. Dependerá de uma campanha de militância ativa. Estas e outras razões reforçam a urgência de uma maior aproximação de Dilma Rousseff com os movimentos sociais, que poderão jogar um papel mais protagonista na batalha eleitoral deste ano”. (Fonte) :
http://www.vermelho.org.br/blogs/altamiroborges/
Ditadura Nunca mais. Revolução socialista sim!!!
Reflexões sobre o 31 de março
DITADURA NUNCA MAIS!!!
Geraldo Poderoso do “Revolucionários Eternamente”
“O dia 31 de Março de 1964 foi o marco inicial do golpe militar.
Essa data jamais pode ser esquecida. Nada escapa ao tempo.
Os filhotes da ditadura hoje são apenas senis.
Mas seus netinhos dão continuidade à espécie.
Infiltrados nos meios acadêmicos, aprimoram-se intelectualmente,
tal fazia os nazistas. E difundem os mesmos ideais nefastos que
outrora envergonhara o País.
Realmente a UNE não é mais a mesma para nossa frustração.
Contudo há esperança que um dia a grande força de transformação
social e política, surja nas faculdades.
Os universitários eram boa parte dos revolucionários
que combateram a ditadura.
Felizmente a maioria permanece fiel aos compromissos tão almejados de promover a igualdade no vale dos desvalidos”
Esta quem mandou foi o Hermes!
“A oposição de direita tem base social, principalmente nas regiões Sul e Sudeste; conta com fartos recursos; goza de poder político e econômico; e controla os meios de comunicação. Ela não pode ser subestimada. Uma derrota em outubro aceleraria o seu definhamento institucional – os demos podem sumir do mapa político, juntos com os trânsfugas do PPS, e os tucanos ficariam isolados. Para este bloco político-social, a sucessão de 2010 é decisiva, representa o tudo ou nada! As condições hoje são mais favoráveis às forças que apóiam o governo Lula – apesar do suspiro dado pelo Datafolha.
Mas a vitória dependerá de vários fatores. Exigirá um programa que não se limite à mera continuidade, mas que aponte para novos avanços, com as reformas estruturais que o país necessita. Demandará habilidade nas alianças, atraindo setores de centro e neutralizando potenciais adversários. Dependerá de uma campanha de militância ativa. Estas e outras razões reforçam a urgência de uma maior aproximação de Dilma Rousseff com os movimentos sociais, que poderão jogar um papel mais protagonista na batalha eleitoral deste ano”. (Fonte) :
http://www.vermelho.org.br/blogs/altamiroborges/
DITADURA NUNCA MAIS!!!
Geraldo Poderoso do “Revolucionários Eternamente”
“O dia 31 de Março de 1964 foi o marco inicial do golpe militar.
Essa data jamais pode ser esquecida. Nada escapa ao tempo.
Os filhotes da ditadura hoje são apenas senis.
Mas seus netinhos dão continuidade à espécie.
Infiltrados nos meios acadêmicos, aprimoram-se intelectualmente,
tal fazia os nazistas. E difundem os mesmos ideais nefastos que
outrora envergonhara o País.
Realmente a UNE não é mais a mesma para nossa frustração.
Contudo há esperança que um dia a grande força de transformação
social e política, surja nas faculdades.
Os universitários eram boa parte dos revolucionários
que combateram a ditadura.
Felizmente a maioria permanece fiel aos compromissos tão almejados de promover a igualdade no vale dos desvalidos”
Esta quem mandou foi o Hermes!
“A oposição de direita tem base social, principalmente nas regiões Sul e Sudeste; conta com fartos recursos; goza de poder político e econômico; e controla os meios de comunicação. Ela não pode ser subestimada. Uma derrota em outubro aceleraria o seu definhamento institucional – os demos podem sumir do mapa político, juntos com os trânsfugas do PPS, e os tucanos ficariam isolados. Para este bloco político-social, a sucessão de 2010 é decisiva, representa o tudo ou nada! As condições hoje são mais favoráveis às forças que apóiam o governo Lula – apesar do suspiro dado pelo Datafolha.
Mas a vitória dependerá de vários fatores. Exigirá um programa que não se limite à mera continuidade, mas que aponte para novos avanços, com as reformas estruturais que o país necessita. Demandará habilidade nas alianças, atraindo setores de centro e neutralizando potenciais adversários. Dependerá de uma campanha de militância ativa. Estas e outras razões reforçam a urgência de uma maior aproximação de Dilma Rousseff com os movimentos sociais, que poderão jogar um papel mais protagonista na batalha eleitoral deste ano”. (Fonte) :
http://www.vermelho.org.br/blogs/altamiroborges/
terça-feira, março 30, 2010
Google volta atras!!!
A ilha desconhecida já está de volta!
O blog "A ilha desconhecida", do escritor cubano Enrique Ubieta, novamente está visto em sua morada habitual, depois de quase quatro dias de proibição.
A notícia foi replicada em muitos meios alternativos, desde de sexta feira 26, entre eles o Ousar Lutar Ousar Vencer, logo que o blog teve acesso negado.Ontem por volta das quatros horas da tarde o blog reapareceu em linha. Ubieta recebeu uma mensagem de blog do Blogger's, empresa de hospedagem gratuita, uma subsidiária da Google, confirmando a volta do funcionamento do blog e dando uma suposta explicação sobre a desativação.
Click aqui e assista o video ,onde o blogueiro cubano comenta o caso em seu novo blog com outro provedor.
Porém o antigo blog, com o mesmo nome, volta a funcionar no mesmo lugar de sempre, ou seja aqui.
O blog "A ilha desconhecida", do escritor cubano Enrique Ubieta, novamente está visto em sua morada habitual, depois de quase quatro dias de proibição.
A notícia foi replicada em muitos meios alternativos, desde de sexta feira 26, entre eles o Ousar Lutar Ousar Vencer, logo que o blog teve acesso negado.Ontem por volta das quatros horas da tarde o blog reapareceu em linha. Ubieta recebeu uma mensagem de blog do Blogger's, empresa de hospedagem gratuita, uma subsidiária da Google, confirmando a volta do funcionamento do blog e dando uma suposta explicação sobre a desativação.
Click aqui e assista o video ,onde o blogueiro cubano comenta o caso em seu novo blog com outro provedor.
Porém o antigo blog, com o mesmo nome, volta a funcionar no mesmo lugar de sempre, ou seja aqui.
sábado, março 27, 2010
È preciso cuidado com o Google. Espero que não me censurem, também!!
Google censura intelectual cubano e desativa o seu blog
Posted: 27 Mar 2010 12:24 AM PDT
O escritor e ensaísta cubano Henry Ubieta, que manteve o blog "A ilha desconhecida" em seu registro gratuito no provedor de blogs livres Blogger foi censurado quando os administradores do portal de propriedade do Google desativou o acesso ao blog e bloqueou sua conta do Gmail.
Ubieta, que denunciou a brutal campanha empreendida contra Cuba nas últimas semanas sobre supostas violações dos direitos humanos em Cuba, já havia publicado algumas horas antes do artigo "satanização de Cuba", o raciocínio impecável das argumentações políticas que apoiam a nova ofensiva da mídia.
Abaixo temos a mensagem enviada de Ubieta Henry, via conta de e-mail, anunciando que pediu explicações aos administradores da bloguer.com, pelo fato, que flagrantemente o ato viola o direito à liberdade de expressão dos cubanos na Internet:
Amigos: Hoje [ontem] às seis horas da tarde fui para a primeira página do meu blog, e divertia-me, por outras janelas do Internet Explorer, verificando alguns blogs sobre temas relacionados com o meu. Deixei minha casa, e eu fechei meu blog (desliguei o computador), por volta das sete, sem acrescentar nada de novo.
Em contrapartida, as nove e meia da noite, eu queria verificar o meu mail e eu não conseguia acessar o Gmail. Toda vez que eu marquei meu nome e senha, apareceu um aviso dizendo: "Conta desativada temporariamente." Eu não dava importância ao assunto, porque eu achava que era um problema da máquina ou da conexão, já que em Cuba é lenta.
Mas ao tentar abrir o blog foi ótimo para minha surpresa, encontrei um novo aviso do Blogger: "O blog foi excluída. Desculpe, o blog-a desconocida.blogspot.com ilha foi eliminada. Este endereço não está disponível para novos blogs.
Eu escrevi para o Blogger pedindo informação, e usando como referência outra conta de email pessoal(yahoo), pois a que eu tinha do gmail - base do blog, foi desqualificada como expliquei. Eu não recebi nenhuma resposta.
Se fosse um ato incomum de censura, nas próximas horas vai esclarecer esse ponto, porém eu não acho que isso é devido a um posto específico. Seria uma prova de que a guerra de "ideias" na Internet não está buscando a vitória dos ideias. Mas eu não quero admitir a possibilidade.
Espero explicação do Blogger e a possibilidade de que os danos podem ser reparados.
Eu vou mantê-los informados.
Ubieta Enrique Gomez
Fonte original :Cuba debate
Posted: 27 Mar 2010 12:24 AM PDT
O escritor e ensaísta cubano Henry Ubieta, que manteve o blog "A ilha desconhecida" em seu registro gratuito no provedor de blogs livres Blogger foi censurado quando os administradores do portal de propriedade do Google desativou o acesso ao blog e bloqueou sua conta do Gmail.
Ubieta, que denunciou a brutal campanha empreendida contra Cuba nas últimas semanas sobre supostas violações dos direitos humanos em Cuba, já havia publicado algumas horas antes do artigo "satanização de Cuba", o raciocínio impecável das argumentações políticas que apoiam a nova ofensiva da mídia.
Abaixo temos a mensagem enviada de Ubieta Henry, via conta de e-mail, anunciando que pediu explicações aos administradores da bloguer.com, pelo fato, que flagrantemente o ato viola o direito à liberdade de expressão dos cubanos na Internet:
Amigos: Hoje [ontem] às seis horas da tarde fui para a primeira página do meu blog, e divertia-me, por outras janelas do Internet Explorer, verificando alguns blogs sobre temas relacionados com o meu. Deixei minha casa, e eu fechei meu blog (desliguei o computador), por volta das sete, sem acrescentar nada de novo.
Em contrapartida, as nove e meia da noite, eu queria verificar o meu mail e eu não conseguia acessar o Gmail. Toda vez que eu marquei meu nome e senha, apareceu um aviso dizendo: "Conta desativada temporariamente." Eu não dava importância ao assunto, porque eu achava que era um problema da máquina ou da conexão, já que em Cuba é lenta.
Mas ao tentar abrir o blog foi ótimo para minha surpresa, encontrei um novo aviso do Blogger: "O blog foi excluída. Desculpe, o blog-a desconocida.blogspot.com ilha foi eliminada. Este endereço não está disponível para novos blogs.
Eu escrevi para o Blogger pedindo informação, e usando como referência outra conta de email pessoal(yahoo), pois a que eu tinha do gmail - base do blog, foi desqualificada como expliquei. Eu não recebi nenhuma resposta.
Se fosse um ato incomum de censura, nas próximas horas vai esclarecer esse ponto, porém eu não acho que isso é devido a um posto específico. Seria uma prova de que a guerra de "ideias" na Internet não está buscando a vitória dos ideias. Mas eu não quero admitir a possibilidade.
Espero explicação do Blogger e a possibilidade de que os danos podem ser reparados.
Eu vou mantê-los informados.
Ubieta Enrique Gomez
Fonte original :Cuba debate
quarta-feira, março 24, 2010
CENAS CAPIXABAS- O que acontece nas prisões mo governo Paulo Hartung!!!
TORTURA, ATÉ QUANDO MAIS?
Celso Lungaretti (*)
Graças a uma indicação do bom amigo e correspondente José Caldas da Costa, autor de Caparaó - a primeira guerrilha contra a ditadura, tomei conhecimento detalhado de um dos muitos casos escabrosos das prisões do Espírito Santo, este ocorrido no município de Viana.
