domingo, fevereiro 12, 2012

Jovens vão a Cuba em missão de Solidariedade.

No final de janeiro, num comercial paraibano de um prédio residencial, um colunista
social afirmou que sua mulher e filhos estavam presentes no lançamento do
empreendimento, “menos Luiza, que está no Canadá”. O episódio ganhou postagens na
mídia social, brincando com o fato. Dias depois, quando Luiza voltou ao Brasil, lá estava, no
aeroporto, uma equipe do Jornal Nacional, da Rede Globo, dando dimensão jornalística a uma
banalidade. No dia seguinte à reportagem, Jenny, uma alagoana militante do PCdoB baiano,
embarcou para Cuba, numa viagem nada banal: integrava a XIX Brigada Sul-Americana de
Solidariedade a Cuba.

Coordenada pelo Instituto Cubano de Amizade com os Povos, a brigada se formou com
delegações da Argentina, Brasil, Chile e Uruguai, somando 230 integrantes, dos quais 126
brasileiros e, destes, 13 residentes na Bahia. O objetivo foi ampliar a compreensão da
realidade cubana e, ao mesmo tempo, realizar jornadas de trabalho voluntário, como aporte ao
desenvolvimento agrícola na esfera produtiva do país, e como turismo político-cultural.

Ao contrário da garota da elite nordestina, Jenny e muitos outros brigadistas brasileiros fazem
parte do que vem sendo chamado de “nova classe C”: vivem do próprio trabalho, alguns se
endividaram para fazer a viagem e todos uniram o prazer de uma viagem turística ao empenho
de fortalecer a luta pela construção de uma sociedade em que a busca do lucro e da fugaz
celebridade sem causa não é o objetivo central. Antes do embarque, os viajantes compraram
material escolar, produtos de limpeza, de higiene e saúde e alimentos não perecíveis. Uma
forma de ajudar os insulanos a enfrentar o criminoso bloqueio econômico imposto pelos
Estados Unidos.

Na Ilha ficaram até 5 de fevereiro. Durante o período, quando conseguia acesso à internet,
Jenny postava: “Até o momento, várias emoções estão acontecendo ao mesmo tempo. Fomos
para Varadero ontem, coisa linda de morrer, inacreditável existir um local como aquele. Comida
e bebida inclusas no hotel com transporte por 25 cucs, mui maravilhoso. Hoje tivemos atividade
de iniciação na brigada e, com todos chegando, foram feitas as reuniões, recomendações e um
pouco da historia de Cuba e do que estão enfrentando atualmente. Acordamos todos os dias
às 5 da manha, com o galo cantando e musica latina. Banho gelado e todos muito animados.
Comida boa e farta. Palestras várias e todas emocionantes e repletas de ideologia e patriotismo.
Ahhh, a net é uma porcaria.”.

Alguns dias depois: “Pessoal, tentarei ser breve. pois a net está péssima e a fila interminável.
Bem, ontem fomos a Santa Clara e visitamos o Memorial do Che. Hoje fomos fazer nosso
trabalho voluntário no campo. Amanhã também será no campo”. Após dois dias: “Inicialmente
gostaria de dizer que o trabalho no campo realmente é extremamente pesado, ao menos
para mim que não possuo prática alguma, e muito cansativo, como cortar cana. Mas muito
interessante saber que os trabalhadores do campo daqui possuem nível superior, alguns em
filosofia, agronomia, história e assim por diante. Somos tratados com todo o carinho do mundo
por vir ate aqui e contribuir. A política daqui e totalmente diferente da do Brasil”.

Na capital, os internacionalistas participaram de uma manifestação: “Ontem fomos a Havana
velha, muito parecida com o Pelourinho. Participamos da marcha das tochas, junto com
a juventude cubana. Inacreditável a organização e, mais uma vez, o patriotismo de todos
eles. Não dá para descrever a emoção de ver quase 20 mil pessoas caminhando com tochas,
pontualidade e disciplina. Pudemos visitar o Museu da Revolução. É lindo, repleto de história
viva e forte. As ruas limpas, nada aqui cheira ruim e, mesmo sendo tudo muito antigo, a
organização e limpeza são de espantar”.

Enquanto a XIX Brigada estava lá, Cuba recebeu a visita da presidenta Dilma, acompanha
de um batalhão de repórteres brasileiros. As emissoras de TV mandaram seus jornalistas
procurarem uma blogueira pró-imperialista, queridinha da mídia reacionária, e pautou
reportagens acentuando as dificuldades vividas pelos cubanos – responsabilizando a revolução,

e não o cerco estadunidense, pelas vicissitudes enfrentadas. A atividade dos sul-americanos foi
vitimada pela conspiração do silêncio dos que cobriram a visita presidencial.

Alheios a isso, os brigadistas visitaram a Ilha da Juventude como um de seus últimos
passeios: “Lições de vida e solidariedade realmente é o que mais me impressionam no povo.
A recepção que fazem para nos brigadistas é coisa de outro mundo. Não tenho palavras para
descrever, apenas lágrimas nos olhos por lembrar o momento que estamos sendo privilegiados
de estar vivendo aqui. Muita emoção à flor da pele. Como viveríamos melhor em uma sociedade
onde o ser humano fosse o foco”, postou a comunista brasileira.