O jornal capixaba em que Caldas colabora tem nome engraçado, Século Diário. Faz lembrar o Planeta Diário, no qual o Super-Homem finge ser apenas o tímido repórter Clark Kent.
Mas, foi alentador constatar que, longe dos grandes centros, continua se praticando o jornalismo de verdade que, aqui, no más.
Primeiro, o Século Diário fez longa e dramática reconstituição (Masmorras escondem histórias de morte, dor e suplício), em sua edição do último fim de semana, de um episódio de julho de 2009: Lucas Costa de Jesus, de 19 anos, detido por bancar seu vício em drogas traficando pequenas quantidades de maconha, foi alvejado pela tropa de choque que invadiu seu pavilhão na chamada penitenciária de Cascuvi. A bala de borracha o deixou com o lado esquerdo do corpo paralisado, preso a uma cadeira de rodas.
As recordações da casa dos mortos que o repórter José Rabelo colheu de Lucas são bem mais estarrecedoras do que as de Fiodor Dostoievski. Como esta, sobre o assassinato de um preso por outros:
"Lucas conta que durante o curto período em que esteve em Cascuvi, presenciou a cena bárbara de um detento sendo esquartejado. 'Eles chegam bem de surpresa. Enquanto uns cobrem cabeça do preso com um lençol, os outros já vão enfiando os chuchos (...) no peito e na barriga. Na sequencia, eles começam a cortar as partes do corpo. Puseram o coração ainda quente na minha mão e eu tive que segurar. Dava pra ver aquelas coisa amarela saindo. Acho que era gordura'".
E eis o episódio que o privou de uma existência normal:
"Lucas (...) não se lembra de quase nada que aconteceu na noite daquela sinistra segunda-feira (13/07/2009). 'Estava me preparando pra dormir. Já estava até deitado na parte de cima do beliche. Era mais de dez horas da noite quando escutamos os passos dos policiais do BME [Batalhão de Missões Especiais] subindo as escadas correndo. Eles começaram a bater no chapão. Depois entraram com tudo, batendo na gente com cassetetes, dando tiros de 12 e jogando gás. Quando acordei, já estava no hospital. Não me lembro de mais nada. Só sei que estou vivo hoje porque (...) um preso me pegou no colo e implorou socorro para mim".
Depois de passar quase um mês em coma, Lucas voltou a Cascuvi e acabou sendo libertado pela Justiça em função da lastimável condição física a que fora reduzido (tendo até de usar fraldas geriátricas) e da inexistência de cuidados médicos adequados naquela penitenciária.
Apesar da inacreditável omissão do Estado, que não fornece recursos para sua reabilitação (a família é paupérrima e não tem como custear tomografias, fisioterapia, etc.), ele já começa a andar com muletas.
VISITANTES: REVISTAS ÍNTIMAS DE
MENINOS DURAM QUASE MEIA HORA
Mas, o pior de tudo é que não se trata de caso isolado naquele pretenso centro de reeducação (duplipensar orwelliano?), mas sim da ponta de um iceberg, conforme se constata na reportagem seguinte do Século Diário, Pedro Valls exige que caso de baleado na Cascuvi seja investigado ‘até o fim’.
Aí ficamos sabendo que, em agosto/2009, o então desembargador Pedro Valls Feu Rosa, pediu providências das autoridades competentes para apuração imediata de crimes de execuções e torturas e lesões corporais contra Lucas e outros 12 detentos, assinalando:
“...todos os laudos de exame de lesões corporais destes 13 reeducandos foram emitidos em um mesmo dia! Em todos eles o médico legista (...) foi claro: ‘Houve ofensa à integridade física ou à saúde do paciente, e esta ocorreu em decorrência de ação contundente’. (...) Chamou-me a atenção, na sinistra lista que li, o relato alusivo ao (...) 'Lucas Costa de Jesus. Vítima de tortura, espancamento e lesões corporais (...) por parte de policiais dentro do presídio’.(...) Noventa dias foi o tempo que o Estado levou para massacrá-lo, torturá-lo, transformá-lo em paraplégico e depois colocá-lo em liberdade (...) preso a uma cadeira de rodas”.
E o quadro geral que o desembargador apresentou de Cascuvi, novamente, consegue superar o que Dostoievski e nosso Graciliano Ramos narraram, só ficando atrás mesmo dos horrores relatados por Alexander Soljenitsin:
Ocupação das celas. “São inúmeras as denúncias sobre a venda das mesmas. O preso que não tem como pagar passa de presídio em presídio e fica geralmente nas celas mais superlotadas e sujas. Para ter direito a cama ou (...) rede (...) tem que pagar. No IRS a galeria (...) destinada a presos que trabalham (...) custa muito dinheiro. Temos informação que chega a custar até R$ 15 mil uma vaga nessa galeria.”
Saúde. “60% dos detentos estão infectados com doenças infectocontagiosas somente porque faltam condições mínimas de higiene, tais como banheiro decente, água filtrada e sabão.”
Alimentação. “A comida que é servida aos presos é horrível, além de custar em média 12 a 14 reais e vem sempre estragada, fria e entregue fora do horário comum das refeições.”
Visitas. “Fila para entrar. Mesmo chegando às 5 horas da manhã não se consegue entrar no horário, pois as mulheres dos chefes do crime chegam tarde e entram na frente da fila, pois os seus lugares são garantidos pelos próprios policiais.”
Revista íntima dos familiares. “Há ocasiões onde várias mulheres ficam nuas durante horas aguardando as agentes concluírem a revista. Os locais das revistas são imundos, cheios de fungos. As revistas são coletivas, o que constrange ainda mais. As portas são abertas sem nenhum cuidado, com as mulheres ainda nuas. É comum as mães, mulheres e irmãs ouvirem comentários maldosos e olhares indiscretos dos agentes e policiais. Porém o pior acontece com as crianças e principalmente com os meninos. Ficam nus sozinhos e tem seus órgãos genitais revistados por policiais militares. Temos relato de que às vezes uma revista em uma criança chega a durar quase meia hora. (...) Em outras vezes as meninas são revistadas junto com as mães tendo que assistir todo o procedimento vexatório que a sua mãe é submetida e sendo obrigada a olhar e depois essa mesma criança fica completamente nua diante das agentes. (...) No dia de visita a maior parte dos familiares sai chorando e constrangido da sala da revista íntima.”
Crime de tortura. “Destes temos as provas de uns cem e temos também um CD com fotos de todos esses casos."
Lucas confirma as torturas:
“Eu apanhava ou era torturado sem saber qual era o motivo. Os policiais ou agentes chegavam de repente, mandavam a gente tirar toda a roupa e levavam a gente pro pátio, que já estava todo molhado. Isso tudo debaixo de pancada. Depois eles mandavam a gente sentar no chão molhado e começavam a dar choque. Eles riam muito da nossa cara”.
Celso Lungaretti (*)
Graças a uma indicação do bom amigo e correspondente José Caldas da Costa, autor de Caparaó - a primeira guerrilha contra a ditadura, tomei conhecimento detalhado de um dos muitos casos escabrosos das prisões do Espírito Santo, este ocorrido no município de Viana.
O jornal capixaba em que Caldas colabora tem nome engraçado, Século Diário. Faz lembrar o Planeta Diário, no qual o Super-Homem finge ser apenas o tímido repórter Clark Kent.
Mas, foi alentador constatar que, longe dos grandes centros, continua se praticando o jornalismo de verdade que, aqui, no más.
Primeiro, o Século Diário fez longa e dramática reconstituição (Masmorras escondem histórias de morte, dor e suplício), em sua edição do último fim de semana, de um episódio de julho de 2009: Lucas Costa de Jesus, de 19 anos, detido por bancar seu vício em drogas traficando pequenas quantidades de maconha, foi alvejado pela tropa de choque que invadiu seu pavilhão na chamada penitenciária de Cascuvi. A bala de borracha o deixou com o lado esquerdo do corpo paralisado, preso a uma cadeira de rodas.
As recordações da casa dos mortos que o repórter José Rabelo colheu de Lucas são bem mais estarrecedoras do que as de Fiodor Dostoievski. Como esta, sobre o assassinato de um preso por outros:
"Lucas conta que durante o curto período em que esteve em Cascuvi, presenciou a cena bárbara de um detento sendo esquartejado. 'Eles chegam bem de surpresa. Enquanto uns cobrem cabeça do preso com um lençol, os outros já vão enfiando os chuchos (...) no peito e na barriga. Na sequencia, eles começam a cortar as partes do corpo. Puseram o coração ainda quente na minha mão e eu tive que segurar. Dava pra ver aquelas coisa amarela saindo. Acho que era gordura'".
E eis o episódio que o privou de uma existência normal:
"Lucas (...) não se lembra de quase nada que aconteceu na noite daquela sinistra segunda-feira (13/07/2009). 'Estava me preparando pra dormir. Já estava até deitado na parte de cima do beliche. Era mais de dez horas da noite quando escutamos os passos dos policiais do BME [Batalhão de Missões Especiais] subindo as escadas correndo. Eles começaram a bater no chapão. Depois entraram com tudo, batendo na gente com cassetetes, dando tiros de 12 e jogando gás. Quando acordei, já estava no hospital. Não me lembro de mais nada. Só sei que estou vivo hoje porque (...) um preso me pegou no colo e implorou socorro para mim".
Depois de passar quase um mês em coma, Lucas voltou a Cascuvi e acabou sendo libertado pela Justiça em função da lastimável condição física a que fora reduzido (tendo até de usar fraldas geriátricas) e da inexistência de cuidados médicos adequados naquela penitenciária.
Apesar da inacreditável omissão do Estado, que não fornece recursos para sua reabilitação (a família é paupérrima e não tem como custear tomografias, fisioterapia, etc.), ele já começa a andar com muletas.
VISITANTES: REVISTAS ÍNTIMAS DE
MENINOS DURAM QUASE MEIA HORA
Mas, o pior de tudo é que não se trata de caso isolado naquele pretenso centro de reeducação (duplipensar orwelliano?), mas sim da ponta de um iceberg, conforme se constata na reportagem seguinte do Século Diário, Pedro Valls exige que caso de baleado na Cascuvi seja investigado ‘até o fim’.
Aí ficamos sabendo que, em agosto/2009, o então desembargador Pedro Valls Feu Rosa, pediu providências das autoridades competentes para apuração imediata de crimes de execuções e torturas e lesões corporais contra Lucas e outros 12 detentos, assinalando:
“...todos os laudos de exame de lesões corporais destes 13 reeducandos foram emitidos em um mesmo dia! Em todos eles o médico legista (...) foi claro: ‘Houve ofensa à integridade física ou à saúde do paciente, e esta ocorreu em decorrência de ação contundente’. (...) Chamou-me a atenção, na sinistra lista que li, o relato alusivo ao (...) 'Lucas Costa de Jesus. Vítima de tortura, espancamento e lesões corporais (...) por parte de policiais dentro do presídio’.(...) Noventa dias foi o tempo que o Estado levou para massacrá-lo, torturá-lo, transformá-lo em paraplégico e depois colocá-lo em liberdade (...) preso a uma cadeira de rodas”.
E o quadro geral que o desembargador apresentou de Cascuvi, novamente, consegue superar o que Dostoievski e nosso Graciliano Ramos narraram, só ficando atrás mesmo dos horrores relatados por Alexander Soljenitsin:
Ocupação das celas. “São inúmeras as denúncias sobre a venda das mesmas. O preso que não tem como pagar passa de presídio em presídio e fica geralmente nas celas mais superlotadas e sujas. Para ter direito a cama ou (...) rede (...) tem que pagar. No IRS a galeria (...) destinada a presos que trabalham (...) custa muito dinheiro. Temos informação que chega a custar até R$ 15 mil uma vaga nessa galeria.”
Saúde. “60% dos detentos estão infectados com doenças infectocontagiosas somente porque faltam condições mínimas de higiene, tais como banheiro decente, água filtrada e sabão.”
Alimentação. “A comida que é servida aos presos é horrível, além de custar em média 12 a 14 reais e vem sempre estragada, fria e entregue fora do horário comum das refeições.”
Visitas. “Fila para entrar. Mesmo chegando às 5 horas da manhã não se consegue entrar no horário, pois as mulheres dos chefes do crime chegam tarde e entram na frente da fila, pois os seus lugares são garantidos pelos próprios policiais.”
Revista íntima dos familiares. “Há ocasiões onde várias mulheres ficam nuas durante horas aguardando as agentes concluírem a revista. Os locais das revistas são imundos, cheios de fungos. As revistas são coletivas, o que constrange ainda mais. As portas são abertas sem nenhum cuidado, com as mulheres ainda nuas. É comum as mães, mulheres e irmãs ouvirem comentários maldosos e olhares indiscretos dos agentes e policiais. Porém o pior acontece com as crianças e principalmente com os meninos. Ficam nus sozinhos e tem seus órgãos genitais revistados por policiais militares. Temos relato de que às vezes uma revista em uma criança chega a durar quase meia hora. (...) Em outras vezes as meninas são revistadas junto com as mães tendo que assistir todo o procedimento vexatório que a sua mãe é submetida e sendo obrigada a olhar e depois essa mesma criança fica completamente nua diante das agentes. (...) No dia de visita a maior parte dos familiares sai chorando e constrangido da sala da revista íntima.”
Crime de tortura. “Destes temos as provas de uns cem e temos também um CD com fotos de todos esses casos."
Lucas confirma as torturas:
“Eu apanhava ou era torturado sem saber qual era o motivo. Os policiais ou agentes chegavam de repente, mandavam a gente tirar toda a roupa e levavam a gente pro pátio, que já estava todo molhado. Isso tudo debaixo de pancada. Depois eles mandavam a gente sentar no chão molhado e começavam a dar choque. Eles riam muito da nossa cara”.
domingo, março 21, 2010
Diálogo sobre a breve diáspora!!!!
Depois de longa temporada aqui em Fundão tentando me recuperar das sequelas da lesão na medula, finalmente mes que vem devo voltar a Brasilia.Vou pronto para, dentro de limitações impostas pela doença, me integrar às ações do PCdoB e entrar de cabeça na campanha de Fredo Ebling para deputado federal. E desta vez, mais experientes, não vamos dispersar nossas forças e levar Fredo para a Câmara dos Deputados.Luiz Aparecido
×Joel Rangel
Luiz vá em frente! Nada é por acaso e o que na verdade tem sentido é viver intensamente, com o coração pulsando de vida e defender o que acredita. Você é assim. Hora dessas cou ai te fazer uma visita (antes de vc viajar)!
×Dino Gracio há 12 horas
Ô da Pavuna! Vc falou que voltria pro DF "meio do ano", coisa assim. Abril NAO é meio do ano. PÔ, meu!
×Luiz Aparecido da Silva há ± 1 hora
Meu caro Dino!
Volto para Brasilia por uma serie de motivos.Conquistei meu auxilio doença do INSS, o que me permite viver melhor em Brasilia. Além disto continuo na briga para receber na integra minha anistia! Saiba mais, lá tenho trabalho e ações politicas que posso fazer, mesmo com as limitações impostas pelas sequelas da minha doença e por fim, porque achei que não tive agora, a calorosa recepção que tive das outras vezes que vim morar no Espirito Santo. A começar pelo partido, que aqui quer me ver pelas costas, com honrosas excessões. Então, por que ficar? Já estou procurando casa lá e articulando minha volta. Lá serei mais util aquilo que me propuz fazer. A vida é assim! Como dizia Chico Flores,vou ali e já volto!!
×Joel Rangel
Luiz vá em frente! Nada é por acaso e o que na verdade tem sentido é viver intensamente, com o coração pulsando de vida e defender o que acredita. Você é assim. Hora dessas cou ai te fazer uma visita (antes de vc viajar)!
×Dino Gracio há 12 horas
Ô da Pavuna! Vc falou que voltria pro DF "meio do ano", coisa assim. Abril NAO é meio do ano. PÔ, meu!
×Luiz Aparecido da Silva há ± 1 hora
Meu caro Dino!
Volto para Brasilia por uma serie de motivos.Conquistei meu auxilio doença do INSS, o que me permite viver melhor em Brasilia. Além disto continuo na briga para receber na integra minha anistia! Saiba mais, lá tenho trabalho e ações politicas que posso fazer, mesmo com as limitações impostas pelas sequelas da minha doença e por fim, porque achei que não tive agora, a calorosa recepção que tive das outras vezes que vim morar no Espirito Santo. A começar pelo partido, que aqui quer me ver pelas costas, com honrosas excessões. Então, por que ficar? Já estou procurando casa lá e articulando minha volta. Lá serei mais util aquilo que me propuz fazer. A vida é assim! Como dizia Chico Flores,vou ali e já volto!!
sexta-feira, março 12, 2010
quarta-feira, março 10, 2010
PCdoB lança Messias para governar Brasilia!!
> Camaradas,
>
> Sexta-feira ( 12/03), as 12:00 horas, será realizada na sede do PCdoB-DF(*) anúncio oficial da pré-candidatura do Advogado Messias de Souza, assessor especial do Ministro Guido Mantega, ao governo do Distrito Federal. Ofereceremos a todas forças políticas da base do governo Lula, para discussão e análise, o nome de um quadro experiente e histórico do partido e militante do PCdoB.
>
> Convidamos a todos a comparecerem e acompanharem a reunião que fará o anúncio oficial da pré-candidatura. Estarão presentes para prestigiar a atividade os presidentes do PSB, PDT e parlamentares, como o Deputado Rodrigo Rollemberg, O senador Cristovam Buarque, o deputado Tadeu Fillipelli e outros organizações partidárias convidadas.
>
> Atenciosamente,
>
> Comissão Política do PCdoB-DF
>
>
> (*) Ed. Venâncio Júnior Bloco M , sala 102, (CONIC)
Tel: 61-3321-6565
>
> Sexta-feira ( 12/03), as 12:00 horas, será realizada na sede do PCdoB-DF(*) anúncio oficial da pré-candidatura do Advogado Messias de Souza, assessor especial do Ministro Guido Mantega, ao governo do Distrito Federal. Ofereceremos a todas forças políticas da base do governo Lula, para discussão e análise, o nome de um quadro experiente e histórico do partido e militante do PCdoB.
>
> Convidamos a todos a comparecerem e acompanharem a reunião que fará o anúncio oficial da pré-candidatura. Estarão presentes para prestigiar a atividade os presidentes do PSB, PDT e parlamentares, como o Deputado Rodrigo Rollemberg, O senador Cristovam Buarque, o deputado Tadeu Fillipelli e outros organizações partidárias convidadas.
>
> Atenciosamente,
>
> Comissão Política do PCdoB-DF
>
>
> (*) Ed. Venâncio Júnior Bloco M , sala 102, (CONIC)
Tel: 61-3321-6565
domingo, março 07, 2010
Coisas do Nilo/Recordações
A cidade em outros tempos
Estas lindas fotos penetraram profundamente em minha mente e avivaram antigas lembranças. Bondes, lanchas, manguezais e catraeiros nos remetem há uma época que creio não retornará. Vou citar alguns fatos e nomes de alguns personagens.
Na Ponta da Fruta, o Humberto, Moacir, Totonho, Antonio Beju e sua esposa Marcimina, Maria Coutinho, Belmiro, João Rosa, Donato, João Couto, Eurides, Juvêncio, Milton Régis, D.Rosinha, D.Didi, seu João, Jorge, D.Moça e Zé Vieira seu marido.
Na mesma localidade residiu o cidadão Zé Brasilício. Negro , de elevada estatura, enchia um saco de 60 kg de peixes, colocava na cabeça e de uma só caminhada chegava na Barra do Jucu, tomava um copo de água, descansava uns cinco minutos e seguia ininterruptamente até Vila Velha para vender sua mercadoria. Era descalço. Os comentários eram de que foi pai de 28 pimpolhos .
Deixou que cimentassem há frente do seu comércio para que fosse o ponto final da linha de ônibus recém criada. O Ribeiro Doce se ligava com o mar. Repleto de tainhas, pitus e acarás. Por volta do meio dia os robalos emergiam para se beneficiarem da luz solar. Jogava a tarrafa, mas havia muito limo e há mesma submergia lentamente dando chance para os mesmos escapulirem. Nunca peguei nenhum. Tinham mais de 03 kg e em boa quantidade. Certos elementos os abatiam a tiros. Caçadores de paca e seus cães rondavam por ali. E muitas vezes conseguiam seu intento.Tudo findou com a construção da Rodovia do Sol, aterro e invasão.
No final da ponte da Madalena, a original, seguindo em direção há B. do Jucu, no lado direito, havia uma pequena casa. Refúgio do Pedro Bote, trabalhador da Texaco e residente no Ataide. Ali reunia seus amigos ou quem estivesse disposto aa provar uma moqueca de Gibóia e outros petiscos.
No Marista tinha Darci, Gilson Laranja, Pitanga, João Mangam de Uruguaiana/RS, Djair, Sandoval, Pacheco, Cubal, Laurino, Dolfinho, Welber, Fernando baixinho, Novaes, Borloti e os manos Apolo e Jorge Risk.
Eram dois campos. Um para menores e outro adulto. Em frente onde funcionava a cantina instalaram um jogo de bola ao mastro.
Tentarei explicar como funcionava, mas não sei se terei êxito. Era uma peça de madeira redonda de uns 2/3 metros de altura, presa ao solo num círculo de cimento . Possuía uma corda fixa na ponta do mastro e
outra na bola oval de cor vermelha . Quem enrolasse primeiro a corda que guiava a bola no poste, era o vencedor . No recreio estava sempre ocupada. Jogava-se em dupla ou individual. Foram professores os irmãos Edgard, Evaldo, Casagrande e o diretor Estevan.
Assisti com a minha classe o lançamento da pedra fundamental do santuário.
Estive no ano de 1958 na inauguração do Estádio Rubens Gomes. Quem me levou foi o botafoguense roxo Mário Monjardim, popular Babinho, na época residindo em Paul. Adalberto,Amauri, Beto, Tomé, Servílio, Pampolini, Nilton Santos, Garrincha, Didi, Edson e Garrinchinha se apresentaram ao povo capixaba. Falta alguém que não me lembro pois Amauri era o arqueiro reserva. Botafogo 03, Santo Antonio zero. Pelo clube da casa o quiper Djalma, Francisco (Chico ) e Lola (Tocinho)os dois últimos da Ilha das Flores.
E os campos de futebol do Atlético e Olímpico F.C., localizados do lado esquerdo da reta indo para a Praia da Costa. O de Jaburuna.
O Glória F.C. com sua praça de esporte perto da Penitenciária. Em frente da Casa Portuguesa o do Tabajara F.C.. Os atuais Soteco e Divino foram praticamente propriedade do Américo Bernardes.Local ermo, surgiram os campos de futebol. O Fluminensinho F.C usava uma daquelas praças. Os irmãos José Moraes, Mauro e Aécio sob a batuta de Mister Ema faziam a redonda rolar pelos gramados.
Em Aribiri próximo ao ponto dos bondes e da garagem teve um cinema. O quintal de D. Marta Vereza e Sr. Vitorino Rauta faziam fronteira com o campo do América F.C. Jogaram no time de vermelho o Pedro Sarrafo, Jonas, João Padeiro, Everaldo, Flávio, Lauro, Lico, Caiúba e Baianinho. O interesante é que saíam uniformizados da casa do Sr. Maneco, que funcionava como sede. E a garotada seguia atrás.
O Alcobaça F.C. era formado por trabalhadores da fábrica, que fabricava e vendia na sua lojinha apetitosos biscoitos e macarrão com o nome da empresa. O Paulo Maia, sem a parte posterior do braço, grande atleta, atuava neste time.