Antes de partir, os brasileiros, argentinos, chilenos e uruguaios escreveram uma Declaração de
Solidariedade: “Cuba é hoje um país onde a seguridade social está garantida. Todos os cubanos
e cubanas, de qualquer idade, têm direito à educação, em todos os níveis, sendo esta gratuita,
totalmente subsidiada, de qualidade e avançada. O mesmo ocorre com demais direitos sociais:
alimentação, saúde, pesquisa, habitação, lazer, aposentadoria, cultura, esportes”. Fazem
também uma série de denúncias dos crimes perpetrados contra a Ilha socialista. Leia a íntegra
da declaração no link:

http://edisonpuente.blogspot.com/2012/02/declaracao-de-solidariedade-xix-brigada.html

Os brasileiros desembarcaram de volta no dia 6 de fevereiro. A equipe do Jornal Nacional não
estava lá. Globo, nada a ver.

No circulo, Jenny!
Solidarizemo-nos também pelo twitter: @Carlopo

6 comentários:

Luiz Ap. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luiz Ap. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luiz Ap. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luiz Ap. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luiz Ap. disse...

Este é o relato da própria Jenny que ousei postar nos "Comentarios"!
Jenny Tillmann Pompe
Caros amigos e amigas, como entrei a pouco numa discussão de um colega sobre cuba, aproveito a oportunidade para divulgar um pouco do que pude vivenciar em cuba. isto que estou postando aqui é a resposta a um grupo então talvez fique um pouco fora de ordem e prioridades do que gostaria de relatar, enfim é o inicio do relato
retornei de Cuba a 4 dias, fui brigadista de uma associação em solidariedade ao povo cubano. estou ainda muito emocionada por tudo que vivi em Cuba junto ao seu povo e com 123 brasileiros - dentre 13 baianos -230 brigadistas sulamericana . realmente é cruel ver o que nosso povo pensa do que Cuba é. Realmente a mídia pode acabar com um país em pouco tempo. Cuba como o próprio povo cubano relata, não é o país ideal, mas existe algum pais ideal? Infelizmente devido ao BLOQUEIO que Cuba sofre, o pais não possuem internet suficiente a todos. porém, apesar da dificuldade de acesso, todos os médicos e professores possuem acesso diario a internet que é lenta demais. Qto a educação é dificil explicar pq para nós brasileiros é muito utópico. Todas as cças estão na escola gratuita, com 20 alunos por sala, todos uniformizados, material escolar gratuito, professores especialistas em sala de aula, com laboratorio de informatica com programas feito para eles e por eles, esporte e arte na modalidade que tenha melhor aptidão, refeição durante o periodo integral. os pais são obrigados a manter seu filho na escola que fica em seu bairro e os professores residem na mesma comunidade, o médico, enfermeiro, artistas, etc, etc. a universidade é gratuita e de livre escolha para todos é necessario para ingressa-la conhecimento de historia, matematica e lingua latina. no trabalho voluntario que realizamos os camponeses que realizavam todas as atividades agricolas possuem ensino superior e ganham a mesma coisa que um médico ou um professor. o deputado é indicado e eleito pelos membros de sua comunidade e ser deputado não é cargo é ser voluntário, na realidade o deputado é um cidadão comum - professor, lavrador, recepcionista, e representa seu povo levando suas revindicações para o congresso que determinam as coisas 2 x ao ano. os artistas - qualquer um deles - tem seu material publicado em menos de 2 meses e entregue em quantidade suficiente em todas as provincias do país. ele recebe o mesmo que o medico, o professor e o agricultor. o povo cubano não paga por saúde, medicamentos, moradia, alimentação... praticamente mais de 90% da população são funcionarios do Estado. claro que mesmo sendo TUDO gratuito não é suficiente para ter uma vida confortável para os parametros capitalista como o nosso, porém vivem bem sem juntar posses e diante disso existe uma grande dificuldade de sair do pais devido aos valores altos de passagens e levar dinheiro para fora tbm. enfim, claro q a tal sociedade perfeita está longe de existir em qualquer lugar do mundo, mas amigos saibam que lá apesar das dificuldades é um país 100% solidario entre eles e isso não tem preço. Parabéns pela discussão e espero que todos vcs possam participar do XX encontro nacional em solidariedade ao povo cubano que será sediado em maio deste ano em SSA. é a oportunidade que todos teremos de aprender mais e saber o que este terrível bloqueio faz pelo pais que não consegui se comunicar como nós estamos fazendo agora livremente. VIVA CUBA! VIVA O SOCIALISMO! bjokas

Jenny Tillmann Pompe disse...

não tenho palavras para agradecer! adorei, fico cada vez mais emocionada em ver outros se emocionando com o que vivemos. com certeza dá mais ânimo para lutar por uma sociedade mais justa. VIVA O SOCIALISMO! um grande bj