Creio que a D. Cecília e o Sr. Vitorino são os moradores mais antigos da comunidade. E a famosa CHIQUINHA BACO-BACO. Com idade avançada não perdia um jogo dos diabos vermelhos. Acredito que se não chegou aos cem anos ficou próximo ou até ultrapassou.
Por: Nilo walter - Itapuã
Estas lindas fotos penetraram profundamente em minha mente e avivaram antigas lembranças. Bondes, lanchas, manguezais e catraeiros nos remetem há uma época que creio não retornará. Vou citar alguns fatos e nomes de alguns personagens.
Na Ponta da Fruta, o Humberto, Moacir, Totonho, Antonio Beju e sua esposa Marcimina, Maria Coutinho, Belmiro, João Rosa, Donato, João Couto, Eurides, Juvêncio, Milton Régis, D.Rosinha, D.Didi, seu João, Jorge, D.Moça e Zé Vieira seu marido.
Na mesma localidade residiu o cidadão Zé Brasilício. Negro , de elevada estatura, enchia um saco de 60 kg de peixes, colocava na cabeça e de uma só caminhada chegava na Barra do Jucu, tomava um copo de água, descansava uns cinco minutos e seguia ininterruptamente até Vila Velha para vender sua mercadoria. Era descalço. Os comentários eram de que foi pai de 28 pimpolhos .
Deixou que cimentassem há frente do seu comércio para que fosse o ponto final da linha de ônibus recém criada. O Ribeiro Doce se ligava com o mar. Repleto de tainhas, pitus e acarás. Por volta do meio dia os robalos emergiam para se beneficiarem da luz solar. Jogava a tarrafa, mas havia muito limo e há mesma submergia lentamente dando chance para os mesmos escapulirem. Nunca peguei nenhum. Tinham mais de 03 kg e em boa quantidade. Certos elementos os abatiam a tiros. Caçadores de paca e seus cães rondavam por ali. E muitas vezes conseguiam seu intento.Tudo findou com a construção da Rodovia do Sol, aterro e invasão.
No final da ponte da Madalena, a original, seguindo em direção há B. do Jucu, no lado direito, havia uma pequena casa. Refúgio do Pedro Bote, trabalhador da Texaco e residente no Ataide. Ali reunia seus amigos ou quem estivesse disposto aa provar uma moqueca de Gibóia e outros petiscos.
No Marista tinha Darci, Gilson Laranja, Pitanga, João Mangam de Uruguaiana/RS, Djair, Sandoval, Pacheco, Cubal, Laurino, Dolfinho, Welber, Fernando baixinho, Novaes, Borloti e os manos Apolo e Jorge Risk.
Eram dois campos. Um para menores e outro adulto. Em frente onde funcionava a cantina instalaram um jogo de bola ao mastro.
Tentarei explicar como funcionava, mas não sei se terei êxito. Era uma peça de madeira redonda de uns 2/3 metros de altura, presa ao solo num círculo de cimento . Possuía uma corda fixa na ponta do mastro e
outra na bola oval de cor vermelha . Quem enrolasse primeiro a corda que guiava a bola no poste, era o vencedor . No recreio estava sempre ocupada. Jogava-se em dupla ou individual. Foram professores os irmãos Edgard, Evaldo, Casagrande e o diretor Estevan.
Assisti com a minha classe o lançamento da pedra fundamental do santuário.
Estive no ano de 1958 na inauguração do Estádio Rubens Gomes. Quem me levou foi o botafoguense roxo Mário Monjardim, popular Babinho, na época residindo em Paul. Adalberto,Amauri, Beto, Tomé, Servílio, Pampolini, Nilton Santos, Garrincha, Didi, Edson e Garrinchinha se apresentaram ao povo capixaba. Falta alguém que não me lembro pois Amauri era o arqueiro reserva. Botafogo 03, Santo Antonio zero. Pelo clube da casa o quiper Djalma, Francisco (Chico ) e Lola (Tocinho)os dois últimos da Ilha das Flores.
E os campos de futebol do Atlético e Olímpico F.C., localizados do lado esquerdo da reta indo para a Praia da Costa. O de Jaburuna.
O Glória F.C. com sua praça de esporte perto da Penitenciária. Em frente da Casa Portuguesa o do Tabajara F.C.. Os atuais Soteco e Divino foram praticamente propriedade do Américo Bernardes.Local ermo, surgiram os campos de futebol. O Fluminensinho F.C usava uma daquelas praças. Os irmãos José Moraes, Mauro e Aécio sob a batuta de Mister Ema faziam a redonda rolar pelos gramados.
Em Aribiri próximo ao ponto dos bondes e da garagem teve um cinema. O quintal de D. Marta Vereza e Sr. Vitorino Rauta faziam fronteira com o campo do América F.C. Jogaram no time de vermelho o Pedro Sarrafo, Jonas, João Padeiro, Everaldo, Flávio, Lauro, Lico, Caiúba e Baianinho. O interesante é que saíam uniformizados da casa do Sr. Maneco, que funcionava como sede. E a garotada seguia atrás.
O Alcobaça F.C. era formado por trabalhadores da fábrica, que fabricava e vendia na sua lojinha apetitosos biscoitos e macarrão com o nome da empresa. O Paulo Maia, sem a parte posterior do braço, grande atleta, atuava neste time.
Creio que a D. Cecília e o Sr. Vitorino são os moradores mais antigos da comunidade. E a famosa CHIQUINHA BACO-BACO. Com idade avançada não perdia um jogo dos diabos vermelhos. Acredito que se não chegou aos cem anos ficou próximo ou até ultrapassou.
Por: Nilo walter - Itapuã
quarta-feira, fevereiro 24, 2010
Juventude no comando da Revolução!!!
Julio Vellozo:
Desafio do PCdoB é deixar contentamento comodista
Paulista e tocador de cuíca, corintiano e historiador, Julio Vellozo transita bem em universos variados como o do samba, da academia e do movimento estudantil. Aos 33 anos, dos quais 14 são de militância comunista, ele chega à Secretaria de Juventude tendo em seu currículo passagens pela direção da UJS e do comitê paulistano. Agora, assume o desafio de fazer com que o PCdoB saia do “contentamento comodista” que por vezes tem marcado sua atuação na juventude e vá além das vitórias já alcançadas.
Julio Vellozo
Vellozo: PCdoB prioriza a juventude
Nesta entrevista concedida ao Partido Vivo, o novo secretário diz que “a grande questão agora, diante dos grandes êxitos que conquistamos, é como abrir um novo período de crescimento”. Para ele, “isso se torna ainda mais importante se considerarmos que o Brasil vive um momento muito positivo, onde as oportunidades para a esquerda socialista são muito grandes”. E destaca: “ainda temos muito por fazer” na área da juventude frente aos objetivos estratégicos e revolucionários do PCdoB.
Por isso, quer aplicar a política de quadros de maneira a incrementar a formação dos jovens militantes comunistas, ampliar quantitativamente as fileiras do partido na juventude e, ao mesmo tempo, contribuir para que esse público tenha papel protagonista nas próximas eleições. “Conhecemos a força da direita e sabemos que ela ainda não mostrou nem o começo de suas garras”, alerta.
Partido Vivo: Que virtudes e que fraquezas você destacaria no que diz respeito à atuação do PCdoB junto à juventude?
Julio Vellozo: O PCdoB tem muita força entre os jovens e isso é reconhecido nacional e internacionalmente. A União da Juventude Socialista (UJS) – que é a principal frente de trabalho do PCdoB nesse meio – é a maior organização de juventude política do Brasil; é respeitada como tal e atingiu grande protagonismo na cena jovem brasileira especialmente depois de seu relançamento em 1996, quando passou a viver uma trajetória de ascensão. A partir do governo Lula esse crescimento ganhou maior velocidade. Além da UJS, destaco a atuação do partido com relação às Políticas Públicas para a Juventude, um trabalho que começou a crescer no governo Lula e que também tem sido positivo.
A grande questão agora, diante dos grandes êxitos que conquistamos, é como abrir um novo período de crescimento. Isso se torna ainda mais importante se considerarmos que o Brasil vive um momento muito positivo, onde as oportunidades para a esquerda socialista são muito grandes.
Para isso é necessário que não nos contentemos com as vitórias que tivemos até agora, que saiamos do que vem sendo chamado entre nós de um “contentamento comodista”. Hoje, no trabalho de juventude, ainda medimos os nossos êxitos sempre de maneira relativa, ou seja, em comparação com os de outras organizações políticas; isso é um jeito viciado de encarar as coisas. O certo é medirmos nossas vitórias em relação a nossos objetivos estratégicos. Pensando assim vemos que ainda temos muito por fazer.
Partido Vivo: Como deve ser a atuação da Secretaria levando em conta dois dos principais pontos aprovados no 12º Congresso, a defesa do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento (NPND) e a nova política de quadros?
JV: A juventude tem papel fundamental em ambos os casos. No caso do NPND, tem papel central, especialmente no que diz respeito a trabalhar para fazer com que esse ciclo aberto por Lula tenha continuidade em 2011. A juventude, inclusive, tem tido importante participação nesses dois governos. Um exemplo foram as manifestações do dia 16 de agosto de 2005 – que ficaram conhecidas como “Fica, Lula” – quando o governo estava em dificuldades, enfrentando uma série de acusações e a direita preparava uma saída golpista. A juventude deve continuar ocupando posição central na política nacional, o que neste momento significa influenciar as eleições de 2010. Tenho a impressão de que o movimento social como um todo – e dentro dele o de juventude – terá papel fundamental para vencermos as eleições que serão difíceis, apesar de as últimas três pesquisas serem bastante positivas. Conhecemos a força da direita e sabemos que ela ainda não mostrou nem o começo de suas garras.
Sobre a Política de Quadros, aqui na Secretaria de Juventude vemos esta questão como ponto fundamental do que chamamos de estruturação partidária. Trata-se, neste momento, de dar consequência ao que foi discutido e aprovado no 12º Congresso: a necessidade de dirigir o partido pelos quadros, de preparar a nova geração dirigente do partido. Aí o papel da juventude é absolutamente fundamental. Afinal, essa frente é uma grande fornecedora de quadros do partido. Nomes como Orlando Silva Jr. (ministro do Esporte); Luciana Santos (vice-presidente do partido e secretária de Ciência e Tecnologia de Pernambuco); Renildo Calheiros (prefeito de Olinda); Ricardo Abreu “Alemão” (secretário de Relações Internacionais), entre tantos outros, vieram da atuação no movimento estudantil. Em resumo, se não cuidarmos de nossos jovens, teremos uma política de quadros capenga. Um jovem chega à UJS com 15 anos, por exemplo, e sai com 29, portanto, um período em que é definido o futuro dessas pessoas. É nessa fase que se desenvolve a posição política, a profissão, as habilidades e muito da personalidade dessas pessoas. Por tudo isso, pretendo dar uma ênfase especial à questão de quadros na Secretaria de Juventude.
Partido Vivo: Dentro desse universo de itens aprovados no 12º Congresso – e do qual o NPND faz parte – está o Programa Socialista. Como avalia esse documento?
JV: Vejo que o grande mérito do Programa é enfatizar o caminho para o socialismo, retirando a ênfase sobre o que seria sua primeira fase. Quando colocamos a ênfase no caminho, isso tem um efeito imediato de tornar o programa mais factível aos olhos das pessoas. O partido passa, assim, a ter mais possibilidade de convencer o povo de que o objetivo é possível. No programa anterior, ficava sempre aquela pergunta no ar: mas como chegaremos ao socialismo? E o programa atual faz justamente isso: mostra o caminho. E ao fazer isso, ele reforça a convicção socialista porque essa convicção não é como a fé religiosa que – com todo respeito – é absoluta, incondicional. A adesão à nossa causa tem cunho científico, pressupondo, portanto, certa prova e demonstração de que aquilo é factível. Na medida em que o novo Programa mostra um caminho concreto, ele reforça as convicções no rumo estratégico e a ideia de que é possível vencer.
Outra marca fundamental no novo Programa é o fato de coroar todo um esforço que o partido tem feito de compreender melhor o Brasil. É injusto achar que isso é coisa recente porque desde Otávio Brandão, de Agrarismo e Industrialismo, o partido faz um esforço nesse sentido. Esta ideia de que compreender o Brasil era fundamental sempre apareceu, ainda que com menor ênfase nas elaborações do partido.
O diferencial é que desta vez colocamos isso no centro e construímos um caminho brasileiro. O Programa representa, concretamente, uma tentativa de fazer o caminho brasileiro para o socialismo calcado na realidade do país e não emanado de uma teoria abstrata, ou de um modelo importado.
Agora acho também que tudo isso só terá um efeito ampliado se fizermos um grande esforço de divulgação do Programa Socialista. Ele não pode ir para a estante ou para um link do Partido Vivo e ficar ali. Iniciativas como a que está sendo proposta, de imprimir um milhão de livretos do Programa Socialista, devem ser abraçadas pelo partido. Acho que só podemos pôr um ponto final no processo congressual quando fizermos um grande esforço de divulgação do que o congresso decidiu.
Partido Vivo: Voltando à questão da juventude, apesar de ser um partido pequeno, o PCdoB consegue destaque nessa frente, ainda que com limitações. Qual acredita ser o segredo para esse desempenho?
JV: São vários os fatores. O primeiro é que o PCdoB, depois dos trabalhadores, prioriza de fato a juventude, fazendo um grande investimento nessa frente. Isso revela muito do caráter do partido porque uma agremiação política mais pragmática, que tem como objetivo fazer pequenas reformas, não tem necessidade de ter uma frente de juventude forte. Agora, uma sigla como a nossa, de característica revolucionária, com um objetivo estratégico que consiste em construir o socialismo, necessita de uma organização robusta e atuante. Desde que a UJS foi lançada em 1984, a atenção que o partido dá à juventude é muito maior que a das outras legendas.
O segundo aspecto é que uma ideologia revolucionária, que busca mudanças radicais, atrai a juventude. Tem peso também o fato de o partido investir em quadros jovens. E faz isso inclusive em momentos em que o sujeito ainda não está absolutamente pronto, mas está quase. Ou seja, é uma aposta. Por fim, para não me alongar, colocaria o fato de o partido ter uma política justa em relação à juventude. Acredito que nada disso teria força se o PCdoB não tivesse, por exemplo, uma política ampla em relação às entidades estudantis, uma política de não aparelhamento, de diálogo, tratando essas entidades como instrumentos de frente única de luta e não como instrumentos partidários. Portanto, é uma receita de vários ingredientes.
Partido Vivo: Você tocou num ponto importante. O PCdoB por vezes é criticado por um suposto aparelhamento dessas entidades...
JV: Primeiramente, existe uma ideia errada de que o PCdoB comanda a UNE. O PCdoB é minoria na direção da entidade. Fazem parte dela as mais diversas forças do espectro político nacional, como DEM, PSDB, PSol, PT etc. A UNE é, portanto, uma entidade plural dentro da qual estão diferentes forças políticas e inclusive jovens que não fazem parte de nenhuma organização.
Outra crítica que a UNE recebe diz respeito à sua relação com o governo Lula. A entidade sempre teve independência, mas sabe aproveitar o fato de que o Brasil tem um governo democrático e popular e, em defesa dos interesses dos estudantes, aproveita todas as brechas possíveis de negociação para ter conquistas concretas. O que a UNE se recusa – e que a direita e a grande imprensa querem a todo o custo – é a ser um instrumento das tentativas golpistas de setores conservadores para desestabilizar o governo. Existe hoje um bloco de forças que dirige a entidade – da qual a UJS faz parte – que tem muito clara a ideia de que a UNE, para ser independente e defender os interesses dos estudantes, precisa aproveitar as oportunidades que um governo como o de Lula abre para conquistar vitórias para os jovens. A UNE critica o governo no que é necessário, mas ela não vai cumprir o papel que a direita gostaria: ser um instrumento de desestabilização do governo para a própria direita voltar ao poder.
Partido Vivo: Quais devem ser os próximos passos da secretaria, especialmente levando em conta as eleições deste ano?
JV: Um dos pontos tem a ver com o que coloquei antes. Para não deixarmos que a turma durma sobre os louros, a secretaria estabeleceu, há algum tempo, uma data-símbolo: o ano de 2022, centenário do PCdoB e bicentenário da Independência do Brasil. O objetivo é chegarmos – se possível até antes dessa data – a um trabalho de juventude de qualidade superior, a uma posição de hegemonia no Brasil entre a juventude.
Para isso, trabalhamos com dois vetores: ter uma UJS de massas e ter um trabalho de juventude o mais diversificado possível, que aborde esse público em suas mais diferentes áreas. Esse seria o nosso ponto de chegada. A ideia é trabalhar com esse horizonte, mas ao mesmo tempo com foco porque quando temos somente o horizonte, ficamos diletantes; por outro lado, se tivermos apenas foco, perdemos o horizonte. Nosso foco para o período mais imediato é a realização do Congresso da UJS em junho, em Salvador; queremos que a UJS reúna ao menos 100 mil jovens num mês em que estaremos na boca do gol da campanha eleitoral. Queremos que esse congresso seja um momento de inflexão da campanha entre os jovens.
Do ponto de vista do partido, nosso esforço será ganhar conjunto de nossas direções para esta concepção e esses objetivos. Vamos ter uma postura “campanhista” na secretaria para que o PCdoB como um todo se aproprie dessa estratégia.
Da redação,
Priscila Lobregatte
Desafio do PCdoB é deixar contentamento comodista
Paulista e tocador de cuíca, corintiano e historiador, Julio Vellozo transita bem em universos variados como o do samba, da academia e do movimento estudantil. Aos 33 anos, dos quais 14 são de militância comunista, ele chega à Secretaria de Juventude tendo em seu currículo passagens pela direção da UJS e do comitê paulistano. Agora, assume o desafio de fazer com que o PCdoB saia do “contentamento comodista” que por vezes tem marcado sua atuação na juventude e vá além das vitórias já alcançadas.
Julio Vellozo
Vellozo: PCdoB prioriza a juventude
Nesta entrevista concedida ao Partido Vivo, o novo secretário diz que “a grande questão agora, diante dos grandes êxitos que conquistamos, é como abrir um novo período de crescimento”. Para ele, “isso se torna ainda mais importante se considerarmos que o Brasil vive um momento muito positivo, onde as oportunidades para a esquerda socialista são muito grandes”. E destaca: “ainda temos muito por fazer” na área da juventude frente aos objetivos estratégicos e revolucionários do PCdoB.
Por isso, quer aplicar a política de quadros de maneira a incrementar a formação dos jovens militantes comunistas, ampliar quantitativamente as fileiras do partido na juventude e, ao mesmo tempo, contribuir para que esse público tenha papel protagonista nas próximas eleições. “Conhecemos a força da direita e sabemos que ela ainda não mostrou nem o começo de suas garras”, alerta.
Partido Vivo: Que virtudes e que fraquezas você destacaria no que diz respeito à atuação do PCdoB junto à juventude?
Julio Vellozo: O PCdoB tem muita força entre os jovens e isso é reconhecido nacional e internacionalmente. A União da Juventude Socialista (UJS) – que é a principal frente de trabalho do PCdoB nesse meio – é a maior organização de juventude política do Brasil; é respeitada como tal e atingiu grande protagonismo na cena jovem brasileira especialmente depois de seu relançamento em 1996, quando passou a viver uma trajetória de ascensão. A partir do governo Lula esse crescimento ganhou maior velocidade. Além da UJS, destaco a atuação do partido com relação às Políticas Públicas para a Juventude, um trabalho que começou a crescer no governo Lula e que também tem sido positivo.
A grande questão agora, diante dos grandes êxitos que conquistamos, é como abrir um novo período de crescimento. Isso se torna ainda mais importante se considerarmos que o Brasil vive um momento muito positivo, onde as oportunidades para a esquerda socialista são muito grandes.
Para isso é necessário que não nos contentemos com as vitórias que tivemos até agora, que saiamos do que vem sendo chamado entre nós de um “contentamento comodista”. Hoje, no trabalho de juventude, ainda medimos os nossos êxitos sempre de maneira relativa, ou seja, em comparação com os de outras organizações políticas; isso é um jeito viciado de encarar as coisas. O certo é medirmos nossas vitórias em relação a nossos objetivos estratégicos. Pensando assim vemos que ainda temos muito por fazer.
Partido Vivo: Como deve ser a atuação da Secretaria levando em conta dois dos principais pontos aprovados no 12º Congresso, a defesa do Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento (NPND) e a nova política de quadros?
JV: A juventude tem papel fundamental em ambos os casos. No caso do NPND, tem papel central, especialmente no que diz respeito a trabalhar para fazer com que esse ciclo aberto por Lula tenha continuidade em 2011. A juventude, inclusive, tem tido importante participação nesses dois governos. Um exemplo foram as manifestações do dia 16 de agosto de 2005 – que ficaram conhecidas como “Fica, Lula” – quando o governo estava em dificuldades, enfrentando uma série de acusações e a direita preparava uma saída golpista. A juventude deve continuar ocupando posição central na política nacional, o que neste momento significa influenciar as eleições de 2010. Tenho a impressão de que o movimento social como um todo – e dentro dele o de juventude – terá papel fundamental para vencermos as eleições que serão difíceis, apesar de as últimas três pesquisas serem bastante positivas. Conhecemos a força da direita e sabemos que ela ainda não mostrou nem o começo de suas garras.
Sobre a Política de Quadros, aqui na Secretaria de Juventude vemos esta questão como ponto fundamental do que chamamos de estruturação partidária. Trata-se, neste momento, de dar consequência ao que foi discutido e aprovado no 12º Congresso: a necessidade de dirigir o partido pelos quadros, de preparar a nova geração dirigente do partido. Aí o papel da juventude é absolutamente fundamental. Afinal, essa frente é uma grande fornecedora de quadros do partido. Nomes como Orlando Silva Jr. (ministro do Esporte); Luciana Santos (vice-presidente do partido e secretária de Ciência e Tecnologia de Pernambuco); Renildo Calheiros (prefeito de Olinda); Ricardo Abreu “Alemão” (secretário de Relações Internacionais), entre tantos outros, vieram da atuação no movimento estudantil. Em resumo, se não cuidarmos de nossos jovens, teremos uma política de quadros capenga. Um jovem chega à UJS com 15 anos, por exemplo, e sai com 29, portanto, um período em que é definido o futuro dessas pessoas. É nessa fase que se desenvolve a posição política, a profissão, as habilidades e muito da personalidade dessas pessoas. Por tudo isso, pretendo dar uma ênfase especial à questão de quadros na Secretaria de Juventude.
Partido Vivo: Dentro desse universo de itens aprovados no 12º Congresso – e do qual o NPND faz parte – está o Programa Socialista. Como avalia esse documento?
JV: Vejo que o grande mérito do Programa é enfatizar o caminho para o socialismo, retirando a ênfase sobre o que seria sua primeira fase. Quando colocamos a ênfase no caminho, isso tem um efeito imediato de tornar o programa mais factível aos olhos das pessoas. O partido passa, assim, a ter mais possibilidade de convencer o povo de que o objetivo é possível. No programa anterior, ficava sempre aquela pergunta no ar: mas como chegaremos ao socialismo? E o programa atual faz justamente isso: mostra o caminho. E ao fazer isso, ele reforça a convicção socialista porque essa convicção não é como a fé religiosa que – com todo respeito – é absoluta, incondicional. A adesão à nossa causa tem cunho científico, pressupondo, portanto, certa prova e demonstração de que aquilo é factível. Na medida em que o novo Programa mostra um caminho concreto, ele reforça as convicções no rumo estratégico e a ideia de que é possível vencer.
Outra marca fundamental no novo Programa é o fato de coroar todo um esforço que o partido tem feito de compreender melhor o Brasil. É injusto achar que isso é coisa recente porque desde Otávio Brandão, de Agrarismo e Industrialismo, o partido faz um esforço nesse sentido. Esta ideia de que compreender o Brasil era fundamental sempre apareceu, ainda que com menor ênfase nas elaborações do partido.
O diferencial é que desta vez colocamos isso no centro e construímos um caminho brasileiro. O Programa representa, concretamente, uma tentativa de fazer o caminho brasileiro para o socialismo calcado na realidade do país e não emanado de uma teoria abstrata, ou de um modelo importado.
Agora acho também que tudo isso só terá um efeito ampliado se fizermos um grande esforço de divulgação do Programa Socialista. Ele não pode ir para a estante ou para um link do Partido Vivo e ficar ali. Iniciativas como a que está sendo proposta, de imprimir um milhão de livretos do Programa Socialista, devem ser abraçadas pelo partido. Acho que só podemos pôr um ponto final no processo congressual quando fizermos um grande esforço de divulgação do que o congresso decidiu.
Partido Vivo: Voltando à questão da juventude, apesar de ser um partido pequeno, o PCdoB consegue destaque nessa frente, ainda que com limitações. Qual acredita ser o segredo para esse desempenho?
JV: São vários os fatores. O primeiro é que o PCdoB, depois dos trabalhadores, prioriza de fato a juventude, fazendo um grande investimento nessa frente. Isso revela muito do caráter do partido porque uma agremiação política mais pragmática, que tem como objetivo fazer pequenas reformas, não tem necessidade de ter uma frente de juventude forte. Agora, uma sigla como a nossa, de característica revolucionária, com um objetivo estratégico que consiste em construir o socialismo, necessita de uma organização robusta e atuante. Desde que a UJS foi lançada em 1984, a atenção que o partido dá à juventude é muito maior que a das outras legendas.
O segundo aspecto é que uma ideologia revolucionária, que busca mudanças radicais, atrai a juventude. Tem peso também o fato de o partido investir em quadros jovens. E faz isso inclusive em momentos em que o sujeito ainda não está absolutamente pronto, mas está quase. Ou seja, é uma aposta. Por fim, para não me alongar, colocaria o fato de o partido ter uma política justa em relação à juventude. Acredito que nada disso teria força se o PCdoB não tivesse, por exemplo, uma política ampla em relação às entidades estudantis, uma política de não aparelhamento, de diálogo, tratando essas entidades como instrumentos de frente única de luta e não como instrumentos partidários. Portanto, é uma receita de vários ingredientes.
Partido Vivo: Você tocou num ponto importante. O PCdoB por vezes é criticado por um suposto aparelhamento dessas entidades...
JV: Primeiramente, existe uma ideia errada de que o PCdoB comanda a UNE. O PCdoB é minoria na direção da entidade. Fazem parte dela as mais diversas forças do espectro político nacional, como DEM, PSDB, PSol, PT etc. A UNE é, portanto, uma entidade plural dentro da qual estão diferentes forças políticas e inclusive jovens que não fazem parte de nenhuma organização.
Outra crítica que a UNE recebe diz respeito à sua relação com o governo Lula. A entidade sempre teve independência, mas sabe aproveitar o fato de que o Brasil tem um governo democrático e popular e, em defesa dos interesses dos estudantes, aproveita todas as brechas possíveis de negociação para ter conquistas concretas. O que a UNE se recusa – e que a direita e a grande imprensa querem a todo o custo – é a ser um instrumento das tentativas golpistas de setores conservadores para desestabilizar o governo. Existe hoje um bloco de forças que dirige a entidade – da qual a UJS faz parte – que tem muito clara a ideia de que a UNE, para ser independente e defender os interesses dos estudantes, precisa aproveitar as oportunidades que um governo como o de Lula abre para conquistar vitórias para os jovens. A UNE critica o governo no que é necessário, mas ela não vai cumprir o papel que a direita gostaria: ser um instrumento de desestabilização do governo para a própria direita voltar ao poder.
Partido Vivo: Quais devem ser os próximos passos da secretaria, especialmente levando em conta as eleições deste ano?
JV: Um dos pontos tem a ver com o que coloquei antes. Para não deixarmos que a turma durma sobre os louros, a secretaria estabeleceu, há algum tempo, uma data-símbolo: o ano de 2022, centenário do PCdoB e bicentenário da Independência do Brasil. O objetivo é chegarmos – se possível até antes dessa data – a um trabalho de juventude de qualidade superior, a uma posição de hegemonia no Brasil entre a juventude.
Para isso, trabalhamos com dois vetores: ter uma UJS de massas e ter um trabalho de juventude o mais diversificado possível, que aborde esse público em suas mais diferentes áreas. Esse seria o nosso ponto de chegada. A ideia é trabalhar com esse horizonte, mas ao mesmo tempo com foco porque quando temos somente o horizonte, ficamos diletantes; por outro lado, se tivermos apenas foco, perdemos o horizonte. Nosso foco para o período mais imediato é a realização do Congresso da UJS em junho, em Salvador; queremos que a UJS reúna ao menos 100 mil jovens num mês em que estaremos na boca do gol da campanha eleitoral. Queremos que esse congresso seja um momento de inflexão da campanha entre os jovens.
Do ponto de vista do partido, nosso esforço será ganhar conjunto de nossas direções para esta concepção e esses objetivos. Vamos ter uma postura “campanhista” na secretaria para que o PCdoB como um todo se aproprie dessa estratégia.
Da redação,
Priscila Lobregatte
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
Imperialismo americano esta mais vivo que nunca!!!
Cercando a Venezuela - Ignacio Ramonet
Posted: 04 Feb 2010 11:51 PM PST
Chávez vive um cerco ao seu país
A chegada ao poder do presidente Hugo Chávez na Venezuela no dia 2 de fevereiro de 1999 coincidiu com um acontecimento militar traumático para os Estados Unidos: o fechamento de sua principal instalação militar na região, a base Howard, situada no Panamá, e fechada em virtude dos Tratados Torrijos-Carter (1977).
Em substituição, o Pentágono elegeu quatro localidades para controlar a região: Manta, no Equador; Comalapa, em El Salvador; e nas ilhas de Aruba e Curaçao (de soberania holandesa).
A suas – por assim dizer – "tradicionais" missões de espionagem adicionou novos cometidos oficiais a estas bases (vigiar o narcotráfico e combater a imigração clandestina para os Estados Unidos); além de outras tarefas encobertas, tais como lutar contra os insurgentes colombianos; controlar os fluxos de petróleo e minerais, os recursos de água doce e a biodiversidade.
Porém, desde o início, seus principais objetivos foram: vigiar a Venezuela e desestabilizar a Revolução Bolivariana. Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, o Secretário norte-americano de Defesa, Donald Rumsfeld, definiu uma nova doutrina militar para enfrentar o "terrorismo internacional".
Modificou a estratégia de deslocamento exterior, fundada na existência de enormes bases dotadas de numeroso pessoal. E decidiu substituir essas megabases por um número muito mais elevado de Foreing Operating Location (FOL, Lugar Operacional Preposicionado) e de Cooperative Security Locations (CSL, Lugar de Segurança Compartilhado), com pouco pessoal militar, porém equipado com tecnologias ultramodernas de detecção.
Resultado: em pouco tempo, a quantidade de instalações militares estadunidenses no exterior se multiplicou, alcançando a insólita soma de 865 bases de tipo FOL ou CSL localizadas em 46 países. Jamais na história, uma potência multiplicou de tal modo seus postos militares de controle para implantar-se através do planeta.
Na América Latina, o redesdobramento de bases permitiu que a de Manta (Equador) colaborasse no falido golpe de Estado de 11 de abril de 2002 contra o presidente Chávez. A partir de então, uma campanha midiática dirigida por Washington começa a difundir falsas informações sobre a pretendida presença nesse país de células de organizações como Hamas, Hezbolah e até Al Qaeda.
Com o pretexto de vigiar tais movimentos e em represália contra o governo de Caracas, que pôs fim, em maio de 2004, a meio século de presença militar estadunidense na Venezuela, o Pentágono amplia o uso de suas bases militares nas ilhas de Aruba e Curaçao, situadas muito próximas das costas venezuelanas, onde, ultimamente, têm sido incrementadas as visitas de navios de guerra dos Estados Unidos.
Isso tem sido denunciado recentemente pelo presidente Chávez: "É bom que a Europa saiba que o império norteamericano está armado até os dentes; enchendo as ilhas de Aruba e Curaçao com aviões e navios de guerra. (...) Estou acusando o Reino dos Países Baixos de estar preparando, junto com o império yanqui, uma agressão contra a Venezuela" (1).
Em 2006, em Caracas se começa a falar em "socialismo do século XXI"; nasce a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) e Hugo Chávez é reeleito presidente. Washington reage impondo um embargo sobre a venda de armas para a Venezuela sob o pretexto de que Caracas "não colabora suficientemente na guerra contra o terrorismo". Os aviões F-16 das Forças Aéreas venezuelanas ficam sem peças de reposição.
Diante dessa situação, as autoridades venezuelanas estabelecem um acordo com a Rússia para dotar sua força aérea de aviões Sukhoi. Washington denuncia um suposto "rearmamento massivo" da Venezuela, omitindo recordar que os maiores orçamentos militares da América Latina são os do Brasil, da Colômbia e do Chile. E que, a cada ano, a Colômbia recebe uma ajuda militar estadunidense de US$ 630 milhões (uns 420 milhões de euros). A partir daí, as coisas se aceleram.
No dia 1º de março de 2008, ajudadas pela base de Manta, as forças colombianas atacam um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), situado no interior do território do Equador.
Quito, em represália, decide não renovar o acordo sobre a base de Manta que venceu em novembro de 2009.
Washington responde, no mês seguinte, com a reativação da IV Frota (desativada em 1948, há 60 anos...), cuja missão é vigiar a costa atlântica da América do Sul. Um mês mais tarde, os Estados sulamericanos, reunidos em Brasília, respondem criando a União das Nações Sulamericanas (Unasul); e, em março de 2009, criaram o Conselho de Defesa Sulamericano.
Umas semanas depois, o embaixador dos Estados Unidos em Bogotá anuncia que a base de Manta será relocalizada em Palanquero, na Colômbia. Em junho, com o apoio da base estadunidense de Soto Cano acontece o golpe de Estado em Honduras contra o presidente Manuel Zelaya, que havia conseguido integrar seu país a Alba.
Em agosto, o Pentágono anuncia que estabeleceria sete novas bases militares na Colômbia. E, em outubro, o presidente conservador do Panamá, Ricardo Matinelli, admite que cedeu aos Estados Unidos o uso de quatro novas bases militares.
Desse modo, a Venezuela e a Revolução Bolivariana se veem rodeadas por nada menos que 13 bases estadunidenses, situadas na Colômbia, no Panamá, em Aruba e em Curaçao. Bem como pelos porta-aviões e navios de guerra da IV Frota.
O presidente Obama parece ter deixado mãos livres ao Pentágono. Tudo anuncia uma agressão iminente. Os povos consentirão que um novo crime contra a democracia seja cometido na América Latina?
Nota:
(1) Discurso no Encontro da ALBA com os Movimentos Sociais, Dinamarca, Copenhague, 17 de dezembro de 2009.
Publicado originalmente no Le Monde Diplomatique em espanhol nº 171 Janeiro de 2010
Posted: 04 Feb 2010 11:51 PM PST
Chávez vive um cerco ao seu país
A chegada ao poder do presidente Hugo Chávez na Venezuela no dia 2 de fevereiro de 1999 coincidiu com um acontecimento militar traumático para os Estados Unidos: o fechamento de sua principal instalação militar na região, a base Howard, situada no Panamá, e fechada em virtude dos Tratados Torrijos-Carter (1977).
Em substituição, o Pentágono elegeu quatro localidades para controlar a região: Manta, no Equador; Comalapa, em El Salvador; e nas ilhas de Aruba e Curaçao (de soberania holandesa).
A suas – por assim dizer – "tradicionais" missões de espionagem adicionou novos cometidos oficiais a estas bases (vigiar o narcotráfico e combater a imigração clandestina para os Estados Unidos); além de outras tarefas encobertas, tais como lutar contra os insurgentes colombianos; controlar os fluxos de petróleo e minerais, os recursos de água doce e a biodiversidade.
Porém, desde o início, seus principais objetivos foram: vigiar a Venezuela e desestabilizar a Revolução Bolivariana. Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, o Secretário norte-americano de Defesa, Donald Rumsfeld, definiu uma nova doutrina militar para enfrentar o "terrorismo internacional".
Modificou a estratégia de deslocamento exterior, fundada na existência de enormes bases dotadas de numeroso pessoal. E decidiu substituir essas megabases por um número muito mais elevado de Foreing Operating Location (FOL, Lugar Operacional Preposicionado) e de Cooperative Security Locations (CSL, Lugar de Segurança Compartilhado), com pouco pessoal militar, porém equipado com tecnologias ultramodernas de detecção.
Resultado: em pouco tempo, a quantidade de instalações militares estadunidenses no exterior se multiplicou, alcançando a insólita soma de 865 bases de tipo FOL ou CSL localizadas em 46 países. Jamais na história, uma potência multiplicou de tal modo seus postos militares de controle para implantar-se através do planeta.
Na América Latina, o redesdobramento de bases permitiu que a de Manta (Equador) colaborasse no falido golpe de Estado de 11 de abril de 2002 contra o presidente Chávez. A partir de então, uma campanha midiática dirigida por Washington começa a difundir falsas informações sobre a pretendida presença nesse país de células de organizações como Hamas, Hezbolah e até Al Qaeda.
Com o pretexto de vigiar tais movimentos e em represália contra o governo de Caracas, que pôs fim, em maio de 2004, a meio século de presença militar estadunidense na Venezuela, o Pentágono amplia o uso de suas bases militares nas ilhas de Aruba e Curaçao, situadas muito próximas das costas venezuelanas, onde, ultimamente, têm sido incrementadas as visitas de navios de guerra dos Estados Unidos.
Isso tem sido denunciado recentemente pelo presidente Chávez: "É bom que a Europa saiba que o império norteamericano está armado até os dentes; enchendo as ilhas de Aruba e Curaçao com aviões e navios de guerra. (...) Estou acusando o Reino dos Países Baixos de estar preparando, junto com o império yanqui, uma agressão contra a Venezuela" (1).
Em 2006, em Caracas se começa a falar em "socialismo do século XXI"; nasce a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) e Hugo Chávez é reeleito presidente. Washington reage impondo um embargo sobre a venda de armas para a Venezuela sob o pretexto de que Caracas "não colabora suficientemente na guerra contra o terrorismo". Os aviões F-16 das Forças Aéreas venezuelanas ficam sem peças de reposição.
Diante dessa situação, as autoridades venezuelanas estabelecem um acordo com a Rússia para dotar sua força aérea de aviões Sukhoi. Washington denuncia um suposto "rearmamento massivo" da Venezuela, omitindo recordar que os maiores orçamentos militares da América Latina são os do Brasil, da Colômbia e do Chile. E que, a cada ano, a Colômbia recebe uma ajuda militar estadunidense de US$ 630 milhões (uns 420 milhões de euros). A partir daí, as coisas se aceleram.
No dia 1º de março de 2008, ajudadas pela base de Manta, as forças colombianas atacam um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), situado no interior do território do Equador.
Quito, em represália, decide não renovar o acordo sobre a base de Manta que venceu em novembro de 2009.
Washington responde, no mês seguinte, com a reativação da IV Frota (desativada em 1948, há 60 anos...), cuja missão é vigiar a costa atlântica da América do Sul. Um mês mais tarde, os Estados sulamericanos, reunidos em Brasília, respondem criando a União das Nações Sulamericanas (Unasul); e, em março de 2009, criaram o Conselho de Defesa Sulamericano.
Umas semanas depois, o embaixador dos Estados Unidos em Bogotá anuncia que a base de Manta será relocalizada em Palanquero, na Colômbia. Em junho, com o apoio da base estadunidense de Soto Cano acontece o golpe de Estado em Honduras contra o presidente Manuel Zelaya, que havia conseguido integrar seu país a Alba.
Em agosto, o Pentágono anuncia que estabeleceria sete novas bases militares na Colômbia. E, em outubro, o presidente conservador do Panamá, Ricardo Matinelli, admite que cedeu aos Estados Unidos o uso de quatro novas bases militares.
Desse modo, a Venezuela e a Revolução Bolivariana se veem rodeadas por nada menos que 13 bases estadunidenses, situadas na Colômbia, no Panamá, em Aruba e em Curaçao. Bem como pelos porta-aviões e navios de guerra da IV Frota.
O presidente Obama parece ter deixado mãos livres ao Pentágono. Tudo anuncia uma agressão iminente. Os povos consentirão que um novo crime contra a democracia seja cometido na América Latina?
Nota:
(1) Discurso no Encontro da ALBA com os Movimentos Sociais, Dinamarca, Copenhague, 17 de dezembro de 2009.
Publicado originalmente no Le Monde Diplomatique em espanhol nº 171 Janeiro de 2010
terça-feira, janeiro 19, 2010
considerações hereticas sobre aliança politica para derrotar direita em Brasilia!
BRASILIA TEM JEITO!!!
Luiz Aparecido*
Muita gente ainda esta atarantada com os acontecimentos que abalaram
as estruturas da política de Brasília. O chamado “mensalão do DEM”,
denunciado por gente do próprio governo Arruda, flagrou do governador
a secretários de Estado e deputados distritais da base governista,
recebendo dinheiro de propina pelas mãos de Durval Ferreira, então
secretario de Relações Institucionais do governador Arruda. O
escândalo mobilizou quem faz política a serio no Distrito Federal, o
Ministério Publico, a OAB e entidades da sociedade civil e partidos
oposicionistas.
Mas quem fez barulho mesmo e foi para a rua mobilizar o povo foi a
juventude, principalmente as ligadas aos partidos de esquerda como
PCdoB, parte do PT, Psol, PSTU, UNE, UJS e outras. A mobilização “Fora
Arruda” arrefeceu um pouco com as festas de fim de ano, mas parece que
voltam mais acirradas e organizadas agora. Considero que essas
manifestações devem ser ampliadas, envolvendo as massas que
decidem, esclarecendo o povo pobre da periferia das cidades satélites,
principal base popular de apoio governista. Sem este povo na luta não
se vai a lugar nenhum, porque será uma minoria nas ruas gritando “Fora
Arruda”. Mas, nas eleições que se aproximam, o “povão" vai lá e vota no
ex-governador Joaquim Roriz ou num candidato apoiado por Arruda.
O que fazer!
È preciso copiar milhões de vídeos/DVDs das imagens do escândalo,
distribuir ao povo pobre das periferias e realizar mutirões de visitas
a estes lugares para conversar com a população e explicar as causas do
escândalo. Só uma mo bilização massiva e permanente, pode criar as
condições de se articular uma base política forte para derrotar essa
corja de corruptos populistas que domina a cena política brasiliense
há décadas. Não se pode esquecer que a corrupção agora denunciada tem
origem nos governos de Roriz, Arruda e seus aliados -- filhotes do
mesmo ovo da serpente.
Não é hora de exclusivismo. Quem esta nas ruas
protestando, deve ser a base da aliança política capaz de
derrotar o populismo de Roriz/Arruda e seus asseclas. É preciso estar alerta
contra o oportunismo que tenta montar na situação como num "cavalo selado".
Exemplo disso é o caso do vacilante e pusilânime ex-ministro e
ex-deputado, Agnelo Queiroz, que oportunisticamente abandonou o P CdoB (onde
construiu sua vida política) para, como bom carreirista, correr atrás de
uma vaga de candidato a governador. Dois meses antes do escândalo vir a
tona, ele já sabia de tudo; conhecia os vídeos mostrando a
corrupção e ficou calado. Isto é grave e desqualifica uma figura que faria qualquer coisa
para ser governador do DF e vem se escalando como alternativa.
Somar forças e ir ao povo!
Se a mobilização continuar e se ampliar, incluindo parcelas
significativas das massas das periferias, liberando a coragem de costurar
alianças com quem esta na luta para a escolha do nome capaz de unir essas forças,
é possível ganhar as eleições de outubro e construir um
governo democrático e popular no Distrito Federal. Para isso, as forças polític as
mais consequentes devem buscar unir todos os setores avançados nas diversas
agremiações partidárias e nas organizações democráticas da sociedade civil.
Só assim, o sistema montado há décadas no DF para iludir o povo,
destruir o projeto arquitetônico/humanista e roubar dinheiro publico,
poderá ser derrotado nas urnas. Projetos exclusivistas (como o modelo PT, que
sempre quer montar a cabeça, tronco e membros da chapa, aventuras
individuais e sem base social, ou alianças de cúpulas partidárias, tendem a fracassar.
A direita corrupta vai se unir e, novamente logrando o povo pobre e carente das
periferias, ganhará novamente as eleições.
Por isso é preciso desprendimento, clareza de objetivos e inserção junto
ao povo para derrotar a quadrilha populista e corrupta. E, sem medo d e errar,
relembro que há um político em Brasília capaz de
derrotar a direita demotucana: é Orlando Carrielo, que já foi candidato a
governador, é um homem de esquerda honesto e desprendido e pode, se
não houver preconceito das forças envolvidas neste projeto
de salvação do Distrito Federal, ganhar as eleições e expulsar de vez
esta corja que domina o cenário político e de poder da capital do
Pais. E se houver outro nome no seio da esquerda combativa de
Brasília, capaz de desempenhar esta tarefa hercúlea, que apareça. A
hora é agora.
Pode significar o nascimento de uma nova força política inserida no povo e
com grandeza suficiente para acabar com o preconceito, que há tanto
tempo internamente derrota a própria esquerda. Mas essa força tem que mergulhar
no seio das massas despossuidas, carentes e mantidas como
ref éns dos populistas de direita. Vamos construir esta aliança
imbatível com quem está hoje nas ruas combatendo Arruda e sua corja!
*Jornalista e ex-secretário adjunto de Comunicação do DF
Luiz Aparecido*
Muita gente ainda esta atarantada com os acontecimentos que abalaram
as estruturas da política de Brasília. O chamado “mensalão do DEM”,
denunciado por gente do próprio governo Arruda, flagrou do governador
a secretários de Estado e deputados distritais da base governista,
recebendo dinheiro de propina pelas mãos de Durval Ferreira, então
secretario de Relações Institucionais do governador Arruda. O
escândalo mobilizou quem faz política a serio no Distrito Federal, o
Ministério Publico, a OAB e entidades da sociedade civil e partidos
oposicionistas.
Mas quem fez barulho mesmo e foi para a rua mobilizar o povo foi a
juventude, principalmente as ligadas aos partidos de esquerda como
PCdoB, parte do PT, Psol, PSTU, UNE, UJS e outras. A mobilização “Fora
Arruda” arrefeceu um pouco com as festas de fim de ano, mas parece que
voltam mais acirradas e organizadas agora. Considero que essas
manifestações devem ser ampliadas, envolvendo as massas que
decidem, esclarecendo o povo pobre da periferia das cidades satélites,
principal base popular de apoio governista. Sem este povo na luta não
se vai a lugar nenhum, porque será uma minoria nas ruas gritando “Fora
Arruda”. Mas, nas eleições que se aproximam, o “povão" vai lá e vota no
ex-governador Joaquim Roriz ou num candidato apoiado por Arruda.
O que fazer!
È preciso copiar milhões de vídeos/DVDs das imagens do escândalo,
distribuir ao povo pobre das periferias e realizar mutirões de visitas
a estes lugares para conversar com a população e explicar as causas do
escândalo. Só uma mo bilização massiva e permanente, pode criar as
condições de se articular uma base política forte para derrotar essa
corja de corruptos populistas que domina a cena política brasiliense
há décadas. Não se pode esquecer que a corrupção agora denunciada tem
origem nos governos de Roriz, Arruda e seus aliados -- filhotes do
mesmo ovo da serpente.
Não é hora de exclusivismo. Quem esta nas ruas
protestando, deve ser a base da aliança política capaz de
derrotar o populismo de Roriz/Arruda e seus asseclas. É preciso estar alerta
contra o oportunismo que tenta montar na situação como num "cavalo selado".
Exemplo disso é o caso do vacilante e pusilânime ex-ministro e
ex-deputado, Agnelo Queiroz, que oportunisticamente abandonou o P CdoB (onde
construiu sua vida política) para, como bom carreirista, correr atrás de
uma vaga de candidato a governador. Dois meses antes do escândalo vir a
tona, ele já sabia de tudo; conhecia os vídeos mostrando a
corrupção e ficou calado. Isto é grave e desqualifica uma figura que faria qualquer coisa
para ser governador do DF e vem se escalando como alternativa.
Somar forças e ir ao povo!
Se a mobilização continuar e se ampliar, incluindo parcelas
significativas das massas das periferias, liberando a coragem de costurar
alianças com quem esta na luta para a escolha do nome capaz de unir essas forças,
é possível ganhar as eleições de outubro e construir um
governo democrático e popular no Distrito Federal. Para isso, as forças polític as
mais consequentes devem buscar unir todos os setores avançados nas diversas
agremiações partidárias e nas organizações democráticas da sociedade civil.
Só assim, o sistema montado há décadas no DF para iludir o povo,
destruir o projeto arquitetônico/humanista e roubar dinheiro publico,
poderá ser derrotado nas urnas. Projetos exclusivistas (como o modelo PT, que
sempre quer montar a cabeça, tronco e membros da chapa, aventuras
individuais e sem base social, ou alianças de cúpulas partidárias, tendem a fracassar.
A direita corrupta vai se unir e, novamente logrando o povo pobre e carente das
periferias, ganhará novamente as eleições.
Por isso é preciso desprendimento, clareza de objetivos e inserção junto
ao povo para derrotar a quadrilha populista e corrupta. E, sem medo d e errar,
relembro que há um político em Brasília capaz de
derrotar a direita demotucana: é Orlando Carrielo, que já foi candidato a
governador, é um homem de esquerda honesto e desprendido e pode, se
não houver preconceito das forças envolvidas neste projeto
de salvação do Distrito Federal, ganhar as eleições e expulsar de vez
esta corja que domina o cenário político e de poder da capital do
Pais. E se houver outro nome no seio da esquerda combativa de
Brasília, capaz de desempenhar esta tarefa hercúlea, que apareça. A
hora é agora.
Pode significar o nascimento de uma nova força política inserida no povo e
com grandeza suficiente para acabar com o preconceito, que há tanto
tempo internamente derrota a própria esquerda. Mas essa força tem que mergulhar
no seio das massas despossuidas, carentes e mantidas como
ref éns dos populistas de direita. Vamos construir esta aliança
imbatível com quem está hoje nas ruas combatendo Arruda e sua corja!
*Jornalista e ex-secretário adjunto de Comunicação do DF
quinta-feira, janeiro 14, 2010
LUTA PELA VERDADEE PELA VIDA!!!
ECOS DO PORÃO!!! - Emiliano José
Fico pensando no que foi o nazismo. No Tribunal de Nuremberg. Na justiça que se procurou fazer diante daquele genocídio. Julgou-se os assassinos, e ponto. Não os que a ele resistiram. E só o faço como alusão à situação brasileira.
Fico pensando na decisão argentina de abrir todos os arquivos confidenciais das Forças Armadas referentes ao período da ditadura militar, ocorrida entre 1976-1983. Essa abertura foi feita para subsidiar a apuração de violações aos direitos humanos durante aquele período.
E penso novamente no Brasil, no barulho que se está fazendo diante da possibilidade da criação da Comissão Nacional da Verdade, que já aconteceu na maioria dos países da América Latina que viveram também a tenebrosa experiência de ditaduras. Nesses países encara-se com naturalidade que criminosos, torturadores, assassinos sejam julgados, e muitos deles foram julgados, condenados e presos.
Quem desembarcasse no Brasil nos últimos dias e não soubesse nada de nossa história, certamente começaria a assimilar a idéia de que não houve ditadura. Que ela não matou, não seqüestrou, não torturou barbaramente homens, mulheres, crianças, religiosos, religiosas. Que não empalou pessoas, que não fez desaparecer seres humanos, que não cortou cabeças, que não queimou corpos. Que não cultivou o pau de arara, o choque elétrico, o afogamento, a cadeira do dragão, que não patrocinou monstros como Carlos Alberto Brilhante Ustra ou Sérgio Paranhos Fleury, este morto, o primeiro ainda exibindo sua arrogância, cinismo e ainda certeza da impunidade.
De repente, se não insistirmos na luta para afirmar a verdade da história, gente do nosso povo pode até acreditar na versão que querem passar de que houve apenas uma luta entre um regime legal e os que a ele se opunham.
É falso, mentiroso dizer que a Comissão Nacional da Verdade que se pretende implantar queira eliminar a Lei de Anistia. Ela pretende, se instalada, apurar todas as violações de direitos humanos ocorridas no âmbito da repressão política durante os 21 anos de ditadura.
É a forma de legalmente desencadear o processo histórico, político, ético,
criminal, como disse o ministro Vannuchi, de todos os episódios de tortura, assassinatos e desaparecimentos de opositores políticos registrados naquele período.
O que se sustenta, aqui e em todo o mundo democrático, é que a tortura é crime imprescritível, e que esse crime não pode permanecer impune. Não é à toa que o ex-ditador Pinochet, um assassino, foi detido em Londres e depois julgado em seu país.
Não se queira fazer acreditar que a Comissão Nacional da Verdade pretenda desmoralizar as Forças Armadas. Ao contrário. Pretende-se que quaisquer que sejam os cidadãos que tenham cometido o crime da tortura ou que tenham assassinado pessoas por razões políticas ou tenham feito com que desaparecessem sejam julgados por seus crimes de lesa-humanidade.
E julgamento é atribuição do Judiciário, com sua soberania e com os ritos próprios da democracia. Diz-se isso para que se diferencie dos mais de 20 anos da ditadura, onde não havia qualquer legalidade. Muitos dos nossos companheiros não chegaram a ser julgados: foram mortos de forma covarde, insista-se na palavra, covarde, na tortura brutal, cruel, e os registros históricos são vastíssimos. Não cabem neste artigo.
Assistam o filme Cidadão Boilensen. É interessante como registro da associação corrupta entre grupos empresariais e a Operação Bandeirante, entre o aparato repressivo e as finanças, entre a ditadura e o grande negócio. Puro banditismo, acobertado pelo silêncio imposto à época. E para compreender, também, parte, apenas parte, da impressionante crueldade desse aparato.
Não sei como se movimentará a sociedade brasileira nesse caso. Sei que mais de 10 mil cidadãos assinaram um manifesto, inclusive eu, defendendo que os envolvidos em crimes de tortura em nome do Estado brasileiro devem ser julgados e punidos pelos seus atos.
Estamos defendendo a civilização, a humanidade, a democracia. Não dá para acobertar crimes como o da tortura ou assassinatos e desaparecimentos de opositores políticos. Esta é a posição de quem não esquece o terrorismo da ditadura. A posição de quem defende intransigentemente a democracia. E que grita: ditadura, nunca mais!
Emiliano Jose é Jornalista, escritor, deputado federal (PT/BA)
fonte : Agência Carta Maior
Fico pensando no que foi o nazismo. No Tribunal de Nuremberg. Na justiça que se procurou fazer diante daquele genocídio. Julgou-se os assassinos, e ponto. Não os que a ele resistiram. E só o faço como alusão à situação brasileira.
Fico pensando na decisão argentina de abrir todos os arquivos confidenciais das Forças Armadas referentes ao período da ditadura militar, ocorrida entre 1976-1983. Essa abertura foi feita para subsidiar a apuração de violações aos direitos humanos durante aquele período.
E penso novamente no Brasil, no barulho que se está fazendo diante da possibilidade da criação da Comissão Nacional da Verdade, que já aconteceu na maioria dos países da América Latina que viveram também a tenebrosa experiência de ditaduras. Nesses países encara-se com naturalidade que criminosos, torturadores, assassinos sejam julgados, e muitos deles foram julgados, condenados e presos.
Quem desembarcasse no Brasil nos últimos dias e não soubesse nada de nossa história, certamente começaria a assimilar a idéia de que não houve ditadura. Que ela não matou, não seqüestrou, não torturou barbaramente homens, mulheres, crianças, religiosos, religiosas. Que não empalou pessoas, que não fez desaparecer seres humanos, que não cortou cabeças, que não queimou corpos. Que não cultivou o pau de arara, o choque elétrico, o afogamento, a cadeira do dragão, que não patrocinou monstros como Carlos Alberto Brilhante Ustra ou Sérgio Paranhos Fleury, este morto, o primeiro ainda exibindo sua arrogância, cinismo e ainda certeza da impunidade.
De repente, se não insistirmos na luta para afirmar a verdade da história, gente do nosso povo pode até acreditar na versão que querem passar de que houve apenas uma luta entre um regime legal e os que a ele se opunham.
É falso, mentiroso dizer que a Comissão Nacional da Verdade que se pretende implantar queira eliminar a Lei de Anistia. Ela pretende, se instalada, apurar todas as violações de direitos humanos ocorridas no âmbito da repressão política durante os 21 anos de ditadura.
É a forma de legalmente desencadear o processo histórico, político, ético,
criminal, como disse o ministro Vannuchi, de todos os episódios de tortura, assassinatos e desaparecimentos de opositores políticos registrados naquele período.
O que se sustenta, aqui e em todo o mundo democrático, é que a tortura é crime imprescritível, e que esse crime não pode permanecer impune. Não é à toa que o ex-ditador Pinochet, um assassino, foi detido em Londres e depois julgado em seu país.
Não se queira fazer acreditar que a Comissão Nacional da Verdade pretenda desmoralizar as Forças Armadas. Ao contrário. Pretende-se que quaisquer que sejam os cidadãos que tenham cometido o crime da tortura ou que tenham assassinado pessoas por razões políticas ou tenham feito com que desaparecessem sejam julgados por seus crimes de lesa-humanidade.
E julgamento é atribuição do Judiciário, com sua soberania e com os ritos próprios da democracia. Diz-se isso para que se diferencie dos mais de 20 anos da ditadura, onde não havia qualquer legalidade. Muitos dos nossos companheiros não chegaram a ser julgados: foram mortos de forma covarde, insista-se na palavra, covarde, na tortura brutal, cruel, e os registros históricos são vastíssimos. Não cabem neste artigo.
Assistam o filme Cidadão Boilensen. É interessante como registro da associação corrupta entre grupos empresariais e a Operação Bandeirante, entre o aparato repressivo e as finanças, entre a ditadura e o grande negócio. Puro banditismo, acobertado pelo silêncio imposto à época. E para compreender, também, parte, apenas parte, da impressionante crueldade desse aparato.
Não sei como se movimentará a sociedade brasileira nesse caso. Sei que mais de 10 mil cidadãos assinaram um manifesto, inclusive eu, defendendo que os envolvidos em crimes de tortura em nome do Estado brasileiro devem ser julgados e punidos pelos seus atos.
Estamos defendendo a civilização, a humanidade, a democracia. Não dá para acobertar crimes como o da tortura ou assassinatos e desaparecimentos de opositores políticos. Esta é a posição de quem não esquece o terrorismo da ditadura. A posição de quem defende intransigentemente a democracia. E que grita: ditadura, nunca mais!
Emiliano Jose é Jornalista, escritor, deputado federal (PT/BA)
fonte : Agência Carta Maior
Assinar:
Postagens (Atom)

